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Dinâmicas de Identidade nas Redes Sociais

O documento explora como as plataformas de redes sociais moldam a socialidade e a identidade através de diferentes dinâmicas, como a economia da atenção e a personalização algorítmica. Ele discute a transição de uma lógica social para uma algorítmica, onde o conteúdo e as interações são guiados por algoritmos, afetando a autoapresentação e a percepção do 'eu'. Além disso, aborda a complexidade da identidade online, que é construída e negociada em um contexto de interações sociais mediadas digitalmente.
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Dinâmicas de Identidade nas Redes Sociais

O documento explora como as plataformas de redes sociais moldam a socialidade e a identidade através de diferentes dinâmicas, como a economia da atenção e a personalização algorítmica. Ele discute a transição de uma lógica social para uma algorítmica, onde o conteúdo e as interações são guiados por algoritmos, afetando a autoapresentação e a percepção do 'eu'. Além disso, aborda a complexidade da identidade online, que é construída e negociada em um contexto de interações sociais mediadas digitalmente.
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Performances do self online

Efeitos da Economia da Atenção


As relações guiam a socialidade

Social friend driven – relação social como ponto de partida e cerne das interações.

A escolha da conexão baseia-se no interesse pela pessoa, e depois pelos conteúdos.

A dimensão relacional é a privilegiada por parte das plataformas que nos mostram os
amigos e as redes em comum.

Os conteúdos produzidos nessas plataformas são valorizados por serem


enquadráveis a partir da pessoa que nos interessa.
Os conteúdos guiam a socialidade

Social contente driven. Aqui é o interesse pelos conteúdos o que molda


a rede dos contatos.

O interesse pela pessoa é secundário, esta junta-se aos nossos


contactos só depois de termos avaliado o que posta no seu “canal”,
“pin”, “perfil”.

Interesses específicos partilhados que norteiam relações e ramificam as


redes de contacto.
Unidos pelas atividades e pelos algoritmos
Social activity driven. As pessoas partilham o interesse pela mesma prática e necessidade.
Boleias e poupanças norteiam o sharing nas apps como blablacar ou airbnb.

A partir da partilha da atividade estimula-se a sociabilidade buscando convergências


secundárias: playlists musicais para viajar, histórico e atualizações sobre viagens para
alargar a rede social etc.
Social algorithm driven. É a computação do machine learning da plataforma que sugere o
consumo e a relação entre utilizadores.

Tiktokização do capital social.


The End of Social Media?
Data Attraction Model in the Algorithmic Media Reshapes the Attention Economy
• O "modelo de atração de dados“ favorece produção e distribuição de conteúdos
nas redes sociais baseadas na coleta e no processamento de dados de forma
personalizada.
• No TikTok, os vídeos que aparecem no feed não são priorizados com base nas
conexões do utilizador, mas seguindo os padrões de interação captados pelo
algoritmo.

• Se assistir a vídeos sobre culinária, o algoritmo começa a recomendar mais


conteúdos relacionados, independentemente de quem os produziu.
• Isso cria um ciclo de feedback contínuo, onde os dados sobre o comportamento
do utilizador atraem e moldam novos conteúdos oferecidos a ele.
Criatividade ao serviço dos algoritmos

•Muitos influencers adaptam a estrutura dos seus vídeos com


base no que tem maior taxa de retenção e engagement.
•Se vídeos curtos com música de fundo têm melhor
desempenho, os criadores passarão a produzir mais vídeo neste
formato.
•Isto mostra como o modelo de atração de dados influencia não
apenas a recomendação de conteúdo, mas também a própria
forma como é produzido.
Algoritmos ao serviço do consumo
• Se se assistir repetidamente a vídeos de moda a plataforma vai inserir
publicidades miradas ou influencers que promovem produtos de
moda.
• Os algoritmos se transformam em motores de consumo não
requeridos pelos utilizadores.
• O modelo de atração de dados funciona também no que diz respeito
às notícias, criando eco chambers informativas.
• Passa-se dum modelo de rede social baseada numa lógica social (os
amigos e seguidores) para uma algorítmica (baseada em dados e
padrões de comportamento).
• Do nosso ponto de vista mais imediato somos nós os
agentes que se servem das interfaces das plataformas
para alcançar específicos objetivos: como (naturalmente)
egocêntricos que somos, desconsideramos que na
realidade possamos ser o centro de interesses alheios,
Geridos pelos Poderes capazes, através de um marketing afunilado em
targeting, de fazer-nos sentir mimados e reconhecidos.
Computacionais
• A retórica da desintermediação, com os seus enfoques
nos user-centric, consumer-centric, human-centric,
esconde muitas vezes que as verdadeiras interfaces
somos nós.
Os seres humanos se tornaram interfaces funcionais
Somos interfaces humanas, isto é, espaços de interação entre, dum lado,
“agentes” (humanos, artificiais ou híbridos) que querem algo de nós e, por
outro, algo que nós teríamos como recursos privados para os agentes
rentabilizarem.
• A redução das pessoas em interfaces humanas advém em muitos
contextos, mas três são os mais crucias: no contexto dos social media
somos interfaces entre as suas plataformas e os nossos dados; no âmbito
do comércio somos interfaces entre as suas mercadorias e o nosso
crédito; no mundo da política somos interfaces entre as suas atuações e a
nossa atenção, o nosso consenso e voto.
• O marketing computacional que anima a gestão das interfaces tenciona
oferecer às interfaces humanas o que é expectável estas pedirem, como
também fazer-lhes desejar de forma amigável o que podem oferecer-lhes.
• como é que as pessoas se ligam através dos
novos media, e como é que esse modo de
ligação produz efeitos sobre si próprias e
sobre a sua identidade pessoal?
Os Contextos de
interação nos social • Em que medida o pano de fundo ao qual
media promovem que nos referimos (as redes sociais) favorece o
“jogo” de construção da(s) identidade(s)?
tipo de construção
identitária? • E fá-lo de um modo neutro ou, ao invés,
condiciona esse “jogo”, definindo os termos
em que ele pode ser “jogado”?
duas dinâmicas sociais relevantes no centro
das redes sociais online

