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Enfermagem e Violência Obstétrica: Papel Crucial

O documento discute a violência obstétrica e o papel fundamental dos enfermeiros na prevenção e intervenção em casos dessa violência, que afeta a saúde física e psicológica das mulheres. A pesquisa qualitativa destaca a importância de práticas respeitosas e humanizadas durante o atendimento obstétrico, enfatizando a necessidade de capacitação e comunicação eficaz. Os enfermeiros são vistos como agentes essenciais para garantir que as gestantes se sintam seguras e protegidas durante o processo de maternidade.
Direitos autorais
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Enfermagem e Violência Obstétrica: Papel Crucial

O documento discute a violência obstétrica e o papel fundamental dos enfermeiros na prevenção e intervenção em casos dessa violência, que afeta a saúde física e psicológica das mulheres. A pesquisa qualitativa destaca a importância de práticas respeitosas e humanizadas durante o atendimento obstétrico, enfatizando a necessidade de capacitação e comunicação eficaz. Os enfermeiros são vistos como agentes essenciais para garantir que as gestantes se sintam seguras e protegidas durante o processo de maternidade.
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ISSN: 2674-8584 V.09 – N.

01 – 2025
DOI: 10.61164/1cwqe598

ATUAÇÃO DOS ENFERMEIROS FRENTE A VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

NURSES' PERFORMANCE IN THE FACE OF OBSTETRIC VIOLENCE

Flávia Coimbra Dias da Silva


Acadêmico do curso de Enfermagem da Faculdade
Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni. Brasil.
E-mail: fcoimbra025@[Link]

Gabriel Sousa da Silva


Acadêmico do curso de Enfermagem da Faculdade
Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni. Brasil.
E-mail: gabriel015gabriel@[Link]

Sarah Kelly Magalhães Matos


Acadêmico do curso de Enfermagem da Faculdade
Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni. Brasil.
E-mail: sarahkellypp@[Link]

Mariana Leal Oliveira


Docente do curso de Enfermagem da Faculdade
Presidente Antônio Carlos de Teófilo Otoni. Brasil.
E-mail: [Link]@[Link]

RESUMO

A maternidade, embora seja um processo natural, é frequentemente marcada


por violência obstétrica, caracterizada por práticas abusivas, desrespeito e
intervenções desnecessárias, impactando a saúde física e psicológica das
mulheres e comprometendo a confiança nos serviços de saúde. O enfermeiro
desempenha um papel insubstituível na promoção de um atendimento obstétrico
respeitoso e digno. A incorporação de boas práticas, a comunicação acessível e
a capacitação multidisciplinar são essenciais para garantir o bem-estar e a saúde
integral das mulheres durante o período gravídico-puerperal. Este estudo
qualitativo e exploratório, baseado em uma revisão bibliográfica, teve como
objetivo identificar e analisar o papel do enfermeiro no enfrentamento da
violência obstétrica. A questão norteadora foi: como os enfermeiros percebem
seu papel e como podem atuar na prevenção da violência obstétrica para que as
gestantes se sintam seguras e protegidas?. Os resultados revelaram que a
atuação do enfermeiro é fundamental na prevenção, identificação e intervenção
em casos de violência obstétrica, promovendo uma assistência humanizada.

Palavras-chaves: Violência Obstétrica. Enfermagem. Gestante. Prevenção.

ABSTRACT
Motherhood, although a natural process, is often marked by obstetric violence,
characterized by abusive practices, disrespect, and unnecessary interventions,
impacting women's physical and psychological health and undermining trust in
health services. Nurses play an irreplaceable role in promoting respectful and
dignified obstetric care. Incorporating best practices, accessible communication,
and multidisciplinary training are essential to ensuring the well-being and
comprehensive health of women during pregnancy and childbirth. This
qualitative, exploratory study, based on a literature review, aimed to identify and
analyze the role of nurses in addressing obstetric violence. The guiding question
was: How do nurses perceive their role and how can they act to prevent obstetric
violence so that pregnant women feel safe and protected? The results revealed
that nurses' role is fundamental in preventing, identifying, and intervening in
cases of obstetric violence, promoting humane care.

Keywords: Obstetric Violence. Nursing. Pregnant women. Prevention.

