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Extensão Rural: Módulo de Desenvolvimento Agrário

O documento é um manual para a disciplina de Extensão Rural do curso de Licenciatura em Desenvolvimento Agrário da Universidade Aberta ISCED, destinado a estudantes do 2º ano. Ele abrange diversos temas relacionados à extensão rural, incluindo fundamentos, planejamento, comunicação e desafios do setor, com o objetivo de capacitar os alunos a aplicar técnicas de extensão na atividade agrária. O manual também fornece orientações sobre métodos de estudo e avaliação, além de recursos adicionais disponíveis para os alunos.
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Extensão Rural: Módulo de Desenvolvimento Agrário

O documento é um manual para a disciplina de Extensão Rural do curso de Licenciatura em Desenvolvimento Agrário da Universidade Aberta ISCED, destinado a estudantes do 2º ano. Ele abrange diversos temas relacionados à extensão rural, incluindo fundamentos, planejamento, comunicação e desafios do setor, com o objetivo de capacitar os alunos a aplicar técnicas de extensão na atividade agrária. O manual também fornece orientações sobre métodos de estudo e avaliação, além de recursos adicionais disponíveis para os alunos.
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LICENCIATURA EM DESENVOLVIMENTO

AGRÁRIO
MÓDULO DE EXTENSÃO RURAL

2º Ano
Disciplina: Extensão Rural
Código:
Total Horas/1o Semestre: 125
Créditos (SNATCA):
Número de Temas: 6

INSTITUTO SUPER

UNIVERSIDADE ABERTA- ISCED


ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Direitos de autor (copyright)

Este manual é propriedade da Universidade Aberta ISCED, e contém reservados todos


os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob
quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação,
fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade
Aberta ISCED.

A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos


judiciais em vigor no País.

UNIVERSIDADE ABERTA ISCED- UnISCED


Vice-reitoria Académica
Rua Paiva Couceiro, No 179, Talhão 123, Beira-Macuti
Beira - Moçambique
Cel: +258 82 3109525/ 847322199/ 862711975
E-mail: isced@[Link]
Website: [Link]

i
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Agradecimentos

O Universidade Aberta ISCED agradece a colaboração dos seguintes indivíduos e


instituições na elaboração deste manual:

Autor Plínio Fonseca e Cremildo Mubate


Direcção Académica
Coordenação
Universidade Aberta ISCED
Design
Instituto Africano de Promoção da Educação a Distância
Financiamento e Logística
(IAPED)
Revisão Científica e
Leopoldina Solange Pimentel
Linguística
2022
Ano de Publicação
UnISCED – BEIRA
Local de Publicação

ii
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Índice

Visão geral 1
Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Extensão Rural .................................................. 1
Objectivos do Módulo .................................................................................................... 1
Quem deveria estudar este módulo ............................................................................ 2
Como está estruturado este módulo .......................................................................... 2
Ícones de actividade ...................................................................................................... 3
Habilidades de estudo ................................................................................................... 4
Precisa de apoio?............................................................................................................ 6
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ......................................................................... 6
Avaliação ......................................................................................................................... 7
Carga horaria .................................................................................................................. 8

TEMA – 1: FUNDAMENTO DA EXTENSÃO RURAL 9


UNIDADE TEMÁTICA 1.1. Introdução e Quadro Conceptual em torno do
conceito de Extensão Rural .......................................................................................... 9
Introdução ....................................................................................................................... 9
Sumário .......................................................................................................................... 13
Autoavaliação ............................................................................................................... 13
Exercícios....................................................................................................................... 14
Referências Bibliográficas .......................................................................................... 14
UNIDADE TEMÁTICA 1.2. Importância da Extensão no processo de
desenvolvimento Rural ................................................................................................ 16
Introdução ..................................................................................................................... 16
Sumário .......................................................................................................................... 19
Auto – avaliação ........................................................................................................... 19
Exercícios....................................................................................................................... 20
UNIDADE TEMÁTICA 1.3 Princípios Básicos da Extensão ........................................ 21
Introdução ..................................................................................................................... 21
Sumário .......................................................................................................................... 25
Auto – avaliação ........................................................................................................... 25
Exercícios....................................................................................................................... 26
UNIDADE TEMÁTICA 1.4 Modelos alternativos, Abordagens de Extensão Rural e
tendências actuais na organização da extensão rural........................................... 27
Introdução ..................................................................................................................... 27
Sumário .......................................................................................................................... 40
Auto – avaliação ........................................................................................................... 41
Exercícios....................................................................................................................... 41

TEMA – 2: PLANIFICAÇÃO DA EXTENSÃO AGRÁRIA E O PROCESSO DE MONITORIA E


AVALIAÇÃO 43
UNIDADE TEMÁTICA 2.1. Introdução ......................................................................... 43
Introdução ..................................................................................................................... 43
Sumário .......................................................................................................................... 50

iii
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 3: COMUNICAÇÃO PARA EXTENSÃO AGRÁRIA 52


Introdução ..................................................................................................................... 52
Sumário .......................................................................................................................... 58
Sumário .......................................................................................................................... 70

TEMA – 5: DESENVOLVIMENTOS E DESAFIOS DA EXTENSÃO RURAL 73


UNIDADE TEMÁTICA 5.1. Desafios de extensão Rural e o Papel do Extensionista
........................................................................................................................................ 73
Introdução ..................................................................................................................... 73

TEMA – 6: FERRAMENTAS DOS EXTENSIONISTAS 80


UNIDADE TEMÁTICA 5.1. Introdução ......................................................................... 80

iv
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Visão geral

Bem-vindo à Disciplina/Módulo de Extensão


Rural

A disciplina de Extensão Rural é um processo cooperativo,


baseado em princípios educacionais, que tem por finalidade
levar, diretamente, aos adultos e jovens do meio rural,
ensinamentos sobre a agricultura, pecuária e economia
doméstica, visando modificar hábitos e atitudes da família,
nos aspectos técnico, econômico e social. Tendo em
referência os resultados do IV recenseamento geral da
população e habitação de 2017, coordenado pelo Instituto
Nacional de Estatística (INE), 66,4% da população
moçambicana reside nas zonas rurais, enquanto 33,4%
habita nas áreas urbanas. Estes dados tornam relevante as
acções que visam promover o desenvolvimento rural, o que
também reforça a importância do estudo da extensão rural.

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de extensão Rural,


deverá ser capaz de: compreender, identificar e aplicar
ferramentas e técnica de Extensão Rural na actividade
agrária.

Os graduados devem ser capazes de:


• Definir os conceitos básicos da Extensão Rural,
origem, modelos e formas de intervenção;
• Descrever as etapas de planificação do processo de
Objectivos
extensão, o acompanhamento, monitoria e avaliação
Específicos
dos resultados periódicos e finais;
• Descrever como a comunicação para extensão
acontece;
• Identificar e descrever os principais métodos de
Extensão Rural;
• Identificar os principais desenvolvimentos e desafios
do sector da extensão rural em Moçambique.

1
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Quem deveria estudar este módulo

Este Módulo foi concebido para estudantes do 2º ano do curso


de Desenvolvimento Agrário do ISCED e outros como
Agronegócio. Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores que
queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa
disciplina, esses serão bem-vindos, não sendo necessário
para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual.

Como está estruturado este módulo

Este módulo de Extensão Rural, para estudantes do 2º ano do


curso de licenciatura em Desenvolvimento Agrário, à
semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado como
se segue:
Páginas introdutórias

▪ Um índice completo.
▪ Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo,
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer
para melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia
esta secção com atenção antes de começar o seu estudo,
como componente de habilidades de estudos.
Conteúdo desta Disciplina / módulo

Este módulo está estruturado em temas. Cada tema, por sua


vez comporta certo número de unidades temáticas ou
simplesmente unidades. Cada unidade temática se
caracteriza por conter uma introdução, objectivos,
conteúdos.
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação,
só depois é que aparecem os exercícios de avaliação.
Os exercícios de avaliação têm as seguintes características:
exercícios teóricos e práticos, problemas não resolvidos e
actividades práticas, incluindo estudo de caso.

Outros recursos

2
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando


em si, num cantinho, recôndito deste nosso vasto
Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu processo
de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos didácticos
adicionais ao seu módulo para você explorar. Para tal o ISCED
disponibiliza na biblioteca do seu centro de recursos mais
material de estudos relacionado com o seu curso como:
Livros e/ou módulos, CD, CD-ROOM, DVD. Para além deste
material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode
ter acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais
ainda as possibilidades dos seus estudos.

Auto-avaliação e Tarefas de avaliação

Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se


no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas
dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas
características: primeiro apresentam exercícios resolvidos
com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas
respostas.
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-
avaliação, mas sem mostrar os passos e devem obedecer o
grau crescente de dificuldades do processo de aprendizagem,
umas a seguir a outras. Parte das tarefas de avaliação será
objecto dos trabalhos de campo a serem entregues aos
tutores/docentes para efeitos de correcção e
subsequentemente nota. Também constará do exame do fim
do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os
exercícios de avaliação é uma grande vantagem.
Comentários e sugestões

Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre


determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de
natureza didáctico-Pedagógica, etc., sobre como deveriam
ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas
observações que, em gozo de confiança, classificamo-las de
úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas


margens das folhas. Estes ícones servem para identificar
diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem
indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade
ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

3
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a


aprender. Aprender aprende-se.

Durante a formação e desenvolvimento de competências,


para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados,
implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é,
os bons resultados apenas se conseguem com estratégias
eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde
e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as
quais esperamos que caro estudante possa rentabilizar o
tempo dedicado aos estudos, procedendo como se segue:

1º praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio


de leitura.

2º fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).

3º voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e


assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR).

4º fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a


sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o
padrão.

5º fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades


práticas ou as de estudo de caso se existirem.

IMPORTANTE: em observância ao triângulo modo-espaço-


tempo, respectivamente como, onde e quando...estudar,
como foi referido no início deste item, antes de organizar os
seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo
que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de
manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana? Estudo
melhor com música/num sítio sossegado/num sítio
barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em
cada hora, etc.

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido


estudado durante um determinado período de tempo; deve
estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só
ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior.

4
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que


puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a
melhor opção é juntar o útil ao agradável: saber com
profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo.

Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente


por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma
hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de
descanso (chama-se descanso à mudança de actividades). Ou
seja, que durante o intervalo não se continuar a tratar dos
mesmos assuntos das actividades obrigatórias.

Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual


obrigatório pode conduzir ao efeito contrário: baixar o
rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula
um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em
pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos,
perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda
tanto, mas não aprende, cai em insegurança, depressão e
desespero, por se achar injustamente incapaz!

Não estude na última da hora; quando se trate de fazer


alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele
que estuda sistematicamente), não estudar apenas para
responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude
para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade
como futuro profissional, na área em que está a se formar.

Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e


que matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo
livre que resta, deve decidir como o utilizar produtivamente,
decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras
actividades.

É importante identificar as ideias principais de um texto, pois


será uma necessidade para o estudo das diversas matérias
que compõem o curso: A colocação de notas nas margens
pode ajudar a estruturar a matéria de modo que seja mais
fácil identificar as partes que está a estudar e Pode escrever
conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes,
pode também utilizar a margem para colocar comentários
seus relacionados com o que está a ler; a melhor altura para
sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do texto
e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário

5
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

sempre que surja um conceito cujo significado não conhece


ou não lhe é familiar;

Precisa de apoio?

Caro estudante temos a certeza que por uma ou por outra


razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar
algumas dúvidas como falta de clareza, alguns erros de
concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza,
fraca visibilidade, página trocada ou invertidas, etc.). Nestes
casos, contacte os serviços de atendimento e apoio ao
estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, SMS,
E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta
participando a preocupação.
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a
sua aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância
da comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso
as TIC se tornam incontornável: entre estudantes, estudante
– Tutor, estudante – CR, etc.
As sessões presenciais são um momento em que você caro
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com
staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central
do ISCED indigitada para acompanhar as suas sessões
presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar
assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativa.
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de
30% do tempo de estudos a distância, é muita importância,
na medida em que lhe permite situar, em termos do grau de
aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta maneira
ficará a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos
colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos
relacionados com os conteúdos programáticos, constantes
nos diferentes temas e unidade temática, no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios,


actividades e auto−avaliação), contudo nem todas deverão
ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As
tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões
presenciais seguintes.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o
não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não
classificação do estudante. Tenha sempre presente que a nota

6
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser admitido


ao exame final da disciplina/módulo.
Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR)
e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de
pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente
referenciados, respeitando os direitos do autor.
O plágio1 é uma violação do direito intelectual do(s)
autor(es). Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras
do testo de um autor, sem o citar é considerado plágio. A
honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos
autorais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu
autor (estudante do ISCED).

Avaliação

Muitos perguntam: como é possível avaliar estudantes à


distância, estando eles fisicamente separados e muito
distantes do docente/tutor! Nós dissemos: sim é muito
possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente.
Você será avaliado durante os estudos à distância que contam
com um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de
estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de
contacto presencial conta com um máximo de 10% do total de
tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada
do regulamentado de avaliação.
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de
frequência para ir aos exames.
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou
modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os exames
pesam no mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de
frequência, determinam a nota final com a qual o estudante
conclui a cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da
cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois)
trabalhos e 1 (um) exame.
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão
utilizados como ferramentas de avaliação formativa.

1
Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária,
propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.

7
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter


em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau
de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as
recomendações, a identificação das referências bibliográficas
utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação constam do
Regulamento de Avaliação.

Carga horaria

Tema Horas de Estudo autónomo Total


contacto T TP TC E PL AP TEA
(Chats
e TG)
Fundamento da 2 10 4 5 2 26 28
Extensão Rural
Planificação da 2 10 4 5 2 26 28
Extensão Agrária e o
processo de Monitoria
e Avaliação
Comunicação para 1 10 2 3 2 20 21
extensão Agrária
Métodos de Extensão 2 5 4 5 2 21 23

Desenvolvimentos e 1 10 2 4 2 22 23
desafios da extensão
rural
Ferramentas dos 2 10 3 5 2 25 27
extensionistas
TOTAL 10 55 19 27 12 140 150

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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 1: FUNDAMENTO DA EXTENSÃO RURAL


Unidade Temática 1.1. Introdução e quadro conceptual em
torno da extensão rural.
Unidade Temática 1.2. Importância da Extensão no processo de
desenvolvimento Rural
Unidade Temática 1.3. Princípios básicos da extensão
Unidade Temática 1.4. Modelos alternativos e tendências
actuais na organização da extensão rural
Unidade Temática 1.5. Abordagens de Extensão Rural

UNIDADE TEMÁTICA 1.1. Introdução e Quadro Conceptual em torno do


conceito de Extensão Rural

Introdução

Ao procurarmos descortinar aspectos relativos aos fundamentos


da extensão rural torna-se imprescindível ter como elemento de
partida o nosso conceito de extensão rural. Os objectivos
académicos do modulo de Extensão Rural remete-nos a um
conceito meramente abrangente o que torna importante
identificar a diversidade dos seus fundamentos.

Um crescente debate vem surgindo sobre a diferenciação entre


a “Extensão Agrária e a Extensão Rural”. Nesta proposta de
distinção parte-se do suposto de que enquanto a extensão
agrícola trata essencialmente de aspectos relacionados à
eficiência técnica e económica dos processos de produção
agropecuária, a “Extensão Rural” integra-se à diversidade das
intervenções orientadas à promoção de maior sustentabilidade,
dinamismo econômico e equidade social no meio rural.

Portanto, olhamos a Extensão Rural como um processo educativo


que tem como finalidade a transmissão de informações úteis a
população, ajudando-a a aprender como utilizá-la para melhorar
os seus processos produtivos e consequentemente a sua vida, das
suas famílias e das suas comunidades. Por ser um processo de
transmissão de conhecimentos a extensão rural pode ser
organizada em diferentes formas, dai a necessidade de
existência de diferentes modelos de extensão, pés embora esses
modelos ou abordagens de extensão possam apresentar
similaridades que analisaremos no decorrer deste módulo.

9
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

• Explicar resumidamente o que é Extensão Rural;

• Situar a extensão rural numa perspectiva fulcral com uma


Objectivos componente institucional necessária para o desenvolvimento da
específicos
agricultura no geral.

• Descrever os princípios gerais da extensão rural e a sua aplicabilidade.

Não se pretendem discutir, aqui, conceitos. Mas, estabelecê-los


para uso neste manual, atualizando-os e renovando-os, à luz de
muitos já estudados e utilizados em torno da extensão rural:

Pedagogia – ciência que é utilizada para a melhoria no processo


de aprendizagem dos indivíduos, através da reflexão,
sistematização e produção de conhecimentos. E por outro lado a
andragogia – ciência utilizada na educação formal de adultos
por meio de uma relação horizontal entre facilitador e
alunos/as, utilizando a motivação e a experiência anterior de
cada um, oferecida, analisada, discutida e somada à sua própria,
no processo de aprendizagem.

Portanto, de acordo com Silva Filho (2010), a Andragogia tem


outras premissas e orientações que não podem ser ignoradas ao
se pretender fazer educação ou ensino de adultos. Em situações
de aprendizagem, os adultos diferenciam-se de crianças e
adolescentes, principalmente em relação ao auto-conceito,
experiência, prontidão, perspectiva temporal e orientação de
aprendizagem.

Outrossim, Freire (1991) citado por IAP (2013), vale ressaltar o


cuidado que se deverá ter na forma de se comunicar, por meio
do uso adequado deste determinado método.

O extensionista é um educador e este processo de educação se


dá de maneira informal, onde todos os métodos de extensão são
as ferramentas para a comunicação entre as pessoas. A
comunicação há de ser “conscientizadora, participativa e
dialógica, e é dentro deste contexto que se desenvolve o
processo educativo” (FREIRE, 1991). Segundo França (1993)
citado por IAP (2013), os métodos de extensão rural, também,
podem ser referidos como métodos de comunicação e, na
extensão
10
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

rural, muitas vezes são confundidos com meios de comunicação.


Embora ele considere os métodos e os meios como coisa distinta
é importante que haja melhor conhecimento sobre cada um
deles para a condução dos trabalhos de extensão rural. O autor
acima chama a atenção para que seja sempre lembrado que os
métodos e os meios, embora interdependente, devem ser
sempre combinados, entre si, de acordo com cada caso.