• A utilização que é feita das redes sociais desafia:


- a apresentação do eu (i. é, de elementos que giram em torno da noção de identidade),
- a construção e gestão de uma rede de relações (a qual remete para a noção de
comunidade).

• No conjunto que formam com outras páginas pessoais online, os indivíduos configuram-se
como portais da identidade, sob a forma de exibições públicas de ligações (public displays
of connection) nas quais os indivíduos constroem e expressam o seu “eu”.
Temos, contudo, outras formas de ligação nas redes

• Enquanto nas comunidades virtuais os laços surgem de um interesse comum em alguma


temática ou prática (desde comunidades de fãs a comunidades que partilham desafios
comuns), as redes sociais digitais centram-se no indivíduo e nas suas relações,
estabelecendo uma rede “egocêntrica” desenhada a partir de cada sujeito (Boyd e
Ellison, 2007).
O eu no espelho da rede
• O envolvimento imersivo das pessoas nos meios de
comunicação baseia-se na sensação do “eu como
fonte” pelo seu potencial de personalização e
autoexpressão individual.

• As redes sociais tornaram-se um conjunto de


ferramentas para a construção de guiões e narrativas
para a apresentação da identidade
(van Dijck, 2013).
Selfie
• um objetivo importante da selfie é a partilha de uma
auto-representação controlada de si mesmo.
Tomando palavras de Manuel Castells, este
fenómeno enquadra-se num comportamento social
egocêntrico, focado em si e ao mesmo tempo ligado
aos outros, como uma forma emergente de “auto-
comunicação de massa”:
• “é comunicação de massa, porque atinge
potencialmente uma audiência global por meio das
redes de partilha e está ligada à internet. E é
autogerada no seu conteúdo, autodirigida na
emissão e auto-selecionada na receção, por muitas
pessoas, que comunicam com muitos outros
indivíduos” (Castells, 2007: 248,)
Eu(s)

• Em contraste com outros entendimentos, que entendiam a identidade como fixa, essencial e
biologicamente determinada, acompanhámos o pensamento social contemporâneo que
enfatiza a sua dimensão performativa, dinâmica e socialmente construída.

• mais que referirmo-nos à noção singular de ‘identidade’, será mais rigoroso utilizar a noção
plural de ‘identidades’ de cada indivíduo – ou a aceção de uma identidade flexível –, na
medida em que diferentes aspetos da identidade de cada indivíduo podem ser mais
sublimados ou ocultados, dependendo das circunstâncias concretas em que o indivíduo
atua.
Em que medida os recursos existentes potenciam – ou limitam – o
desenvolvimento consistente de uma identidade pessoal?

• Que consequências, em termos de desenvolvimento do “eu” e de aprofundamento da


interação comunicativa, impõem as dimensões de conectividade às formas de sociabilidade
online?

• a nossa capacidade para construir uma identidade online, seja autêntica, parcial ou
manipuladora, pode ser potenciada pelos recursos comunicativos que as plataformas
disponibilizam e pelas competências individuais para as operar. Em maior ou menor grau,
este controlo da apresentação do “eu” envolve ocultamento, transparência ou equilíbrios
estratégicos de partilha de informação, e mesmo até a própria distorção dessa informação.
• Os indivíduos procuram distinguir-se, pela diferença ou pela semelhança, em relação aos
restantes participantes. Os diversos tipos de plataformas de redes sociais oferecem formas
específicas para alcançar esse fim (arquiteturas de espaço, adereços, cores, funções). Com
maior ou menor criatividade, todas as redes sociais disponibilizam um leque de opções para
a apresentação do “eu”.
A identidade é assim configurada nas e pelas suas redes de pertença, através de uma
negociação contínua entre o “eu” individual e as suas diferentes audiências, frente às
quais tende a adotar papéis sociais específicos.

