0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações59 páginas

Conforto e Sustentabilidade na Arquitetura

ok

Enviado por

ariltonpaulo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações59 páginas

Conforto e Sustentabilidade na Arquitetura

ok

Enviado por

ariltonpaulo
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UNIVERSIDADE INDEPENDENTE DE ANGOLA

FACULDADE DE CIÊNCIAS DE ENGENHARIA E TECNOLOGIA


CURSO: ARQUITECTURA E URBANISMO

TRABALHO DE PROJECTO V

CONFORTO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE NA ARQUITECTURA

Docente:
______________________________

Messa Ndompetelo Leonardo

Luanda, 2025
UNIVERSIDADE INDEPENDENTE DE ANGOLA
FACULDADE DE CIÊNCIAS DE ENGENHARIA E TECNOLOGIA
CURSO: ARQUITECTURA E URBANISMO

TRABALHO DE PROJECTO V

CONFORTO AMBIENTAL E SUSTENTABILIDADE NA ARQUITECTURA


EDIFÍCIO DE ESCRITÓRIO

Nome: Arilton Ismael Pedro Paulo

Nº 200651

Sala: B 2.12

Turma: A1

Turno: Manhã

Luanda, 2025.
DEDICATÓRIA

Dedico à todos aqueles que apoiaram-me directa ou indirectamente..

AGRADECIMENTOS

Agradeço, a Deus, pelo fôlego de vida e força, saúde para terminar este projeto.
Aos meus familiares, amigos e professores por partilharem o seu conhecimento.
2.11.4. Normas técnicas de construção ........................................................................................... 18
ÍNDICE 2.11.5. Regulamento geral das edificações urbanas (RGEU) ....................................................... 19
1.5. INTRODUÇÃO ................................................................................................................................... 8
2.11.6. Levantamento de legislação internacional ......................................................................... 21
1.5.1 Problemática .................................................................................................................................. 8
[Link] Brasil .................................................................................................................................... 21
1.5.2 Hipóteses ........................................................................................................................................ 8 [Link].2 Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) .................................................... 22

1.5.3 Objectivo Geral ............................................................................................................................. 8 2.12. Normas técnicas na elaboração de projectos de edificação ................................................. 24

1.5.4 Objetivos Específicos..................................................................................................................... 8 2.13. Reconhecimento do terreno (elementos físicos naturais e construídos) ................................. 28

1.5.5 Metodologia.................................................................................................................................... 9 2.14. Noções de conforto, tais como: insolação, ventilação e iluminação (macro, meso e micro
localização) ............................................................................................................................................ 28
2. PROCESSO INVESTIGATIVO ........................................................................................................... 9
2.1. Investigação na internet, a estabelecimentos (ministério e outros), a profissionais (do ramo e 2.15. Visitas a equipamentos da tipologia a desenvolver .................................................................. 29

outros) e a fontes orais ........................................................................................................................... 9 2.16. Consulta do modelo de Monografia da UNIA (papelaria) ....................................................... 29

2.1.1. Fontes orais ............................................................................................................................... 9 2.17. Visita ao estudo urbano (terreno), entrevistas e registos fotográficos (sítio de intervenção e
2.2. Definição do tema ............................................................................................................................ 9 entorno) ................................................................................................................................................. 30
2.2.1. Conforto e sustentabilidade na arquitectura ......................................................................... 9 2.17.1 Registro Fotográfico .............................................................................................................. 30
2.3. Diferenciação de equipamentos...................................................................................................... 9 2.18. Efectivo populacional (INE, administrações municipais) ........................................................ 30
2.4. História do equipamento .............................................................................................................. 10 2.19. População da Envolvente: As pessoas que fazem turismo e outros negócios ......................... 30
2.4.1. Historial do posto de polícia de guarda fronteira do mussulo ............ Erro! Marcador não 2.20. Renda da População .................................................................................................................... 30
definido.
2.5. Serviços do equipamento .............................................................................................................. 10 2.20.1 Rendimento Médio Mensal por Pessoa ................................................................................ 30
2.20.2 Rendimento Médio Mensal por Pessoa ................................................................................ 30
2.6. Mapas do Google ........................................................................................................................... 11
2.20.2 Salário-Mínimo .......................................................................Erro! Marcador não definido.
2.7. Visitas a instituições do tema a desenvolver ............................................................................... 11 2.21. Relevo: Aproveitamento de relevo ..............................................Erro! Marcador não definido.

2.8. Visitas a biblioteca da cidade (recolha de dados) ....................................................................... 11 2.21.1 Topografia ......................................................................................................................... 30

2.9. Visitas a universidade (intercâmbio de conhecimentos) ............................................................ 11 2.22. Sistemas de saneamento (água, esgoto, eletricidade comunicações viárias internet, gás e
outros) .................................................................................................................................................... 31
2.10. Legislações sobre o tema a desenvolver (ministérios, delegações municipais e
administrações municipais .................................................................................................................. 11 2.22.1 Abastecimento de Água ......................................................................................................... 31
2.22.2 Abastecimento de Água ......................................................................................................... 31
2.11. Legislação Urbana (Plano Diretor, Leis de parâmetros urbanísticos e Código de 2.22.3 Eletricidade ............................................................................................................................ 31
administrações municipais) ................................................................................................................. 12 2.22.4 Comunicações Viárias (Transportes e Estradas) ................................................................ 31
2.11.1. Lei de base do ambiente ....................................................................................................... 12 2.22.5 Internet e Telecomunicações ........................................................................................... 31
2.11.2. Planejamento e Licenciamento ........................................................................................... 18 2.22.6. Gás e Energia Alternativa .................................................................................................... 32
2.11.3. Licenciamento ambiental ..................................................................................................... 18 2.22.7. Gestão de Resíduos Sólidos .................................................................................................. 32
2.23. Mobilidade urbana na zona de intervenção .............................................................................. 32 4.7. Programa de necessidades (nível de referência secundário) .Erro! Marcador não definido.

3. CONTEXTUALIZAÇÃO .................................................................................................................... 32 4.8. Estudo dos elementos das unidades ambientais (por níveis prestacionais) . Erro! Marcador
3.1. Problemática .................................................................................................................................. 36 não definido.
3.2. Motivação ....................................................................................................................................... 36 4.9. Organigrama ..............................................................................Erro! Marcador não definido.
3.3. Parâmetros ..................................................................................................................................... 36 4.9.1. Organigrama Geral da Biblioteca ..........................................Erro! Marcador não definido.
3.4. Características ambientais ........................................................................................................... 37 4.9.1. Organigrama Da Recepção ...............................................Erro! Marcador não definido.
4.9.2. Organigrama da Coordenação Técnica – Acervo ..........Erro! Marcador não definido.
3.4.1. Localização .............................................................................................................................. 37
4.9.3. Organigrama do Espaço Público geral ............................Erro! Marcador não definido.
3.4.2. Meio físico (vegetação, fauna flora, hidrologia, climatologia ............................................. 38
4.9.4. Organigrama da Coordenação Administrativa ..............Erro! Marcador não definido.
3.4.3. Características econômicas .................................................................................................... 42
4.10. Sectorização ...................................................................................Erro! Marcador não definido.
3.4.4. Características sociais ............................................................................................................ 42
3.4.5. Características culturais ........................................................................................................ 43 4.11. Funcionograma .............................................................................Erro! Marcador não definido.
3.4.6. Características demográficas (tabelas de agregados familiares) ....................................... 43 4.11.1 Funcionograma da Recepção Geral ......................................Erro! Marcador não definido.
[Link] PROJECTO ............................................................................... Erro! Marcador não definido. 4.11.2 Funcionograma do Sector Administrativo ...........................Erro! Marcador não definido.
4.1. Introdução ....................................................................................... Erro! Marcador não definido. 4.11.3 Funcionograma do Sector Público Geral .............................Erro! Marcador não definido.
4.1.1. Justificativa .............................................................................. Erro! Marcador não definido. 4.11.4 Funcionograma do Sector de Acervo Geral .........................Erro! Marcador não definido.
4.1.2. Importância do tema () ........................................................... Erro! Marcador não definido. 4.12. Fluxograma ................................................................................Erro! Marcador não definido.
4.1.3. O Que Já Foi Feito sobre o tema (Biblioteca) em outros países .......... Erro! Marcador não 4.12.1 Fluxograma da Recepção Geral ............................................Erro! Marcador não definido.
definido.
4.12.2 Fluxograma do Sector Administrativo .................................Erro! Marcador não definido.
4.1.4. O que Já Foi Feito Sobre Bibliotecas em Angola ................. Erro! Marcador não definido.
4.12.3 Fluxograma do Sector Público Geral....................................Erro! Marcador não definido.
4.1.1 Justificativa ............................................................................... Erro! Marcador não definido.
4.13. Matriz de relações funcionais (por níveis prestacionais) .......Erro! Marcador não definido.
4.2. Legislação ........................................................................................ Erro! Marcador não definido.
4.14. Matriz de relações espaciais......................................................Erro! Marcador não definido.
4.2.1. Legislações sobre o tema a desenvolver (ministérios, delegações municipais e
administrações municipais ............................................................... Erro! Marcador não definido. 4.14.1 Matriz de relações espaciais da Recepção Geral .................Erro! Marcador não definido.
4.2.2. Levantamento de legislação internacional da tipologia ....... Erro! Marcador não definido. 4.14.2 Matriz de relações espaciais do Sector Administrativo ......Erro! Marcador não definido.
4.3. Níveis Prestacionais ........................................................................ Erro! Marcador não definido. 4.14.3 Matriz de relações espaciais do Sector Público Geral .........Erro! Marcador não definido.
4.14.4 Matriz de relações espaciais do Sector de Acervo Geral ....Erro! Marcador não definido.
4.4. Caracterização e Evolução Tipológica ......................................... Erro! Marcador não definido.
4.15. Prestação das unidades ambientais ..........................................Erro! Marcador não definido.
4.4.1 Nível nacional............................................................................ Erro! Marcador não definido.
4.16. Estudos das unidades ambientais (por sectorização) .............Erro! Marcador não definido.
4.4.2 Nível internacional ................................................................... Erro! Marcador não definido.
4.5. Levantamentos de estruturas existentes .................................. Erro! Marcador não definido. 4.16.1 Estudo das unidades ambientais - Recepção Geral .............Erro! Marcador não definido.
4.17. Estudos das unidades ambientais (por cômodo) .....................Erro! Marcador não definido.
4.5.1 Referências nacionais ............................................................... Erro! Marcador não definido.
4.5.2 Referências internacionais ....................................................... Erro! Marcador não definido. 4.17.1. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Guarda Volumes Erro! Marcador não
4.6. Programa Base (níveis prestacionais) ...................................... Erro! Marcador não definido. definido.
4.17.3. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Sala de reuniões . Erro! Marcador não
definido.
4.17.4. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Sala de controle . Erro! Marcador não
definido.
4.17.5. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Auditório ............ Erro! Marcador não
definido.
4.17.6. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Oficinas............... Erro! Marcador não
definido.
4.17.7. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Sala de Leitura... Erro! Marcador não
definido.
4.17.8. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Sector multimédia .... Erro! Marcador
não definido.
4.17.9. Estudo das unidades ambientais por cômodo – Instalações Sanitárias................. Erro!
Marcador não definido.
4.18. Quadro de requisitos de prestação técnica ............................. Erro! Marcador não definido.

4.19. Critérios de dimensionamento das áreas principais .............. Erro! Marcador não definido.

4.20. Esquema síntese e agregação das funções afins ...................... Erro! Marcador não definido.

4.21. Agregação espacial dos elementos funcionais ......................... Erro! Marcador não definido.

4.22. Agregação funcional .................................................................. Erro! Marcador não definido.

4.23. Diagrama funcional geral do equipamento ............................. Erro! Marcador não definido.

4.24. Sectores funcionais ....................................................................... Erro! Marcador não definido.

4.25. Unidades ambientais adjacentes ................................................. Erro! Marcador não definido.

4.26. Esquema agregativo ..................................................................... Erro! Marcador não definido.

4.27. Estudos para ampliação futura ................................................... Erro! Marcador não definido.

4.28. Glossário ........................................................................................ Erro! Marcador não definido.

4.29. Referências .................................................................................... Erro! Marcador não definido.

4.30. Bibliografia ................................................................................... Erro! Marcador não definido.


1.5.2 Hipóteses
1.5. INTRODUÇÃO
H1: (Infraestrutura e Acesso ao Conhecimento): Se for construída uma Biblioteca Distrital bem
A arquitetura contemporânea desempenha um papel crucial na busca por um equilíbrio entre a criação
equipada nas zonas adjacentes à cidade do Kilamba, então a população terá maior acesso à informação,
de espaços funcionais e a preservação dos recursos naturais. Dois conceitos fundamentais nesse processo
promovendo a educação, a cultura e a inclusão social.
são o conforto ambiental e a sustentabilidade. O conforto ambiental engloba estratégias que garantem o
H2: (Conforto e Bem-Estar): Se forem aplicadas soluções arquitetônicas sustentáveis, como
bem-estar dos usuários por meio do controle eficiente de fatores como ventilação, iluminação natural,
ventilação cruzada, iluminação natural e isolamento térmico adequado, então o ambiente da biblioteca será
controle térmico e acústico. Esses elementos, quando planejados de forma integrada, proporcionam
mais confortável e adequado ao clima local, incentivando a permanência dos usuários no espaço.
ambientes mais agradáveis e saudáveis para viver, trabalhar e interagir.
H3: (Sustentabilidade e Eficiência Energética): Se forem adotadas tecnologias de energia renovável
Já a sustentabilidade na arquitetura vai além da eficiência energética, englobando práticas como o
e sistemas de captação e reuso de água, então a biblioteca poderá reduzir seus custos operacionais e
uso de materiais renováveis ou reciclados, a implementação de sistemas que minimizem o desperdício de
minimizar seu impacto ambiental, tornando-se um modelo de infraestrutura sustentável.
água, e a incorporação de tecnologias que reduzam o impacto ambiental ao longo do ciclo de vida da
H:4 (Impacto Social e Cultural): Se a biblioteca oferecer espaços diversificados e atividades
edificação. Além disso, envolve o respeito às características locais, como o clima, a geografia e os recursos
culturais e educacionais, então poderá se tornar um centro de referência para o desenvolvimento da
disponíveis, promovendo construções que dialoguem com o contexto natural e cultural de cada região.
comunidade, fortalecendo o engajamento social e incentivando hábitos de leitura e pesquisa.
Unir conforto ambiental e sustentabilidade não é apenas uma tendência, mas uma necessidade
H5: (Acessibilidade e Inclusão): Se a biblioteca for projetada com princípios de acessibilidade
frente aos desafios globais, como as mudanças climáticas e a urbanização acelerada. Projetos que priorizam
universal, então poderá atender pessoas de diferentes idades e necessidades especiais, garantindo equidade
esses valores refletem o compromisso de arquitetos e urbanistas com a qualidade de vida das pessoas e
no acesso ao conhecimento e à informação.
com a preservação do planeta, criando espaços que conciliam inovação, funcionalidade e responsabilidade
ambiental. 1.5.3 Objectivo Geral

Projetar e implementar uma Biblioteca Distrital sustentável e acessível na cidade desportiva do


1.5.1 Problemática
Kilamba, que ofereça um ambiente confortável, inovador e eficiente para a leitura, pesquisa e atividades
As zonas adjacentes à cidade do Kilamba enfrentam desafios relacionados à falta de infraestrutura culturais, promovendo o conhecimento, a inclusão social e o bem-estar da comunidade.
cultural e educacional acessível, resultando em um déficit no acesso à informação, à leitura e a espaços de
estudo adequados. A ausência de bibliotecas bem estruturadas nessas áreas limita as oportunidades de
1.5.4 Objetivos Específicos
aprendizado e desenvolvimento comunitário, impactando negativamente a educação e a inclusão social.
Além disso, as construções na região muitas vezes não consideram princípios de conforto e  Desenvolver um projeto arquitetônico sustentável, utilizando materiais ecológicos, sistemas de

sustentabilidade, o que resulta em ambientes pouco adequados ao clima local, com problemas de eficiência energética e captação de recursos naturais, reduzindo o impacto ambiental da construção

ventilação, iluminação inadequada e alto consumo energético. Isso compromete a experiência dos usuários e operação da biblioteca.

e aumenta os custos operacionais das infraestruturas existentes.  Assegurar o conforto térmico e acústico por meio de estratégias como ventilação cruzada,

Diante desse cenário, torna-se essencial a criação de uma Biblioteca Distrital que integre soluções isolamento adequado e iluminação natural, criando um espaço agradável para os usuários.

arquitetônicas sustentáveis, proporcionando conforto térmico e acústico, acessibilidade e eficiência  Criar ambientes inclusivos e acessíveis para todas as faixas etárias e necessidades especiais,

energética, além de fomentar a cultura e o conhecimento nas comunidades adjacentes ao Kilamba. garantindo mobilidade, ergonomia e bem-estar no uso dos espaços.

8
 Incorporar áreas verdes e espaços de convivência ao projeto, promovendo um ambiente harmonioso Conversa com os moradores do local.
e conectado à natureza, estimulando o relaxamento e a criatividade dos visitantes. 2.2. Definição do tema
 Implementar tecnologias inovadoras para otimizar a gestão da biblioteca, facilitar o acesso ao
2.2.1. Conforto e sustentabilidade na arquitectura
acervo e promover práticas sustentáveis, como o uso de energias renováveis e sistemas de reuso de
Conforto na arquitetura refere-se à criação de espaços que promovem bem-estar físico, térmico,
água.
acústico, visual e psicológico para os usuários. Isso inclui ventilação adequada, iluminação natural
1.5.5 Metodologia equilibrada, controle térmico eficiente e ergonomia nos ambientes.
Sustentabilidade na arquitetura envolve projetar e construir edificações com o mínimo impacto
Para o desenvolvimento deste projeto, será utilizada uma abordagem baseada na pesquisa exploratória,
ambiental, utilizando materiais ecológicos, técnicas de eficiência hídrica, aproveitamento de recursos
que tem como objetivo principal ampliar o conhecimento
renováveis e estratégias de bioclimatização para reduzir a dependência de sistemas artificiais de
sobre o tema e fornecer subsídios para o desenvolvimento
climatização.
do resort temático. As etapas da metodologia incluem:
 Pesquisa Bibliográfica e Documental 2.3. Diferenciação de equipamentos

 Revisão de literatura sobre resorts temáticos, turismo


Na zona de intervenção, encontram-se os diferenciados equipamentos:
cultural e arquitetura sustentável.
 Arena Multiuso do Kilamba;
 Estudo de referências sobre a história e cultura de
 Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC);
Angola.
 Instituto Geológico de Angola (IGEO).
Figura n :1 Arena do Kilamba
Fonte : Google, 2014 2.3.1. Diferenciação de equipamentos
 Levantamento de Campo
 Visitas a locais culturais e turísticos em Angola para compreender as características regionais que Também conhecida como Pavilhão Multiusos de Luanda ou Helmarc Arena, é uma moderna
podem ser integradas ao projeto. instalação desportiva localizada no bairro Kilamba, em Luanda, Angola. Inaugurada em 18 de setembro
de 2013, a arena possui capacidade para 12.720 espectadores e foi construída para sediar o Campeonato
 Análise de Projetos Existentes Mundial de Hóquei em Patins de 2013, sendo a primeira vez que o evento ocorreu no continente africano.
 Estudo de equipamentos similares em Angola. Projetada para ser um espaço versátil, a arena é adequada para a prática de diversas modalidades esportivas,
incluindo basquetebol, handebol, voleibol e hóquei em patins. Suas instalações incluem piso de madeira
de alta qualidade, placar eletrônico e outras características que a posicionam como uma das arenas mais
2. PROCESSO INVESTIGATIVO
modernas da África.
2.1. Investigação na internet, a estabelecimentos (ministério e outros), a profissionais (do ramo e 2.3.2. O Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de
outros) e a fontes orais Conservação (INBAC)

As investigações do artigo científico foram desenvolvidas através da internet e visitas ao local de É uma instituição pública angolana responsável pela gestão sustentável da biodiversidade e do
intervenção até o momento, as outras partes deste processo serão desenvolvidas na segunda fase do Sistema Nacional de Conservação do Ambiente em Angola. Sua sede está localizada na cidade do Kilamba,
projecto, isso é, no segundo semestre. em Luanda, na Avenida Paiva Domingos da Silva nº 11.
2.1.1. Fontes orais