Chama-se, também, a atenção do uso de metodologia


participativas no processo de extensão rural. Deste modo,
Metodologia Participativa – entendida como estudo, classificação
e sistematização de métodos construtivistas do conhecimento,
fundamentada no diálogo, na troca de saberes, no planeamento
e na gestão social. De acordo com Sambo (2003), a metodologia
participativa em extensão rural – deve ser compreendida como
um processo de acomodação e adaptação de métodos de ensino
no processo educativo de assistência técnica e extensão rural,
respaldada nos princípios da participação, diálogo, respeito aos
saberes pré-existentes, exercício da cidadania e inclusão social.

Extensão – é um processo de educação informal através do qual


extensionistas ensinam/educam com vista a melhorar a
produtividade e produção agrárias. Porém Nhancale (2011),
define extensão como sendo um processo continuo de
transmissão de informações úteis a população e sucessivamente
de assistência a esta mesma população na aquisição de
conhecimentos, capacidades e actividades necessárias para
utilizar eficazmente essa informação ou essa tecnologia (a
dimensão educativa).

O significado do conceito extensão rural pode ser diferente de


pessoa para pessoa, apesar das diferentes interpretações
existem aspectos em comuns nas diferentes concepçoes que
serão realçadas com a finalidade de melhor abordar a sua
construção conceptual.

Deste modo, a FAO (1991), define a extensão rural como sendo


um processo contínuo de transmissão de informações úteis à
população (dimensão comunicativa) e sucessivamente de
assistência a esta mesma população na aquisição de
conhecimentos, capacidades e atitudes necessárias para utilizar
eficazmente essa informação ou tecnologia (dimensão
educativa).

11
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Sumariamente, é missão dos serviços de extensão, permitir que


os produtores utilizem as suas capacidades, conhecimentos e
informação para melhorar o seu nível de vida. Podendo ser
utilizado quer pelo sector público e/ou privado, embora em
Moçambique maior parte dos serviços de extensão rural são
pertencentes ao sector público/estado.

Actualmente, os serviços de extensão rural em Moçambique são


utilizados com eficácia em projectos agrícolas especificamente
em transmissão de tecnologias para melhorar as capacidades
produtivas e de acesso ao mercado, tanto para aquisição de
insumos como para comercialização de excedentes de produção.
Em suma a extensão, pode ser utilizada em diferentes contextos
e por diferentes organizações para transmitir mensagens
diferentes a diferentes grupos de pessoas ou agregados
familiares.

De acordo com Maunder (1973) citado por FAO (1991), a


expressão extensão rural restringe o âmbito e define a áreas de
aplicação do processo de extensão. Assim sendo, a extensão
rural para Maunder (1973) é um serviço ou um sistema de ajuda
a população rural, através dos processos educativos, a melhorar
os métodos e as técnicas agrícolas, a aumentar a eficiência da
produção, e as receitas, a melhorar os seus níveis de vida e a
elevar os seus padrões sociais e culturais de vida rural.

Em Moçambique a extensão rural é equiparada ao processo de


transferência de tecnologias, mas isso é limitado, visto que o
processo de extensão rural vai mais além, abarcando aspectos
como fornecimento de factores de produção (insumos e
mecanização) e prestação de outros serviços agrícolas. Porém, a
extensão deve no final desenvolver capacidades aos produtores
que lhes permita tomar decisões, pois, a nova tecnologia de
produção, comercialização etc., traz consigo uma tremenda
exigência destas qualidades.

A extensão rural deve auxiliar aos produtores no


desenvolvimento de qualidades de direção e organização, para
que possa organizar-se melhor, intervir e/ou participar em mais
cooperativas, sociedades de crédito e outras de ajuda mútua de
forma aqui esses participem no processo de desenvolvimento das
suas comunidades.

12
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Embora o termo extensão rural seja uma parte essencial e


fundamental no processo de transferência de tecnologia (dando
a conhecer aos produtores a tecnologia rural avançada e o modo
de utilizá-la), os dois conceitos não são sinónimos.

Objectivos da Extensão Rural

De acordo com o Nhancale (2011), se pode destacar como


principal objectivo da extensão é o desenvolvimento da
população. Mas importa referir e afunilar na especificidade as
funções da extensão, perpassam por ajudar a população a
descobrir e analisar os seus problemas, suas necessidades
sentidas e não sentidas. Neste processo de ensino e
aprendizagem, interessa compreender as seguintes funções da
extensão:

• Desenvolver a liderança entre a população e ajudá-la na


organização de grupos para resolver os seus problemas;
• Disseminar informação baseada na investigação e/ou
experiência prática, de tal maneira que a população
aceitaria e a poderia por em prática;
• Manter, de tempo a tempo os investigadores informados
dos problemas dos produtores para que eles possam
oferecer soluções baseadas na investigação necessária;
• Contribuir para a segurança alimentar e aumento de renda
familiar;
• Promover agricultura sustentável;
• Influenciar a mudança de atitudes;
• Induzir o desenvolvimento; e,
• Incrementar a qualidade de vida no meio rural.

Sumário

Nesta Unidade temática 1. estudamos e discutimos


fundamentalmente sobre os conceitos básicos em torno da
extensão rural e o seu carácter educativo enquanto um meio de
transmissão de informação e aprendizagem. De forma clara,
buscou-se perceber que contributos se esperam da extensão
rural na dinamização do desenvolvimento rural.

Auto-avaliação

1. Qual a á diferença existente entre a extensão e extensão


rural?

13
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

2. De que forma se dá o processo educativo facilitado pelo


extensionista?
3. Em que contexto se desenvolve esse processo educativo?
4. Que outra denominação podemos dar aos métodos de
extensão?

Exercícios

1. Defina a andragogia e sua aplicabilidade em extensão


rural?
2. Diferencie a andragogia da pedagogia?
3. Quando é que a comunicação é considerada
consciencializadora em extensão rural?
4. De que forma se dá o processo de comunicação em
extensão rural?
5. Qual é a importância do uso de metodologia participativas
em extensão rural?
6. Em Moçambique a extensão rural é equiparada ao
processo de transferência de tecnologias, mas isso é
limitado. Comente a afirmação.

Referências Bibliográficas

FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.


Roma. Disponível em:
[Link]
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IAP (2013). Manual de Metodologia de Extensão Rural. Recife,


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Nhancale, I. T (2011). Conceitos Básicos sobre extensão rural


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Nacional de Extensão Agrária. Maputo – Moçambique.

FRANÇA, A. P. (1993). Metodologia de extensão rural:


caracterização e uso adequado. Recife: EMATER-PE/DECOM.

FREIRE, P. (s/d). Educação e mudança. Rio de Janeiro: Paz


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FREIRE, P. Guia de metodologia de extensão rural. Rio de

Janeiro: EMATER-RJ, 1996. 34p.

14
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

FREIRE, P. Manual de metodologia de extensão rural. Rio de

Janeiro: EMATER-RJ, 1991. 174p.

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algumas questões essenciais. Natal: EMATER-RN, 2010. 116p.

VERDEJO, M. E. Diagnóstico rural participativo: guia prático.

Brasília: MDA-Secretaria de Agricultura Familiar, 2006. 61p.

XIMENES, S. Minidicionário da língua portuguesa. 2. ed. rev e

atual. São Paulo: Ediouro, 2000. 787p.

Maunder, A. H. (1973). Agricultural extension: A reference


manual. (abridged edition). Rome: Food and Agriculture
Organization of United Nations.

15
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

UNIDADE TEMÁTICA 1.2. Importância da Extensão no processo de


desenvolvimento Rural

Introdução

A extensão rural é uma actividade de grande importância para o


desenvolvimento rural no mundo todo, principalmente dos países
que almejam um crescimento económico significativo, como é o
caso de Moçambique.

Apesar dos inúmeros constrangimentos no que concerne a


implementação de políticas e estratégias clara de extensão rural
atuantes que visem a inserção de novos trabalhos desta natureza
o contexto moçambicano demonstra grande apresse por aqueles
que vivem desta actividade que interliga a função no contexto
rural aos interesses de toda uma sociedade, sendo, portanto
necessário uma abordagem mais profunda acerca da importância
da extensão na dinamização dos problemas actuais.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

▪ Descrever os processos inerentes a extensão rural;


▪ Compreender o contributo da extensa rural para o processo de
desenvolvimento rural;
Objectivos ▪ Analisar o papel do extensionista no processo de desenvolvimento
específicos rural;
▪ Aplicar os conhecimentos de extensão rural no processo de
desenvolvimento rural.

O desenvolvimento deve implicar um processo de transformação


no uso de tecnologias de produção tradicionais para outras
cientificamente modernas que incluem novas componentes
tecnológicas, tais como insumos melhorados, práticas agrícolas
adaptadas e resilientes ao clima, fertilizantes/pesticidas
quimicamente adaptados as características genéticas das plantas
e composição química dos solos em que são cultivadas as
culturas.

De acordo com a FAO (1991), para que o agricultor assuma e


adoptem essas novas técnicas de produção com êxito, eles
precisam
16
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

primeiro de conhece-las e aprender a utilizá-las correctamente


no seu sistema de produção/cultivo. Uma simples, como a
adoção de uma nova variedade, pode requer uma pequena
contribuição da extensão. Contudo, para tal mudança ocorra
pode implicar uma variação do período de sementeira, uma
maior densidade da população vegetal, um maior consumo de
fertilizantes ou uso de pesticidas, os agricultores terão muito
que aprender para adotar uma nova tecnologia com sucesso.
Uma vez iniciado o processo de transmissão de novas
tecnologias, a expectativa é que esse seja o primeiro passo rumo
a sistemas agrícolas de produção mais intensivos e produtivos.
Portanto, a função da extensão rural, independentemente de
como é exercida, deve ser considerada como uma componente
importante no processo de desenvolvimento rural.

É importante ressaltar que não se podem esperar resultados


somente positivos do processo de extensão, sendo que os
resultados podem variar de acordo com os objectivos, do tipo de
beneficiários e do critério de avaliação dos resultados. A
extensão é também criticada em não ser eficaz em persuadir os
produtores a adoptar recomendações, quando na realidade, a
tecnologia proposta pode ser inadequada a determinadas
tecnologias propostas. Outrossim, a extensão tem sido ineficaz
em certas situações devido a ineficiência de recursos, deficiente
formação do pessoal do campo, problemas de mobilidade,
escassez de recursos didácticos ou atribuição ao pessoal de
campo de excessivas responsabilidades alheias a extensão, o que
pode gerar conflitos de competência.

Para FAO (1991), a extensão rural tem como função essencial o


desenvolvimento rural, os agricultores não podem adoptar com
êxito uma nova técnica, a não ser que conheçam a sua existência
e aprendam como incorporá-las no sistema produtivo vigente.
Nos casos em que o conceito de extensão rural, tem sido aplicado

17
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

de maneira inadequada, resultando num aumento das


desigualdades entre ricos e pobres, homens e mulheres, jovens
e anciãos as consequências são lamentáveis. Portanto FAO
(2001), adverte que é importante e essencial diferenciar o
conceito de extensão em si, da tecnologia inadequada que pode
ter sido difundida, ou dos objectivos inadequados que tenham
sido propostos, intencionalmente ou não.

Evolução histórica da Extensão Rural

As raízes históricas da extensão rural remontam ao


Renascimento, quando surgiu um movimento pela ligação da
educação as necessidades da vida humana e a aplicação da
ciência as necessidades práticas. As primeiras publicações sobre
agricultura nos seculos XVII e XVIII na Europa principalmente na
França aonde foram estimuladas muitas publicações na área da
agricultura conhecidas por A Enciclopédias (1751 – 1770), na Grã-
Bretanha e até o ano de 1800 perto de 200 autores tinham escrito
obras sobre a agricultura.

A evolução da extensão rural em países do terceiro mundo tais


como Moçambique foi em grande medida um fenómeno pós-
independência, e ocorreu depois de Segunda Guerra Mundial. A
introdução de organizações de extensão rural em países
africanos deu-se um pouco mais tarde, tendo a maioria destes
serviços sido criados entre os anos 60 e 70 (Swanson e Rassi,
1981). Na maior parte destes países, a criação de organizações
de extensão rural foi realizada através de assistência externa,
particularmente da parte dos Estados Unidos de América. A falta
de uma procura local ou popular para os serviços de extensão
tem sido característica da maioria dos países do terceiro mundo:
esta é provavelmente a maior diferença entre a experiência
americana e europeia. Associado a isso, poucos países africanos
possuíam na altura das suas independências, universidades ou
escolas agrícolas, em quase todos eles, a extensão foi atribuída
ao Ministério da Agricultura e não uma escola agrícola como é o
caso dos Estados Unidos da América. Importa aqui referenciar
que as actividades do extensionista em muitos países africanos
foram iniciados em anos anteriores, aonde tais actividades
estiveram associadas a esquemas de produção de produtos
orientadas para o mercado.

18
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

De acordo com FAO (1991), as administrações coloniais


promoviam actividades de investigação e extensão rural para
cadeias como cana de açúcar, borracha, palmeira de óleo
(coqueiro), amendoim e chá, pois a sua produção estava virada
para exportação. Em muitos países africanos ainda existe este
tipo de projectos de aumento da produção agrícola para o
mercado. Ainda se denota nos países africanos uma grande
escassez de pessoal qualificado em agricultura. Portanto,
quando foram criadas as organizações de extensão rural, eram
muitas das vezes nomeados funcionários ministeriais para
trabalhar nas zonas rurais, e estes acabam ficando envolvidos em
actividades administrativas e de controlo, para além das suas
actividades alegadamente de extensão rural. Além disso muitos
países havia pouca tecnologia agrícola para difundir pelo serviço
de extensão, pois não existia um sistema operacional e produtivo
de investigação agrícola.

Sumário

Nesta Unidade temática 1.2 estudamos e discutimos


fundamentalmente sobre a evolução da extensão rural em países
do Terceiro Mundo, tal caso de Moçambique e os respectivos
desafios que os serviços de extensão podem advir tendo em
conta os contextos actuais. Ademais fizemos um rescaldo do
processo histórico através do qual os serviços de extensão rural
tiveram origem em Moçambique e o respetivo âmbito de
actuação dos mesmos.

Auto – avaliação

1. Para a FAO, que elementos são fulcrais para o agricultor


adopte uma técnica ou prática?
2. Como a extensão rural pode alavancar o processo de
desenvolvimento rural?
3. Pode acontecer o desenvolvimento rural, sem que a
extensão esteja a funcionar em pleno?
4. De que forma o agricultor depende dos serviços de
extensão rural?
5. Que relação existe entre a introdução de novas
tecnologias agrárias e a extensão rural?

19
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Exercícios

1. Que factores implicam o desenvolvimento rural?


2. Por que é que a extensão rural tem como função essencial
o desenvolvimento rural?
3. Por que é que é importante diferenciar o conceito de
extensão e da tecnologia difundida?
4. A extensão rural é criticada por pressionar os produtores
a adoptarem tecnologias inadequadas em alguns casos.
Comente.
5. Que componentes devem ser consideradas no processo de
desenvolvimento rural?
Referências Bibliográficas
FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.
Roma. Disponível em:
[Link]
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Rogers, E. (1983). Diffusion of innovations. 3rd ed. New York:


The Free Press.

Holdcroft, L. F. (1982). The rise and fall of community


development in developing countries, 1950-1965: A critical
analysis and implications. In G. E. Jones & M. J. Rolls (Eds),
Progress in rural extension and community development. Vol
1, Extension and relative advantage in rural development.
Beneor, D & Harrison, J. Q. (1977). *9+0][POUYGFVCXZ

Agricultural extension: The training and visit system.


Washington D. C.: The World Bank.

Maunder, A. H. (1973). Agricultural extension: A reference


manual. (abridged edition). Rome: Food and Agriculture
Organization of United Nations.

20
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

UNIDADE TEMÁTICA 1.3 Princípios Básicos da Extensão

Introdução

A extensão é uma actividade meramente de caracter educativo


em que a mensagem que se pretende transmitir deve estar clara
e adequada as características físicas e psíquicas de quem
queremos que receba a mensagem. Portanto, para que esse
processo seja efetivado e tenha resultados desejados existem
princípios e diretrizes que devem ser seguidos pelos
intervenientes do processo de extensão rural.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

• Identificar os princípios orientadores da actividade de extensão


rural;
• Compreender a sua relevância e aplicabilidade na prática;
Objectivos
específicos

De acordo com Nhancale (2011), podemos destacar sete (7)


princípios básicos da extensão rural descritos abaixo:

• A extensão trabalha com as pessoas e não para as pessoas


(apresenta factos, fornece informação, possíveis soluções e
encoraja a tomada de decisão);

• A extensão satisfaz as necessidades dos produtores e da


organização (segue políticas da organização e satisfaz as
necessidades do grupo-alvo);

• A extensão é o elo de ligação (apta tando para receber como


para dar, fazendo a ponte entre a investigação e o
investigador);

• A extensão coopera com outros parceiros (fornece


informações sobre outros serviços ajudando ao produtor a
tomar decisões acertadas. Deve a extensão trabalhar com
outras organizações que prestem serviços essenciais aos
agricultores e as suas famílias);

• A extensão é um sistema integrado de desenvolvimento


(trabalha com todos os problemas existentes na comunidade,
sem destacar a saúde, a educação, a agropecuária ou a

21
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

juventude, dentro de um gradualismo correctos e realista);

• A extensão trabalha sempre com problemas existentes no


meio rural;

• A extensão trabalha junto de diferentes grupos beneficiários


(a extensão reconhece que nem todos os agricultores da
mesma zona terão os mesmos problemas); e,

• O que um extensionista faz pelas pessoas é mais importante


que o que faz para as pessoas.

