Azir foi batizado em homenagem a um humano que salvou sua família em um momento de
grande perigo, um nome raro e controverso na conservadora sociedade élfica. Ele
cresceu na floresta dos elfos, onde a magia era vista como uma extensão pura da
natureza. No entanto, Azir nunca teve um talento nato para ela. Em um ritual de
passagem, sua magia falhou, causando a humilhação pública de sua família. O
fracasso o consumiu, fazendo-o questionar a limitação da magia élfica. Ele percebeu
que a devoção cega não traria poder, e seu desejo de provar seu valor se tornou uma
obsessão.
Impulsionado por essa sede, Azir deixou a floresta e partiu para Liurnia, uma terra
conhecida por seu potencial mágico. Ele estudou a fundo as magias elementais, mas
seu coração buscava algo mais, uma força oculta que ele pressentia existir. Ele
chamava essa energia de "a Magia Desconhecida", algo que transcendia a pureza da
natureza e os limites do conhecimento.
Durante as Guerras Rúnicas, o poder da Magia Desconhecida se manifestou com
violência, uma onda de energia caótica e corrompida. Azir, em vez de fugir, foi em
direção à fonte. Ele sentiu que essa era a chave para o poder que tanto almejava.
No entanto, ele logo percebeu a verdade: essa magia era poderosa demais para ser
controlada por um corpo mortal. Ele precisava de um receptáculo.
Foi então que a ideia o atingiu: um baralho de 54 cartas. Pequenas, fáceis de
manusear e um receptáculo perfeito para canalizar a magia. Ele aperfeiçoou a
técnica, infundindo cada carta com magias convencionais, mas seu objetivo final era
a Magia Proibida.
Em um dos campos de batalha, ele finalmente encontrou a fonte de energia. Ele
tentou canalizá-la, mas a força era mais do que ele poderia suportar. A magia não
era uma ferramenta, era uma entidade. Azir desmaiou, e a última coisa que viu foi o
baralho de cartas ser consumido pela escuridão.
Ele não tem memória de quanto tempo se passou, apenas flashes de escuridão, tortura
e um ser que parecia se deleitar com seu sofrimento. Não era dor física, mas a
tortura da mente: ele era forçado a reviver suas piores humilhações, ver seus entes
queridos morrerem por sua falha e ter suas memórias distorcidas até não poder mais
distingui-las. A morte era uma mentira; ele morria e era ressuscitado para sentir a
dor novamente.
Sua sanidade foi estilhaçada, sua humanidade, destruída. O que sobrou não foi Azir,
mas uma casca preenchida por um único propósito: vingança contra o ser que o
torturou.
Anos após o fim das guerras, ele foi encontrado inconsciente em outro continente
Migdorian, com o antigo baralho de cartas, agora com um brilho sombrio em seus
olhos.