DST
Novembro 2024
Gilnei Kruger Penno
Seção I Capítulo
1
DST
• Úlceras
genitais;
• Uretrites;
• HPV -
Papilomavirus
Úlceras
Genitais
Síndrome clínica secundária a agentes
infecciosos sexualmente transmissíveis e
que se manifestam por meio de lesões
ulcerativas erosivas, precedidas ou não por
pústulas e/ou vesículas, podendo ou não
estar acompanhadas de dor, ardor, prurido,
drenagem de material mucopurulento,
sangramento e linfadenopatia regional.
Sífilis • A sífilis primária
• ou “cancro duro”
Primária • incubação de 10 a 90 dias
(média de três semanas).
• 1ª manifestação é uma úlcera,
única, no local de entrada da
bactéria (pênis, vulva,
vagina, colo uterino, ânus,
boca ou outros locais do
tegumento)
• Indolor
• base endurecida e fundo
limpo,
• pode durar entre duas e seis
semanas,
• desaparecendo
espontaneamente,
Herpes • vírus herpes simples (HSV) tipo 1 e tipo 2 são vírus
DNA com dupla-fita.
Genital • HSV-1 provoca principalmente infecções orais + 50% das
infecções genitais
• HSV-2 causa herpes genital
• transmitido por contato sexual.
• As mulheres são mais suscetíveis a infecção e são
mais sintomáticas
• maior parte das transmissões ocorre a partir de
pessoas que não sabem que estão infectadas.
• A primoinfecção tem incubação médio de 6 dias
(manifestação mais severa)
• lesões eritematopapulosas, de 1 a 3 mm de diâmetro
• evoluem para vesículas sobre base eritematosa
• muito dolorosas.
• podendo cursar com febre, mal-estar, mialgia e disúria
• linfadenomegalia inguinal dolorosa bilateral em 50% dos
casos
• nos homens pode provocar corrimento e é raro lesões
extragenitais.
• após a infecção genital, ascende pelos nervos
periféricos e entra em latência.
Cancroide
• causado por uma bactéria Gram-negativa, o Haemophilus
ducreyi.
• cancroide, cancro venéreo ou cancro de Ducreyi.
• risco de contrair a doença por meio do intercurso
sexual é de 80%.
• incubação é geralmente de 3 a 5 dias, podendo se
estender por até 14 dias.
• lesões dolorosas e múltiplas.
• borda é irregular, contornos eritematosos e fundo
sujo, recoberto por exsudato necrótico, amarelado,
odor fétido e sangramento fácil.
• no homem normalmenteno freio e sulco balanoprepucial
• na mulher, a fúrcula e a face interna dos pequenos e
Linfogranuloma
venéreo (LGV)
• Chlamydia trachomatis sorotipos L1, L2 e L3.
• manifestação clínica mais comum é a linfadenopatia
inguinal e/ou femoral
• evolução da doença ocorre em três fases:
• Fase de inoculação: pápula, pústula ou exulceração
indolor que desaparece sem deixar sequela, no
homem, no sulco coronal, frênulo e prepúcio; na
mulher, na parede vaginal posterior, colo uterino,
fúrcula
• Fase de disseminação linfática regional: 1 a 6
semanas após a lesão inicial e depende do local
da lesão de inoculação.
Donovanose
• Klebsiella granulomatis.
• pele e mucosas das regiões genitais,
perianais e inguinais
• pouco frequente,
• climas tropicais e subtropicais.
• ulceração de borda plana ou
hipertrófica, bem delimitada, fundo
granuloso, de aspecto vermelho vivo e
de sangramento fácil.
• a ulceração evolui lenta e
progressivamente,
• podendo tornar-se vegetante ou
ulcerovegetante.
Métodos diagnósticos
A etiologia das úlceras genitais
é determinada pela associação de
sinais e sintomas clínicos,
histórico de exposição ao risco e
resultados de testes diagnósticos
Haemophilus
ducreyi
Microscopia de material coletado na
ulcera e corado pela técnica do
Gram: bacilos Gram-negativos
pequenos, agrupados em correntes
dos tipos “cardume de peixes”,
“vias férreas” ou “impressões
digitais”
Treponema
pallidum
• O diagnóstico laboratorial depende do estágio em que a doença se encontra:
• Pesquisa em Campo Escuro: sífilis primária e secundaria.
