Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Zita Manuel Simão – Código: 708241795
Conhecimento Básico sobre o HIV-SIDA – Estudo Exploratória e Reflexão
Contextualizada
Nampula, Setembro de 2025
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Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Zita Manuel Simão – Código: 708241795
Conhecimento Básico sobre o HIV-SIDA – Estudo Exploratória e Reflexão
Contextualizada
Trabalho de carácter avaliativo no
âmbito da cadeira de Habilidades de
Vida, Saúde Sexual, Reprodutiva,
Género e HIV-SIDA, 2º ano de
frequência, curso de Licenciatura em
ensino de Educação Física e
Desporto, Turma “C”, leccionada pelo,
Tutor:
Nampula, Setembro de 2025
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Capa 0.5
Índice 0.5
Aspectos Introdução 0.5
Estrutura organizacionais Discussão 0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização
(Indicação clara do 1.0
problema)
Descrição dos
Introdução objectivos 1.0
Metodologia
adequada ao objecto
do trabalho 2.0
Conteúdo Articulação e domínio
do discurso
académico (expressão 2.0
escrita cuidada,
coerência / coesão
Análise e textual)
discussão Revisão bibliográfica
nacional e internacionais
relevantes na área de estudo 2.0
Exploração dos dados 2.0
Conclusão Contributos teóricos
práticos 2.0
Paginação, tipo e
Aspectos Formatação tamanho de letra,
gerais paragrafo, 1.0
espaçamento entre
linhas
Referências Normas APA 6ª Rigor e coerência das
Bibliográfic edição em citações/referências 4.0
as citações e bibliográficas
bibliografia
Índice
3
1. Introdução..........................................................................................................................................3
1.1. Objectivo geral................................................................................................................................4
1.2. Objectivos específicos.....................................................................................................................4
1.3. Metodologia e Estrutura de Trabalho..............................................................................................4
2. Fundamentação Teórica......................................................................................................................5
2.1. Definição e Diferença entre HIV e SIDA........................................................................................5
2.2. Modos de Transmissão do HIV.......................................................................................................6
3. Mitos e Realidades sobre o HIV-SIDA..............................................................................................7
4. Medidas de Prevenção........................................................................................................................8
2.5. Impacto Psicossocial do HIV-SIDA................................................................................................9
2.5.1. Papel da escola, família e comunidade no apoio.........................................................................10
2.6. Habilidades de Vida e Educação Preventiva..................................................................................10
Conclusão.............................................................................................................................................12
Bibliografia..........................................................................................................................................13
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ii
1. Introdução
O HIV-SIDA permanece como um dos desafios mais complexos de saúde pública em
Moçambique, mesmo diante dos avanços científicos e das políticas nacionais de resposta à
epidemia.
Segundo dados do Ministério da Saúde (2022), estima-se que 2,1 milhões de moçambicanos
vivam com o vírus — e os jovens entre 15 e 24 anos são os mais vulneráveis, respondendo
por mais de 60% das novas infecções anuais. Esse dado não revela apenas uma falha no
acesso à prevenção, mas uma lacuna crítica na formação, na comunicação e na desconstrução
de estigmas que ainda envolvem o tema.
Muitos jovens, mesmo nas escolas, confundem HIV com SIDA, acreditam que a infecção é
sempre visível ou associam-na a comportamentos moralmente julgados — o que gera medo,
silêncio e evasão do diagnóstico.
A educação, especialmente a escolar, tem um papel insubstituível nesse cenário. Ela não deve
apenas transmitir informações técnicas, mas formar consciências críticas, empáticas e
responsáveis. Como afirma Nhate (2020),“o silêncio e a culpa em torno do HIV ainda são
mais perigosos do que o próprio vírus. Enquanto as pessoas tiverem vergonha de falar, de
testar, de cuidar — o vírus continuará a avançar nas sombras” (p. 45).
Romper esse silêncio exige mais do que campanhas pontuais ou cartazes informativos, exige
uma abordagem pedagógica intencional, que integre conhecimento científico, habilidades de
vida e sensibilidade cultural.
Em Moçambique, onde crenças tradicionais, tabus e desigualdades de género ainda
influenciam fortemente as decisões sexuais dos jovens, a escola pode - e deve - tornar-se um
espaço seguro de diálogo, acolhimento e formação para a vida.