9
O INBAC desenvolve diversos projetos e atividades voltados para a conservação da biodiversidade,
incluindo a gestão de parques nacionais, reservas naturais e outras áreas protegidas. Além disso, promove Desde sua inauguração, a arena tem sido palco de diversos eventos desportivos e culturais,
ações de educação ambiental e sustentabilidade, como o consolidando-se como um importante centro para atividades de grande escala, como o Campeonato
concurso "Árvore de Natal Ecológica", que incentiva a Africano de Artes Marciais Mistas (MMA) e partidas de basquetebol internacionais, reforçando a sua
reutilização de materiais recicláveis para a confecção de importância para o cenário desportivo angolano.
árvores natalinas, envolvendo a comunidade local do
Kilamba. 2.5. Serviços do equipamento

2.3.3. Instituto Geológico de Angola (IGEO)


A Arena Multiuso do Kilamba oferece diversos serviços e facilidades para atender tanto o público
quanto os organizadores de eventos. Entre os principais serviços disponíveis estão:
É uma instituição pública dedicada à pesquisa e
Infraestrutura e Áreas Funcionais:
gestão do conhecimento geocientífico relacionado ao potencial mineral de todo o território angolano. Suas
principais atribuições incluem a elaboração de cartografia geológica, geoquímica e hidrogeológica, além  Quadra de jogos: Para competições esportivas como basquetebol, andebol, futsal e artes

de estudos ambientais e de materiais de construção civil. marciais;


 Balneários: Espaços para atletas se prepararem antes e depois dos jogos;

A sede do IGEO está localizada na Cidade do Kilamba, em Luanda, e foi inaugurada em 3 de julho  Zonas de aquecimento: Áreas dedicadas ao preparo físico antes das competições;

de 2020. O complexo ocupa uma área de 44.650 metros quadrados e abriga laboratórios de prospecção  Posto médico: Atendimento emergencial para atletas e público;

física, análises químicas, além de áreas administrativas e sociais. Essas instalações modernas permitem ao  Controle antidoping: Equipado para testes em competições esportivas;
Fig. Nº 1: Instituto Geológico de Angola (IGEO).
Fonte: Própria, 2024. instituto apoiar não apenas o sector de geologia e minas,  Espaço para comunicação social: Estrutura dedicada à imprensa;
mas também os sectores de petróleo, agricultura e  Administração e organização de eventos: Facilidades para gestão e operação de eventos.
construção civil. Serviços para o Público
2.4. História do equipamento (Arena Multiusos do Kilamba)  Balcões de informação: Atendimento ao visitante;
 Bares e alimentação: Ofertas gastronômicas dentro do complexo;
A Arena Multiuso do Kilamba, oficialmente conhecida como Pavilhão Multiúsos de Luanda, é uma
 Instalações sanitárias: Disponíveis em diferentes pontos da arena;
instalação pública localizada na zona da Centralidade do Kilamba, município de Belas, em Luanda,
 Acessos especiais: Entradas exclusivas para VIPs e pessoas com mobilidade reduzida.
Angola. Inaugurada em 18 de setembro de 2013, a arena foi construída para sediar o Campeonato Mundial
de Hóquei em Patins de 2013, marcando a primeira vez que o evento ocorreu no continente africano.
Segurança e Manutenção
Com capacidade para 12.720 espectadores, a arena possui piso de madeira, placar eletrônico e uma
 Esquadra da Polícia Nacional: Garantia de segurança durante eventos;
variedade de recursos que a tornam uma das mais modernas do gênero na África. Além do hóquei em
 Zonas técnicas de manutenção: Suporte para a operação contínua da arena.
patins, o espaço é adequado para modalidades como basquetebol, andebol e voleibol. A Arena do Kilamba
Estacionamento e Transportes
está situada próxima ao Estádio 11 de Novembro, separados pela via expressa. Sua estrutura destaca-se
 Estacionamento externo: Capacidade para 873 veículos;
por módulos de sombreamento compostos por bases metálicas que suportam telas tensionadas de cor cinza,
 Estacionamento interno: Espaço para 47 veículos;
as quais variam em transparência conforme a intensidade da iluminação, conferindo um efeito visual
 Área de táxis e transportes públicos: 27 metros quadrados destinados a esse serviço.
marcante, especialmente à noite.

10
Além desses serviços, a arena possui uma infraestrutura moderna que inclui: 2.6. Mapas do Google
 Piso de Madeira: Adequado para diversas modalidades esportivas, como basquetebol,
handebol, voleibol e hóquei em patins;
 Placar Eletrônico: Fornece informações em tempo real durante os eventos.

Essas instalações e serviços fazem da Arena Multiuso do Kilamba um espaço versátil e bem
equipado para sediar uma ampla gama de eventos desportivos e culturais.

Fig. Nº 4: Imagem da zona de intervenção.


Fonte: Google Earth pro, 2025.

2.7. Visitas a instituições do tema a desenvolver

2.8. Visitas a Edificio (recolha de dados)

2.9. Visitas a universidade (intercâmbio de conhecimentos)

Os pontos 2.7, 2.8, 2.9, serão desenvolvidos na segunda fase do projecto de monografia.
2.10. Legislações sobre o tema a desenvolver (ministérios, delegações municipais e administrações
municipais

Em Angola, a legislação relacionada ao conforto e sustentabilidade na arquitetura é abordada por


diversas normas e regulamentos governamentais, principalmente nos setores de ambiente, urbanismo e
Fig. Nº 3: Visita no local de intervenção.
habitação. Aqui estão algumas das principais Fonte: Própria, 2024.

regulamentações e políticas aplicáveis:


Fig. Nº 2: Visita no local de Intervenção.  Áreas de Conservação Ambiental
Fonte: Própria, 2024.

O Decreto Presidencial n.º 50/24, de 2 de fevereiro de 2024, regula a criação, gestão e fiscalização
das Áreas de Conservação Ambiental. Essa legislação reforça a proteção da biodiversidade e prevê a
implementação de medidas sustentáveis para a gestão de ecossistemas. O decreto estabelece que qualquer
Fig. Nº 3: Visita de campo
Fonte : Própria, 2025

11
exploração econômica em áreas protegidas deve seguir normas rigorosas de sustentabilidade para práticas sustentáveis na arquitetura, visando edificações que respeitem o meio ambiente e proporcionem
minimizar impactos ambientais. qualidade de vida aos usuários.
 Planeamento Urbano e Habitação Sustentável Artigo 90.º
(Direito à habitação e à qualidade de vida)
O Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023-2027, aprovado pelo Decreto Presidencial nº
Este artigo assegura o direito de todos os cidadãos a uma habitação condigna que preserve a
225/23, orienta a criação de centralidades urbanas e infraestruturas para realojamento de populações em
intimidade pessoal e a privacidade da família. Impõe ao Estado a responsabilidade de programar e executar
áreas de risco ambiental. Ele prevê também incentivos ao uso de materiais de construção locais para reduzir
políticas habitacionais apoiadas em planos territoriais que garantam a organização adequada do espaço
custos e promover a sustentabilidade, além da implementação de sistemas de drenagem e esgoto em novas
urbano e rural, bem como a promoção de redes de infraestruturas e serviços essenciais. Embora não
urbanizações.
mencione explicitamente o conforto ou a sustentabilidade, este artigo implica a necessidade de projetos
 Financiamento Sustentável para Infraestruturas
arquitetônicos que atendam aos padrões de habitabilidade e qualidade de vida, alinhados às práticas
O Quadro Operacional para o Financiamento Sustentável, aprovado pela Comissão Económica do sustentáveis.
Conselho de Ministros em 2023, estabelece critérios para captação de fundos internacionais destinados a Além desses dispositivos constitucionais, a legislação angolana possui normas específicas que
projetos de desenvolvimento sustentável. O objetivo é garantir que os investimentos sejam canalizados orientam o setor da construção civil em direção à sustentabilidade e ao conforto ambiental. O Instituto
para setores como energia renovável, gestão de resíduos e habitação sustentável, alinhados com padrões Regulador da Construção e Obras Públicas (IRCOP) tem desenvolvido regulamentações técnicas que
ambientais rigorosos. estabelecem requisitos mínimos para edificações, incluindo aspectos relacionados ao conforto térmico,
 Acordos Internacionais para o Desenvolvimento Sustentável acústico e à eficiência energética.

Angola também participa de acordos internacionais, como o Acordo de Facilitação de Investimento Essas normas complementam os princípios constitucionais, fornecendo diretrizes específicas para

Sustentável com a União Europeia, que busca promover práticas de construção e urbanismo mais a prática da arquitetura sustentável em Angola. Elas visam assegurar que as edificações atendam aos
padrões de conforto e eficiência, contribuindo para a qualidade de vida dos cidadãos e a preservação
ecológicas e resilientes. Esse acordo impulsiona investimentos em energia verde, inovação digital e cadeias
de valor sustentáveis, contribuindo para um modelo de desenvolvimento urbano mais responsável. ambiental.
Portanto, embora a Constituição de Angola não aborde de forma direta o conforto e a
A Constituição da República de Angola de 2010 estabelece princípios fundamentais que
influenciam o desenvolvimento sustentável e o bem-estar dos cidadãos, aspectos diretamente relacionados sustentabilidade na arquitetura, seus artigos fornecem uma base legal para a promoção desses princípios,

ao conforto e à sustentabilidade na arquitetura. Embora não haja artigos específicos que tratem que são detalhados em legislações e regulamentações específicas do setor da construção civil.

exclusivamente desses temas, alguns dispositivos constitucionais fornecem diretrizes gerais pertinentes: 2.11. Legislação Urbana (Plano Diretor, Leis de parâmetros urbanísticos e Código de
administrações municipais)

Artigo 39.º 2.11.1. Lei de base do ambiente

(Ambiente e qualidade de vida) LEI DE BASES DO AMBIENTE


CAPÍTULO I Disposições Gerais
Este artigo reconhece o direito de todos os cidadãos a um ambiente sadio e não poluído, bem como
Artigo 1º
o dever de defendê-lo e preservá-lo. Estabelece que o Estado deve adotar as medidas necessárias para a
(Âmbito)
proteção do ambiente e a manutenção da qualidade de vida, promovendo a integração de objetivos
A presente lei define os conceitos e os princípios básicos da protecção, preservação e conservação
ambientais nas políticas setoriais. Esses princípios podem ser interpretados como uma base para promover
do ambiente, promoção da qualidade de vida e do uso racional dos recursos naturais, de acordo com os nºs
1, 2 e 3 do artigo 24.º e n.º 2 do artigo 12.º da Lei Constitucional da República de Angola.

12
Artigo 2º 4. d) Do equilíbrio — deve ser assegurada a interrelação das políticas de desenvolvimento económico
(Definições) e social com os princípios de conservação e preservação ambiental e uso racional dos recursos
As definições e conceitos utilizados no articulado são definidos no glossário anexo, que faz parte naturais, por forma a se alcançarem os objectivos do desenvolvimento sustentável;
integrante da presente lei.
5. e) Da unidade de gestão e acção — deve ser criado e dinamizado um órgão nacional
Artigo 3º
responsabilizado pela política ambiental, que promova a aplicação dos princípios para a melhoria
(Princípios gerais)
da qualidade ambiente e de vida em todos os sectores da vida nacional, organize e administre uma
Todos os cidadãos têm direito a viver num ambiente sadio e aos benefícios da utilização racional
rede de área de protecção ambiental e incentive a educação ambiental de forma sistemática e
dos recursos naturais do país, decorrendo daí as obrigações em participar na sua defesa e uso sustentado,
permanente;
respectivamente.
É devido o respeito aos princípios do bem-estar de toda a população, à protecção, preservação e 6. f) Da cooperação internacional — determina a procura de soluções concertadas com outros países,

conservação do ambiente e ao uso racional dos recursos naturais, cujos valores não podem ser com organizações regionais, sub regionais e internacionais, quanto a problemas ambientais e à

subestimados em relação a interesses meramente utilitários. gestão de recursos naturais comuns.

Ao Estado compete implantar um Programa Nacional de Gestão Ambiental para atingir os 7. g) Da responsabilização — confere responsabilidade a todos os agentes que como resultado das
objectivos preconizados anteriormente, criando para o efeito as necessárias estruturas e organismos suas acções provoquem prejuízos ao ambiente, degradação, destruição ou delapidação de recursos
especializados e fazendo publicar legislação que permita a sua exequibilidade. naturais, atribuindo-lhes a obrigatoriedade recuperação e/ou indemnização dos danos causa dos,
sendo para os casos anteriores à publicação da presente lei, aplicado o previsto no artigo desta
Artigo 4º mesma lei;
(Princípios específicos)
8. h) Da valorização dos recursos naturais —- atribui um valor contabilizável a todos os recursos
Com base nos princípios gerais previstos no artigo 3.º da presente lei devem ser observados os seguintes
naturais destruídos ou utilizados nas várias acções, como matéria prima ou matéria subsidiária.
princípios específicos:
Vato (a ser incorporado no produto final e que deve ser objecto de cobrança a favor de fundos de
1. a) Da formação e educação ambiental — todos os cidadãos têm o direito e o dever de receberem
gestão ambiental;
educação ambiental por forma a melhor compreenderem os fenómenos do equilíbrio ambiental,
base essencial para uma actuação consciente na defesa da Política Ambiental Nacional; 9. i) Da defesa dos recursos genéticos — confere ao Estado a responsabilidade da defesa dos recursos
genéticos nacionais em todas as suas vertentes incluindo a sua preservação dentro do nacional.
2. b) Da participação — todos os cidadãos têm o direito e o dever de participar no controlo da
execução da política ambiental quer através de órgãos colectivos onde estejam representados, quer Artigo 5º
através de consultas públicas de projectos específicos que interfiram com os seus interesses ou do (Objectivos e medidas)
equilíbrio ambiental; Para a manutenção de um ambiente propício à qualidade de vida da população, é necessária a
adopção de medidas que visem nomeadamente:
3. c) Da prevenção — todas as acções ou actuações com efeitos imediatos ou a longo prazo no
1. a) Alcançar de forma plena um desenvolvimento: sustentável em todas as vertentes da vida
ambiente, devem ser consideradas de forma antecipada, por forma a serem eliminados ou
nacional.
minimizados os eventuais efeitos nocivos;
2. b) Manter um equilíbrio entre a satisfação das necessidades básicas dos cidadãos e a capacidade de
resposta da natureza;

13
3. c) Garantir o menor impacto ambiental das acções necessárias ao desenvolvimento do país através 2. b) Responsabilidades a todos os agentes não estatais que laçam uso de recursos naturais,
de um correcto ordenamento do território e aplicação de técnicas e tecnologias adequadas; influenciem o equilíbrio ambiental e as condições socio-económicas das comunidades;

4. d) Prestar a maior atenção à qualidade do ambiente urbano através de uma eficaz aplicação da 3. c) Responsabilidades aos cidadãos pelo uso incorrecto de recursos naturais, emissão de poluentes
administração local e municipal; e prejuízos à qualidade de vida.

5. e) Constituir, consolidar e reforçar uma rede de áreas de protecção ambiental por forma a garantir Artigo 7º
a manutenção da biodiversidade, aproveitando essas áreas para a educação ambiental e recreação (Órgãos centrais e locais)
da população; 1. O Governo deve criar um órgão central coordenador das actividades do programa Nacional de
Gestão Ambiental, que se pode fazer representar a níveis regional, provincial, municipal e local
6. f) Promover acções de investigação e estudo científico em todas as vertentes da ecologia,
aproveitando as capacidades nacionais principalmente dos centros universitários e de pesquisa; 2. O órgão central coordenador do Programa Nacional de Gestão Ambiental pode ainda criar
organismos especializados em actividades específicas da Gestão Ambiental.
7. g) Promover a aplicação de normas de qualidade ambiental em todos os sectores produtivos e de
prestação de serviços, com base em normas internacionais adaptadas à realidade do país; 3. O órgão coordenador das actividades do Programa Nacional de Gestão Ambiental tem por principal
missão, realizar e promover junto dos restantes órgãos do aparelho de Estado e organismos não
8. h) Garantir a participação dos cidadãos em todas as tomadas de decisão que impliquem
estatais, as actividades que conduzam ao Desenvolvimento Sustentável em todas as vertentes da
desequilíbrios ambientais e sociais;
vida nacional.
9. i) Promover de acordo com outros sectores da vida nacional, a defesa do consumidor;
Artigo 8º
10. j) Estabelecer normas claras e aplicáveis na defesa do património natural, cultural e social do país; (Participação dos cidadãos)
11. k) Proceder à recuperação das áreas degradadas no território nacional; Todos os cidadãos têm o direito e a obrigação de participar na Gestão Ambiental, quer através de
organizações associativas, a título individual nas consultas públicas de projectos programados, quer através
12. l) Articular com países limítrofes acções de defesa ambiental e de aumento da qualidade de vida
da participação a quem de direito, de acções de terceiros que julgue lesarem os princípios do
das populações fronteiriças.
Desenvolvimento Sustentável ou de legislação em vigor.
Artigo 9º
CAPÍTULO II (Organizações não Governamentais)
Órgãos de Gestão Ambiental As organizações associativas não governamentais devidamente legalizadas, cujo conteúdo
Artigo 6° programático e objecto social seja da defesa do ambiente, do uso racional dos recursos naturais e da
(Responsabilidades do Estado) protecção dos direitos de qualidade de vida, têm o direito de participar e fazerem-se representar nos foros
Cabe ao Estado através do Governo e dentro da Política Ambiental a definição e execução do Programa de Gestão Ambiental.
de Gestão Ambiental, no qual devem ser estabelecidas:
1. a) Responsabilidades a todos os órgãos do Governo cujo controlo e/ou actividade tenha influência
no ambiente, através da utilização de recursos naturais, produção e emissão de poluentes e Artigo 10º
influência nas condições socio-económicas das comunidades; (Consultas públicas)

14
Todos os projectos de acções cujas actividades impliquem com os interesses das comunidades, interfiram 4. b) Manutenção e regeneração de espécies animais, recuperação de habitats danificados,
com o equilíbrio ecológico e utilizem recursos naturais com prejuízo de terceiros, devem ser sujeitos a controlando em especial as actividades ou o uso de substâncias susceptíveis de prejudicar as
processos de Avaliação de impacto Ambiental e Social, nos quais é obrigatória a prática de Consultas espécies da fauna e os seus habitats.
Públicas.
Artigo 14º
CAPÍTULO III
(Áreas de protecção ambiental)
Medidas de Protecção Ambiental
1. A fim de assegurar a protecção e preservação dos componentes ambientais, bem como, a
Artigo 11º
manutenção e melhoria de ecossistemas de reconhecido valor ecológico e socio-económico, o
(Legislação de gestão ambiental)
Governo estabelece uma rede de áreas de protecção ambiental.
1. Cabe ao Governo fazer publicar os regulamentos necessários para a execução do Programa
Nacional de Gestão Ambiental, responsabilizando os diversos órgãos nele integrados pelo 2. As áreas protegidas podem ter âmbito nacional, regional, local ou ainda internacional, consoante

cumprimento do estabelecido. os interesses que procuram salvaguardar e podem abranger áreas terrestres, lacustres, fluviais,
marítimas e outras.
2. Os órgãos judiciários devem acompanhar e dar parecer sobre as propostas de regulamentos
resultantes da presente Lei de Bases do Ambiente, devendo introduzir no sistema de princípios 3. As áreas de protecção ambiental são submetidas a medidas de classificação, conservação e

judiciais, os conceitos de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável necessários a sua actividade. fiscalização, as quais devem ter sempre em consideração a necessidade de preservação da
biodiversidade assim como dos valores de ordem social, económica, cultural, científica e
Artigo 12º
paisagística.
(Património ambiental)
O Governo deve assegurar que o património ambiental, nomeadamente o natural, o histórico e o cultural, 4. As medidas referidas no número anterior devem incluir a indicação das actividades proibidas ou

seja objecto de medidas permanentes de defesa e valorização, através das associações de defesa do permitidas no interior das áreas protegidas e nos seus arredores, assim como a indicação do papel

ambiente. das comunidades locais na gestão dessas áreas.

