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Validação da Escala de Necessidade de Pertença

O estudo valida a Escala de Necessidade de Pertença (ENP) para o contexto brasileiro, demonstrando sua estrutura unifatorial e adequação psicométrica através de três estudos com 642 participantes. A análise fatorial confirmou a solução esperada e evidências de validade convergente foram encontradas, associando a ENP a medidas similares como solidão emocional. Conclui-se que a ENP é uma ferramenta confiável para avaliar a necessidade de pertencimento no Brasil.

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Validação da Escala de Necessidade de Pertença

O estudo valida a Escala de Necessidade de Pertença (ENP) para o contexto brasileiro, demonstrando sua estrutura unifatorial e adequação psicométrica através de três estudos com 642 participantes. A análise fatorial confirmou a solução esperada e evidências de validade convergente foram encontradas, associando a ENP a medidas similares como solidão emocional. Conclui-se que a ENP é uma ferramenta confiável para avaliar a necessidade de pertencimento no Brasil.

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Psico-USF, Bragança Paulista, v. 23, n. 1, p. 139-150, jan./mar.

2018 139

Escala de Necessidade de Pertença: Evidências de Qualidade Psicométrica

Gabriel Lins de Holanda Coelho – Cardiff University, País de Gales


Valdiney V. Gouveia – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil
Patrícia Nunes da Fonsêca – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil
Rafaella de Carvalho Rodrigues Araújo – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, Brasil
Roosevelt Vilar – Massey University, Nova Zelândia

Resumo
A necessidade de pertença representa uma motivação do ser humano para estabelecer relacionamentos intensos e duradouros,
sendo isso um importante aspecto para a manutenção do bem-estar e saúde mental destes. Considerando a relevância desse
construto, busca-se validar a escala de Necessidade de Pertença (ENP) para o contexto brasileiro em três estudos (N = 642). O
primeiro e segundo estudos objetivaram apresentar a estrutura fatorial da presente medida por meio de análise fatorial explora-
tória e confirmatória, os quais confirmaram a solução unifatorial esperada (CFI = 0,96) com a eliminação de três itens da versão
original. Já o terceiro estudo buscou apresentar evidências de validade convergente da ENP, tendo confirmado a significativa
associação desse construto com medidas de natureza similar (e.g., solidão emocional). Conclui-se que os objetivos foram alcan-
çados e que a medida apresenta-se psicometricamente adequada para uso no Brasil.
Palavras-chave: necessidade de pertença, medida, validação

Need to Belong Scale: Evidences of Psychometric Quality

Abstract
The need to belong represents a motivation of the human being to establish intense and long-term relationships, and it is an
important aspect for the maintenance of people’s well-being and mental health. Considering the relevance of this construct, we
sought to validate the Need to Belong Scale (NBS) for the Brazilian context in three studies (N = 642). The first and second
studies aimed to present the factorial structure of this measure through exploratory and confirmatory factor analysis, which
confirmed the expected single-factor solution (CFI = 0.96) with the elimination of three items from the original version. The
third study sought to present evidence of convergent validity of the NBS, confirming the significant association of this con-
struct with measures of a similar nature (e. g., emotional loneliness). In conclusion, this measure showed to be psychometrically
adequate for use in Brazil.
Keywords: need to belong, measure, validation

Necesidad de Pertenecer: Evidencias de Calidad Psicométrica

Resumen
La necesidad de pertenencia representa una motivación del ser humano para establecer relaciones intensas y duraderas, siendo
esto, fundamental para mantener el bienestar y la salud mental de las personas. Considerando la pertinencia de este constructo,
se busca validar la Escala de Necesidad de Pertenencia (ENP) para el contexto brasileño a través de tres estudios (N = 642). El
primer y segundo estudio presentan la estructura factorial de esta medida a través de análisis factorial exploratorio y confirma-
torio, confirmando la estructura unifactorial esperada (CFI = 0,96), con la eliminación de tres ítems de la versión original. El
tercer estudio trató de presentar evidencias de validez convergente de la ENP, confirmando la asociación significativa de este
constructo con medidas de naturaleza similar (e.g. soledad emocional). Conclusión, los objetivos fueron alcanzados y la medida
ha demostrado ser psicométricamente adecuada para su uso en Brasil.
Palabras-clave: necesidad de pertenencia, medida, validación.

Introdução como caminho a interação frequente de círculos de pes-


soas próximas e um contexto de atenção mútua para
O cotidiano do ser humano é repleto de interações o bem-estar do outro. Eles ainda acrescentam que os
sociais, sendo isso um aspecto essencial para o bem-estar círculos de convivência precisam ser estáveis, ou seja,
(Helliwel, Huang, & Wang, 2014) e saúde mental (Poor- se houver trocas frequentes das pessoas que formam o
tinga, 2012) das pessoas. Segundo Baumeister e Leary círculo de convivência ou se a frequência das interações
(1995), essa necessidade de relacionar-se constitui uma for escassa, a necessidade de pertencimento não será
motivação fundamental na natureza humana, que visa satisfeita.
o estabelecimento de relações profundas e duradouras. De maneira geral, a necessidade de pertenci-
Para satisfazer essas necessidades, tais autores sugerem mento está estreitamente ligada ao comportamento

Disponível em [Link] [Link]