Este trabalho, portanto, propõe-se a explorar os conhecimentos básicos sobre o HIV-SIDA,
não apenas do ponto de vista biomédico, mas também psicossocial e educativo. Busca-se
compreender como o vírus opera, como se previne, como se vive com ele e, sobretudo, como
se ensina sobre ele de forma humanizada, contextualizada e transformadora. Porque educar
sobre o HIV não é apenas informar - é libertar.
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1.1. Objectivo geral
Analisar os conhecimentos básicos sobre o HIV-SIDA.
1.2. Objectivos específicos
Esclarecer a diferença entre HIV e SIDA, bem como os modos de transmissão e
prevenção;
Desconstruir mitos populares com base em evidências científicas;
Reflectir sobre o impacto psicossocial da infecção e o papel da escola, família e
comunidade no apoio às pessoas vivendo com HIV.
1.3. Metodologia e Estrutura de Trabalho
A metodologia compreende o caminho a ser usado para levar à cabo uma determinada
investigação. Pode-se dizer, também, que a metodologia diz respeito ao conjunto de
procedimentos a ter em consideração para a materialização de uma pesquisa científica.
Para Marconi e Lakatos (2002), a Metodologia é “o esclarecimento minucioso, detalhado,
rigoroso e exacto de toda a acção desenvolvida no método de trabalho da pesquisa” (p. 27).
Assim, metodologicamente, para a materialização deste trabalho recorreu-se à pesquisa
bibliográfica. A pesquisa bibliográfica tem como principal característica o facto de que o
espaço onde será a colecta de dados é a própria bibliografia sobre o tema ou objecto que se
intenta estudar, buscando autores e obras seleccionadas ou dados para a produção do
conhecimento pretendido. Portanto, o tipo de pesquisa quanto a abordagem é qualitativo;
quanto aos objectives é descritiva.
O trabalho está estruturado da seguinte maneira: introdução, desenvolvimento, conclusão e
bibliografia final das fontes usadas. De salientar que as obras consultadas encontram-se
listadas em bibliografia no final do trabalho. Como técnica, fez-se uma leitura exaustiva,
análise facial das fontes consultadas.
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2. Fundamentação Teórica
2.1. Definição e Diferença entre HIV e SIDA
Seundo Rafael e Zeca (2024):
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é um retrovírus pertencente à família
Lentiviridae, cuja principal característica é a capacidade de atacar e destruir
progressivamente as células do sistema imunológico, especialmente os linfócitos T
CD4+, responsáveis por coordenar a resposta imune do organismo (p. 7).
Ao comprometer essa defesa natural, o HIV torna o corpo humano vulnerável a infecções e
doenças que, em condições normais, seriam facilmente controladas.
Seundo Barros (2019),“o HIV não mata por si só, mata indirectamente, ao abrir as portas do
organismo para agentes oportunistas que se aproveitam da fragilidade imunológica. É um
assassino silencioso, que pode viver anos no corpo sem causar sintomas visíveis” (p. 34).
Já a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) não é um vírus, mas o estágio clínico
avançado da infecção por HIV. Ela se caracteriza pela queda acentuada das células CD4 -
abaixo de 200 células/mm³ - e pelo surgimento de infecções oportunistas (como tuberculose,
pneumonia por Pneumocystis jirovecii, toxoplasmose cerebral) ou certos tipos de câncer
(sarcoma de Kaposi, linfoma de Burkitt).
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021),
O diagnóstico de SIDA é clínico e laboratorial: só se configura quando a infecção pelo
HIV evolui para o comprometimento grave do sistema imunológico, com
manifestações clínicas específicas. Com tratamento adequado, muitas pessoas vivem
com HIV por décadas sem nunca desenvolver SIDA (p. 18).
Essa distinção - entre o vírus (HIV) e a síndrome (SIDA) - é fundamental, especialmente em
Moçambique, onde ainda persiste a crença popular de que “ter HIV é ter sentença de morte”.
Essa confusão alimenta o medo, o estigma e a evasão dos serviços de saúde.
Muitos jovens evitam fazer o teste justamente porque associam o HIV à morte iminente
quando, na realidade, com o uso consistente da terapia antirretroviral (TARV), é possível
viver com qualidade, trabalhar, estudar, amar e até ter filhos sem transmitir o vírus.
