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Fundamentos do Direito Comum Europeu

resumos

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Fundamentos do Direito Comum Europeu

Aulas teóricas 1º ponto escrito

O Direito Civil é o direito dos cidadãos, isto é, aquele que rege a vida dos cidadãos.

A generalidade dos direitos dos países europeus faz parte da família dos direitos
ditos romanistas, ou seja, dos sistemas jurídicos influenciados pelo direito romano da
an?guidade.

Atualmente cada Estado soberano tem o seu próprio sistema jurídico, mas nem
sempre foi assim.

5 grandes códigos napoleónicos:


© Código Civil;
© Código Comercial;
© Código de Processo Civil;
© Código de Instrução Criminal;
© Código Penal.

Não há agrupamento humano que dispense de um conjunto de normas que imponham


aos seus elementos determinados comportamentos.

A a?vidade humana é dirigida por normas que a orientam na realização de determinadas


ações. Existem normas jurídicas, religiosas, morais, de trato social, etc.

14 Séculos de Vigência do Direito Romano


Época arcaica (735 a.C – 130 a.C) – Imprecisão
• Direito não escrito;
• Mistura do jurídico com o religioso e moral;
• Instituições jurídicas rudimentares, ainda em desenvolvimento;
• Direito romano nacionalista, até 242 a.C o direito romano só se aplicava às
relações entre cidadãos romanos;
• Direito romano universalista, a partir de 242 a.C com a criação do pretor
peregrino passa, também, a aplicar-se às relações entre romanos e
estrangeiros;
• 450 a.C – primeira lei escrita em verso (lei das 12 tábuas);
• Já existe tribunal e magistrados.

1 Gabriela Pinto
Época clássica (130 a.C – 230) – Perfeição do Direito Romano

Subdivide-se em três épocas:

§ Pré-clássica (130 a.C – 30 a.C)

• Desenvolvimento significativo da jurisprudência;


• Consequente ascensão do direito romano.

§ Clássica Central (30 a.C – 130)


• Marcada pelo esplendor da jurisprudência;
• Época do rigor e perfeição;
• Equilíbrio entre o fecundo casuísmo, os princípios doutrinais e as regras
jurídicas;
• Criação de novas ações que integraram e modernizaram os direitos civis.

§ Clássica Tardia (130 – 230)


• Inicio da decadência da jurisprudência;
• Conceitos jurídicos que se confundem;
• Falta de rigor;
• Decadência profunda do Direito Romano;
• A doutrina burocratizou-se e virou-se para o direito público com destaque
para os direitos administrativo, militar, fiscal, penal e processual civil.

Época pós-clássica (230 – 530) – Confusão

• Época de decadência;

• Imperador – única fonte de Direito;

• Com o crescimento do Império foi preciso formar novos magistrados e doutores à


pressa.

Compreende duas etapas:

§ 1ª – de 230 a 395

• O imperador Teodósio dividiu definitivamente o Império Romano em duas


partes (Ocidente e Oriente) pelos seus filhos;
• Época marcada pela confusão.

§ 2ª – de 395 a 530

2 Gabriela Pinto
No Ocidente:
• Vulgarização do direito Romano;
• Simplificação de conceitos;
• Desordem na exposição das matérias.

No Oriente:
• Regresso ao classicismo (estudo do direito romano clássico) e tende à
helenização (influência Grega);

Época Justinianeia (530 – 565)

§ Caracterizada pelo classicismo e pela helenização;


§ O Imperador Justiniano tenta a unificação religiosa.

O Imperador Jus?niano ordena a compilação do Corpus Iuris Civilis, composto por:


• Instituciones;
• Digesto ou Pandectas;
• Coddex;
• Novellae.

O Imperador ?nha 3 grandes objeEvos


1. Reconquistar o império do Ocidente – não conseguiu;
2. Unificação religiosa do Oriente – não conseguiu;
3. Unificação do Direito – conseguiu devido às grandes escolas de Direito e à grande
obra Corpus Iuris Civillis.

Corpus Iuris Civillis:


© é a maior compilação jurídica, dividida em 4 partes. É a fonte do direito romano.

Supervivência do Direito Romano

O direito romano privado apresenta caracterís?cas que lhe transmitem uma


individualidade própria e permitem compreender a sua natureza peculiar.

Características do direito romano:


• Desinteresse pela codificação – a lei é criada a partir dos casos concretos logo
não é necessário haver codificação, essencial é fazer justiça;
• A ação judicial prevalece sobre o direito subjetivo;

3 Gabriela Pinto
• O direito romano preocupa-se em procurar soluções simples (claras e rigorosas,
mas não complexas);
• O direito romano separou o direito da moral e da religião;
• Evoluiu lentamente, sem criar roturas com o passado;

• Conjugou liberdade com autoridade, como por exemplo a liberdade contratual,


qualquer um pode celebrar um contrato desde que não viole os conteúdos da
lei;
• Incorporou alguns valores morais como a confiança (boa-fé – fides), o dever de
agir desinteressadamente (officium), o respeito pela pessoa humana (humanitás) e
a amizade (amícita).

Família Romano-Germânica

o A maioria dos países da Europa ocidental sofreu uma forte influência do direito
Romano, pelo facto de ter sido o único direito ensinado nas universidades dos
países latinos e germânicos.

o A principal fonte de direito é a lei que se aplica nos casos concretos.

o Este sistema jurídico tem como principais fontes a lei, a doutrina e a


jurisprudência.

Família Anglo-Saxónica (Common Law)

o É o direito da Inglaterra, Irlanda, EUA (exceto Luisiana) e Canadá (exceto


Québec).

o Este sistema jurídico tem como fonte a jurisprudência.

o Existe um precedente judiciário, isto é, casos semelhantes têm respostas


semelhantes.

Família Socialista

o Nasceu na Rússia com a revolução de 1917, com o objetivo de implementar uma


sociedade comunista, baseada na coletivização dos meios, na qual não haveria
nem Estado nem Direito.

o Sofreu uma considerável influência do sistema romanista, nos conceitos e


terminologias jurídicas.

4 Gabriela Pinto
Família Religiosa e Tradicional

o Existem sistemas jurídicos onde o direito se confunde com a religião, como é o


caso do direito muçulmano e hindu.

o Existem outros sistemas jurídicos, em que o direito se baseia no costume, como


os direitos africanos.

o O Corão é a fonte de direito e é aplicado como código civil.

o O direito e a religião não se distinguiam.

Fontes do Direito:
• Lei – regras impostas por uma autoridade;
• Costume – prática social;
• Jurisprudência – prática de juízes. O julgamento fundamenta-se numa
determinada regra.

Direito de Crédito – Natureza Obrigacional Direito Real – Natureza Real

§ Gera obrigações inter-partes, ou seja, § Gera obrigações e eficácia em relação a


entre as partes envolvidas; todos – Erga Omnies;

§ A satisfação do crédito depende da § Não é necessária a colaboração nem


colaboração e do comportamento da outra nenhum comportamento por parte de
parte – devedor; outrem;

§ Liberdade contratual – são realizados § Gera, portanto, uma obrigação passiva


contratos que a lei não prevê. universal;

§ Princípio da taxatividade – os únicos direitos


que existem são os que a lei prevê.

5 Gabriela Pinto
A Obrigação

É um vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa (devedor) está adstrita com
outra (credor) à realização de uma prestação.

Difere de um direito real porque, enquanto o seu ?tular obtém o benekcio


económico que este direito lhe proporciona através da sua a?vidade diretamente
exercida sobre a res, o ?tular do direito de crédito somente o obtém da conduta posi?va
ou nega?va do sujeito passivo.

O objeto de uma obrigação pode consistir em:

• Dare: constituição ou transferência de um direito real;

• Facere: realização de uma atividade que não se traduza num dare;

• Non facere: o contrário de facere;

• Praestare: identifica-se com dare e facere, mas designa-se especialmente a


assunção de garantia de uma obrigação;

Condições para existir uma obrigação:

• O comportamento, positivo ou negativo, do sujeito passivo deve ser possível


física e juridicamente;

• Vínculo jurídico, mas antes era um vínculo material;

• Deve ser lícito, ou seja, não contrariar a lei nem a moral;

• Deve ser determinável;

• Deve ter caráter patrimonial, ou seja, proporcionar um benefício económico ao


credor.

O credor não pode obter, através da execução forçada, a prestação a que ?nha direito
no caso do devedor não cumprir a sua obrigação de dare ou facere: tão só podia obter
o equivalente em dinheiro.
Nas obrigações de facere ou non facere, a autoridade judicial não autorizava o credor
a realizar a a?vidade a que o devedor se obrigara ou a destruir o que ?vesse feito
violando o comportamento nega?vo a que se ?nha vinculado.

6 Gabriela Pinto
Fontes das Obrigações
• Contratos;
• Factos ilícitos, (geradores de obrigações) dos quais resultasse a obrigação de
indemnizar;
• Quase-contratos – atos unilaterais, parece um contrato, mas não o é;
• Delitos (previstos no ius civile) e quase delitos (previstos no ius honorarium).

Negócio jurídico – é um facto voluntário, lícito, que assenta numa ou mais declarações
de vontade que produzem efeitos tutelados pelo direito.

Contratos
É um acordo de duas ou mais pessoas, dirigido à produção de efeitos jurídicos.

Os contratos são cons?tuídos pelos seguintes elementos:


• Causa – é o fim que o ius civile reconhece como social e economicamente digno
de proteção;
• Conventio (consensos) – é o acordo das partes, cujas vontades convergem para
o mesmo fim que constitui a causa fixada pelo ius civile ao contrato utilizado.

Classificação dos Contratos


Unilaterais – só gera obrigações para uma das partes;

Bilaterais – gera obrigações para todas as partes intervenientes;

Bilateral imperfeito – inicialmente, só gera obrigações para uma das partes, porém
durante a sua vigência podem surgir obrigações para a outra parte;

Onerosos – gera perdas patrimoniais para ambas as partes;

Gratuitos – gera perdas patrimoniais para apenas uma das partes;

CONTRATOS REAIS
§ São aqueles cuja perfeição não depende apenas do acordo/ consenso
(conventio) entre as partes para produzir efeitos jurídicos.

§ É também necessária a prática de um ato material. Esse ato pode ser a


transmissão de propriedade, da posse ou da detenção.

§ Tem efeitos reais que implicam a constituição.