140 Coelho, G. L. H. & cols. Validação da ENP

humano. Como exemplo, Pickett, Gardner e Knowles lacuna, apresenta-se no presente estudo evidências dos
(2004) encontraram que as pessoas que apresentam parâmetros psicométricos da Escala de Necessidade de
alta pontuação em necessidade de pertença tendem a Pertença, que será mais bem detalhada a seguir.
ser mais sensíveis em perceber as emoções das pessoas
que estão ao seu redor. Além disso, tais indivíduos Escala de Necessidade de Pertença (ENP) (Need to Belong
também são mais predispostos à colaboração (Cremer Scale)
& Leonaedelli, 2003) e a expressar gratidão (Macken- Muitos estudos têm sido desenvolvidos ao longo
zie, 2015), que são aspectos fundamentais para a vida das últimas décadas, visando observar as tendências
em sociedade. sociais dos indivíduos. Contudo, Leary, Kelly, Cottrell,
Por outro lado, estudos também têm apontado & Schreindorfer (2013) apontam que essas pesquisas
que a não satisfação de tais necessidades parece estar focavam em fenômenos (e.g., extroversão, sociabilidade,
relacionada a efeitos negativos nos comportamentos, afiliação), que não capturavam a verdadeira motiva-
emoções e pensamentos das pessoas. Nessa direção, ção que leva o indivíduo a vivenciar a necessidade de
Mellor, Stokes, Firth, Hayashi e Cummins (2008) obser- pertencer, que é o estabelecimento de relacionamen-
varam uma correlação positiva entre a necessidade de tos profundos e duradouros. Desse modo, a Escala
pertencer e sentimentos de solidão, e Vanderhorst e de Necessidade de Pertença (ENP) foi desenvolvida,
McLaren (2005) encontraram uma associação signi- tendo sua primeira versão (23 itens) sido elaborada por
ficativa entre baixo suporte social e maiores níveis de Schreindorfer e Leary (1996). Entretanto, por meio
depressão ou ideação suicida. Em pesquisa com indiví- de análises exploratória e confirmatória, reduziu-se
duos que apresentavam graves sintomas de depressão, o número para 10 itens, que buscam avaliar em que
Steger e Kashdan (2009) também observaram que medida os indivíduos desejam ser aceitos por outros
pessoas depressivas apresentam um maior nível de e pertencer a diferentes grupos. Quanto à confiabili-
satisfação e sentido sobre a vida quando suas necessida- dade do instrumento (alfa de Cronbach, α), diferentes
des de pertença são satisfeitas. Esses achados reforçam estudos demonstraram resultados próximos ou acima
a importância das relações afetivas para a saúde mental de 0,80 (Kelly, 1999; Mellor, Stokes, Firth, Hayashi,
e o bem-estar das pessoas. & Cummins 2008; Pickett, Gardner, & Knowles,
De acordo com Gangadharbatla (2008), a discus- 2004), satisfatórios para objetivos de pesquisa (Kline,
são sobre a necessidade de pertença pode ser ampliada 2013).
também para o contexto virtual. Segundo esses autores, Leary, Kelly, Cottrell e Schreindorfer (2013) tam-
a necessidade de pertencer apresenta efeitos positivos bém conduziram diversos estudos objetivando fornecer
nas atitudes frente a redes sociais, além de manifestar- validade de construto para o instrumento. Para tanto,
se como alternativa para adesão e participação nelas. observou-se correlações significativas com diferentes
Tal achado aponta a utilização das redes sociais como fenômenos, dentre os quais se destacam os resultados
caminho alternativo para as pessoas manterem a fre- com traços de personalidade. A ENP correlacionou-se
quência de contato com os seus círculos de amizade. com três, dos cinco grandes fatores: extroversão (r =
Boyd e Ellison (2007) reforçam esse funcionamento 0,16, p < 0,05), amabilidade (r = 0,22, p < 0,05) e neu-
das redes sociais, mostrando que as pessoas tendem a roticismo (r = 0,41, p < 0,01). Quanto à extroversão e
utilizar essa tecnologia, não para ampliar o número de amabilidade, essa relação pode ser explicada devido ao
interações que têm, mas principalmente para manter fato de indivíduos com maior necessidade de perten-
as relações existentes. cer tenderem a ser mais amigáveis e abertos, visando
Desse modo, uma vez que estudos têm apon- uma maior aprovação dos outros e aumentando suas
tado para uma motivação subjacente para relacionar-se chances de serem aceitos socialmente. No que se refere
e que a satisfação dessa motivação tem demonstrado ao neuroticismo, Leary, Koch e Hechenbleikner (2001)
ser um fator preponderante para a saúde mental dos pontuam que uma possível explicação para essa relação
indivíduos, mais estudos nessa área são demanda- pode ser atribuída ao fato de que indivíduos com esco-
dos. No Brasil, especificamente, por ser um contexto res elevados em necessidade de pertença muitas vezes se
com medidas escassas para mensurar esse fenômeno sentem inadequadamente aceitos, experienciando emo-
psicológico, a adaptação da escala de necessidade de ções negativas (e.g., solidão, raiva). Pessoas que são mais
pertença contribuirá para a pesquisa no cenário nacio- preocupadas com a aceitação e rejeição social comu-
nal e, quiçá, para a prática clínica. Para preencher essa mente sentem-se mais ansiosas ou agressivas quando
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Coelho, G. L. H. & cols. Validação da ENP 141