Desconstruir esse equívoco não é apenas uma tarefa médica, é um imperativo educativo e
humanitário.
2.2. Modos de Transmissão do HIV
O vírus da imunodeficiência humana (HIV) transmite-se exclusivamente por meio do contacto
com fluidos corporais infectados, especificamente sangue, sémen, fluidos vaginais, leite
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materno e, em menor grau, fluido retal. Não se transmite por suor, saliva, lágrimas, abraços,
apertos de mão ou partilha de utensílios como ainda se acredita erroneamente em muitas
comunidades moçambicanas.
Segundo o Ministério da Saúde (2022), as quatro vias principais de transmissão comprovadas
são: relações sexuais desprotegidas, transfusão de sangue contaminado, partilha de seringas
ou instrumentos perfurocortantes e transmissão vertical (de mãe para filho durante a gravidez,
parto ou amamentação).
Relações sexuais desprotegidas: Responsável por mais de 85% das novas infecções
no país (MINSA, 2022). O risco aumenta na ausência de preservativo, especialmente
em relações vaginais e anais, devido à fragilidade dos tecidos e à alta concentração
viral nos fluidos. Contudo, como alerta Nhate (2020): “dizer que o HIV se transmite
por sexo desprotegido é tecnicamente correto, mas socialmente insuficiente. Em
Moçambique, muitas jovens não têm o poder de dizer ‘não’ ou ‘use camisinha’ e esse
desequilíbrio de poder é, em si, um vector tão perigoso quanto o vírus” (p. 52).
Transfusão de sangue contaminado: Embora hoje seja rara graças ao rastreio
obrigatório em bancos de sangue, ainda ocorre em contextos informais como em
rituais tradicionais que usam lâminas partilhadas, ou em serviços de saúde precários
onde o controle não é rigoroso. A prevenção exige fiscalização, educação comunitária
e desmistificação de práticas culturais de risco.
Partilha de seringas ou instrumentos perfurocortantes: Mais comum entre pessoas
que usam drogas injectáveis grupo ainda pequeno em Moçambique, mas em
crescimento nas zonas urbanas. Também se aplica a tatuagens, escarificações ou
procedimentos estéticos feitos com material não esterilizado. A redução de danos e o
acesso a seringas limpas são estratégias essenciais de contenção.
Transmissão vertical (de mãe para filho): Pode ocorrer durante a gravidez, parto ou
amamentação. No entanto, segundo a OMS (2021), “quando a gestante vive com HIV
e recebe tratamento adequado desde o pré-natal, a probabilidade de transmissão
vertical cai para menos de 1%. Isso significa que nascer com HIV hoje não é destino, é
falha do sistema” (p. 29).
Em Moçambique, apesar dos avanços, muitas mulheres ainda não acessam o pré-natal de
forma regular por distância, estigma ou desconhecimento. Garantir o diagnóstico precoce e a
adesão à terapia antirretroviral é, portanto, uma prioridade de saúde pública e direitos
humanos.
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3. Mitos e Realidades sobre o HIV-SIDA
Apesar das campanhas de saúde e do acesso crescente à informação, muitos mitos sobre o
HIV-SIDA persistem em Moçambique, alimentando o estigma, a discriminação e a evasão
dos serviços de saúde. Desconstruir essas falsas crenças não é apenas uma tarefa educativa, é
um ato de justiça e prevenção.
Segundo Nhate (2020), os principais mitos e as realidades que os desmontam:
Mito 1: “HIV e SIDA são a mesma coisa — quem tem HIV já está com SIDA e
vai morrer.”
Realidade: HIV é o vírus; SIDA é o estágio avançado da infecção, que só se desenvolve na
ausência de tratamento. Com o uso consistente da terapia antirretroviral (TARV), uma pessoa
pode viver décadas com HIV sem nunca evoluir para SIDA.
O HIV deixou de ser uma sentença de morte para se tornar uma condição crónica gerenciável,
desde que diagnosticado precocemente e tratado com disciplina.
Em Moçambique, esse mito ainda leva muitos jovens a evitar o teste por medo de “receber
uma sentença”.