7 Gabriela Pinto
São contratos reais:

1. O mútuo;
2. A fidúcia;
3. O depósito;
4. O comodato;
5. O penhor.

CONTRATO DE MÚTUO (1142º C. Civil)

É o contrato pelo qual uma das partes empresta à outra dinheiro ou outra coisa
fungível, ficando a segunda obrigada a res?tuir outro tanto do mesmo género e
qualidade.
O mutuário (devedor) recebe do mutuante (credor) a propriedade de
determinada res fungível.
O mutuário fica obrigado a res?tuir igual quan?dade na mesma qualidade e do
mesmo género ao mutuante.

Classificação:
• Unilateral;
• Gratuito; - nem sempre é gratuito, as partes podem estabelecer juros acordados
entre si e passa então a ser oneroso.

Elementos essenciais:
• a datio rei – transferência do direito de propriedade sobre uma coisa fungível;
• a conventio – acordo entre as partes cujo objeto consiste na restituição de outro
tanto do mesmo género, qualidade e quantidade.

Obrigações do mutuário:
• restituir a res fungível;

CONTRATO DE DEPÓSITO (1185º C. Civil)

É o contrato pelo qual uma das partes entrega à outra uma coisa, móvel ou
imóvel, para que a guarde, e a res?tua quando for exigida.
O depositante entrega ao depositário uma res móvel para que a guarde e res?tua
num determinado prazo ou quando o depositante pedir/ exigir.

Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito.

8 Gabriela Pinto
Elementos essenciais:
• Transferência da detenção da res móvel;
• Acordo entre as partes.

Obrigações do depositário:
• Restituir a res móvel nas mesmas condições;
• Não a pode usar visto que é um mero detentor e não um possuidor;
• Cuidar da res móvel com diligência até à entrega.

Obrigações do depositante (podem surgir, sendo por isso o depósito um contrato


bilateral imperfeito):
• Indemnizar o depositário pelos gastos que este tenha tido com a conservação da
res móvel.
• Se não o fizer, o depositário tem o direito de reter a res móvel até ser ressarcido.

Em caso de perda ou deterioração da res depositada, o depositário:


• Na época clássica – só teria responsabilidade se tivesse agido com dolo, tendo em
conta que o interesse deste contrato é do depositante, logo não há utilidade para
o depositário.

• Na época justinianeia o depositário responde não só por dolo, mas também por
negligência.

Figuras Particulares de Depósito

Depósito necessário – depósito forçado que se faz em situações excecionais que não
permitem que o depositante escolha livremente o depositário (exemplo: incendio,
naufrágio, etc). Deriva da boa-fé assim como se espera de qualquer outro contrato.

Deposito sequestro – pelo menos dois depositantes que estão a reivindicar o direito de
propriedade sobre algo e até que um deles ganhe o lipgio decidem entregar a res a um
terceiro da sua confiança. O depositário está obrigado a entregar a res a quem vencer o
lipgio. Se um dos depositantes tentar reclamar a res enquanto o lipgio não es?ver
resolvido, o depositário pode recorrer aos instrumentos de tutela da posse.

Deposito irregular – traduz-se na transferência de propriedade de res fungível


(perfeitamente subs?tuíveis sem perda de valor económico). O depositário está
obrigado a res?tuir outro tanto do mesmo género, qualidade e na mesma quan?dade.
Torna-se proprietário da res fungível e pode usá-la livremente. É unilateral.

9 Gabriela Pinto
CONTRATO COMODATO (1129º C. Civil)

É o contrato gratuito pelo qual uma das partes entrega à outra certa coisa, móvel
ou imóvel, para que se sirva dela, com a obrigação de a res?tuir.
O comodante entrega uma res móvel ou imóvel ao comodatário, para que este a
use gratuitamente, num determinado período de tempo, e este tem de a res?tuir.

Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito (obrigatoriamente).

Elementos essenciais:
• Transferência da detenção da res móvel ou imóvel;
• Acordo entre as partes.

Obrigações do comodatário (1135º C. Civil) – mero detentor da res


• Guardar e conservar a res;
• Utilizar a res com diligência até à entrega e conforme o acordado;
• Restituir a res móvel ou imóvel nas mesmas condições.

Responsabilidade do comodante (1134º C. Civil)


• Ressarcir o comodatário de gastos que este tenha tido com a conservação da res;
• Indemnizar o comodatário pelos danos causados pela res;

CONTRATO DE FIDÚCIA

É um contrato em que o fiduciante transfere a propriedade de uma res para o


fiduciário, ficando este obrigado a res?tuir depois de realizado o fim definido num
acordo não formal.

Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito.

Elementos essenciais:
• Transferência de propriedade da res, mas não da posse;
• Acordo entre as partes.

Finalidades da fidúcia:
• Garantir uma dívida;
• Alienação aparente.

10 Gabriela Pinto
Obrigações do fiduciário:
• Restituir a propriedade da res depois de realizado o fim;
• Cuidar da res com diligência até à entrega.

Obrigações do fiduciante:
• Ressarcir o fiduciário de gastos que este tenha tido com a conservação da res.

CONTRATO DE PENHOR (666º C. Civil)

É um contrato em que o credor pignorapcio toma posse de uma res como


garan?a do cumprimento de uma obrigação, ficando obrigado a res?tuí-la depois de
ex?nta a relação obrigacional garan?da.

Classificação:
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito.

Elementos essenciais:
• Transferência da posse da res;
• Acordo entre as partes.

Obrigações do credor pignoratício:


• Restituir a res nas mesmas condições, com todas as acessões e frutos;
• Conservar a res;

Obrigações do credor (que é devedor numa outra relação):


• Ressarcir o credor pignoratício dos gastos que tenha tido com a conservação da
res.

Exemplo:
A é o credor e B é o devedor num certo contrato, por exemplo, mútuo. B dá uma
garan?a a A (penhor) entregando a posse da res a A – credor pignorapcio.

Neste contrato de penhor B é o credor e A é o devedor/ credor pignorapcio.


A tem o dever de guardar devidamente a res, não a podendo usar.

Se B pagar o que deve a A, enquanto devedor do contrato mútuo estabelecido entre


ambos, A é obrigado a res?tuir a res.

Se B não pagar a sua dívida enquanto devedor do contrato mútuo, A pode reter a res
e executá-la, ou seja, vender a res exercendo a sua garan?a real.

Se o valor de venda exceder o valor da res, A (detentor da res) tem de entregar o


excedente a B.

11 Gabriela Pinto
Perguntas e respostas:

1. Direito comum europeu


É o primeiro direito que serviu de base ao direito romano. Foi elaborado em roma para
criar e influenciar o ornamento jurídico dos países do ocidente.

2. Época arcaica – 735aC - 130aC


É uma época de imprecisão, de 735 a.C até 130 a.C, na qual o direito não é escrito,
há mistura do jurídico com o religioso e moral.
As ins?tuições jurídicas são rudimentares, isto é, estão ainda em desenvolvimento.
Até 242 a.C o direito romano é nacionalista, ou seja, só se aplicava às relações entre
cidadãos romanos.
Após 242 a.C o direito romano passa a ser universalista com a criação do pretor
peregrino e passa a aplicar-se às relações entre romanos e estrangeiros.
Em 450 a.C cria-se a primeira lei escrita (lei das 12 tábuas) que era uma compilação
de normas exigidas pelos plebeus e consequentemente era votada, discu?da, aprovada
e publicada pelo senado, sendo de seguida afixada na praça popular.
Nesta época já existem magistrados e tribunais.

3. Época clássica
É uma época que assenta na perfeição do direito romano, de 130 a.C até 230, e
subdivide-se em 3 épocas.
1ª – pré-clássica (130 aC até 30 aC) na qual se dá o significa?vo desenvolvimento da
jurisprudência e consequente ascensão do direito romano.
2ª – clássica central (30 aC até 130) é marcada pelo esplendor da jurisprudência, dá-
se um equilíbrio entre o fecundo casuísmo, os princípios doutrinais e as regras jurídicas.
É uma época de rigor e perfeição e são criadas novas ações que integram e modernizam
os direitos civis.
3ª- clássica tardia (130 até 230) é marcada pelo início da decadência da
jurisprudência, os conceitos jurídicos começam a confundir-se aumentando a falta de
rigor. Consequentemente o direito romano entra numa profunda decadência. A doutrina
burocra?zou-se e virou-se para o direito público com destaque para os direitos
administra?vo, militar, fiscal, penal e processual civil.

4. Época pós-clássica
É uma época marcada pela confusão, de 230 a 530, a decadência do direito romano
e da jurisprudência con?nua e o imperador é a única fonte de direito e com o
crescimento significa?vo do Império foi preciso formar novos magistrados e doutores à
pressa. Compreende 2 etapas:
1ª – de 230 a 395 – o imperador Teodósio dividiu defini?vamente o império romano
em duas partes (ocidente e oriente) pelos seus filhos.

12 Gabriela Pinto
2ª – de 295 a 530 – é a realização da 1ª etapa. No ocidente dá-se a vulgarização do
direito romano e a simplificação de conceitos. Há uma desordem na exposição de
matérias e uma consequente perda de rigor e da ciência.
No oriente dá-se o regresso ao classicismo e começa-se a estudar o direito romano
clássico nas grandes escolas e tende-se à helenização (influência grega).

5. Época justianeia
Época caracterizada pelo classicismo e pela helenização, de 530 a 565. O imperador
Jus?niano ?nha 3 grandes obje?vos:
1º - reconquistar o imperio do Ocidente.
2º - unificação religiosa do Oriente.
3º - unificação do direito.
O único que conseguiu cumprir foi a unificação do direito devido às grandes escolas de
direito e à grande obra Corpus iuris civillis que é a maior compilação jurídica e é a fonte
do direito romano.
O imperador jus?niano morrer em 565, ano que marca o fim da época jus?nianeia.

6. Corpus iuris civillis – explicar do que se trata e a sua importância


para a formação do direito europeu.
É a maior compilação jurídica e é a fonte do direito romano, isto é, recolhe as principais
regras e ensinamentos do direito romano e cons?tui o corpo do direito civil.
Está dividido em 4 partes: insNtuciones, digesto ou pandectas, coddex e novellae. É
através desta obra que o imperador Jus?niano consegue a unificação do direito.

7. A estilização da casuística no direito romano


Cria modelos ou figuras para o futuro, que são criadas através do caso concreto.
Separação de tudo o que não seja juridicamente relevante ou essencial.