Artigo 13º 5. As áreas de protecção ambiental de âmbito nacional são proclamadas pela Assembleia Nacional e
(Protecção da biodiversidade) só a ela compete alterar o seu estatuto.
1. São proibidas todas as actividades que atentem contra a biodiversidade ou a conservação,
6. São, pela presente lei, consideradas áreas de protecção ambiental, as já existentes à data da
reprodução, qualidade e quantidade dos recursos biológicos de actual ou potencial uso ou valor,
independência do país, as quais devem ser sujeitas a estudos de reavaliação, para posterior
especialmente os ameaçados de extinção.
reclassificação.
2. O Governo deve assegurar que sejam tomadas medidas adequadas com vista à:

3. a) Protecção especial das espécies vegetais ameaçadas de extinção ou dos exemplares botânicos
Artigo 15º
isolados ou em grupo que, pelo seu potencial genético, porte, idade, raridade, valor científico e
(Implantação de infra-estruturas)
cultural, o exijam;
A implantação de infra-estruturas no espaço nacional, que pela sua dimensão, natureza ou localização
provoquem impacto negativo significativo no ambiente natural ou social, é condicionada a um processo

15
de Avaliação de Impacto Ambiental e Social, na qual se determinam a sua viabilidade social, ambiental, Artigo18°
económica e os métodos para a neutralização ou minimização dos seus efeitos. (Auditorias ambientais)
Artigo 16º 1. Todas as actividades que à data da entrada desta lei se encontrem em funcionamento e sem a apto
(Avaliação de impacto ambiental) de medidas de protecção ambiental e social, resulta disso o conhecimento de danos do meio, são
1. As Avaliações de Impacto Ambiental, são um dos principais instrumentos de Gestão Ambiental, objecto de auditorias ambientais.
sendo a sua execução obrigatória para as acções que tenham implicações com o equilíbrio e
2. Os custos decorrentes da reparação dos danos ambientais e sociais eventualmente constatados pela
harmonia ambiental e social.
auditoria são da responsabilidade dos empreendedores da actividade.
2. Os moldes da Avaliação de Impacto Ambiental e demais formalidades a ela relacionada são objecto
Artigo19°
de legislação específica a publicar pelo Governo, abrangendo todos os sectores da vida nacional.
(Poluição do ambiente)
3. A Avaliação do Impacto Ambiental tem como base estudos de impacto ambiental adaptados para 1. A poluição do ambiente é um dos mais graves problemas resultantes da acção do homem no seu
cada caso específico e devem conter no mínimo: afã de promover o desenvolvimento económico, pelo que devem ser aplicadas medidas rigorosas
para eliminar ou minimizar os seus efeitos.
4. a) um resumo não técnico do projecto;
2. O Governo deve fazer publicar e cumprir legislação de controlo da produção, emissão, depósito,
5. b) uma descrição das actividades a desenvolver;
importação e gestão de poluentes gasosos, líquidos e sólidos.
6. c) uma descrição geral da situação ambiental do local de implantação da actividade;
3. O Governo deve estabelecer padrões de qualidade ambiental urbana e não urbana, relativas à
7. d) um resumo das opiniões e críticas resultantes das consultas públicas; poluição de origem sonora, da queima de combustíveis, industrial, agrícola e doméstica.

8. e) uma descrição das possíveis mudanças ambientais sociais provocadas pelo projecto; 4. É expressamente proibida a importação de resíduos ou lixos perigosos, salvo o que vier a ser

9. f) indicação das medidas previstas para eliminar ou minimizar os efeitos sociais e ambientais estabelecido em legislação específica, a aprovar pela Assembleia Nacional.

negativos;

10. g) indicação dos sistemas previstos para o controlo e acompanhamento da actividade. Artigo 20.º
(Educação ambiental)
1. A educação ambiental é a medida de protecção ambiental que deve acelerar e facilitar a implantação

Artigo 17º do Programa Nacional de Gestão Ambiental, através do aumento progressivo de conhecimentos da

(Licenciamento ambiental) população sobre os fenómenos ecológicos, sociais e económicos que regem a sociedade humana.

1. O licenciamento é o registo das actividades que pela sua natureza, localização ou dimensão sejam 2. A educação ambiental deve ser organizada de forma permanente e em campanhas sucessivas,
susceptíveis de provocar impacto ambiental e social significativos, são objecto de um regime e dirigidas principalmente em duas vertentes.
legislação a publicar pelo Governo.
3. a) através do sistema formal de ensino;
2. A emissão da licença ambiental é baseada no do da Avaliação de Impacto Ambiental da proposta
4. b) através do sistema de comunicação social.
actividade e procede a emissão de quaisquer outras licenças legalmente exigidas para cada caso.

16
5. As campanhas de educação ambiental devem atingir todas as camadas da população sendo de Qualquer pessoa que verifique infracções às disposições desta lei ou qualquer outra legislação ambiental
considerar a organização de projectos especiais, nomeadamente para as Forças Armadas, dirigentes ou ainda que presuma que tais infracções estejam na eminência de ocorrer, tem a obrigação de informar as
e responsáveis do aparelho do Estado. autoridades constituídas sobre o facto.
CAPÍTULO V
CAPÍTULO IV
Responsabilidades, Infracçõese Sanções
Direitos e Deveres dos Cidadãos
Artigo 27º
Artigo 21º
(Seguro de responsabilidade civil)
(Direito à informação)
Todas as pessoas singulares ou colectivas, que exerçam actividades que envolvam riscos de degradação
Todos os cidadãos tem direito de acesso à informação relacionada com a gestão do ambiente do País. sem
do ambiente, assim classificados pela legislação sobre Avaliação de Impacto Ambiental, devem ser
prejuízos direitos de terceiros legalmente protegidos.
detentoras de seguro de responsabilidade civil.
Artigo 22º
Artigo 28º
(Direito à educação)
(Responsabilidade objectiva)
Todas as pessoas têm direito de acesso à educação ambiental com vista a assegurar uma eficaz participação
Constituem-se na obrigação de reparar os prejuízos e ou indemnizar ao Estado, todos aqueles que,
na gestão do ambiente.
independentemente de culpa, tenham causado danos ao ambiente.
Artigo 23º (Direito de acesso à justiça).
Compete aos tribunais avaliar a gravidade dos danos previstos no número anterior por meio de peritagem
1. Qualquer cidadão que considere terem sido violados ou estar em vias de violação os direitos que
ambiental.
lhe são conferidos pela presente lei pode recorrer às instâncias judiciais, para pedir, nos termos
Artigo29°
gerais do direito, a cessação das causas de violação e a respectiva indemnização.
(Crimes e contravenções ambientais)
2. Compete ao Ministério Público a defesa dos valores ambientais protegidos por esta lei, sem As infracções de carácter criminal bem como as contravenções relativas ao ambiente, são objecto de
prejuízo da legitimidade dos lesados para propor as acções referidas na presente lei. regulamentação em legislação específica.

Artigo24° CAPÍTULO VI

(Embargos) Fiscalização Ambiental


Aqueles que se julguem ofendidos nos direitos a um ambiente ecologicamente equilibrado, podem recorrer Artigo 30º
a suspensão imediata da actividade causadora da ofensa, através dos meios processuais adequados. (Fiscalização ambiental)

Artigo 25º O Governo deve criar nos termos a regulamentar, um sistema de fiscalização ambiental para velar pela

(Utilização responsável dos recursos) implementação da legislação ambiental.

E dever do cidadão em geral e dos sectores público e privado, utilizar os recursos naturais de forma
responsável e sustentável independentemente do fim a que se destinam e colaborar na melhoria progressiva Artigo 31º
da qualidade de vida. (Dever de colaboração)

Artigo 26º Todas as pessoas independentemente das suas funções e sujeitas à fiscalização ambiental, devem colaborar

(Participação de infracções) com os agentes da fiscalização na realização das suas actividades profissionais.
Artigo 32º

17
(Participação das comunidades) Documentos necessários incluem:
Com vista a garantir a necessária participação das comunidades locais e a utilizar adequadamente os seus  Projeto arquitetônico e de engenharia (aprovados por profissionais credenciados).
conhecimentos e capacidades humanas, o Governo deve promover a criação de um corpo de agentes de  Certidão do terreno (prova de posse ou titularidade).
fiscalização comunitários.  Estudo de viabilidade econômica.
CAPÍTULO VII  Declaração de conformidade ambiental (detalhado abaixo).
Disposições Finais
c) Registro de Propriedade
Artigo 33º
De acordo com a Lei de Terras (Lei n.º 9/04), todos os terrenos em Angola são propriedade do Estado.
(Incentivos)
Um investidor pode obter:
O Governo deve criar incentivos económicos ou de outra natureza com vista a encorajar a utilização de
Direito de uso e aproveitamento (DUAT), válido por períodos renováveis.
tecnologias, processos produtivos e recursos naturais de acordo com o espírito do Desenvolvimento
Necessário registrar o DUAT no Cartório de Registo Predial.
Sustentável.
Artigo 34º
2.11.3. Licenciamento ambiental
(Revogação de legislação)
a) Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
É revogada toda a legislação que contrarie as disposições da presente lei.
Exigido para projetos que podem alterar o meio ambiente, como resorts em áreas naturais.
Artigo 35º
Deve incluir:
(Legislação a publicar)
 Avaliação dos impactos sociais, econômicos e ambientais.
A legislação a aprovar como resultado das exigências da presente lei, deve ser publicada num prazo
 Plano de mitigação de impactos negativos.
máximo de um ano, a partir da entrada em vigor desta lei.
 Consultas públicas para obter a aceitação da comunidade local.
Artigo 36º
(Dúvidas e omissões) b) Regulamentação
As dúvidas e omissões que se suscitarem na interpretação e aplicação da presente lei, são resolvidas O Decreto Presidencial n.º 51/04 regula o processo de avaliação e aprovação.
pela Assembleia Nacional. O licenciamento é obtido no Ministério da Cultura, Turismo e Ambiente. Leva em conta áreas de
preservação ambiental, rios e zonas costeiras.
2.11.2. Planejamento e Licenciamento

a) Uso do Solo 2.11.4. Normas técnicas de construção

Plano Diretor Municipal: É fundamental verificar com a administração municipal ou provincial se o a) Regulamento Geral das Edificações Urbanas (RGEU)
terreno está designado para uso turístico ou comercial. Caso contrário, será necessário solicitar uma Estabelece critérios para:
alteração no uso do solo.  Altura máxima das edificações.
Lei n.º 3/04 regula o ordenamento do território e urbanismo. Esta lei exige que projetos maiores, como  Materiais de construção adequados ao clima de Angola.
resorts, estejam em conformidade com os objetivos de desenvolvimento sustentável e planos regionais.  Infraestruturas de água, esgoto e eletricidade.
b) Licença de Construção
b) Segurança e Sustentabilidade
 A licença é obtida na Administração Municipal.
Siga as diretrizes para construções sustentáveis:

18
 Energia renovável (ex.: painéis solares). Artigo 3.°
 Sistemas de captação e reciclagem de água. A concessão da licença para a execução de qualquer obra e o próprio exercício da fiscalização dos
 As normas de segurança incluem: Governos Provinciais ou Administrações Municipais, no seu decurso, não isentam o dono da obra ou seu
 Sistemas de prevenção de incêndios (alarme, sprinklers, extintores).
representante, da responsabilidade pela condução dos trabalhos em estrita concordância com as prescrições
 Rotas de evacuação claramente sinalizadas.
regulamentares e não podem desobrigá-los da obediência a outros preceitos gerais ou especiais a que a
edificação, pela sua localização ou natureza, haja de subordinar-se.

c) Acessibilidade CAPITULO II
Garantir que o resort atenda às normas internacionais de acessibilidade, como rampas, elevadores e Condições gerais das edificações
sinalização para pessoas com deficiência SECÇÃO I

2.11.5. Regulamento geral das edificações urbanas (RGEU) Disposições gerais


Artigo 14.°

CAPÍTULO I Todas as edificações, seja qual for a sua natureza, devem ser construídas com perfeita observância

Disposições gerais das melhores normas da arte de construir e com todos os requisitos necessários para que lhes fiquem

Artigo 1.º asseguradas, de modo duradouro, as condições de segurança, salubridade e estética mais adequadas à

A execução de novas edificações ou de quaisquer obras de construção civil, a reconstrução, sua utilização e às funções educativas que devem exercer.

ampliação, alteração, reparação ou demolição das edificações e obras existentes e bem assim os trabalhos Artigo 15.°

que impliquem alteração da topografia local, dentro do perímetro urbano e das zonas rurais de protecção A qualidade, a natureza e o modo de aplicação dos materiais utilizados na construção das

fixadas para as sedes de municípios e para as demais localidades sujeitas por lei a plano de urbanização e edificações devem ser de molde que satisfaçam às condições estabelecidas no artigo anterior e às

expansão, subordinam-se às disposições do presente Regulamento; especificações oficiais aplicáveis.

Único. Fora das zonas e localidades a que faz referência este artigo, o presente Regulamento aplica- Artigo 16.°

se nas povoações a que seja tornado extensivo por deliberação dos Governos das Províncias e, em todos A aplicação de novos materiais ou processos de construção para os quais não existam

os casos, às edificações de carácter industrial ou de utilização colectiva. especificações oficiais nem suficiente prática de utilização é condicionada ao prévio parecer do

Artigo 2.° Laboratório de Engenharia de Angola.

Os Governos das Províncias ou a quem deleguem competências não podem conceder licenças para SECÇÃO II

a execução de quaisquer obras sem que previamente se verifiquem que elas não colidem com o plano de Fundações

urbanização geral ou parcial aprovado para o local ou que, em todo o caso, não prejudicam a estética Artigo 17.°

urbana. § único. A concessão de licença para a execução de quaisquer obras deve ser sempre condicionada As fundações dos edifícios devem ser estabelecidas sobre terreno estável e suficientemente firme,

à observância das demais prescrições do presente Regulamento, dos Regulamentos locais em vigor e, bem por natureza ou por consolidação artificial, para suportar com segurança as cargas que lhe são

assim, de quaisquer outras disposições legais cuja aplicação incumba aos Governos Provinciais ou transmitidas pelos elementos da construção, nas condições de utilização mais desfavoráveis.

Administrações Municipais assegurar. Artigo 18.º


Quando as condições do terreno e as características da edificação permitam a fundação contínua,
devem ser observados os seguintes preceitos:

19
a) Os caboucos devem penetrar no terreno firme até à profundidade de 50 centímetros, pelo menos, As paredes das casas de banho, retretes, copas, cozinhas e locais de lavagem devem ser revestidas,
excepto quando se trate de rocha dura, onde pode ser menor; até, pelo menos, à altura de 1,50m, com materiais impermeáveis, de superfície aparente lisa e
b) Esta profundidade deve, em todos os casos, ser suficiente para assegurar a distribuição regular facilmente lavável.
quanto possível das pressões na base do alicerce; Artigo 31.°
c) A espessura da base dos alicerces ou a largura das sapatas, quando requeridas, devem ser fixadas Os paramentos exteriores das fachadas que marginem as vias públicas mais importantes designadas
por forma que a pressão unitária no fundo dos caboucos não exceda a carga de segurança admissível em postura municipal devem ser guarnecidos inferiormente de pedra aparelhada ou de outro material
para o terreno de fundação; resistente ao desgaste e fácil de conservar limpo e em bom estado.
d) Os alicerces devem ser construídos com tal arte que a humidade do terreno não se comunique às
paredes da edificação, devendo, sempre que necessário, intercalar-se entre eles e as paredes uma
camada hidrófuga;
e) Na execução dos alicerces e das paredes até 50 centímetros acima do terreno exterior deve ser SECÇÃO IV
aplicada alvenaria hidráulica, resistente e impermeável, fabricada com materiais rijos e não porosos; Pavimentos e coberturas
f) Nos alicerces constituídos por camadas de diferentes larguras a saliência de cada degrau, desde que Artigo 34.°
o contrário se não justifique por cálculos de resistência, não deve exceder a sua altura. Na constituição dos pavimentos das edificações deve atender-se não só às exigências da segurança,
como também às de salubridade e à defesa contra a propagação de ruídos e vibrações.
SECÇÃO III Artigo 35.°
Paredes 1. As estruturas dos pavimentos e coberturas das edificações devem ser construídas de madeira, betão
Artigo 22.º armado, aço e outros materiais apropriados que possuam satisfatórias qualidades de resistência e
As paredes das edificações devem ser constituídas tendo em vista não só as exigências de duração.
segurança, como também as de salubridade, especialmente no que respeita à protecção contra a 2. As secções transversais dos respectivos elementos devem ser justificadas pelo cálculo ou por
humidade, as variações de temperaturas e a propagação de ruídos e vibrações. experiências, devendo atender-se, para este fim, à disposição daqueles elementos, à capacidade de
Artigo 23.º resistência dos materiais empregados e às solicitações inerentes à utilização da estrutura.
Na construção das paredes das edificações de carácter permanente devem ser utilizados materiais Artigo 37.º
adequados à natureza, importância, carácter, destino e localização dessas edificações, os quais devem Nas coberturas das edificações
oferecer, em todos os casos, suficientes condições de segurança e durabilidade. correntes, com inclinação não inferior
Artigo 24.º a 20.°, nem superior a 40.º, apoiadas
Para as paredes das edificações correntes destinadas a habitação, quando construídas de alvenaria sobre estruturas de madeira, podem
de pedra ou de tijolo cerâmico maciço de 1.ª qualidade, com as dimensões de 0,23m x 0,11m x 0,07m, ser empregues, sem outra justificação,
pode ser considerada assegurada, sem outra justificação, a sua resistência, sempre que sejam adoptadas as secções mínimas seguintes ou suas
as espessuras mínimas a fixar em regulamento específico das tipologias de construção. equivalentes em resistência e rigidez,
Artigo 30.° desde que não se excedam as
distancias máximas indicadas.

20
Artigo 38.° Segurança contra incêndios
As estruturas das coberturas e pavimentos devem ser devidamente assentes nos elementos de apoio Artigo 138.°
e construídas de modo que estes elementos não fiquem sujeitos a esforços horizontais importantes, salvo 1. Todas as edificações devem ser delineadas e construídas tendo em atenção a segurança dos seus
se para lhes resistirem se tomarem disposições apropriadas. futuros ocupantes em caso de incêndio, de acordo com as disposições da legislação específica contra
Único. Quando se utilize madeira sem tratamento prévio adequado, os topos das vigas das incêndios.
estruturas dos pavimentos ou coberturas, introduzidos nas paredes de alvenaria, devem ser sempre 2. Devem ser adoptadas as disposições necessárias para facilitar a extinção do fogo, impedir ou retardar
protegidos com induto ou revestimento apropriados que impeçam o seu apodrecimento. o seu alastramento e evitar a propagação aos prédios vizinhos.
CAPÍTULO III Artigo 139.°
Condições especiais relativas à salubridade das edificações e dos terrenos de construção A nenhuma edificação ou parte de edificação pode ser dada, mesmo temporariamente, uso diferente
SECÇÃO I daquela para que for autorizada, de que resulte maior risco de incêndio, sem que previamente sejam
Salubridade dos terrenos executadas as obras de defesa indispensáveis para garantia da segurança dos ocupantes do próprio prédio
Artigo 51.° ou dos vizinhos.
Nenhuma edificação pode ser construída ou reconstruída em terreno que não seja reconhecidamente Artigo 140. °
salubre ou sujeito previamente às necessárias obras de saneamento. Artigo 52.° Em terrenos alagadiços ou 1. Todas as edificações devem dispor de meios de saída para a via pública, directamente ou por
húmidos a construção ou reconstrução de qualquer edificação deve ser precedida das obras necessárias intermédio de logradouros.
para o enxugar e desviar as águas, de modo que o prédio venha a ficar preservado de toda a humidade. 2. O número, dimensões, localização e constituição destes meios de saída devem ser fixados tendo em
Artigo 53.° atenção a natureza da ocupação e a capacidade de resistência da construção ao fogo, por forma a
Em terrenos onde se tenham feito depósitos ou despejos de imundícies ou de águas sujas permitir com segurança a rápida evacuação dos ocupantes em caso de incêndio.
provenientes de usos domésticos ou de indústrias nocivas à saúde não pode ser executada qualquer § único. Todas as edificações sem acesso directo pela via pública ou dela afastadas devem ser servidas
construção sem previamente se proceder à limpeza e beneficiação completas do mesmo terreno. por acessos de largura não inferior a 3 metros, destinado a viaturas.
Artigo 54.°
Nas zonas urbanas não podem ser executadas quaisquer construções ou instalações onde possam
ser depositadas imundícies tais como cavalariças, currais, vacarias, pocilgas, lavadouros, fabricas de
produtos corrosivos ou prejudiciais à saúde pública e estabelecimentos semelhantes, sem que os 2.11.6. Levantamento de legislação internacional

respectivos pavimentos fiquem perfeitamente impermeáveis e sejam adoptadas as demais disposições


próprias para evitar a poluição dos terrenos e das águas potáveis ou minero-medicinais. [Link] Brasil

Único. O disposto neste artigo aplica-se às construções ou depósitos de natureza agrícola ou


industrial nas zonas rurais, sempre que no terreno em que assentarem e a distância inferior a 100 metros  Zoneamento e Uso do Solo

(ou a distância superior quando não seja manifesta a ausência de perigo de poluição), haja nascentes, Antes de iniciar a construção, é fundamental verificar o plano diretor e as leis de uso e ocupação
fontes, depósitos, canalizações ou cursos de água que importe defender. do solo do município onde o resort será implantado. Essas normas determinam as áreas permitidas para
edificações comerciais, turísticas e de grande porte, além de estabelecer parâmetros construtivos como
SECÇÃO III gabarito, recuos e coeficiente de aproveitamento.

