Fundamentos do Direito Comum Europeu
Fundamentos do Direito Comum Europeu
O Direito Civil é o direito dos cidadãos, isto é, aquele que rege a vida dos cidadãos.
A generalidade dos direitos dos países europeus faz parte da família dos direitos
ditos romanistas, ou seja, dos sistemas jurídicos influenciados pelo direito romano da
an?guidade.
Atualmente cada Estado soberano tem o seu próprio sistema jurídico, mas nem
sempre foi assim.
1 Gabriela Pinto
Época clássica (130 a.C – 230) – Perfeição do Direito Romano
• Época de decadência;
§ 1ª – de 230 a 395
§ 2ª – de 395 a 530
2 Gabriela Pinto
No Ocidente:
• Vulgarização do direito Romano;
• Simplificação de conceitos;
• Desordem na exposição das matérias.
No Oriente:
• Regresso ao classicismo (estudo do direito romano clássico) e tende à
helenização (influência Grega);
3 Gabriela Pinto
• O direito romano preocupa-se em procurar soluções simples (claras e rigorosas,
mas não complexas);
• O direito romano separou o direito da moral e da religião;
• Evoluiu lentamente, sem criar roturas com o passado;
Família Romano-Germânica
o A maioria dos países da Europa ocidental sofreu uma forte influência do direito
Romano, pelo facto de ter sido o único direito ensinado nas universidades dos
países latinos e germânicos.
Família Socialista
4 Gabriela Pinto
Família Religiosa e Tradicional
Fontes do Direito:
• Lei – regras impostas por uma autoridade;
• Costume – prática social;
• Jurisprudência – prática de juízes. O julgamento fundamenta-se numa
determinada regra.
5 Gabriela Pinto
A Obrigação
É um vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa (devedor) está adstrita com
outra (credor) à realização de uma prestação.
O credor não pode obter, através da execução forçada, a prestação a que ?nha direito
no caso do devedor não cumprir a sua obrigação de dare ou facere: tão só podia obter
o equivalente em dinheiro.
Nas obrigações de facere ou non facere, a autoridade judicial não autorizava o credor
a realizar a a?vidade a que o devedor se obrigara ou a destruir o que ?vesse feito
violando o comportamento nega?vo a que se ?nha vinculado.
6 Gabriela Pinto
Fontes das Obrigações
• Contratos;
• Factos ilícitos, (geradores de obrigações) dos quais resultasse a obrigação de
indemnizar;
• Quase-contratos – atos unilaterais, parece um contrato, mas não o é;
• Delitos (previstos no ius civile) e quase delitos (previstos no ius honorarium).
Negócio jurídico – é um facto voluntário, lícito, que assenta numa ou mais declarações
de vontade que produzem efeitos tutelados pelo direito.
Contratos
É um acordo de duas ou mais pessoas, dirigido à produção de efeitos jurídicos.
Bilateral imperfeito – inicialmente, só gera obrigações para uma das partes, porém
durante a sua vigência podem surgir obrigações para a outra parte;
CONTRATOS REAIS
§ São aqueles cuja perfeição não depende apenas do acordo/ consenso
(conventio) entre as partes para produzir efeitos jurídicos.
7 Gabriela Pinto
São contratos reais:
1. O mútuo;
2. A fidúcia;
3. O depósito;
4. O comodato;
5. O penhor.
É o contrato pelo qual uma das partes empresta à outra dinheiro ou outra coisa
fungível, ficando a segunda obrigada a res?tuir outro tanto do mesmo género e
qualidade.
O mutuário (devedor) recebe do mutuante (credor) a propriedade de
determinada res fungível.
O mutuário fica obrigado a res?tuir igual quan?dade na mesma qualidade e do
mesmo género ao mutuante.
Classificação:
• Unilateral;
• Gratuito; - nem sempre é gratuito, as partes podem estabelecer juros acordados
entre si e passa então a ser oneroso.
Elementos essenciais:
• a datio rei – transferência do direito de propriedade sobre uma coisa fungível;
• a conventio – acordo entre as partes cujo objeto consiste na restituição de outro
tanto do mesmo género, qualidade e quantidade.
Obrigações do mutuário:
• restituir a res fungível;
É o contrato pelo qual uma das partes entrega à outra uma coisa, móvel ou
imóvel, para que a guarde, e a res?tua quando for exigida.
O depositante entrega ao depositário uma res móvel para que a guarde e res?tua
num determinado prazo ou quando o depositante pedir/ exigir.
Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito.
8 Gabriela Pinto
Elementos essenciais:
• Transferência da detenção da res móvel;
• Acordo entre as partes.
Obrigações do depositário:
• Restituir a res móvel nas mesmas condições;
• Não a pode usar visto que é um mero detentor e não um possuidor;
• Cuidar da res móvel com diligência até à entrega.
• Na época justinianeia o depositário responde não só por dolo, mas também por
negligência.
Depósito necessário – depósito forçado que se faz em situações excecionais que não
permitem que o depositante escolha livremente o depositário (exemplo: incendio,
naufrágio, etc). Deriva da boa-fé assim como se espera de qualquer outro contrato.