1 INTRODUÇÃO

A maternidade envolve mudanças físicas e psicológicas significativas para


as mulheres, incluindo a ansiedade em relação ao parto. Antigamente, o parto
ocorria em ambiente domiciliar, seguindo um curso natural, sem intervenção
apressada e assistido por uma parteira. Apesar do aumento das taxas de
natalidade assistida em ambientes de cuidados de saúde, a investigação mostra
que muitas mulheres em todo o mundo ainda enfrentam maus-tratos,
desrespeito e maus-tratos durante o parto, o que prejudica a confiança entre elas
e os profissionais de saúde e desencoraja a procura de cuidados obstétricos.
Estas práticas são particularmente prejudiciais durante o trabalho de parto,
quando as mulheres são mais vulneráveis, e podem ter consequências adversas
para a mãe e o bebé. (Moura et al., 2018; OMS, 2014).
A violência obstétrica pode ser dividida em diferentes tipos, como
violência física, violência sexual, violência verbal, violência psicológica e
negligência de enfermagem (Melo et al,2022).
A violência obstétrica, caracterizada por práticas abusivas em ambientes
hospitalares, é perpetrada pela equipe multidisciplinar de assistência à saúde e
abrange intervenções médicas desnecessárias, obsoletas ou realizadas sem o
consentimento da parturiente (Santos; De Melo; De Medeiros Taveira, 2023).
Adicionalmente, engloba agressões verbais, psicológicas e físicas,
desrespeitando os processos fisiológicos do parto e os direitos da mulher em
estado de vulnerabilidade, negligenciando suas necessidades físicas e
emocionais (Carniel; Da Silva Vital; De Souza, 2023).
Exemplos de violência obstétrica incluem a utilização de linguagem rude,
insultos, coerção, negação do direito a acompanhante durante o parto, recusa
de analgesia, administração de ocitocina sem indicação clínica, realização de
múltiplos exames vaginais sem consentimento e enemas durante o trabalho de
parto, entre outras práticas observadas tanto em serviços de saúde públicos
quanto privados (Melo et al., 2022).
A enfermagem tem progressivamente participado de movimentos em prol
da saúde da mulher, em colaboração com o movimento feminista, apoiando
iniciativas como o Programa de Humanização no Pré-natal e Nascimento. Em
resposta a essa atuação, o Ministério da Saúde (MS) estabeleceu portarias e
mecanismos que otimizam o desempenho do profissional de enfermagem na
atenção integral à saúde feminina. A atuação da enfermagem reconhece a
importância da humanização do período gravídico-puerperal e busca oferecer
assistência otimizada durante o parto, visando à ocorrência de um parto natural,
com o mínimo de intervenções e riscos significativos, o que é fundamental para
o bem-estar das parturientes (Nascimento et al., 2022).
Neste sentido, a questão norteadora da pesquisa é: como os enfermeiros
percebem o seu papel e como podem atuar na prevenção da violência obstétrica,
para que as gestantes se sintam seguras e protegidas? Por conseguinte, em
relação a essa problemática, tem-se como objetivo deste trabalho a identificação
e análise do papel do enfermeiro no enfrentamento da violência obstétrica.
Nesse contexto, a presente pesquisa se destaca pela relevância em
incentivar e promover a melhoria da qualidade do atendimento, fortalecer o
vínculo entre profissional e gestante e evidenciar estratégias de prevenção de
práticas abusivas, assegurando um cuidado mais humanizado. Ao elucidar a
importância das intervenções da enfermagem, esta pesquisa pode influenciar
políticas de saúde e programas de capacitação profissional, gerando benefícios
significativos para a saúde da mulher.

