Introdução à Neoplasia
A palavra neoplasia vem do grego e significa, "novo crescimento".
1. Definição de Neoplasia
Neoplasia é um termo médico usado para descrever um crescimento anormal e
descontrolado de células no corpo. Esse crescimento ocorre de forma autônoma e
desorganizada, e o conjunto dessas células anormais forma uma massa que chamamos
de tumor ou neoplasma.
Todo tumor é um câncer? Não. A principal diferença reside na capacidade desse
crescimento de se espalhar e invadir outros tecidos.
2. Diferença entre Neoplasia Benigna e Maligna
As neoplasias são classificadas em dois grandes grupos, com características clínicas e
biológicas distintas:
Característica
Neoplasia Benigna Neoplasia Maligna (Câncer)
Principal
Geralmente lento e Geralmente rápido e
Crescimento
ordenado. desorganizado.
Nítidos, bem definidos e Pouco definidos (irregulares),
Limites/Bordas encapsulados (o tumor com invasão e destruição do
"empurra" o tecido normal). tecido circundante.
Sem invasão de tecidos Possui capacidade de invadir e
Invasão Local próximos. Permanece destruir ativamente os tecidos
restrita ao local de origem. vizinhos.
Tem capacidade de metástase
Não tem capacidade de
(disseminação para outros órgãos
Metástase metástase (disseminação
e tecidos através da corrente
para locais distantes).
sanguínea ou linfática).
Característica
Neoplasia Benigna Neoplasia Maligna (Câncer)
Principal
Geralmente menos
É o que chamamos de câncer.
perigosa, mas pode causar
Risco Possui alto risco de morbidade e
problemas pela
mortalidade se não tratada.
compressão de órgãos.
Em resumo, a neoplasia maligna (câncer) é definida pela sua capacidade de invadir
localmente e de gerar metástases (se espalhar para outras partes do corpo). A neoplasia
benigna não possui essas características agressivas.
Câncer de colo do útero
O câncer de colo do útero é frequentemente um carcinoma de células escamosas;
adenocarcinoma é menos comum. A causa da maioria dos cânceres de colo do útero é
infecção pelo papilomavírus humano (HPV).
Os fatores de risco associados ao câncer de colo do útero são:
• Infecção por papilomavírus humano (HPV)
• Neoplasia intraepitelial do colo do útero
• Maior potencial de exposição a doenças sexualmente transmissíveis (p. ex.,
idade precoce na primeira atividade sexual ou primeiro parto, múltiplos
parceiros sexuais, parceiros sexuais de alto risco)
• História de neoplasia intraepitelial vulvar ou vaginal escamosa ou câncer
• Câncer ou neoplasia intraepitelial anal
• Uso de contraceptivos orais
• Tabagismo
• Imunodeficiência
O precursor do câncer de colo do útero é a neoplasia intraepitelial do colo do útero
(NIC). A maioria dos casos de NIC e câncer de colo do útero invasivo é causada por
infecção persistente por papilomavírus humano (HPV), transmitido principalmente por
via sexual. A maioria (70%) das doenças pré-cancerígenas e invasivas pode ser
diretamente atribuída aos tipos 16 ou 18 do HPV; entretanto, 99% das amostras de
câncer de colo do útero contêm DNA de um ou mais dos 14 genótipos de HPV de alto
risco. A incidência do câncer de colo do útero tem diminuído constantemente ao longo
das últimas décadas por causa da vacinação contra o HPV, rastreamento de câncer de
colo do útero e tratamento da NIC.
Sinais e sintomas do câncer de colo do útero
O câncer de colo do útero inicial costuma ser assintomático. Quando há sintomas, estes
geralmente incluem sangramento vaginal irregular, que costuma ocorrer após o coito,
mas pode acontecer espontaneamente entre as menstruações. As neoplasias maiores têm
mais probabilidade de sangrar espontaneamente e podem causar corrimento vaginal
fétido ou dor pélvica. Câncer mais disseminado pode causar uropatia obstrutiva, dor
lombar e edema nas pernas decorrentes de obstrução venosa ou linfática.
Diagnóstico do câncer de colo do útero
• Teste de Papanicolau (citologia do colo do útero)
• Biópsia
Pode-se suspeitar de câncer de colo do útero durante o exame de rotina ginecológico. É
necessária uma avaliação mais aprofundada para pacientes com
• Uma lesão de colo do útero visível
• Sangramento vaginal anormal
Em geral, diagnostica-se o câncer de colo do útero quando a citologia do colo do útero
e/ou teste para HPV detecta anormalidades. Os achados geralmente são microscópicos,
mas em alguns casos há lesão no colo do útero. Um tumor grande pode ser exofítico e
necrótico, mas uma lesão também pode ser menor e menos óbvia. Toda lesão de colo do
útero na qual há suspeita de malignidade deve ser submetida à biópsia.
Câncer do colo do útero
Tratamento do câncer de colo do útero
• Cirurgia isolada para doença microinvasiva
• Cirurgia ou radioterapia curativa se não há disseminação para os
paramétrios ou além deles
• Radioterapia e quimioterapia (quimiorradiação) se há
disseminação para os paramétrios ou além deles
• Quimioterapia para câncer metastático e recorrente
O tratamento do câncer de colo do útero pode incluir cirurgia,
radioterapia e quimioterapia. Se a histerectomia radical é indicada,
mas as pacientes não são candidatas ideais ao procedimento,
utiliza-se a quimiorradiação, que tem desfechos oncológicos
similares.
Prognóstico para câncer de colo do útero
Em geral, os tipos histológicos mais comuns de câncer de colo do
útero (carcinoma de células escamosas, adeno carcinoma)
produzem metástases em locais distantes somente quando o
câncer está localmente avançado ou é recorrente. As taxas de
sobrevida em 5 anos são como segue:
• Estágio I: 80 a 90%
• Estágio II: 60 a 75%
• Estágio III: 30 a 40%
• Estágio IV: 0 a 15%
Aproximadamente 80% das recorrências se manifestam em 2 anos.
Fatores prognósticos adversos incluem
• Envolvimento de linfonodos
• Tamanho e volume de tumor grande
• Invasão estromal do colo do útero profunda
• Invasão parametrial
• Invasão do espaço linfovascular (IELV)
• Histologia não escamosa
Informações adicionais
Considera câncer de colo do útero se as mulheres têm
resultados anormais no rastreamento de câncer de colo do
útero (HPV ou teste de Papanicolau), lesões visíveis no colo do
útero ou sangramento anormal, particularmente pós-coito.
O tratamento é ressecção cirúrgica para câncer em estágio
precoce, radioterapia mais quimioterapia para câncer
localmente avançado e quimioterapia para câncer metastático e
recorrente.
Recomendado vacinação contra o HPV para crianças antes da
primeira atividade sexual.