Deposito sequestro – pelo menos dois depositantes que estão a reivindicar o direito de
propriedade sobre algo e até que um deles ganhe o lipgio decidem entregar a res a um
terceiro da sua confiança. O depositário está obrigado a entregar a res a quem vencer o
lipgio. Se um dos depositantes tentar reclamar a res enquanto o lipgio não es?ver
resolvido, o depositário pode recorrer aos instrumentos de tutela da posse.
9 Gabriela Pinto
CONTRATO COMODATO (1129º C. Civil)
É o contrato gratuito pelo qual uma das partes entrega à outra certa coisa, móvel
ou imóvel, para que se sirva dela, com a obrigação de a res?tuir.
O comodante entrega uma res móvel ou imóvel ao comodatário, para que este a
use gratuitamente, num determinado período de tempo, e este tem de a res?tuir.
Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito (obrigatoriamente).
Elementos essenciais:
• Transferência da detenção da res móvel ou imóvel;
• Acordo entre as partes.
CONTRATO DE FIDÚCIA
Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito.
Elementos essenciais:
• Transferência de propriedade da res, mas não da posse;
• Acordo entre as partes.
Finalidades da fidúcia:
• Garantir uma dívida;
• Alienação aparente.
10 Gabriela Pinto
Obrigações do fiduciário:
• Restituir a propriedade da res depois de realizado o fim;
• Cuidar da res com diligência até à entrega.
Obrigações do fiduciante:
• Ressarcir o fiduciário de gastos que este tenha tido com a conservação da res.
Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito.
Elementos essenciais:
• Transferência da posse da res;
• Acordo entre as partes.
Exemplo:
A é o credor e B é o devedor num certo contrato, por exemplo, mútuo. B dá uma
garan?a a A (penhor) entregando a posse da res a A – credor pignorapcio.
Se B não pagar a sua dívida enquanto devedor do contrato mútuo, A pode reter a res
e executá-la, ou seja, vender a res exercendo a sua garan?a real.
11 Gabriela Pinto
Perguntas e respostas:
3. Época clássica
É uma época que assenta na perfeição do direito romano, de 130 a.C até 230, e
subdivide-se em 3 épocas.
1ª – pré-clássica (130 aC até 30 aC) na qual se dá o significa?vo desenvolvimento da
jurisprudência e consequente ascensão do direito romano.
2ª – clássica central (30 aC até 130) é marcada pelo esplendor da jurisprudência, dá-
se um equilíbrio entre o fecundo casuísmo, os princípios doutrinais e as regras jurídicas.
É uma época de rigor e perfeição e são criadas novas ações que integram e modernizam
os direitos civis.
3ª- clássica tardia (130 até 230) é marcada pelo início da decadência da
jurisprudência, os conceitos jurídicos começam a confundir-se aumentando a falta de
rigor. Consequentemente o direito romano entra numa profunda decadência. A doutrina
burocra?zou-se e virou-se para o direito público com destaque para os direitos
administra?vo, militar, fiscal, penal e processual civil.
4. Época pós-clássica
É uma época marcada pela confusão, de 230 a 530, a decadência do direito romano
e da jurisprudência con?nua e o imperador é a única fonte de direito e com o
crescimento significa?vo do Império foi preciso formar novos magistrados e doutores à
pressa. Compreende 2 etapas:
1ª – de 230 a 395 – o imperador Teodósio dividiu defini?vamente o império romano
em duas partes (ocidente e oriente) pelos seus filhos.
12 Gabriela Pinto
2ª – de 295 a 530 – é a realização da 1ª etapa. No ocidente dá-se a vulgarização do
direito romano e a simplificação de conceitos. Há uma desordem na exposição de
matérias e uma consequente perda de rigor e da ciência.
No oriente dá-se o regresso ao classicismo e começa-se a estudar o direito romano
clássico nas grandes escolas e tende-se à helenização (influência grega).
5. Época justianeia
Época caracterizada pelo classicismo e pela helenização, de 530 a 565. O imperador
Jus?niano ?nha 3 grandes obje?vos:
1º - reconquistar o imperio do Ocidente.
2º - unificação religiosa do Oriente.
3º - unificação do direito.
O único que conseguiu cumprir foi a unificação do direito devido às grandes escolas de
direito e à grande obra Corpus iuris civillis que é a maior compilação jurídica e é a fonte
do direito romano.
O imperador jus?niano morrer em 565, ano que marca o fim da época jus?nianeia.
13 Gabriela Pinto
9. Família romano-germânica
A maioria dos países da Europa ocidental sofreu uma forte influência do direito romano,
pelo facto de ter sido o único direito ensinado nas universidades dos países la?nos e
germânicos. As principais fontes deste sistema jurídico são a lei, a doutrina e a
jurisprudência.
14 Gabriela Pinto
15. Noção e objeto de obrigação artigo 397 C. Civil
É um vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa (devedor) está adstrita à realização
de uma prestação para com outra (credor). Difere do direito real porque o ?tular do
direito de crédito só obtém o benekcio económico através da conduta posi?va ou
nega?va do sujeito passivo, ou seja, a sua sa?sfação depende da colaboração de outrem.
O objeto de uma obrigação pode consis?r em dare, facere, non facere e praestare.
15 Gabriela Pinto
23. Contrato oneroso
Gera perdas patrimoniais para ambas as partes.
16 Gabriela Pinto
Deposito irregular – transferência de propriedade de res fungível. O depositário está
obrigado a res?tuir outro tanto do mesmo género e qualidade, na mesma quan?dade.