2 METODOLOGIA

Tratar-se-á de uma pesquisa qualitativa, de caráter exploratório realizada


pelas técnicas de pesquisa bibliográfica desenvolvendo o conhecimento a partir
de diversos tipos de publicações, como livros, artigos e sites acadêmicos (Toassi
e Petry, 2021). A revisão possibilitará conhecer o que já existentes sobre o
assunto e as diferentes formas de análise a serem realizadas.
Foram utilizadas as bases de dados virtuais como SCIELO (Scientific
Electronic Library Online), Portal CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal da Saúde) e Google Acadêmico, utilizando os seguintes descritores:
“enfermeiro”, “violência obstétrica” e “prevenção”. A escolha destas bibliotecas
virtuais deve-se ao fato de abrangerem uma coleção variada de periódicos
científicos com confiabilidade acadêmica. Além destas, também foi realizada
consulta a material impresso na biblioteca da própria faculdade para o
desenvolvimento deste trabalho.
Após a leitura criteriosa das fontes científicas, procedeu-se a organização
das informações na estrutura denominada Revisão de Literatura sempre
buscando mencionar as informações mais abrangentes antes das informações
mais específicas. Ao mesmo tempo percebe-se e interpreta as entrelinhas dos
assuntos abordados e montando-se a discussão acerca destas informações,
sempre tentando correlacionar com dados da atualidade, vincular matérias
acadêmicas ministradas durante o curso, fornece pontos de vista pessoais,
porém técnicos, enfim, mencionar todas as percepções do fenômeno estudado
de forma abrangente e impessoal possível.

3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

De acordo com o Manual sobre Saúde e Direitos Humanos do Ministério


da Saúde (2010), a saúde é um estado de bem-estar fundamental a todo ser
humano, sendo crucial para a garantia de outros direitos, como o de ter uma vida
digna. O direito à saúde é um direito fundamental de segunda dimensão,
integrado aos direitos sociais, e deve ser assegurado a todos. A sua violação
compromete a efetivação de diversas outras garantias.
Os direitos sexuais e reprodutivos foram estabelecidos na Conferência do
Cairo de 1994, um marco político na proteção dos direitos das mulheres. Essa
conferência foi decisiva para a definição desses direitos e para reforçar a
autonomia feminina sobre o próprio corpo. Conforme o relatório do evento, eles
foram definidos como "o direito de tomar decisões sobre a reprodução livre de
discriminação, coerção e violência" (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS,
1994).
Dessa forma, a violência obstétrica transgride diretamente os direitos
reprodutivos e sexuais das mulheres. Ela representa uma agressão ao corpo
físico, à autonomia e à dignidade feminina em um momento crucial da vida
reprodutiva.

3.1 Violência Obstétrica


A discussão sobre a violência obstétrica ganhou proeminência no início
do século XXI, impulsionada por movimentos feministas, produções artísticas e
documentários que evidenciaram a problemática. No final da década de 1980,
movimentos feministas brasileiros, por meio da obra "Espelho de Vênus",
descreveram o parto institucionalizado como uma experiência traumática e
violenta. Contudo, a questão foi negligenciada devido à resistência de
profissionais em reconhecerem o tratamento prestado como violência (Brandt et
al., 2018).
A violência obstétrica é definida como um conjunto de práticas abusivas,
desrespeitosas ou violentas direcionadas a mulheres durante a gravidez, parto,
pós-parto e aborto. Essa forma de violência pode manifestar-se nas modalidades
física, psicológica, verbal ou por negligência, constituindo uma violação dos
direitos humanos das mulheres (Silva et al., 2021).
O termo violência obstétrica tem sido utilizado desde o
reconhecimento dessa violação à mulher, sendo definido como
uma apropriação do corpo feminino e sua autonomia reprodutiva,
durante o processo pré-parto, parto e pós-parto, por profissionais
de saúde, expondo as mulheres a comportamentos
desumanizados, usam de procedimentos dolorosos ou
embaraçosos, bem como drogas desnecessárias, substituindo o
processo natural do nascimento em patológico e usando
atitudes abusivas em relação ao estado psicológico das mulheres
(Sousa et al, 2021).

As consequências da violência obstétrica podem ser severas, abrangendo


impactos físicos e emocionais para as mulheres, além de afetar negativamente
o vínculo mãe-bebê e a experiência do parto. É imperativo ressaltar o direito
fundamental de todas as mulheres a um atendimento de qualidade, respeitoso e
baseado em evidências científicas durante o ciclo gravídico-puerperal (Silva et
al., 2019).

