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Variações da Língua Portuguesa e Classes Gramaticais

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Variação da língua portuguesa

A língua não é uniforme dentro da comunidade em que se fala. Ela está sujeita a variações
decorrentes de diferentes fatores, entre os quais o espaço geográfico em que é falada.

Variedade europeia
➔​ que agrupa todos os dialetos falados em Portugal continental, Madeira e Açores

Variedade brasileira
➔​ que engloba todas as variedades do português falado no Brasil

Variedades africanas
➔​ onde cabem todas as verdadeiras faladas nos diversos países africanos de língua
oficial portuguesa

Classe de palavras

Nomes
➔​ Nomes próprios:individualizam pessoas, seres, fenómenos, instituições, lugares…
Escrevem-se com letra inicial maiúscula➞Galileu, Europa, Ana

➔​ Nomes comuns: designam algo ou alguém não individualizado➞astrónomo, estrela

➔​ Nome comum coletivo: designam, no singular, conjuntos de seres do mesmo tipo


➞constelação (conjunto de estrelas), Colmeia (conjunto de abelhas), Alcateia
(conjunto de lobos)

Variação do nome
Já sabes que os nomes podem variar em:
➔​ género: masculino e feminino➞macaco/macaca
➔​ número: singular e plural➞macacos/macacas
➔​ grau: normal, aumentativo e diminutivo➞macaco/macacão/ macaquinho

Formações do feminino
➔​ os nomes terminados em -ão formam o feminino em:
-oa: leão/leoa -ã: cidadão/cidadã -ona: figurão/figurona

➔​ Alguns nomes terminados em -or fazem o feminino em -eira: lavrador/lavradeira


Outras mudam a terminação -dor e -tor em -triz: imperador/imperatriz, ator/atriz

➔​ Há nomes que formam o feminino através de uma palavra diferente


ex:pai/mãe
➔​
➔​ Há nomes com a mesma forma no masculino e no feminino
ex: o artista/ a artista
➔​ Há nomes de animais que se usam no masculino e no feminino, só mudando o
determinante. Nestes casos, acrescenta-se ao nome a palavra macho ou fêmea,
quando se quer indicar de que sexo é o animal
ex: a cobra macho/ a cobra fêmea

Formação do plural
➔​ Os nomes terminados em -ão formam o plural em:
ex: -ões: anão/ anões -ães: cão/ cães acrescentando um -s: mão/mãos

➔​ Os nomes terminados em -m substituem o -m por -ns


ex:som/sons

➔​ Os nomes terminados em -al, -el, -ol, e -ul substituem o -l por -is


ex: jornal/ jornais; papel/papéis; caracol/caracóis; paul/ pauis

➔​ Os nomes agudos terminados em -il substituem o -l por -s


ex: funil/funis

➔​ Os nomes graves terminados em -il substituem -il por -eis


ex: réptil/ répteis

➔​ Há nomes que têm a mesma forma no singular e no plural


ex: o lápis/ os lápis

➔​ Há nomes que só se usam no singular (ignorância) ou no plural (cócegas)

Determinantes

Artigo definido
➔​ o, a

Artigo indefinido
➔​ um, uma

Demonstrativos
➔​ este, esse, aquele, tal, o outro, o mesmo, o tal

Possessivos
➔​ meu, teu, seu, nosso, vosso, seu

Interrogativos
➔​ qual, que

Indefinido
➔​ certo, outro

Relativo
➔​ cujo

Pronomes
Pronomes pessoais
Possessivos
➔​ meu, teu, seu, nosso, vosso, seu

Demonstrativos
➔​ este, esse, aquele, o outro, o mesmo, o tal, o

Indefinidos
➔​ algum, nenhum , todo, muito, pouco, outro, tanto, qualquer

Relativos
➔​ o qual

Pronome pessoal átono


Regra geral
➔​ Coloca-se depois do verbo, ligando-se a este por um hífen.

Regras dos casos particulares


➔​ Depois do verbo ➞ os pronomes pessoais o, a, os ,as podem apresentar diferentes
formas:
➢​ -lo, -la, -los, -las quando a forma verbal termina em r,s ou z.
ex: Vou fazer o bolo. ➜ Vou fazê-lo. / Vimos os golfinhos. ➜ Vimo-los.

➢​ -no, -na, -nos, -nas quando a forma verbal termina em ditongo nasal -am,
-em, -ão, -ões
ex: Encontraram o bichano. ➜ Encontraram-no. / Eles conhecem a região. ➜
Eles conhecem-na.

➔​ Antes do verbo
➢​ Em frases que contêm uma palavra negativa (não, nunca, jamais, nada).
ex: Ele não fez o jantar ➜ Ele não o fez.