Torna-se proprietário da res fungível e pode usá-la livremente. É unilateral igual ao
mútuo.
Transfere a propriedade, mas não a posse, serve para garan?r uma divida e pressupõe o
acordo entre partes
1. A vai de viagem e pede a B que olhe pela sua casa durante a sua ausência. B
propõe a A, ficar alojado na sua casa visto que até lhe dá jeito.
- Iden?fique e caracterize o contrato estabelecido por A
- Iden?fique e caracterize o contrato proposto por B
17 Gabriela Pinto
- Caracterize o contrato estabelecido entre A e B.
- Caracterize os contratos, com função de garan?a, celebrados entre A e B.
- Considere a possibilidade de A pretender vender ao seu amigo C o prédio urbano antes
de pagar a divida a B.
3. A pretende viajar e pede a B que lhe guarde os cavalos. Durante a sua ausência
os cavalos adoeceram e B pagou as despesas do tratamento. A após o seu
regresso recusa-se a pagar as despesas e consequentemente B recusa-se a
devolver os cavalos.
- Caracterize o contrato celebrado entre A e B e diga se B deve ser ressarcido das
despesas que teve com os cavalos.
- Pode B recusar-se a devolver os cavalos?
18 Gabriela Pinto
Fundamentos do Direito Comum Europeu
Aulas teóricas 2º ponto escrito
Português
Contrato Mútuo
• Está previso no artigo 1142º do Código Civil e a noção é igual à do Direito
Romano;
• Implica a transmissão do direito de propriedade – artigo 1144º Código Civil;
• O mútuo é, por regra, gratuito, mas se houver divisas interpretativas passa a ser
oneroso – artigo 1145º CC;
• Não se espera que haja cobrança de juros, sendo esta criticada.
Contrato de Depósito
• Está previsto no artigo 1185º do Código Civil e a noção é igual à do Direito
Romano;
• O depositário tem de guardar a coisa e restituí-la – artigos 1187º, 1190º e 1192º
CC;
• O depositário é um mero detentor da res mas pode recorrer aos instrumentos
de tutela da posse – artigo 1188º CC;
• Depósito necessário – não está consagrado no nosso ornamento jurídico;
• Depósito de sequestro – artigo 1202º CC;
• Depósito irregular (coisas fungíveis) – artigo 1205º CC;
• Artigo 1206º CC – são aplicadas, na medida do possível, as normas relativas ao
contrato de mútuo.
Contrato de Comodato
• Previsto no artigo 1129º do Código Civil e a noção é igual à do Direito Romano;
• É gratuito – sempre;
• Artigo 1131º CC;
• Bilateral Imperfeito – podem surgir responsabilidades para ambas as partes –
artigo 1134º CC;
• Obrigações do comodatário – artigo 1135º CC;
• Perda ou deterioração – artigo 1136º CC nº1;
• O comodatário é o interessado neste contrato.
Contrato de Penhor
• Garantia real das obrigações – artigo 666º Código Civil;
• Implica a entrega da coisa – artigo 669º CC;
• O credor pignoratício pode recorrer aos instrumentos de tutela da posse;
• Obrigações do credor pignoratício – guardar a res e restituí-la;
• Se o devedor não pagar a sua dívida, o credor pignoratício pode executar o
penhor e passar à venda da res – artigo 675º CC;
19 Gabriela Pinto
Contrato de Fidúcia
• Não está no nosso ornamento jurídico;
• O contrato mútuo tem natureza fiduciária – está na transmissão de propriedade,
mas também, se o mutuário entrar em insolvência o mutuante só tem um direito
de crédito – relação de particular confiança;
• Implica a transmissão da propriedade como função de garantia – 105/2004
decreto-lei de 8 de maio.
Principais diferenças:
Português – mútuo é gratuito, salvo se
exis?rem duvidas interpreta?vas.
Italiano – mútuo presume-se oneroso.
Francês e Espanhol – consagram o
depósito necessário.
20 Gabriela Pinto
Contratos consensuais
A sua validade só depende do acordo/ consenso entre as partes, que pode
manifestar-se de qualquer modo.
Não é necessária uma forma determinada nem a entrega da res.
Contratos do Ius GenNs – estes contratos foram desenvolvidos para a realização
de contratos entre estrangeiros e Romanos.
o Compra e Venda;
o Locação;
o Sociedade;
o Mandato.
Classificação:
• Consensual;
• Bilateral;
• Oneroso.
Elementos essenciais:
• Transferência da posse da res (coisas fungíveis ou infungíveis, presentes ou
futuras...);
• Acordo entre as partes;
• Preço determinado e justo.
Obrigações do Vendedor
• Transferir a posse livre e pacífica da res – a res deve estar livre de vícios e não ser
precária;
• Responder por evicção:
o Obrigação em que o vendedor, que assumiu a responsabilidade de
assegurar a posse pacífica da res, responde pela privação sofrida pelo
comprador;
o O comprador pode demandar o vendedor e obter a sua condenação ao
pagamento do dobro do preço pago;
o A, num contrato de compra e venda, transfere a posse da sua
propriedade a B. Aparece C, que reclama ter também direitos sobre a
coisa. A tem de responder e indemnizar B.