8. Supervivência do direito romano / características do direito romano


§ Desinteresse pela codificação, o essencial é fazer justiça e, portanto, a lei é criada
a partir dos casos concretos.
§ A ação judicial prevalece sobre o direito subjetivo.
§ O direito romano preocupa-se em procurar soluções simples, que não deixam de
ser claras e rigorosas, apenas não complexas. É pragmático.
§ Separou o direito da moral e da religião.
§ Criou figuras e modelos para o futuro – estilização da casuística.
§ Evoluiu lentamente, sem criar roturas com o passado e mantendo tradições.
§ Conjugou liberdade com autoridade, por exemplo a liberdade contratual.
§ Incorporou alguns valores morais como por exemplo a confiança (fides), o dever
de agir desinteressadamente (officium), o respeito pela pessoa humana
(humanitás) e a amizade (amícita).

13 Gabriela Pinto
9. Família romano-germânica
A maioria dos países da Europa ocidental sofreu uma forte influência do direito romano,
pelo facto de ter sido o único direito ensinado nas universidades dos países la?nos e
germânicos. As principais fontes deste sistema jurídico são a lei, a doutrina e a
jurisprudência.

10. Família anglo-saxónica (common law)


É o direito de Inglaterra, da Irlanda, EUA e Canadá. Este sistema jurídico tem como fonte
a jurisprudência. Existe um precedente judiciário, isto é, casos semelhantes têm
respostas semelhantes.

11. Família socialista


Nasceu na Rússia com a revolução de 1917, com o obje?vo de implementar uma
sociedade comunista, baseada na cole?vização dos meios, na qual não haveria nem
Estado nem Direito. Tem uma considerável influência do sistema romanista.

12. Família religiosa e tradicional


Existem sistemas jurídicos onde o direito se confunde com a religião, como por exemplo
o muçulmano e hindu.
Existem outros sistemas jurídicos nos quais o direito de confunde com os costumes, por
exemplo o direito africano.
O Corão é a fonte de direito e é usado como código civil.

13. Fontes do direito


Lei, costumes e jurisprudência.
Lei – regras impostas por uma sociedade
Costumes – prá?ca social
Jurisprudência – prá?ca de juízes

14. Distinga direito de natureza obrigacional de direito de natureza


real
O direito de crédito / natureza obrigacional gera obrigações inter-partes, ou seja,
entre as partes envolvidas e a sa?sfação do crédito depende da colaboração e do
comportamento da outra parte – devedor. Assenta na liberdade contratual na qual são
realizados contratos que a lei não prevê.
O direito real / de natureza real tem eficácia em relação a todos – ERGA OMNIES.
Não é necessária a colaboração nem um comportamento por parte de outrem, gerando
uma obrigação passiva universal. Os únicos direitos que existem são os que a lei prevê –
princípio da taxa?vidade.

14 Gabriela Pinto
15. Noção e objeto de obrigação artigo 397 C. Civil
É um vínculo jurídico por virtude do qual uma pessoa (devedor) está adstrita à realização
de uma prestação para com outra (credor). Difere do direito real porque o ?tular do
direito de crédito só obtém o benekcio económico através da conduta posi?va ou
nega?va do sujeito passivo, ou seja, a sua sa?sfação depende da colaboração de outrem.
O objeto de uma obrigação pode consis?r em dare, facere, non facere e praestare.

Dare – transferência de um direito real


Facere – realização de uma a?vidade que não se traduza num dare
Non facere – contrário de facere
Praestare – assunção de garan?a de uma obrigação

16. Condições para existir uma obrigação


O comportamento do sujeito passivo, seja posi?vo ou nega?vo, tem de ser possível ksica
e juridicamente. Deve ser lícito, ou seja, não contrariar a lei nem a moral. Deve ser
determinável e ter caráter patrimonial, isto é, proporcionar um benekcio económico ao
credor.

17. Fontes das obrigações


Contratos, factos ilícitos, quase contratos, delitos e quase delitos.

18. Defina contrato


É um negócio jurídico bilateral que consiste no acordo de duas ou mais pessoas,
dirigido à produção de efeitos jurídicos.
São cons?tuídos pela causa (fim considerado social e economicamente digno de
proteção) e pelo consenso (convenNo- acordo entre as partes cujas vontades convergem
para o mesmo fim) e nem todos são causais visto que nem sempre a causa é relevante.

19. Contrato unilateral


Só gera obrigações para uma das partes.

20. Contrato bilateral


Gera obrigações para todas as partes intervenientes.

21. Contrato bilateral imperfeito


Inicialmente, só gera obrigações para uma das partes, porém durante a sua vigência
podem surgir obrigações para a outra parte.

22. Contrato gratuito


Gera perdas patrimoniais apenas para uma das partes.

15 Gabriela Pinto
23. Contrato oneroso
Gera perdas patrimoniais para ambas as partes.

24. Contratos reais


São aqueles cuja perfeição não depende apenas do consenso entre as partes para
produzir efeitos jurídicos. É preciso também a prá?ca de um ato material e este ato pode
consis?r na transferência de propriedade, de posse ou a mera detenção. Tem efeitos
reais que implicam a cons?tuição.

25. Contrato de mútuo


É um contrato unilateral, gratuito e real quanto à sua cons?tuição.
Uma das partes empresta à outra dinheiro ou outra coisa fungível, ficando a segunda
obrigada a res?tuir outro tanto do mesmo género e qualidade. 1142 C. CIVIL
O mutuário (devedor) recebe do mutuante (credor) a propriedade de uma determinada
res fungível e fica obrigado a res?tuir igual quan?dade na mesma qualidade e género.
Os elementos essenciais deste contrato são a transferência de propriedade sobre uma
coisa fungível e o acordo entre as partes cujo objeto consiste na res?tuição.

26. Contrato de depósito


é um contrato bilateral imperfeito, gratuito e real quanto à sua cons?tuição.
Uma das partes entrega à outra uma coisa móvel ou imóvel para que a guarde e a res?tua
quando assim for exigido. 1185 C. CIVIL
O depositante entrega ao depositário uma res móvel para que a guarde e res?tua num
determinado prazo ou quando o depositante exigir.
Implica a transferência da detenção da res móvel e o acordo entre as partes.
O depositário tem a obrigação de res?tuir a res móvel nas mesmas condições e não a
pode usar visto que é um mero detentor e não um possuidor. Tem de cuidar da res móvel
com diligência até à entrega.
Podem surgir obrigações para o depositante como por exemplo indemnizar o depositário
pelos gastos que este tenha ?do com a conservação da res móvel e se não o fizer, o
depositário tem o direito de reter a res móvel até ser ressarcido.
Em caso de perda ou deterioração o depositário responde não só por dolo como era na
época clássica, mas também por negligência.
Existem figuras par?culares de deposito
Deposito necessário – depósito forçado feito em situações excecionais que não
permitem que o depositante escolha livremente o depositário.
Deposito de sequestro – dois depositantes estão a reivindicar o direito de propriedade
sobre algo, e até que o lipgio esteja resolvido, decidem entregar a res a um terceiro da
sua confiança. O depositário está obrigado a entregar a res a quem ganhar o lipgio. Se
algum dos depositantes tentar reclamar a res antes do lipgio estar resolvido, o
depositário pode recorrer aos instrumentos de tutela da posse.

16 Gabriela Pinto
Deposito irregular – transferência de propriedade de res fungível. O depositário está
obrigado a res?tuir outro tanto do mesmo género e qualidade, na mesma quan?dade.
Torna-se proprietário da res fungível e pode usá-la livremente. É unilateral igual ao
mútuo.

27. Contrato de comodato


É um contrato gratuito, bilateral imperfeito e real quanto à sua cons?tuição.
Uma das partes entrega a outra certa coisa, móvel ou imóvel, para que se sirva dela, com
a obrigação de a res?tuir.
O comodante entrega uma res móvel ou imóvel ao comodatário, para que este a use
gratuitamente, num determinado período de tempo, e este tem de a res?tuir.
Implica a detenção da res móvel ou imóvel e o acordo entre as partes.
O comodatário deve guardar e conservar a res, u?lizando-a com diligência até à entrega.
Deve res?tuir a res móvel ou imóvel nas mesmas condições.
O comodante deve ressarcir o comodatário de gastos que este tenha ?do com a
conservação da res e indemnizar o comodatário pelos danos causados pela mesma.

28. Contrato de fidúcia


O fuduciante transfere a propriedade de uma res para o fiduciário, ficando este obrigado
a res?tuí-la depois de realizado o fim definido num acordo não formal.

Transfere a propriedade, mas não a posse, serve para garan?r uma divida e pressupõe o
acordo entre partes

29. Contrato de penhor


O credor pignorapcio toma posse de uma res que serve de garan?a do cumprimento de
uma obrigação anterior e fica obrigado a res?tuí-la assim que essa obrigação se der como
ex?nta.

1. A vai de viagem e pede a B que olhe pela sua casa durante a sua ausência. B
propõe a A, ficar alojado na sua casa visto que até lhe dá jeito.
- Iden?fique e caracterize o contrato estabelecido por A
- Iden?fique e caracterize o contrato proposto por B

2. A é proprietário de um prédio X. o prédio sofreu graves danos devido a um


terramoto e A teve de pedir a B (banqueiro) uma grande quantia de dinheiro.
B exigiu que A lhe transferisse o direito de propriedade sobre o referido prédio
e que lhe entregasse, até ao pagamento da divida, todas as peças de cerâmica e
joias de que A é proprietário.

17 Gabriela Pinto
- Caracterize o contrato estabelecido entre A e B.
- Caracterize os contratos, com função de garan?a, celebrados entre A e B.
- Considere a possibilidade de A pretender vender ao seu amigo C o prédio urbano antes
de pagar a divida a B.

3. A pretende viajar e pede a B que lhe guarde os cavalos. Durante a sua ausência
os cavalos adoeceram e B pagou as despesas do tratamento. A após o seu
regresso recusa-se a pagar as despesas e consequentemente B recusa-se a
devolver os cavalos.
- Caracterize o contrato celebrado entre A e B e diga se B deve ser ressarcido das
despesas que teve com os cavalos.
- Pode B recusar-se a devolver os cavalos?

4. A é proprietário do prédio urbano X e pretende vendê-lo. O adquirente do prédio


é D, que verifica que o prédio se encontra na posse de C. Entretanto D permitiu
que E, gratuitamente habitasse o prédio durante 30 dias.

- Caracterize o contrato celebrado entre A e D.


- Caracterize o contrato estabelecido entre D e E.
- Pode C opor-se a que D e E se apoderem do prédio?