➢​ Em frases interrogativas iniciadas por determinantes, pronomes ou


advérbios interrogativos.
ex: Quem viu a minha chave? ➜ Quem a viu?

➢​ Em frases cujos verbos são antecedidos de certos advérbios (bem, mal,


sempre, ainda, já, apenas, só, talvez, também…)
ex: Também perdi o telemóvel. ➜ Também o perdi.

➢​ Em frases que contêm pronomes indefinidos antepostos ao verbo (


alguém, algum, tudo, todo, muito, pouco, tanto…)
ex: Muitos disseram ao professor que não perceberam o exercício ➜ Muitos
lhe disseram que não perceberam o exercício.

➔​ No interior do verbo
➢​ Nas formas do futuro do indicativo e do condicional, sendo separados por
hifens
ex: Nas férias, lerei os livros que quiser. ➜ Nas férias, lê-los-ei.
Quantificador
Numeral
Indica o número ou a quantidade das entidades (pessoas, animais, objetos…) referidas pelo
nome. O quantificador é colocado antes do nome, embora este possa ser omisso.
Exemplo: A Rita viu três filmes no fim de semana. Dois (filmes) eram policiais
➔​ Cardinal: indica uma quantidade numérica inteira.
ex: Ele fez três telefonemas e dois emails

➔​ Multiplicativo: indica um múltiplo de uma quantidade


ex: A Ana tem o dobro da tua idade

➔​ Fracionário: indica uma fração (parte) de uma quantidade


éx: Dois terços do meu ordenado são para a renda.

Universal
➔​ Refere-se aos elementos de um conjunto, na sua tonalidade ou de forma individual
ex: todo, ambos, nenhum, cada, qualquer

Existencial
➔​ Refere-se a uma quantidade imprecisa de elementos de um conjunto
ex: algum, pouco, muito, vário, tanto, bastante

Adjetivos
Subclasses dos adjetivos
➔​ Qualificativo: atribui uma qualidade ou características ao nome a que se refere;
geralmente, surge depois do nome, embora também possa antecedê-lo➞ água
pura, aluno aplicado, bom resultado

➔​ Numeral: indica a posição em que o nome surge numa série; geralmente, coloca-se
antes do nome e não varia em grau➞ sétimo ano, décima primeira pergunta,
centésimo lugar

Grau dos adjetivos


Verbos
O verbo é o núcleo (a palavra principal) do predicado (grupo verbal), exprimindo ações,
acontecimentos, estados ou situações.

Dá se o nome de conjugação aos grupos que se classificam os verbos, considerando a


terminação:
➔​ 1.ª conjugação -ar
cantar, curar, sonhar…

➔​ 2.ª conjugação -er


parecer, viver, escolher

➔​ 3.ª conjugação -ir


sorrir,partir,fingir

➢​ Ao conjunto das diferentes formas de um verbo apresenta (e que são muitas, dado
que ele pode variar em pessoa, número, tempo e modo)

Pessoa
➔​ 1.ª pessoa (eu, nós)
➔​ 2.ª pessoa (tu, vós)
➔​ 3.ª pessoa (ele/ela, eles/elas)

Número
➔​ Singular (leio)
➔​ Plural (lemos)

Tempo
➔​ Presente
➔​ Pretérito
➢​ perfeito (simples e composto)
➢​ imperfeito
➢​ mais-que-perfeito (simples e composto)
➔​ Futuro (simples e composto)

Modo
Formas verbais finitas
Indicativo
➔​ Indica a certeza, o real
ex: Eu leio muito.

Conjuntivo
➔​ Indica possibilidade,a dúvida, o desejo
ex: Oxalá ele leia a carta.

Condicional
➔​ Indica algo dependente de uma condição
ex: Eu leria mais se pudesse.
Imperativo
➔​ Indica uma ordem, um pedido
ex: Lê o texto, por favor.

Formas verbais não finitas


Infinitivo
➔​ pessoal (simples e composto)
➔​ impessoal (simples e composto)

Gerúndio (simples e composto)

Particípio passado

Verbos regulares e irregulares


➔​ Quando o radical do verbo se mantém em todas as formas, dizemos que se trata de
um verbo regular ➞ falar: falo, falei, falava, falarei

➔​ Quando se trata do verbo que não se mantém igual em todas as formas, dizemos
que se trata de um verbo irregular ➞ saber: sei, soube, sabia,

➔​ Alguns verbos não se conjugam em todas as formas, como, por exemplo, os verbos
que indicam vozes dos animais (ladrar, miar, piar, rugir…), os verbos que exprimem
fenómenos da natureza (chover, nevar, trovejar, anoitecer, amanhecer…) ou o verbo
haver (com o sentido de existir)
ex: O cão ladrou e as galinhas cacarejam; Choveu muito.

