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DEPENDÊNCIA DE IDOSOS HOSPITALIZADOS RELACIONADA AOS CUIDADOS DE
ENFERMAGEM: Aplicabilidade de Instrumento de Classificação de Pacientes de Perroca*
Fabrícia Martins Sales ¹ - Relatora
Iraci dos Santos²
Maria Jalma R S Duarte³
Introdução:
Estima-se que no ano de 2025, o Brasil venha a se tornar a sexta maior população de
idosos no mundo, com um percentual equivalente a 15% de indivíduos maiores de 60 anos em
relação aos demais (1). Este segmento etário utiliza mais os serviços de saúde, sendo afetado
mais frequentemente por problemas de longa duração, as doenças crônicas (2). As
repercussões oriundas desta realidade movem os enfermeiros para a busca da prestação de
cuidados de qualidade a esta clientela com particularidades tão distintas (3).
As internações em uma unidade clínica hospitalar, no Município de Campos dos
Goytacazes – RJ compõem-se basicamente por pessoas idosas constatando-se, em 2005, 478
admissões, correspondendo a 65,38 % do total de 731 desses eventos. Tal observação
empírica motivou a elaboração de projeto para dissertação de mestrado, cujo objetivo vem a
ser: Avaliar os idosos admitidos quanto ao grau de dependência e as necessidades básicas
afetadas visando à estruturação de uma assistência de enfermagem de qualidade.
O instrumento escolhido para realizar esta avaliação foi criado e validado por Perroca
(4). Trata-se de um formulário baseado nas necessidades humanas básicas individualizadas de
cuidado de enfermagem. O instrumento avalia 13 indicadores críticos, a saber: estado mental
e nível de consciência, oxigenação, sinais vitais, nutrição e hidratação, motilidade,
locomoção, cuidado corporal, eliminações, terapêutica, educação à saúde, comportamento,
comunicação e integridade cutâneo mucosa.
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* Recorte de Relatório Parcial de Dissertação de Mestrado. Faculdade de Enfermagem da UERJ.
[Link], relatora, mestranda do Programa de Mestrado da UERJ – e-mail: fabrimartins@[Link]
End: Av. Princesa Isabel, nº 235, Campos dos Goytacazes, Rio de Janeiro. CEP: 28024-151
2. Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Mestrado da UERJ. Co- orientadora da
Dissertação.
3. Doutora em Enfermagem. Professora do Programa de Mestrado da UERJ. Orientadora da Dissertação.
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Cada indicador recebe uma gradação de 1 a 5, avaliando, em ordem crescente, o nível
de cuidado exigido, de forma que o valor 1 corresponde ao menor nível de atenção de
enfermagem e o valor 5, ao nível máximo de complexidade assistencial (5). Segundo Perroca
(4), o somatório final das gradações categoriza os cuidados em: Mínimos (13 a 26 pontos),
intermediários (27 a 39 pontos), semi-intensivos (40 a 52 pontos) e intensivos (53 a 65
pontos).
Objetivos:
Considerando o problema exposto, neste trabalho têm-se como objetivos: Testar a
aplicabilidade do instrumento metodológico proposto por Perroca (4), aos objetivos da
dissertação de mestrado; Detectar falhas passíveis de correção e/ou adaptações necessárias
para a coleta definitiva de dados da implementação do projeto de pesquisa da dissertação.
Metodologia
Escolheu-se o método epidemiológico descritivo para a testagem piloto do
instrumento proposto por Perroca. A avaliação das necessidades básicas afetadas no idoso e a
classificação de sua dependência quanto ao atendimento de enfermagem dependem da
implementação do processo de enfermagem teorizado por Wanda Horta (6). Deste modo,
durante a coleta de dados, em unidade clínica de um hospital de Campos dos Goytacazes - RJ,
em fevereiro de 2006, a pesquisadora desenvolveu as fases de histórico, exame físico e
diagnóstico do processo citado em 10 gerontes, recém admitidos.
Ressalte-se que a seleção dos sujeitos considerou que o campo da pesquisa possui 20
leitos e naquela ocasião internaram-se 15 clientes, dos quais, 12 eram maiores de 60 anos. O
critério de inclusão dos 10 componentes do teste piloto foi o menor tempo de admissão
hospitalar e o de exclusão de 02 idosos foi o maior tempo de internação. Todos os
participantes leram e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, conforme prevê
a resolução 196/96 que regulariza as pesquisas realizadas com seres humanos (7). Na
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impossibilidade do próprio paciente assinar o documento, o mesmo foi assinado por seu
responsável.
Resultados e Discussão
Dos 10 sujeitos da investigação constatou - se quanto a faixa etária 6 situados entre
60 a 80 anos e 4 com mais de 80 anos. Quanto ao sexo, a distribuição foi eqüitativa. Em
relação ao nível de complexidade de cuidados exigidos, 06 requeriam cuidados semi-
intensivos, enquanto 02 necessitavam de cuidados mínimos e 02 assistência intermediária.
Não foram encontrados clientes exigindo cuidados intensivos (ver Quadro 1). Tal resultado
nos reporta ao fato de que a baixa resolutividade dos serviços ambulatoriais, o não
monitoramento às doenças mais prevalentes e os escassos serviços domiciliares fazem com
que o primeiro atendimento à saúde aconteça muitas vezes em estágio avançado do quadro,
dentro do hospital, o que compromete a integridade funcional do idoso, causando a
necessidade de cuidados semi-intensivos. (2).
Quadro 1: Distribuição dos sujeitos segundo os escores obtidos nos 13 indicadores propostos
por Perroca. Hospital X, Campos de Goytacazes- RJ, 2006.
