O vento soprava devagar, como se tivesse preguiça de atravessar a rua estreita coberta de
folhas secas. Um gato preto observava tudo do alto de um muro, com aquele olhar de quem
entende os segredos que ninguém mais percebe. Dentro da padaria, o cheiro de pão recém-
assado se misturava ao som de uma velha canção que vinha do rádio. Uma senhora contava
histórias antigas para o padeiro, histórias que talvez fossem inventadas, mas que soavam reais
demais pra duvidar. E assim, entre migalhas, sorrisos e o vai e vem da vida, o dia seguia seu
curso — simples, mas cheio de pequenos mistérios que só quem presta atenção consegue
notar.