Verbo principal
Intransitivo
➔​ Não precisa de complementos
Ex: A Ana acordou.

Transitivo direto
➔​ Exige um complemento direto
Ex: Maria comprou algumas roupas.

Transitivo indireto
➔​ Exige um complemento indireto ou oblíquo
Ex: Ele ralhou ao Zé. ( ao Zé = complemento indireto)
Ele vai para casa. (para casa = complemento oblíquo)

Transitivo direito e indireto


➔​ Exige dois complementos: um direto e um indireto ou de um complemento direto e
um oblíquo
➔​ Ex: O Pedro explicou o exercício aos colegas
A Sara pôs as compras na despensa.
Transitivo-predicativo
➔​ Exige um sujeito, um complemento direto e um predicativo do complemento direto
(verbo considerar, julgar, ver, achar, nomear, declarar, designar, eleger, fazer, julgar,
supor, ter por, tornar, tratar)
Ex: Os alunos elegeram o Rui delegado de turma

Verbo auxiliar
Dos tempos compostos
➔​ São os verbos ter e haver, seguidos do particípio passado do verbo principal
➔​ Ex: O Gabriel tem andado distraído.

Da passiva
➔​ É o verbo ser, seguido do particípio passado do verbo principal
Ex: A prenda será escolhida pela Carolina.

Verbo copulativo
➔​ Estabelece uma ligação entre o sujeito e o predicativo do sujeito (ser, estar, ficar ,
permanecer, continuar, andar, parecer, andar, tornar-se, revelar-se…)
Ex: O Gonçalo parece triste
Advérbios
Quantidade e grau
➔​ bastante, demasiado, extremamente, mais, menos, muito, pouco, tanto, tão…
Afirmação
➔​ sim, certamente, decerto, efetivamente, realmente…
Negação
➔​ não
Tempo
➔​ agora, ainda, amanhã, antes, antigamente, cedo, depois, hoje, já jamais, nunca,
ontem, sempre…
Lugar
➔​ abaixo, acima, acolá, aí, além, ali, aqui, atrás, cá, dentro, detrás, junto, lá, longe,
perto…
Modo
➔​ assim, bem, mal, depressa, devagar e muitos advérbios terminados em -mente
(rapidamente, lealmente…)
Interrogativa
➔​ aonde, como, donde, onde, porque, porquê, quando…
Dúvida
➔​ acaso, porventura, provavelmente, possivelmente, quiçá, talvez…
Inclusão
➔​ até, inclusive, inclusivamente, mesmo, também…
Exclusão
➔​ apenas, exceto, exclusivamente, salvo, senão, só, somente, unicamente…
Conectivos
➔​ assim, consequentemente, contudo, depois, finalmente, nomeadamente, pois,
porém, portanto, primeiramente, primeira, seguidamente, todavia…
Relativos
➔​ como, onde

Observações:
➔​ Há certas expressões que têm o mesmo valor do advérbio - são as locuções
adverbiais (à pressa, com certeza, com efeito, de facto, de manhã, de longe, em
breve, em cima, na verdade, por ali, sem dúvida…)
ex: Ela foi recebida com carinho = carinhosamente

➔​ Alguns advérbio podem variar em grau


ex: Ela chegou mais cedo que tu

Preposições
A preposição é uma palavra invariável que estabelece uma relação de sentido entre dois
elementos. Pode ser simples ou contraída.
➔​ a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, perante, por, sem, sob,
sobre, trás…

A locução prepositiva é um conjunto de duas ou mais palavras que equivale a uma


preposição. A última palavra de uma locução prepositiva é sempre uma preposição.
➔​ abaixo de, acerca de, acima de, a fim de, além de, antes de, ao lado de, a respeito
de…

De

Conjunções e locuções conjuncionais


➔​ Conjunções introduzem orações ou elementos coordenados ou oração subordinadas

➔​ Locuções conjuncionais é a sequência de duas ou mais palavras (em que a última é


uma conjunção) com a função de uma conjunção.
Interjeição
É uma palavra invariável que tem como função exprimir emoções e sentimentos, não
desempenha qualquer função sintática na frase. A locução interjetiva, composta por duas ou
mais palavras, funciona como uma interjeição.