21
 Licenciamento Ambiental  Acessibilidade: É obrigatório garantir que as instalações sejam acessíveis a pessoas com deficiência
ou mobilidade reduzida, em conformidade com a Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e
A legislação ambiental brasileira exige que empreendimentos de significativo impacto, como
normas técnicas específicas.
resorts, obtenham licenças ambientais específicas. O processo geralmente envolve três etapas:
 Licença Prévia (LP): Avalia a viabilidade ambiental do projeto e aprova sua localização.  Cadastro no Ministério do Turismo: Os meios de hospedagem devem se cadastrar no Cadastur,
sistema do Ministério do Turismo que reúne informações e regulamenta o setor. O cadastro é
 Licença de Instalação (LI): Autoriza o início da construção, conforme os planos aprovados.
obrigatório e assegura diversas vantagens, como acesso a financiamentos e participação em
 Licença de Operação (LO): Permite o funcionamento do empreendimento após a verificação do programas de qualificação.
cumprimento das exigências anteriores.
[Link].2 Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)
Além disso, é necessário observar as Áreas de Preservação Permanente (APPs) e respeitar as
As normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são indispensáveis para a construção
restrições impostas pelo Código Florestal (Lei nº 12.651/2012). Construções próximas a praias, falésias e
e operação de um resort, pois garantem segurança, qualidade e acessibilidade nos projetos. Abaixo estão
outros ecossistemas sensíveis devem seguir normas específicas para evitar degradação ambiental.
algumas das principais normas aplicáveis:
 Normas Urbanísticas e de Segurança
 Normas de Acessibilidade
O empreendimento deve atender às normas técnicas de construção, acessibilidade e segurança
Essas normas garantem que o resort seja acessível a pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida:
previstas nas legislações federal, estadual e municipal. Isso inclui a observância do Código de Obras local,
 ABNT NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.
normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e regulamentações do Corpo de Bombeiros,
que tratam de prevenção contra incêndios e pânico. Define critérios para rampas, portas, banheiros adaptados, sinalizações e circulação em áreas comuns.
Exige instalação de pisos táteis, barras de apoio e largura mínima de corredores e portas.
 Normas de Segurança Contra Incêndios
 Legislação Específica para Meios de Hospedagem
Essenciais para proteger hóspedes e funcionários:
A Lei nº 11.771/2008, conhecida como Lei Geral do Turismo, estabelece diretrizes para a Política  ABNT NBR 9077: Saídas de emergência em edifícios.
Nacional de Turismo e define os meios de hospedagem, incluindo resorts. Essa lei determina requisitos
Requisitos para escadas de emergência, rotas de fuga e sinalização.
para o cadastramento, classificação e funcionamento desses estabelecimentos.
 ABNT NBR 13434: Sinalização de segurança contra incêndio e pânico.
Além disso, a Portaria MTur nº 100, de 16 de junho de 2011, institui o Sistema Brasileiro de
Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass), que define critérios para a classificação de resorts e Especifica o uso de placas, cores e símbolos para orientar evacuações.
 ABNT NBR 15219: Plano de emergência contra incêndios.
outros meios de hospedagem, visando padronizar e qualificar os serviços oferecidos.
 Outras Considerações Orienta o planejamento de medidas preventivas e procedimentos em caso de incêndios.

 Responsabilidade Social e Sustentabilidade: Empreendimentos turísticos devem adotar práticas que  Normas de Sustentabilidade e Eficiência Energética

promovam a inclusão social, valorizem as comunidades locais e minimizem impactos ambientais, Essas normas são importantes para atender às práticas de construção sustentável:
conforme os princípios estabelecidos na legislação brasileira.  ABNT NBR 15575: Edificações habitacionais — Desempenho.

Define requisitos de conforto térmico, acústico e eficiência energética para edificações.

22
 ABNT NBR ISO 14001: Gestão ambiental.  Normas para Piscinas e Áreas de Lazer

Estabelece critérios para sistemas de gestão ambiental visando reduzir o impacto ambiental. Para garantir segurança e conforto em espaços de lazer:
 ABNT NBR ISO 50001: Gestão de energia.  ABNT NBR 10339: Projeto, execução e manutenção de piscinas.

Ajuda na implementação de práticas de eficiência energética no empreendimento. Requisitos para a construção e operação de piscinas.
 Normas Estruturais e de Construção  ABNT NBR 11235: Segurança em piscinas.

Essenciais para garantir a segurança e durabilidade da construção: Especifica dispositivos de proteção, como ralos antiaprisionamento e sinalizações.
 ABNT NBR 6118: Projeto de estruturas de concreto — Procedimento.

o Especifica requisitos para a construção de estruturas de concreto armado.

 ABNT NBR 14762: Dimensionamento de estruturas de aço.

o Indica os critérios para o uso de aço em edificações.

 ABNT NBR 10844: Construção de estacionamentos.

o Define as dimensões mínimas de vagas, inclinação e circulação de veículos.

 Normas de Instalações Elétricas e Hidrossanitárias

Essenciais para segurança e funcionalidade:


 ABNT NBR 5410: Instalações elétricas de baixa tensão.

o Define critérios para dimensionamento de circuitos, aterramento e proteção contra choques.

 ABNT NBR 5626: Instalação predial de água fria.

Requisitos para sistemas de abastecimento de água em edificações.


 ABNT NBR 8160: Sistemas de esgoto sanitário — Projeto e execução.

Estabelece padrões para instalações sanitárias em edificações.


 Normas de Conforto e Qualidade para Hóspedes

Essas normas ajudam a garantir uma experiência agradável aos hóspedes:


 ABNT NBR ISO 21920: Qualidade no atendimento em serviços de hospedagem.

Critérios para gestão e atendimento ao cliente.


 ABNT NBR 16280: Reformas em edificações.

Define regras para obras e reformas sem comprometer a estrutura ou segurança.

23
2.12. Normas técnicas na elaboração de projectos de edificação

24
25
26
27
2.13. Reconhecimento do terreno (elementos físicos naturais e construídos) Vias de Acesso e Conectividade: Estradas e acessos foram estruturados para conectar o
Mussulo a Luanda e outras áreas, facilitando o deslocamento de pessoas e o transporte de
Na Ilha do Mussulo, tanto os elementos físicos quanto os construídos colaboram para a definição mercadorias.
da identidade e funcionalidade do local. A seguir, apresento uma visão integrada desses componentes: Postos de Segurança e Guarda: Instalações como o Posto de Polícia de Guarda Fronteira, que
Elementos Físicos atuam na proteção e fiscalização da região, são fundamentais para a segurança dos residentes e
Geografia e Morfologia: visitantes.
Costa e Praias: A região destaca-se por suas extensas praias de areia fina, que atraem turistas Infraestrutura Comunitária:
e moradores. Edificações Residenciais e Comerciais: Construções destinadas à moradia e ao comércio local
Dunas e Formações Naturais: A presença de dunas e outras formações naturais contribui para formam o núcleo habitacional e econômico da região.
a paisagem litorânea, influenciando os processos de sedimentação e o equilíbrio ecológico Espaços Públicos e de Convivência: Áreas destinadas ao encontro e à interação social, como
local. praças e centros comunitários, promovem a integração dos habitantes e fortalecem o senso de
Vegetação Litorânea: A vegetação típica de zonas costeiras, incluindo restingues e, em comunidade.
algumas áreas, manguezais, desempenha um papel essencial na estabilização do solo e na 2.14. Noções de conforto, tais como: insolação, ventilação e iluminação (macro, meso e
proteção contra a erosão. micro localização)

Condições Climáticas: Variação anual de temperatura em Luanda


Influência do Atlântico: A proximidade com o Oceano Atlântico confere ao Mussulo
características climáticas específicas, como temperaturas moderadas e presença constante de
brisas marítimas, que afetam tanto o conforto ambiental quanto o planejamento das
construções.
Microclima Local: As condições locais, como a umidade e a incidência solar, são
determinantes para a seleção de materiais e técnicas construtivas adequadas à região.
Elementos Construídos
Infraestrutura Turística:
Fig. Nº 4: Clima de Luanda
Resorts e Hotéis: Diversos empreendimentos turísticos foram desenvolvidos para explorar o
Fonte: [Link], 2025.
potencial da região, oferecendo acomodações e serviços voltados tanto para turistas nacionais Luanda, capital de Angola, tem um clima tropical semiárido, caracterizado por temperaturas
quanto internacionais. relativamente estáveis ao longo do ano, com pouca variação sazonal. A média anual varia entre 23°C e
Restaurantes e Espaços de Lazer: Estabelecimentos que se aproveitam da paisagem costeira, 28°C. Aqui está uma visão geral das temperaturas ao longo do ano:
oferecendo experiências gastronômicas e de entretenimento, reforçam a vocação turística do  Estação quente e úmida (novembro a abril)
Mussulo.  Temperaturas médias: 25°C a 28°C
Infraestrutura de Apoio e Segurança:  A umidade é mais alta, e há chances de chuvas ocasionais, especialmente entre março e abril.
 Estação fresca e seca (maio a outubro)
 Temperaturas médias: 21°C a 26°C

28
 É conhecida como "Cacimbo", com clima mais seco, céu muitas vezes encoberto e menor  A precipitação mensal costuma ser próxima de 0 mm a 10 mm.
amplitude térmica.
 Temperatura por meses (média aproximada):
Precipitação média mensal (aproximada):
 Janeiro a março: 26°C - 28°C  Janeiro: 30-40 mm

 Abril a junho: 24°C - 26°C  Fevereiro: 50-70 mm

 Julho a setembro: 22°C - 25°C  Março: 80-150 mm (mês mais chuvoso)

 Outubro a dezembro: 25°C - 28°C  Abril: 50-100 mm

Apesar da proximidade com o Equador, a influência da corrente fria de Benguela reduz as temperaturas,  Maio a outubro: 0-10 mm (quase seco)
especialmente durante o Cacimbo. Isso proporciona um clima agradável, sem extremos de calor.
 Novembro: 10-30 mm
Mudança Anual de precipitação em Luanda
 Dezembro: 20-40 mm

Precipitação anual total:


 A média anual de precipitação em Luanda é de 350 mm a 500 mm, com variações dependendo de
fatores climáticos, como o efeito da Corrente Fria de Benguela, que reduz significativamente as
chuvas.

Fig. Nº 5: Temperatura anual em Luanda


Características marcantes:
Fonte: [Link] 2022.
 A concentração de chuvas em poucos meses e a longa estação seca tornam a vegetação adaptada à
Luanda, Angola, possui um clima tropical semiárido, caracterizado por baixa precipitação anual e
aridez.
uma estação seca bem definida. A precipitação em Luanda varia consideravelmente ao longo do ano,
 A falta de chuvas regulares pode afetar o abastecimento de água e a agricultura na região.
concentrando-se em poucos meses.
Padrão anual de precipitação em Luanda:
 Estação chuvosa (novembro a abril): 2.15. Visitas a equipamentos da tipologia a desenvolver

 A maior parte das chuvas ocorre entre fevereiro e abril, com os picos de precipitação em março. As Visitas Serão Desenvolvidas na segunda fase do projecto.
 Mesmo assim, as chuvas não são abundantes, variando entre 50 e 150 mm por mês.
2.16. Consulta do modelo de Monografia da UNIA (papelaria)

Não tivemos acesso ao modelo de monografia.


 Estação seca (maio a outubro):
 Durante o período do "Cacimbo", praticamente não há chuvas.

29
2.17. Visita ao estudo urbano (terreno), entrevistas e registos fotográficos (sítio de De acordo com o "Relatório de Pobreza para Angola" do Instituto Nacional de Estatística (INE), a
intervenção e entorno)
receita média mensal por pessoa em áreas urbanas é de 19.090 kwanzas. Embora o relatório não detalhe
2.17.1 Registro Fotográfico especificamente Luanda, é provável que a cidade, sendo a capital e principal centro econômico, apresente
valores próximos ou superiores a essa média.
2.18. Efectivo populacional (INE, administrações municipais)
2.20.2 Produto Interno Bruto (PIB) per capita

Dados do Banco Mundial indicam que o PIB per capita de Angola foi de aproximadamente 5.328
dólares em 2023. É importante notar que o PIB per capita não reflete diretamente a renda média da
população, pois não considera as disparidades de distribuição de renda.
2.20.3. Salário Mínimo
Em 2022, o salário-mínimo em Angola foi fixado em 32.000 kwanzas mensais. Este valor serve
como referência para os níveis salariais mais baixos no país. É crucial reconhecer que Luanda enfrenta
2.19. População da Envolvente: As pessoas que fazem turismo e outros negócios significativas desigualdades socioeconômicas. Enquanto uma parcela da população possui rendimentos
elevados, uma proporção considerável enfrenta condições de pobreza. Estudos indicam que quase metade
De acordo com o Anuário Estatístico do Turismo 2020-2021, publicado pelo Instituto Nacional de
Estatística (INE), Angola recebeu 127.353 turistas no biênio 2020-2021, uma redução de 70,7% em da população angolana vive abaixo da linha de pobreza, e Luanda, apesar de ser o centro econômico, não
relação aos 435.000 turistas registrados no biênio 2018-2019. está isenta desses desafios.

Embora não haja dados específicos para Luanda, é provável que uma parte substancial desses
turistas tenha visitado a cidade, dado seu papel central no turismo e nos negócios do país. 2.20.4. Renda da população do Kilamba
De acordo o site Correio Kianda, determinar a renda média da população da Centralidade do
Além disso, o relatório indica que, no mesmo período, os estabelecimentos turísticos do país
Kilamba, em Luanda, é desafiador devido à escassez de dados estatísticos específicos. Contudo, algumas
alojaram aproximadamente 1,7 milhões de hóspedes, com um total de 3,5 milhões de dormidas. A
informações podem fornecer uma visão aproximada do perfil socioeconômico da região:
província de Luanda destacou-se, representando 36,36% do total de dormidas, seguida por Benguela
 Perfil Econômico: A Centralidade do Kilamba foi projetada para abrigar uma população
(14,88%), Huíla (9,20%) e Cuanza Sul (6,93%).
de classe média com elevado poder de compra;

Com base nesses dados, embora não seja possível fornecer uma média exata de turistas que visitam  Prestações Habitacionais: As habitações na modalidade de renda resolúvel possuem

Luanda anualmente, é evidente que a cidade desempenha um papel central no turismo em Angola, atraindo prestações mensais que variam entre 27.000 e 30.000 kwanzas, com um prazo de pagamento

uma parcela significativa dos visitantes internacionais e nacionais de até 30 anos.


Embora esses dados não forneçam uma cifra exata da renda média dos moradores, indicam que a população
2.20. Renda da População do Kilamba se enquadra majoritariamente na classe média angolana.
2.21.1 Topografia
Determinar a renda média exata da população de Luanda é desafiador devido à escassez de dados
atualizados e específicos para a cidade. Contudo, informações disponíveis fornecem algumas estimativas: A topografia de Luanda é caracterizada por uma combinação de planícies costeiras, colinas e algumas
áreas de relevo acidentado. A cidade, localizada no litoral atlântico de Angola, tem um terreno variado que
2.20.1 Rendimento Médio Mensal por Pessoa
influencia tanto a urbanização quanto a infraestrutura.

30
Principais características topográficas de Luanda: da centralidade. Essa situação representa um risco significativo para a integridade das infraestruturas
Zona Costeira e Baixa de Luanda: locais:
A cidade se desenvolveu originalmente em uma planície costeira baixa, ao longo da Baía de 2.22.1 Abastecimento de Água
Luanda.
A principal fonte de abastecimento de água em Luanda vem do rio Kwanza e do rio Bengo, sendo
Essa área tem terrenos relativamente planos, o que facilitou a urbanização, mas também a torna
tratada em estações como a de Kifangondo. O acesso à água potável é desigual: enquanto bairros centrais
vulnerável a inundações em épocas de chuvas intensas.
e algumas áreas planejadas recebem abastecimento regular, bairros periféricos dependem de camiões
Colinas e Áreas Elevadas:
cisterna ou poços artesianos. O sistema de distribuição de água ainda enfrenta perdas devido a vazamentos
À medida que se avança para o interior, o relevo se torna mais irregular, com colinas e pequenos
e ligações ilegais.
platôs. Regiões como Miramar, Alvalade e a área do
2.22.2 Abastecimento de Água
Futungo possuem terrenos elevados, oferecendo vistas
panorâmicas da cidade e da costa. Luanda carece de um sistema de esgoto eficiente e abrangente.
Grande parte da cidade ainda utiliza fossas sépticas e sistemas de drenagem precários, o que contribui
Morro da Samba e Outras Elevações: para a contaminação do solo e de corpos d’água. A infraestrutura de esgoto não acompanha o crescimento
O Morro da Samba é uma das formações elevadas populacional acelerado, resultando em alagamentos e transbordamento de resíduos em épocas de chuva.
mais conhecidas da cidade. Essas colinas influenciam a 2.22.3 Eletricidade
disposição dos bairros e das vias principais. A centralidade é atendida por uma rede elétrica que supre as necessidades residenciais e comerciais da
Solo e Drenagem: área. Entretanto, a iluminação pública tem sido apontada como uma preocupação pelos moradores,
O solo em Luanda é predominantemente arenoso indicando áreas que necessitam de melhorias.
nas áreas costeiras e argiloso em algumas regiões mais afastadas do litoral. A mesma é abastecida pela Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE),
A cidade enfrenta desafios com a drenagem, especialmente durante a estação chuvosa, quando responsável pela distribuição de energia elétrica na região. A ENDE tem implementado sistemas de
ocorrem inundações e erosão em áreas de encosta.
contagem pré-paga para garantir eficiência energética e melhorar a qualidade do fornecimento.
Influência na Urbanização:
2.22.4 Comunicações Viárias (Transportes e Estradas)
A topografia tem sido um fator determinante para a expansão urbana, levando à ocupação Fig. Nº 6: Centralidade do Kilamba a noite.
Fonte: Google, 2025. O Kilamba foi planeado com uma malha viária
desordenada em algumas áreas de relevo acidentado. A pressão demográfica fez com que muitas
construções fossem erguidas em zonas vulneráveis a deslizamentos e erosão. estruturada, incluindo avenidas e ruas que facilitam o tráfego de veículos e pedestres. Recentemente, foram
realizados trabalhos de manutenção na drenagem e saneamento para preservar a qualidade das vias e evitar
2.22. Sistemas de saneamento (água, esgoto, eletricidade comunicações viárias internet, gás
e outros) rupturas.