18 Gabriela Pinto
Fundamentos do Direito Comum Europeu
Aulas teóricas 2º ponto escrito

Comparação dos direitos reais com os diversos Códigos Civis

Português

Contrato Mútuo
• Está previso no artigo 1142º do Código Civil e a noção é igual à do Direito
Romano;
• Implica a transmissão do direito de propriedade – artigo 1144º Código Civil;
• O mútuo é, por regra, gratuito, mas se houver divisas interpretativas passa a ser
oneroso – artigo 1145º CC;
• Não se espera que haja cobrança de juros, sendo esta criticada.

Contrato de Depósito
• Está previsto no artigo 1185º do Código Civil e a noção é igual à do Direito
Romano;
• O depositário tem de guardar a coisa e restituí-la – artigos 1187º, 1190º e 1192º
CC;
• O depositário é um mero detentor da res mas pode recorrer aos instrumentos
de tutela da posse – artigo 1188º CC;
• Depósito necessário – não está consagrado no nosso ornamento jurídico;
• Depósito de sequestro – artigo 1202º CC;
• Depósito irregular (coisas fungíveis) – artigo 1205º CC;
• Artigo 1206º CC – são aplicadas, na medida do possível, as normas relativas ao
contrato de mútuo.

Contrato de Comodato
• Previsto no artigo 1129º do Código Civil e a noção é igual à do Direito Romano;
• É gratuito – sempre;
• Artigo 1131º CC;
• Bilateral Imperfeito – podem surgir responsabilidades para ambas as partes –
artigo 1134º CC;
• Obrigações do comodatário – artigo 1135º CC;
• Perda ou deterioração – artigo 1136º CC nº1;
• O comodatário é o interessado neste contrato.

Contrato de Penhor
• Garantia real das obrigações – artigo 666º Código Civil;
• Implica a entrega da coisa – artigo 669º CC;
• O credor pignoratício pode recorrer aos instrumentos de tutela da posse;
• Obrigações do credor pignoratício – guardar a res e restituí-la;
• Se o devedor não pagar a sua dívida, o credor pignoratício pode executar o
penhor e passar à venda da res – artigo 675º CC;

19 Gabriela Pinto
Contrato de Fidúcia
• Não está no nosso ornamento jurídico;
• O contrato mútuo tem natureza fiduciária – está na transmissão de propriedade,
mas também, se o mutuário entrar em insolvência o mutuante só tem um direito
de crédito – relação de particular confiança;
• Implica a transmissão da propriedade como função de garantia – 105/2004
decreto-lei de 8 de maio.

Espanhol – Código de 1889


Os contratos reais são iguais aos consagrados no Direito Romano.
Exceção: contrato de depósito prevê o depósito necessário – ar?go 1781 nº2.

Francês – Código de 1804


Os contratos reais são iguais aos consagrados no Direito Romano.
Exceção: contrato de depósito prevê o depósito necessário – ar?go 1949º.

Alemão – Código de 1600


Os contratos reais são iguais aos consagrados no Direito Romano.
• Está dividido em parágrafos e não por artigos.
• É o mais próximo do Direito Romano.

Italiano – Código de 1842


O Direito Comercial e o Direito Civil foram confundidos no Código Italiano.
Mútuo – tem a mesma noção do direito romano, mas presume-se oneroso.
Depósito – diversas modalidades de depósito.

Principais diferenças:
Português – mútuo é gratuito, salvo se
exis?rem duvidas interpreta?vas.
Italiano – mútuo presume-se oneroso.
Francês e Espanhol – consagram o
depósito necessário.

20 Gabriela Pinto
Contratos consensuais
A sua validade só depende do acordo/ consenso entre as partes, que pode
manifestar-se de qualquer modo.
Não é necessária uma forma determinada nem a entrega da res.
Contratos do Ius GenNs – estes contratos foram desenvolvidos para a realização
de contratos entre estrangeiros e Romanos.

o Compra e Venda;
o Locação;
o Sociedade;
o Mandato.

Compra e Venda (874º C. Civil)


É o contrato pelo qual uma das partes (vendedor) se obriga a transferir à outra
(comprador) a posse de uma res.
Deve assegurar ao comprador o gozo pacífico da res, estando este obrigado a dar
ao vendedor a propriedade de determinada pecúnia – preço.

Classificação:
• Consensual;
• Bilateral;
• Oneroso.

Elementos essenciais:
• Transferência da posse da res (coisas fungíveis ou infungíveis, presentes ou
futuras...);
• Acordo entre as partes;
• Preço determinado e justo.

Obrigações do Vendedor
• Transferir a posse livre e pacífica da res – a res deve estar livre de vícios e não ser
precária;
• Responder por evicção:
o Obrigação em que o vendedor, que assumiu a responsabilidade de
assegurar a posse pacífica da res, responde pela privação sofrida pelo
comprador;
o O comprador pode demandar o vendedor e obter a sua condenação ao
pagamento do dobro do preço pago;
o A, num contrato de compra e venda, transfere a posse da sua
propriedade a B. Aparece C, que reclama ter também direitos sobre a
coisa. A tem de responder e indemnizar B.

21 Gabriela Pinto
• Cuidar da res até à sua entrega;
• Responder pelos vícios ocultos da res:
o O vendedor era responsável por garantir que a res vendida se encontrava
nas condições determinadas do acordo;
o Ou seja, não havia elementos físicos ou jurídicos que diminuíssem a
aptidão da res ou o exercício das suas faculdades;
o O comprador pode demandar o vendedor pelos vícios não declarados –
independentemente de o vendedor ter agido com ou sem dolo;
o O comprador pode instaurar uma ação, no prazo de dois meses após o
conhecimento do defeito – o vendedor era condenado:
§ a pagar o dobro do preço recebido;
§ a restituir o preço com juros.
o Pode instaurar uma ação no prazo de seis meses que o permitiria obter a
diminuição do preço da res defeituosa.

Obrigações do Comprador
• Transmitir a propriedade do preço;
• Receber a res;
• Ressarcir o vendedor de gastos que tenha tido na conservação da res;
• Responder pelos riscos – caso o vendedor não tivesse culpa pela destruição da
res, o comprador teria de pagar na mesma o preço.

VENDEDOR COMPRADOR
Transferir a posse – livre e pacífica Pagar o preço
Responder por evicção Receber a res
Cuidar da res até à sua entrega Ressarcir gastos do vendedor na
conservação da res
Responder pelos vícios ocultos – 913º Responder pelos riscos
C. Civil

Obrigações

22 Gabriela Pinto
Pacta Adiecta (acordos complementares)
Relação de interdependência – só podia, uma parte exigir a obrigação de outra, se
?vesse cumprido com a sua obrigação.

Condição resolutiva – se o tribunal declarasse o contrato sem efeito.

Condição suspensiva – se o tribunal suspendesse o contrato enquanto a parte faltosa


não cumprisse com a sua obrigação.

Venda a rectro (927º C. Civil) – o vendedor ?nha um prazo para se arrepender e


devolver o preço ao comprador.

Pacto de preferência – se o comprador fosse vender a res, teria de dar preferência


ao vendedor, caso este es?vesse interessado.

Comparação da compra e venda a outros direitos


Português (874º CC) – basta o consenso para haver transmissão de propriedade – não
posse.

Alemao (parágrafos 433 e seguintes) – é contrato real quanto à cons?tuição e só


fica perfeito com a entrega da coisa. Nas coisas sujeitas a registo só fica perfeito quando
registado. No caso de Portugal, está perfeito sem registo e este só é obrigatório para a
segurança de terceiros.

Espanhol (1445º) – é real quanto à sua cons?tuição – exige-se a entrega da coisa e só


fica perfeito com a escritura pública.

Francês (1582º) e Italiano – igual a Portugal.

23 Gabriela Pinto
Contrato de Locação (1022º C. Civil)
É o contrato pelo qual uma pessoa se obriga para com outra a proporcionar-lhe
o gozo temporário de uma res, ou de prestar determinados serviços ou a realizar uma
obra, mediante o pagamento de uma remuneração (merces).

Principal diferença do direito português:


¨ No direito Romano, se a res fosse vendida, o comprador podia expulsar o
locatário.

Classificação
• Consensual;
• Bilateral;
• Oneroso.

Elementos essenciais
• Consensos – acordo entre as partes;
• Objetcto – transferência:
o Da detenção da res para que o locatário a use de modo acordado durante
determinado tempo;
o Da atividade laboral que o locador deve realizar no tempo acordado;
o De uma res que o locador entrega ao locatário para que este faça uma
determinada obra.
• Merces – é contraprestação devida pelo uso da res, trabalho ou obra realizada;
• Tempo – um contrato de locação é realizado em função de um determinado
tempo / prazo.

Modalidades da locação
• Locação de coisa – locatio-conductio rei;
• Locação de trabalho – locatio-conductio operarum;
• Locação de obra – locatio-conductio operis.

Locação de coisa

Obrigações do locador (1031º C. Civil)


• Proporcionar ao locatário o livre gozo da res locada, durante o tempo e nas
condições acordadas;
• Fazer as reparações necessárias de modo a evitar a deterioração /destruição da
res;
• Ressarcir o locatário pelos gastos com reparações necessárias.

24 Gabriela Pinto
Obrigações do locatário da coisa (1038º C. Civil)
• Pagar a merces acordada;
• Conservar a res em boas condições e não fazer um uso reprovável;
• Ressarcir o locador por danos causados à res;
• Restituir a res no termo da locação.

§ A locação de coisa não produz a transferência de propriedade – pode ser feita


pelo proprietário, usufrutuário, possuidor e até pelo locatário (sublocação);
§ A responsabilidade das partes depende da culpa levis ou grave;
§ O risco onera o locador:
o Se a coisa locada fosse destruída, o locador sofria o dano e o locatário só
devia a merces em relação ao tempo em que teve o seu uso.

A locação caducava por:


• Destruição da res locada;
• Cumprimento do prazo assinalado – se o locatário continuasse a usar a res sem
oposição do locador, o contrato considerava-se tacitamente renovado;
• Se o locador fosse o usufrutuário da res e perdesse esse direito;
• Expropriação pública;
• Se a res locada fosse vendida.

Exemplo:
A é proprietário do prédio X e estabelece um usufruto vitalício com B.
B celebra um contrato de locação com C, com duração de 10 anos.
Passados 5 anos B morre e como tal, perde o seu direito de usufruto.
Terá A de suportar C?
¨ Não, porque o contrato de locação estabelecido entre B e C não tem natureza
real, ou seja, não produz obrigações erga omnes. Quando B morre, a locação
termina/ caduca, não tendo A de suportar C. – direito romano e português.