21 Gabriela Pinto
• Cuidar da res até à sua entrega;
• Responder pelos vícios ocultos da res:
o O vendedor era responsável por garantir que a res vendida se encontrava
nas condições determinadas do acordo;
o Ou seja, não havia elementos físicos ou jurídicos que diminuíssem a
aptidão da res ou o exercício das suas faculdades;
o O comprador pode demandar o vendedor pelos vícios não declarados –
independentemente de o vendedor ter agido com ou sem dolo;
o O comprador pode instaurar uma ação, no prazo de dois meses após o
conhecimento do defeito – o vendedor era condenado:
§ a pagar o dobro do preço recebido;
§ a restituir o preço com juros.
o Pode instaurar uma ação no prazo de seis meses que o permitiria obter a
diminuição do preço da res defeituosa.
Obrigações do Comprador
• Transmitir a propriedade do preço;
• Receber a res;
• Ressarcir o vendedor de gastos que tenha tido na conservação da res;
• Responder pelos riscos – caso o vendedor não tivesse culpa pela destruição da
res, o comprador teria de pagar na mesma o preço.
VENDEDOR COMPRADOR
Transferir a posse – livre e pacífica Pagar o preço
Responder por evicção Receber a res
Cuidar da res até à sua entrega Ressarcir gastos do vendedor na
conservação da res
Responder pelos vícios ocultos – 913º Responder pelos riscos
C. Civil
Obrigações
22 Gabriela Pinto
Pacta Adiecta (acordos complementares)
Relação de interdependência – só podia, uma parte exigir a obrigação de outra, se
?vesse cumprido com a sua obrigação.
23 Gabriela Pinto
Contrato de Locação (1022º C. Civil)
É o contrato pelo qual uma pessoa se obriga para com outra a proporcionar-lhe
o gozo temporário de uma res, ou de prestar determinados serviços ou a realizar uma
obra, mediante o pagamento de uma remuneração (merces).
Classificação
• Consensual;
• Bilateral;
• Oneroso.
Elementos essenciais
• Consensos – acordo entre as partes;
• Objetcto – transferência:
o Da detenção da res para que o locatário a use de modo acordado durante
determinado tempo;
o Da atividade laboral que o locador deve realizar no tempo acordado;
o De uma res que o locador entrega ao locatário para que este faça uma
determinada obra.
• Merces – é contraprestação devida pelo uso da res, trabalho ou obra realizada;
• Tempo – um contrato de locação é realizado em função de um determinado
tempo / prazo.
Modalidades da locação
• Locação de coisa – locatio-conductio rei;
• Locação de trabalho – locatio-conductio operarum;
• Locação de obra – locatio-conductio operis.
Locação de coisa
24 Gabriela Pinto
Obrigações do locatário da coisa (1038º C. Civil)
• Pagar a merces acordada;
• Conservar a res em boas condições e não fazer um uso reprovável;
• Ressarcir o locador por danos causados à res;
• Restituir a res no termo da locação.
Exemplo:
A é proprietário do prédio X e estabelece um usufruto vitalício com B.
B celebra um contrato de locação com C, com duração de 10 anos.
Passados 5 anos B morre e como tal, perde o seu direito de usufruto.
Terá A de suportar C?
¨ Não, porque o contrato de locação estabelecido entre B e C não tem natureza
real, ou seja, não produz obrigações erga omnes. Quando B morre, a locação
termina/ caduca, não tendo A de suportar C. – direito romano e português.
25 Gabriela Pinto
Resolução do contrato por parte do locatário:
• Se o locador se atrasar na entrega da res;
• Se a res tiver defeitos que impedem, limitam ou dificultam a sua utilização;
• Se houver um temor fundado de um perigo.
Locação de trabalho
O locador (trabalhador) obriga-se a pôr a sua a?vidade laboral à disposição do
locatário (patrão), durante um certo tempo, mediante o pagamento de uma
remuneração.
No direito romano eram os escravos que trabalhavam e, como tal, os homens
livres recusavam-se a celebrar contratos de locação de trabalho.
Foi então criada uma lei (direção jurídica) que assinala que o que está em causa
é o trabalho da pessoa e não a pessoa em si.
Deste modo, os homens livres começam também a celebrar contratos de locação
de trabalho.
Mas...
Se o locatário (patrão) morrer, o contrato mantém-se?
Depende – se os herdeiros ou sócios con?nuassem com a a?vidade laboral, o contrato
de trabalho não caduca. Ficavam estes encarregues de pagar a merces.
Se o trabalhador (locador) ficasse doente ficava dispensado do trabalho, porém
o locatário não ?nha de lhe pagar – não trabalha não recebe.
A locação de trabalho cessava com a morte do locador (trabalhador).
Locação de obra
O locador entrega uma matéria-prima ao locatário, para que este a transforme
numa obra e, quando terminada, o locatário entrega a obra ao locador em troca de uma
retribuição.
Quem paga a merces é o locador.
O locatário está obrigado a realizar a obra nos termos e no tempo definidos no
contrato, e está também obrigado a devolver a obra em troca de um preço.
No direito romano, se A encomenda uma obra a B, mas é B que compra todas as
matérias primas e realiza a obra, o contrato estabelecido passa a ser uma compra e
venda.
26 Gabriela Pinto
Comparação da locação a outros direitos
Português (1022º CC) – a compra e venda não afasta a locação.