O Abastecimento de Água no Kilamba possui um sistema de distribuição de água potável destinado a 2.22.5 Internet e Telecomunicações

atender toda a comunidade; O acesso à internet em Luanda é dominado pelas operadoras Unitel, Movicel e Angola Telecom.
O Saneamento Básico na região está equipada com redes de drenagem para águas residuais e Apesar de um crescimento na infraestrutura de fibra ótica, o serviço ainda apresenta altos custos e
pluviais. Contudo, a Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) tem enfrentado desafios instabilidade. O acesso à internet móvel é mais popular do que conexões fixas.
operacionais, resultando em falta de manutenção nas redes de águas residuais e pluviais desde a ocupação

31
2.22.6. Gás e Energia Alternativa

Em Luanda não há gás canalizado. A população utiliza gás de botija (GLP - Gás Liquefeito de
Petróleo), que pode ser adquirido em pontos de venda. O governo já explorou projetos para a instalação de
gás canalizado, mas a infraestrutura ainda não foi implementada.
2.22.7. Gestão de Resíduos Sólidos

A recolha de lixo em Luanda é feita por empresas como a Elisal e a Vista Waste. No entanto, ainda há
grandes desafios na coleta regular, levando ao acúmulo de resíduos em áreas urbanas e lixões a céu aberto.
2.23. Mobilidade urbana na zona de intervenção

Fig. Nº 7: Plano Urbanístico da Cidade Desportiva do Kilamba


Fonte: Trabalho de Desenho Urbano, 2023-2024.

32
[Link]ÇÃO HISTÓRIA DE ANGOLA
A história de Angola é multifacetada e
complexa, refletindo séculos de interações entre os
povos indígenas, os colonizadores portugueses, e os
movimentos de resistência, culminando em um
processo de independência e reconstrução nacional.

Período pré-colonial de angola

O período pré-colonial de Angola é


fundamental para entender as bases culturais e
sociais que moldaram o país, antes da chegada dos
europeus no século XV. Abaixo estão os principais
marcos dessa era.
Fig. Nº 8: Mapa de Angola Atualizado
Fonte: Nova divisão política administrativa, 2025.

Os Primeiros Habitantes
Antes da chegada dos Bantu, a região era
habitada por povos como os Khoisan, que tinham uma
relação íntima com a terra. Estes grupos eram nômades,
com hábitos de caça e coleta, dominando técnicas de
sobrevivência adaptadas a diferentes climas, incluindo
savanas e florestas tropicais. Sua língua, baseada em
cliques, é um dos elementos culturais mais
emblemáticos que perdura em algumas etnias modernas
da região.
Fig. Nº 9:
Diagrama da macro, meso e micro localização. Fig. Nº 10:Expansão Bantu (a partir de 2000 a.C.)
Fonte: Mapstyle, 2024. Fonte: Wikipédia, 2020

A migração dos povos Bantu é um marco transformador. Estes povos trouxeram consigo práticas
avançadas de agricultura, pecuária, e o uso do ferro, o que revolucionou tanto as práticas cotidianas quanto
as formas de organização social. As primeiras sociedades começaram a se estruturar de maneira
hierárquica, estabelecendo reinos com sistemas de governo centralizado e interações comerciais.

33
Formação de Reinos a ser um ponto estratégico para o império português e, em grande medida, para o comércio transatlântico

Os povos Bantu deram origem a reinos influentes, como: de escravizados.

 Reino do Kongo: Este foi um dos reinos mais notáveis e poderosos, com uma estrutura
governamental sofisticada, destacando-se pela centralização do poder no Manikongo, o líder Início do Tráfico de Escravos
supremo.
No século XVI, o porto de Luanda tornou-se um centro essencial para o tráfico de escravizados.
 Reino de Ndongo: Conhecido pela sua resistência à colonização, o reino de Ndongo foi um dos Estima-se que milhões de africanos foram deportados para as Américas, em sua maioria para o Brasil, o
principais centros de oposição ao domínio português. O termo "Ngola", que designava seu que teve um impacto devastador sobre as
monarca, inspirou o nome do país. sociedades angolanas. Além disso, os portugueses
implantaram um sistema de exploração que
 Reinos de Lunda e Ovimbundu: Localizados no interior, essas civilizações formaram redes
favorecia a extração de recursos naturais e a
comerciais prósperas, incluindo o comércio de sal, marfim, ferro, e tecidos, e criaram um rico
produção agrícola.
patrimônio cultural.

Comércio e Interações Regionais

Os reinos angolanos, com suas rotas comerciais, interagiam com outras regiões da África central e Fig. Nº 12: Comércio de escravos no Atlântico. Resistência e Conflitos
Fonte: Wikipédia, 2025.
além. As trocas de bens e saberes tornaram-se um dos principais motores das economias locais, enquanto
Reis como Nzinga Mbande se destacaram
também possibilitaram o intercâmbio cultural.
pela luta contra os portugueses, resistindo com táticas militares e diplomáticas para proteger os reinos
Cultura e Religião locais. Sua história é emblemática de uma resistência que foi sendo moldada ao longo de séculos, num

A religião desempenhou um papel central, com sistemas espirituais fortemente ligados à natureza cenário de violência e opressão colonial.

e ao culto aos ancestrais. Os rituais religiosos garantiam prosperidade nas colheitas, boa saúde e proteção
nas batalhas. A arte, a música e a dança eram formas de expressão espiritual e de coesão social.

Resistência e Conflitos

Os reinos de Angola enfrentaram uma série de desafios internos e externos, incluindo conflitos com
outras potências africanas e, mais tarde, com os colonizadores portugueses. Essa resistência criou uma
forte identidade cultural, que viria a ser crucial no processo de libertação do país.

PERÍODO COLONIAL DE ANGOLA


Fig. Nº 11: Rainha Nzinga.
O período colonial teve início efetivo no século XVI, quando os portugueses estabeleceram Fonte: Wikipédia, 2025.
feitorias ao longo da costa, com foco no comércio de escravizados. A partir desse momento, Angola passou

34
Consolidação do Controle Colonial Após a independência, Angola enfrentou uma guerra civil devastadora que durou de 1975 até 2002.
O período pós-colonial foi caracterizado por tentativas de reconciliação, reconstrução econômica e social,
Com a Conferência de Berlim, Portugal
além de uma importante transformação política.
estabeleceu uma política de controle total
sobre o território angolano, levando a uma A Independência e o Início da Guerra Civil
expansão de sua presença no interior, que se
Após a independência, Angola foi devastada por uma guerra civil entre o MPLA, que assumiu o
intensificou no século XIX. A exploração
poder com apoio da União Soviética e Cuba, e a UNITA, que contou com o apoio dos Estados Unidos e
econômica se aprofundou, com foco em
da África do Sul. O conflito, inicialmente político, evoluiu para uma guerra civil prolongada que causou
atividades extrativas como a mineração e o
grandes danos ao país e ao seu povo.
cultivo de produtos agrícolas com trabalho
forçado
Fig. Nº 13: Agostinho Neto, líder do MPLA e primeiro presidente angolano,
encontra-se com o embaixador da Polônia em Luanda, 1978.
Fonte: Wikipédia, 2025. Exploração e Trabalho Forçado O Fim da Guerra Fria e os Acordos de Paz

O sistema de trabalho forçado foi responsável pela imposição de severas condições de vida para os Nos anos 1990, o fim da Guerra Fria e os
nativos, com a exploração da força de trabalho nas plantações e minas. O racismo estrutural criou acordos de paz negociados entre o MPLA e a
profundas desigualdades, que ainda são sentidas na sociedade angolana contemporânea. Fig. Nº 15: Tropas do MPLA chegam para tomar área da Baía de Luanda no dia UNITA foram fundamentais para a cessação do
10 de novembro de 1975.
Fonte: [Link], 2015
conflito. Sem o apoio das grandes potências, os
Luta pela Independência
grupos beligerantes foram forçados a negociar. A morte de Jonas Savimbi, em 2002, foi um marco
A luta pela independência começou a se intensificar nas décadas de 1950 e 1960, com o MPLA, definitivo para o fim da guerra civil. Apesar da paz alcançada em 2002, Angola ainda enfrenta desafios
FNLA e UNITA assumindo papéis de destaque econômicos e sociais, mas o país segue avançando na reconstrução e desenvolvimento.
na resistência armada contra o domínio
Reconstrução e Crescimento Econômico
português. O Massacre de Baixa de Cassanje,
em 1961, e outros eventos ajudaram a galvanizar A reconstrução de Angola após a guerra exigiu grandes esforços para reparar infraestrutura
o apoio à luta pela liberdade. A Revolução dos destruída e atender às necessidades da população. Embora a economia tenha experimentado um
Cravos, em Portugal (1974), precipitou a crescimento significativo, em grande parte impulsionado pelo petróleo, a dependência deste recurso trouxe
independência de Angola em 1975 desafios econômicos.

Fig. Nº 14: Acordo de Bicesse celebrado entre o ex-presidente do MPLA, José


Transição Política
Eduardo dos Santos e o ex-líder presidente da UNITA, Jonas Malheiro.
Fonte: [Link], 2021.
Em 2017, o país passou por uma importante transição política, com a saída de José Eduardo dos
PERÍODO PÓS-COLONIAL DE ANGOLA
Santos e a ascensão de João Lourenço à presidência. Lourenço prometeu combater a corrupção, promover
reformas econômicas e sociais, e continuar o trabalho de reconciliação nacional.

35
HISTÓRIA DA PROVÍNCIA DE LUANDA Atualmente, muitas dessas áreas carecem de bibliotecas adequadas, limitando as oportunidades de
estudo, pesquisa e lazer intelectual, especialmente para estudantes e jovens que precisam de um ambiente
Luanda, a capital de Angola, é uma cidade de grande importância histórica e econômica, sendo o propício ao aprendizado. Além disso, os espaços urbanos frequentemente são projetados sem considerar
centro cultural e comercial do país. Fundada em 1576, Luanda tem uma rica herança de influências princípios de conforto térmico e sustentabilidade, resultando em construções que não aproveitam
portuguesas e africanas. eficientemente os recursos naturais e apresentam altos custos de manutenção.
Diante desse cenário, este projeto visa não apenas suprir a carência de um centro de leitura e
O Crescimento Populacional e a Economia
conhecimento, mas também servir como um modelo de arquitetura sustentável, promovendo o uso de
Com uma população de mais de 2,5 milhões de habitantes em 2018, Luanda se tornou uma das materiais ecológicos, iluminação e ventilação natural, eficiência energética e integração com áreas verdes.
cidades mais populosas da África lusófona. O porto de Luanda é um dos principais centros de exportação A biblioteca será um espaço dinâmico e acessível, incentivando a leitura, a pesquisa e o
de produtos como diamantes, café e cobre, enquanto o setor industrial tem crescido significativamente, desenvolvimento cultural da população, ao mesmo tempo em que reforça a importância da construção
com destaque para a produção de petróleo e gás. sustentável para a melhoria da qualidade de vida e preservação ambiental.
Com isso, este projeto se apresenta como uma solução inovadora e transformadora, alinhada às
Desafios e Oportunidades
necessidades educacionais, sociais e ambientais da região, contribuindo para o crescimento intelectual da

Apesar de seu crescimento acelerado, a cidade enfrenta desafios, como a escassez de infraestrutura comunidade e para um futuro mais sustentáve

adequada, o desemprego e a desigualdade social. No entanto, Luanda continua sendo um ponto focal de
3.3. Parâmetros
inovação, com esforços para modernizar sua infraestrutura e melhorar a qualidade de vida de seus
habitantes. Os Parâmetros serão desenvolvidos na segunda fase desse projecto

Essa expansão traz uma visão mais detalhada da história de Angola, abordando com mais
profundidade os diferentes períodos e os marcos que definiram o país, desde os tempos pré-coloniais até o
presente.

3.1. Problemática

A problemática está descrita na parte introdutória desse trabalho

3.2. Motivação

A criação de uma Biblioteca Distrital sustentável e confortável nas zonas adjacentes à cidade do
Kilamba surge da necessidade de proporcionar um espaço de conhecimento, cultura e inclusão para a
comunidade local, que enfrenta desafios relacionados ao acesso à informação e à infraestrutura
educacional.

36
.4. Características ambientais

3.4.1. Localização

Fig. Nº 16: Croquis de Localização.


Fonte: Autocad 2022, 2025.

37
Tecnicamente torna-se indispensável um estudo minucioso para se classificar de
modo preciso o tipo de solo, porém a caracterização aqui apresentada para o tipo de solo da
zona de intervenção, fez-se com base as características físicas do mesmo.

Principais Características do Solo Argiloso

 Alta Coesão e Compactação – As partículas aderem fortemente umas às outras, tornando o solo
mais firme e resistente.
Fig. Nº 18: Representação do solo arenoso da zona de intervenção.
Fonte: Própria, 2025  Baixa Permeabilidade – A água infiltra-se lentamente, podendo causar acúmulo e retenção
excessiva de umidade.
 Elevada Plasticidade – Pode ser moldado facilmente quando úmido, sendo útil para a fabricação
de tijolos e cerâmicas.
 Risco de Retração e Expansão – Em períodos de seca, pode contrair e rachar; quando molhado,
expande-se significativamente, causando instabilidade para construções.
 Boa Capacidade de Carga – Suporta bem estruturas quando bem compactado, mas pode ser
instável se não for tratado adequadamente.
 Tendência à Formação de Lama – Com umidade excessiva, pode tornar-se escorregadio e
dificultar fundações e movimentação de máquinas.
Fig. Nº 19: Representação do solo argiloso da zona de intervenção.
Fonte: Própria; 2025.
Principais Características do Solo Arenoso
3.4.2. Meio físico (vegetação, fauna flora, hidrologia, climatologia)

[Link] Solos  Baixa Coesão – As partículas não se aderem bem entre si, tornando o solo solto e pouco estável.
A nossa Zona de intervenção tem como característica o solo argiloso que é um tipo de solo
 Alta Drenagem – A água passa rapidamente pelo solo, reduzindo o risco de encharcamento, mas
composto por argila, alumínio e ferro e que possui coloração vermelho-escura. Em geral, ele é
dificultando a compactação.
caracterizado por sua grande microporosidade e impermeabilidade. Constata-se também a presença de solo
 Baixa Capacidade de Suporte – O solo arenoso não suporta grandes cargas sem compactação ou
arenoso em algumas áreas da zona de intervenção.
reforço estrutural adequado.
O manejo de um solo argiloso é diferente daquele que deve ser empregado em solos de outras classes
 Facilidade de Escavação – Devido à textura solta, escavações são mais fáceis, mas podem
texturais. Isso porque o teor deA argila confere diversas características físicas e químicas específicas.
desmoronar sem contenção.
 Erosão Elevada – Devido à baixa coesão, o solo é facilmente removido pelo vento e pela água.

38
 Baixa Retenção de Umidade – Não A fauna da cidade do Kilamba, localizada em Luanda, Angola, é influenciada pelo seu ambiente
mantém água por muito tempo, o que pode urbano e pela vegetação característica da região. Sendo uma cidade planejada e relativamente nova, a fauna
afetar a estabilidade das fundações. nativa foi parcialmente reduzida, mas ainda há presença de algumas espécies adaptadas ao ambiente urbano
e aos arredores naturais. Com a preservação de
[Link] Topografia espaços verdes e parques, é possível manter a

Para fins deste relatório, as coordenadas biodiversidade local e atrair mais espécies para a

geográficas de Belas são: latitude 38,777°, cidade.

longitude 9,261° e 149 m de altitude. A


topografia dentro do perímetro de 3
quilómetros de Belas contém variações significativas de altitude, com mudança máxima de 190 metros e Principais Grupos da Fauna no Kilamba:

altitude média acima do nível do mar igual a 190 metros. Dentro do perímetro de 16 quilómetros, há Aves (Mais comuns na área urbana e

variações significativas de altitude (514 metros). parques)

Dentro do perímetro de 80 quilómetros, há variações muito significativas de altitude (676 metros).  Pardal (Passer domesticus) – Pequena ave comum em ambientes urbanos.
A área dentro do perímetro de 3 quilómetros de Belas é coberta por superfícies artificiais (51%), árvores  Andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) – Frequentemente vista sobrevoando áreas
Fig. Nº 20: Representação do mapa topográfico do município de Belas.
(28%) e terra fértil (18%); dentro do abertas.
Fonte: [Link]; 2024.
perímetro de 16 quilómetros, por superfícies  Garça-branca (Egretta garzetta) – Presente
artificiais (43%) e terra fértil (25%). Finalmente, dentro do perímetro de 80 quilómetros, por água (57%) em áreas alagadas próximas à cidade.
e terra fértil (20%)  Pombo-doméstico (Columba livia) – Muito
comum em telhados e praças.

[Link] Vegetação
Fig. Nº 22: Representação de um pardal.
Fonte: [Link].
Fig. Nº 21: : Representação do mapa topográfico da zona de intervenção com as Vegetação é o conjunto de plantas e Répteis
respetivas curvas de nível.
vegetais que cobre uma determinada área,  Lagartixas e lagartos – Como a
Fonte: Google Earth pro; 2024.
formando diferentes paisagens naturais. A lagartixa-comum, que habita muros e
vegetação é importante para o planeta, pois desempenha um papel fundamental na reutilização de residências.
elementos químicos, como o oxigênio, hidrogênio, nitrogênio e a água.
 Cobra-verde (Philothamnus spp.) –
A vegetação é influenciada por vários fatores, como o clima, o relevo, a hidrografia, o solo, a
Pode ser encontrada em áreas mais
pressão atmosférica, a altitude, a latitude e a movimentação das massas de ar.
arborizadas.
A vegetação é diferente da flora, pois a vegetação representa as características gerais da vida
vegetal, enquanto a flora é o agrupamento de todas as espécies botânicas desenvolvidas em um local.
Fig. Nº 23: Representação de um largato.

[Link] Fauna Fonte: Própria.

Mamíferos Pequenos

39
 Morcegos frugívoros – Atuam na polinização e são comuns à noite.  Capim-do-Texas (Pennisetum setaceum) – Utilizado para controle da erosão em taludes.
 Ratos e camundongos – Pequenos roedores que vivem em ambientes urbanos.  Babosa (Aloe vera) – Usada em paisagismo e conhecida por suas propriedades medicinais.
 Cacto (Opuntia spp.) – Resistente à
Insetos e Outros Invertebrados
seca, presente em áreas abertas e jardins.
Borboletas e mariposas – Comuns em áreas verdes e jardins.
 Formigas e cupins – Presentes no solo e estruturas urbanas. Flora em Áreas Naturais Próximas ao
 Grilos e gafanhotos – Encontrados em Kilamba
áreas gramadas. Nas áreas menos urbanizadas e nos
arredores da cidade, pode-se encontrar
[Link] Flora
vegetação típica da savana angolana,
A flora do Kilamba é composta por incluindo:
árvores nativas e exóticas usadas na  Mopane (Colophospermum mopane)
arborização urbana, além de plantas – Árvore característica de regiões secas.
ornamentais e vegetação típica da savana  Jatobá (Hymenaea courbaril) –
angolana nas áreas menos urbanizadas Árvore de madeira resistente e frutos
Principais Tipos de Vegetação no Kilamba comestíveis.
Árvores e Arbustos (Usadas em
 Capins nativos – Fundamentais para a
arborização urbana e parques)
alimentação de herbívoros e controle da erosão.
 Embondeiro (Adansonia digitata) – Também conhecido como baobá, é uma árvore icônica de
Angola, resistente à seca.
 Mulemba (Ficus sycomorus) – Árvore nativa de Angola, comum em áreas abertas e parques.
 Palmeira-real (Roystonea regia) – Frequentemente usada para ornamentação em avenidas.
[Link] Hidrologia
 Eucalipto (Eucalyptus spp.) – Espécie introduzida, utilizada para sombreamento e Fig. Nº 25: Vegetação nativa da zona de Intervenção.
Fonte: Própria, 2025. A hidrologia natural da região do
Fig. Nº 24: Representação da vegetação da zona de intervenção que abriga uma reflorestamento.
variedade de seres vivos. Kilamba, localizada na província de
Fonte: Própria Plantas Ornamentais (Usadas em jardins Luanda, é influenciada pelo clima tropical
e praças) seco, com regime de chuvas sazonal e
 Acácia-rubra (Delonix regia) – Conhecida como Flamboyant, tem flores vermelhas e é usada para baixa presença de corpos d'água perenes.
ornamentação. A hidrografia natural da área é composta
 Hibisco (Hibiscus rosa-sinensis) – Arbusto ornamental com flores coloridas, encontrado em por rios intermitentes, lençóis freáticos
jardins. profundos e influência da costa atlântica.
 Bougainvillea (Bougainvillea spectabilis) – Trepadeira florida muito usada para paisagismo.
Fig. Nº 26: Representação da hidrologia na zona de intervenção.
Gramíneas e Plantas de Pequeno Porte Fonte: Dreamstime; 2024.