Mito 2: “Só pessoas promíscuas ou que usam drogas contraem HIV.”
Realidade: O HIV não discrimina por moral, religião ou estilo de vida. Pode ser transmitido
em relações estáveis, no casamento, ou até de mãe para filho. Em Moçambique, muitas
mulheres fiéis são infectadas por parceiros que mantêm relações extraconjugais, e não têm
poder de negociar o uso do preservativo.
Nhate (2020) reforça: “Rotular o HIV como ‘doença dos imorais’ é não só cientificamente
falso, mas socialmente cruel, porque transforma a vítima em culpada e o vírus em castigo” (p.
61).
Mito 3: “Se a pessoa parece saudável, não pode ter HIV.”
Realidade: O HIV pode permanecer assintomático por anos e a única forma de saber é através
do teste. Muitos jovens moçambicanos dizem: “Não preciso testar, estou bem!” ignorando que
o vírus pode estar activo e transmissível mesmo sem sintomas.
A aparência não é indicador de estado serológico.
Mito 4: “HIV passa por beijo, abraço, partilha de copo ou sanitário público.”
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Realidade: O vírus não sobrevive fora do corpo humano e não é transmitido por saliva, suor
ou contacto casual. Esse mito alimenta a exclusão social - crianças são expulsas da escola,
adultos perdem empregos, famílias são isoladas. Combater essa ignorância é tarefa urgente da
escola e dos meios de comunicação.
4. Medidas de Prevenção
Prevenir o HIV em Moçambique exige uma abordagem multifacetada que combine ciência,
educação, justiça social e acesso equitativo aos serviços de saúde. Não basta informar: é
preciso empoderar, desmistificar e garantir meios concretos para a protecção.
Seundo Muianga (2023), as principais estratégias comprovadas, adaptadas à realidade
nacional:
Uso consistente do preservativo
O preservativo masculino e feminino é o método mais eficaz para prevenir a transmissão
sexual do HIV. Contudo, seu uso ainda enfrenta barreiras culturais, como a ideia de que
“camisinha reduz o prazer” ou “só se usa com desconhecidos”.
Seundo Muianga (2023),“dar camisinha sem dar poder é como dar remédio sem dar cura. A
prevenção só funciona quando o corpo da mulher é visto como território de direitos, não de
dominação” (p. 74).
Em Moçambique, onde muitas raparigas não têm autonomia para negociar seu uso,
campanhas devem ir além da distribuição, precisam trabalhar masculinidades, consentimento
e direitos sexuais.
Educação sexual integral nas escolas
A escola é o espaço privilegiado para desconstruir mitos, promover habilidades de vida e
ensinar a tomar decisões informadas. Programas pontuais ou moralistas falham, o que
funciona é uma educação contínua, baseada em evidências, que aborde afectos, género,
consentimento e saúde reprodutiva.
Segundo Cruz & Timbane (2022),“Jovens moçambicanos não precisam de ser assustados com
o HIV, precisam de ser equipados com ferramentas para proteger a si mesmos e aos outros.
Educação sexual não promove sexo, promove responsabilidade” (p. 89).
Testagem voluntária e aconselhamento
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Saber o estado serológico é o primeiro passo para o autocuidado e a prevenção da
transmissão. Campanhas móveis, testes rápidos e aconselhamento confidencial, especialmente
em zonas rurais e escolas, são estratégias eficazes. O segredo é garantir acolhimento, não
julgamento.
Terapia Antirretroviral (TARV) como prevenção
Além de tratar, os antirretrovirais previnem. Uma pessoa com carga viral indetectável há mais
de 6 meses não transmite o HIV sexualmente (conceito “Indetectável = Intransmissível”, ou
I=I). Também há a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), pílula diária para pessoas soronegativas
em situação de risco. Ambas as estratégias exigem acesso, adesão e desestigmatização.
2.5. Impacto Psicossocial do HIV-SIDA
Viver com HIV em Moçambique não é apenas um desafio clínico, é uma experiência
profundamente marcada por dor emocional, exclusão social e violência simbólica. O estigma,
muitas vezes mais cruel que o próprio vírus, gera consequências devastadoras na saúde
mental, nas relações familiares e na inserção social das pessoas afectadas.