De resto são todos semelhantes.
Classificação
• Consensual;
• Bilateral ou plurilateral;
• Oneroso.
• No direito romano a boa fé era particularmente relevante.
Elementos essenciais
• Consensus – é o acordo das vontades dos sócios, de porem em comum
determinadas res ou de dirigirem o seu trabalho para a realização de um fim
comum útil;
• Objecto – os sócios entram para a sociedade com determinado património
(dinheiro, coisas fungíveis ou não fungíveis, com trabalho, etc);
o Existem 3 tipos para esta entrada na sociedade:
§ Só com património;
§ Só com trabalho;
§ Mistas.
§ O património com que A entra na sociedade possa a pertencer a
todos os sócios envolvidos e deixa de estar apenas na esfera
jurídica de um dos sócios (A) – passa a ser de todos em regime de
condomínio ou copropriedade.
• Finalidade – o interesse comum é a obtenção de lucro;
o Um sócio não pode participar apenas nas perdas ou apenas nos lucros;
o Porém, uns sócios podem participar mais nas perdas ou mais nos lucros.
Tipos de sociedades
• Sociedade universal – os sócios contribuem com todos os seus bens presentes e
futuros;
• Sociedade de objeto específico – criada para um ramo específico ou para realizar
um determinado negócio jurídico.
27 Gabriela Pinto
Obrigações dos sócios
• Cada sócio deve contribuir com o que foi acordado transferir património pessoal
para o património comum;
• É responsável pelos vícios ocultos da res e responde por evicção;
• São responsáveis pelos riscos e pelos danos causados à res;
• São obrigados a gerir os negócios de acordo com o interesse da sociedade;
• Devem atuar com diligência;
• Cada socio que cumpriu obrigações com terceiros, tinha o direito de reembolso
por parte dos outros sócios;
• Cada sócio responde perante terceiros – em Roma as sociedades não tinham
personalidade jurídica – o terceiro podia demandar os outros sócios se tivessem
tido enriquecimento injusto.
Problema:
Em Roma, as sociedades com finalidade mercan?l não ?nham uma personagem
jurídica.
Ter personagem jurídica significa que, no momento do nascimento e com vida
passamos a ser um centro autónomo de importação de direitos e obrigações (direito de
propriedade, integridade ksica) – exemplo português: se o pai e a mãe morrem no parto,
o património passa a ser do bebé – apesar de não ter capacidade de exercer direitos até
ser maior de idade, já tem personagem jurídica.
O ornamento jurídico português permite a personagem jurídica ficfcia, ou seja,
as pessoas cole?vas e sociedades são também contros de importação de direitos e
obrigações.
Roma não reconheceu a personagem jurídica às sociedades.
Exemplo:
Portugal
Parte da sociedade (A) compra determinada coisa a E (agricultor) e decide vender
os produtos na sociedade, mas não paga o que deve a E.
E pode demandar a sociedade.
Direito Romano
4 Soluções:
28 Gabriela Pinto
2. Se o contrato for celebrado entre A e E.
A celebrou o contrato com E, colocou os produtos à venda no seu centro
comercial, foram todos vendidos, o lucro foi distribuído pelos sócios, mas
ninguém pagou a E.
Como o contrato foi estabelecido entre A e E, o E só pode demandar o A
em tribunal.
A não comprou os produtos para uso próprio e, como tal, chama a ação
os outros sócios vistos que todos lucraram com a venda dos produtos comprados
a E.
Todos vão ter de pagar a E.
Por fim, liquida-se o património. Hoje em dia divide-se pela percentagem que
cada sócio tem na sociedade.
29 Gabriela Pinto
Comparação da sociedade a outros direitos
Português (980º CC) – admite-se a personagem jurídica das sociedades.
Classificação
• Consensual;
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito;
• Implica a confiança e a boa fé.
Elementos essenciais
• Consensus – acordo entre as partes;
• Objecto – atividade que o mandatário se obriga a realizar;
• Finalidade – satisfazer o interesse do mandante, de um terceiro ou
conjuntamente do mandatário. Se a atividade beneficiar exclusivamente o
mandatário trata-se de um conselho.
30 Gabriela Pinto
No Direito Romano:
• Não havia representação direta;
• A pode pedir a B que realize uma ação por ele, e B não paga;
• C teria então de agir contra B, porque são as duas partes do contrato (visto não
haver, em regra, representação direta), e B teria de chamar a ação o A dizendo
que tinha sido um mero mandatário;
• Posteriormente, A iria ser condenado a pagar a C.
Italiano (1703º CC) – noção igual, mas presume-se oneroso por incorporação do
código comercial.
Contratos Inominados
São relações cujo vínculo jurídico, que liga as partes, surge quando só uma delas
realizou a sua prestação e, por isso, pode exigir à outra a prestação a que se
comprometeu.
Implica:
• A conventio – é o acordo em que cada parte se obriga, para com a outra, a dar
determinada res ou a realizar uma certa atividade (facere);
o Dou para que dês;
o Dou para que faças;
o Faço para que dês;
o Faço para que faças;
31 Gabriela Pinto
• A execução de uma das prestações – é a causa do vínculo obrigacional da parte
que não cumpriu o que foi acordado;
Contrato de Permuta
É um contrato pelo qual, uma pessoa dá a outra uma determinada res para que
esta lhe dê outra res. É uma relação de troca (dar-dar).
