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Biografias de Nara Leão e Raul Seixas

Nara Leão foi uma influente cantora e compositora brasileira, conhecida como a musa da Bossa Nova e por seu ativismo político durante a ditadura militar. Raul Seixas, considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, teve uma carreira marcada por sucessos e problemas pessoais, incluindo alcoolismo, e faleceu em 1989. Ambos artistas deixaram um legado significativo na música brasileira, refletindo suas experiências e contextos sociais.
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Biografias de Nara Leão e Raul Seixas

Nara Leão foi uma influente cantora e compositora brasileira, conhecida como a musa da Bossa Nova e por seu ativismo político durante a ditadura militar. Raul Seixas, considerado um dos pioneiros do rock brasileiro, teve uma carreira marcada por sucessos e problemas pessoais, incluindo alcoolismo, e faleceu em 1989. Ambos artistas deixaram um legado significativo na música brasileira, refletindo suas experiências e contextos sociais.
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PESQUISA- ARTISTAS

*Nara Leão*

Nara Lofego Leão (Vitória, 19 de janeiro de 1942 — Rio de Janeiro, 7


de junho de 1989) foi uma cantora, compositora e instrumentista
brasileira.
Filha caçula do casal capixaba Jairo Leão, advogado, e Altina Lofego,
professora. Pelo lado paterno era descendente de portugueses, dos
Açores, e pelo materno era descendente de imigrantes italianos da
vila de Castelluccio Superiore, na região da Basilicata, que imigraram
para o Espírito Santo no século XIX (famílias D'Amico e Lofiego).
Nara nasceu em Vitória e mudou-se para o Rio de Janeiro quando
tinha apenas um ano de idade, com os pais e a irmã, a jornalista
Danuza Leão.
Durante a infância, Nara teve aulas de violão com Solon Ayala e
Patrício Teixeira, ex-integrante do grupo Os Oito Batutas, de
Pixinguinha. Aos 14 anos, em 1956, resolveu estudar violão na
academia de Carlos Lyra e Roberto Menescal, que funcionava em um
quarto-e-sala na rua Sá Ferreira, em Copacabana. Aos 18 anos, Nara
tornou-se professora da academia.
A estreia profissional de Nara se deu quando da participação, ao lado
de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra, na comédia Pobre Menina Rica
(1963). O título de musa da Bossa Nova foi a ela creditado pelo
cronista Sérgio Porto. Mas a consagração efetiva ocorre após o
golpe militar de 1964, com a apresentação do espetáculo Opinião, ao
lado de João do Vale e Zé Keti, um espetáculo de crítica social à dura
repressão imposta pelo regime militar. Maria Bethânia, por sua vez, a
substituiria no ano seguinte, pois Nara precisara se afastar por estar
afônica em consequência da poeira do teatro. Nota-se que Nara
Leão vai mudando suas preferências musicais ao longo dos anos
1960. De musa da Bossa Nova, passa a ser cantora de protesto e
simpatizante das atividades dos Centros Populares de Cultura da
UNE. Embora os CPCs já tivessem sido extintos pela ditadura, em
1964, o espetáculo Opinião tem forte influência do espírito
cepecista. Em 1966, interpretou a canção A Banda, de Chico
Buarque no Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), que
ganhou o festival e público brasileiro.
Nara também aderiu ao movimento tropicalista, tendo participado do
disco-manifesto do movimento - Tropicália ou Panis et Circensis,
lançado pela Philips em 1968 e disponível hoje em CD.
Em 1989 fez sua última apresentação no Pará. Ao voltar para o Rio,
sua saúde piorou, com dores que não passavam nem com a
medicação prescrita pelo médico. A crise se deu após uma
convulsão, quando a cantora precisou ser internada às pressas. Nara
entrou em estado pré-comatoso e, pouco depois, em coma. Após
passar um bom tempo no hospital, o tumor repentinamente rompeu-
se, e Nara teve uma hemorragia fatal, não havendo tempo hábil para
que os médicos pudessem salvá-la. A cantora morreu na Casa de
Saúde São José, em 7 de junho, uma quarta-feira, ao meio-dia, e
sepultada no Cemitério de São João Batista, também na capital
fluminense.