3.2 Tipos de Violência obstétrica

A violência obstétrica compreende um conjunto de práticas abusivas que


se manifestam por meio de agressões verbais e físicas, violação do direito à
privacidade, cerceamento do direito à acompanhante, desrespeito à
confidencialidade, e tratamento discriminatório, comprometendo a qualidade da
assistência. Uma das condutas reconhecidas como agressão é o puxo dirigido,
que se refere à instrução de forçar a expulsão fetal, conforme descrito por Gomes
(2019).
Outras manifestações de violência obstétrica incluem a negativa de
tratamento durante o parto, a realização de práticas invasivas sem
consentimento da gestante, intervenções médicas forçadas, humilhação verbal,
tratamento grosseiro, e a desconsideração das necessidades e sintomas
apresentados. Preconceitos baseados em machismo, injúria racial, etnia, classe
socioeconômica ou sorologia para HIV também configuram violência, assim
como a negligência médica e quaisquer outras formas de agressão (ENKIN,
2020).
Adicionalmente, certos procedimentos que foram historicamente
naturalizados, mas que constituem violência, persistem e muitas vezes não são
percebidos pelas gestantes. Entre eles, destacam-se a realização de parto
cesáreo sem indicação clínica, a episiotomia (incisão cirúrgica no períneo para
ampliar o canal de parto durante o desprendimento fetal) e a manobra de
Kristeller (pressão externa sobre o abdome materno para auxiliar a expulsão do
bebê). É crucial ressaltar que a responsabilidade pela violência obstétrica não se
restringe aos profissionais de saúde, estendendo-se também às unidades
hospitalares e à gestão dos cuidados clínicos (ALMEIDA, 2019).

3.3 Direito à gestação e ao parto livre de violência

A legislação brasileira estabelece um conjunto de direitos para gestantes


e puérperas, visando garantir assistência integral e humanizada durante o ciclo
gravídico-puerperal. A Lei nº 9.263/96 assegura o direito a acompanhamento
especializado ao longo da gestação. Complementarmente, a Lei nº 11.634/07
determina que gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) têm o
direito de conhecer previamente e vincular-se à maternidade onde ocorrerá o
parto e onde serão atendidas em casos de intercorrências pré-natais.
Adicionalmente, a Lei nº 11.108/05 garante à parturiente o direito de ter
um acompanhante de sua escolha durante todo o período de trabalho de parto,
parto e pós-parto imediato, seja este o(a) companheiro(a) ou outra pessoa de
confiança. Após o nascimento, a mulher possui o direito de contato imediato com
o recém-nascido, incluindo a amamentação na primeira hora de vida, sendo
dever da instituição hospitalar ou maternidade garantir o alojamento conjunto
para mãe e bebê.
No âmbito das políticas públicas, destaca-se a criação da Rede Cegonha
em 2011, no SUS. Essa rede de cuidados visa assegurar o planejamento
reprodutivo e a atenção humanizada à gravidez, ao parto e ao puerpério para a
mulher, bem como garantir ao recém-nascido um nascimento seguro e um
desenvolvimento saudável (BRASIL, 2021).

4 ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO NA PREVENÇÃO DA


VIOLÊNCIAOBSTÉTRICA

A atuação do enfermeiro é crucial em diversos contextos da assistência à


saúde, e a violência obstétrica não é uma exceção. É fundamental reconhecer e
valorizar o papel desses profissionais na prevenção, identificação e intervenção
em casos de violência obstétrica, visando assegurar uma assistência
humanizada e livre de violações (BATISTAL et al., 2024).
Para combater a violência obstétrica, os enfermeiros podem empregar
diversas estratégias (MOURA et al., 2018):
 Educação e Orientação: Fornecer informações claras e acessíveis sobre
todos os procedimentos gestacionais, os riscos e benefícios envolvidos,
e a importância da participação ativa da gestante nas decisões.
 Escuta Ativa e Respeito à Autonomia: Ouvir a gestante atentamente e
respeitar suas escolhas, garantindo que ela seja protagonista de seu
próprio parto.
 Apoio e Acompanhamento: Permitir que a mulher tenha um
acompanhante de sua confiança durante o pré-natal e parto.
 Protagonismo Feminino: Empoderar a mulher para que compreenda e
exerça seus direitos sexuais e reprodutivos.
 Aperfeiçoamento Profissional: Investir em formação continuada para
promover a humanização desde o pré-natal até o parto.
O ensino em enfermagem deve focar na percepção do ser humano de
forma holística, considerando e respeitando as necessidades básicas da mulher
durante o parto, um evento que representa uma experiência única (MATOSO et
al., 2018).
As condutas do enfermeiro na assistência à saúde são de extrema
relevância no contexto da violência obstétrica. Por meio da prevenção,
identificação, intervenção e apoio às mulheres, esses profissionais
desempenham um papel fundamental na promoção de uma assistência
obstétrica respeitosa, digna e centrada na mulher (BATISTAL et al., 2022).
Valorizar e fortalecer a atuação do enfermeiro nesse campo é essencial para o
bem-estar e a saúde integral das mulheres.