40
Sol
Principais Características da Hidrologia Natural do Kilamba Luanda encontra-se no hemisfério Sul.
 Pouca disponibilidade de rios perenes – A maior parte dos cursos d’água na região são sazonais Durante os meses de março á setembro, a Terra se
(aparecem apenas na época das chuvas). encontra em posições igualmente distantes do sol.
 Chuvas sazonais e escoamento superficial rápido – Devido ao solo muitas vezes compactado, a Nesta Época, a quantidade de energia que incide
infiltração é limitada, levando a enxurradas em períodos chuvosos. sobre o planeta é a mesma em todas as latitudes.
 Lençóis freáticos profundos – A água subterrânea pode estar disponível, mas geralmente em Esta situação é conhecida como equinócios.
camadas profundas, dificultando o acesso. A duração do dia em Luanda não varia
Fig. Nº 28: Horas de luz solar e crepúsculo em Luanda.
 Influência da proximidade com o Oceano Atlântico – A infiltração da água do mar pode afetar [Link] 2024.
significativamente durante o ano, cerca de 38

a qualidade da água subterrânea em algumas áreas. minutos a mais ou a menos de 12 horas no ano

 Áreas temporárias de acumulação de água – Pequenos lagos e poças podem se formar durante inteiro. Em 2022, o dia mais curto é 21 de junho, com 11 horas e 37 minutos de luz solar. O dia mais longo

a estação chuvosa, mas evaporam rapidamente na estação seca. é 21 de dezembro, com 12 horas e 39 minutos de luz solar.

[Link] Climatologia
Chuva
Clima Tal como a humidade, a precipitação sofre
Tal como Luanda, a zona de intervenção goza de um clima tropical quente seco, com apenas duas influência da Corrente fria de Benguela, visto que
estações anuais, o verão (tempo chuvoso) e o cacimbo (tempo seco). O verão é o período mais longo, com esta só ocorre quando o vapor de água existente na
início no mês de setembro até o mês de abril. O cacimbo ou tempo seco, tem a duração de quatro meses, atmosfera atinge seu ponto de saturação, ou seja,
com início em maio e fim no mês de agosto. quando este chega a 100%.
Ventos Em Luanda o período chuvoso do ano dura
Os ventos predominantes são os Ventos Alísios, 7,3 meses, de 16 de outubro 25 de maio, com
que são ventos que ocorrem durante todo o ano nas regiões Fig. Nº 29: Chuva mensal média em em Luanda. precipitação de chuva de 31 dias contínuos mínima
[Link] 2024.
tropicais. Estes ventos são o resultado da ascensão de de 13 milímetros. O máximo de chuva ocorre
massas de ar que convergem de zonas de alta pressão nos durante 31 dias ao redor de 2 de abril, com acumulação total média de 82 mm.
trópicos, para zonas de baixa pressão no Equador,
formando um ciclo. Temperatura
Caracterizam-se por serem ventos húmidos, e No geral, a temperatura média anual é de 27,4ºC. A temperatura média máxima é de 31,2ºC e a
Fig. Nº 27: Velocidade média do vento. provocam chuvas nos locais onde convergem. temperatura média mínima é de 19,8ºC.
[Link] 2024.
A velocidade horária média do vento em Luanda No cacimbo, nas zonas mais próximas do litoral a temperatura pode baixar até 22ºC durante o dia,
passa por variações sazonais pequenas ao longo do ano. A época de mais vento no ano dura 3,3 meses, de como é o caso da parte situada mais a Noroeste do município das Ingombotas (Av. 4 de Fevereiro e Ilha
2 de setembro a 13 de dezembro, com velocidades médias do vento acima de 12,4 Km/h. Os dias de ventos do Cabo), parte Oeste do município da Samba, parte norte do município do Sambizanga e parte norte do
mais fortes no ano é 17 de outubro, com 14,4 Km/h de velocidade média horária do vento. município de Cacuaco.

41
3.4.3. Características econômicas O transporte dentro e fora de Kilamba, que conecta o distrito a outras áreas de Luanda, é uma área

A caracterização econômica refere-se à descrição e análise dos elementos que compõem a atividade econômica importante. Empresas de transporte, tanto formais quanto informais, movimentam a economia

econômica de uma região, país ou grupo social. A economia do distrito de Kilamba, em Luanda, funciona ao oferecer rotas de deslocamento para trabalhadores e moradores.

principalmente com base no setor de serviços e comércio, além de alguns empreendimentos na construção
civil. Kilamba é conhecido por seu grande projeto habitacional, a “Cidade do Kilamba”, que foi planejada
para acomodar dezenas de milhares de moradores em um conjunto de edifícios residenciais modernos. A
3.4.4. Características sociais
economia local é impulsionada pelos seguintes fatores:
Setor imobiliário O distrito do Kilamba, em Luanda, é conhecido
A construção e venda de imóveis é uma das principais atividades econômicas, impulsionada pelo por ser uma área residencial moderna, planejada para
desenvolvimento do projeto habitacional do Kilamba, que visa reduzir o déficit habitacional em Luanda. abrigar uma população crescente com infraestrutura
A venda e o aluguel de apartamentos, além dos serviços associados, geram empregos e atraem Fig. Nº 30: : Empresa de Transportes Colectivos Urbanos de Luanda urbana de qualidade. Algumas das principais
(TCUL).
investimentos para a área. características sociais do distrito incluem:
Portal Informativo Angolano, 2024.
Comércio local
Diversidade populacional
Kilamba tem uma rede crescente de pequenos e médios negócios, como supermercados, lojas de
roupas, farmácias e padarias, que atendem às necessidades dos moradores. Esses estabelecimentos geram A população do Kilamba é composta por
Fig. Nº 32: Conjuntos habitacionais do bairro-centralidade do Kilamba.
empregos e movimentam a economia local. Fonte: Wikipédia, 2011. diferentes grupos sociais, incluindo famílias de classe
Devido a falta de oportunidade consta-se na zona média, jovens profissionais, estudantes e trabalhadores que se mudaram para o distrito em busca de
de intervenção algumas pessoas a procurarem melhores condições habitacionais e de infraestrutura.
subsistência por meio de vendas informais. Esse perfil gera uma diversidade social, com pessoas de
várias regiões de Angola e até de outros países.
Serviços

Fig. Nº 31: Vendas ambulantes na Cidade do Kilamba.


Com o crescimento da população, a demanda por
[Link] 2023. serviços (educação, saúde, transporte, etc.) também
Estrutura familiar
aumentou. Existem escolas, clínicas, academias, restaurantes e serviços de transporte, que atendem tanto
os moradores quanto os trabalhadores do distrito. Muitos desses negócios são operados por pequenos Kilamba atrai muitas famílias devido à segurança
empreendedores. relativa e ao ambiente planejado, que inclui escolas, áreas de lazer e parques. Essas características tornam
O desenvolvimento da cidade requer constante manutenção de serviços básicos como energia, água o distrito ideal para a criação de crianças, com muitas famílias aproveitando as áreas verdes e os espaços
e saneamento. Empresas de construção e manutenção se estabeleceram no distrito para atender a essas públicos.
necessidades, criando mais postos de trabalho.
Transporte e mobilidade

42
Kilamba ainda enfrenta desafios comuns em áreas urbanas de rápido crescimento, como o
desemprego e a informalidade. Além disso, parte da população ainda enfrenta dificuldades para acessar
Educação e escolaridade
serviços de saúde e transporte público eficientes, o que gera uma desigualdade social em relação a outras
partes de Luanda.
O distrito possui várias escolas, públicas e privadas, que atendem às necessidades educacionais da
população local. A educação é uma prioridade para muitas famílias residentes, e a oferta de instituições de
3.4.5. Características culturais
ensino contribui para o desenvolvimento acadêmico e cultural da comunidade.
As características culturais do distrito do Kilamba refletem tanto as tradições angolanas quanto o
Estilo de vida urbano desenvolvimento moderno e planejado da área. Embora Kilamba seja uma cidade residencial recente e
urbana, os moradores mantêm diversas práticas culturais, adaptando tradições à vida moderna. Algumas
Kilamba foi projetado com uma infraestrutura moderna e um ambiente urbano bem organizado, o
das principais características culturais incluem:
que influencia o estilo de vida de seus moradores. A população tem acesso a serviços como supermercados,
centros comerciais, academias e restaurantes, além de espaços de lazer e convivência, como parques e Diversidade cultural
praças.
Kilamba reúne moradores de várias regiões de Angola, trazendo uma rica diversidade cultural para o
distrito. As tradições e línguas regionais, como o quimbundo e o umbundo, estão presentes, mesmo em um
Convivência comunitária
ambiente urbano, e as diferentes heranças culturais se manifestam nas celebrações, na música e nas práticas
Com áreas residenciais concentradas em prédios e blocos de apartamentos, há um forte senso de do dia a dia.
comunidade entre os moradores. O convívio diário em espaços compartilhados, como jardins e áreas
Gastronomia
recreativas, estimula interações sociais e a formação de laços comunitários.

A culinária angolana é preservada e celebrada no Kilamba, onde pratos tradicionais como funge,
Segurança
calulu, mufete, e quitabas são comuns nas casas e restaurantes.
A segurança é uma preocupação para os moradores, e a organização do distrito contribui para uma
Os moradores valorizam a culinária típica e a adaptam ao estilo de vida urbano, com restaurantes
sensação maior de segurança em comparação com outras áreas de Luanda. A presença de patrulhas e
locais oferecendo tanto pratos tradicionais quanto opções contemporâneas.
sistemas de segurança em alguns condomínios também reforça essa característica.

Tradições familiares e sociais


Jovens e atividades desportivas
As tradições de hospitalidade e apoio familiar são muito fortes, refletindo a importância das relações
A presença de uma população jovem é notável em Kilamba, e isso contribui para o dinamismo social
familiares na cultura angolana. As famílias frequentemente se reúnem para comemorar datas importantes,
da área. Muitos jovens participam de atividades esportivas e recreativas nas áreas comuns e nas quadras
como feriados e celebrações religiosas, mantendo laços comunitários.
de esportes oferecidas no distrito.

Desafios sociais
3.4.6. Características demográficas (tabelas de agregados familiares)

43
A projecção da população urbana e rural de cada província foi feita através do método dos
componentes demográficos, utilizando-se para o efeito o programa RUP, desenvolvido pelo US Bureau of
the Census. O período de projecção vai de 2014 a 2050 (INE, 2016).

A projecção da população total da província de Luanda, rural e urbano, e assim como as


características demográficas foram estimadas através do programa RUPAGG também desenvolvido pelo
Bureau de Censos dos Estados Unidos da América

Fig. Nº 35: Tamanho dos agregados familiares.


INE, IDREA (2018-2019).

Etnia

As actuais populações autóctones angolanas são originadas do povo Banto, por alguns grupos de pre-
Bantos e um número apreciavel de não-Bantos. Os Bantos angolanos pertencem A grande divisiio dos
Bantos Ocidentais, conquantohaja a assinalar, no Sudoeste da Provincia, uma penetração relativamente
extensa de Bantos Meiridionais, atingindo para norte. A composição etnica dos Bantos Ocidentais
Fig. Nº 33: Projeção da população.
apresenta tracos nigerianos e camaroeses na sua zona noroeste, efusões importantes de sangue etiópico
INE. Luanda, Angola – 2016.
Entretanto, essas funções tanto podem ser assumidas pelo homem, como podem ser (Redinha, 1974).

protagonizadas pela mulher, aliás, não se estabelece, necessariamente, relação com o sexo
de quem as exerce, mas com capacidades e habilidades de quem as assume.
4. METAPROJECTO

4.1 INTRODUÇÃO
A palavra Escritório, do latim scriptorĭu, pode referir-se tanto ao local (a divisão de uma habitação ou de
uma empresa) onde se exercem atividades administrativas, quanto ao mobiliário (escrivaninha ou
secretária com estantes) utilizado para esse fim. Pode ter várias formas de organização e de distribuição
do espaço consoante a quantidade de trabalhadores e a função de cada um.

O ambiente de trabalho tem evoluído ao longo do tempo, refletindo mudanças sociais, tecnológicas e
econômicas. Com a crescente digitalização e novas formas de colaboração, os espaços de escritórios
passaram a desempenhar um papel essencial na produtividade e bem-estar dos trabalhadores.

A importância desse tema está relacionada à necessidade de criar ambientes funcionais, confortáveis e
sustentáveis, que atendam às exigências modernas das empresas e dos profissionais. Um edifício de
Fig. Nº 34: Agregado familiar, segundo o sexo do chefe.
escritórios bem projetado impacta diretamente a eficiência operacional e a satisfação dos colaboradores.
INE, IDREA (2018-2019).

44
Ao redor do mundo, diversos países já implementaram soluções inovadoras no design de escritórios, como a definição de critérios e de normas relativos a aspectos específicos, à medida que se verifique a sua
edifícios inteligentes, uso de materiais sustentáveis e integração de tecnologia para otimização do uso de necessidade ou conveniência.
energia e espaço. Exemplos notáveis incluem os arranha-céus ecológicos em cidades como Singapura e os
escritórios flexíveis em grandes centros empresariais como Nova York e Londres. Cumprindo disposições legais recentes, bem como as orientações da Organização Internacional do
Trabalho sobre consulta aos parceiros sociais, o Regulamento agora aprovado prevê expressamente tal
Em Angola, a realidade dos edifícios de escritórios ainda enfrenta desafios como a infraestrutura limitada, consulta sempre que a autoridade competente adopte medidas visando a aplicação do diploma.
a necessidade de mais investimentos em projetos sustentáveis e a adaptação às novas demandas do
mercado. No entanto, há um crescente interesse em desenvolver espaços corporativos modernos que No que respeita ao âmbito de aplicação, considerou-se de incluir, a par das entidades privadas e
atendam às expectativas globais, garantindo maior conforto e eficiência para empresas e trabalhadores. cooperativas, as entidades públicas, incluindo a própria Administração Pública, por não haver razão para
as isentar do cumprimento das obrigações impostas nem impedir os respectivos trabalhadores de
4.1.1 JUSTIFICATIVA beneficiarem de condições de trabalho aplicáveis aos demais. Não se desconhece, todavia, que as
particularidades da Administração Pública obrigam, em certos aspectos, a que o regime geral estabelecido
A escolha do tema Edifício de Escritórios para este trabalho justifica-se pela crescente demanda por seja adaptado em conformidade, pelo que se prevê que os ministérios interessados tomem as medidas
espaços corporativos eficientes, sustentáveis e adaptáveis às novas dinâmicas de trabalho. Com a evolução necessárias nesse sentido.
das práticas laborais, impulsionadas pela transformação digital e pelas novas exigências de bem-estar dos
trabalhadores, torna-se essencial compreender os princípios arquitetônicos que influenciam a O projecto que antecedeu o presente diploma foi, nos termos da Lei n.º 16/79, de 26 de Maio, submetido
funcionalidade, o conforto e a sustentabilidade dessas edificações. à discussão pública, tendo sido acolhidas muitas das sugestões formuladas. Foi igualmente objecto de
apreciação e consenso pelo Conselho Nacional de Higiene e Segurança do Trabalho.
Além disso, o estudo de edifícios de escritórios permite uma análise multidisciplinar, envolvendo aspectos
como ergonomia, eficiência energética, flexibilidade espacial e impacto ambiental. Em um contexto de Assim:
urbanização acelerada e preocupações com o uso racional dos recursos naturais, a arquitetura desses
espaços deve atender tanto às necessidades das empresas quanto às diretrizes de desenvolvimento O Governo decreta, nos termos da alínea a) do n.º 1 do artigo 201.º da Constituição, o seguinte:
sustentável.
Artigo 1.º É aprovado o Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho nos Estabelecimentos
Dessa forma, este trabalho busca contribuir para a compreensão das melhores práticas arquitetônicas na Comerciais, de Escritório e Serviços, anexo ao presente diploma e que dele faz parte integrante.
concepção de edifícios de escritórios, destacando soluções inovadoras que promovam ambientes mais
produtivos, saudáveis e integrados à cidade. Art. 2.º A aplicação do Regulamento aos serviços da Administração Pública instalados à data da sua
entrada em vigor far-se-á por despacho conjunto do Ministro do Trabalho e Segurança Social, do ministro
4.2 LEGISLAÇÃO competente e do membro do Governo que tiver a seu cargo a função pública.

Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho nos Estabelecimentos Art. 3.º O presente diploma aplica-se nas Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, sem prejuízo das
Comercias, de Escritório e Serviços adaptações que lhe venham a ser introduzidas por diploma regional.

Art. 4.º O Regulamento entra em vigor no prazo de 180 dias a contar da data da sua publicação.

Visto e aprovado em Conselho de Ministros de 15 de Julho de 1986. - Aníbal António Cavaco Silva -
Decreto-Lei n.º 243/86 Eurico Silva Teixeira de Melo - Miguel José Ribeiro Cadilhe - Fernando Augusto dos Santos Martins -
João de Deus Rogado Salvador Pinheiro - Maria Leitão de Oliveira Martins - Maria Leonor Couceiro
Pelo presente diploma aprova-se o Regulamento Geral de Higiene e Segurança do Trabalho nos Pizarro Beleza de Mendonça Tavares - Luís Fernando Mira Amaral.
Estabelecimentos Comerciais, de Escritório e Serviços, que representa uma sistematização de normas que
pela primeira vez é feita em Portugal neste domínio.