• Testes treponêmicos:
• anticorpos específicos contra os antígenos de T. pallidum.
• Primeiros a se tornarem reagentes.
• 85% dos casos, permanecem reagentes por toda vida.
• detectados por imunofluorescência(FTA-ABS)
• por aglutinação no ensaio de micro-hemaglutinação para T. pallidum (MHA-TP),
• ensaio de hemaglutinação de T. pallidum (TPHA)
• teste de aglutinação de partículas para T. pallidum (TP-PA).
• Resultados falso-positivos são incomuns doença do colágeno, lúpus eritematos
infecções
• Testes não treponêmicos:
• anticorpos anticardiolipina não específicos para os antígenos do T. pallidum.
• permitem a análise qualitativa e quantitativa.
• sempre analisar a amostra pura e diluída expresso em títulos (1:2, 1:4, 1:8 etc
• são utilizados para o diagnóstico e monitoramento da resposta ao tratamento e c
• teste de reagina plasmática rápida (RPR),
• teste Venereal Disease Research Laboratory (VDRL)
• teste de soro vermelho de toluidina não aquecido (TRUST).
• Os resultados são positivos em 21 dias
Outros testes
diagnósticos
Para os demais patógenos, isto é, HSV-1 e HSV-2,
Chlamydia trachomatis, Linfogranuloma sorovariantes
(L1, L2, L2a, L2b e L3) e Klebsiella granulomatis, o
diagnóstico se dará pela exclusão de sífilis
(Treponema pallidum) e cancroide (Haemophilus
ducreyi), associada ao histórico de exposição ao
risco, sinais e sintomas clínicos.
Tratamen
tos
Tratamen
tos
URETRITES
• Dois grupos:
• Uretrites gonocócicas
• Uretrites não gonocócicas,
• grande risco de associação entre as duas é
grande.
• 10 a 40% das mulheres acometidas por infecção
não tratada por gonococo ou clamídia desenvolvem
doença inflamatória pélvica (DIP), sendo que 25%
se tornarão inférteis.
• Entre os homens, a clamídia também pode ser causa
Uretrites
gonocócicas
• Neisseria gonorreae (diplococo Gram-negativo
intracelular),
• Incubação 2 a 5 dias,
• jovens de 15 a 30 anos,
• inicia com prurido uretral.
• Um a três dias depois evolui ardência miccional
(estrangúria) e secreção uretral mucopurulenta.
• complicações balanites, prostatite, epididimite,
estenose uretral, pielonefrite, faringite,
miocardite e conjuntivite, por autoinoculação.
Uretrites
gonocócicas
Diagnóstico
• O diagnóstico pode ser feito através swab,
coloração de Gram,
• diplococos Gram-negativos
• 95% dos homens e 30% nas mulheres.
• No caso de não ter material de secreção uretral
para coleta, o paciente pode ser submetido à
cultura em meio Thayer Martin (atmosfera rica em
CO2) ou com imunofluorescência indireta ou
hibridização de ácidos nucleicos.
Uretrites
gonocócicas
Tratamento
• 1ª linha - ceftriaxona 1 g via intramuscular
ou intravenosa, associada com azitromicina ou
doxiciclina (possibilidade de coinfecção com a
clamídia).
• Os parceiros sexuais também deverão ser tratados,
mesmo que assintomáticos, pelo alto percentual de
transmissão (90-99%).
Uretrites não
gonocócicas
Microrganismos principais:
• Chlamydia trachomatis,
• Ureoplasma hominis,
• Thichomonas vaginalis,
• Cândida albicans,
• Staphylococus sp.
• herpes simplex vírus.
**Esses agentes não coram pelo método de Gram e têm
suas culturas negativas para gonococo
Uretrites não
gonocócicas
Chlamydia trachomatis
• causa mais comum de DST nos homens.
• incubação de 3 a 14 dias.
• corrimento ralo, mucoide e discreto
• 75% das mulheres assintomáticas, maiorrisco de transmissão.