Seundo Macamo & Nhantumbo (2024), os principais impactos psicossociais e os caminhos
para superá-los são:
Estigma, discriminação e exclusão social
Muitas pessoas vivendo com HIV (PVHIV) são evitadas, humilhadas, expulsas de casa ou do
emprego — mesmo por familiares e amigos. Em escolas, crianças soropositivas são afastadas
por medo infundado de contágio.
De acordo com Bila (2023), “O diagnóstico do HIV muitas vezes vem acompanhado de uma
segunda sentença: a de que você deixou de pertencer. A sociedade moçambicana ainda
confunde o vírus com o pecado — e trata o doente como culpado” (p. 102).
Esse estigma silencia, isola e impede o acesso aos serviços de saúde alimentando o ciclo da
epidemia.
Efeitos na auto-estima e saúde mental
Ansiedade, depressão, ideação suicida e sentimento de vergonha são comuns entre jovens
recém-diagnosticados. Muitos se vêem como “condenados” ou “fracassados”, especialmente
quando internalizam discursos morais que associam o HIV à promiscuidade.
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Segundo Macamo & Nhantumbo (2024), “a maior barreira ao tratamento não é a distância da
unidade sanitária — é a distância que o jovem sente entre si mesmo e a dignidade. Recuperar
a auto-estima é tão urgente quanto recuperar as células CD4” (p. 57).
Assim, a saúde mental deve ser integrada aos serviços de HIV com psicólogos, grupos de
apoio e escuta qualificada.
Rupturas familiares e abandono afectivo
Muitos jovens são expulsos de casa após o diagnóstico. Outros escondem a condição por
medo da rejeição, o que compromete a adesão ao tratamento. Em contextos rurais, onde a
família é a principal rede de protecção, esse abandono pode ser devastador.
2.5.1. Papel da escola, família e comunidade no apoio
A escola pode ser espaço de acolhimento se professores forem formados em educação
inclusiva e direitos humanos. A família, se sensibilizada, pode ser o maior suporte emocional.
E a comunidade, se mobilizada, pode transformar o estigma em solidariedade.
Projectos como “Clubes de Apoio nas Escolas” e “Grupos de Mães Solidárias” já mostram
resultados promissores em províncias como Zambézia e Nampula.
2.6. Habilidades de Vida e Educação Preventiva
Prevenir o HIV em Moçambique exige mais do que informação biomédica - exige formar
jovens capazes de tomar decisões responsáveis, comunicar com assertividade, resistir à
pressão dos pares e agir com empatia. A educação preventiva, portanto, deve centrar-se no
desenvolvimento de habilidades psicossociais, integradas ao currículo escolar e às práticas
comunitárias.
as Principais competências-chave e como aplicá-las no contexto nacional são:
Comunicação assertiva e negociação
Saber dizer “não”, expressar desejos, negociar o uso do preservativo ou questionar práticas de
risco são habilidades essenciais e raramente ensinadas.
Segundo Timóteo (2023), “Uma jovem que aprende a dizer ‘não’ ao sexo sem protecção não
está sendo rebelde, está sendo dona do seu corpo. E essa autonomia salva vidas mais do que
qualquer cartaz de campanha” (p. 118).
Em Moçambique, onde a hierarquia de género e a obediência silenciosa ainda predominam,
ensinar raparigas a defenderem seus limites é um ato revolucionário.
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Empatia e combate ao estigma
Educar para a empatia significa ensinar os jovens a verem as pessoas vivendo com HIV como
sujeitos de direitos, não como “culpados” ou “diferentes”.
Segundo Rafael & Zeca (2024),“O estigma só morre quando o outro deixa de ser ‘ele’ e passa
a ser ‘eu’. A empatia não é virtude, é vacina social contra a exclusão” (p. 73). Atividades
como depoimentos de PVHIV, dramatizações e debates éticos ajudam a humanizar a questão.
Pensamento crítico e tomada de decisão
Os jovens precisam aprender a questionar mitos, analisar riscos reais, avaliar consequências e
escolher com consciência, não por medo ou pressão. Isso exige metodologias ativas: estudos
de caso, simulações, jogos de papel, onde o erro é permitido e a reflexão, guiada.
Integração nas aulas e atividades extracurriculares
A temática do HIV não pode ficar restrita à disciplina de Biologia ou a palestras isoladas.