suas necessidades de pertença não são satisfeitas (Leary, o propósito deste estudo é fornecer as propriedades
Twenge, & Quinlivan, 2006). psicométricas da ENP, descreve-se unicamente o ins-
Muitas pesquisas desenvolvidas ao longo dos últi- trumento e o questionário demográfico, para fins de
mos anos utilizando a ENP junto a outros construtos caracterização da amostra.
relacionados ao desejo por contato social proveram
resultados significativos e importantes para o estudo Escala de Necessidade de Pertença (Leary et al., 2013; Schrein-
desse fenômeno (e.g., Gangadharbatla, 2008; Leary et dorfer & Leary, 1996)
al., 2013; Mellor et al., 2008; Pickett et al., 2004). Além Instrumento desenvolvido para avaliar a necessi-
disso, essas pesquisas demonstraram a confiabilidade dade das pessoas em estabelecerem relacionamentos e
do instrumento (α > .70, CFI > .90) e possibilidade pertencerem a determinado grupo. Compreende uma
de seu uso em diferentes áreas e contextos. Isso posto, medida unifatorial, reunindo dez itens (e.g., “Não gosto
sabendo da importância do estudo da necessidade de de estar sozinho”, “Quero que outras pessoas me acei-
pertença, e visando ampliar as possibilidades de pes- tem”.), os quais são respondidos em escala de cinco
quisa no que tange aos relacionamentos interpessoais, pontos, variando de 1 (Nada) a 5 (Extremamente). O ins-
objetivou-se analisar as propriedades psicométricas do trumento foi traduzido para o português por meio do
instrumento no contexto brasileiro e seus correlatos, método backtranslation, onde um pesquisador bilíngue
por meio de três estudos. traduz para o português e o outro retraduz para o inglês.
Questionário demográfico. Foram realizadas perguntas
Princípios Éticos com intenção de caracterização da amostra, como sexo,
Os estudos a seguir respeitaram o preconizado idade, estado civil, escolaridade e classe social.
pela APA sobre a ética em pesquisas (American Psy-
chological Association, 2010). Os participantes foram Procedimento
instruídos sobre os estudos, garantindo-lhes o anoni-
mato e o seu caráter voluntário, sendo possível desistir Coleta de Dados
sem causar-lhes qualquer prejuízo. Além disso, os parti- Foram realizadas coletas presenciais e on-line. A
cipantes tiveram o acompanhamento de pesquisadores primeira foi realizada com estudantes universitários,
devidamente treinados em caso de dúvidas a respeito de forma individual, em ambiente de sala de aula. Pri-
dos instrumentos ou do estudo. Aos que responderam meiramente, os participantes receberam o Termo de
on-line, os correios eletrônicos dos pesquisadores foram Consentimento Livre e Esclarecido para atestar a con-
disponibilizados para contato. O projeto foi aprovado cordância com a pesquisa. Também foram instruídos,
por um comitê de ética em pesquisa com seres huma- por pesquisadores devidamente treinados, a respeito dos
nos (CAAE: 57408016.0.0000.5188). objetivos do estudo, da possibilidade de desistir sem acar-
retar em ônus e todos os aspectos éticos da pesquisa. Na
Estudo 1. Estrutura Fatorial da ENP no Brasil coleta on-line, disponibilizou-se um endereço eletrônico
O primeiro estudo objetivou averiguar a estru- por meio de redes sociais, no qual os participantes pude-
tura unifatorial do instrumento no contexto brasileiro, ram acessar a pesquisa e respondê-la. No endereço,
por meio de uma análise fatorial exploratória. Ade- também havia informações a respeito dos aspectos éti-
mais, também, testou-se o instrumento quanto a sua cos da pesquisa, bem como e-mail para contato com os
confiabilidade. pesquisadores responsáveis, em caso de dúvidas.

Participantes Análise de Dados


Contou-se com uma amostra de conveniência Os dados foram tabulados no software estatís-
de 225 indivíduos, com média de idade de 23,3 (DP = tico SPSS, versão 22, onde também foram calculadas
5,69), sendo a maioria do sexo feminino (65,3%), sol- estatísticas descritivas, testes t de Student (poder discri-
teira (84%), com ensino superior incompleto (55,6%) e minativo dos itens) e alfa de Cronbach (confiabilidade
se autodeclarando da classe média (84,4%). do instrumento). Empregou-se o software Factor, versão
10 (Lorenzo-Seva & Ferrando, 2013), para definição
Instrumentos do número de fatores, utilizando-se o método Hull
Os participantes responderam a um caderno de (Lorenzo-Seva, Timmerman, & Kiers, 2011), e sua extra-
pesquisa contendo diferentes instrumentos. Como ção, usando-se Minimum Rank Factor Analysis (MRFA).
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Resultados à extração de fatores (MRFA). Os resultados podem ser