Resolução do contrato por parte do locador:


• Se o locatário não pagar a renda (merces) durante 2 anos;
• Se o locatário usar a res de modo indevido e abusado;
• Se o locatário necessitar de utilizar a res, ou habitar a casa.

25 Gabriela Pinto
Resolução do contrato por parte do locatário:
• Se o locador se atrasar na entrega da res;
• Se a res tiver defeitos que impedem, limitam ou dificultam a sua utilização;
• Se houver um temor fundado de um perigo.

Locação de trabalho
O locador (trabalhador) obriga-se a pôr a sua a?vidade laboral à disposição do
locatário (patrão), durante um certo tempo, mediante o pagamento de uma
remuneração.
No direito romano eram os escravos que trabalhavam e, como tal, os homens
livres recusavam-se a celebrar contratos de locação de trabalho.
Foi então criada uma lei (direção jurídica) que assinala que o que está em causa
é o trabalho da pessoa e não a pessoa em si.
Deste modo, os homens livres começam também a celebrar contratos de locação
de trabalho.

Mas...
Se o locatário (patrão) morrer, o contrato mantém-se?
Depende – se os herdeiros ou sócios con?nuassem com a a?vidade laboral, o contrato
de trabalho não caduca. Ficavam estes encarregues de pagar a merces.
Se o trabalhador (locador) ficasse doente ficava dispensado do trabalho, porém
o locatário não ?nha de lhe pagar – não trabalha não recebe.
A locação de trabalho cessava com a morte do locador (trabalhador).

Locação de obra
O locador entrega uma matéria-prima ao locatário, para que este a transforme
numa obra e, quando terminada, o locatário entrega a obra ao locador em troca de uma
retribuição.
Quem paga a merces é o locador.
O locatário está obrigado a realizar a obra nos termos e no tempo definidos no
contrato, e está também obrigado a devolver a obra em troca de um preço.
No direito romano, se A encomenda uma obra a B, mas é B que compra todas as
matérias primas e realiza a obra, o contrato estabelecido passa a ser uma compra e
venda.

26 Gabriela Pinto
Comparação da locação a outros direitos
Português (1022º CC) – a compra e venda não afasta a locação.
De resto são todos semelhantes.

Contrato de sociedade (980º C. Civil)


É o contrato pelo qual duas ou mais pessoas se obrigam, reciprocamente, a pôr
em comum determinados bens ou trabalho, com vista à obtenção de um fim patrimonial
comum – lucro.

Classificação
• Consensual;
• Bilateral ou plurilateral;
• Oneroso.
• No direito romano a boa fé era particularmente relevante.

Elementos essenciais
• Consensus – é o acordo das vontades dos sócios, de porem em comum
determinadas res ou de dirigirem o seu trabalho para a realização de um fim
comum útil;
• Objecto – os sócios entram para a sociedade com determinado património
(dinheiro, coisas fungíveis ou não fungíveis, com trabalho, etc);
o Existem 3 tipos para esta entrada na sociedade:
§ Só com património;
§ Só com trabalho;
§ Mistas.
§ O património com que A entra na sociedade possa a pertencer a
todos os sócios envolvidos e deixa de estar apenas na esfera
jurídica de um dos sócios (A) – passa a ser de todos em regime de
condomínio ou copropriedade.
• Finalidade – o interesse comum é a obtenção de lucro;
o Um sócio não pode participar apenas nas perdas ou apenas nos lucros;
o Porém, uns sócios podem participar mais nas perdas ou mais nos lucros.

Tipos de sociedades
• Sociedade universal – os sócios contribuem com todos os seus bens presentes e
futuros;
• Sociedade de objeto específico – criada para um ramo específico ou para realizar
um determinado negócio jurídico.

27 Gabriela Pinto
Obrigações dos sócios
• Cada sócio deve contribuir com o que foi acordado transferir património pessoal
para o património comum;
• É responsável pelos vícios ocultos da res e responde por evicção;
• São responsáveis pelos riscos e pelos danos causados à res;
• São obrigados a gerir os negócios de acordo com o interesse da sociedade;
• Devem atuar com diligência;
• Cada socio que cumpriu obrigações com terceiros, tinha o direito de reembolso
por parte dos outros sócios;
• Cada sócio responde perante terceiros – em Roma as sociedades não tinham
personalidade jurídica – o terceiro podia demandar os outros sócios se tivessem
tido enriquecimento injusto.

Problema:
Em Roma, as sociedades com finalidade mercan?l não ?nham uma personagem
jurídica.
Ter personagem jurídica significa que, no momento do nascimento e com vida
passamos a ser um centro autónomo de importação de direitos e obrigações (direito de
propriedade, integridade ksica) – exemplo português: se o pai e a mãe morrem no parto,
o património passa a ser do bebé – apesar de não ter capacidade de exercer direitos até
ser maior de idade, já tem personagem jurídica.
O ornamento jurídico português permite a personagem jurídica ficfcia, ou seja,
as pessoas cole?vas e sociedades são também contros de importação de direitos e
obrigações.
Roma não reconheceu a personagem jurídica às sociedades.

Exemplo:

Portugal
Parte da sociedade (A) compra determinada coisa a E (agricultor) e decide vender
os produtos na sociedade, mas não paga o que deve a E.
E pode demandar a sociedade.

Direito Romano
4 Soluções:

1. Se o contrato for estabelecido entre os 4 sócios de uma sociedade e E.


E vai demandar os 4 sócios, particularmente, cada um em tribunal e não
a sociedade como um todo.
Indemnização – património em regime de condomínio entre os sócios.

28 Gabriela Pinto
2. Se o contrato for celebrado entre A e E.
A celebrou o contrato com E, colocou os produtos à venda no seu centro
comercial, foram todos vendidos, o lucro foi distribuído pelos sócios, mas
ninguém pagou a E.
Como o contrato foi estabelecido entre A e E, o E só pode demandar o A
em tribunal.
A não comprou os produtos para uso próprio e, como tal, chama a ação
os outros sócios vistos que todos lucraram com a venda dos produtos comprados
a E.
Todos vão ter de pagar a E.

3. A, B, C, D fizeram uma reunião na qual B, C e D mandatam A a celebrar um


contrato de fornecimento com E.
A celebra o contrato com E, mas ninguém paga a E.
E só pode demandar A em tribunal. A como era apenas mandatário,
chama à ação os outros sócios que terão de indemnizar E.

4. 4 sócios de uma sociedade exploram um centro comercial e decidem entre si que


A será o sócio gerente.
A está mandatado implicitamente a celebrar todos os contratos necessários,
como por exemplo, contratar trabalhadores, estabelecer contratos de obra, etc.
A compra um produto a E e não lhe paga.
E pode demandar, apenas e só, o A em tribunal.
A explica que está mandatado como gerente e chama os outros sócios à ação,
para que todos respondam.
¨ O mesmo se aplica para sociedades mercantis marítimas e, não só terrestres.

Quando é que a sociedade se extingue? (1007º C. Civil)


¨ Quando é cumprido o prazo acordado;
¨ Quando o fim da sociedade se concretiza;
¨ Por perda do património social;
¨ Por acordo de todos os sócios;
¨ Renúncia / saída de um dos sócios;
¨ Morte de um dos sócios;
¨ Execução patrimonial;
¨ Má condição económica de um dos sócios.

Por fim, liquida-se o património. Hoje em dia divide-se pela percentagem que
cada sócio tem na sociedade.

29 Gabriela Pinto
Comparação da sociedade a outros direitos
Português (980º CC) – admite-se a personagem jurídica das sociedades.

Contrato de Mandato (1157º C. Civil)


É o contrato pelo qual pelo qual, uma pessoa (mandante) encarrega outra
(mandatário) de realizar uma determinada tarefa, no interesse do mandante, de um
terceiro e do mandatário.
O mandatário é obrigado a realizar a tarefa gratuitamente.

Classificação
• Consensual;
• Bilateral imperfeito;
• Gratuito;
• Implica a confiança e a boa fé.

Elementos essenciais
• Consensus – acordo entre as partes;
• Objecto – atividade que o mandatário se obriga a realizar;
• Finalidade – satisfazer o interesse do mandante, de um terceiro ou
conjuntamente do mandatário. Se a atividade beneficiar exclusivamente o
mandatário trata-se de um conselho.

Obrigações do mandatário (1161º C. Civil)


• Cumprir a tarefa de acordo com as instruções do mandante;
• Prestar contas da sua gestão ao mandante.

Obrigações do mandante (1167º C. Civil)


• Ressarcir os gastos do mandatário na realização da tarefa;
• Indemnizar o mandatário por danos sofridos;

Ponto delicado / problema:


Mandato com representação – Alguém, B, vai realizar algo por vontade, conta e
interesse de outrem.
A compra algo e há um defeito qualquer, e vai diretamente ao vendedor.
Mas...
A compra, C vende, e B vai em lugar de A reclamar o defeito.
Se A ?ver de agir contra C, o mandatário (B), não é chamado à ação.
Se eu A não pagar a C, este vai agir contra A diretamente. B não é chamado.

30 Gabriela Pinto
No Direito Romano:
• Não havia representação direta;
• A pode pedir a B que realize uma ação por ele, e B não paga;
• C teria então de agir contra B, porque são as duas partes do contrato (visto não
haver, em regra, representação direta), e B teria de chamar a ação o A dizendo
que tinha sido um mero mandatário;
• Posteriormente, A iria ser condenado a pagar a C.

Quando é que o mandato se extingue?


• Execução do encargo;
• Impossibilidade material ou jurídica de o realizar;
• Vencimento do prazo fixado;
• Acordo entre as partes;
• Revogação do mandante;
• Renúncia do mandatário;
• Morte de uma das partes.

Comparação do contrato de mandato a outros direitos


Português (1157º CC) – igual ao romano. Presume-se gratuito.

Italiano (1703º CC) – noção igual, mas presume-se oneroso por incorporação do
código comercial.

Alemao – igual ao Romano

Espanhol e francês – igual ao nosso – gratuito

Contratos Inominados
São relações cujo vínculo jurídico, que liga as partes, surge quando só uma delas
realizou a sua prestação e, por isso, pode exigir à outra a prestação a que se
comprometeu.