Porém, FAO (1991), chama a atenção para que se siga à risca


alguns princípios no processo de extensão rural, dando a
perceber que se deve observar nos programas de extensão
através de uma sequencia de sistemática de acções para
promover a difusão e a utilização de conhecimentos quer de base
científica quer autóctones em função dos contextos em que se
pretende trabalhar de forma trazer conhecimentos que sejam
pertinentes aos beneficiários. Deste modo, destacamos alguns
princípios básicos de extensão rural defendidos pela FAO (1991),
que enfatizam o grande relevo da extensão na participação dos
beneficiários na tomada de decisão dos processos de planificação
imediato e a longo prazo. Assim sendo destacamos os princípios
a ter em conta em programas de extensão:

• A elaboração de programas de extensão é um processo


sem fim;

• Em todo o lado podem sempre se encontrar maneiras para


resolver a maior parte dos problemas e melhorar a
qualidade de vida da humanidade;

• É possível selecionar, organizar e administrar certos


recursos/conhecimentos, tecnologia, pessoal, ambiente
físico e métodos de ensino e aprendizagem de modo a
ajudar a população a conseguir uma qualidade de vida
mais desejável;

• O conhecimento e as capacidades dos profissionais,


podem ser combinados com os conhecimentos e
capacidades da população de modo a encontrar soluções
optimizadas para os problemas e questões colocadas pelo
desenvolvimento;

22
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

• A mudança é por vezes desejável e necessária, mas a


mudança em si mesma nem sempre é desejável. As
pessoas podem ser ajudadas a fazer escolhas ajuizadas na
adopção de novos comportamentos ou na preservação de
comportamentos antigos e venerandos;

• As bases das decisões de mudar não devem ser abordadas


com ligeireza, mas devem ser consideradas com cuidado;

• As pessoas normalmente aceitam novas maneiras de


pensar e agir para substituir as actuais, se considerarem
que as novas têm certas vantagens e uma suficiente
atração estética;

• A aprendizagem por vezes dá-se melhor se resultar duma


escolha e dum esforço dirigido para por em prática essa
escolha. Às vezes dá-se como consequência da interação,
num ambiente ou clima social que favorece a
aprendizagem circunstancial;

• É muitas vezes possível criar ocasiões e climas emocionais


de apoio, de modo a melhorar a aprendizagem de novas
atitudes e comportamentos; e,

• A educação pode ser vista como um meio de dar as pessoas


o poder para controlar mais as suas vidas.

Outrossim, Nhancale (2011), enfatiza que existem também


princípios orientadores que devem nortear os trabalhos dos
extensionista ou da extensão rural onde o sucesso sobremaneira
esta relacionado com a interação entre este e o
produtor/camponês, nomeadamente:

• Conhecer/dominar a sua profissão (teoria e prática) –


requer concentração. Evitar espalhar-se, evitar saber
tudo. Saber não significa necessariamente saber de tudo,
mas saber quem sabe;

• Estudar as condições e práticas locais incluindo a cultura


da população – requer um exercício continuo e
permanente, má fundamental no começo. Conhecendo a
situação é fácil desenhar um programa de extensão que
corresponde a realidade (numa extensão de resposta);

23
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

• Manter os compromissos marcados/assumidos com os


produtores /camponeses – salvo por motivos de força
maior, e, nessa altura, providencias deverão ser tomadas
para colmatar a lacuna;

• Apresentar-se e explicar os objectivos da visita – ao visitar


a comunidade e principalmente nos primeiros contactos;

• Fixar caras e nomes – procurar conhecer cada membro da


comunidade entanto que pessoa. O seu nome é uma
canção que qualquer um gosta de ouvir;

• Cumprimentar todas as pessoas que conhece – (esteja


onde estiver), faz parte das boas maneiras;

• Amar e estar sinceramente interessado pelo bem-estar da


comunidade – amar é a obrigação não é opção é amor é
língua que não precisa de tradução;

• Identificar-se com as pessoas tanto quanto possível;

• Ser informal e delicado – não ser demasiado efusivo, nem


demasiado reservado. O extensionista deve ser uma
pessoa que procura ser equilibrada;

• Desenvolver a arte de saber ouvir (rápido a ouvir e lento


a responder) – não é um exercício fácil, mas faz isso
tornar-se um hábito, é um investimento que só dá lucros;

• Usar a língua local e linguagem simples – isso facilita a


comunicação. O importante não é usar uma linguagem
estranha ou falar difícil, mas sim, o resultado que se
obtém;

• Começar com necessidades simples e comuns que podem


ser facilmente satisfeitas (para ganhar confiança) – pensar
grande é bom e necessário, mas é bom começar pequeno,
quando as condições não permitem o contrário;

• Se descobrir que errou admita o erro, se for ignorância


admita a ignorância;

• Insistir que os representantes da comunidade ou grupo,


tomem parte do processo de elaboração, execução e
avaliação dos programas ao nível das comunidades;

24
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

• Usar os líderes locais e cooperar com todas as pessoas e


organizações que trabalham para o desenvolvimento da
comunidade;

• Procurar estender os benefícios da extensão a todos os


grupos e indivíduos – não só restringir aos amigos ou
conhecidos, mas também aos desfavorecidos, a mulher, a
jovens, escolas, antigos combatentes, militares. O que
importa é para cada caso definir muito bem o seu grupo
alvo;

• Saber acomodar novas ideias ou introduzir correções ao


programa (diálogo) – sentar e conversar, não para vencer,
mas para convencer;

• Ter um sistema de valores muito forte – o extensionista


não deve assinar um Memorandum de entendimento
consigo mesmo;

• Manter os registos das visitas, e logo depois das


realizações das mesmas, enquanto a memoria estiver
fresca; e,

• Ser proactivo.

Sumário

Nesta Unidade temática 1.4 estudamos e discutimos


fundamentalmente sobre os princípios norteadores da actividade
de extensão rural e a sua relevância no processo de interação
com os agricultores no contexto rural e de transferência de
tecnologias de produção. Buscou-se ademais, abordar sobre
elementos necessários que fazem com que o extensionista
organiza e usa a informação colhida no exercício da sua função.

Auto – avaliação

1. Por que é que se diz que a extensão fornece informação,


possíveis soluções e encoraja a tomada de decisão?
2. Qual é a importância de se manter registo das visitas?
3. Por que é que o extensionista não deve assinar
memorandum de entendimento consigo mesmo?
4. Em que consiste a pro-actividade do extensionista?

25
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Exercícios

1. O que é extensão?
2. Quais são as vantagens de se definir os grupos alvos no
âmbito da extensão rural?
3. Que papel desempenham os lideres locais no processo de
extensão rural?
4. Usar a língua local e linguagem simples – isso facilita a
comunicação. Comente
5. O importante não é usar uma linguagem estranha ou falar
difícil, mas sim, o resultado que se obtém. Argumente.
6. Por que a elaboração de programas de extensão é um
processo sem fim?

Referências Bibliográficas

FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.


Roma. Disponível em:
[Link]
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Nhancale, I. T (2011). Conceitos Básicos sobre extensão rural


e papel do extensionista. Ministério da Agricultura. Direcção
Nacional de Extensão Agrária. Maputo – Moçambique.

Rogers, E. (1983). Diffusion of innovations. 3rd ed. New York:


The Free Press.

26
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

UNIDADE TEMÁTICA 1.4 Modelos alternativos, Abordagens de Extensão


Rural e tendências actuais na organização da extensão rural

Introdução

Nas últimas três décadas tem sido utilizada muitas e diversas


abordagens para o desenvolvimento ou melhoramento dos
diferentes sistemas nacionais extensão rural. Para FAO, estes
podem ser considerados modelos alternativos de organização,
sendo que o conhecimento profundo destes modelos é
importante para uma melhor compreensão de extensão, assim
como para o reconhecimento das vantagens e desvantagens de
cada um.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

▪ Conhecer os diferentes sistemas de extensão rural;

▪ Descrever e aplicar cada sistema de extensão rural tendo em conta os


Objectivos contextos e as necessidades.
específicos

Sistemas comuns de extensão rural

Os primeiros três modelos a examinar entram na categoria dos


sistemas comuns de extensão rural. O primeiro, uma abordagem
convencional, é uma tentativa de resumir algumas
características e problemas fundamentais das organizações da
extensão rural em muitos países do Terceiro Mundo. FAO (2011),
adverte que muitos desses sistemas foram criados muito antes
que existissem sistemas mais eficazes de investigação agrícola,
sendo que na maior parte das vezes essas instituições não
possuíam uma mensagem para transmitir a extensão. Associado
a isso tais organizações haviam sido criadas no âmbito dos
Ministério da Agricultura, portanto, acabam por si encontrar
cada vez mais envolvidas na execução de todo o tipo actividades
de administração pública ao nível local. Organizações como
Banco Mundial introduziu, e em grande medida apoiou, um novo
modelo para melhorar os sistemas em países onde a sua
organização era muito débil e realizava pouco em nenhum
trabalho de extensão. Esse modelo é conhecido como o Training
and Visit System ou T & V System (Sistema de Formação e Visita
ou Sistema F & V) e concentra-se nos pontos fracos e específicos

27
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

dos sistemas nacionais.

Deste modo, podemos examinar como a extensão rural em três


(3) sistemas, sendo eles:

i. Sistemas de desenvolvimento da produção de mercadorias


agrícolas - é essencialmente uma continuação do sistema de
desenvolvimento e transferência de tecnologia que os governos
coloniais criaram para aumentar a exportação de determinados
produtos agrícolas, tais como a borracha, o café, o amendoim e
o açúcar.

ii. Projectos de desenvolvimento agrícola integrado - forma


produtos dos anos 70 e da constatação de que, para haver
desenvolvimento rural, todos os componentes institucionais dum
sistema agrícola têm de ser efetivamente coordenados e
colocados a disposição dos agricultores.

iii. Projectos de desenvolvimento rural integrado - tem as


suas raízes nos esforços para o desenvolvimento comunitário e
no modelo de Animation Rurale (dinamização rural) que foi
adoptado por muitos países africanos de língua francesa.

• Abordagem Convencional à Extensão Rural

De acordo com FAO (1991), trata-se uma classificação muito


vasta que abarca muitas organizações de extensão rural em geral
dos países do Terceiro Mundo. É difícil generalizar ou falar destas
organizações pois esta categoria inclui uma gama muito ampla
de sistemas de extensão nacionais.

Nesta abordagem segundo FAO (1991), os objectivos de extensão


nesta abordagem focam-se em torno do aumento da produção
agrícola nacional, incluindo as culturas alimentares e de
exportação, e a produção animal. Como também, serem
adicionalmente adoptados implícita ou explicitamente como
objectivos adicionais o aumenta de receitas e da qualidade da
vida da população rural.

Beneficiários

Os beneficiários das organizações de extensão rural geral devem


ser os agricultores. Dado que muitos países dispõem de pouco de
pessoal extensionista capacitado em número suficiente e em
condições de chegar a toda a população rural, muitas vezes

28
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

definem-se grupos de referência ou então utilizam-se


multiplicadores da difusão tais como agricultores de contacto,
agricultores-demonstradores, etc. Para FAO (1991), se um país
optar por essa abordagem de extensão e estiver interessado no
aumento global de produção de alimentos e/ou de produtos
agrícolas de exportação para entrada de divisas, poderá ter a
tendência de a centrar a sua atenção nos produtores comerciais
(grandes) e mais produtivos em detrimento dos pequenos
produtores. Deste modo, podem maximizar os efeitos dos
recursos limitados de extensão existentes sobre os objectivos
macroeconómicos. Nestes casos, os pequenos produtores, as
mulheres e jovens produtores, poderão receber pouca ou
nenhuma atenção, quer em termos de investigação, quer em
termos de investigação e extensão. Mas caso haja uma
necessidade do desenvolvimento rural de ampla base, e o serviço
de extensão desejar maximizar o seu efeito sobre todos os
recursos humanos nas zonas rurais, estão todas as categorias de
agricultores deverão ser incluídas como beneficiários
fundamentais da extensão.

Organização e finalidade

Como anteriormente referenciado os países do Terceiro Mundo


criam a organização de extensão baseado no Ministério de
Agricultura. De acordo com FAO (2011), além das
responsabilidades formativas destas organizações de extensão
rural geral, o pessoal extensionista pode ser responsável pela
execução da maioria de projectos e actividades ministeriais ao
nível local. Assim, poderá ter que vender e distribuir factores de
produção, exercer funções de controlo, arbitrar conflitos,
recolher dados agrícolas e gerir subsídios. Na prática tornam-se
mais representantes locais do governo para os problemas rurais,
do que extensionista rurais a tempo inteiro. Este tipo de regime
de trabalho influi diretamente, e em geral negativamente, na
capacidade e possibilidade do extensionista cumprir a sua tarefa
de extensão.

Abordagem

Na maioria dos países, os extensionista concentram-se em torno


de métodos específicos de extensão, nomeadamente visitas as
farmes ou machambas dos agricultores, e respostas aos pedidos
direcionados aos serviços de extensão. Alguns países possuem
serviços de

29
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

informação rural que produzem programas de radio e outros


materiais destinados aos meios de comunicação social, alem de
publicações e materiais didáticos. Contudo, a falta de tecnologia
moderna e de material didático apropriado para uso em reuniões
em grupo, faz com que geralmente o pessoal extensionista do
campo realize pouco trabalho educativo e de comunicação.

Papel do Extensionista

Por definição, o papel do extensionista é o de educador e


comunicador. Este deve ser capaz de detetar os problemas dos
agricultores e as limitações de produção. Trabalhando em
estreita ligação com investigadores e especialistas, o
extensionista deve difundir informações úteis sobre novas
técnicas e ensinar os agricultores a usa-las adequadamente para
aumentar a produção e as próprias receitas. Evidentemente,
este conjunto de responsabilidades é por natureza educativo e,
dado ao elevado número de agricultores por atingir esse trabalho
os extensionista tem se optado por contractos há tempo inteiro.

Para os casos em que os em que os extensionista desempenham


um papel de representantes locais do governo para questões
rurais, serão mais funcionários sem muita pujança do que
educadores. Este tipo de funções, alheias a extensão,
normalmente tem produzido um grave conflito de competência
para o pessoal do campo, com prejuízo significativo para sua
função enquanto extensionista. Em casos em que isso acontece,
a extensão fala por completo o seu papel enquanto educador e
promotor de mudanças nas zonas rurais.

• Sistemas de Formação e Visita (SFV)

O sistema de formação e visita (SFV), não é um novo modelo de


extensão. Para FAO (1991), trata-se de uma tentativa de
reformar e melhorar a eficácia das organizações extensionista
convencionais. Contudo, com essa forma de melhoramento, dos
sistemas nacionais de extensão tem sido amplamente adoptada
e modificada por países do Terceiro Mundo, em grande medida
através de encorajamento do Banco Mundial.

Objectivos

O Sistema de Formação e Visita (SFV), são similares aos modelos


convencionais acima mencionado, embora o SFV tenha como
objectivos
30
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

o aumento da produção e as receitas individuais de cada


agricultor. Neste modelo, parte-se implicitamente da suposição
de que se os agricultores aumentam a sua produção e as receitas,
a produção agrícola nacional aumenta como consequência.

Deste modo para Beneor e Harrison (1977), o modelo SFV,


procura resolver os seguintes problemas:

• Melhorar a organização da extensão, criando um canal


único e dentro da assistência técnica e controlo
administrativo;

• Transformar o papel multifacetado desempenhado


actualmente por muito extensionista, numa função com
um único objectivo de claramente definido,
compreendendo unicamente as actividade de educação e
comunicação;

• Aumentar a cobertura efetiva da extensão, limitando o


número de famílias ou lares de agricultores a visitar pelo
extensionista;

• Melhorar a mobilidade, fornecendo meios de transporte


adequados para que cada extensionista possa contactar
regularmente com todos s agricultores que lhe são
atribuídos;

• Melhorar a capacitação técnica de cada extensionista e os


seus conhecimentos sobre novas técnicas agrícolas,
organizando regularmente sessões de formação
profissional;

• Aumentar contactos entre a extensão e a investigação


agrícola através da inclusão de mais especialistas
encarregados de manter contactos com os seus
contrapartes investigadores e assegurar um fluxo continuo
de informações, para transmitir por um lado a tecnologia
aos agricultores, e por outro os problemas dos agricultores
aos investigadores;

• Melhorar a situação dos extensionistas atribuindo-lhes


tarefas bem definidas com razoáveis possibilidades de
cumprimento com êxitos; isto aumentará a sua
responsabilidade na comunidade, ajudando-lhes a

31
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

adquirir a autoconfiança;

• Reduzir a duplicação de serviços que ocorre quando a


extensão é fragmentada em diferentes ministérios (por
exemplo, agricultura, pecuária e silvicultura), ou é
vinculada em novos esquemas regionais ou de
desenvolvimento de produção mercantil, num país ou
província que possui um sistema de extensão rural de
caracter geral.

Beneficiários

Os beneficiários do SFV, são todos os agricultores da zona


coberta pelo extensionista. Sendo que os agricultores de
contacto de cada zona apenas representam 10% dos agricultores
de cada povoação. A abordagem de SFV inicialmente selecionava
os agricultores mais avançados de cada região para serem
convertidos em agricultores de contacto. Por esses terem um
maior acesso e não serem representativos da maioria dos
pequenos produtores da zona, isto limitava a difusão da
tecnologia nas comunidades. Porém, actualmente os
extensionistas são orientados a escolher agricultores de contacto
que sejam representativos de todos os principais grupos de
agricultores em cada comunidade.

Organização e âmbito

A organização do SFV baseia-se no número total de famílias de


agricultores ou núcleos domésticos ao que o extensionista pode
razoavelmente prestar assistência. Este número depende da
densidade populacional, da existência de estradas, da
intensidade e diversidade de culturas. De acordo com este
modelo a proporção de cobertura do extensionista pode variar
entre: 1:1.200 ou 1:1.300, com uma média em torno de 1:800.
Todas as famílias de agricultores no núcleo do extensionista são
divididos em oito grupos de tamanho aproximadamente igual,
sendo que os agricultores de contacto devem representar cerca
de 10% deste grupo. Portando, numa situação média um
extensionista trabalharia com 10 agricultores de contacto em
cada uma de 8 povoações ou zonas, que por sua vez
representariam 100 famílias de agricultores ou núcleos
domésticos. Deste modo, tendo se definido qual a proporção
adequada de extensionista por família de agricultores ou núcleos
domésticos, torna-se fácil calcular o número de extensionista

32
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

necessários de cada zona: bastando para isso dividir o número


total de família de agricultores ou núcleos domésticos pelo
denominador desta proporção.

Abordagem e papel do extensionista

O SFV funciona em torno de uma serie de visitas quinzenais com


um calendário fixo conhecido pelos agricultores e pelo pessoal
técnico e de supervisão. O extensionista recebe um dia de
formação por semana a primeira semana os ETs (Especialistas
técnicos) conduzem a formação, enquanto que durante a
segunda semana os extensionista realizam uma sessão de
formação mais informal abordando problemas concretos. Os
extensionista visita quatro grupo de agricultores numa semana e
os restantes quatro na outra semana. A escala de trabalho é
impressa e entregue aos seus respetivos supervisores, tornando-
se fácil organizar as visitas de supervisão a cada extensionista.
Geralmente o objectivo destas visitas é de ver como ele esta a
trabalhar e a providenciar todo o apoio que seja necessário.