*Raul Seixas*

Raul Santos Seixas (Salvador, 28 de junho de 1945 — São Paulo, 21


de agosto de 1989) foi um cantor, compositor, produtor e multi-
instrumentista brasileiro, frequentemente considerado um dos
pioneiros do rock brasileiro. Também foi produtor musical da CBS,
durante sua estadia na cidade do Rio de Janeiro e, por vezes, é
chamado de Pai do Rock Brasileiro e Maluco Beleza. Sua obra
musical é composta por dezessete discos lançados durante 26 anos
de carreira.
Embora Raul mantivesse um gosto muito sincero pela música, seu
sonho maior era ser escritor como Jorge Amado. Na sua cidade,
escutavam Luiz Gonzaga todos os dias, nas praças, nas casas, em
todos os estabelecimentos. Enquanto isso, Raul junta-se à cena do
Rock, que se formava em Salvador. "Em 54/55, ninguém sabia o que
era rock. Eu tocava e me atirava no chão imitando Little Richard."
Com o passar do tempo, a banda que chegou a ter diversos nomes,
como Relâmpagos do Rock, formadas então pelos irmãos Délcio e
Thildo Gama, passa por várias formações e, em 1963, passa a se
chamar The Panters, banda que agora já se tornara sensação de
Salvador. A fama se espalha e a banda é rebatizada pelo nome Os
Panteras, tendo em sua formação definitiva além de Raulzito, os
integrantes Mariano Lanat, Eládio Gilbraz e Carleba. Em 1967, Raul
Seixas começa um relacionamento com Edith Wisner, filha de um
pastor protestante americano. O pai de Edith não aceita o namoro da
filha. Em 6 meses, Raul completa o segundo grau, faz cursinho pré-
vestibular e passa em Direito, Psicologia e Filosofia. Com isso, casa-
se com Edith. Logo em seguida, abandona os estudos, volta a reunir
os Panteras e aceita o convite de Jerry Adriani para ir para o Rio de
Janeiro.
Em 1968, Raulzito e os Panteras gravam o seu primeiro e único
disco, Raulzito e os Panteras. Assinando contrato com a gravadora
EMI-Odeon, após encontrarem Chico Anysio e Roberto Carlos, que
os reconheceu nos corredores de uma grande gravadora. O disco no
entanto não teria sucesso de critica nem de público. Eládio Gilbraz,
um dos panteras, diria: "De um lado, havia a inexperiência de quatro
rapazes, recém-chegados da Bahia, falando em qualidade musical,
agnosticismo, mudança de conceitos e sonhos. Do outro lado, uma
multinacional que só falava em "comercial". Talvez não tenha sido o
disco que o grupo imaginara, mas o nosso sonho era gravar um
disco. A partir daí, Raulzito e os Panteras passariam sérias
dificuldades no Rio de Janeiro. Raul morava em Ipanema e ia a pé até
o centro da cidade, para tentar divulgar as suas músicas, não
obtendo sucesso. Algumas vezes, os Panteras recebiam ajuda de
Jerry Adriani, tocando como banda de apoio, o que, segundo o
próprio Raul, lhe deu muita experiência e lhe ajudou a descobrir
como se comunicar, pois suas "músicas eram muito herméticas".
Raulzito passaria então fome no Rio de Janeiro (como mais tarde
escreveria em Ouro de Tolo).
Raul Seixas estava totalmente abalado pelo fracasso com Os
Panteras, e a sua volta a Salvador. Escrevia ele: "Passava o dia inteiro
trancado no quarto lendo filosofia, só com uma luz bem fraquinha, o
que acabou me estragando a vista [...] Eu comprei uma motocicleta
e fazia loucuras pela rua." No entanto a sorte começaria a mudar, um
dia, conhece na Bahia um diretor da CBS Discos. Mais tarde ele
convidaria Raul para ser produtor da gravadora. Sem pensar duas
vezes, ele faz as malas, junto a Edith, e volta para o Rio. Raul volta ao
Rio para usar seus enciclopédicos conhecimentos de música como
produtor fonográfico. Nos cadernos de composições de Raul
começaria a ser alimentada uma revolução. Esta seria a segunda