4.1 O Papel do Conhecimento Compartilhado e da Educação em Saúde

O conhecimento compartilhado com a gestante durante as consultas de


pré-natal é crucial em todo o ciclo gravídico-puerperal (ASSUNÇÃO et al., 2019).
É fundamental que a gestante se sinta acolhida, segura e ouvida pelo enfermeiro,
recebendo orientações claras sobre os processos fisiológicos do pré-parto e os
procedimentos a serem realizados durante o parto e pós-parto.
A educação em saúde no pré-natal não apenas informa a gestante sobre
a gravidez, parto e pós-parto, mas também estimula e fortalece sua autonomia
e autoconfiança, ressaltando seu protagonismo e poder de escolha sobre os
procedimentos em seu corpo, o que pode minimizar práticas desnecessárias
(ANDRADE et al., 2017).
Para prevenir a violência obstétrica, é necessário que a equipe de
enfermagem incorpore boas práticas, incluindo o uso de vocabulário acessível
para descrever o quadro clínico e as intervenções, a minimização de práticas
desnecessárias, a adoção de medidas alternativas e não invasivas para alívio da
dor, a escuta ativa e a orientação sobre os direitos sexuais e reprodutivos. Um
atendimento integral e de qualidade depende também da preparação da equipe
multidisciplinar, abordando temas como humanização e ética, para que as
gestantes se sintam seguras e acolhidas (DA FONSECA et al., 2022).
O cuidado de enfermagem às vítimas de violência deve ser
meticulosamente planejado para promover segurança, acolhimento, respeito e a
satisfação das necessidades individuais. Refletir sobre esse planejamento,
embasado nos instrumentos básicos de enfermagem, nas políticas públicas de
saúde e na legislação vigente, é essencial para a prevenção de agravos
emocionais e físicos (MOURA et al., 2017).

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A violência obstétrica representa uma grave violação dos direitos


humanos das mulheres, manifestando-se por meio de práticas abusivas que vão
desde agressões verbais e físicas até intervenções desnecessárias e
desrespeito à autonomia da parturiente. Conforme abordado, essa problemática,
que ganhou proeminência com os movimentos feministas no início do século
XXI, compromete o bem-estar físico e emocional das mulheres e impacta
negativamente a experiência do parto e o vínculo materno-infantil.
Diante desse cenário, a presente pesquisa qualitativa e exploratória,
pautada em uma revisão bibliográfica abrangente, buscou identificar e analisar
o papel do enfermeiro no enfrentamento da violência obstétrica. Os resultados
demonstram que a atuação da enfermagem é crucial na prevenção, identificação
e intervenção nesses casos, promovendo uma assistência humanizada e livre
de violações.
Verificou-se que a educação em saúde no pré-natal, baseada no
conhecimento compartilhado e na escuta ativa, empodera a gestante, fortalece
sua autonomia e autoconfiança, e a capacita a exercer seus direitos sexuais e
reprodutivos. A valorização de um cuidado holístico e o investimento em
formação continuada para os enfermeiros são essenciais para a humanização
do ciclo gravídico-puerperal.
A legislação brasileira, com destaque para a Lei nº 9.263/96, Lei nº
11.634/07 e Lei nº 11.108/05, e políticas públicas como a Rede Cegonha,
estabelecem um arcabouço para a garantia dos direitos das gestantes e
puérperas. Contudo, a efetivação desses direitos depende diretamente da
conduta ética e humanizada dos profissionais de saúde, em especial os
enfermeiros, que estão na linha de frente do cuidado.
Conclui-se, portanto, que o enfermeiro desempenha um papel
insubstituível na promoção de uma assistência obstétrica respeitosa, digna e
centrada na mulher. A integração de boas práticas, a comunicação acessível, a
adoção de medidas não invasivas e o planejamento do cuidado pautado nas
necessidades individuais são pilares para a prevenção da violência obstétrica.
Fortalecer a atuação do enfermeiro nesse campo é imperativo para assegurar a
saúde integral e o bem-estar das mulheres, garantindo que a maternidade seja
uma experiência positiva e respeitosa.

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