Inicialmente, o objectivo da extensão é de transferência de


tecnologia de baixo custo e de baixo risco aos agricultores (tais
como práticas de cultivo e variedades melhoradas), que
permitem o aumento da produção e das receitas.
Posteriormente, quando o agricultor adquire confiança nas novas
recomendações técnicas, podem se apresentar outras melhorias
que incluem o uso de factores de produção. Nesta altura o
agricultor deve estar em condições de poder experimentar estes
novos componentes tecnológicos que aumentarão ainda mais a
sua produtividade e receitas.

Observações gerais

A abordagem de SFV procura reformar uma organização


convencional de extensão que pode estar a realizar muitas
actividades alheias à extensão, portanto, o processo de mudança
organizativa pode não ser tranquilo e facilmente aceite. Num
computo geral o SFV refere aos seguintes aspectos:

i) É excessivamente orientado de cima para baixo e


não permite uma suficiente participação do agricultor no
processo de formulação do programa;

33
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

ii) O sistema de agenda quinzenal é demasiadamente


rígido, particularmente durante a estação morta;

iii) É excessivamente intensivo em termos de trabalho


humano, requerendo um grande número de extensionista
para os quais o país pode não ter disponibilidade de
recursos;

iv) Não utiliza de forma eficaz os meios de


comunicação em massa;

v) Devido a carência de especialistas em quase todos


os países do Terceiro Mundo (como Moçambique), a
ligação entre a extensão e a investigação é fraca, o que
resulta numa formação e apoio técnicos deficientes;

vi) Como muitas destas organizações de extensão são


administradas de modo autoritário, geralmente o trabalho
de supervisão não é suficientemente positivo e nem
fornece apoio para melhorar o moral do extensionista.

• Sistema para o desenvolvimento da produção destinada


a comercialização

A função da extensão nestes sistemas, encontra-se geralmente


em outros aspectos da transferência de tecnologia, tais como
fornecimento de factores de produção e outros serviços
agrícolas, alem de possuir boas ligações tanto com os
investigadores como com os agricultores. Um dos aspectos
característicos deste sistema é de ter um âmbito muito restrito
(um único produto) e como abarcam completamente toda a
organização de cada fase do processo de desenvolvimento e de
transferência de tecnologia, incluindo geralmente a fase da
comercialização, que podem ser caracterizados como sistemas
de produção verticalmente integrados.

Objectivos

Os sistemas de desenvolvimento de produção agrícola para a


comercialização é o de produzir e comercializar produtos
relativamente de valores muito altos, de maneira eficaz e
rentável, sendo que estes produtos são geralmente produzidos
para a exportação, não descorando que podem ser também
produtos para o consumo. A produção com a finalidade de

34
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

exportação, são muito importantes para os países, sobre tudo na


captação de divisas. Os sistemas deste tipo que obtiveram êxito,
encorajam a participação a participação do agricultor através da
participação dos lucros, aumentando as receitas do produtor, e
reinvestem continuamente no desenvolvimento e transferência
de tecnologia, garantindo assim continuo melhoramento dos
sistemas de produção.

Beneficiários

O sistema relacionado com o desenvolvimento de produtos


agrícolas de valor comercial é geralmente definido consoante
determinadas características ecológicas de um país. Por exemplo
as culturas de café, chá, macadâmia e café são mais adaptadas
a determinada atitude nos trópicos, o que incide na qualidade
dos produtos.

Organização e âmbito

Os sistemas de desenvolvimento da produção de produtos


agrícolas destinados à comercialização geralmente abrangem um
único produto, portanto, o desenvolvimento e transferência de
tecnologia, bem como a função de comercialização, são
geralmente administrados por um organismo estatal. O controlo
da comercialização deste produto permite a este organismo
organizar a investigação, o abastecimento de factores de
produção, o crédito e os serviços de comercialização para os
agricultores, e depois recuperar com o lucro destes serviços.

Abordagem

O controlo de qualidade é geralmente o factor principal na


determinação da tecnologia de produtiva. Deste modo, os
agricultores não têm alternativa senão utilizar os factores de
produção e as recomendações técnicas que recebem. Se não o
fizerem, o seu produto poderá não ser comprado pela
organização. Geralmente, a tecnologia produtiva destes
produtos esta bem consolidada, portanto, os produtores devem
seguir os conselhos dos extensionistas ou técnicos para poder
participar no programa e vender o seu produto. Alguma
literatura, da ao nome a este sistema de extensão contratual. O
agricultor assina um contrato para cultivar o produto usando as
práticas recomendadas, e a organização paraestatal assina um

35
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

contrato em que se compromete a compra-lo por um


determinado preço.

Papel do extensionista

Nestes sistemas as recomendações técnicas (a mensagem de


extensão), o abastecimento de factores de produção e outros
serviços agropecuários estão estreitamente relacionados entre
si. Portanto, é comum que um individuo, o agente técnico, trate
de todos os aspectos de transferência de tecnologia. O
extensionista faz o acompanhamento da produção da zona em
que lhe foi atribuída, e quando surgem problemas, ou quando se
torna necessário um determinado fator de produção, o
extensionista fornece a assistência técnica como factor de
produção necessário. Pelo facto deste sistema ser geralmente
aplicado a produtos de elevado valor comercial, e comum e
possível encontrar extensionista especializado por produto e não
por função.

• Projectos de desenvolvimento agrícola integrado

De acordo com a FAO (1991), nos princípios dos anos 70 chegou-


se a conclusão que para haver desenvolvimento agrícola, todos
os camponeses institucionais que intervém no processo deveriam
ser coordenados e direcionados para a obtenção de uma maior
produção agrícola. Normalmente os esforços giravam em volta
de programas apoiados por doadores numa zona geográfica
especifica e centrados num único conjunto de problemas
produtivos.

Objectivos

Os objectivos de tais projectos eram geralmente de tipo


produtivo, visando o aumento da produção e outros produtos
agrícolas nas áreas de intervenção do projecto. Além disso,
visavam demonstrar que podiam haver desenvolvimento agrícola
através da utilização de uma abordagem integrada.

Beneficiários

Os beneficiários incluem todos agricultores da área de


intervenção do projecto. Contudo, onde os recursos eram
insuficientes, geralmente os agricultores mais ricos e avançados
tendiam a aproveitar melhor os novos factores de produção,

36
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

créditos e serviço de comercialização existentes na área do


projecto.

Organização e âmbito

Normalmente estes projectos criam uma estrutura de gestão e


um sistema de assistência técnica próprios, pois considerava-se
ser muito difícil reformar as instituições responsáveis pelo apoio
aos agricultores existentes. Deste modo, os projectos tinham
tendência a criar um ambiente artificial, recrutando pessoas
entre as mais competentes do ponto de vista técnico do país.
Isto era feito aumentando os salários do pessoal do projecto e
fornecendo meios de transporte, recursos e outros factores
considerados essenciais para a realização de um projecto de
desenvolvimento agrícola bem coordenado.

Abordagem

Em muitos casos, esses projectos não introduziam nos sistemas


agrícolas nenhum componente tecnológico significativamente
melhorado. Essencialmente partiam do princípio de que a
tecnologia de produção existente era adequada e que os
principais factores limitantes eram a falta de coordenação ou de
factores de produção. Portanto, colocavam-se à disposição
factores de produção especiais, créditos, actividades de
extensão, comercialização e outros serviços agrícolas de maneira
bem coordenada. Ao nível local, o mecanismo era por vezes um
centro de serviços ao agricultor, onde este podia apresentar,
obter crédito e adquirir factores de produção, e ainda receber
conselhos sobre como utilizar esses factores de produção de
maneira eficaz.

Papel do extensionista

Nos programas de desenvolvimento agrícola integrado os


extensionistas podem desempenhar diferentes papéis.
Teoricamente, prevê-se que ajudem aos produtores a adquirem
novas alternativas e ter acesso aos factores de produção,
créditos, serviços de comercialização, de modo a aumentar a
produção e as próprias receitas. Mas na falta de pessoal
capacitado em agricultura, os extensionistas encontraram-se
cada vez mais envolvidos no fornecimento de factores de
produção e serviços. O fornecimento de factores de produção,
créditos e outros serviços parece ser um trabalho muito bem
definido e
37
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

que dá mais realização pessoal do que a realização de projectos


de extensão. Como consequência disso, FAO (1991), avança que,
esta última tarefa pode ser negligenciada por projectos de
desenvolvimento agrícola integrado, a não ser que seja dada
maior prioridade e orientação à função de extensão.

• Programas de desenvolvimento rural integrado

Os programas de desenvolvimento rural integrado são, em certos


aspectos, uma combinação entre os projectos de
desenvolvimento comunitário dos anos 50 e o início dos anos 60
e a abordagem animations rurale da africa francófona. Estas
abordagem continuam a refletir o conceito mais amplo do
desenvolvimento rural, incluindo os factores sociais como os
económicos. Portanto FAO (1991), pressupõe que estes
programas deveriam incluir uma componente de geração de
receitas, provavelmente com a utilização de uma nova
tecnologia agrícola. Ao mesmo tempo, continua a dar-se grande
importância a uma ampla participação da população rural mais
pobre na planificação, execução e avaliação dos projectos. Estes
projectos visam explicitamente habituar a população rural a
fortalecer as instituições próprias.

Objectivos

Estes projectos geralmente refletem os objectivos quer


económicos quer sociais. Portanto supõe-se que a introdução de
uma nova tecnologia adequada, visando designadamente o
aumento da produção agrícola, produza novas receitas que
possam reforçar e ampliar os objectivos sociais. A participação
activa é uma preocupação central destes programas,
particularmente no sentido de aumentar a autossuficiência e a
iniciativa local. Estes projectos de desenvolvimento rural tem
também como objectivos a melhoria da saúde, da alimentação e
da educação básica.

Organização e âmbito

De acordo com Holdcroft (1982), os programas de


desenvolvimento rural integrado enfrentam os inevitáveis
conflitos entre generalistas e especialistas, como sucedia nos
programas de desenvolvimento comunitário do passado recente.
O problema é como coordenar e concentrar os departamentos
técnicos (designadamente os relativos à agricultura) sob um
controlo
38
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

único. Ele sugere que, em vez de impor um departamento desde


cima, poderia ser mais adequado criar instituições autónomas a
nível de aldeia ou a um nível semelhante.

Abordagem

Uma abordagem que pode ser utilizada ao iniciar um programa


de desenvolvimento rural integrado é a de estabelecer um
projecto - piloto na zona designada. A finalidade deste piloto
seria a de definir a metodologia para a formulação do programa
de desenvolvimento rural. Um dos principais aspectos a abordar
é a definição dum “pacote tecnológico” útil, que possa aumentar
a produção e as receitas. Além disso, a população rural pobre
deveria ser diretamente envolvida para avaliar as suas
necessidades nas zonas-piloto, e para então definir as
prioridades em termos de desenvolvimento rural. Portanto, FAO
(1991), adverte que é provável que uma equipa do projecto –
piloto inclua quer generalistas – mais preocupados com o
processo em si, quer especialistas técnicos – cuja a preocupação
direta será a definição e introdução de nova tecnologia agrícola,
bem como de outras inovações ou serviços. Uma vez definido os
aspectos que podem ser melhorados, então a área do projecto
pode ser ampliada, usando o projecto – piloto como sede
formação para o pessoal recém-chegado.

Papel do Extensionista

Os generalistas serão essencialmente dinamizadores e


catalisadores, que deverão levar a população rural pobre a
participar no processo de elaboração, execução e avaliação do
programa. Os especialistas técnicos deverão trabalhar
directamente com os pequenos agricultores para desenvolver,
experimentar e depois demonstrar a tecnologia melhorada. O
modo em que as diversas organizações de serviço devem
coordenar o seu trabalho com o do pessoal de extensão deve ser
definido durante a fase piloto.

Aspectos comuns

Geralmente, as expectativas depositadas no trabalho de


extensão são complexas e diversificadas. Diferentes
organizações no mesmo país poderão ter diferentes objectivos
de extensão. As vezes os objectivos estão em conflitos uns com
os outros. Os agricultores podem querer aumentar as suas
receitas e
39
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

bem-estar familiar, enquanto a população urbana pode desejar


um abastecimento adequado de alimentos de qualidade a preços
aceitáveis. O governo pode querer ambas as coisas, e além disso
ainda melhorar a balança de pagamentos através do aumento das
exportações agrícolas ou da redução da importação de alimentos
(substituição de importações). Para Rogers (1983), apesar de
existirem algumas expetativas diferentes nos modelos acima
mencionados, podemos encontrar alguns aspectos em comum
que merecem a nossa atenção:

1. Antes de mais a extensão tem que ser guiada pelas


necessidades e objectivos dos beneficiários. Portanto, a
família do agricultor ou o núcleo familiar rural são
considerados como beneficiários principais;

2. A extensão per se é “desenvolvimentista”, por


definição. Os extensionistas devem partir daquilo que os
agricultores e as suas práticas agrícolas. Para além disso,
eles devem relacionar as mudanças com os interesses e
valores próprios destes agricultores. A investigação
demonstra que o método a usar o contacto directo e de
considerar o agricultor como o centro do processo é muito
importante, se deseja atingir a população rural e pobre.

3. Embora existe um consenso de que a extensão


deve ser centrada no beneficiário, é também uma
realidade que a maioria das comunidades são
heterogéneas por natureza. +4*95` Uma nova
tecnologia pode ser muito útil e adequada para um grupo
de agricultores, mas completamente inadequada para
outro. Existe um consenso de que para obter o
desenvolvimento rural generalizado, a que resolver os
problemas de cada um dos principais grupos de
beneficiários.

Sumário

Nesta Unidade temática 1.6. estudamos e discutimos


fundamentalmente sobre os diferentes modelos aplicados em
extensão rural, seus objectivos âmbitos e grupos alvo. Procurou-
se abordar de forma suscita os contextos em que cada um deles
pode ser aplicado e os factores adjacentes e escolha de um em
detrimento do outro.

40
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Auto – avaliação

1. Que características evidenciam o Programa de


Desenvolvimento Integrado?
2. Que características evidenciam os Projectos de
desenvolvimento rural integrados?
3. Que características evidenciam os Sistemas para o
desenvolvimento da produção destinada à
comercialização?
4. Que características evidenciam os Sistemas de formação
e visita?
5. Que características evidenciam a Abordagem
convencional de extensão?

Exercícios

1. Diferencie programa de desenvolvimento integrado


quanto ao pape; do extensionista?
2. Que semelhanças existem entre os Sistemas para o
desenvolvimento da produção destinada à
comercialização dos Sistemas de formação e visita?
3. Diferencia quanto ao papel do extensionista a Abordagem
convencional de extensão e os Projectos de
desenvolvimento integrado?
4. Quanto a abordagem qual dos modelos estudados estão
mais voltados para agricultura do sector familiar.
5. Quais são as vantagens e desvantagens de cada um dos
modelos estudados tendo como base agricultores do
sector familiar moçambicano?
Referências Bibliográficas
FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.
Roma. Disponível em:
[Link]
hl=pt-PT&pg=PP4#v=onepage&q&f=false
Rogers, E. (1983). Diffusion of innovations. 3rd ed. New York:
The Free Press.
Holdcroft, L. F. (1982). The rise and fall of community
development in developing countries, 1950-1965: A critical
analysis and implications. In G. E. Jones & M. J. Rolls (Eds),
Progress in rural extension and community development. Vol 1,
Extension and relative advantage in rural development.

41
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Beneor, D & Harrison, J. Q. (1977). *9+0][POUYGFVCXZ


Agricultural extension: The training and visit system.
Washington D. C.: The World Bank.
Maunder, A. H. (1973). Agricultural extension: A reference
manual. (abridged edition). Rome: Food and Agriculture
Organization of United Nations.

42
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 2: PLANIFICAÇÃO DA EXTENSÃO AGRÁRIA E O PROCESSO DE


MONITORIA E AVALIAÇÃO

Unidade Temática 2.1. Introdução

UNIDADE TEMÁTICA 2.1. Introdução

Introdução

A planificação em extensão agrária consiste na descrição


metódica de como deverá ser organizado um conjunto de
actividades e acções que serão executadas em um dado período
de tempo, visando alcançar objetivos determinados, em função
de um público alvo previamente definido. A Planificação da
extensão agrária é um momento de reflexão sobre as melhores
alternativas de acção em um dado contexto rural especifico. É
necessário buscar descobrir as melhores alternativas, avaliar
suas consequências, convencer todos os envolvidos de sua
importância e viabilidade e possuir capacidade técnica e
operacional de executá-las da melhor maneira possível.

Ao completar esta unidade, você devera ser capaz de:

▪ Planificar de forma precisa, ser ainda dinâmica e flexível de modo a


admitir correções e aperfeiçoamento das propostas e metas, assim
como deve ser possível ajustá-lo, no caso de pequenas mudanças no
Objectivos contexto mais geral
específicos

Para De Souza (s/d), uma boa planificação precisa ser ainda


dinâmica e flexível de modo a admitir correções e
aperfeiçoamento das propostas e metas, assim como deve ser
possível ajustá-lo, no caso de pequenas mudanças no contexto
mais geral (grandes transformações exigiriam um novo).

A planificação pode ser dividida em três etapas:

• Diagnóstico da realidade;

• Elaboração do Plano de Trabalho e/ou Projeto;

• Avaliação dos resultados

43
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Estas etapas foram destacadas por apresentarem características


que podem ser melhor compreendidas quando examinadas de
modo específico; mas não são estanques e se interrelacionam: o
diagnóstico pode ser entendido como uma das fases do plano de
trabalho e a avaliação dos resultados não deve ser realizada
somente ao final, mas de preferência também durante o
processo.

1. Diagnóstico da realidade

Para estabelecer os objetivos de um trabalho é necessário


conhecer em detalhes uma determinada realidade, identificar os
problemas (e suas causas) e as potencialidades existentes. De
Souza (s/d), adverte que os objetivos devem sempre solucionar
problemas ou desenvolver potencialidades, daí a importância de
se realizar um diagnóstico adequado da realidade. O diagnóstico
em extensão rural consiste no conhecimento, análise e
interpretação dinâmica de uma determinada realidade, como
uma região, um município, uma comunidade, os produtores de
uma microbacia, os agricultores de uma cooperativa ou clientes
de uma empresa, etc.