observados na Tabela 1.
Primeiramente, testou-se o poder discriminativo Três dos itens apresentaram saturação abaixo do
dos itens do instrumento, a fim de observar se estes ponto de corte estabelecido. Desse modo, decidiu-
discriminam participantes com magnitudes próximas se avaliar como o instrumento se comportaria com a
ao traço latente. Para isso, retirou-se a mediana da soma exclusão desses itens em uma nova análise explorató-
de todos os itens (28) e, com base nesta, dividiu-se a ria. Utilizando-se apenas sete itens, observou-se valor
amostra em grupo superior e inferior. Logo após, reali- próprio de 2,92 e variância de 72,98%. Quanto à con-
zaram-se testes t de Student para cada um dos itens. Os fiabilidade do instrumento, o alfa de Cronbach (α)
itens 03 [t(219,86) = -0,73; p = 0,47] e 07 [t(222) = -53; apresentou resultado de 0,81 e a correlação inter-item
p = 0,60] não alcançaram o valor esperado. Entretanto, foi de 0,38.
optou-se pela inclusão desses itens nas análises seguin-
tes, com o intuito de observar como se comportariam Discussão Parcial
em análises mais robustas.
Satisfeitos os parâmetros necessários para O presente estudo buscou conhecer como a Escala
realização de uma análise fatorial exploratória (Kaiser- de Necessidade de Pertença se comporta no contexto
Meyer-Olkim, KMO = 0,81; Teste de Esfericidade de brasileiro. Por meio de uma análise fatorial explorató-
Bartlett, x² (45) = 472,26, p < 0,001), procedeu-se com o ria, reproduziu-se a estrutura unifatorial desenvolvida
método Hull, que é reconhecido na literatura como um por Schreindorfer e Leary (1996). Contudo, os acha-
dos mais confiáveis métodos para retenção do número dos deste estudo indicaram que os três itens reversos
de fatores (Lorenzo-Seva et al., 2011). Sendo assim, do instrumento apresentaram saturações abaixo do
obteve-se a estrutura unifatorial esperada. Definindo- ponto de corte recomendado pela literatura (Hair et
se |0,30| como ponto de corte recomendado (Hair, al., 2015). Pesquisas têm demonstrado que itens que
Black, Babin, & Anderson, 2015), deu-se procedimento contêm valência oposta têm apresentado parâmetros

Tabela 1
Estrutura Fatorial do Questionário de Necessidade de Pertença
Itens Componente h²
09. Incomoda-me muito não estar incluído nos planos de outras pessoas. 0,75* 0,84
10. Meus sentimentos são facilmente feridos quando sinto que os outros não 0,72* 0,66
me aceitam.
05. Quero que outras pessoas me aceitem. 0,72* 0,75
08. Tenho uma forte necessidade de pertencer a algum grupo. 0,63* 0,47
04. Necessito sentir que têm pessoas com quem eu possa me dirigir em 0,61* 0,54
momentos de necessidade.
06. Não gosto de estar sozinho. 0,56* 0,60
02. Tento fortemente não fazer coisas que vão fazer outras pessoas me evitarem 0,49* 0,32
ou rejeitarem.
03. Raramente me preocupo se outras pessoas se preocupam comigo. (R) -0,13 0,27
07. Ficar longe dos meus amigos por longos períodos de tempo não me -0,12 0,25
incomoda. (R)
01. Se outras pessoas não me aceitam, não me sinto incomodado. (R) 0,08 0,31
Número de itens 10
Valores próprios 2,98
Variância explicada 59,43%
Nota. h² = comunalidades; * Cargas fatoriais satisfatórias; (R) Itens reversos.
Psico-USF, Bragança Paulista, v. 23, n. 1, p. 139-150, jan./mar. 2018
Coelho, G. L. H. & cols. Validação da ENP 143

psicométricos insatisfatórios quando inseridos em ins- (AFC), empregando-se o método Maximum Likelihood.
trumentos gerais\unifatoriais (Bond et al., 2011; Credé, Foram considerados os seguintes índices: χ²/gl, Compa-
Chernyshenko, Bagraim, & Sully, 2009; Schweizer & rative Fit Index (CFI), Tucker-Lewis Coefficient (TLI), Root
Rauch, 2008; Spector, Van Katwyk, Brannicj, & Chen, Mean Square Error Approximation (RMSEA) e Pclose, com
1997). base nos valores recomendados pela literatura (Byrne,
Schmitt e Stults (1985) ressaltam que o apareci- 2013; Hair et al., 2015). Além da AFC, também, rea-
mento de um novo fator já é provável quando apenas lizou-se uma análise fatorial confirmatória multigrupo
10% dos participantes respondem de forma diferente a (AFCMG), para testar a invariância do instrumento
itens que apresentam conteúdo negativo. Esses resulta- quanto ao gênero dos participantes.
dos também foram replicados por Woods (2006), em
análises fatoriais confirmatórias. Contudo, em virtude Resultados
do caráter exploratório das análises realizadas e bus-
cando observar como esses três itens em questão se Com o objetivo de confirmar a estrutura fatorial
comportariam em uma análise mais robusta, optou-se encontrada previamente, testou-se a estrutura fatorial
pela aplicação da versão completa do instrumento no dos 10 itens da ENP por meio de análise fatorial con-
segundo estudo. Neste, buscou-se acessar as qualidades firmatória. Como esperado, os itens de valência oposta
psicométricas da ENP por meio de análise fatorial con- não apresentaram peso suficiente no modelo (λ <
firmatória, que será descrita a seguir. 0,30). Ademais, esses itens também apresentaram baixa
variância (r2) explicativa da variável latente (Item 01 =
Estudo 2. Confirmação da Estrutura da Escala de Ne- 0,053; Item 03 = 0,003; e Item 07 = 0,001) em compa-
cessidade de Pertença ração aos outros itens da medida (> 0,23), além de alta
Decidiu-se submeter o instrumento a análise variância residual (Item 01 = 0,947; Item 03 = 0,997; e
fatorial confirmatória com o intuito de comprovar a Item 07 = 0,999). Sendo assim, optou-se pela exclusão
estrutura unifatorial sugerida no estudo anterior, bem destes do instrumento.
como testar a invariância fatorial da medida quanto ao Dando prosseguimento, os indicadores de ajuste
gênero dos participantes. Para este estudo, manteve-se do modelo forneceram os seguintes resultados para
todos os itens da escala original. a estrutura unifatorial com sete itens: χ²/df = 2,28,
CFI = 0,96, TLI = 0,93, RMSEA = 0,08 (90% CI =
Participantes 0,028-0,209), Pclose = 0,072. Como observado, todos
Participaram 185 indivíduos, com idade média de os índices apresentaram valores satisfatórios. Ademais,
28,4 (DP = 7,06), sendo a maioria do sexo feminino todos os lambdas da medida foram estatisticamente
(60,5%), solteira (64,9%), com ensino superior incom- diferentes de zero (z ≠ 0; z > 1,96, p < 0,05), variando
pleto (45,4%) e autodeclarando-se de classe média de 0,41 (Item 01) a 0,82 (Item 06). A estrutura final
(82,2%). pode ser observada na Figura 1.