Implica:
• A conventio – é o acordo em que cada parte se obriga, para com a outra, a dar
determinada res ou a realizar uma certa atividade (facere);
o Dou para que dês;
o Dou para que faças;
o Faço para que dês;
o Faço para que faças;

31 Gabriela Pinto
• A execução de uma das prestações – é a causa do vínculo obrigacional da parte
que não cumpriu o que foi acordado;

São contratos inominados:


¨ A permuta;
¨ O estimatório;
¨ O precário;
¨ A transação.

Contrato de Permuta
É um contrato pelo qual, uma pessoa dá a outra uma determinada res para que
esta lhe dê outra res. É uma relação de troca (dar-dar).
Considerava-se a permuta como uma modalidade de compra e venda, porém, a
compra e venda exige que haja um preço, e dado que a permuta pressupõe uma relação
de troca, seria impossível dis?nguir a res vendida e a res que funcionava como preço.
Na compra e venda (direito romano) era transferida a posse da res, aqui é
transferida a propriedade.

Elementos essenciais
• Transferência da propriedade da res;
• As res devem ser propriedade das partes;
• Acordo entre as partes.

Obrigações das partes


• Cada parte deve transferir a propriedade da res;
• Depois de cumprida a obrigação de dar, a parte respondia por evicção assim
como pelos vícios ocultos.

Contrato de Estimatório
É o contrato pelo qual, uma pessoa entrega a outra uma res ou mercadoria para
que esta a venda pelo valor acordado, comprometendo-se a, num prazo determinado,
pagar ou, caso não tenha vendido, devolver a res.
É quase, mas não é mandato porque B pode vender ou não a res.

Problema:
A entrega a res a B, mas transfere-lhe o direito de propriedade para que a possa
vender a C?
No direito romano, isto não é um problema porque a compra e venda pressupõe
apenas a transferência do direito de posse.
Exemplo:

32 Gabriela Pinto
A entrega a B uma res para que a venda a C.
A e B acordam um preço.
Se B não vender a res, deve devolvê-la a A. Se B vender a C, tem de dar o preço
acordado a A.
Mas, B pode vender a res a um preço superior, podendo ficar com o excedente.

Elementos essenciais
• Entrega da res para que a outra pessoa a venda;
• Acordo do valor a pagar ao que entrega;
• Obrigação de o que recebe a res para venda, pague o valor acordado ou que a
restitua;
• Faculdade de o que recebe a res para venda ficar com o excedente.

Contrato Precário
É o contrato pelo qual, uma pessoa concede gratuitamente a outra, a pedido
desta, o uso de uma res ou o exercício de um direito, com a faculdade de revogar a
concessão a qualquer momento.
É parecido com o comodato, mas proporciona ao precarista um gozo mais amplo
da res.

Elementos essenciais
• Transferência da detenção da res;
• Acordo entre partes.

Obrigações do precarista
• Restituir a res assim que lhe fosse solicitado;
• Responder se agir com dolo ou culpa grave.

Contrato de Transação (1248º C. Civil)


É o contrato pelo qual, as partes põem fim ou evitam um lipgio mediante
concessões recíprocas de ambas as partes.
A transação não era possível se já ?vesse havido sentença ou se a dívida dissesse
respeito a alimentos dispostos num testamento.
A transação não podia ser impugnada por quem ?vesse agido com dolo.

33 Gabriela Pinto
Quase Contratos
São relações jurídicas que resultam de atos unilaterais e que geram obrigações
para ambas as partes.
Não há um consenso nem acordo entre partes, mas da prá?ca desse ato
unilateral resultam obrigações.
Exemplo: A promete, publicamente, oferecer 50€ a quem encontrar o seu cão –
ato unilateral que gera obrigações – quem encontrar o animal pode exigir o dinheiro,
obrigando A a dar o dinheiro.

São quase contratos:


o A gestão de negócios;
o O enriquecimento injusto.

Gestão de negócios (464º C. Civil)


É uma a?vidade unilateral que ocorre quando alguém, sem estar encarregue ou
obrigado, realiza, por sua própria inicia?va e no interesse alheio, a gestão de um ou mais
negócios de outra pessoa.
Desta a?vidade unilateral nasce uma relação obrigacional entre quem faz a
gestão e aquele em cujo interesse atua.

Obrigações do gestor (465º C. Civil)


• Realizar a gestão, que iniciou, segundo a natureza do negócio e no interesse do
dono do negócio;
• Transmitir ao dono do negócio os efeitos dos negócios jurídicos concluídos.

Obrigações do dono do negócio (468º C. Civil)


• Ressarcir o gestor dos gastos (úteis) que realizou e liberá-lo das obrigações
assumidas.

Requisitos da gestão do negócio


• O gestor deve atuar com vista à satisfação dos interesses patrimoniais do dono
do negócio;
• O gestor deve ter a intenção de beneficiar o dono do negócio, mesmo que não o
conheça;
• A atuação do gestor deve revelar-se útil ao dono do negócio.

34 Gabriela Pinto
Se a ação não for útil:
• O dono do negócio pode retificar o negócio, apesar de ter sido além do que era
útil;
• O dono do negócio pode dizer que só paga o estritamente necessário, o que era
útil, e responde por enriquecimento sem causa;
• O gestor de negócios pode responder por dolo, se praticar a ação num momento
grave e prejudicial para o dono do negócio.

É uma figura que, em si mesma, contém 2 princípios em colisão, mas há que


os harmonizar:
§ Princípio de ordem pública – não nos devemos intrometer na vida
alheia;
§ Princípio da solidariedade humana – devemos ser solidários e ter
atos que evitem danos a outrem;

Exemplo:
Num dia de temporal, o meu vizinho encontra-se ausente e, durante esse mau
tempo, uma janela da sua casa par?u.
Eu posso ignorar e não fazer nada tendo em conta que não me afeta. Mas, posso
tomar inicia?va, sem ninguém me pedir e sem qualquer dever de agir, e chamo um
carpinteiro, ou vidraceiro, que vá resolver (ato unilateral de gestão de negócios alheios),
e obviamente vou ter despesas com a reparação da janela.
Quando o vizinho regressa eu conto-lhe o que se passou e eu mostro-lhe as
despesas.
Será que o vizinho tem de me pagar? CLARO que sim.
O vizinho (dono do negócio) teve um ganho com a intervenção alheia, porque lhe
protegeram o património e obviamente o dono do negócio tem de pagar a janela ao
gestor.

Critérios Diferentes
Direito Romano: u?liza-se o critério de um homem normal (médio) – pergunta-se o
que é que um homem normal faria? Tapar só o vidro par?do ou, subs?tuir por uma
janela toda nova?

Direito Português (artigo 468º C.C): critério da vontade presumível ou real do dono
do negócio – Se eu souber o que o dono do negócio quer, devo agir de acordo com essa
vontade real. Mas se o vizinho tem a janela par?da, apesar de não saber o que ele quer,
posso presumir o que ele iria fazer se es?vesse presente (vontade presumível).

35 Gabriela Pinto
Se o dono do negócio, quando voltar, não ?ver dinheiro para pagar, o gestor do
negócio não vai conseguir ter a divida paga. Mas, se o dono do negócio ?ver património
pessoal, a divida será paga a par?r do mesmo.

Enriquecimento sem causa (473º C. Civil)


Verifica-se quando uma pessoa se enriquece sem causa jurídica.
A situação mais frequente verifica-se quando uma pessoa entrega uma res na
convicção errada de que está a cumprir uma obrigação.
Essa obrigação, na realidade, nunca exis?u, e em consequência disso, a pessoa
que recebeu a res / prestação fica obrigada a res?tuir o que recebeu com os eventuais
frutos, depois de deduzidas as eventuais despesas.

Exemplo:
A e B vão jantar e A esqueceu-se de levar dinheiro, prometendo a B pagar-lhe no
dia seguinte.
No dia seguinte A confunde B com C, entregando o dinheiro a C, que enriquece
sem causa.
A pode exigir a repe?ção a C, porque agiu com a intenção de ex?nguir uma
obrigação, que afinal não exis?a, e como tal fez um pagamento indevido.

Pagamento indevido – ação realizada com a intenção de ex?nguir uma obrigação,


mas a obrigação não existe e como tal a pessoa age em erro.
Se não houver este erro, trata-se de uma doação.

No direito romano: a pessoa que recebe por engano, ?nha de ter boa fé e dizer que
não era a ela que lhe devia – era considerado um frutuoso (476ºC.C poder de repe?r).
Obrigações naturais 402º e 403º C.C.

Exemplo de Doação:
A faz uma doação para o casamento de dois amigos. Mais tarde, o casamento acaba por
não se realizar e, como tal, A tem o direito de repe?r (pedir de volta) o valor da sua
doação.

Outro Exemplo:
A oferece uma quinta a B que vai casar em comunhão de adquiridos. Se
eventualmente, B se divorciar, A pode exigir a quinta de volta.
Acabando o casamento a quinta não é nem de B nem do seu cônjuge – a doação
foi feita em função do casamento e, estando este dissolvido, A pode reaver a sua quinta.

36 Gabriela Pinto
Outro Exemplo:
A (costureira) pensa ter perdido um ves?do de B e entrega-lhe uma quan?a como
indemnização. Entretanto, A encontra o ves?do e liga a B para este o vir buscar.
B tem de devolver a quan?a que lhe havia sido indemnizada por A.

Delitos e quase delitos


É o ato ilícito sancionado com uma pena.

Pode ser:
• Público – ofende a comunidade Romana – é punido com pena pública;
• Privado – ofende um individuo – é punido com pena privada pecuniária.

A distinção entre delitos e quase delitos é feita só no Direito Romano:


• Delitos – ius civile;
• Quase delitos – ius honorarium.

Factos ilícitos – ar?go 483º Código Civil – vem da época Arcaica Romana.

Exemplo: Se A pra?car um facto ilícito vai ser obrigado a indemnizar o dano que
causou.
Se A es?ver na rua furioso e par?r um vidro de um carro alheio – viola a lei, ou
seja, viola um direito subje?vo absoluto, seja de propriedade, de personalidade ou um
interesse juridicamente protegido.
Tendo em conta que A agiu com dolo ou negligência, gerando um dano, é
obrigado a indemnizar pelos danos causados.