Antes de iniciar um diagnóstico é necessário que fazer uma


delimitação do público e da área a ser pesquisada, e a definição
dos objetivos específicos pretendidos. Deve-se ter claro também
se o diagnóstico se destina a fornecer subsídios a um plano geral
de trabalho ou visa levantar informações detalhadas para um
projeto específico. Estes aspectos é que irão definir quais
informações são necessárias e a forma mais adequada para
coletá-las.

Para De Souza (s/d), normalmente o diagnóstico envolve a coleta


e análise de informações sobre:

a) As características econômicas, sociais, culturais e outras


do grupo social (público) com o qual se objetiva trabalhar;

b) Os sistemas de produção predominantes: tipos de


atividades e suas interrelações, produção, produtividade,
tecnologia empregada, mão-de-obra, crédito e outras
políticas públicas disponíveis; limitações e
potencialidades;

c) Os recursos naturais como a topografia, o solo, a água, o


clima, as áreas de preservação (descrição e avaliação);

d) Caracterização geral do entorno da área (município ou


região/território).

A abrangência e o nível de detalhes de cada uma destas grandes


áreas
44
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

dependerão dos objetivos do diagnóstico. Informações


insuficientes podem comprometer a identificação das questões
mais relevantes e a solução dos problemas reais; e informações
excessivas significam perda tempo e dinheiro. O diagnóstico não
é um fim em si mesmo, mas um instrumental utilizado para
apoiar a metodologia e alcançar o objetivo. É uma etapa do
trabalho e além da coleta criteriosa das informações, deve-se
interpretá-las corretamente.

Para De Souza (s/d), uma das maneiras mais eficientes de


reduzir/eliminar distorções na interpretação das informações é
realizar o diagnóstico, sempre que possível, em equipe (com as
pessoas que irão participar do trabalho) e com a participação do
público tanto na fase de coleta dos dados, como na elaboração
do plano de trabalho ou projeto. Este envolvimento no
diagnóstico aumenta o grau de engajamento e compromisso da
equipe e do público com as ações propostas. O diagnóstico
parcialmente estruturado (ou seja, aquele que admite a
introdução de novas variáveis durante o processo), realizado de
maneira intensiva e sistemática por uma equipe (de preferência
com atuação interdisciplinar) com a participação ativa do
público, é denominado de Diagnóstico Rápido Participativo
(DRP).

Busca identificar os problemas e as potencialidades de um local


a partir da perspectiva da população que ali vive e/ou trabalha,
visando construir um conhecimento conjunto que aponte para
soluções mais viáveis e sustentáveis. É utilizado com frequência
em projetos de desenvolvimento rural/territorial.

2. Plano de Trabalho e/ou Projeto

O Plano de Trabalho consiste na descrição, de maneira


organizada e metódica, de todas as ações passíveis de serem
previstas e planejadas, desenvolvidas por uma pessoa ou equipe.
Utiliza como base o diagnóstico da realidade previamente
realizado. Um plano de trabalho pode envolver um ou mais
projetos específicos, e outras atividades isoladas de
atendimento, capacitação técnica e regencial do público, assim
como as ações de capacitação da própria equipe ou técnico. De
forma análoga ao Plano, o Projeto é uma proposta de trabalho
que contém todos os elementos necessários para a sua avaliação
e execução.

De Souza (s/d), descreve as finalidades a serem atingidas, os


procedimentos, os recursos e o tempo necessário. Na elaboração
de um Plano de Trabalho (e também de um Projeto), este é
dividido em partes, que embora devam estar interligadas,
formando um todo coerente, são organizadas em uma sequência

45
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

lógica que denominamos de ordem dos elementos da


programação.

Estes elementos são:

a) Público: i) Caracterização;

ii) Problema ou necessidade e potencialidades;

b) Objetivo (geral e específicos);

c) Conteúdo (ações prioritárias e metas);

d) Método;

e) Cronograma de atividades;

f) Apoio e recurso.

O público e o objetivo são classificados como elementos que


comandam a ação, pois deles dependem os demais. É em função
destes elementos que os outros são definidos. Isto não significa
que uns elementos são mais importantes do que os outros. Todos
têm igual importância no sucesso da implantação do plano ou
projeto. Apenas programamos uns antes dos outros, porque o
conteúdo e método, por exemplo, dependem do público e do
objetivo, sendo programados em função destes.

A definição e caracterização do público são os primeiros aspectos


a serem considerados na programação, em função dos quais
devem ser amoldados todos os demais elementos. Na
caracterização do público é necessário que o extensionista
conheça as tradições culturais, o nível de escolaridade e
econômico, e as formas de organização predominantes (formais
e informais) dos produtores. Não há limite para o conhecimento
desejável do público: quanto maior o conhecimento, melhor
pode ser o planificação e eficácia das ações. Nesta fase de
elaboração do Plano ou Projeto, o diagnóstico já foi realizado e
apontou os problemas/necessidades e as potencialidades
existentes, além disso, o extensionista já analisou estas questões
com o público e fez uma hierarquização das prioridades que
devem ser tratadas pela extensão rural. Este procedimento
permite que os objetivos fixados pelo técnico sejam viáveis e
adequados aos objetivos imediatos e específicos do público.

Na elaboração de propostas é importante também conhecer os


antecedentes em termos de experiências de sucesso e fracasso,
suas causas e as opiniões existentes sobre o assunto.

O problema ou necessidade deve ser definido obedecendo três


aspectos

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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

principais: i) Ser bem específico e claro: problemas gerais


orientam as estratégias do trabalho, mas sua resolução depende
quase sempre de um conjunto de ações específicas que precisam
ser definidas com clareza; ii) Não confundir causa com efeito:
não basta identificar e combater os efeitos sem conhecer as
causas, mesmo tendo consciência de que nem sempre é possível
eliminar todas as causas; ii) Deve ser prioritário para uma parte
significativa do público.

É o segundo comando a ser considerado, portanto o objetivo


deve se ajustar ao público, bem como às suas necessidades. Há
com frequência confusão entre o objetivo de uma atividade
metodológica com os objetivos gerais do trabalho, bem como
confusão entre o objetivo e o conteúdo a ser discutido com o
público. O objetivo geral contido em um plano de trabalho ou
projeto é o fim (visa resolver o problema), enquanto os objetivos
específicos ou educativos são os meios para atingir aquele fim (a
capacitação dos produtores para saber fazer e saber resolver).

É o objetivo geral que dá sentido e articula as diversas ações


metodológicas específicas. Um objetivo específico,
corretamente descrito e definido de forma precisa, deve
comunicar, qual operação deve ser observada para sabermos se
o mesmo foi alcançado ou não. O objetivo descreve o que o
público deve ser capaz de fazer depois de participar de uma
atividade (como um curso) e não o que fará durante a mesma.
Também não pode permitir dupla interpretação, ambiguidade.

O conteúdo é o terceiro elemento a ser considerado na


planificação. Trata-se do programa, do conhecimento a ser
analisado, dos assuntos a serem debatidos e problematizados. Os
conteúdos devem ser dependentes (comandados) pelo público,
pois devem estar relacionados aos seus interesses e
necessidades. São também dependentes dos objetivos e devem
ser viáveis e adequados às condições sociais e culturais do
público. Em um plano de trabalho ou projeto a definição do
conteúdo é realizada explicitando para cada objetivo específico
quais as ações prioritárias e as metas (quantificação das ações
prioritárias) que se pretende alcançar. Por exemplo: aumentar a
cobertura do solo no inverno para reduzir erosão (objetivo
específico); adubação verde e roçada/cultivo mínimo (ações
prioritárias); 50 ha e 15 produtores (metas para cada uma das
ações). Para definir os conteúdos de uma atividade específica,
devemos fazer a seguinte pergunta: que conteúdo o público deve
dominar para que o objetivo seja alcançado?

No caso de atividades práticas é desejável que os produtores


passem pela experiência de executarem a ação. É comum o
extensionista começar a planejar a ação pelo conteúdo,

47
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

desconsiderando o público e o objetivo ou supondo estes dois


elementos já determinados, cometendo o erro da
superficialidade. Como se tem um conteúdo técnico disponível e
considera-se importante “repassá-lo” ao público, programa-se a
ação, invertendo a ordem do trabalho educativo. Após o
insucesso pela falta de público ou pela não adoção da prática,
há a tendência de se colocar a culpa no público.

Método

Na planificação De Souza (s/d), avança que este é o último


elemento a ser considerado, mas sem ele, nada aconteceria por
melhor que tivessem sido planejados os elementos anteriores.
Método em extensão rural é um conjunto coerente de técnicas
de comunicação, fundamentado nos princípios do
ensino/aprendizagem, utilizado para atingir um objetivo
prédeterminado. É necessário compreender também que a
metodologia não é um fim, mas um meio, uma forma desejável
de ação, uma estratégia para atingir o objetivo predefinido. No
trabalho educativo não existe o método ou “receita” válida para
qualquer situação e sim critérios que norteiam a criatividade do
extensionista numa permanente reformulação da metodologia,
visando seu aperfeiçoamento.

Os métodos quanto ao número de pessoas alcançadas podem ser


individuais (contato, visita e entrevista); grupais (curso, dia de
campo, palestra, reunião, painel, encontro, excursão, seminário
e outros) ou massas (rádio, televisão, jornal, cartazes, folhetos,
campanha, folder, exposição educativa e outros). Quanto ao
uso, os métodos podem ser simples, quando usados
isoladamente, sejam individuais, grupais ou massas; ou
complexos: aquela cuja utilização exige a combinação de outros
métodos. Os principais métodos complexos são a campanha, o
concurso, a demonstração de resultados, a exposição, a unidade
demonstrativa, a unidade de observação e a semana especial.

Portanto De Souza (s/d), avança que a escolha do método e das


técnicas didáticas (discussão em grupo; aula expositiva;
apresentação de um vídeo seguida de debate; execução prática
de uma técnica, dentre outras) deve ser feita em função do
conteúdo ou programa de cada ação educativa, que por sua vez
é definido com base nas características do público e no objetivo.
Para se definir o método, devemos fazer algumas perguntas:

a) Para que os produtores dominem o conteúdo, qual o método


(ou combinação de métodos) é mais adequado?

b) Ou seja, para assimilar estas ideias e/ou aprender esta


técnica que tipo de experiência deve ser passada ao público?

48
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Há necessidade de execução prática de quais


procedimentos?

c) b) Quais os hábitos do público em relação às atividades


metodológicas propostas?

d) Para atingir um objetivo como a adoção de determinadas


técnicas ou mudanças de procedimentos gerenciais, pode ser
necessário um conjunto de atividades metodológicas
sequenciais, como será visto quando for discutido o processo
de adoção. Há uma tendência do extensionista
sobrevalorizar os procedimentos metodológicos e
especialmente a utilização de recursos audiovisuais. Mas
estes recursos, quaisquer que sejam, são apenas suporte das
técnicas didáticas. São meras ajudas, reforços que devem se
adequar às técnicas, aos métodos, aos conteúdos, aos
objetivos e ao público. Os recursos não são facilitadores
“naturais” da aprendizagem; apenas quando usados de
maneira adequada facilitam a comunicação e contribuem
para o aprendizado.

Cronograma de atividades

O cronograma consiste em uma matriz em que as linhas


representam as atividades e as colunas unidades de tempo (dias,
semanas, meses, etc.), organizadas em sequência cronológica,
embora também possam alocadas atividades paralelas. O
cronograma, como toda previsão, está sujeito a erros de
estimativa e/ou devido a fatores imprevistos; e pode sofrer
ajustes ao longo do período. Trata-se de um instrumento útil
para a organização tarefas cotidianas e controle do andamento
do Plano de Trabalho ou Projeto.

Recursos e apoio (parcerias)

Deste modo, De Souza (s/d), toda atividade, enquanto conjunto


de operações, requer para a sua execução, recursos. Recursos
são elementos que interagem para produzir transformações. Os
recursos podem ser divididos em dois grandes grupos: humanos
e materiais. Os recursos humanos referem-se às pessoas
envolvidas no trabalho e ao grau de conhecimento que possuem
para executar as atividades previstas (conhecimento técnico,
regencial e logístico). O Plano pode incluir também a previsão
sobre a necessidade de utilização de serviços de terceiros. Os
recursos materiais referem-se às instalações, equipamentos,
material de consumo e outros itens necessários para a execução
do Plano de Trabalho e/ou Projeto.

Devem ser explicitados o tipo de colaboração e as


responsabilidades das entidades parceiras e da instituição a que
pertence o
49
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

técnico ou equipe que está formulando o Plano ou Projeto. Esta


definição implica que em uma negociação prévia com estas
entidades. As parceiras são importantes não apenas para reduzir
os custos da atividade, mas porque podem ampliar a abrangência
do trabalho e/ou ser um reforço decisivo para formar a decisão
do produtor. Exemplo: convidar um médico para falar dos
perigos da contaminação com os agrotóxicos pode causar mais
impacto do que uma palestra do próprio extensionista.

Avaliação dos resultados

Para De Souza (s/d), a planificação deve prever como serão


avaliados os resultados do trabalho ao fim de determinado
período. É preferível que esta avaliação seja composta de
avaliações parciais a cada etapa do trabalho, visando ajustar o
Plano de Trabalho. Por outro lado, não deve ser muito frequente,
pois sendo um momento formal em que se interrompe o trabalho
e se realiza uma reflexão sobre o mesmo, é necessário um tempo
razoável para que os resultados possam ser avaliados de modo
objetivo. A avaliação global do trabalho e que normalmente é
feita pela instituição como um todo, não substitui as avaliações
que devem ser realizadas a cada ação metodológica, no
cotidiano do trabalho.

As avaliações de cada atividade buscam verificar se o público


está considerando relevantes nossas ações e compreendendo as
mensagens, se o que está sendo ensinado está sendo aprendido,
ou seja, se os objetivos específicos estabelecidos estão sendo
alcançados. Para estas avaliações devem ser previstos
instrumentos específicos, como a avaliação oral ou escrita ao
final (ou durante) de uma atividade metodológica; o registro das
demandas geradas a partir das ações, para esclarecer detalhes
ou adequação às condições específicas, visando à adoção; e o
registro das mudanças de comportamento e/ou adoção de
tecnologias que foram efetivamente alcançados.

Em extensão rural um princípio básico a ser obedecido é que


não se deve colocar a avaliação como se o público tivesse sendo
avaliado, pois pode inibir as pessoas. Deve-se propor a avaliação
em termos de que o instrutor é que está sendo avaliado.

Sumário

Nesta Unidade temática 2.1. estudamos e discutimos


fundamentalmente a importância da planificação agraria e os
processos nela inerentes. Buscamos relacionar planificação
agraria e os processos de monitoria e avaliação das actividades
de extensão e sua importância para o sucesso deste processo
educativo.
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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Auto–avaliação

1. Que tipo de informações devem ser colhidas no processo


de diagnostico?
2. Que elementos devem ser tidos em conta no processo de
formulação de objectivos?
3. O que evitar no processo de planificação agrária?
4. Quais as etapas constituem o processo de planificação
agrária?

Exercícios

1. Em quantas etapas esta dividida o processo de


planificação?
2. Quais elementos constituem a fase de diagnostico?
3. No processo de Diagnostico Rápido Participativo, devemos
envolver a comunidade. Comente.
4. Em que deve constituir o plano de trabalho do projecto?
5. Por que é a planificação deve prever como serão avaliados os
resultados?
6. Os recursos podem ser divididos em dois grandes grupos:
humanos e materiais: quais os grupos e como devem estar
compostos?

Referências Bibliográficas
De Souza, C. B. G. (s/d). Apostilas e anotações pessoais dos
Cursos de Formação Extensionista da Emater-PR e da CATI – SP
de vários períodos; e no “Manual de Elaboração de Projetos.
UNESP Araraquara. Brasil.

51
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 3: COMUNICAÇÃO PARA EXTENSÃO AGRÁRIA

Unidade Temática Processos Básicos e objectivos da


Comunicação na Extensão rural

Introdução

Os conceitos e as práticas de comunicação em extensão rural em


Moçambique encontram-se intrinsicamente vinculados ao
processo evolutivo da extensão rural no Mundo. Com a evolução
dos processos de comunicação surgiram novos actores, novas
fontes, novos mecanismos, facto que faz com que se altere a
noção histórica de extensão rural, que envolvem diretamente as
comunidades nas zonas rurais, alterando as suas relações sociais
e as formas como as informações são disseminadas e o
conhecimento é construído neste processo educativo.

A extensão rural entendida como acção implica um acto de


comunicação que envolve vários métodos e meios (Rogers, 1983).
Segundo a FAO (1993), comunicação na extensão rural é o uso
sistemático de canais e técnicas apropriadas de comunicação
com vista ao aumento da participação das famílias rurais no
desenvolvimento e para informar, motivar e formar a população
rural, especialmente os pequenos produtores.
Segundo Rogers (1983), a difusão é o processo pelo qual uma
inovação é comunicada através de certos canais entre os
membros de um sistema social. Ê um tipo especial de
comunicação no qual as mensagens são relacionadas com uma
nova ideia. A difusão adquire uma dimensão social, como
processo de disseminação de uma inovação num sistema social
através do tempo, como tal é um fen6meno de grupo.
A essência do processo de difusão é a troca de informação em
que um indivíduo comunica uma nova ideia ao outro ou a várias
outras pessoas. As partes envolvidas neste processo vão estar
ligadas através de canais de comunicação como meios através
dos quais a mensagem passa de um indivíduo para o outro
(Rogers, 1983).

52
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos • Conhecer os meios de comunicação em extensão rural;


específicos • Aplicar os diferentes conceitos de comunicação em extensão
rural;
• Usar diferentes abordagens de comunicacionais no processo de
interação com os agricultores.