Características
➔​ Pode surgir isolada numa frase. ➜ Ai! Não toques na ferida!
➔​ Pode surgir integrada na frase. ➜ Podias emprestar-me a borracha, por favor?
➔​ Na escrita, é normalmente acompanhada de pontos de exclamação e/ou reticências
➜Basta! Quero silêncio! / Tenho de estudar mais. Paciência

Frase
As frases são compostas por constituintes, isto é, por palavras associadas a grupos. Cada
constituinte é classificado consoante o seu núcleo, que é a palavra fundamental, a mais
importante.

Funções sintáticas ao nível da frase


Sujeito
➔​ O sujeito é quem pratica a ação ou faz uma declaração.
Tipos de sujeito
➔​ Simples: Um grupo nominal (GN) ou uma oração ➜ O vento forte parou / Ele
soprou intensamente

➔​ Composto: Mais do que um grupo nominal (GN) ou mais que uma oração ➜ O Zé e
as irmãs viajam muito.

➔​ Subentendido: Não está expresso na frase, mas pode ser identificado pela pessoa
em que se encontra conjugada a forma verbal ➜ [Eles] Viram o pôr do sol na
montanha.

➔​ Indeterminado: Não está expresso na frase e não pode ser identificado ➜ [?]
Come-se bem aqui

Predicado
➔​ O predicado (função desempenhada pelo grupo verbal, GV) indica aquilo que se diz
sobre o sujeito.
➔​ O predicado pode ser constituído apenas pelo verbo ou pelo verbo principal + verbo
auxiliar

Forma verbal e outros elementos


➔​ exigidos pelo verbo (predicativo do sujeito, complemento direto, complemento
indireto, complemento oblíquo, complemento agente da passiva);

➔​ não obrigatórios (modificador de grupo verbal)

Vocativo
➔​ O vocativo designa a pessoa ou a entidade a quem o emissor se dirige.

Características
➔​ Surge sempre delimitado por vírgulas ➜ Beatriz tens que acordar mais cedo.

➔​ Pode ocorrer em várias posições da frase (ínicio, meio e fim) ➜ Caros jovens,
acordar cedo é essencial. / Acordar cedo, caros jovens é essencial.

➔​ Pode ser introduzido pela interjeição Ó. ➜ Ó Beatriz, acorda!

Complemento direto
➔​ O complemento direto é exigido por um verbo transitivo direto ou transitivo indireto

Como sabemos que é um complemento direto?


➔​ Pode ser substituído pelas formas do pronome pessoal o,a,os,as ou pelos
pronomes demonstrativos isso/o
A Rita trouxe os chocolates da Suíça. ➜ A Rita trouxe-os da Suíça
A Joana disse que eram bons. ➜ A Joana disse isso

➔​ Pode-se perguntar ao verbo o quê? ou quem?


A Rita trouxe o quê? ➜ os chocolates
A Paula viu quem? ➜ a Rita

Complemento indireto
➔​ O complemento direto é exigido por um verbo transitivo indireto ou por verbo
transitivo direto e indireto

Constituição
➔​ Grupo preposicional (GPrep): iniciados pela preposição a ➜ Os filhos obedecem aos
pais.

➔​ Grupo nominal (GN): Composto pelos pronomes pessoais a átonos me, te, lhe, nos,
vos, lhes ➜ Os filhos obedecem-lhes.

➔​ Oração ➜ Os filhos obedecem a quem os ama.

Como sabemos que é um complemento indireto?


➔​ Pode ser substituído pelas formas do pronome lhe e lhes.
Os filhos obedecem aos pais ➜ Os filhos obedecem-lhes.

➔​ Pode-se perguntar ao verbo a quem?


Os filhos obedecem a quem? ➜ aos pais

Complemento oblíquo
➔​ É selecionado por um verbo (transitivo direto ou transitivo direto e indireto) que
necessita de uma expressão introduzida por uma preposição ou um advérbio, para
completar o seu sentido.

Constituição
➔​ Grupo preposicional (GPrep) ➜ A minha mãe confia em mim.
➔​ Grupo adverbial (GAdv) ➜ Os filhos portam-se bem.

Como sabemos que é um complemento oblíquo e não complemento direto ou indireto?


➔​ Não pode ser substituído pelos pronomes pessoais o, a, os, as
O pai entrou na sala ≠ O pai entrou-a

➔​ Não pode ser substituído pelos pronomes pessoais lhe, lhes.


O pai entrou na sala ≠ O pai entrou-lhe

Complemento agente da passiva


➔​ Surge somente em frases passivas, correspondentes ao sujeito da frase ativa.