Considerava-se a permuta como uma modalidade de compra e venda, porém, a
compra e venda exige que haja um preço, e dado que a permuta pressupõe uma relação
de troca, seria impossível dis?nguir a res vendida e a res que funcionava como preço.
Na compra e venda (direito romano) era transferida a posse da res, aqui é
transferida a propriedade.
Elementos essenciais
• Transferência da propriedade da res;
• As res devem ser propriedade das partes;
• Acordo entre as partes.
Contrato de Estimatório
É o contrato pelo qual, uma pessoa entrega a outra uma res ou mercadoria para
que esta a venda pelo valor acordado, comprometendo-se a, num prazo determinado,
pagar ou, caso não tenha vendido, devolver a res.
É quase, mas não é mandato porque B pode vender ou não a res.
Problema:
A entrega a res a B, mas transfere-lhe o direito de propriedade para que a possa
vender a C?
No direito romano, isto não é um problema porque a compra e venda pressupõe
apenas a transferência do direito de posse.
Exemplo:
32 Gabriela Pinto
A entrega a B uma res para que a venda a C.
A e B acordam um preço.
Se B não vender a res, deve devolvê-la a A. Se B vender a C, tem de dar o preço
acordado a A.
Mas, B pode vender a res a um preço superior, podendo ficar com o excedente.
Elementos essenciais
• Entrega da res para que a outra pessoa a venda;
• Acordo do valor a pagar ao que entrega;
• Obrigação de o que recebe a res para venda, pague o valor acordado ou que a
restitua;
• Faculdade de o que recebe a res para venda ficar com o excedente.
Contrato Precário
É o contrato pelo qual, uma pessoa concede gratuitamente a outra, a pedido
desta, o uso de uma res ou o exercício de um direito, com a faculdade de revogar a
concessão a qualquer momento.
É parecido com o comodato, mas proporciona ao precarista um gozo mais amplo
da res.
Elementos essenciais
• Transferência da detenção da res;
• Acordo entre partes.
Obrigações do precarista
• Restituir a res assim que lhe fosse solicitado;
• Responder se agir com dolo ou culpa grave.
33 Gabriela Pinto
Quase Contratos
São relações jurídicas que resultam de atos unilaterais e que geram obrigações
para ambas as partes.
Não há um consenso nem acordo entre partes, mas da prá?ca desse ato
unilateral resultam obrigações.
Exemplo: A promete, publicamente, oferecer 50€ a quem encontrar o seu cão –
ato unilateral que gera obrigações – quem encontrar o animal pode exigir o dinheiro,
obrigando A a dar o dinheiro.
34 Gabriela Pinto
Se a ação não for útil:
• O dono do negócio pode retificar o negócio, apesar de ter sido além do que era
útil;
• O dono do negócio pode dizer que só paga o estritamente necessário, o que era
útil, e responde por enriquecimento sem causa;
• O gestor de negócios pode responder por dolo, se praticar a ação num momento
grave e prejudicial para o dono do negócio.
Exemplo:
Num dia de temporal, o meu vizinho encontra-se ausente e, durante esse mau
tempo, uma janela da sua casa par?u.
Eu posso ignorar e não fazer nada tendo em conta que não me afeta. Mas, posso
tomar inicia?va, sem ninguém me pedir e sem qualquer dever de agir, e chamo um
carpinteiro, ou vidraceiro, que vá resolver (ato unilateral de gestão de negócios alheios),
e obviamente vou ter despesas com a reparação da janela.
Quando o vizinho regressa eu conto-lhe o que se passou e eu mostro-lhe as
despesas.
Será que o vizinho tem de me pagar? CLARO que sim.
O vizinho (dono do negócio) teve um ganho com a intervenção alheia, porque lhe
protegeram o património e obviamente o dono do negócio tem de pagar a janela ao
gestor.
Critérios Diferentes
Direito Romano: u?liza-se o critério de um homem normal (médio) – pergunta-se o
que é que um homem normal faria? Tapar só o vidro par?do ou, subs?tuir por uma
janela toda nova?
Direito Português (artigo 468º C.C): critério da vontade presumível ou real do dono
do negócio – Se eu souber o que o dono do negócio quer, devo agir de acordo com essa
vontade real. Mas se o vizinho tem a janela par?da, apesar de não saber o que ele quer,
posso presumir o que ele iria fazer se es?vesse presente (vontade presumível).
35 Gabriela Pinto
Se o dono do negócio, quando voltar, não ?ver dinheiro para pagar, o gestor do
negócio não vai conseguir ter a divida paga. Mas, se o dono do negócio ?ver património
pessoal, a divida será paga a par?r do mesmo.
Exemplo:
A e B vão jantar e A esqueceu-se de levar dinheiro, prometendo a B pagar-lhe no
dia seguinte.
No dia seguinte A confunde B com C, entregando o dinheiro a C, que enriquece
sem causa.
A pode exigir a repe?ção a C, porque agiu com a intenção de ex?nguir uma
obrigação, que afinal não exis?a, e como tal fez um pagamento indevido.
No direito romano: a pessoa que recebe por engano, ?nha de ter boa fé e dizer que
não era a ela que lhe devia – era considerado um frutuoso (476ºC.C poder de repe?r).