Instrumentos
Devido ao propósito deste estudo, utilizou-se
os mesmos instrumentos previamente descritos no
Estudo 1.

Procedimento

Coleta de Dados
Tal como o estudo anterior, nesta oportunidade,
utilizou-se os recursos digitais e lápis e papel para a
coleta de dados.

Análise de Dados
Utilizou-se o software estatístico AMOS, versão Figura 1. Estrutura fatorial da Escala de Necessidade de
22, onde foi realizada análise fatorial confirmatória Pertença.
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Em seguida, testou-se a invariância do instru- da medida independe do gênero dos respondentes.


mento quanto ao gênero dos participantes por meio Ademais, assim como no primeiro estudo, a escala apre-
de uma AFCMG. Considerou-se o Δχ² e ΔRMSEA, sentou nível de confiabilidade acima do recomendado
os quais devem ser, respectivamente, não significativos pela literatura (Kline, 2013).
e menores que 0,015 (Damásio, 2013). Os resultados Tendo a ENP apresentado qualidades psico-
encontrados atestam a invariância do instrumento, métricas consistentes por meio de análises fatoriais
como pode ser observado na Tabela 2. exploratória e confirmatória, decidiu-se testar tam-
Por fim, verificou-se novamente a consistência bém o instrumento quanto a sua validade convergente.
interna do instrumento por meio do alfa de Cronbach. Desse modo, em virtude de fornecer evidências robus-
Mais uma vez, os resultados demonstram uma confiabi- tas, no que se refere à qualidade da presente medida
lidade satisfatória para a escala (α = 0,83). para utilização no contexto brasileiro, delineou-se um
terceiro estudo com foco nos seus correlatos.
Discussão Parcial
Estudo 3. Correlatos da Escala de Necessidade de Per-
Este estudo objetivou fornecer evidências mais tença
robustas quanto à estrutura da ENP no contexto brasi- Nesse último estudo, objetivou-se fornecer evi-
leiro. Primeiramente, optou-se por testar o instrumento dências quanto a validade convergente do instrumento,
com todos os seus dez itens. Contudo, os resultados correlacionando-o com outros construtos. Para tal,
apontaram que, assim como na análise fatorial explo- contou-se com itens de personalidade, valores huma-
ratória, os três itens com valência oposta apresentaram nos e solidão que, por representarem diferentes níveis
resultados insatisfatórios. Estes não apresentaram peso de estabilidade temporal, contribuem para um melhor
suficiente no modelo, baixo poder de explicação e alta entendimento acerca da ENP.
variância residual. Tais resultados demonstram que esses
itens não seriam relevantes em uma constituição final Participantes
do instrumento, sendo pouco informativos para o traço Contou-se com uma amostra de conveniência de
latente mensurado e apresentando alta variação externa 232 indivíduos, com idade média de 26,3 (DP = 7,06),
ao item. Sendo assim, optou-se por excluí-los das análi- sendo a maioria do sexo feminino (54,3%), com ensino
ses posteriores. Repetindo-se a AFC, dessa vez com sete superior incompleto (40,5%) e autodeclarando-se de
itens, foi possível atestar índices satisfatórios quanto classe média (83,5%).
a sua unifatorabilidade, corroborando-se a estrutura
sugerida pelos autores do instrumento (Schreindorfer Instrumentos
& Leary, 1996). Além da versão com sete itens da ENP e do
Uma vez que eventuais diferenças podem fazer questionário demográfico, considerou-se os seguintes
com que o instrumento não funcione adequadamente instrumentos:
para diferentes grupos, optou-se por averiguar a inva- Inventário dos Cinco Grandes Fatores (ICGF). Pro-
riância do instrumento em relação ao gênero dos posta por John, Donahue e Kentle (1991) com 44
participantes, com os resultados encontrados con- itens, foi adaptado por Andrade (2008) para o Brasil.
firmando a invariância fatorial em todos os níveis do Entretanto, neste estudo, foi utilizada uma versão com
modelo (Damásio, 2013), indicando que a qualidade 20 itens, como sugerido por Schmitt, Allik, McCrae e

Tabela 2
Invariância Fatorial do Instrumento quanto ao Gênero
Modelo χ²(gl) Δχ²(gl) RMSEA ΔRMSEA
Invariância configural 55,575 (28) 0,075
Invariância métrica 59,492 (34) 3,917 (6) 0,066 0,009
Invariância estrutural 59,507 (35) 0,015 (1) 0,064 0,002
Invariância residual 61,591 (52) 2,084 (17) 0,052 0,012
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Coelho, G. L. H. & cols. Validação da ENP 145