O Regulamento adapta os princípios da Convenção n.º 120 da Organização Internacional do Trabalho,


sobre higiene e segurança no comércio e escritórios, e respeita a Recomendação n.º 120 sobre a mesma
matéria.
CAPÍTULO I
Com este diploma o Governo visa definir o quadro geral de requisitos a observar, por forma a garantir a
saúde dos trabalhadores dos ramos de actividade referidos, remetendo para regulamentação complementar Objectivo e campo de aplicação

45
Artigo 1.º CAPÍTULO II

(Objectivo) Condições gerais dos locais de trabalho

O presente Regulamento tem por objectivo assegurar boas condições de higiene e segurança e a melhor SECÇÃO I
qualidade de ambiente de trabalho em todos os locais onde se desenvolvam actividades de comércio,
escritório e serviços. Requisitos gerais

Artigo 2.º Artigo 4.º

(Campo de aplicação) (Espaço unitário do trabalho)

O presente Regulamento aplica-se à Administração Pública, aos estabelecimentos ou locais de trabalho, 1 - Todo o trabalhador deve dispor de um espaço suficiente e livre de qualquer obstáculo para poder realizar
instituições e organismos seguintes, quer públicos, quer cooperativos ou privados: o trabalho sem risco para a sua saúde e segurança.

a) Estabelecimentos ou locais onde os trabalhadores exerçam a actividade do comércio; 2 - Para efeito do número anterior, os locais de trabalho devem satisfazer os seguintes requisitos:

b) Estabelecimentos ou locais, instituições e organismos onde os trabalhadores exerçam a actividade de a) A área útil por trabalhador, excluindo a ocupada pelo posto de trabalho fixo, não deve ser inferior a 2
escritório; m2 e o espaço entre postos de trabalho não deve ser inferior a 80 cm;

c) Todos os serviços ou locais de quaisquer estabelecimentos, instituições e organismos onde os b) O volume mínimo por trabalhador não deve ser inferior a 10 m3;
trabalhadores exerçam principalmente a actividade de escritório não compreendidos no artigo seguinte e
aos quais não se aplique outra legislação ou outras disposições que regulamentem a higiene e segurança c) O pé direito dos locais de trabalho não deve ser inferior a 3m, admitindo-se, nos edifícios adaptados,
na indústria, nas minas, nos transportes ou na agricultura. uma tolerância até 2,70m;

Artigo 3.º d) Os locais destinados exclusivamente a armazém, e desde que neles não haja permanência de
trabalhadores, podem ter como tolerância limite 2,20 m de pé direito.
(Outras entidades abrangidas)
3 - Todos os estabelecimentos comerciais, escritórios e serviços que à data da entrada em vigor deste
1 - Este Regulamento aplica-se igualmente aos estabelecimentos ou locais de trabalho, instituições ou diploma já funcionem em instalações cujo pé direito seja inferior aos mínimos exigidos na alínea c) do n.º
organismos: 2 deste artigo deverão dispor de meios complementares de renovação do ar.

a) Que prestem serviços de ordem pessoal; Artigo 5.º

b) Correios e serviços de telecomunicações; (Assentos)

c) Hotéis, pensões e similares; 1 - Devem ser postos à disposição dos trabalhadores assentos apropriados e em número suficiente, de modo
que possam sempre que seja compatível com a natureza do trabalho, realizá-lo na posição de sentado.
d) Restaurantes, cantinas, cafés e noutros locais similares onde se sirvam refeições ou bebidas;
2 - Nos postos de trabalho fixos devem ser postos à disposição dos trabalhadores assentos facilmente
e) Estabelecimentos ou locais destinados a espectáculos, divertimentos públicos ou recreativos. higienizáveis, confortáveis, funcionais, anatomicamente adaptados aos requisitos do posto de trabalho e à
duração do mesmo.
2 - Os locais ou instalações de trabalho com características provisórias ficam abrangidos por este
Regulamento. SECÇÃO II

Conservação dos locais de trabalho

Artigo 6.º

46
(Conservação e higienização) 1 - Os desperdícios ou restos incómodos devem ser colocados em recipientes resistentes e higienizáveis
com tampa, que serão removidos diariamente do local de trabalho.
Todos os locais de trabalho, zonas de passagens, instalações comuns e ainda os seus equipamentos devem
estar conveniente e permanentemente conservados e higienizados. 2. - Quando os desperdícios ou restos forem muito incómodos ou susceptíveis de libertarem substâncias
tóxicas, perigosas ou infectantes, devem ser previamente neutralizados e colocados em recipientes
Artigo 7.º resistentes cuja tampa feche hermeticamente. A sue remoção do local de trabalho deve ser diária ou no
final de cada turno de trabalho, conforme os casos.
(Limpeza diária e periódica)
3 - Cada posto de trabalho deve ter recipiente ou dispositivo próprio.
1 - Devem ser limpos diariamente:
CAPÍTULO III
a) Os pavimentos;
Condições especiais dos locais de trabalho
b) Os planos de trabalho e seus utensílios;
SECÇÃO I
c) Os utensílios ou equipamentos de uso diário;
Condições atmosféricas
d) As instalações higieno-sanitárias, como vestiários, lavabos, balneários, retretes e urinóis, ou outras
comuns postas à disposição dos trabalhadores. Artigo 10.º

2 - Devem ser limpos periodicamente: (Atmosfera de trabalho)

a) Paredes e tectos; 1 - A atmosfera de trabalho bem como a das instalações comuns devem garantir a saúde e o bem-estar dos
trabalhadores.
b) Fontes de luz natural e artificial;
2 - Os diversos locais de trabalho bem como as instalações comuns devem conter meios que permitam a
c) Os utensílios ou equipamentos de uso não diário; renovação natural e permanente do ar sem provocar correntes incómodas ou prejudiciais aos trabalhadores.

d) As instalações referidas no n.º 1, alínea d), que serão ainda sujeitas a desinfecção. 3 - Os postos de trabalho que libertem ou produzam produtos incómodos, tóxicos ou infectantes devem
estar providos de dispositivos de captação local e respectiva drenagem, de modo a impedir a sua difusão
Artigo 8.º no ambiente de trabalho.

(Operações de limpeza e desinfecção) 4 - Os postos de trabalho que utilizem produtos incómodos, tóxicos ou infectantes devem estar isolados
dos restantes postos de trabalho, não comunicando directamente entre si.
1 - As operações de limpeza e desinfecção devem ser feitas:
5 - Nos compartimentos cegos ou interiores, ou quando a ventilação pelo processo previsto no n.º 2 não
a) Por forma que não levantem poeiras; for suficiente, devem ser instalados meios que assegurem a renovação forçada do ar, não provocando
correntes ou arrefecimentos bruscos prejudiciais.
b) Fora das horas de trabalho, ou, durante as horas de trabalho, quando exigências particulares a tal
obriguem e possam ser feitas sem inconveniente grave para o trabalhador; 6 - Os meios destinados à renovação natural ou forçada da atmosfera de trabalho e das instalações comuns
devem obedecer aos seguintes requisitos:
c) Com produtos não tóxicos ou irritantes, designadamente nas instalações higieno-sanitárias, como
vestiários, lavabos, balneários, retretes e urinóis, e em outras instalações comuns postas à disposição dos a) Não produzir nem admitir na atmosfera de trabalho e das instalações comuns substâncias incómodas,
trabalhadores. tóxicas, perigosas ou infectantes;

Artigo 9.º b) O caudal médio de ar fresco e puro a ser admitido na atmosfera de trabalho deve tender a, pelo menos,
30 m3 por hora e por trabalhador. O caudal poderá ser aumentado até 50 m3 sempre que as condições
(Desperdícios) ambientais o exijam;

47
c) Os dispositivos artificiais de renovação do ar devem ser silenciosos.  Serviços Avançados: Incluem consultoria, planejamento estratégico, análise de dados, e serviços
jurídicos. Esses serviços geralmente requerem profissionais com conhecimentos especializados e
7 - Nos compartimentos cegos ou interiores, sempre que a entidade fiscalizadora reconheça a experiência
potencialidade de risco grave, pode ser exigível a adopção de um sistema de ventilação de emergência.

 Serviços Personalizados: Adaptados às necessidades específicas de cada cliente, como gestão de


SECÇÃO II projetos, desenvolvimento de software personalizado, e consultoria em áreas específicas.

Condições de temperatura e humidade

Artigo 11.º

(Temperatura e humidade) 4.4 CARACTERIZAÇÃO E EVOLUÇÃO TIPOLÓGICA

1 - Os locais de trabalho, bem como as instalações comuns, devem oferecer boas condições de temperatura 4.4.1 CARACTERIZAÇÃO E EVOLUÇÃO DOS EDIFÍCIOS DE ESCRITÓRIOS EM ANGOLA
e humidade, de modo a proporcionar bem-estar e defender a saúde dos trabalhadores.
Em Angola, os edifícios de escritórios passaram por uma evolução significativa, marcada por diferentes
a) A temperatura dos locais de trabalho deve, na medida do possível, oscilar entre 18ºC e 22ºC, salvo em períodos históricos e influências arquitetônicas.
determinadas condições climatéricas, em que poderá atingir os 25ºC.
 Período Colonial (até 1975): Durante a colonização portuguesa, a arquitetura dos edifícios de
b) A humidade da atmosfera de trabalho deve oscilar entre 50% e 70%. escritórios em Angola era influenciada pelo modernismo europeu, com construções robustas, linhas
retas e materiais locais como o betão e a pedra. Os edifícios tinham fachadas imponentes e seguiam
c) Sempre que da ventilação natural não resulte uma atmosfera de trabalho conforme as alíneas anteriores, padrões funcionais da época. Em Luanda, ainda se encontram edifícios dessa fase, como o antigo
deve-se procurar adoptar sistemas artificiais de ventilação e de aquecimento ou arrefecimento, conforme Banco de Angola e outros edifícios administrativos do centro da cidade.
os casos.  Pós-Independência e Guerra Civil (1975-2002): Após a independência, Angola enfrentou um
longo período de instabilidade política e econômica, o que limitou o desenvolvimento
d) Os dispositivos artificiais de correcção da atmosfera trabalho não devem ser poluentes, sendo de arquitetônico. Muitos edifícios de escritórios desse período foram adaptações de construções
recomendar os sistemas de ar condicionado, locais ou gerais. coloniais, sem grandes inovações em termos de tipologia ou tecnologia construtiva.
 Período de Reconstrução e Crescimento Econômico (2002-presente): Com o fim da guerra civil
e o crescimento da economia impulsionado pelo petróleo, houve um boom na construção civil, incluindo
edifícios corporativos modernos. Em cidades como Luanda, começaram a surgir arranha-céus e edifícios
4.3. NÍVEIS PRESTACIONAIS de escritórios de alto padrão, influenciados por tendências internacionais, como fachadas envidraçadas,
sistemas inteligentes de climatização e espaços flexíveis.
Os níveis de prestação de serviços de um escritório podem
variar dependendo do tipo de escritório e das necessidades dos Atualmente, a arquitetura dos edifícios de escritórios em Angola busca equilibrar a modernidade com a
clientes. Aqui estão alguns níveis comuns de serviços que um sustentabilidade, adotando soluções como fachadas ventiladas para eficiência térmica, uso de energia
escritório pode oferecer: renovável e espaços que promovem a integração entre trabalho e bem-estar.
 Serviços Básicos: Incluem tarefas administrativas e de
4.4.2 CARACTERIZAÇÃO E EVOLUÇÃO TIPOLÓGICA A NÍVEL INTERNACIONAL
suporte, como atendimento telefônico, recepção, agendamento
de reuniões, e gestão de correspondências.
A nível internacional, a evolução tipológica dos edifícios de escritórios pode ser dividida em várias fases:
 Serviços Intermediários: Envolvem atividades mais especializadas, como contabilidade, gestão  Era Industrial e Início dos Arranha-céus (Século XIX - Início do Século XX): Com a
de documentos, suporte técnico, e serviços de TI. Revolução Industrial e o crescimento das cidades, surgiu a necessidade de espaços corporativos
organizados. Nos Estados Unidos, a invenção do elevador e o uso do aço permitiram a construção
dos primeiros arranha-céus, como o Home Insurance Building
Figura 39 Edifício Surat
Fonte: Google 2022

48
(1885) em Chicago, considerado o primeiro edifício alto com estrutura metálica. Um programa base para os níveis de prestação de serviços de um escritório pode ser estruturado da
 Modernismo e Internacionalização (Meados do Século XX): Após a Segunda Guerra Mundial, seguinte forma:
o estilo internacional dominou a arquitetura corporativa, com edifícios de vidro e aço, estrutura
modular e estética minimalista. Um exemplo icônico é o Seagram Building (1958), projetado
por Mies van der Rohe em Nova York, que definiu o padrão para edifícios de escritórios
modernos. 4.6.1. Serviços Básicos
 Pós-modernismo e Flexibilidade (Final do Século XX - Início do XXI): A partir da década de
1980, houve um movimento contra a rigidez do modernismo, incorporando elementos estéticos  Atendimento Telefônico: Recepção e encaminhamento de chamadas.
mais variados e designs mais humanizados. Além disso, surgiram conceitos como open space  Recepção: Atendimento de visitantes e gestão de correspondências.
(escritórios abertos) e edifícios que favoreciam a colaboração e interação entre os funcionários.  Agendamento: Marcação de reuniões e compromissos.
 Sustentabilidade e Smart Buildings (Século XXI - Presente): Atualmente, a arquitetura  Gestão de Documentos: Arquivamento e organização de documentos.
corporativa está fortemente influenciada pela sustentabilidade e tecnologia. Os Green Buildings,
certificados por normas como LEED e BREEAM, utilizam materiais ecológicos, eficiência 4.6.2. Serviços Intermediários
energética e sistemas inteligentes de automação. Exemplos incluem o The Edge (Holanda),
considerado um dos edifícios mais sustentáveis do mundo, e a Apple Park (EUA), que combina  Contabilidade: Gestão financeira e contábil.
inovação tecnológica com princípios de design sustentável.  Suporte Técnico: Assistência em TI e manutenção de equipamentos.
 Gestão de Projetos: Planejamento e acompanhamento de projetos.
 Serviços de TI: Instalação e manutenção de software e hardware.

4.5 LEVANTAMENTOS DE ESTRUTURAS EXISTENTES 4.6.3. Serviços Avançados

4.5.1 LEVANTAMENTO À NÍVEL NACIONAL  Consultoria: Assessoria em áreas específicas como finanças, marketing e recursos humanos.
 Planejamento Estratégico: Desenvolvimento de planos de negócios e estratégias de
Criada em 1976, a Sonangol, E.P. – Sociedade Nacional de crescimento.
Combustíveis de Angola, Empresa Pública – é uma empresa de  Análise de Dados: Coleta e interpretação de dados para tomada de decisões.
exploração de hidrocarbonetos líquidos e gasosos no subsolo e na  Serviços Jurídicos: Consultoria e suporte legal.
plataforma continental de Angola. As suas actividades,
desempenhadas de forma autónoma, ou em associação com 4.6.4. Serviços Personalizados
empresas nacionais e estrangeiras, abrangem a prospecção,
pesquisa, desenvolvimento, produção, armazenagem,  Gestão de Projetos Específicos: Desenvolvimento e execução de projetos sob medida.
comercialização, transporte e refinação dos hidrocarbonetos e seus  Desenvolvimento de Software: Criação de soluções de software personalizadas.
derivados.  Consultoria Especializada: Serviços adaptados às necessidades específicas do cliente.
Figura 40 Sonangol Distribuidora.
Fonte: 2022 Esses níveis de serviços ajudam a garantir que os escritórios possam atender a uma ampla gama de
necessidades dos clientes, desde tarefas básicas até serviços altamente especializados

O Programa Base dos Níveis Prestacionais é um documento técnico e estratégico utilizado na construção
4.5.2 LEVANTAMENTO À NÍVEL INTERNACIONAL civil e no desenvolvimento de projetos de arquitetura e engenharia. Seu objetivo principal é estabelecer
critérios de desempenho que deverão ser atendidos pela edificação, considerando aspectos como
Surat, no estado de Gujarat (Índia), onde cerca de 90% de todos os diamantes do planeta são [Link] funcionalidade, segurança, sustentabilidade, conforto e durabilidade, em conformidade com normas
um vasto espaço de 7,1 milhões de pés quadrados, o Surat Diamond Bourse agora detém a coroa como o regulamentadoras, como a ABNT NBR 15575 – Norma de Desempenho de Edificações Habitacionais, no
maior edifício de escritórios do mundo, ultrapassando o Pentágono, que deteve esse título por quase 80 Brasil.
anos.O edifício de última geração possui vários recursos ecológicos, permitindo que ele consuma até 50%
menos energia, ganhando a cobiçada classificação “platina” do Indian Green Building Council. Entre seus 4.7. PROGRAMA DE NECESSIDADES (NÍVEL DE REFERÊNCIA)
elementos inovadores está um sistema de “resfriamento radiante” que circula água gelada sob os pisos.
O programa de necessidades de um edifício de escritórios define os espaços essenciais para garantir a
4.6. PROGRAMA BASE (NÍVEIS PRESTACIONAIS) funcionalidade, conforto e eficiência das atividades administrativas e corporativas. Ele pode variar de

49
acordo com o porte da edificação, o tipo de empresa e as exigências específicas dos usuários, mas 4.8. ESTUDO DOS ELEMENTOS DAS UNIDADES AMBIENTAIS (POR NÍVEIS
geralmente inclui os seguintes ambientes: PRESTACIONAIS)

4.7.1 ÁREA EXTERNA NÍVEL BÁSICO (Essencial)

 Acessos e circulação (pedestres e veículos) Objetivo: Garantir as condições mínimas de funcionamento.


 Estacionamento (visitantes, funcionários, PCDs)
 Área de carga e descarga Elementos Principais:
 Paisagismo e áreas de descanso
 Infraestrutura elétrica e hidráulica funcional.
4.7.2 ÁREA DE RECEPÇÃO E CONTROLE  Iluminação natural e artificial simples.
 Mobiliário básico (mesas, cadeiras e arquivos).
 Hall de entrada (espaço de espera, controle de acesso)  Climatização mínima (ventilação ou ar-condicionado básico).
 Recepção e atendimento  Banheiros e copa com infraestrutura essencial.
 Segurança e monitoramento (CFTV, portaria)  Acessibilidade básica (rampas e elevadores).
 Elevadores e escadas de emergência
Foco: Operação mínima e acessibilidade funcional.
4.7.3 ÁREAS ADMINISTRATIVAS E OPERACIONAIS
NÍVEL INTERMEDIÁRIO (Otimizado)
 Escritórios privativos
 Open space (área de trabalho compartilhada) Objetivo: Melhorar o conforto e a produtividade dos usuários.
 Salas de reuniões (pequeno, médio e grande porte)
 Sala de diretoria Elementos Principais:
 Sala de conferências/auditório
 Salas de apoio (arquivamento, TI, manutenção)  Iluminação LED com controle de intensidade.
 Ambientes climatizados e com ventilação regulada.
4.7.4 ÁREAS DE APOIO  Mobiliário ergonômico e funcional.
 Espaços modulares e flexíveis para reuniões e trabalho colaborativo.
 Copa e refeitório  Isolamento acústico moderado em salas de reunião e áreas operacionais.
 Sanitários e vestiários (funcionários e visitantes)  Sistema de segurança e controle de acesso eletrônico.
 Sala de descanso/descompressão  TI e telecomunicações estruturadas.
 Espaço para coworking
Foco: Eficiência operacional, ergonomia e tecnologia.
4.7.5 INFRAESTRUTURA TÉCNICA
NÍVEL AVANÇADO (Alto Desempenho)
 Sala de servidores e TI
 Central de energia e gerador Objetivo: Garantir máximo conforto, inovação e sustentabilidade.
 Sala de manutenção e almoxarifado
 Sistema de climatização Elementos Principais:
 Sistemas de segurança e incêndio
 Automação predial (iluminação, temperatura, segurança e energia).
4.7.6 SUSTENTABILIDADE E CONFORTO  Mobiliário de alto padrão e personalizável.
 Ambientes inteligentes com sensores de presença e controle via IoT.
 Iluminação e ventilação natural  Iluminação e acústica otimizadas para cada espaço de trabalho.
 Uso de materiais sustentáveis  Uso de materiais sustentáveis e certificações ambientais (LEED, WELL).
 Captação de água da chuva  Espaços de lazer, áreas verdes e salas de descanso.
 Eficiência energética  Sistemas avançados de segurança e monitoramento 24h.
 Gestão eficiente de resíduos e reaproveitamento de recursos.

50
Foco: Sustentabilidade, inovação e conforto máximo. 4.9.3 ORGANIGRAMA DO SECTOR OPERATIVO

4.9. ORGANIGRAMA

Um organigrama é uma representação gráfica da estrutura organizacional de uma empresa, instituição ou


setor. Ele mostra hierarquias, setores e relações entre os cargos e departamentos, facilitando a
compreensão do funcionamento interno.

Figura n:43
Fonte : Própria, 2025.

Figura n:41
Fonte : Própria, 2025.

4.9.1 ORGANIGRAMA POR SECTOR


4.9.4 ORGANIGRAMA DO SECTOR TÉCNICO
4.9.2 ORGANIGRAMA DO SECTOR ADMINISTRATIVO

Figura n: 42
Fonte :Própria, 2025.

Figura n:44
Fonte : Própria, 2025.

51
4.10. SECTORIZAÇÃO 4.11.1 ELEMEMNTOS DE UM FUNCIONOGRAMA

A sectorização é o processo de dividir um espaço (como um edifício, escritório ou cidade) em diferentes ✅ Funções – Atividades desempenhadas por cada setor ou cargo.
sectores ou zonas funcionais, organizando ambientes de acordo com sua finalidade. Essa divisão facilita ✅ Responsabilidades – Quem executa cada função.
a circulação, otimiza recursos e melhora a eficiência operacional. ✅ Fluxo de Processos – Ordem e interdependência das funções.
✅ Relacionamento entre Departamentos – Como as áreas interagem para alcançar os objetivos.

Figura n:45
Fonte: Própria, 2025.
Figura n:47

4.12. FLUXOGRAMA

Um fluxograma é uma representação gráfica de um processo ou sequência de atividades. Ele usa


símbolos e setas para mostrar o fluxo de trabalho, ajudando a entender como uma tarefa é realizada,
desde o início até a conclusão.

4.12.1 FLUXOGRAMA GERAL

Figura n:46
Fonte: Própria, 2025.

4.11. FUNCIONOGRAMA

Um Funcionograma é um diagrama que representa o fluxo de funções e atividades dentro de uma


organização, mostrando quem faz o quê e como os processos se relacionam. Diferente do organigrama,
que foca na hierarquia e estrutura organizacional, o funcionograma destaca as funções e
Figura n :48
responsabilidades de cada setor ou cargo.