Constituição
➔​ Grupo preposicional (GPrep): Introduzido pela preposição por (simples ou contraída
com o determinante artigo definido- pelo) ➜ O jovem é apreciado por todos. / O
jovem foi elogiado pelo professor.
Como sabemos que é um complemento agente da passiva e não um completo direto ou
indireto?
➔​ Coloca-se a frase na ativa, pois o complemento agente da passiva corresponde ao
sujeito da frase ativa
O jovem foi elogiado pelo professor. (passiva) ➜ O professor elogiou o jovem.

➔​ Corresponde a um grupo de palavras introduzido pela preposição por (simples ou


contraída com os determinantes artigos definidos o,a,os,as).

Predicativo do sujeito
➔​ O predicativo do sujeito completa o sentido de um verbo copulativo e relaciona-se
diretamente com o sujeito, atribuindo-lhe uma propriedade ou localizando-o.

Como sabemos que é um predicativo do sujeito?


➔​ Surge à direita de verbos copulativos (ser, estar, ficar, permanecer, parecer,
continuar, andar, tornar-se revelar-se), atribuindo uma propriedade ao sujeito ou
localizando-o. ➜ A Cátia anda muito traquinas.

Predicativo do complemento direto


➔​ É desempenhado por um GN, GAdj ou GPrep e completa o sentido de um verbo
transitivo-predicativo e relaciona-se diretamente com o complemento direto,
atribuindo-lhe uma propriedade. (verbo considerar, julgar, ver, achar, nomear,
declarar, designar, eleger, fazer, julgar, supor, ter por, tornar, tratar)

Como sabemos que é um predicativo do complemento direto?


➔​ Não pode ser retirado da frase.
A mãe achou o filme interessante. ≠ A mãe achou o filme.

➔​ Ao substituirmos o complemento direto pelo pronomes o,a,os,as, não conseguimos


incluir o predicativo do complemento direto.
A mãe achou o filme interessante ➜ A mãe achou-o interessante.

➔​ Se colocarmos a frase na passiva, o predicativo do complemento direto passa a


desempenhar a função de predicativo do sujeito.
A mãe considerou o filme interessante. ➜ O filme foi considerado interessante pela
mãe.

Modificador (grupo verbal)


➔​ O modificador do grupo verbal, cuja presença não é obrigatória para completar o
sentido do verbo, introduz informações sobre o tempo, lugar, o modo, a causa, a
finalidade…

Constituição
➔​ Grupo adverbial (GAdv) ➜ Agora, vou descansar um pouco.

➔​ Grupo preposicional (GPrep) ➜ Esqueci-me dos livros no carro.


➔​ Oração ➜ Vou ver a série assim que chegar a casa

Como sabemos que é um modificador (de grupo verbal)?


➔​ Pode retirar-se da frase, uma vez que não é exigido pelo verbo.
Na minha rua, no Natal, as casas são decoradas primorosamente. ➜ As são
decoradas.

➔​ Pode ocupar posições diferentes na frase.


Hoje o meu cão fez várias asneiras.
O meu cão, hoje, fez várias asneiras.
O meu cão fez várias asneiras hoje.

Modificador do nome
➔​ O modificador do nome é um constituinte que permite atribuir características a um
nome. Não é obrigatório na frase, podendo ser suprimido.

Modificador do nome restritivo


➔​ surge, normalmente, à direita do nome que modifica e restringe o seu sentido, não
podendo ser separado por vírgula.

Constituição
➔​ Grupo adjetival (GAdj) ➜ No campo, adoro as noites estreladas.
➔​ Grupo preposicional (GPrep) ➜ No campo, adoro as noites com estrelas.
➔​ Oração subordinada adjetiva relativa restritiva ➜ No campo, adoro noites que têm
estrelas.

Modificador do nome apositivo


➔​ surge à direita do nome que modifica, isolado por vírgulas, não restringindo o seu
sentido.

Constituição
➔​ Grupo nominal (GN) ➜ A Carla, a nossa campeã de atletismo, ganhou mais uma
medalha.
➔​ Grupo Adjetival (GAdj) ➜ O rapaz, orgulhoso e mal-encarado, estava de costas
para nós.
➔​ Grupo preposicional (GPrep) ➜ O jovem, de semblante carregado, levantou-se e
saiu.
➔​ Oração subordinada adjetiva relativa explicativa ➜ A Cátia, que é muito divertida,
põe-nos sempre com um sorriso.

Como sabemos que é um modificador do nome apositivo e não restritivo


➔​ O modificador do nome apositivo é sempre separado do nome que modifica por
vírgulas.
Ouvi uma história encantadora.
A história, que me encantou, falava sobre superação.

Frase ativa e a frase passiva


Na frase ativa, o sujeito da frase é o agente da ação expressa pelo verbo.
Na frase passiva, o sujeito da frase sofre a ação expressa pelo verbo.