Benet-Martínez (2007). No instrumento, o indivíduo personalidade, observou-se correlação positiva e signi-


deve indicar o quão ele se percebe em relação a determi- ficativa com o fator neuroticismo (r = 0,27, p < 0,01).
nadas sentenças (e.g., “É conversador, comunicativo”, Já quanto à solidão, a ENP correlacionou-se positiva-
“É sociável, extrovertido”.) em uma escala de cinco mente com o fator emocional (r = 0,42, p < 0,01). Por
pontos, variando de 1 (Discordo Totalmente) a 5 (Concordo fim, no que se refere aos valores humanos, a ENP se
totalmente). Apresentou alfa de 0,81 neste estudo. correlacionou significativamente com a subfunção inte-
Escala de Solidão de De Jong Gierveld. Escala desenvol- rativa (r = 0,48, p < 0,01).
vida por Jong-Gierveld e Tilburg (2006) e adaptada ao Posteriormente, para conhecer se os diferen-
Brasil por Coelho, Fonseca, Gouveia, Wolf e Vilar (no tes preditores considerados neste estudo explicam a
prelo), visando avaliar duas dimensões da solidão: emo- ENP de maneira conjunta, optou-se pela realização
cional (e.g., “Sinto falta de ter pessoas ao meu redor”, de uma análise de regressão múltipla, método enter,
“Sinto-me rejeitado frequentemente”) e social (e.g., controlando-se o efeito das variáveis que apresentaram
“Há pessoas o suficiente a quem me sinto próximo”, correlação significativa com a ENP. As seguintes variá-
“Há muitas pessoas com quem eu posso contar quando veis apresentaram resultados significativos: interativa (β
tenho problemas”.). É respondida em uma escala de = 0,46, p < 0,01) e solidão emocional (β = 0,40, p <
cinco pontos, variando de 1 (Discordo totalmente) a 5 (Con- 0,01). Esses preditores explicaram conjuntamente 39%
cordo totalmente). Neste estudo, apresentou alfa de 0,72. da variância total.
Questionário dos Valores Básicos (QVB). Desenvol- Por fim, optou-se por testar novamente a confiabi-
vido por Gouveia (2003, 2013), compreende 18 valores lidade do instrumento. Assim como nos outros estudos,
com descrições breves (e.g., “Apoio social. Obter ajuda obteve-se resultado satisfatório (α = 0,84).
quando a necessite”, “sentir que não está só no
mundo”, “Convivência. Conviver diariamente com os Discussão Parcial
vizinhos”, “fazer parte de algum grupo, como social ou
esportivo”.), divididos igualmente em seis subfunções Para fornecer evidências adicionais quanto à vali-
valorativas. Dados os fins deste estudo, focou-se apenas dade da ENP, resolveu-se correlacioná-la com outros
na subfunção interativa. O instrumento é respondido construtos, como personalidade, valores humanos e
em uma escala de 7 pontos, variando de 1 (Totalmente não solidão, que apesar de apresentarem contribuições
importante) a 7 (Extremamente importante). Neste estudo, prévias para o entendimento de relacionamentos inter-
apresentou alfa de 0,83. pessoais, diferenciam-se quanto à estabilidade temporal,
à função e à natureza do construto (Gouveia, 2013). No
Procedimento que tange a personalidade, variável de maior resistência
devido à natureza disposicional da medida e de um com-
Coleta de Dados ponente genético mais determinante (Penke, Denissen,
Este estudo foi conduzido exclusivamente on-line, & Miller, 2007), a única correlação significativa foi
sendo divulgado por meio das redes sociais. O ende- com neuroticismo, traço que apresentou maior corre-
reço eletrônico continha todas as informações quanto lação nos estudos de Leary et al. (2013). Essa relação
aos aspectos éticos da pesquisa, bem como um e-mail pode ser explicada pelo fato de indivíduos que expe-
para contato em caso de dúvidas a respeito de como rienciam alta necessidade de pertencer por vezes não
proceder com a pesquisa. se sentirem adequadamente aceitos pelos seus pares,
desenvolvendo assim comportamentos e sentimentos
Análise de Dados negativos (e.g., agressividade, ansiedade, solidão; Leary
Utilizou-se os softwares estatísticos SPSS, versão et al., 2006; Leary et al., 2001).
22, no qual foram realizadas correlações r de Pearson, Dada a incerteza de aceitação dos pares em relação
regressão múltipla e análise de confiabilidade. ao indivíduo, pessoas que apresentam altos escores de
neuroticismo podem apresentar certo grau de insegu-
Resultados rança a respeito dos seus relacionamentos (Leary et al.,
2013). Os autores citam que essa busca por aceitação
Para fornecer evidências quanto à validade con- seria uma forma desses indivíduos lidarem com os seus
vergente do instrumento, correlacionou-se a ENP sentimentos negativos. Apesar do resultado na corre-
com diferentes construtos. Quanto aos fatores de lação, é relevante pontuar que o traço não apresentou