52
4.12.2 FLUXOGRAMA POR SECTOR 4.12.3 FLUXOGRAMA DO SECTOR ADMINISTRATIVO

4.12.3 FLUXOGRAMA DO SECTOR ADMINISTRATIVO

Figura n :51

Figura n:49
4.13. MATRIZ DE RELAÇÕES FUNCIONAIS (POR NÍVEIS PRESTACIONAIS)
4.12.4 FLUXOGRAMA DO SECTOR OPERATIVO

Figura 52

4.14. MATRIZ DE RELAÇÕES ESPACIAIS

4.15. PRESTAÇÃO DAS UNIDADES AMBIENTAIS


Figura 50

A prestação das unidades ambientais refere-se à forma como os espaços de um edifício de escritórios são
organizados e desempenham suas funções para garantir conforto, eficiência e sustentabilidade.

4.15.1 SECTOR ADMINISTRATIVO

Objetivo: Organizar a gestão e controle do escritório.

53
Unidades Ambientais e Prestação:  Secretaria: Espaço para atividades administrativas e de suporte.
 Sala de Reuniões: Local para encontros e discussões de equipe.
 Recepção e Portaria → Controle de acesso e atendimento ao público.  Call Center: Área para atendimento telefônico e suporte ao cliente.
 Salas de Reunião → Espaço para planejamento estratégico e colaboração.  Salas de Atendimento: Espaços para reuniões e consultas com clientes.
 Escritórios Administrativos → Locais de trabalho para gestores e equipes.  Sala de Entrevistas: Local para processos seletivos e entrevistas de emprego.
 Área de Atendimento ao Público → Suporte a clientes e fornecedores.  Sala de Treinamento: Espaço para capacitação e desenvolvimento de funcionários.

Critérios Ambientais: Boa iluminação, acústica adequada e climatização eficiente. 4.16.2. Sector Operacional

 Escritórios Individuais: Espaços para trabalhos que exigem concentração e privacidade.


 Open Space: Áreas abertas para trabalho colaborativo e interação entre equipes.
 Salas de Projetos: Espaços dedicados ao desenvolvimento e gestão de projetos específicos.

4.15.2. SECTOR OPERATIVO 4.16.3. Sector Técnico

Objetivo: Criar um ambiente funcional para o desempenho das atividades diárias.  Sala de TI: Área para servidores, equipamentos e suporte técnico.
 Laboratórios: Espaços para pesquisa e desenvolvimento de produtos ou serviços.
Unidades Ambientais e Prestação:  Oficinas: Locais para manutenção e reparos de equipamentos.
 Áreas de Armazenamento: Locais para guardar materiais e documentos.
 Salas de Trabalho / Open Spaces → Ambientes para produção e colaboração.
 Auditórios e Salas de Treinamento → Capacitação de funcionários e eventos. Essas unidades ambientais são projetadas para atender às necessidades específicas de cada setor,
 Refeitório e Copa → Alimentação e descanso para funcionários. garantindo um ambiente de trabalho eficiente e funcional.
 Banheiros e Vestiários → Higiene e conforto dos colaboradores.
4.17. ESTUDOS DAS UNIDADES AMBIENTAIS (POR CÔMODOS)
Critérios Ambientais: Ergonomia, ventilação e organização do espaço.

4.15.3. SECTOR TÉCNICO

Objetivo: Garantir o suporte estrutural e tecnológico do edifício.

Unidades Ambientais e Prestação:

 Sala de Servidores e TI → Armazenamento de dados e suporte técnico.


 Sala de Máquinas / Climatização → Infraestrutura elétrica e de ar-condicionado.
 Reservatórios e Sistema Hidráulico → Controle de água e saneamento.
 Área de Manutenção → Espaço para reparos e armazenamento de ferramentas.

Critérios Ambientais: Segurança, eficiência energética e acessibilidade para manutenção.

4.16. ESTUDOS DAS UNIDADES AMBIENTAIS (POR SECTORIZAÇÃO)

O estudo das unidades ambientais por setor envolve a análise detalhada de diferentes áreas de um
escritório ou ambiente de trabalho, considerando suas funções específicas e como elas interagem entre si.
Aqui estão alguns setores comuns e suas unidades ambientais:

4.16.1. Sector Administrativo

 Recepção: Área de atendimento ao público e visitantes.

54
Critérios:

 Tamanho mínimo: Depende do fluxo esperado de pessoas (visitantes e funcionários).

 Regra geral: 0,5 a 1,0 m² por pessoa em horários de pico.

 Altura do pé-direito: Recomenda-se um mínimo de 3,0 m para criar uma sensação de amplitude e
conforto.

 Integração com áreas de espera: Assentos adequados para 5-10% da ocupação total do edifício.
Elementos funcionais:

 Balcão de atendimento com altura entre 1,0 m e 1,2 m.

 Espaço reservado para controle de acesso, como catracas e portões automatizados.

Áreas de Trabalho (Salas e Open Spaces)

4.18. QUADRO DE REQUISITOS DE PRESTAÇÃO TÉCNICA Critérios:

 Densidade ocupacional: Em geral, calcula-se:

 10 a 15 m² por estação de trabalho em escritórios convencionais.

 5 a 8 m² por estação de trabalho em espaços otimizados (coworking ou layouts flexíveis).

 Circulação:

 Corredores principais: Largura mínima de 1,5 m.

 Corredores secundários: Largura mínima de 1,2 m.

 Iluminação natural e vistas:

 Distância máxima de 6 m de qualquer estação de trabalho até uma fonte de luz natural.

 Altura mínima do pé-direito: 2,70 m para áreas de trabalho com ventilação mecânica; 3,0 m em caso de
ventilação natural.

4.19. CRITÉRIOS DE DIMENSIONAMENTOS DAS ÁREAS PRINCIPAIS Salas de Reunião

O dimensionamento das áreas principais de um edifício de escritório é um processo crucial para garantir Critérios:
que o ambiente seja funcional, confortável, eficiente e atenda às necessidades dos usuários. A seguir,
apresento os principais critérios para o dimensionamento dessas áreas, com base em normas e boas Dimensionamento por tipo:  Pequenas (4 a 6 pessoas): 10 a 15 m².
práticas de arquitetura e engenharia:
 Médias (8 a 12 pessoas): 20 a 30 m².
Recepção e Áreas Comuns

55
 Grandes (> 20 pessoas): 40 m² ou mais.  Departamentos Operacionais
 Marketing e Comunicação
 Equipamentos audiovisuais: Projeção de imagens e sistemas de videoconferência devem ser  Comercial e Vendas
considerados no layout.  Atendimento ao Cliente
 Gestão de Projetos
Isolamento acústico:
Objetivo:
 Uso de divisórias e forros com índice de redução sonora (STC ≥ 45) Executar as atividades produtivas e manter a interação com clientes.

Sanitários 4.20.3 TECNOLOGIA E INFRAESTRUTURA

Critérios: Dimensionamento por ocupação (de acordo com a ABNT NBR 9077 e NR-24): Funções Afins:

 1 vaso sanitário e 1 lavatório para cada 20 pessoas até 200 ocupantes.  Tecnologia da Informação (TI)
 Infraestrutura de Redes e Comunicação
 Para acima de 200 ocupantes, 1 vaso sanitário para cada 30 pessoas adicionais.  Distribuição por  Manutenção Predial
gênero:  Segurança e Monitoramento

 Divisão proporcional ao número de usuários. Objetivo:


Garantir a estrutura tecnológica e física do edifício.
 Sanitários unissex ou acessíveis devem atender à ABNT NBR 9050.
4.21. AGREGAÇÃO ESPACIAL DOS ELEMENTOS FUNCIONAIS
 Espaço mínimo:
4.21.1 PRINCÍPIOS DA AGREGAÇÃO ESPACIAL
 Box de 1,20 x 0,90 m (mínimo) para cabines comuns.
🔹 Setorização Funcional – Agrupar áreas com funções semelhantes para otimizar o trabalho.
 Sanitários acessíveis: 1,50 x 1,70 m 🔹 Hierarquia de Espaços – Definir áreas públicas, semipúblicas e privadas.
🔹 Fluxo de Circulação – Facilitar deslocamentos e minimizar interferências entre setores.
4.20. ESQUEMA SÍNTESE E AGREGAÇÃO DAS FUNÇÕES AFINS 🔹 Conectividade – Garantir proximidade entre setores que precisam de interação constante.
🔹 Flexibilidade e Modularidade – Permitir ajustes conforme a necessidade da empresa.
4.20.1 GESTÃO E ADMINISTRAÇÃO

Funções Afins:

 Direção Geral
 Planejamento Estratégico
 Administração e Gestão de Recursos
 Financeiro e Contabilidade
 Recursos Humanos

Objetivo:
Gerenciar, planejar e coordenar as atividades do escritório.

4.20.2 OPERAÇÃO E PRODUÇÃO

Funções Afins:

56
4.22. AGREGAÇÃO FUNCIONAL 4.24. SECTORES FUNCIONAIS

A agregação funcional de um edifício de escritórios é o processo de organizar os diversos usos e funções 4.25. UNIDADES AMBIENTAIS ADJACENTES
dentro da edificação, garantindo que os espaços atendam às necessidades específicas de seus ocupantes
de forma integrada, eficiente e harmoniosa. Isso envolve o agrupamento de áreas conforme suas funções
principais e a relação entre elas.

Principais Áreas Funcionais em um Edifício de Escritórios As funções de um edifício de escritórios


podem ser classificadas em áreas principais, áreas de apoio e áreas técnicas:

1. Áreas Principais (Espaços de Trabalho e Operação) Essas áreas são destinadas às atividades-fim do
edifício de escritórios:

1.1. Estações de Trabalho  Configuradas em layouts abertos (open space) ou fechados (salas
individuais).  Dimensionamento: Geralmente entre 6 e 8 m² por pessoa em open spaces.  Conexão
próxima a áreas de apoio, como salas de reunião e áreas de convivência.
4.26. ESQUEMAS AGREGATIVOS
1.2. Salas de Reunião Distribuídas estrategicamente para atender diferentes equipes.  Variedade de
tamanhos:  Pequenas (4-6 pessoas): 12-15 m².  Médias (6-12 pessoas): 18-25 m².  Grandes (mais de Os esquemas agregativos são representações gráficas ou conceituais que mostram a organização,
12 pessoas): 30 m² ou mais. disposição e interconexão entre diferentes setores ou elementos de um sistema, como um edifício de
escritórios, indústria ou estrutura urbana.
1.3. Espaços Privativos  Salas de diretoria, gerência ou departamentos com necessidade de privacidade.
 Dimensionadas para incluir espaço para reuniões internas e mobiliário executivo.  Área média: 12-20 Eles servem para ilustrar como os espaços ou funções se agrupam, garantindo eficiência na circulação,
m² por sala. comunicação e operação dentro do ambiente projetado.

2. Áreas de Apoio  Suporte às atividades principais e conforto dos usuários: 2.1. Recepção e Lobby 
Local para acolher visitantes e controlar o acesso ao edifício.  Deve ser dimensionado para acomodar
recepcionistas, mobiliário (balcão, sofás) e circulação.  Área mínima: 10-20 m², dependendo do porte
do edifício.

4.23. DIAGRAMA FUNCIONAL GERAL DO EQUIPAMENTO

4.27. ESTUDOS PARA AMPLIAÇÃO FUTURA

1. Diagnóstico Inicial

1.1. Avaliação da Situação Atual

57
 Levantamento do estado físico do edifício: A

Condições estruturais. 🔹 Administração – Setor responsável pela gestão e organização da empresa.


🔹 Área Comum – Espaços compartilhados como recepção, corredores e salas de reunião.
Sistemas elétricos, hidráulicos e de climatização. o Espaços existentes e sua funcionalidade. 🔹 Arquivo – Local físico ou digital onde documentos importantes são armazenados.
 Análise da ocupação atual: o Capacidade de usuários e necessidades de expansão. o Fluxos internos e B
externos. 1.2. Necessidades e Objetivos
🔹 Backoffice – Atividades de suporte que não envolvem contato direto com clientes.
 Identificar o propósito da ampliação: o Aumentar a capacidade de ocupação. o Incorporar novas
funções (ex.: salas de reunião, áreas de convivência). o Modernizar a infraestrutura e atender a novas 🔹 Benchmarking – Processo de comparação com empresas do mesmo setor para avaliar desempenho.
regulamentações. 🔹 Briefing – Documento com diretrizes para um projeto ou atividade.

 Requisitos específicos: o Espaço adicional necessário por tipo de função. o Integração com as áreas C
existentes. 2. Análise de Viabilidade 2.1. Viabilidade Técnica
🔹 Call Center – Setor de atendimento telefônico ou suporte ao cliente.
 Verificar a capacidade estrutural da edificação para suportar a ampliação: o Estudos de cargas e 🔹 Coworking – Espaço de trabalho compartilhado por diferentes empresas ou profissionais.
estabilidade. o Possibilidade de adicionar pavimentos ou expandir horizontalmente. 🔹 Crédito e Cobrança – Departamento responsável por pagamentos, recebimentos e inadimplências.

 Avaliar a infraestrutura existente: o Redes de água, esgoto, elétrica e climatização. o Sistemas de D


segurança contra incêndios.
🔹 Departamento – Divisão organizacional responsável por funções específicas.
2.2. Viabilidade Legal
🔹 Desk Sharing – Sistema em que as mesas de trabalho não são fixas para um único colaborador.
 Consulta ao plano diretor municipal e zoneamento urbano: o Altura máxima permitida. o Coeficiente 🔹 Dossiê – Conjunto de documentos sobre um assunto específico.
de aproveitamento do terreno. o Taxa de ocupação e recuos obrigatórios.
E
 Normas técnicas aplicáveis (ex.: ABNT NBR 15575, NBR 9050). 2.3. Viabilidade Econômica 
Cálculo preliminar dos custos: o Obras civis. o Adequação de infraestrutura. o Custos com regularização 🔹 E-mail Corporativo – Comunicação oficial por correio eletrônico dentro da empresa.
e licenciamento. 🔹 Escritório Virtual – Modalidade de trabalho remoto sem sede física fixa.
🔹 ERP (Enterprise Resource Planning) – Sistema integrado de gestão empresarial.
 Retorno sobre o investimento (se aplicável): o Valorização do imóvel. o Aumento de capacidade
operacional. . F

Proposta de Ampliação 🔹 Facilities – Serviços de infraestrutura, como limpeza, segurança e manutenção.


🔹 Follow-up – Acompanhamento contínuo de uma atividade ou processo.
3.1. Conceito Arquitetônico
🔹 Fluxograma – Representação visual dos processos operacionais do escritório.
 Proposta de integração entre as áreas existentes e ampliadas: o Continuidade visual e funcional. o
G
Preservação da identidade arquitetônica do edifício.

 Análise da viabilidade de expansão vertical ou horizontal 🔹 Gestão de Pessoas – Administração de recursos humanos e desenvolvimento de colaboradores.
🔹 Governança Corporativa – Conjunto de regras e processos para boa administração da empresa.
4.28. GLOSSÁRIOS 🔹 Grupo de Trabalho – Equipe temporária formada para resolver um problema específico.

58
H P

🔹 Home Office – Trabalho remoto realizado da residência do colaborador. 🔹 Planejamento Estratégico – Processo de definição de objetivos de longo prazo.
🔹 Headquarters (HQ) – Sede principal da empresa. 🔹 Protocolo – Procedimento formal para envio e recebimento de documentos.
🔹 Help Desk – Suporte técnico para resolver problemas internos de TI. 🔹 Ponto Eletrônico – Sistema digital para controle de horários dos funcionários.

I Q

🔹 Impressora Compartilhada – Equipamento de impressão utilizado por várias pessoas. 🔹 Qualidade Total – Filosofia de gestão focada na melhoria contínua.
🔹 Intranet – Rede interna de comunicação da empresa. 🔹 Quórum – Número mínimo de pessoas necessárias para uma reunião ou decisão.
🔹 ISO (International Organization for Standardization) – Normas internacionais de qualidade.
R
J
🔹 Recepção – Área de entrada do escritório, onde visitantes são atendidos.
🔹 Job Rotation – Prática de alternar funcionários entre diferentes funções para aprendizado. 🔹 Recursos Humanos (RH) – Setor responsável pela gestão de pessoas e recrutamento.
🔹 Just in Time – Estratégia de redução de estoques, garantindo entrega somente quando necessário. 🔹 Relatório – Documento com informações detalhadas sobre um determinado assunto.

K S

🔹 KPI (Key Performance Indicator) – Indicador de desempenho utilizado para medir resultados. 🔹 Sala de Reunião – Espaço destinado a encontros corporativos e negociações.
🔹 Kanban – Método visual de gerenciamento de tarefas e fluxo de trabalho. 🔹 Segurança da Informação – Conjunto de práticas para proteger dados sigilosos.
🔹 Serviços Gerais – Equipe responsável pela manutenção e organização do escritório.
L
T
🔹 Layout – Distribuição física do mobiliário e equipamentos no escritório.
🔹 Licenciamento – Processo de obtenção de autorizações legais para operação da empresa. 🔹 Tecnologia da Informação (TI) – Setor responsável pela infraestrutura digital da empresa.
🔹 Liderança – Capacidade de influenciar e coordenar equipes. 🔹 Teletrabalho – Trabalho realizado remotamente, fora do escritório tradicional.
🔹 Turnover – Taxa de rotatividade de funcionários dentro da empresa.
M
U
🔹 Metas – Objetivos definidos para medir a produtividade e desempenho.
🔹 Monitoramento – Processo de supervisão contínua de atividades e desempenho. 🔹 Usuário – Funcionário ou cliente que utiliza um sistema, produto ou serviço.
🔹 Marketing – Conjunto de estratégias para promover produtos e serviços. 🔹 Upgrade – Atualização de sistemas, equipamentos ou processos.

N V

🔹 Networking – Construção de relacionamentos profissionais estratégicos. 🔹 Videoconferência – Reunião realizada por meio de plataformas digitais.
🔹 Nota Fiscal – Documento que comprova a compra ou venda de um serviço/produto. 🔹 Vale-refeição – Benefício concedido aos funcionários para alimentação.
🔹 Vaga de Estacionamento – Espaço designado para veículos dentro do escritório.
O
W
🔹 Open Space – Ambiente de trabalho sem divisórias, promovendo interação entre equipes.
🔹 Orçamento – Planejamento financeiro para controle de gastos da empresa. 🔹 Workstation – Estação de trabalho equipada com computador e materiais de escritório.
🔹 Outsourcing – Terceirização de serviços para reduzir custos e aumentar eficiência. 🔹 Workflow – Fluxo de trabalho que define a sequência de processos dentro da empresa.

59
X

🔹 Xerox – Impressão e cópia de documentos, também conhecido como fotocópia.

🔹 Young Talent Program – Programa de incentivo a jovens talentos dentro da empresa.

🔹 Zona de Conforto – Situação em que um funcionário evita desafios e mudanças.


🔹 Zona de Trabalho – Área física dedicada ao desempenho de atividades profissionais.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O planejamento e a organização de um edifício de escritórios são essenciais para garantir um ambiente


funcional, produtivo e eficiente. A correta setorização dos espaços, a agregação de elementos funcionais
e a integração entre as unidades ambientais permitem um fluxo de trabalho otimizado e um melhor
aproveitamento dos recursos.

Um edifício de escritórios bem planejado é mais do que um espaço de trabalho; é um ambiente


estratégico que impulsiona a produtividade e o bem-estar dos ocupantes. Ao considerar todos os aspectos
mencionados desde a organização espacial até as inovações tecnológicas é possível criar um local de
trabalho eficiente, moderno e sustentável.

4.29. REFERÊNCIAS

[Link]/historia-do-escritorio/

[Link]/dr/detalhe/decreto-lei/243-1986-219080

tipos de escritorios

Pesquisar Breve histórico de desenvolvimento da tipologia

ArchDaily Brasil (2022). Conforto e Sustentabilidade na Arquitetura.

Altuna, P. R. R. de A. (1985). Cultura Tradicional Banto. Luanda, Angola: Secretariado Arquidiocesano


de Pastoral.

Estatística, I, N. (2013) Anuário de Estatísticas sociais de 2011. Lda. INE

Tribunal Constitucional. (2022). Constituição da República de Angola. 1ª Edição Fevereiro 2022. Lda.
Lexdata - Sistemas e Edições Jurídicas.

60

Você também pode gostar