chance de Raul, apostando no talento do amigo, Jerry Adriani
convence o então presidente da CBS, Evandro Ribeiro, a dar a
Raulzito um emprego de produtor. Raulzito trabalhou anonimamente
por um bom tempo.
Em 1972, Raul Seixas decide participar do Festival Internacional da
Canção, sendo convencido por Sérgio Sampaio. O cantor compõe
duas músicas, "Let Me Sing, Let Me Sing", defendida pelo próprio
Raul e "Eu Sou Eu e Nicuri é o Diabo", defendida por Lena Rios & Os
Lobos. Ambas chegam a final, obtendo sucesso de critica e de
público. Rapidamente, Raul foi contratado pela gravadora Philips. Na
época, ele também se interessa por um artigo sobre extraterrestres
publicado na revista A Pomba e tem o seu primeiro contato com o
escritor Paulo Coelho, que mais tarde, se tornaria seu parceiro
musical.
No ano de 1974, Raul Seixas e Paulo Coelho criam a Sociedade
Alternativa, uma sociedade baseada nos preceitos do bruxo inglês
Aleister Crowley, praticamente repetindo o chamado Livro da Lei. O
cantor foi levado pelo escritor a conhecer uma ordem filosófica
baseada na Lei de Thelema, desenvolvida por Crowley.
Em 1975, Raul Seixas casa-se com Glória Vaquer, e grava o LP Novo
Aeon, onde compôs junto com Paulo Coelho, uma de suas músicas
mais conhecidas, "Tente Outra Vez", que seria creditada juntamente
com Marcelo Motta, por quem eram discipulados na Astrum
Argentum (AA). Em 1976, Raul supera a má-vendagem do disco
Novo Aeon com o álbum Há Dez Mil Anos Atrás. Em 1977, nasce no
Brasil uma nova gravadora, a WEA, que se interessa em contratar
Raul Seixas. Por volta deste período, intensifica-se a parceria com o
amigo Cláudio Roberto, com quem Raul compôs várias de suas
canções mais conhecidas. partir do ano de 1978, começa a ter
problemas de saúde devido ao alcoolismo lhe causando a perda de
1/3 do pâncreas. Raul passa alguns meses numa fazenda na Bahia,
para se recuperar da pancreatite. No ano de 1979, Raul separa-se de
Tania. Começa então, a depressão de Raul Seixas junto com uma
internação para tratar do alcoolismo. Em 1980, assina novamente
contrato com a CBS (desta vez como cantor) lançando mais um
álbum, Abre-te Sésamo, que contém outros sucessos e têm as faixas
"Rock das 'Aranha'" e "Aluga-se" censuradas. Em 1981, nasce a
terceira filha, Vivian, fruto de seu casamento com Kika. Em 1982, faz
um show na praia do Gonzaga, em Santos, reunindo mais de 150 mil
pessoas. Em 1983, Raul é convidado para gravar um disco pelo
Estúdio Eldorado. Em 1984, grava o LP "Metrô Linha 743" pela
gravadora Som Livre. Em 1985, separa-se de Kika Seixas. Faz um
show em 1 de dezembro 1985, no Estádio Lauro Gomes, na cidade
de São Caetano do Sul. Em 1986 grava um disco que foi lançado
somente no ano seguinte, devido ao alcoolismo de Raul. Um ano
mais tarde, 1988, já separado de Lena, faz seu último álbum solo, A
Pedra do Gênesis. No ano de 1989, faz uma turnê com Marcelo
Nova, agora parceiro musical, totalizando 50 apresentações pelo
Brasil.
As 50 apresentações pelo Brasil resultaram naquele que seria o
último disco lançado em vida por Raul Seixas. O disco foi intitulado
de A Panela do Diabo, que foi lançado pela Warner Music Brasil no
dia 22 de agosto de 1989. Na manhã do dia 21 de agosto, Raul
Seixas foi encontrado morto sobre a cama, por volta das oito horas
da manhã em seu apartamento em São Paulo, vítima de uma parada
cardíaca: seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético, e por
não ter tomado insulina na noite anterior, causaram-lhe uma
pancreatite aguda fulminante. No dia seguinte seu corpo foi levado
por via aérea até Salvador e sepultado às 17 horas, no Cemitério
Jardim da Saudade.

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