Obrigações naturais 402º e 403º C.C.
Exemplo de Doação:
A faz uma doação para o casamento de dois amigos. Mais tarde, o casamento acaba por
não se realizar e, como tal, A tem o direito de repe?r (pedir de volta) o valor da sua
doação.
Outro Exemplo:
A oferece uma quinta a B que vai casar em comunhão de adquiridos. Se
eventualmente, B se divorciar, A pode exigir a quinta de volta.
Acabando o casamento a quinta não é nem de B nem do seu cônjuge – a doação
foi feita em função do casamento e, estando este dissolvido, A pode reaver a sua quinta.
36 Gabriela Pinto
Outro Exemplo:
A (costureira) pensa ter perdido um ves?do de B e entrega-lhe uma quan?a como
indemnização. Entretanto, A encontra o ves?do e liga a B para este o vir buscar.
B tem de devolver a quan?a que lhe havia sido indemnizada por A.
Pode ser:
• Público – ofende a comunidade Romana – é punido com pena pública;
• Privado – ofende um individuo – é punido com pena privada pecuniária.
Factos ilícitos – ar?go 483º Código Civil – vem da época Arcaica Romana.
Exemplo: Se A pra?car um facto ilícito vai ser obrigado a indemnizar o dano que
causou.
Se A es?ver na rua furioso e par?r um vidro de um carro alheio – viola a lei, ou
seja, viola um direito subje?vo absoluto, seja de propriedade, de personalidade ou um
interesse juridicamente protegido.
Tendo em conta que A agiu com dolo ou negligência, gerando um dano, é
obrigado a indemnizar pelos danos causados.
37 Gabriela Pinto
Direitos de crédito – natureza obrigacional Direitos reais – natureza real
Direitos Reais
É o poder direito e imediato de uma pessoa sobre uma coisa com valor
económico (elemento interno) e que produz efeitos sobre todos os outros (elemento
externo).
Nem todas as coisas são coisas pelo direito das coisas. Há coisas que são
fisicamente coisas, mas não são coisas relevantes para o direito.
• Ser exterior ao sujeito – exemplo: uma prótese numa perna pode ser objeto do
comércio jurídico? Não. Mas depois do sujeito morrer, ou da mesma ser retirada,
passa a ser exterior e pode ser objeto de comércio jurídico.
38 Gabriela Pinto
• Tem de ter unidade;
• Simples ou compostas;
1303º Código Civil – também as coisas incorpóreas podem ser objeto do direito.
Conteúdo:
• Usar – retirar certa utilidade da coisa, sem a destruir ou consumir – sem a alterar;
• Fruir – retirar os frutos naturais ou civis da coisa;
• Dispor – obstruir a coisa.
39 Gabriela Pinto
Características do Direito de Propriedade em Roma:
• Confinidade – delimitação da área;
• Absorvência – tudo o que está na minha propriedade é meu;
• Imunidade – isentos de impostos ou encargos;
•
Perpetuidade – não é um direito temporário, é para sempre a não ser que o
proprietário decida vender.
Exceção – em ar?gos que a lei o prevê – propriedade temporária ar?go 1307º nº2.
Se...
A vender o prédio a C, no tempo em que B ainda é o usufrutuário, C tem de suportar B.
Porquê?
Porque o usufruto é um direito real e como tal tem eficácia erga omnes.
Por regra, existe um registo e quando C compra o prédio a A, já sabe que B é
usufrutuário.
40 Gabriela Pinto
Causadas pelo interesse privado:
• O vizinho tem o direito de cortar ou de se apoderar das arvores inclinadas sobre
a sua casa, caso o dono da árvore não a arrancasse – artigo 1366º C. Civil;
• Os cursos de água que passem por prédios vizinhos, não podem ser desviados;
41 Gabriela Pinto
É um poder de facto sobre uma coisa que pretende ser um direito de
propriedade.
O possuidor comporta-se como se fosse proprietário da res, ou de?vesse outro
direito real.
A posse não é um direito, pode ser expressão do mesmo, mas não é.
É um instrumento fundamental do nosso ordenamento jurídico, de modo a
reprimir atos que perturbem o possuidor.
2 elementos da posse – Savigny:
• O corpus – elemento material, que se identifica com os atos materiais praticados
numa res – poder de facto sobre uma res;
• O animus possidendi – elemento espiritual/ psicológico – traduz-se na intenção
de o possuidor atuar como se fosse proprietário
A posse tem um elemento corpóreo e um espiritual – 1251º.
Não podemos confundir posse com propriedade – a posse presume o direito de
propriedade – 1254º e 1268º.
Elemento espiritual – permite dis?nguir a posse da detenção – um mero
detentor, apesar de ter um direito de facto, carece de elemento espiritual, ou seja, não
age como sendo proprietário nem pode alterar nada na res – 1253º.
42 Gabriela Pinto
A é proprietário do prédio X e B é proprietário do prédio Y, que está encravado
pelo prédio Y.
B tem de ter acesso à via publica e, como tal, tem de haver uma servidão de
passagem – logo, o prédio de B está a onerar o prédio de A, porque o prédio de A tem
uma servidão de passagem para que B possa ter acesso à via publica passando pela
propriedade de A – logo, B limita o direito de propriedade de A.