Segundo Swanson (1991), para transmitir a mensagem, o


extensionista necessita destes canais de comunicação, para
fazer chegar uma mensagem aos camponeses. A mensagem
reveste-se de vários conteúdos e objectivos. Podendo ser de
informar, motivar e formar a população rural sobre assuntos
ligados à agricultura e ao desenvolvimento rural. Depois de
transmitir a mensagem, o extensionista espera resposta, o
feedback, para testar se a nova ideia teve mérito, ou seja, se
convenceu o camponês a tomar a decisão de experimentar a
nova tecnologia.
Segundo Oakley (1992), para além do contacto
extensionista/camponês existe a capacidade dos próprios
camponeses de promover a difusão horizontal das inovações
agrícolas. Uma comunicação eficaz no âmbito da extensão rural
usa todas as possibilidades de transferência de informações do
tecido social através das redes sociais. As ligações sociais
formam redes que podem ser usadas na transmissão de
informações sobre as inovações agrícolas por exemplo. Temos,
então, uma situação em que o extensionista é o iniciador do
processo de difusão e, depois, segue-se um processo de difusão
horizontal de que a sociedade se encarrega de realizar através
das suas redes, como a família, o grupo de parentesco,
congregações religiosas e a comunidade local.
Qualquer discussão em torno da comunicação entre o
extensionista e os produtores tem de partir de uma certa
compreensão do contexto em que os agricultores vivem, gerem
as suas explorações agrícolas e tomam as decisões do seu dia-à-
dia. Portanto, FAO (1991), enfatiza que o principal autor neste
“teatro” da produção agrícola é claramente o individuo
agricultor,
53
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

seja homem ou mulher, jovem ou idoso, com mais ou menos


habilitações académicas, cada agricultor é no fim das contas um
individuo único com um conjunto de características que afetam
a maneira com que se recebe e se processa informações, e em
que depois as usa ou não no processo produtivo.
Para Ruttan (1983), o contexto de decisório do agricultor tem
que ser redefinido para incluir as ligações com as organizações
fornecedoras de factores de produção, com instituições de
comercialização dos produtos ainda e ainda, e de nenhuma
maneira a coisa menos importante, com as instituições de ensino
básico e de adultos, que fornecem informações e capacidade de
processa-las à figura central, a quem decide. A extensão tem um
papel decisivo e não apenas em termos de educação e de
fornecimento de informações, mas ainda como catalisador no
estabelecimento e reforço das ligações do agricultor com a
diversas instituições que reforçam e estão subjacentes a uma
agricultura baseada na ciência.
Uma comunicação eficaz no âmbito da extensão exige não
apenas um conhecimento substancial da complexa ligação meios
– fins que afecta as decisões, mas pode também aproveitar as
possibilidades de transferência de informações do tecido social
e minimizar as consequências negativas dos factores que
impedem o fluxo de informações. Sendo que, as ligações sociais
formam redes, e as redes podem ser usadas para transmitir
informações do tecido social e minimizar as consequências
negativas dos factores que impedem o fluxo das informações, e
os direitos e obrigações inerentes a ser membro de uma rede
podem afectar directamente as decisões.
O processo de comunicação para extensão é de extrema
importância destacar dois aspetos que ajudam na tomada de
decisão, nomeadamente:
1. Existe pouco de conhecimento consolidado sobre o ambiente
social dos agricultores;
2. Ainda se encontra nos albores, a consolidação explicita dos
laços familiares, de parentesco, de comunidade, e outros laços
sociais, como parte do sistema aberto que inclui a agricultura
baseada na ciência.
Na fala de conhecimentos consolidados, não há escolha senão
avançar com cautela au transmitir informações a um público
rural. As razões para atuar e não atuar, muitas vezes não são

54
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

directamente observáveis, mas podem ser detectadas se o


observador tiver uma mentalidade aberta e estiver disposto a
aprender.
De acordo com FAO (1991), é importante e útil considerar os
processos de comunicativos em termos do modelo E-M-C-R (E -
emissor/fonte; M – mensagem; C- canal; e, R – receptor). Para
efeitos de aprendizagem, podemos usar o extensionista como um
exemplo claro de emissor, de fonte de algumas comunicações.
Como já referenciado nos capítulos anteriores, o extensionista
deve conhecer o seu grupo de agricultores. E esta claro, que o
extensionista depende dos outros para obter as informações com
a qual pode iniciar uma comunicação com o seu público rural.
Pode-se continuar a seguir a cadeia de origem das informações
quase até ao infinito, mas para efeitos práticos, é útil considerar
o pessoal extensionista não apenas como um dos muitos
indicadores da comunicação com os agricultores, mas também
do ponto de vista de tácito, como um dos emissores do processo
de desenvolvimento.
É importante que o extensionista garanta que os objectivos dos
conteúdos da mensagem devem ser pertinentes para o público e
directamente relacionado com a intensão de ou pretensão da
comunicação, de tal forma que o tratamento da informação ou
mensagem deve ser tal que a torne inteligível ao público
previsto. Não é fácil codificar ideias complexas de tal maneira
que um público previsto possa, por sua vez, descodificar e extrair
a informação contida na mensagem. Ademais, torna-se
necessário enfatizar que a elaboração de uma mensagem que
possa ser entendida por um determinado público exige uma
grande profundidade de compreensão do conteúdo da
mensagem. Em condições ideais, esta profundidade de
compreensão inclui experiência prática na realização das ideias
contida na mensagem, assim como, um conhecimento
considerável de como os diversos elementos da mensagem se
inserem nos processos agrícolas global dos agricultores assistidos
pelo extensionista.
Os canais de comunicação são os diversos métodos à disposição
do comunicador para chegar com uma mensagem a um público.
Nas zonas rurais, a comunicação escrita pode configurar uma
grande limitante para a chegada de informações ao beneficiário
final, devido as altas taxas de analfabetismo, mas não deve ser
rejeitado a priori, dado os indícios consideráveis de que as
mensagens

55
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

escritas são lidas aos analfabetos em zonas com baixas taxas de


alfabetização. Para FAO (1991), a interação directa e oral é a
mais aconselhável, na medida em que permite que sejam feitas
perguntas, e de um modo geral seja conseguida a comunicação
bidirecional fácil e eficaz. Contudo, a interação pessoal é cara,
pois normalmente prevê-se que cada extensionista atinja um
público bastante vasto de agricultores, é por isso que os métodos
de comunicação social, tais como radio, televisão tem sido
amplamente utilizados ultimamente para chegar oralmente ao
público.
Os meios de comunicação visual incluem dispositivos, os filmes e
a televisão, além de muitas variantes de demonstração do
campo, que é provavelmente o método mais eficaz de
comunicação à disposição do pessoal extensionista. Para serem
mais eficazes as demonstrações de resultado exigem que seja
usada a comunicação oral e visual, podendo facilmente também
beneficiar de materiais escritos, ou seja, o ideal é que haja a
combinação de métodos. Em países do Terceiro Mundo, tal é o
caso de Moçambique, não é raro que os extensionistas sejam
quase a única fonte de informações sobre a tecnologia produtiva
moderna. Isto constitui um fardo enorme para o extensionista
individual, e sublinha a necessidade de utilizar combinações de
métodos e variações nas mensagens, para chegar eficazmente ao
público agricultor.
Portanto, FAO (1991), o receptor de maior interesse aqui é o
agricultor. Sob o título de receptor incluem-se diversos conceitos
que essencialmente descrevem o efeito desejado duma
mensagem sobre o agricultor. Os termos incluídos na lista
pretendem especificar as respostas mentais e físicas do
agricultor, suscitadas pela comunicação eficaz. Rogers (1983),
defende que são resultados preferenciais do processo
comunicativo. Em primeiro lugar advoga o autor, que é
necessário transmitir informações e consolida-las para que se
transformem em conhecimentos. Procura-se nesta fase, que o
novo conhecimento convença e resulte numa tomada de decisão
por parte do agricultor de no mínimo experimentar a nova
prática/tecnologia agrícola. Importa ressaltar, que a tarefa do
extensionista não termina por aqui, visto que as necessidades de
informação por parte dos agricultores são mais permanentes no
momento de adoção das novas ideias/tecnologias. Por fim, o
autor defende que os agricultores apos adoptar uma nova ideia
continua a procurar informações sobre validez da sua decisão

56
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

avaliar se o melhoramento pretendido tem ou não resultados


previstos.
Do ponto de vista do extensionista, o objectivo final da
comunicação é a confirmação final por parte dos agricultores,
mas este deve estar ciente que os agricultores podem não
avançar passo a passo simultaneamente, e uma das formas de
contornar ou reduzir segundo Rogers (1983), é o estabelecimento
de um processo de comunicação continuo para que se alcance o
êxito desejado. Importa ressaltar, que a comunicação em
extensão rural não se faz de uma vez por todas, mas sim é um
processo continuo de retroalimentação e feedback guiado para
o alcance de um determinado objectivo.
A comunicação eficaz, conforme acima mencionado pressupõe
um processo de retroalimentação e é recíproco, ou seja, o
agricultor em algum momento pode assumir o papel de emissor
da mensagem, sendo neste caso o extensionista o receptor. Na
falta de qualquer reação por parte do agricultor
(retroalimentação ou informação de retorno), é praticamente
impossível medir, por exemplo, até que ponto conteúdo da
mensagem ou escolha do canal são apropriados, na realização de
uma campanha informativa.
Os objectivos da comunicação em extensão são de fornecer
conhecimentos firmes sobre os quais se pode basear a acção para
convencer ao agricultor a tomar a decisão de experimentar a
nova tecnologia, fornecer as informações de que o agricultor
para avaliar os resultados dessa decisão e espera-se confirmar
essa decisão. É uma realidade de que nem todas as pessoas no
contexto da discussão, nem todos os agricultores, aceitam uma
mesma ideia ao mesmo tempo. Por muito desejável que possa
ser que a população inteira decida uma nova actuação
imediatamente após a apresentação de uma nova ideia, isso não
acontece. FAO (1991), adverte que com efeito, a maior parte das
ideias aparecem e desaparecem sem causar grandes
perturbação. Algumas ideias podem ser visadas como contendo
mérito suficiente para que algumas pessoas as aceitem e
experimentem. Estas poucas experiências podem levar a uma
maior aceitação se os outros consideraram que a nova ideia tem
mérito. Este facto, da aceitação gradual, levou a inferir que
existe uma característica psicológica que pode ser chamada de
inatividade ou disposição para arriscar.

57
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Processo de difusão
A difusão das inovações refere-se a como estas se propagam
entre uma população, e é simplesmente o produto das decisões
individuais de adoção. Se ad decisões individuais de adopção são
em determinada medida previsíveis, então o processo global de
difusão também o é. Portanto, as redes de comunicação
existentes, e os laços entre as pessoas, são aspectos centrais
deste processo. Os extensionistas podem influir sobre o ponto
em que se dá a inflição em subida de curva, e podem influenciar
a inclinação da subida da curva, e podem influenciar a inclinação
da subida, fornecendo os conhecimentos nos quais a decisão se
pode basear. Contudo a comunicação da extensão é fortemente
reforçada pela comunicação informal entre os agricultores sobre
o desempenho tem que corresponder às mensagens persuasivas
da extensão, para que se verifique uma difusão rápida se a
observação casual dos resultados não apoiar a mensagem de
persuasão.

Sumário

Nesta Unidade temática 3.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente a importância da comunicação no processo
de extensão rural. Buscamos abordar sobre a necessidade de se
estabelecer um processo comunicativo eficaz e uso do feedback
como mecanismo para aferir se a mensagem foi recebida como
o emissor pretendia que fosse.

Auto – avaliação

1. Qual é a essência do processo de difusão?

2. Por que é que o contexto de decisório do agricultor tem


que ser redefinido para incluir as ligações com as
organizações fornecedoras de factores de produção?
3. Que importância tem o contexto na discussão entre o
agricultor e o extensionista?
4. Os conceitos e as práticas de comunicação em extensão
rural em Moçambique encontram-se intrinsecamente
vinculados ao processo evolutivo da extensão rural no
Mundo. Argumente.

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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Exercícios de avaliação

1. A extensão rural entendida como acção implica um acto de


comunicação que envolve vários métodos e meios? Comente
2. Defina a comunicação em extensão rural?
3. Por que é que se diz, que podemos usar a comunicação
para motivar e formar a população rural? especialmente os
pequenos produtores
4. Defina a difusão?
5. A difusão é um tipo especial de comunicação no qual as
mensagens são relacionadas com uma nova ideia. Comente.
6. A difusão adquire uma dimensão social, como processo de
disseminação de uma inovação num sistema social através
do tempo, como tal é um fen6meno de grupo. Comente.

Referências Bibliográficas
FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.
Roma. Disponível em:
[Link]
hl=pt-PT&pg=PP4#v=onepage&q&f=false
Rogers, E. (1983). Diffusion of innovations. 3rd ed. New York:
The Free Press.
Holdcroft, L. F. (1982). The rise and fall of community
development in developing countries, 1950-1965: A critical
analysis and implications. In G. E. Jones & M. J. Rolls (Eds),
Progress in rural extension and community development. Vol 1,
Extension and relative advantage in rural development.
Beneor, D & Harrison, J. Q. (1977). *9+0][POUYGFVCXZ
Agricultural extension: The training and visit system. Washington
D. C.: The World Bank.
Maunder, A. H. (1973). Agricultural extension: A reference
manual. (abridged edition). Rome: Food and Agriculture
Organization of United Nations.

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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 4: MÉTODOS DE EXTENSÃO

Unidade Temática 4.1. Métodos de Extensão rural

UNIDADE TEMÁTICA 4.1. Introdução

Os métodos são aqueles que visam e procuram objectivar um


entendimento especifico do agricultor. Em extensão rural os
métodos podem apresentar uma abordagem individual como
grupal, mas estão inteiramente dependentes da finalidade e da
necessidade previamente identificada por parte do extensionista
e da tecnologia que se disseminar.

Assumindo que a aprendizagem é um processo individual, pés


embora os extensionistas usem os métodos de massa e de grupo
para alcançar grande número de pessoas e incentivar ação
conjunta em planificação e execução de projetos. A influência
pessoal do extensionista é vital para assegurar cooperação,
participação nas atividades de extensão, na adoção de
melhoramentos na propriedade e no domicílio. As pessoas
ouvirão os conselhos e sugestões de um extensionista de quem
eles conhecem, gostam e de quem eles respeitam pelo
conhecimento técnico. Os permitem, através da troca de ideias
com produtores, conhecer as condições das populações rurais e
das próprias comunidades.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

• Identificar os diferentes métodos de extensão rural;

Objectivos • Descrever os diferentes métodos de extensão rural;

específicos • Aplicar os diferentes métodos de extensão rural;

As pessoas aprendem através da sua actividade, daquilo que


fazem e cada individuo aprende por si. Deste modo, Laird (1972),
reforça a ideia de que a extensão é um processo educativo,
chama-se atenção que antes de se selecionar algum método,
deve-se ter em conta os seguintes aspectos:

60
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

i) Nenhum método em si é melhor que o outro – o


extensionista deve escolher as técnicas mais adequadas a
situação. Nenhuma técnica deve ser considerada melhor que
qualquer outra;

ii) Devem ser usados vários métodos na realização do


programa – a experiência adquirida no trabalho de extensão
demonstra que quantas mais forem as formas através das quais
a nova informação é apresentada, mais rapidamente o individuo
aprende;

iii) Os métodos podem coexistir – é de prever a coexistência


de diversos métodos. Se uma demonstração leva a uma discussão
de grupo, a utilização de dois métodos reforça a informação
contida na demonstração.

iv) Uso de material visual e escrito sempre que possível – o


ensino pode ser reforçado e apoiado pela utilização de material
visual e escrito.

A sensibilidade e a visão de educador, do extensionista e do


pesquisador, deverão nortear a sua habilidade para fazer uso de
um bom e adequado método. Na definição desta estratégia, a
ação extensionista deverá demonstrar todo o seu conhecimento
sobre os métodos participativos de extensão rural, sua
habilidade de selecioná-los e combinar o uso e apoio dos
mesmos, haja vista que vários métodos poderão ser selecionados
e utilizados conjuntamente.

Método – Visita Técnica ou Visita ao campo e a domicílio

De acordo com FAO (1991), circunscreve-se a um encontro


individual com o agricultor ou trabalhador agrícola no campo ou
em sua casa. Mas para Ramos et al (2012), é um método simples,
de alcance individual, que serve para a troca de informações
para execução do programa de extensão rural.

Finalidade

É utilizado quando se necessita trocar conhecimentos e


informações, sensibilizar, motivar, planejar, acompanhar e
avaliar as ações desenvolvidas.

Quando utilizar

Sempre quando o extensionista for programar qualquer


atividade, principalmente de alcance individual ou

61
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

indeterminado na comunidade, este método deverá ser utilizado


para melhor conhecimento da família a ser atendida ou da ação
a ser desenvolvida. Recomenda-se que a aplicação do método
seja de acordo com a necessidade da obtenção da informação.

Procedimentos para realização

Devem ser consideradas as fases de planeamento e de execução.


No planejamento, deve ser determinada a época, a duração, o
conteúdo, os materiais, e até mesmo os equipamentos, se for o
caso, para a boa execução do método. Durante a execução,
devem ser tomados os seguintes cuidados:

a) Não deve ser alterada a rotina da unidade familiar;

b) Respeitar os valores, hábitos e costumes individuais;

c) Não esquecer o objetivo da visita;

d) Não pressionar decisões imediatas; e,

e) Sempre motivar a participação da unidade familiar nos


trabalhos grupais e comunitários.

Vantagens

1. Estabelecer clima de confiança mútua;

2. Facilitar a preparação e a execução de outros métodos e,

3. Proporcionar conhecimentos indispensáveis das


atividades, dos problemas da unidade familiar e do modo de
vida, por estar no seu ambiente.

Limitações

1. Custo elevado;

2. Baixo alcance; e,

3. Tendência a se concentrar em pessoas de mais afinidade


e amizade.

Método - Unidade de teste e Demonstração (UTD)

É um método grupal e complexo onde os/as extensionistas,


pesquisadores/as e os participantes vão construir ou reconstruir
os conhecimentos que, de forma prática fundamentam uma
tecnologia de processo, de produção, um produto ou um
equipamento, por meio de testes e de demonstração, sobre
outros tradicionalmente usados por eles.

62
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Finalidade

Para experimentação e demonstração de tecnologias ou prática,


bem como para aprimoramento e troca de saberes dos
beneficiários, com interesses comuns, cuja finalidade específica
é conhecer, comparar e avaliar os resultados econômicos, sociais
e ambientais obtidos, tendo como parâmetro as vantagens sobre
os conhecimentos utilizados pelos agricultores e agricultoras
participantes, permitindo que eles tomem a decisão que
acharem mais conveniente e importante.

Quando utilizar

Sempre que houver necessidade de experimentar e demonstrar


novos conhecimentos que atendam o interesse e a necessidade
dos beneficiários, para solução de problemas comuns.

Tempo estimado

A duração do método dependerá do que se deseja testar ou


demonstrar. No caso de uma tecnologia de manejo de cultura ou
de animal, ela durará o tempo do ciclo desse manejo.