37 Gabriela Pinto
Direitos de crédito – natureza obrigacional Direitos reais – natureza real

• Gera obrigações interpartes – apenas • Natureza diversa;


entre as partes envolvidas;
• Eficácia erga omnes – gera uma
• A satisfação do crédito depende da obrigação passiva universal – pretende-
colaboração e do comportamento se uma abstenção por parte de todos de
positivo ou negativo de outra pessoa; interferir nas coisas de outrem;

• A (credor) só fica satisfeito se B • Poder direto e imediato sobre a coisa –


(devedor) cumprir a sua parte, adotando não é necessária a colaboração ou um
um comportamento positivo ou comportamento de outras partes;
negativo (facere / non facere);
• Elemento interno – poder imediato
• Também pode existir o direito imediato sobre a coisa;
sobre a coisa – o caso do locatário;
• Elemento externo – eficácia erga omnes;
• Liberdade contratual – podem ser
realizados contratos que a lei não prevê. • Só existem os direitos reais que a lei
prevê – princípio da taxatividade – e nos
termos que a lei prevê – princípio da
tipicidade – 1306º Código Civil

Direitos Reais
É o poder direito e imediato de uma pessoa sobre uma coisa com valor
económico (elemento interno) e que produz efeitos sobre todos os outros (elemento
externo).
Nem todas as coisas são coisas pelo direito das coisas. Há coisas que são
fisicamente coisas, mas não são coisas relevantes para o direito.

Para o serem, devem ter as seguintes características – artigo 203º Código


Civil:

• Ser exterior ao sujeito – exemplo: uma prótese numa perna pode ser objeto do
comércio jurídico? Não. Mas depois do sujeito morrer, ou da mesma ser retirada,
passa a ser exterior e pode ser objeto de comércio jurídico.

• Tem de ter valor económico;

• Deve ter autonomia;

38 Gabriela Pinto
• Tem de ter unidade;

• Tem de ser acessível - o sol não é acessível;

• Deve ser útil, distinta;

• Coisas divisíveis ou coisas indivisíveis;

• Coisas acessórias ou coisas principais;

• Coisas moveis ou imoveis – artigo 204º e 205º C. Civil;

• Simples ou compostas;

• Fungíveis e não fungíveis;

• Coisas presentes ou futuras.

1303º Código Civil – também as coisas incorpóreas podem ser objeto do direito.

3 tipos de direitos reais:


• Direitos reais de gozo;
• Direitos reais de garantia (penhor ou fidúcia);
• Direitos reais de aquisição.

Direito de propriedade (1302º e 1305º C. Civil)


É um direito real de gozo, que confere ao proprietário o poder de usar, fruir e
dispor da coisa que lhe pertence – 1305º [Link].
As coisas corpóreas, moveis ou imoveis, podem ser objeto do direito de
propriedade, assim como os animais nos termos regulados pela lei – 1302º C. Civil.

Conteúdo:
• Usar – retirar certa utilidade da coisa, sem a destruir ou consumir – sem a alterar;
• Fruir – retirar os frutos naturais ou civis da coisa;
• Dispor – obstruir a coisa.

39 Gabriela Pinto
Características do Direito de Propriedade em Roma:
• Confinidade – delimitação da área;
• Absorvência – tudo o que está na minha propriedade é meu;
• Imunidade – isentos de impostos ou encargos;

Perpetuidade – não é um direito temporário, é para sempre a não ser que o
proprietário decida vender.
Exceção – em ar?gos que a lei o prevê – propriedade temporária ar?go 1307º nº2.

• Plenitude – o proprietário pode retirar toda a utilidade da coisa, dentro dos


limites da lei – 1305º C.C;
• Absolutidade – eficácia erga omnes;
• Exclusividade – é exclusivista em relação à res porque não pede nenhum outro
direito;
• Elasticidade – o proprietário A de um prédio pode constituir um usufruto com B,
transferindo-lhe o seu direito de usar e fruir, ficando apenas com o direito a
dispor – compressão do direito de propriedade. Quando o usufruto acaba A volta
a ter todos os seus direitos como proprietário – expansão do direito de
propriedade.

Se...
A vender o prédio a C, no tempo em que B ainda é o usufrutuário, C tem de suportar B.
Porquê?
Porque o usufruto é um direito real e como tal tem eficácia erga omnes.
Por regra, existe um registo e quando C compra o prédio a A, já sabe que B é
usufrutuário.

Restrições ao direito de propriedade

Impostas por interesses públicos:


• Expropriação por utilidade pública – com a finalidade de satisfazer um interesse
público e tendo que indemnizar o proprietário;
• Limitações a proprietários de prédios ribeirinhos – são obrigados a permitir a
utilização das suas margens para atividades de navegação e pesca;
• Limitações provocadas pelo trânsito público – o proprietário do prédio mais
próximo, devia permitir a circulação de trânsito pelo seu terreno;
• Limitações por motivos urbanísticos – a lei das XII tábuas estabeleceu e fixou um
limite mínimo entre prédios e casas;

• Restrições à destruição de prédios com elementos históricos.

40 Gabriela Pinto
Causadas pelo interesse privado:
• O vizinho tem o direito de cortar ou de se apoderar das arvores inclinadas sobre
a sua casa, caso o dono da árvore não a arrancasse – artigo 1366º C. Civil;

• O dono de uma árvore tem o direito de aceder à propriedade do vizinho para


colher os seus frutos – artigo 1367º C. Civil;

• Os cursos de água que passem por prédios vizinhos, não podem ser desviados;

• O proprietário de um prédio não pode emitir fumos, ruídos ou odores que


perturbem os prédios vizinhos, a não ser que sejam causados pelo uso normal a
que se destina o prédio – artigo 1346º C. Civil;

• A possibilidade de alguém explorar minas em prédios alheios, com a obrigação


de pagar uma percentagem ao proprietário e ao fisco.

Fim da matéria para o 2º ponto escrito

Compropriedade ou condomínio – Artigo 1403º Código Civil


É a pertença a várias pessoas de uma res ou de um conjunto de bens.
Cons?tui-se voluntariamente segundo es?vesse presente a vontade das pessoas,
que entre si, acordavam pôr em comum determinado bem ou bens (sociedade).
Na ausência de vontade – cons?tui-se involuntariamente – a pertença comum
resulta de um facto independente da vontade dos condóminos (herança).
Cada condómino pode dispor juridicamente da res comum, dentro dos limites da
sua quota do direito de propriedade – alienar, hipotecar ou cons?tuir usufruto.
Não pode, no entanto, realizar atos jurídicos que modifiquem o direito de
propriedade dos outros condóminos, sem o seu consen?mento.
Exemplo: alienar toda a res, onerar a res com uma servidão ou libertar um escravo
comum.
Cada condómino tem um direito de propriedade pleno, mas que corresponde a
uma cota. Não pode onerar ou vender uma parte especifica do prédio (1408º).

Posse – Ar)go 1251º Código Civil

41 Gabriela Pinto
É um poder de facto sobre uma coisa que pretende ser um direito de
propriedade.
O possuidor comporta-se como se fosse proprietário da res, ou de?vesse outro
direito real.
A posse não é um direito, pode ser expressão do mesmo, mas não é.
É um instrumento fundamental do nosso ordenamento jurídico, de modo a
reprimir atos que perturbem o possuidor.
2 elementos da posse – Savigny:
• O corpus – elemento material, que se identifica com os atos materiais praticados
numa res – poder de facto sobre uma res;
• O animus possidendi – elemento espiritual/ psicológico – traduz-se na intenção
de o possuidor atuar como se fosse proprietário
A posse tem um elemento corpóreo e um espiritual – 1251º.
Não podemos confundir posse com propriedade – a posse presume o direito de
propriedade – 1254º e 1268º.
Elemento espiritual – permite dis?nguir a posse da detenção – um mero
detentor, apesar de ter um direito de facto, carece de elemento espiritual, ou seja, não
age como sendo proprietário nem pode alterar nada na res – 1253º.

Instrumentos de tutela da posse


A posse é protegida pelo nosso ornamento jurídico – instrumentos de tutela da
posse.

Defesa da posse – 1276º e seguintes:

Açã o de prevençã o – se o possuidor recebe ameaças de outrem (com um justo receio)


pode aplicar uma ação de prevenção 1276º

Açã o de manutençã o e restituiçã o da posse – se alguém ameaçar e acabar por ocupar


o prédio de A – ameaça + concre?zação

1279º – esbulho violento – direito do primeiro possuidor de ser res?tuído


imediatamente, sem audiência do esbulhador, e depois discute-se se o que esbulhador
?nha mo?vos válidos.

§ Alguns detentores podem recorrer aos instrumentos de tutela da posse.

Os direitos reais sobre coisa alheia


São direitos reais (eficácia erga omnes).

42 Gabriela Pinto
A é proprietário do prédio X e B é proprietário do prédio Y, que está encravado
pelo prédio Y.
B tem de ter acesso à via publica e, como tal, tem de haver uma servidão de
passagem – logo, o prédio de B está a onerar o prédio de A, porque o prédio de A tem
uma servidão de passagem para que B possa ter acesso à via publica passando pela
propriedade de A – logo, B limita o direito de propriedade de A.

B cons?tui um usufruto com C, o prédio de B está agora onerado com um


usufruto vitalício. Usufruto – direito real.

A vende o prédio a F e B vende o seu a H. Direitos reais são direitos sobre as


coisas, que oneram a coisa e tem eficácia erga omnes.
Logo, F e H tem de suportar tanto a servidão de passagem como o usufruto.

A compra e venda não afasta o direito real.


O usufrutuário vai beneficiar da servidão de passagem.

Os direitos reais sobre coisa alheia:

• Oneram a res que pertence a outra pessoa;

• São direitos reais – eficácia erga omnes;

• Limitam o conteúdo do direito de propriedade;

• Princípio da elasticidade do direito de propriedade – quando C morrer e o


usufruto acabar, B volta a ter os seus direitos expandidos (usar, fruir e dispor).

Servidões prediais (1543º)


É o ónus imposto a um prédio em benekcio de outro prédio.
O beneficiado é o prédio dominante. O prédio sujeito à servidão é o prédio
serviente.
É um encargo do proprietário do prédio serviente, em benekcio do proprietário
do prédio dominante.

2 tipos de servidões prediais:


RúsEcas:
Servidão legal de passagem – 1550º.
Servidão de águas – 1558º (aproveitamento de águas para fins alheios) 1561º
(aqueduto) e 1563º (escoamento).

43 Gabriela Pinto
Urbanas:
Servidão de vistas – 1362º
• A servidão de vistas pode ser obtida por usucapião;
• O direito romano exigia uma distância entre prédios de 1.5m, de modo a garantir
privacidade;
Exemplo: A constrói um prédio até ao limite do seu terreno e abre uma janela voltada
para o terreno de B.
Se B não se opuser, assim que a servidão de vistas es?ver cons?tuída em
benekcio de A, B quando construir o seu prédio terá de ter em conta a distância
exigida por lei – visto não se ter recusado perante A.