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resultado significativo quando inserido no modelo de a qualidade de vida e bem estar deles, levando-os a
regressão junto a outras variáveis. vivenciar situações prejudiciais, como sentimentos de
Essa possibilidade de desenvolvimento de senti- solidão e insatisfação (Mellor et al., 2008), depressão e
mentos negativos também ajuda a explicar a correlação ideação suicida (Vanderhorst & McLaren, 2005), entre
da ENP com a solidão emocional. Segundo Weiss outros. Sendo assim, sabendo da relevância do cons-
(1973), esse tipo de solidão ocorre quando há uma falta truto para o estudo dos relacionamentos interpessoais
de relacionamentos mais íntimos na vida do indivíduo e sua importância para o bem-estar dos indivíduos,
(e.g., melhor amigo, família, parceiro romântico), inci- objetivou-se, por meio de três estudos, testar os parâ-
dindo comumente após separações ou perdas. Sendo metros psicométricos da ENP no contexto brasileiro,
assim, o indivíduo acaba experienciando um forte senti- bem como apresentar evidências de sua confiabilidade
mento de vazio ou abandono, o que ajudaria a explicar a e validade convergente.
correlação significativa entre as variáveis e a inclusão no O primeiro estudo objetivou averiguar como a
modelo explicativo da necessidade de pertencer. Uma medida se comportaria em ambiente brasileiro. Para
vez que estabelecer relacionamentos é uma motivação tanto, realizou-se análise fatorial exploratória, encon-
fundamental na natureza humana (Baumeister & Leary, trando a mesma estrutura unifatorial proposta por
1995), a falta destes geraria um aumento na necessidade Schreindorfer e Leary (1996). Contudo, os três itens
de constituir laços mais íntimos. que apresenta valência oposta aos demais apresentaram
No que se refere aos valores humanos, estes tam- saturações insatisfatórias. Dentre estes, dois também não
bém se apresentaram importantes para a explicação conseguiram diferenciar participantes com magnitudes
da ENP. Trata-se de um construto que transcende próximas no traço latente. Pesquisas têm demostrado
situações específicas, é estável transculturalmente e que itens negativos têm apresentado limitações quando
tem a função de guiar e representar as necessidades inseridos em instrumentos gerais\unifatoriais, sendo
dos indivíduos. (Gouveia, 2013). No presente estudo, um problema do ponto de vista psicométrico (Bond et
observou-se correlação significativa com a subfunção al., 2011; Credé et al., 2009; Schweizer & Rauch, 2008;
interativa dos valores humanos. Dita subfunção con- Spector et al., 1997).
siste em um construto com forte componente cultural, Para o segundo estudo, optou-se pela manu-
que representa cognitivamente a maneira como as pes- tenção desses itens na realização da análise fatorial
soas se comportam, com foco específico na interação confirmatória, uma vez que esta é mais robusta que
interpessoal (Gouveia, Milfont, Vione, & Santos, 2015). a análise fatorial exploratória. Com o instrumento
Desse modo, por ter um motivador fundamentado nas completo, entretanto, mais uma vez os itens em ques-
necessidades humanitárias, um tipo de orientação social tão apresentaram resultados insatisfatórios. Esses não
e por representar cognitivamente as necessidades de apresentaram peso suficiente no modelo, baixo poder
amor, afeto e afiliação (Gouveia, 2013), essa subfunção de explicação e alta variância residual em comparação
pode ser considerada um dos principais explicadores da com os outros itens do instrumento. Tais resultados
necessidade de pertença. Nessa direção, os achados do atestam que a exclusão desses itens não acarreta em
presente estudo justificam a forte correlação dessa sub- perda para o instrumento. Sendo assim, confia-se
função com a ENP e o poder de explicação observado que a estrutura com sete itens é a mais adequada para
em regressão múltipla. continuidade das análises. Prosseguindo com essa
estrutura, realizou-se uma nova análise fatorial con-
Discussão firmatória com todos os índices apresentando níveis
satisfatórios (Byrne, 2013; Hair et a., 2015), na análise
O estabelecimento de relacionamentos é fatorial confirmatória.
fundamental no desenvolvimento dos indivíduos Ainda no segundo estudo, uma vez que houve
(Baumeister & Leary, 1995), sendo um dos indicadores redução quanto ao número de itens do instrumento,
mais importantes do bem-estar pessoal (Jong-Gierveld optou-se pela averiguação da sua invariância fatorial
& Tilburg, 2006). Baumeister e Leary (1995) citam que quanto ao gênero dos participantes. Tal análise ajuda a
a privação no desenvolvimento e manutenção de rela- constatar se a medida está se comportando de maneira
cionamentos pode levar indivíduos a apresentarem similar quanto a diferentes grupos. Nesse caso, a medida
alterações nos seus comportamentos, emoções e pen- comportou-se de maneira adequada, mostrando que
samentos. Consequentemente, essas alterações afetam sua robustez independe de gênero.
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Por fim, o terceiro estudo reuniu evidências principalmente quanto ao traço neuroticismo e à sub-
quanto à convergência da ENP, correlacionando o função interativa.
instrumento significativamente com outros constru- Concluindo, confia-se que os objetivos da pre-
tos, como personalidade, valores humanos e solidão. sente pesquisa tenham sido alcançados, fornecendo
Também se observou o poder explicativo das variá- evidências quanto à estrutura da medida em ambiente
veis que apresentaram correlação com a ENP, sendo brasileiro, bem como correlatos com diferentes cons-
o fator de solidão emocional e a subfunção interativa trutos. O instrumento também apresentou evidências
dos valores humanos os preditores significativos. Se há satisfatórias quanto a sua confiabilidade. Acredita-se
falta de relacionamentos mais íntimos na vida de um que esta pesquisa possibilite o desenvolvimento de
indivíduo, é plausível imaginar que este apresentaria novos estudos no âmbito de relacionamentos intergru-
uma maior necessidade de pertencer, uma vez que os pais, bem-estar, personalidade, entre outros.
relacionamentos constituem uma motivação humana
(Baumeister & Leary, 1995). Indo na mesma direção, Referências
a subfunção interativa tem foco na interação interpes-
soal, representando cognitivamente as necessidades de American Psychological Association. (2010). Ethical
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das variáveis. [Link]
Nos três estudos, também se procurou testar Andrade, J. M. (2008). Evidências de validade do inventá-
a confiabilidade do instrumento por meio do alfa de rio dos cinco grandes fatores de personalidade para o Brasil
Cronbach, apresentando resultados satisfatórios em (Tese de doutorado). Universidade de Brasília, Bra-
todos (α > 0,81). Desse modo, reunindo-se todas as sília, DF.
evidências presentes nos três estudos desenvolvidos,
atesta-se a possibilidade de utilização da ENP em Baumeister, R. F., & Leary, M. R. (1995). The need to
ambiente brasileiro. belong: Desire for interpersonal attachments as a
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Considerações Finais
Bond, F. W., Hayes, S. C., Baer, R. A., Carpenter, K. M.,
Guenole, N., Orcutt, H. K.,… Zettle, R. D. (2011).
Contudo, apesar dos resultados terem demons-
Preliminary psychometric properties of the ac-
trado a qualidade do instrumento e sua possibilidade de ceptance and action questionnaire – II: A revised
aplicação, faz-se necessário o levantamento de poten- measure of psychological inflexibility and experi-
ciais limitações no desenvolvimento desta pesquisa. ential avoidance. Behavior Therapy, 42(4), 676-688.
Destaca-se que as amostras utilizadas não foram pro- doi: 10.1016/[Link].2011.03.007
babilísticas, o que restringe os resultados encontrados.
Também se pontua a possibilidade de limitação advinda Boyd, D. M., & Ellison, N. B. (2007). Social network
da desejabilidade social, viés de resposta associado à sites: Definition, history, and scholarship. Journal of
medida de autorrelato. Computer Mediated Communication, 13, 210-230. doi:
Ademais, sabendo da importância da necessi- 10.1111/j.1083-6101.2007.00393.x
dade de pertença para o estudo dos relacionamentos Byrne, B. M. (2013). Structural equation modeling with
interpessoais, sugere-se o desenvolvimento de novos AMOS: Basic concepts, applications, and programming,
estudos, provendo assim mais evidências para o cons- second edition. Routledge.
truto e auxiliando no seu entendimento. Tais estudos
podem focar nas diferenças culturais existentes quanto Coelho, G. L. H., Fonseca, P. N., Gouveia, V. V., Wolf,
à necessidade de pertencer, bem como observar se L. J., & Vilar, R. (no prelo). De Jong Gierveld loneli-
há diferenças entre diferentes grupos quanto à expe- ness scale (short version): Validation to Brazilian context.
Paidéia (Ribeirão Preto).”, com o itálico apenas na
riência do fenômeno (e.g., solteiros\casados; jovens\
revista, obedecendo as normas da APA.
adultos\idosos). Também se considera relevante estu-
dar mais profundamente a relação entre a necessidade Credé, M., Chernyshenko, O. S., Bagraim, J., & Sully,
e construtos como personalidade e valores humanos, M. (2009). Contextual performance and the job
Psico-USF, Bragança Paulista, v. 23, n. 1, p. 139-150, jan./mar. 2018
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Nota dos autores:

Agradecimentos: Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e Conselho Nacional


de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por bolsas de Doutorado Pleno concedidas ao primeiro e
último autor.

Sobre os autores:

Gabriel Lins de Holanda Coelho é mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é
doutorando em Psicologia pela Cardiff University, País de Gales. Seus interesses de pesquisa centram-se na psicologia
social dos valores humanos, relacionamentos interpessoais e construção e adaptação de medidas.
E-mail: linshc@[Link]

Valdiney V. Gouveia é professor titular de Psicologia Social na Universidade Federal da Paraíba ([Link]
net) e pesquisador nível 1A do CNPq, atuando como consultor de agências nacionais e internacionais de fomento à
pesquisa. É autor de diversas publicações, como o livro “Teoria Funcionalista dos Valores Humanos: Fundamentos,
Aplicações e Perspectivas”, teoria a qual desenvolveu e tem se dedicado em suas pesquisas.
E-mail: vvgouveia@[Link]

Patrícia Nunes da Fonsêca é doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e bacharel em
Direito pelo Centro Universitário de João Pessoa (PB). Atualmente, é professora da graduação em Psicopedagogia e
pós-graduação em Psicologia Social da Universidade Federal da Paraíba.
E-mail: patynfonseca@[Link]

Rafaella de Carvalho Rodrigues Araújo é doutora em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e dou-
toranda em Psicologia na mesma instituição. Seus interesses de pesquisa centram-se na psicologia social dos valores
humanos e personalidade.
E-mail: rafaellacra@[Link]

Roosevelt Vilar é mestre em Psicologia Social pela Universidade Federal da Paraíba e, atualmente, é doutorando em
Psicologia na Massey University, Nova Zelândia. Seus interesses de pesquisa centram-se na psicologia social dos valores
humanos e relações transculturais.
E-mail: [Link]@[Link]

Contato com os autores:

Gabriel Coelho
School of Psychology
Tower Building. 70 Park Place, Cardiff (United Kingdom).
CF10 3AT
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