43 Gabriela Pinto
Urbanas:
Servidão de vistas – 1362º
• A servidão de vistas pode ser obtida por usucapião;
• O direito romano exigia uma distância entre prédios de 1.5m, de modo a garantir
privacidade;
Exemplo: A constrói um prédio até ao limite do seu terreno e abre uma janela voltada
para o terreno de B.
Se B não se opuser, assim que a servidão de vistas es?ver cons?tuída em
benekcio de A, B quando construir o seu prédio terá de ter em conta a distância
exigida por lei – visto não se ter recusado perante A.
Usufruto (1439º)
É o direito de usar e fruir a coisa, respeitando a sua consistência material e o seu
des?no económico.
É temporário e não pode exceder a vida do usufrutuário – temporário + pleno
(não altera a forma).
É um direito real que onera o direito de propriedade – comprime-o.
Direito real de usar e fruir de uma coisa alheia.
Se for estabelecido a favor de uma pessoa cole?va – não pode ter duração de
mais de 30 anos.
Usufrutuário:
• Responsável pelas despesas de conservação ordinária da res – enquanto o
proprietário conserva a posse da res;
• Tem o direito de usar, desfrutar e deter a res – enquanto o proprietário conserva
a posse da res e pode dispor da mesma sem prejuízo do usufrutuário;
• Pode locar a res e retirar os seus frutos civis;
• Deve respeitar a consistência e destino económico da res;
44 Gabriela Pinto
Como o usufruto é um direito real com eficácia erga omnes, A recebe o direito
de propriedade comprimido (tem apenas direito a dispor) e tem de suportar o usufruto
até C morrer.
Quando C morre, o direito de propriedade de A expande-se, e passa a poder usar,
fruir e dispor.
C (usufrutuário) pode estabelecer uma locação, mas quando morrer a locação
ex?ngue-se – por não ter eficácia erga omnes.
Uso – direito de natureza real, de usar uma res sem colher os seus frutos (conteúdo
menor em relação ao usufruto).
Habitação – direito concedido a uma pessoa de habitar ou arrendar uma casa alheia –
indisponível, vitalício e não se ex?ngue pelo não uso.
Código Civil:
1487º - Servir de coisa alheia e fruir na medida das suas necessidades e da sua família.
1488º - Não podem trespassar ou locar o seu direito.
1293º/b – não pode adquirir-se por usucapião o direito de uso e habitação.
45 Gabriela Pinto
Direito de superfície – 1524º e 1534º Código Civil
É um direito real transmissível de, perpetuamente ou durante certo tempo, gozar
(plena e exclusivamente) de um edikcio construído em solo alheio – mediante (ou não)
o pagamento de um cânone anual.
Extingue-se:
• Destruição do edifício;
• Renuncia;
• Confusão;
• Prescrição;
Exemplo:
A é proprietário de um prédio e permite que B edifique o mesmo – direito de superkcie
em função de B.
Porquê?
Porque havia muitos problemas – em Roma, o solo pertencia ao povo Romano,
em geral:
A (banqueiro) pretende estabelecer-se na cidade de Roma, e quer construir uma
taberna para a realização de créditos.
Como o solo era propriedade do povo romano, seguindo o princípio da
absorvência, a construção que A fizesse em solo de B, seria propriedade de B (dono do
solo).
46 Gabriela Pinto
Portanto sucedia:
B (dono do solo) estabelece com A um contrato de concessão de solo (locação) –
de natureza obrigacional que só produz efeitos entre as partes.
Se B (dono do solo) decidir vender o prédio a C, a construção de A (banqueiro)
passaria a ser propriedade de C – compra e venda afasta a locação.
Quid Iuris?
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Garantias reais em Roma:
• Fidúcia – não é direito sobre coisa alheia porque há transmissão do direito de
propriedade;
• Penhor;
• Hipoteca.
® Sendo direitos reais de garantia, têm eficácia erga omnes e, se uma res
hipotecada (por exemplo) for vendida, a hipoteca mantém-se, e por isso é
exigida uma publicação da mesma – para que o comprador saiba.
Exemplo:
B pode vender um prédio hipotecado a C? Sim, mas a hipoteca mantém-se sobre a res.
2 características:
Acessoriedade – significa que a existência/ validade da obrigação acessória (penhor)
depende da existência/ validade da obrigação principal (mútuo).
Se o mútuo for inválido (nulidade ou anulabilidade), o penhor também o será –
Porquê? – porque é acessório ao mútuo – 678º, 696º, 698º CC.
48 Gabriela Pinto
Indivisibilidade – significa que o penhor não se ex?ngue, ainda que a dívida tenha
diminuído.
Exemplo: um credor está a pagar uma dívida em prestações, e já só faltam duas
prestações. O penhor foi, inicialmente, feito em 1000€ e mantém-se assim até ao fim da
dívida.
® Se celebrassem um penhor:
B (agricultor) ficava sem o seu instrumento de trabalho, porque teria de o entregar
ao locador A.
Hipoteca:
Não há transmissão da posse (penhor), nem do direito de propriedade (fidúcia).
Exemplo: a casa de A é hipotecada – con?nua a ser sua propriedade e a estar na
sua posse.
49 Gabriela Pinto
Tem as mesmas caracterís?cas do penhor – 696º e 698º CC:
® Acessoriedade
® Indivisibilidade
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