Procedimentos para realização

1. Preparação

i) A necessidade e interesse dos participantes devem ser


conhecidos pelos responsáveis pela implantação da UTD;

ii) O responsável pela implementação do método deve


negociar com o grupo interessado no teste e demonstração da
tecnologia ou prática, tendo em foco os cuidados da conservação
e preservação ambiental, o aumento da renda ou redução dos
custos e a inclusão social das suas famílias;

iii) Instalar a UTD na propriedade de um dos beneficiários da


comunidade, participante interessado na atividade. Também
poderá ser instalada num espaço comunitário. Em qualquer um
deles, a indicação será dos interessados, porém, o responsável
pela implantação do método deverá avaliar a época, as
condições de solo, água, vento e acesso do local indicado;

iv) O plano da unidade deve ser, no primeiro momento,


elaborado 31 com os agricultores e agricultoras participantes e
o extensionista, definindo o objetivo e todas as fases da UTD,
bem como as responsabilidades de todos e a forma de
convivência entre os envolvidos;

v) Por ocasião do planeamento da UTD, deve-se ter o


cuidado de

63
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

verificar a necessidade de utilização de demonstração de um


método simples, complexo ou combinado, dependendo da
atividade;

vi) Recomenda-se que UTD seja instalada no local que


ofereça boa visibilidade, tanto para o grupo, como para a
comunidade e os visitantes;

vii) Na elaboração do plano da UTD devem ser consideradas,


ainda, as potencialidades locais, a agroecossistema, os valores
sociais, culturais, políticos, a capacidade econômica, entre
outros;

viii) Deve ser uma tecnologia ou uma prática cujos insumos e


serviços necessários à sua instalação e condução devem ser de
fácil acesso e sejam compatíveis com a maioria dos
participantes.

2. Execução

i) Considerar que, ao aplicar o método, são exercitadas as


fases do processo de aprendizagem: formulação de conceitos e
tomadas de consciência; i) predisposição de participar dos
interesses e, iii) desenvolvimento de habilidades;

ii) Durante todas as fases dessa atividade, o/a responsável


pela implantação da UTD deverá assumir o papel de facilitador/a
da 32 troca de saberes, na qual a construção ou a reconstrução
do conhecimento funcionem como um ensaio, por se estar
testando e demonstrando um conhecimento novo para os
participantes, na busca de um novo saber;

iii) Elaborar, com os participantes, a contabilidade das


despesas da atividade para permitir a análise dos custos e ganhos
e outros resultados da atividade testada e demonstrada;

iv) Quem deve conduzir a UTD são os participantes, sendo o


extensionista, pesquisador ou facilitador, o animador do
processo de socialização das informações e conhecimentos,
análise dos resultados e das possíveis oportunidades de
aplicação;

v) Deve ser garantida a divisão de responsabilidades dos


participantes, a fim de que seja estabelecida a gestão conjunta.

3. Vantagens

i) Facilita a capacidade de tomada de decisão de cada um


dos participantes de adotar, ou não, de forma parcial ou total,
o novo conhecimento adquirido, conforme suas próprias
condições;

64
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

ii) Permite a apropriação da condução do método, pelos


participantes, tendo em vista que a construção do plano da
unidade foi responsabilidade do grupo.

iii) Possibilita o fortalecimento da construção associativa e da


gestão compartilhada na condução da UTD;

iv) Valoriza o saber, os insumos locais e os valores dos


beneficiários da comunidade, agricultores e agricultoras
participantes, devido à comparação dos resultados à luz da
realidade;

v) Facilita o desenvolvimento de destrezas e habilidades de


determinadas práticas vivenciadas na condução da unidade.

4. Limitações

i) Poderá demandar muito tempo;

ii) Requer recursos adicionais;

iii) Poderá depender de condições climáticas;

iv) Alcance de público limitado;

v) A diferença de idades dos participantes poderá influenciar


na velocidade da aprendizagem;

vi) Resistência à aprendizagem de coisas novas, meramente


porque alguém disse ao participante que ele deve aprender.

Modelo - Dia de Campo (DC)

É um método grupal e complexo que permite a reunião de um


grupo de pessoas, entre 50 a 100 participantes, em determinada
propriedade rural, onde estão sendo obtidos bons resultados em
certas práticas ou tecnologias, e que merecem ser conhecidos,
possibilitando aos participantes a observação, discussão e
análise das questões tecnológicas, econômicas, sociais e
ambientais, bem como a possibilidade de implementação das
práticas observadas.

Finalidade

Mostrar uma ou mais práticas ou tecnologias referentes a um só


assunto, visando a motivar e despertar o interesse de pessoas,
mediante a troca de experiências, a oportunidade de
comparações e esclarecimento de dúvidas relacionadas aos
temas observados. Conforme a necessidade e oportunidade
identificadas pelos agricultores e extensionistas, podendo ser
utilizada na área econômica e social.

65
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Tempo estimado

Condicionado ao número de participantes e de estações.

Procedimentos para realização

1. Preparação

i) Identificada a necessidade, oportunidade e interesse dos


agricultores, deve ser elaborado o planeamento do DC,
envolvendo em todas as etapas os beneficiários da comunidade;

ii) Na elaboração do planeamento, o extensionista ou


pesquisador deverá envolvê-los nas decisões quanto ao tema, à
época de realização, aos conteúdos técnicos a serem priorizados,
a definição dos palestrantes em cada estação, ao local evento e
à divulgação entre o público interessado;

iii) Deve ser eleita uma comissão organizadora do evento,


composta por agricultores e agricultoras, extensionistas,
parceiros e colaboradores, que deverá elaborar um plano de
ação do DC com o objetivo de organizar melhor o trabalho e
definir os papéis dos seus membros;

iv) O plano deverá ter uma cronologia clara e objetiva as


etapas a serem desenvolvidas, observando-se as ações
preparatórias de execução e acertos finais, contendo as
responsabilidades dos envolvidos e prazos definidos em reunião
com o grupo de agricultores;

O plano deve conter, na sua matriz, a seguinte estrutura:

O que fazer, com quem fazer, quando fazer, quem vai fazer

Observação

v) Fazer a previsão do número de participantes, a fim de que


sejam compatibilizadas as outras providências;

vi) Selecionar um local de fácil identificação e acesso, capaz


de permitir a visualização das práticas aplicadas;

vii) Definir, com a comissão organizadora, as práticas ou


tecnologias a serem apresentadas, as quais devem ser
compatíveis com as condições socioeconômicas dos agricultores
e ambientalmente sustentáveis.

66
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

2. Vantagens

i) Desperta interesse e atenção de um maior número de


pessoas, em um só dia;

ii) Estimula a tomada de decisão para adoção das práticas


por agricultores interessados;

iii) Amplia e fortalece o relacionamento entre extensionistas,


pesquisadores e beneficiários da comunidade, parceiros e
lideranças;

iv) Divulga a atuação da extensão rural;

v) Informa e demonstra resultados positivos “in loco”;

vi) Custo relativamente baixo, em função do alcance.

3. Limitações

i) Exige tempo da equipe, na preparação;

ii) Exige uma localidade apropriada que possua bons


resultados, objeto do método;

iii) Depende de condições climáticas;

iv) Desenvolvimentos e desafios da extensão rural

Modelo - Unidade Demonstrativa (UD) OU Campo de


Demonstração de Resultados (CDR)

É um método complexo e grupal que tem como característica


demonstrar, acompanhar, avaliar ou adotar uma ou várias
atividades agropecuárias ou sociais de comprovada eficiência,
eficácia e rentabilidade, sem necessidade de comparação.

Finalidade

Serve para se criar na comunidade um exemplo vivo de técnicas


ou produtos, cuja necessidade de introdução é desejada pelos
agricultores e agricultoras. Estas práticas ou produtos são
empregados por um ou mais colaborador ou colaboradora, de
consenso da comunidade, com a ativa participação dos vizinhos
interessados, sob o assessoramento do extensionista, para a
construção ou reconstrução do conhecimento da comunidade,
por meio de demonstração, acompanhamento, avaliação e
adoção.

67
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Poderá ser utilizado com finalidades específicas, tais como:

a) Introdução de técnicas ou produtos que aumentem o


rendimento de culturas e criações com maior lucratividade;

b) Introdução de técnicas que possibilitem a conservação e


preservação ambiental;

c) Introdução de novas variedades, cultivares ou raças;

d) Introdução de agroindústrias.

Tempo estimado

A duração do método dependerá da tecnologia a ser mostrada ou


da natureza do produto.

Procedimentos para realização

i) A decisão de implantar uma UD/CDR é tomada em


conjunto com a comunidade, agricultores ou família rural,
mediante a necessidade do tema constatado no processo de
desenvolvimento local.

ii) Em conjunto, deve ser elaborado o plano da UD/CDR,


observando-se quais métodos simples poderão ser utilizados
durante a duração da mesma, como partes integrantes;

iii) É muito importante a participação dos agricultores e


agricultoras que conduzirão a UD/CDR, em todas as etapas de
planeamento, com a finalidade de possibilitar o
comprometimento e a cumplicidade dos mesmos;

iv) A escolha da localização da UD/CDR deve considerar a


facilidade de acesso e permitir a visibilidade;

v) O tamanho da unidade demonstrativa deve permitir a


eficiência em termos econômicos para cada local e será função
da técnica ou do produto a introduzir e do tipo da atividade em
foco.;

vi) Deve ser elaborado um orçamento das despesas que serão


realizadas na instalação da UD/CDR, considerando-se a
necessidade de recursos financeiros para os itens material de
consumo, serviços de terceiros (se for o caso), diárias,
combustível, etc.;

68
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

vii) Na instalação da UD/CDR, considerar a viabilidade de uso


de recursos próprios do colaborador ou colaboradora, de
financiamento ou da participação de empresas comerciais,
cooperativas, associações, entre outros, no fornecimento de
materiais e equipamentos necessários;

viii) A seleção do beneficiário/participantes deve ter a


participação da comunidade, considerando os seguintes
aspectos: ser representativo da comunidade; ter respeito e
confiança da comunidade; ser sociável, gostar de receber visitas;
não ter sido selecionado frequentemente como colaborador de
outras atividades; ser receptivo às orientações do extensionista
ou pesquisador; ter conscientização dos objetivos e
responsabilidades; e que receba assistência sistemática do
serviço de extensão rural;

ix) O pessoal selecionado deve ter a oportunidade de discutir


sobre o tema da UD/CDR com o responsável pela implantação da
mesma, a fim de estar apto para transmitir aos visitantes os
objetivos propostos;

x) O Planeamento da UD/CDR deverá contemplar os


seguintes pontos: objetivo, tamanho, cronograma de atividade,
plano de acompanhamento de resultados econômicos e plano de
divulgação;

xi) A instalação da UD/CDR deve ser feita com a participação


da comunidade e dos participantes interessados;

xii) As visitas de pessoas à UD/CDR devem ser registradas em


uma folha de anotações, constando o nome da pessoa e
endereço;

xiii) O colaborador deverá estar ambientado com todas as


atividades e realizar todas as anotações, em todas as fases de
desenvolvimento da cultura ou criação, a fim de possibilitar o 51
resultado econômico, financeiro e social, por ocasião da
conclusão da UD/CDR;

xiv) Por ocasião da conclusão da UD/CDR, deverá ser


elaborado um relatório final.

69
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

1. Vantagens

i) Permite o estabelecimento de um sistema de utilização


de vários outros métodos ao longo da sua duração, influindo
sobre a eficácia da ação extensionista;

ii) Permite, através de intercâmbios e excursões, o


relacionamento entre produtores e produtoras e o
fortalecimento de movimentos associativistas.

2. Limitações

i) Exige esforço da equipe, no preparo do/a


demonstrador/a;

ii) Pode produzir resistência e descrédito na extensão rural

Modelo - AGRICULTOR MODELO

O método de agricultor modelo (lead farmer) consiste na


identificação dum agricultor cujos os métodos de cultivo e
atitudes pessoais sejam tão superiores que a sua exploração
agrícola pode servir de exemplo para os outros seguirem. O
objectivo de selecionar um agricultor modelo é de demonstrar
boas práticas através da exaltação de um exemplo local, para
persuadir os beneficiários a adoptarem melhores práticas
agrícolas e criam situações educacionais. A rápida eficácia deste
método prende-se pelo facto da pessoa selecionada for amada e
respeitada pela comunidade de agricultores e a população seguir
voluntariamente.

De acordo com a FAO (1991), uma vez selecionado o agricultor


modelo esse recebe um treinamento intensivo com o objectivo
de desenvolver o espírito persuasor e a sua dedicação em
benefício da comunidade. O agricultor modelo recebe plena
colaboração e apoio do estado. Na prática, os agricultores
modelo facilitam o trabalho da extensão, pois funcionam como
extensionistas voluntários.

Sumário

Nesta Unidade temática estudamos e discutimos


fundamentalmente os diferentes modelos de extensão.
Buscamos explorar as vantagens e limitações de cada um deles
bem como a sua relevância e aplicabilidade no contexto de
extensão rural. Os modelos aqui propostos se baseiam na sua
relevância e adequabilidade ao contexto de Moçambique, que
para o
70
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

sector público quer para o sector privado, podendo variar em


função dos projectos de desenvolvimento implementados junto
as comunidades.

Auto – avaliação

1. Caracterize o modelo de Visita técnica?


2. Fale das vantagens do dia de campo no processo de
extensão?
3. Que limitações o modelo de Unidade Demonstrativa
apresenta?
4. Quais as vantagens da abordagem de agricultor modelo?

Exercícios de avaliação

1. Diferencia o Método – Visita Técnica ou Visita ao campo e


a domicílio dos outros modelos, quanto as limitações.
2. Que vantagens possui o Método de Unidade
demonstrativa?
3. Fale das desvantagens do uso do Modelo Unidade
Demonstrativa quanto a exposição da tecnologia?
4. Olhando para a situação de Moçambique que
aplicabilidade possui o Modelo Dia de Campo?
5. Diferencie os Método Unidade Demonstrativa e Agricultor
Modelo, quanto as limitações e vantagens?
6. Que elementos devem se ter em conta na escolha do
Agricultor modelo?

Referencias bibliográficas

FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.


Roma. Disponível em:
[Link]
hl=pt-PT&pg=PP4#v=onepage&q&f=false
Rogers, E. (1983). Diffusion of innovations. 3rd ed. New York:
The Free Press.
Holdcroft, L. F. (1982). The rise and fall of community
development in developing countries, 1950-1965: A critical
analysis and implications. In G. E. Jones & M. J. Rolls (Eds),
Progress in rural extension and community development. Vol 1,

71
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Extension and relative advantage in rural development.


Beneor, D & Harrison, J. Q. (1977). *9+0][POUYGFVCXZ
Agricultural extension: The training and visit system. Washington
D. C.: The World Bank.
Maunder, A. H. (1973). Agricultural extension: A reference
manual. (abridged edition). Rome: Food and Agriculture
Organization of United Nations.

72
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 5: DESENVOLVIMENTOS E DESAFIOS DA EXTENSÃO RURAL

Unidade Temática 5.1. Desafios de extensão Rural e o Papel


do Extensionista

UNIDADE TEMÁTICA 5.1. Desafios de extensão Rural e o Papel do


Extensionista

Introdução

A extensão rural teve o seu inicio na década de quarenta, em sua


trajetória a extensão rural passou do modelo difusionista
inspirado no modelo americano de desenvolvimento e bases
ditadas pelos pacotes da chamada revolução verde, chegando ao
momento atual com uma proposta de práticas educativas e
participativas como promotoras do desenvolvimento local e
sustentável para a agricultura familiar. Pés embora o processo
de produção em Moçambique estivesse ligado as grandes
companhias de localizadas ao longo do país o modelo de extensão
sempre foi voltado para produção de culturas de exportação,
envolvendo

A implantação da extensão rural em Moçambique foi marcada


por diferentes momentos e períodos, sendo que estes estão
inteiramente ligados com a fase de desenvolvimento e
consolidação do estado.

Ademais, uma nova Extensão Rural deveria adotar algumas


características fundamentais, entre as quais se destacaria a
necessidade de um maior controle social sobre a atividade
extensionista, uma nova orientação tecnológica, além de uma
metodologia participativa, capaz de fortalecer os processos
organizativos dos beneficiários e contribuir para a reconstrução
da cidadania rural (Corporal, 2017).

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

▪ Identificar os desafios da extensão rural;


▪ Conhecer o papel do extensionista no contexto Moçambicano.
Objectivos
específicos

73
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Para que o trabalho de extensão tenha êxitos é importante que


se tenha em conta a participação do grupo alvo, pois de contrário
os programas podem enfrentar vários constrangimentos. Segundo
Hawkins (1994), para que se note eficácia nos programas de
extensão rural, é sempre necessária a participação da população
durante o processo todo.
O conceito de participação com o qual nos identificamos é
definido por Hawkins (1994), como envolvimento dos
representantes da comunidade rural nos processos de decisão no
concernente aos objectivos, ao grupo alvo, a mensagem, aos
métodos, e às organizações dos serviços de extensão. Hawkins
(1994), O problema que se coloca assenta-se nos mecanismos e
tipos de participação.
Com efeito, certos estudos revelam que nem sempre a
participação tem sido eficaz, na maioria das vezes as condições
existentes não favorecem a uma participação condigna, devido
a eventuais obstáculos, nomeadamente:
(i) centralização de tomada de decisões;
(ii) atitudes, valores e aptidões não apropriadas do pessoal;
(iii) sistema de avaliação não apropriado;
(iv) mudança frequente do pessoal;
De referir que entre os obstáculos ligados à comunidade
destacam-se os seguintes:
(i) falta de organizações locais apropriadas;
(ii) falta de capacidade de direcção e de organização;
(iii) falta de infraestruturas na comunidade;
(iv) espírito de discórdia e divergência nos interesses
económicos;
(v) passividade adquirida e falta de tempo (Hawkins, 1994)
Dentre os obstáculos acima delineados, existem alguns pontos
passíveis de discussão, por exemplo, no que diz respeito a falta
de capacidade de direcção e organização. O que se verifica é que
existem preconceitos relativamente a população rural no que diz
respeito as suas capacidades organizativas. O que se pode
verificar para discordar com este ponto é que a História os
mostra que os africanos já puderam viver de uma máquina
administrativa eficiente, dirigida por indivíduos analfabetos,
mesmo no período anterior à ocupação colonial (Pélissier, 1994).