Escores
Indicadores
01 02 03 04 05 Total de
N. de cliente por escore clientes
Estado mental e nível de consciência 03 0 01 06 0 10
Oxigenação 09 01 0 0 0 10
Sinais Vitais 10 0 0 0 0 10
Nutrição e hidratação 02 01 0 06 01 10
Motilidade 02 0 01 01 06 10
Locomoção 02 0 0 02 06 10
Cuidado Corporal 01 01 0 02 06 10
Eliminações 02 01 0 07 0 10
Terapêutica 0 02 06 02 0 10
Educação a saúde 05 01 01 0 03 10
Comportamento 01 01 07 01 0 10
Comunicação 01 03 0 05 01 10
Integridade Cutâneo-Mucosa 03 0 01 01 05 10
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O Quadro 1 demonstra a relação entre os indicadores avaliados e o quantitativo de
pacientes enquadrados em cada um dos cinco escores atribuídos a cada indicador. Embora no
teste piloto tenha-se classificado a complexidade do cuidado exigido pela maioria da clientela
(6 idosos) como semi-intensiva, os dados evidenciam idosos que dispensam cuidados de
oxigenoterapia e monitorização hemodinâmica como controle rigoroso de sinais vitais. No
indicador oxigenoterapia situam-se 9 sujeitos classificados no escore 1, o que significa
dispensa desse procedimento. No item Sinais Vitais distribuem-se 10 indivíduos avaliados
como escore 1, ou com necessidade de controle destes parâmetros de 06 a 08 horas por dia.
Os dados sugerem uma clientela totalmente dependente da enfermagem nos quesitos:
cuidados de higiene e conforto, locomoção e motilidade, haja vista em cada um destes
indicadores situarem-se 6 gerontes classificados no escore 5.
O perfil do idoso internado foi caracterizado em uma unidade clínica de certo hospital
da grande São Paulo no ano de 1996. Foi verificado que após a realização do exame físico, as
principais orientações fornecidas ao idoso e à equipe de enfermagem relacionavam-se à
imobilidade e suas conseqüências (8).
Quadro 2: Distribuição dos sujeitos segundo escores mais significativos e faixa etária.
Escores obtidos por faixa etária
Indicadores Total de
60 a 80 anos Maiores de 80 anos
mais clientes
significativos
1 2 3 4 5 1 2 3 4 5
Oxigenação 6 0 0 0 0 3 1 0 0 0 10
Sinais Vitais 6 0 0 0 0 4 0 0 0 0 10
Motilidade 1 0 1 0 4 1 0 0 2 1 10
Locomoção 1 0 0 1 4 2 0 0 0 2 10
Cuidado Corporal 1 0 0 1 4 0 1 0 1 2 10
Observando-se o Quadro 2 constata-se que o grau de dependência do idoso nem
sempre tem relação com a idade. Os clientes mais jovens apresentaram escores mais elevados
em três dos 05 indicadores considerados mais significativos (motilidade, locomoção e cuidado
5
corporal), indicando que estas pessoas requerem mais cuidados de enfermagem para estes
aspectos, quando comparados aos indivíduos mais idosos.
Considerações finais:
A testagem piloto do instrumento criado por Perroca foi importante para implementar
o projeto da dissertação proposta, pois demonstrou sua aplicabilidade diante do objetivo de
uma pesquisa do mestrado. Permitiu, ainda, detectar a necessidade de incluir as variáveis:
causa da internação hospitalar, procedência regional e naturalidade do cliente, constelação
familiar, renda salarial e condições de moradia. Tais variáveis correlacionadas aos indicadores
da dependência do idoso aos cuidados de enfermagem, contribuirão para um prognóstico após
a alta hospitalar, convivendo em seu domicílio, em termos de qualidade de vida. Acredita-se
também, ser possível delinear um perfil mais detalhado sobre a clientela idosa assistida no
município campo da pesquisa. Acredita-se que esse perfil gerará dados epidemiológicos para
condução de projetos públicos visando a melhoria da qualidade da assistência de saúde
prestada aos cidadãos idosos de Campos dos Goytacazes.
Referências
1. IBGE. Anuário Estatístico do Brasil, 2002. Rio de Janeiro: IBGE.
2. Veras RP. Modelos Contemporâneos no Cuidado à Saúde. Rev. USP, São Paulo, 2001
Set-Nov; 51, p. 72-85.
3. Duarte MJRS. Cuidando e educando o cliente idoso na perspectiva da cidadania. In:
CALDAS, Célia Pereira. Saúde do idoso: A arte do cuidar. Rio de Janeiro: Interciência,
vol 2, 2004. cap. 02, p. 59-73.
4. Perroca MG. Sistema de classificação de pacientes: construção e validação de um
instrumento. [Dissertação]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem da Universidade de
São Paulo/USP; 1996.
5. Fonseca JP, Echer IC. Grau de dependência de pacientes em relação à assistência de
enfermagem em uma unidade de internação clínica. Rev. Gaúcha de Enferm. Porto
Alegre (RS), 2003 dez; 24 (3): 346-354.
6. Horta WA. Processo de Enfermagem. São Paulo: EPU Parte II. p. 35-74, 1979.
7. Goldim, J.R. Manual de iniciação à pesquisa em saúde. 2 ed. Porto Alegre (RS): Dacasa;
2000. 179 p.
8. Glashan RQ, Santos MC, Oliveira AP. Perfil do idoso internado em unidade clínica de um
hospital geral universitário da grande São Paulo com vistas à enfermagem. Acta Paulista
de enfermagem 1999 Maio-Ago; 12 (2): 94-106.