Alteração da frase ativa em frase passiva


➔​ O complemento direto da frase ativa passa a sujeito da frase passiva.
A jovem ouvirá mais músicas. ➜ Mais músicas serão ouvidas pela jovem.

➔​ O verbo principal da frase ativa passa para o particípio passado e introduz-se o


verbo ser (auxiliar da passiva) nos mesmos tempos e modos do verbo principal da
frase ativa
A jovem ouvirá mais músicas ➜ Mais músicas serão ouvidas pela jovem.

➔​ O sujeito da frase passa a complemento agente da passiva (antecedida pela


preposição por, simples ou contraída).
A jovem ouvirá mais músicas. ➜ Mais músicas serão ouvidas pela jovem.

Na frase passiva, o verbo auxiliar e o particípio passado concordam em género e em


número com o sujeito.
A jovem tem ouvido várias músicas. ➜ Várias músicas têm sido ouvidas pela jovem.
(frase ativa) (frase passiva)

A frase simples e a frase complexa

Frase simples
➔​ Contém apenas um verbo, principal ou copulativo, ou um complexo verbal. Só tem,
portanto, uma oração.
O cão gosta de biscoitos.
O cão é um guloso.
A Sara tinha escondido os biscoitos do cão.

Frase complexa
➔​ Contém dois ou mais verbos principais ou copulativos, ou complexos verbais. Tem,
assim, duas ou mais orações.
O cão gosta de biscoitos, logo é um guloso.
A Sara tinha escondido os biscoitos do cão, mas o malandro encontrou-os.

Articulação das frases complexas


➔​ As orações podem ligar-se umas às outras por dois processos: a coordenação e a
subordinação.

Coordenação
➔​ As orações coordenadas integram frases complexas. A segunda oração apresenta
informação complementar relativamente à primeira e não depende dela
sintaticamente.

A coordenação de orações pode ser feita de duas formas: coordenação sindética e


assindética.
➔​ As orações sindéticas são unidas através de conjunções.
O cão correu pela casa e farejou os cantos e encontrou os biscoitos.

➔​ As orações assindéticas são unidas através de vírgulas.


O cão correu pela casa, farejou os cantos, encontrou os biscoitos.

➔​ As orações coordenadas classificam-se de acordo com o valor da subclasse das


conjunções (ou locuções conjuncionais) coordenativas que as introduzem.

Copulativas
➔​ Adicionam uma informação à primeira oração

Adversativas
➔​ Introduzem uma oposição, um contraste

Disjuntivas
➔​ Apresenta uma alternativa

Conclusivas
➔​ Apresentam uma conclusão

Explicativas
➔​ Apresentam uma explicação

Subordinação
➔​ A subordinação consiste na combinação de duas orações, oração subordinante e
oração subordinada, através de conjunções ou locuções conjuncionais
subordinativas.

As orações subordinadas podem ocorrer antes, depois ou no interior da oração


subordinante.
➔​ Quando o pai chegou a casa, estavam todos na sala.
➔​ Terás sucesso se estudares com afinco
➔​ Os dois jovens, logo que saíram de casa, viram dois aviões a passar.

As orações subordinadas desempenham uma função sintática em relação às orações


subordinantes: modificador (grupo verbal), modificador do nome, entre outras.
➔​ Vestiu um casaco por causa do frio.
➔​ Vestiu um casaco porque estava frio.

Orações subordinadas adverbiais


➔​ As orações adverbiais têm esta designação, pois, tal como a maioria dos advérbios,
fornecem uma informação acessória, enriquecendo o conteúdo da ação expressa na
oração subordinante.
➔​ Desempenham a função sintática de modificador.

Causais
➔​ Apontam a causa da ação indicada na oração subordinante.
ex: A roupa secou porque esteve calor

Temporais
➔​ Indicam uma circunstância de tempo relativamente à ação expressa na
subordinante.
ex: Fui ver o filme logo que a crítica foi publicada

Condicionais
➔​ Exprimem a condição de que depende a ação expressa na oração
subordinante.
ex: Caso tenha tempo, vou ver o filme deste ator.

Comparativas
➔​ Exprimem uma relação de comparação com o elemento/ação presente na
oração subordinante. Nestas orações o verbo pode não se encontrar
expresso.
ex: O Miguel joga melhor futebol do que faz acrobacia na ginástica.
O Miguel gosta mais de futebol do que [gosta] de ginástica.

Consecutivas
➔​ Indicam a consequência do evento expresso na oração subordinante.
ex: O filme era tão bom que o aconselhei à minha mãe.