Não como mero produto das ligações de pertença, “amizades” e comunidades de in-
teresse, mas ainda com um sentido claro de “si”, a partir do qual se geram os círculos
sociais e as ligações necessárias à presença online.

Cavanagh (2007: 123) estabelece uma sequência muito precisa para este processo,
cujas consequências veremos na secção seguinte: “a autoapresentação não se segue
à associação, mas a associação à autoapresentação”
Ferramentas para a representação de si

• Zhao et al. (2008) dividem os modos de construção da identidade através do Facebook


em três categorias: (1) o “eu” visual, caracterizado por representações fotográficas. (2) O
“eu” cultural, caracterizado pelo relato de preferências de consumo e gostos (em
categorias destinadas a ‘música’, ‘filmes’, ‘passatempos’, ‘interesses’, etc.). (3) A descrição
verbal explícita do “eu”, visível apenas de forma textual na secção “sobre”.
• a maioria dos participantes inclui fotografia e representações culturais do “eu”,
verificando-se a existência de menos informação na secção “sobre” – o que leva os
autores a concluir que a apresentação do “eu” através do Facebook é mais implícita que
explícita.

• As imagens associadas ao perfil, incluindo as do próprio indivíduo, são marcadores


identitários. Dada a centralidade da imagem de perfil, os utilizadores tendem a atualizá-
la com frequência, num processo progressivamente acelerado, que, no limite, conduzirá a
performances do “eu” “up to the minute” (Creeber & Martin, 2009: 119).
dois elementos interligados que evidenciam a
importância da imagem de perfil

• primeiro, por sinalizar o modo como o indivíduo pretende ser percebido pelos outros;
depois, ao enquadrar esta questão sob a perspetiva do reconhecimento intersubjetivo,
deixa entrever um “eu” que procura no olhar do outro a confirmação da própria
existência.
• A gestão do eu como representação (performance) remete para uma construção
identitária parcialmente idealizada.

• As particularidades do meio digital permitem a construção da representação seja mais


rápida e mais fácil, facilitando a construção de “máscaras” distintas, em diferentes
espaços de interação, nem sempre coerentes entre si.
egotelling

A criação de um “eu espacial”, em que os indivíduos documentam, arquivam e exibem as suas


experiências e/ou mobilidades dentro do espaço, e as publicam, com isso representando
aspetos da sua identidade perante outros.

• O egotelling oferece à sua audiência toda uma vasta performance, composta pelos seus
gostos e preferências, pelas suas atualizações de “estado” (com comentários originais, frases
célebres, videoclips, anúncios, etc.), por recomendações de ligações e pela inclusão de novas
fotografias pessoais, entre outros elementos.
• Por sua vez, os “amigos” podem avaliar e classificar estes elementos, e considerar a
compatibilidade com os seus próprios interesses. O que remete para o facto de a
autoidentidade ser submetida a uma apreciação e uma valoração por parte de um
determinado grupo de indivíduos.
• A semelhança com a metáfora dramatúrgica de Goffman é notória:
apenas após o trabalho solitário do ator a audiência irá receber a apresentação (e terá
oportunidade de iniciar a interação e a negociação). Significa isto que, por vezes, o indivíduo
atua de forma completamente estratégica (calculista), expressando-se de determinada maneira
unicamente com a intenção de produzir nos outros uma impressão que resultará num efeito
pretendido por si .

Uma imagem complexa do ‘eu’ é construída de modo deliberado (e


muitas vezes manifesto) antes de ser disponibilizada a um público
também ele escolhido.
também nas redes sociais – tal a projeção de si mesmo que o
como nas situações da vida indivíduo oferece tem associada,
quotidiana, em presença – a frequentemente, uma tensão
comunicação desenvolve-se em latente entre uma imagem
torno de um processo de gestão percebida pelos outros e uma
das impressões . imagem idealizada do eu

“jogo de informação”: um rosto por cada frame


• O estudo, conduzido pelo The New York Times Customer Insight Group (2011),
revelou que 68% de uma amostra de 2500 indivíduos aponta como justificação
para partilharem conteúdos em redes sociais o facto de poderem fornecer uma
melhor impressão sobre quem são e sobre aquilo com que se preocupam.