Servidão de es?licídio – 1365º


• A constrói uma casa na linha limite do seu terreno, B não se opôs – estabelece-
se uma servidão de estilicídio;
• Consequência – B quando quiser construir no seu terreno vai ter de respeitar a
distância exigida, visto que o seu terreno está onerado pela servidão.

Usufruto (1439º)
É o direito de usar e fruir a coisa, respeitando a sua consistência material e o seu
des?no económico.
É temporário e não pode exceder a vida do usufrutuário – temporário + pleno
(não altera a forma).
É um direito real que onera o direito de propriedade – comprime-o.
Direito real de usar e fruir de uma coisa alheia.
Se for estabelecido a favor de uma pessoa cole?va – não pode ter duração de
mais de 30 anos.

Usufrutuário:
• Responsável pelas despesas de conservação ordinária da res – enquanto o
proprietário conserva a posse da res;
• Tem o direito de usar, desfrutar e deter a res – enquanto o proprietário conserva
a posse da res e pode dispor da mesma sem prejuízo do usufrutuário;
• Pode locar a res e retirar os seus frutos civis;
• Deve respeitar a consistência e destino económico da res;

Exemplo: B é proprietário de um prédio e estabelece um usufruto vitalício com C.


Entretanto, B vende o prédio a A.

44 Gabriela Pinto
Como o usufruto é um direito real com eficácia erga omnes, A recebe o direito
de propriedade comprimido (tem apenas direito a dispor) e tem de suportar o usufruto
até C morrer.
Quando C morre, o direito de propriedade de A expande-se, e passa a poder usar,
fruir e dispor.
C (usufrutuário) pode estabelecer uma locação, mas quando morrer a locação
ex?ngue-se – por não ter eficácia erga omnes.

Trespasse a terceiro – 1444º:


O usufrutuário pode conceder a outro o direito de exploração do usufruto –
proibido no direito romano.
Quando o usufrutuário morrer, a exploração acaba.

Uso e habitação – 1484º Código Civil


É cons?tuído por 2 direitos – uso e habitação.

Uso – direito de natureza real, de usar uma res sem colher os seus frutos (conteúdo
menor em relação ao usufruto).
Habitação – direito concedido a uma pessoa de habitar ou arrendar uma casa alheia –
indisponível, vitalício e não se ex?ngue pelo não uso.

Ainda no direito romano admi?u-se a possibilidade do usuário poder re?rar alguns


frutos da coisa, mas apenas os frutos necessários à sa?sfação de necessidades pessoais
e da sua família 1484º

• Natureza estritamente pessoal;


• Não transmissível;
• O usuário deve respeitar a consistência material da res e o seu destino
económico e social;
• O usuário era obrigado a prestar uma caução para garantir ao proprietário o uso
diligente da res e a sua restituição no seu termo;
• Único direito real que não pode ser adquirido por usucapião.

Código Civil:
1487º - Servir de coisa alheia e fruir na medida das suas necessidades e da sua família.
1488º - Não podem trespassar ou locar o seu direito.
1293º/b – não pode adquirir-se por usucapião o direito de uso e habitação.

45 Gabriela Pinto
Direito de superfície – 1524º e 1534º Código Civil
É um direito real transmissível de, perpetuamente ou durante certo tempo, gozar
(plena e exclusivamente) de um edikcio construído em solo alheio – mediante (ou não)
o pagamento de um cânone anual.

• Livremente transmissível – 1534º;


• Temporário ou perpetuo;
• Oneroso ou gratuito – mediante a convenção entre as partes;
• 1530º - poderá haver um preço – oneroso.

Constituía-se por contrato:


1. Compra e Venda;
2. Locação;
3. Doação.

Extingue-se:
• Destruição do edifício;
• Renuncia;
• Confusão;
• Prescrição;

No entanto, não cessava – por incumprimento das obrigações do superficiário


para com o proprietário

Exemplo:
A é proprietário de um prédio e permite que B edifique o mesmo – direito de superkcie
em função de B.

Inicialmente em Roma, o direito de superkcie não exis?a como direito real –


apenas na época jus?nianeia.

Porquê?
Porque havia muitos problemas – em Roma, o solo pertencia ao povo Romano,
em geral:
A (banqueiro) pretende estabelecer-se na cidade de Roma, e quer construir uma
taberna para a realização de créditos.
Como o solo era propriedade do povo romano, seguindo o princípio da
absorvência, a construção que A fizesse em solo de B, seria propriedade de B (dono do
solo).

46 Gabriela Pinto
Portanto sucedia:
B (dono do solo) estabelece com A um contrato de concessão de solo (locação) –
de natureza obrigacional que só produz efeitos entre as partes.
Se B (dono do solo) decidir vender o prédio a C, a construção de A (banqueiro)
passaria a ser propriedade de C – compra e venda afasta a locação.

Quid Iuris?

Colocava-se no contrato estabelecido entre B e A uma cláusula que estabelece


que, que se B vendesse a C, este teria de respeitar o contrato de locação estabelecido
com A (banqueiro).
Se A quiser vender a propriedade a E, estabelece-se uma clausula que não
permite a B (dono do solo) expulsar E.
Assim, o direito de superkcie era assegurado em ambos os casos.

Para terminar todos estes problemas:


O direito de superkcie passa a ter natureza real (eficácia erga omnes) e não
obrigacional, e cada um (A e B) podem exercer livremente o mesmo.

Direitos Reais de Garantia


® São garantias reais para assegurar o cumprimento de uma obrigação;
® O credor pode exercer um poder direto sobre a res alheia – no caso de
incumprimento da obrigação pelo devedor;
® Se a obrigação cessar – extingue-se o direito real de garantia;
® Eficácia erga omnes – são direitos absolutos do credor sobre a res.

Garantia Pessoal ≠ Garantia Real


GaranEa pessoal – incide sobre todo o património.
Ser um fiador significa:
• Em Roma, o fiador responderia com todo o seu património e com o seu próprio
corpo – podia ser vendido e escravizado;
• Acabou-se a execução pessoal (na época Arcaica do direito romano);
• Significa que, o fiador responde com todo o seu património.

GaranEas reais – mediante um emprés?mo (por exemplo) é exigida uma garan?a


hipoteca ou fiduciária.
Incidem sobre determinadas coisas – garan?as reais são as preferenciais.

47 Gabriela Pinto
Garantias reais em Roma:
• Fidúcia – não é direito sobre coisa alheia porque há transmissão do direito de
propriedade;
• Penhor;
• Hipoteca.

Apesar de serem direitos reais, são impotentes.


Porquê?
® A natureza real dessas garantias só se vai verificar se o devedor não cumprir com
a sua obrigação.
® Apenas nesse caso, o credor pode executar a sua garantia e ter poder imediato
sobre a res.

Os direitos reais de garantia pressupõem 2 relações jurídicas:


1. Principal (ex: mútuo)
2. Secundária (ex: penhor)

® Sendo direitos reais de garantia, têm eficácia erga omnes e, se uma res
hipotecada (por exemplo) for vendida, a hipoteca mantém-se, e por isso é
exigida uma publicação da mesma – para que o comprador saiba.

Exemplo:
B pode vender um prédio hipotecado a C? Sim, mas a hipoteca mantém-se sobre a res.

A fidúcia não é um direito sobre coisa alheia – há transmissão do direito de


propriedade

Penhor – 666º Código Civil


Inicialmente, dissemos que o penhor é um contrato real quanto à sua
cons?tuição. Vamos acrescentar:
É um direito real sobre coisa alheia – o credor passa a ter a detenção da res.
No direito romano não havia dis?nção entre coisas móveis e imóveis, ou seja, o
penhor no direito romano pode incidir sobre qualquer coisa.
Em Portugal, o penhor incide apenas sobre coisas móveis.

2 características:
Acessoriedade – significa que a existência/ validade da obrigação acessória (penhor)
depende da existência/ validade da obrigação principal (mútuo).
Se o mútuo for inválido (nulidade ou anulabilidade), o penhor também o será –
Porquê? – porque é acessório ao mútuo – 678º, 696º, 698º CC.

48 Gabriela Pinto
Indivisibilidade – significa que o penhor não se ex?ngue, ainda que a dívida tenha
diminuído.
Exemplo: um credor está a pagar uma dívida em prestações, e já só faltam duas
prestações. O penhor foi, inicialmente, feito em 1000€ e mantém-se assim até ao fim da
dívida.

Hipoteca – 686º Código Civil


Surgiu no Direito Romano, onde inicialmente só exis?a o penhor e a fidúcia.
O penhor implica a entrega da coisa, mas não a propriedade. A fidúcia implica a
transmissão do direito de propriedade, mas não há entrega da coisa.

Surge um problema no direito romano, no quadro dos arrendamentos rús?cos:


1. Quando alguém celebrava uma locação, era exigida uma garantia do locatário. Regra
geral, um agricultor é uma pessoa com poucos bens, apenas tinha os bens de
trabalho que não interessavam ao locador. Porquê?

® Se celebrassem um penhor:
B (agricultor) ficava sem o seu instrumento de trabalho, porque teria de o entregar
ao locador A.

® Se celebrassem uma fidúcia:


Apenas implica a transmissão do direito de propriedade, ou seja, B transmi?a a A a
propriedade dos seus instrumentos de trabalho, mas man?nha a sua posse.
RISCO: A corre o risco de perder a garan?a, através da usucapião. Como os
arrendamentos rús?cos, por norma, são de longa duração e, como B mantém a posse
dos instrumentos, pode readquirir o direito de propriedade.

Hipoteca:
Não há transmissão da posse (penhor), nem do direito de propriedade (fidúcia).
Exemplo: a casa de A é hipotecada – con?nua a ser sua propriedade e a estar na
sua posse.

É uma especial arretação da coisa ao cumprimento da dívida, sem que haja


entrega da coisa e transmissão da propriedade.
Em Roma: pode incidir sobre qualquer coisa, móvel ou imóvel.
Em Portugal: apenas pode incidir sobre coisas imóveis ou sobre coisas móveis
feitos a registo (exemplo: automóvel)

49 Gabriela Pinto
Tem as mesmas caracterís?cas do penhor – 696º e 698º CC:
® Acessoriedade
® Indivisibilidade

Direitos reais no direito estrangeiro – não há diferenças – os regimes são


idênLcos – daí chamar-se “DIREITO COMUM”

Portugal pertence à família romano-germânica

50 Gabriela Pinto

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