Concessivas
➔​ Referem uma ação contrária à expressa na oração subordinante, mas que
não a impede OU Referem uma ação que contrasta com a expressa na
subordinante por não a impedir.
ex: Embora tenha treinando vários meses, fiquei nos últimos lugares da
corrida.

Orações subordinadas adjetivas


➔​ As orações subordinadas adjetivas têm esta designação pois desempenham uma
função sintática característica do adjetivo: modificador do nome.
As orações subordinadas relativas adjetivas são introduzidas por pronomes relativos, por
determinantes relativos ou advérbios relativos, que remetem para um grupo nominal
anterior.
➔​ A mochila que comprei é espaçosa.
➔​ A mochila, cujos bolsos têm fecho, foi uma ótima aquisição.
➔​ O bolso onde guardei os lápis ainda tem outras divisões.

Orações subordinadas adjetivas


Relativas restritivas
➔​ Dão informação que limita a referência do antecedente a que se referem.
ex: Nesta mochila, guardo todo o material que é solicitado pelos professores.

Relativas explicativas
➔​ Apresentam informação adicional sobre o antecedente a que se referem. Na escrita
estão delimitadas por vírgulas.
ex: Guardo a mochila no cacifo da escola, que tem um bom cadeado.

Orações subordinadas substantivas


➔​ As orações subordinadas substantivas têm esta designação pois podem ser
substituídas por um nome ou por um pronome.
O João sugeriu a ida ao cinema. ➜ O João sugeriu que fossem ao cinema
O João sugeriu o quê? Que fossem ao cinema

As orações subordinadas substantivas completivas completam o sentido do verbo.


➔​ São introduzidas por uma conjunção subordinativa completiva e completam o
sentido do verbo.
ex: A funcionária informou que a consulta fora cancelada.
O utente perguntou se podia remarcar a consulta.

➔​ Podem desempenhar a função sintática de: sujeito, complemento direto ou de


complemento oblíquo.

➔​ Podem ser substituídas por nomes ou pelos pronomes isto/isso/aquilo.


ex: O João perguntou se havia aulas. ➜ O João perguntou isso.

Valores aspectuais e modais

Valor perfetivo (perfeito)


➔​ expressa uma ação concluída.

Algumas marcas:
➔​ normalmente, uso do pretérito perfeito simples do indicativo
➔​ complexos verbais com certos verbos auxiliares: acabar (de), deixar (de)

Exemplos
➔​ Ela leu / acabou de ler o livro. ➜ (implica O livro está lido.)
➔​ O táxi já chegou. ➜ (o valor perfetivo é expresso através do pretérito perfeito
simples do indicativo - “chegou” - e reforçado pelo advérbio “já”)

Valor imperfetivo (imperfeito)


➔​ expressa uma ação incompleta, ainda não concluída.

Algumas marcas:
➔​ frequentemente, uso do pretérito imperfeito e do presente do indicativo
➔​ complexos verbais com certos auxiliares: estar (a), continuar (a), andar (a)...

Exemplos:
➔​ O vento soprava suavemente.
➔​ Ela está a fazer o trabalho de casa.
➔​ A criança ainda usa fraldas. ➜ (o valor imperfetivo é reforçado pelo advérbio “ainda”)

Valor modal
Modalidade apreciativa
➔​ o locutor exprime uma opinião, um juízo de valor (positivo ou negativo) sobre o
conteúdo de um enunciado.
ex: Agrada-me que tenhas feito isso
Felizmente, não te magoaste!
Que palermice!

Modalidade deôntica
➔​ o locutor dirige-se ao seu interlocutor para exprimir obrigação/imposição;
permissão/proibição
ex: Tens de ligar. / Liga à Rita. ➜ obrigação/ imposição
Podes / Não podes ligar à Rita ➜ permissão/proibição

Modalidade epistémica
➔​ o locutor exprime a sua atitude em relação à situação de que fala. Pode exprimir
certeza: o locutor está certo da verdade do que diz ou possibilidade/probabilidade: o
locutor não tem certezas.
ex: O Carlos já chegou de Londres ➜ certeza
É possível / É provável / Pode ser que o Carlos já tenha chegado de Londres.
➜ possibilidade/ probabilidade

Processos fonológicos
➔​ Ao longo do tempo a língua foi sofrendo alterações, nomeadamente ao nível dos
sons das palavras, através de processos de inserção, supressão e alteração.