74
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

No que concerne aos constrangimentos da participação


comunitária Lele (1980) defende que o problema se assenta nas
condições de trabalho do extensionista.
Papel do extensionista
De acordo com Swanson (1991) existe um número ilimitado de
papéis que se pode esperar que o extensionista desempenhe,
incluindo os de advogados, professor, organizador, fiscal de
regulamentos, planeador, catalisador, coordenador, cobrador de
taxas, e especialista em comunicações. O extensionista pode ter
a capacidade de apresentar e demonstrar o uso de novas
tecnologias agrícolas. Contudo, se as limitações existentes
incluírem a falta de mão – de - obra durante os períodos de
ponta, dificuldades com os transportes, a política de
exportações ou os incentivos de preços, provavelmente ele
pouco poderá fazer para alternar essa situação.
O que se pode esperar é que os extensionistas tenham uma
melhor compreensão que o processo de mudança se realize
dentro dos limites do possível, pois ele deve tentar observar o
contexto global das situações dos agricultores, evitando ao
máximo as noções pré-concebidas sobre aquilo que existe. Antes
de introduzir novas tecnologias numa comunidade rural é
essencial ter informações qualitativas, pois, num determinado
contexto rural, deve-se seleccionar o que é realmente
importante e pertinente. Pode - se concentrar a atenção em
alguns dos problemas mais óbvios sentidos pelos agricultores na
sua experiência e nas circunstâncias do meio rural que podem
incidir na tomada de decisões referentes à agricultura.
As seguintes questões apresentam formas de obter algumas
destas informações:
(i) Qual é o carácter do sistema de cultivo?
(ii) Existe e é utilizada a mão - de – obra assalariada ou
familiar?
(iii) Qual é a contribuição em termos de mão – de – obra dada
pelos homens, mulheres e crianças? Para quais culturas?
(iv) Como se tomam as decisões quanto ao tempo a atribuir
às diversas culturas e quais são os métodos de cultivo?
(v) Quais são as exigências e hábitos alimentares dos lares
rurais?

75
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

(vi) Os principais alimentos são adequados e estão


disponíveis?
(vii) A que tipo de grupos rurais ou de povoações é que os
agricultores estão ligados?
(viii) Quais são os padrões de influência e autoridade existentes
ao nível de aldeia/ comunidade?
(ix) Quem é que possui um estatuto elevado? Em que critério
é que se baseia esse estatuto?
(x) Como é que a informação particularmente a que se refere
à agricultura é difundida na aldeia?
(xi) Que ligações é que os agricultores têm com fontes
exteriores de informação?
(xii) Que tipo de indivíduos constituem líderes de opinião e
modelos para os agricultores? E modelos para os agricultores?
(xiii) Como é que as decisões dos agricultores são efectuadas
pelas decisões dos demais, pelas necessidades, objectivos e
recursos familiares, por experiências recentes, pela percepção
de alternativas, por limitações, ou os vários métodos de
simplificação por eles adoptados (“rotinas”) regras empíricas e
rituais?
(xiv) Que organizações e órgãos agrícolas é que actuam a nível
local?
(xv) Que é que servem? Como são encaras pelos agricultores?
(xvi) Até que ponto parecem ser eficazes? Que necessidades
não são satisfeitas?
(xvii) Quais são os serviços de comercialização, crédito e
extensão disponíveis?
(xviii) Que utilidade prática é que tem? Como são vistos pelos
agricultores
As respostas a estes tipos de perguntas fornecerão um contexto
para a compreensão do comportamento dos agricultores,
nomeadamente ao tomar decisões sobre a agricultura. Existem
outras grandes responsabilidades do extensionista para além da
compreensão da situação agrícola e da cultura local. Este deve,
em primeiro lugar, estabelecer um relacionamento de mudança
com os agricultores. Para ter alguma influência sobre as decisões
dos agricultores quanto a inovações o mesmo, tem que ser visto

76
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

como uma pessoa competente, atenta às necessidades do


agricultor, portanto que tem de algo útil para difundir.
Pode - se criar uma certa empatia fomentando a discussão dos
problemas dos agricultores com os próprios agricultores, e
procurando compreender as limitações à produção do seu ponto
de vista. A competência do extensionista e a opinião que os
agricultores têm dele serão influenciadas pela formação que este
recebeu em temas económicos e sociais (Manual de referências,
2ª edição, Extensão Rural, 1991). Outro papel fundamental do
extensionista é a avaliação das necessidades dos agricultores,
quer com respeito aos tipos de tecnologias que correspondem ao
seu sistema agrícola, quer quanto aos níveis de capacitação e às
informações necessárias para promover com êxito a
transferência das tecnologias apropriadas. Em muitos casos o
extensionista deve fazer com que entre os agricultores surja a
necessidade de inovação (Rogers, 1969).
Extensão rural como bem público
De acordo com Corporal (2017), já faz algum tempo que, diante
da perspectiva neoliberal e sua política de Estado mínimo, surgiu
no contexto do debate sobre o futuro dos serviços de Extensão
Rural, uma temática nova: a questão da Extensão Rural como um
“Bem Público”. Este debate sobre bens públicos e bens privados,
bastante presente em algumas correntes da economia e da
sociologia, ainda não encontrou consenso para o caso da
Extensão Rural.
O que pretendemos, de forma sintética, é defender a hipótese
de que o serviço de Extensão Rural, como processo educativo,
informativo, comunicacional e de apoio à formação dos
agricultores, se constitui, sem qualquer dúvida, em um
importante Bem Público. Portanto, especialmente em realidades
como a nossa, e sempre que se tratar de ter como beneficiária a
agricultura familiar, sua oferta pública e gratuita passa a ser uma
obrigação do Estado. Sabemos que Bens Públicos são,
resumidamente, aquela cuja oferta/apropriação não causam
rivalidade e que não podem ser de uso exclusivo. Isto é, a
apropriação não pode ser restrita, ou seja, o fato de uma pessoa
“consumir” este bem não impede que outras pessoas possam
usufruir dele. Logo, um Bem Público deve apresentar, como uma
de suas características, não ser exclusivo, isto é, deve estar
acessível a todos. Ao contrário, um Bem Privado, é aquela cuja
apropriação por uma pessoa implica que outras deixarão de ter
acesso,
77
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

apresentando, portanto, uma característica oposta: a da


exclusividade.
Para Corporal (2017), o fato da Extensão Rural priorizar
atividades grupais, dias de campo e o uso de muitos meios de
comunicação de novas informações, como o rádio e a televisão,
pode minimizar este problema, ainda que não o resolva
completamente. Por sua vez, uma opção pela assistência técnica
individualizada pode reduzir a característica de Bem Público, na
medida em que um técnico tem capacidade física de
atendimento a um número limitado de clientes–agricultores e,
portanto, a oferta do serviço passaria a adquirir uma
característica de Bem Privado, na medida em que se amplie o
atendimento individual, às custas do total dos potenciais
beneficiários. O mesmo ocorre quando a extensão opta por um
público específico, como no caso de Moçambique, onde a
agricultura familiar passou a constituir-se público exclusivo do
serviço de Extensão Rural. Neste caso, fica minimizado o
problema na medida em que informações e orientações de
natureza técnica não são negadas aos demais agricultores,
sempre que eles busquem apoio nos escritórios de extensão.
Segundo Corporal (2017), de qualquer forma, ainda que não haja
consenso, os serviços de Extensão Rural apresentam-se muito
mais próximos de serem considerados como um Bem Público do
que como um Bem Privado. A comparação mais efetiva para
esclarecer esta característica pode ser feita com a educação
formal. Ainda que esta se mostre limitada e, às vezes até
excludente, ninguém discute se a educação básica é ou não é
uma obrigação do Estado, ou seja, um Bem Público por
excelência. Portanto, sendo isto verdadeiro, cabe ao Estado,
financiar e manter funcionando os serviços de Extensão Rural,
para os agricultores que não podem ter acesso a outros meios e
formas de obtenção de informações necessárias para o
desenvolvimento e qualificação de suas atividades. A capacidade
de socialização e a possibilidade de massificação de informações
e conhecimentos de interesse público, assim como de
oportunidades de acesso a outros serviços, fortalecem a ideia de
que a Extensão Rural é um Bem Público. O mesmo ocorre quando
a problemática do desenvolvimento envolve aspectos de
interesse geral da sociedade, como a proteção ao meio ambiente
e a busca de equidade social, que são particularmente
importantes entre os papéis do estado moderno.

78
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Sumário

Nesta Unidade temática 5.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente os desafios da extensão rural o as actuais
nuances em se olhar esses serviços como um bem público.

Auto – avaliação

1. Quais as vantagens de se priorizam actividades grupais em


extensão rural?
2. Por que é que a assistência técnica individualizada pode
reduzir a característica de bem público da extensão rural?
3. Caracterize a extensão enquanto bem público.
4. Como os meios de comunicação auxilia o fato da Extensão
Rural priorizar atividades grupais?

Exercícios de avaliação

1. Por que é que a extensão deve ser vista como um bem


público?
2. Por que é que a comparação mais efetiva da extensão
rural pode ser feita com a educação formal?
3. Por que é que se defende a hipótese de que os serviços de
extensão rural como um serviço de apoio aos agricultores?
4. Por que é que os debates em trono dos bens públicos e
bens privados, bastante presente em algumas correntes
da economia e da sociologia, ainda não encontrou
consenso para o caso da Extensão Rural?
5. Um Bem Público deve se apresentar, como uma de suas
características, não ser exclusivo, isto é, deve estar
acessível a todos. Comente.

Referencias bibliográficas

Caporal, F. R. (2007) EXTENSÃO RURAL E AGROECOLOGIA:


temas sobre um novo desenvolvimento rural, necessário e
possível Brasília, 2007

79
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

TEMA – 6: FERRAMENTAS DOS EXTENSIONISTAS

UNIDADE TEMÁTICA 5.1. Introdução

A inclusão das TICs na extensão rural dá origem a um novo termo,


E-extensão, como forma de incluir dentro das ferramentas que
utilizam as novas tecnologias baseadas na comunicação via
Internet, o uso de plataformas tecnológicas e dispositivos
eletrônicos tais como computadores, tablets e smartphones.

As TIC’s surgem como ferramentas que veem complementar as


actividades dos extensionistas, pés embora constitua um desafio
para países do Terceiro Mundo como é o caso e Moçambique.
Podendo ser afirmado que as TIC’s não se constituem em si como
uma contrapartida à extensão rural tradicional, é um
complemento que aborda os novos desafios da comunicação,
utilizando os avanços tecnológicos e o comportamento das
sociedades urbanas e rurais (Espíndola, 2005).

De acordo com várias publicações que apresentam trabalhos


sobre o uso, aplicação e disponibilidade das TIC’s para processos
de extensão rural com produtores e produtores da agricultura
familiar, algumas das vantagens que podem contribuir para seu
desenvolvimento são apresentadas abaixo.

Ao completar esta unidade, você devera ser capaz de:

▪ Conhecer o contributo das TIC’s enquanto ferramenta de auxílio as


actividades de extensão rural;
▪ Aplicar as TIC’s nas actividades educativas no âmbito da extensão
Objectivos rural.
específicos

De acordo com Do Prado (2021), as TIC’s são um importante


veículo de extensão para alcançar os objetivos de produtividade,
sustentabilidade e transparência. Devido a seu fácil acesso e
baixo custo, as TIC’s facilitam a disponibilização de informações
especializadas, permitem a rastreabilidade nos sistemas de
produção, a digitalização das informações rapidamente e com a
possibilidade de compartilhá-las de forma ágil.
Proporcionam ampla circulação de inovações e informações,
bem como baixos custos na disseminação e intercâmbio de novas

80
ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

tecnologias remotamente e com rápido acesso a novas


atualizações.
Elas permitem o intercâmbio interdisciplinar, criando redes
interativas de caráter mais horizontal, assim como o uso e a
interconexão de diferentes plataformas, canais e meios de
comunicação para abordar questões agronômicas, associativas e
comerciais, como preços de produtos, compra e venda de
insumos.
Deste modo, De acordo com Do Prado (2021), a integração de
vídeos, textos, animações, imagens e gráficos facilita a
apresentação dos tópicos e permite uma melhor compreensão
das informações. Transmissão de programas de rádio, assim
como outros conteúdos que podem ser oferecidos em momentos
diferentes sem que os produtores ou extensionistas encontrem
contradições entre as tarefas diárias e o acesso à informação.
Criar bancos de dados que reúnam produtores ou extensionistas,
facilitando listas de difusão por grupos de interesses comuns,
estabelecendo sinergias entre pessoas e organizações que
compartilham esses espaços. Estabelecer diálogos e debates
técnicos entre vários especialistas que podem ser atendidos por
um grande grupo de extensionistas e produtores, mesmo que
estejam geograficamente distantes, com custos mais baixos para
a realização e participação de eventos. Estabelecer tarefas de
monitoramento para a incorporação de novas tecnologias, bem
como sua aplicação e geração de consultas em tempo real ou
estabelecer diagnósticos em tempo real ou diferido diante de
inconvenientes na mudança para locais de produção.
Recomendações para a inclusão das TIC nos serviços de
extensão
De acordo com Do Prado (2021), com base nas vantagens das
TIC’s na extensão rural acima, são apresentadas algumas
recomendações para sua incorporação em projetos. Fortalecer
os laços entre as necessidades dos produtores e a oferta de
pesquisa das universidades, centros de pesquisa e organizações
de produtores, para a concepção e aplicação das TIC, para isso
é necessário que os serviços de extensão rural concebam, dentro
de seus planos e projetos, o desenvolvimento deste objetivo.
Estabelecer processos para facilitar o treinamento que geram
confiança e conhecimento em TIC por produtores e
extensionistas, para isto se propõe que os serviços de extensão
projetem

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bases de dados de atores no território onde se visualize a oferta


de entidades públicas e privadas com a possibilidade de oferecer
treinamento, equipamentos e redes de conexão à Internet.
No projeto e aplicação, devem ser utilizados termos técnicos
apropriados a cada sistema agrícola e de fácil compreensão, a
integração entre desenvolvedores e demandantes da tecnologia
pode ser feita através dos métodos disponíveis da extensão rural
clássica, onde o diálogo é estabelecido para este fim.
Para Do Prado (2021), uso das TIC’s na concepção, uso e ope-
ração de produtos e serviços agrícolas e pecuários, facilitando a
cooperação de centros de pesquisa, organizações de produtores,
prestadores de serviços de extensão e administrações públicas.
Os serviços de extensão são desafiados a promover reuniões
entre diferentes entidades e organizações para criar sinergias na
criação ou uso de ferramentas TIC disponíveis para tarefas
produtivas e comerciais. Para gerar estratégias de adoção devido
à escassa capacitação no meio rural tanto daqueles que projetam
ferramentas quanto daqueles que devem utilizá-las
posteriormente, os serviços de extensão rural poderão esta-
belecer fontes de financiamento para este tipo de atividades, de
tal forma que as TIC possam ser geradas ou adaptadas com uma
abordagem territorial.
Deste modo, Do Prado (2021), em áreas onde a interconexão é
fraca devido a deficiências no fornecimento de Internet, podem
ser utilizados dispositivos de armazenamento que permitem a
portabilidade, tais como memórias flash e CD-ROMs, facilitando
o fluxo de dados para transformá-los. Esta possibilidade
aproxima a oferta de uso das TIC das regiões onde o acesso é
limitado devido às dificuldades inerentes à produção da
agricultura familiar (AF). Promover a cooperação entre jovens e
idosos para a operação de dispositivos tecnológicos que
proporcionam acesso às TIC’s, tais como aplicações para
telefones celulares, tablets e computadores. A inclusão de es-
colas e faculdades rurais nestes processos ajuda os serviços de
extensão a cobrir dois propósitos: o de integrar os jovens nos
métodos de produção e comercialização agrícola e a integração
das TIC’s nestes processos.

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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

Sumário

Nesta Unidade temática 4.3 estudamos e discutimos


fundamentalmente as ferramentas dos extensionistas, onde
procuramos abordar aspectos como as TIC’s auxiliam no processo
educativo nos contextos de extensão rural. Buscamos explicar e
analisar o contributo destas ferramentas no trabalho de
extensão.

Auto – avaliação

1. Que importância tem as TIC’s no desenvolvimento dos


serviços de extensão em Moçambique;
2. Como os baixos níveis de escolaridade dos extensionistas
pode ser um entrave para o uso das TIC’s no processo de
extensão rural?
3. Podem as TIC’s serem consideradas uma ferramenta, mas
valia para o auxílio dos extensionistas?
4. Estabelecer processos para facilitar o treinamento que
geram confiança e conhecimento em TIC por produtores e
extensionistas. Comente

Exercícios de avaliação

1. Por que é que as TIC’s são vistas como veículo importante


de extensão rural?
2. Que papel tem as TIC’s em quanto ferramentas dos
extensionistas no alcance dos objectivos de produtividade
e sustentabilidade da extensão rural?
3. As TIC’s facilitam a disponibilização de informações
especializadas, permitem a rastreabilidade nos sistemas
de produção, a digitalização das informações rapidamente
e com a possibilidade de compartilhá-las de forma ágil.
Comente.
4. Que desafios o uso da TIC’s como ferramenta de extensão
enfrenta no contexto rural Moçambicano?
5. O uso das TIC’s no processo de extensão pode facilitar a
Transmissão de programas de rádio, assim como outros
conteúdos que podem ser oferecidos em momentos
diferentes sem que os produtores ou extensionistas
encontrem contradições entre as tarefas diárias e o acesso

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ISCED CURSO: Desenvolvimento Agrário- 2º Ano Disciplina/Módulo: Extensão Rural

à informação. Argumente.
6. A integração de vídeos, textos, animações, imagens e
gráficos facilita a apresentação dos tópicos e permite uma
melhor compreensão das informações. Comente

Referências bibliográficas
Do Prado, C. M. (2021). Documento Técnico de Ferramentas de
Extensão e Ensino. Semeando Capacidades / Cooperação Brasil-
Colômbia- FAO. Brasília.
FAO (1991). Extensão Rural: Manual de Referência. 2ª Edição.
Roma. Disponível em:
[Link]
hl=pt-PT&pg=PP4#v=onepage&q&f=false
Nhancale, I. T (2011). Conceitos Básicos sobre extensão rural e
papel do extensionista. Ministério da Agricultura. Direcção
Nacional de Extensão Agrária. Maputo – Moçambique.

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