Deve atravessar todas as áreas: Geografia (mapas da epidemia), Língua Portuguesa (redacções
sobre estigma), Educação Física (cooperação e respeito), Artes (cartazes, teatro fórum).
Projectos como “Sextas pela Prevenção” ou “Clubes de Jovens Agentes de Saúde” já
demonstram eficácia em escolas de Maputo e Beira — e podem ser replicados nacionalmente.
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Conclusão
Conclui-se que compreender o HIV-SIDA vai muito além de dominar conceitos biomédicos, é
mergulhar nas dimensões humanas, sociais e educativas que envolvem a epidemia.
Este trabalho demonstrou que, em Moçambique, o maior desafio não é a ausência de
medicamentos ou protocolos, é a persistência do silêncio, do estigma e da desinformação.
Enquanto jovens evitarem o teste por medo de serem julgados, enquanto raparigas não
puderem negociar o uso do preservativo por desigualdade de género, enquanto famílias
expulsarem seus filhos após o diagnóstico, o vírus continuará a avançar, não apenas nos
corpos, mas nas estruturas sociais.
A escola, nesse cenário, não pode ser espectadora, deve ser protagonista. Não basta ensinar
que “o HIV se transmite pelo sangue” é preciso ensinar que “o estigma mata mais que o
vírus”. A educação sexual precisa ser integral, contínua e libertadora que forme sujeitos
críticos, empáticos e responsáveis.
Como mostramos, habilidades como comunicação assertiva, pensamento crítico e empatia são
tão importantes quanto o conhecimento técnico porque são elas que transformam informação
em acção, e acção em prevenção.
Propõe-se, então, três eixos de intervenção urgente: primeiro, formação obrigatória de
professores em abordagens psicossociais do HIV, com foco em acolhimento, direitos
humanos e desconstrução de estigmas; segundo, criação de “Clubes de Jovens Agentes de
Saúde” em todas as escolas secundárias, onde os próprios alunos se tornem multiplicadores de
mensagens preventivas, com apoio de psicólogos e profissionais de saúde; terceiro, parcerias
entre escolas, centros de saúde e organizações comunitárias para garantir testagem
confidencial, aconselhamento e acompanhamento psicológico no próprio ambiente escolar.
Viver com HIV hoje não é sentença, é condição gerenciável. Mas para que essa realidade
chegue a todos os cantos de Moçambique, é preciso coragem: coragem de falar, de ensinar, de
acolher, de transformar. Educar sobre o HIV não é apenas prevenir uma infecção, é semear
dignidade. E dignidade, sim, é intransmissível, mas contagiosa.
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Bibliografia
Bila, F. (2023). Estigma e exclusão: A experiência social do HIV em Moçambique (3ª ed.).
Edições Ndjira.
Cruz, A., & Timbane, C. (2022). Educação sexual integral em contextos africanos: Desafios
e caminhos para Moçambique. Revista Moçambicana de Saúde e Sociedade, 5(2), 82–
97.
Macamo, S., & Nhantumbo, L. (2024). Saúde mental e HIV: Estratégias psicossociais para
jovens moçambicanos. Cadernos de Psicologia Comunitária, 12(1), 45–65.
Ministério da Saúde de Moçambique (MINSA). (2022). Relatório anual de monitoria do
programa nacional de HIV/SIDA. [Link]
Muianga, X. (2023). Corpo, género e poder: Repensando a prevenção do HIV em
Moçambique. Imprensa Universitária de Maputo.
Nhate, A. (2020). Silêncio, estigma e HIV: Desafios culturais na prevenção em Moçambique
(1ª ed.). Edições Saúde Jovem.
Organização Mundial da Saúde (OMS). (2021). Directrizes globais sobre HIV e SIDA:
Prevenção, tratamento e cuidados. Maputo.
Rafael, M., & Zeca, T. (2024). Empatia como estratégia de prevenção: Educação emocional
no combate ao estigma do HIV. Revista Africana de Psicologia Escolar, 8(1), 67–82.
Timóteo, R. (2023). Autonomia corporal e prevenção: Habilidades de vida para jovens em
contextos de vulnerabilidade. Editora Escolar Moçambicana.
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