Inserção (acrescentamento de sons à palavra)


➔​ Prótese no ínicio da palavra
ex: spiritu > espírito
levantar > alevantar

➔​ Epêntese no interior da palavra


ex: humile > humilde
➔​ Paragoge no final da palavra
ex: ante > antes
Supressão (eliminação de sons na palavra)
➔​ Aférese no ínicio da palavra
ex: avantagem > vantagem

➔​ Síncope no interior da palavra


ex: malu > mau

➔​ Apócope no final da palavra


ex: mare > mar

Alteração (mudança na qualidade ou posição de um som na palavra)


➔​ Redução vocálica enfraquecimento de um vogal
ex: mala ➜ a aberto a
ex: malinha ➜ a semifechado

➔​ Assimilação dois sons contíguos tornam-se iguais ou semelhantes)


ex: persona > pessoa

➔​ Dissimilação dois sons iguais diferenciam-se


ex: liliu > lírio

➔​ Metástase mudança de lugar de um som


ex: semper > sempre
ex: prateleira > prateleira

Formas de palavras e relações semânticas


➔​ Arcaísmo quando uma palavra cai em desuso.
➔​ O neologismo consiste na criação de uma palavra ou de uma expressão nova, ou
na atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente.

Derivação
Afixal ( associação de prefixos e/ou sufixos a uma única forma de base - palavra radical
➔​ por prefixação
ex: desfazer = des + fazer
➔​ por sufixação
ex: certeza = cert(o) + eza
➔​ por parassíntese
ex: esclarecer = es + clar(o) + ecer

Não afixal (formação de nomes a partir de verbos, substituindo a terminação -ar, -er, ir do
infinitivo por marcas específicas do nome: a, e ou o)
➔​ pescar (verbo) ➜ pesca (nome)
➔​ cortar (verbo) ➜ corte (nome)
Composição (construção de uma nova palavra a partir da associação de duas ou mais
formas de base).
➔​ palavra + palavra
ex: abre-latas
➔​ radical + palavra
ex: multidisciplinar
➔​ radical + radical
ex: xenofobia

Relações entre palavras


➔​ As palavras podem estabelecer entre si várias relações semânticas, isto é, relações
de sentido.

Sinonímia (relações de semelhança)


Duas palavras são sinónimas quando têm o mesmo significado, podendo ser usadas no
mesmo contexto:
➜ Fiz uma pausa curta/breve

Antonímia (relação de oposição)


Duas palavras são antónimas quando apresentam significados opostos:
➜ A minha amiga Carolina tem bom/mau feitio.

Hiperonímia e hiponímia (relação de hierarquia)


O hiperonímo é a palavra, cujo significado, por ser mais geral, inclui o de outras palavras de
sentido mais restrito - os hipónimos.
➜A minha cor (hiperónimo) preferido é o azul (hipónimo).

Holonímia e meronímia (relações de parte-tudo)


O holónimo refere o todo; o merónimo refere uma parte de um todo.
➜ Ela vive numa casa (holónimo) com sala, quarto, cozinha e casa de banho
(merónimos).

Campo lexical
O campo lexical é um conjunto de palavras ou expressões que se associam a uma mesma
área de realidade.
➜ As palavras escuridão, estrela, luar, silêncio, sono, dormir, repouso … constituem o
campo lexical de noite.

Recursos expressivos
Anáfora
➔​ Repetição da mesma palavra ou conjunto de palavras no início de cada verso ou
frase.

Antítese
➔​ Utilização de dois termos que contrastam entre si.

Comparação
➔​ Relação de semelhança entre dois elementos, através de palavras “como” ou de
expressões “assemelhar-se a” e “parecer-se com”, entre outras.

Enumeração
➔​ Apresentação consecutiva de vários elementos que, em geral, pertencem à classe
dos nomes e dos verbos.

Eufemismo
➔​ Uso de palavras suaves para referir ou descrever uma realidade dura, desagradavél
ou cruel.

Hipérbole
➔​ Exagero (por excesso ou defeito) quer da realidade quer do imaginário.

Ironia
➔​ Expressão de uma realidade utilizando palavras que sugerem o contrário.

Metáfora
➔​ Relação de semelhança entre duas realidades que, embora sejam diferentes,
apresentam algo em comum.

Onomatopeia
➔​ Criação de palavras que reproduzem sons ou ruídos, ou seja, a imitação de um som
da realidade.

Perífrase
➔​ Utilização intencional de várias palavras para exprimir o que poderia ser referido de
forma mais breve.

Personificação
➔​ Atribuição de características humanas a animais, objetos ou entidades abstratas.

Pleonasmo
➔​ Uso intencional de palavras ou expressões que repetem/reforçam a mesma ideia já
expressa.

Trocadilho
➔​ Jogo de palavras, geralmente a partir da semelhança fonética entre dois ou mais
termos

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