• 40% podem evoluir para DIP
• homens, pode de evoluir para prostatite, balanite,
epididimite e conjuntivite (por autoinoculação).
Uretrites não
gonocócicas
Chlamydia trachomatis
• diagnóstico é por esfregaço uretral, em paciente
sintomático.
• imunofluorescência direta é outro método
• teste de amplificação de ácidos nucleicos (PCR e captura
híbrida), apresentando uma sensibilidade maior que a
cultura (> 99,6%).
Uretrites não
gonocócicas
Chlamydia trachomatis
Tratamento
Azitromicina, 1 g dose única ou
Doxiciclina, 100 mg de 12 em 12 horas, por 7
dias.
*** Deve-se evitar relação sexual nos primeiros 7
dias e todos os parceiros sexuais deverão ser
encaminhados para atendimento médico.
Uretrites não
gonocócicas
Trichomonas vaginalis
• Trichomonas vaginalis.
• incubação de 4 a 28 dias
• Diagnóstico exame direto da secreção uretral ou
• Imunofluorescência ou
• PCR
• tratamento é recomendado com metronidazol 2 g via oral em
dose única
• *** Sempre tratar o parceiro
PAPILOMAVÍRUS HUMANO –
HPV
• quando associadas ao HPV, são chamadas de
condiloma acuminado.
• DNA vírus que causa papilomatoses humanas ou
verrugas genitais
• mais de 100 tipos do vírus, onde de 40 deles
potenciais causadores de doença condilomatosa.
• Sua importância surgiu devido à alta associação
ao câncer de pênis, colo de útero e canal anal,
sendo os subtipos 16 e 18 os mais prevalentes
nesses casos.
• 10% a 20% da população brasileira tenha HPV.
• contato não é sinônimo de contágio.
• Tempo de incubação do vírus é incerto, de meses
até décadas.
PAPILOMAVÍRUS HUMANO –
HPV
Quadro clínico
• lesões condilomatosas, macias, sésseis ou
pedunculadas
• evolui para forma clínica ou subclínica.
• forma clínica é caracterizada pelas lesões vistas
a olho nu, nos homens (prepúcio e sulco
balanoprepucial, glande, uretra e escroto)
• forma subclínica é muito mais frequente e só pode
ser evidenciada com o uso de lentes e o emprego de
ácido acético a 5% nas áreas suspeitas, por meio
da genitoscopia.
• As lesões podem regredir espontaneamente, ou
progredir para lesões displásicas ou podem ser
tratadas e ficar latentes.
PAPILOMAVÍRUS HUMANO –
HPV
Diagnóstico
• Exame físico com visualização das lesões
condilomatosas ou verrucosas.
• Peniscopia com ácido acético a 5%
• Biopsiar pacientes imunodeprimidos, lesões
suspeitas de malignidades ou piora após
tratamento
PAPILOMAVÍRUS HUMANO –
HPV
Tratamento
• Nenhum tratamento eficiente; os pacientes deverão ser orientados sobre:
• latência do vírus,
• chance de recorrência
• necessidade de abordagens terapêuticas diferentes.
• uso de preservativos não é uma forma eficaz de prevenção,
• eliminação das lesões também não reduz o risco de transmissão.
• tratamento depende da localização, número e tamanho, além do nível de
instrução do paciente:
• Procedimentos citodestrutivos: excisão cirúrgica, laser, ácido
salicílico, eletrocoagulação, criocauterização, ácido
bi/tricloroacético.
• Antivirais imunomoduladores: interferon, oligonucleoides,
dinitroclorobenzeno, cidofovir, imiquimode.
• Quimioterapia: bleomicina, 5-fluorouracil, podofilina, podofilotoxin
PAPILOMAVÍRUS HUMANO –
HPV
Vacina para HPV
• tecnologia de DNA recombinante (bivalente 16 e
18; tetravalente 6-11-16-18).
• Em 2011, no Brasil, foi liberada a vacina
tetravalente para homens de 9 a 26 anos.
• também estão indicadas para meninas e mulheres
de 9 a 45 anos
• homossexuais do sexo masculino também vem
demonstrando um benefício semelhante na
prevenção de câncer de canal anal.