FERNANDO ALVARENGA CAETANO
TRABALHO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
AFOXÉ
SERRA
2025
AFOXÉ
“O que entendemos por ‘danças culturais brasileiras’? Como a miscigenação
influenciou diretamente as danças no Brasil.”
O Afoxé é uma das manifestações culturais mais antigas e simbólicas da Bahia,
com raízes profundas na tradição africana iorubá. Surgiu como uma forma de
expressão do candomblé e da cultura afro-brasileira, representando uma
maneira de levar os ritmos e cânticos sagrados dos terreiros para as ruas,
especialmente durante o carnaval.
O termo “afoxé” vem do iorubá e significa algo como “fala encantada” ou “palavra
mágica”, refletindo o poder espiritual da música e da dança. Originalmente, o
Afoxé era uma procissão religiosa, em que os praticantes desfilavam pelas ruas
entoando cânticos em louvor aos orixás, acompanhados por instrumentos de
percussão.
Durante o período da escravidão, essas manifestações eram reprimidas pelas
autoridades, que viam nelas uma ameaça à ordem social. Mesmo assim, os
negros baianos mantiveram viva a tradição, adaptando seus rituais para que
parecessem festas populares. Assim, o Afoxé se tornou uma forma de resistência
cultural e religiosa, preservando elementos do candomblé sob a aparência de
celebração pública.
A partir do final do século XIX e início do século XX, o Afoxé passou a se
aproximar mais do carnaval baiano, misturando-se às festas de rua e ganhando
destaque por sua beleza, ritmo e espiritualidade. O mais famoso grupo, o Afoxé
Filhos de Gandhy, foi fundado em 1949, em Salvador, e tornou-se símbolo de
paz, religiosidade e orgulho negro.
Durante séculos, as expressões religiosas de matriz africana foram perseguidas
e marginalizadas. O Afoxé surgiu, então, como uma forma de resistência
pacífica, em que a fé no candomblé podia ser expressa de modo disfarçado em
festas públicas. Nas ruas, o tambor e o canto se tornaram instrumentos de luta
e afirmação
Fundado em 1949, em Salvador, o Afoxé Filhos de Gandhy é o mais conhecido
e representativo grupo de Afoxé do Brasil.
Criado por estivadores do porto de Salvador, o bloco homenageia Mahatma
Gandhi, símbolo da paz e da não violência. Seus integrantes desfilam vestidos
de turbantes e roupas brancas, representando Oxalá, o orixá da paz e da
serenidade.