A CIDADE QUE NÃO CONSTAVA NOS MAPAS
Dizem que, muito além das montanhas geladas de Orun, existe um deserto que não
aparece em mapas.
Um lugar tão distante que até o vento se perde.
No centro desse vazio, ficava Khar-Tuul, uma cidade antiga, abandonada há séculos… ou
pelo menos era o que todos acreditavam.
Os rumores começaram quando caravanas que passavam perto da região desapareceram
sem deixar rastro. Não havia sinais de luta, nem pegadas, nem vestígios. Apenas silêncio
— um silêncio tão profundo que machucava.
Foi aí que surgiu a lenda dos Sombras Rubras.
Um grupo misterioso, mascarado, sempre envolto em mantos escuros tingidos de vermelho.
Ninguém sabia quem eram, nem de onde vinham. Sussurravam que não eram homens,
mas ecos de algo que viveu ali antes, algo que o deserto engoliu.
Os Sombras Rubras não atacavam cidades.
Não saqueavam vilas.
Não pediam nada.
Eles apenas levavam pessoas.
E levavam sempre aqueles que carregavam segredos demais.
Um viajante sobrevivente — o único a retornar — contou que tentou fugir quando viu as
figuras surgirem entre dunas. Ele disse que elas não caminhavam. Deslizavam, como se o
chão cedesse por respeito ou medo.
Antes de perder a consciência, ele ouviu uma voz rouca sussurrar no ouvido dele:
“Nós somos o preço de quem guarda verdades demais.”
Quando acordou, estava quilômetros longe, sem saber como.
E atrás dele, na areia, havia apenas um símbolo marcado como queimadura: um círculo
incompleto, como um olho que nunca fecha.
Depois disso, ninguém mais ousou chegar perto de Khar-Tuul.
Mas de tempos em tempos… quando o deserto acorda… jura-se ouvir passos arrastando a
areia.
Não de alguém se aproximando.
Mas de algo que observa, esperando o próximo a carregar um segredo pesado demais.