• Todavia, a representação da identidade é afetada de forma transversal pelas


ligações que estabelece, sendo por elas ajustada de um modo contínuo,
agregado e imparável: desde as fotografias que os outros publicam do
indivíduo e onde o identificam, aos conteúdos que os contactos do indivíduo
publicam no seu espaço pessoal ou mesmo o grau de prestígio (social,
simbólico ou outro) que estes possuam, um vasto conjunto de elementos têm
influência significativa sobre o modo como o indivíduo é percebido pelos
outros.
Bonsai Biográficos VS Apresentações Simbólicas

• Facebook, Linkedin, Nextdoor, todos estas RSO partilham o intuito de


ancorar, com “marcadores identitários”, a vida online com a offline.
• Informações que se presumem garantir alguma estabilidade e
reconhecimento.
• TikTok, Tumbler, Instagram prescindem de informações biográficas
(nickname) e desafiam mais apresentações de conteúdos.
• No primeiro caso as plataformas afunilam os feeds conforme os laços
sociais, as informações biográficas sobre os nossos laços, enquanto
no segundo as plataformas nos pedem preferências e interesses para
os algoritmos filtrarem conteúdos desde o início.
• As plataformas assentes na amizade e na apresentação de
informações biográficas facultam a possibilidade de reeditar os
próprios conteúdos.
• As plataformas mais assentes na circulação de conteúdos e na sua
efemeridade, Snapchat, estas funcionalidades são marginais.

Deves ter interesse em publicar e em querer ver publicações

• As RSO devem estimular o interesse em publicar e interligar os


utilizadores para obter retornos.
• Publicar sem ter retorno gera frustração; produzir poucos conteúdos
iria desiludir os nossos amigos/seguidores e gerar a sensação que a
rede social seja aborrecida.
• Nas RSO simétricas (os amigos têm acesso recíproco agilizado pela
plataforma) desafia-se uma “Call to Action”: Ao que estás a pensar?
• Nas RSO assimétricas estamos sujeitos aos conteúdos dos mais
influentes e convocados a reagir.
Social Curation
• Para estimular assiduidade na produção/reação/reedição de conteúdos, as
plataformas de RSO facultam formatos e templates adaptáveis aos diversos
estilos comunicacionais e de partilha.
• Post, reel, stories, carousel: cada um desafia uma temporalidade diferente de
fruição. Os reel são mais visibilizados e incentivados pelas plataformas, uma vez
que são breves e “frescos”, transmitindo a sensação da comunicação oral.
• A interoperabilidade de publicações entre plataformas também desafia um maior
engagement. É fácil e rápido “espalmar” a própria performance entre diferentes
RSO.
• Também somos desafiados a “incorporar” nos nossos perfis conteúdos oriundos
de outros websites, utilizando-os como marcadores da nossa atividade sem
esforço nenhum.
• Pinterest predispõe “pinboards” para mostrar conteúdos alheios que se apreciam
e dizem respeito aos nossos gostos.
Conectar-se a apps de música, fitness, games
• Não se promove apenas a publicação de conteúdos como também a
de atividades.
• Quase todos os serviços digitais têm implementado funcionalidades
“social” para gerar nos utilizadores um efeito de conexão permanente
com os outros e de gratificação consequente pelas notificações
consequentes.
• Costumamos conceber ações cada vez mais na perspetiva de as poder
partilhar online.
• A representação do nosso quotidiano afeta o nosso estilo de vida
“onlife”: museus, restaurantes, lojas como palco para os nossos self
Dashboard • Planificar, avaliar as próprias atividades no Meta
existencial
Preparar, conservar gerir conteúdos in progress
• neste processo de definição da identidade
diante dos outros, em que a alteridade é parte
da rede expandida do sujeito, seja importante
destacar o facto de esta rede se constituir em
mecanismo de validação dessa mesma
identidade.
Eu articulado e • “esta representação organiza-se em torno de
reflexivo listas públicas de contactos sociais e de
amigos, que são utilizadas para autenticar e
introduzir o ‘eu’ num processo reflexivo de
associação ágil com círculos sociais. Assim, a
identidade individual e a coletiva apresentam-
se e potenciam-se simultaneamente”
(Papacharissi, 2010: 304-305).
"Why’s Everyone on TikTok Now? The Algorithmized Self and the Future of
Self-Making on Social Media"

• O “self algoritmizado" resulta de como o Tik Tok influencia a criação e a perceção


do "eu" pelos utilizadores. Destacam-se três temas principais: (1) consciência do
algoritmo, (2) conteúdo sem contexto e (3) autocriação através de plataformas.
• A consciência do algoritmo. Os utilizadores do TikTok demonstram compreender
o papel do algoritmo na curadoria de seu perfil e na produção do seu conteúdo.

• Diferentemente de outras plataformas, onde as conexões sociais diretas


influenciam o próprio feed, no TikTok, o algoritmo dita quais vídeos aparecem,
baseando-se nas interações e preferências do utilizador.

• Esta "consciência do algoritmo" leva os utilizadores a adaptarem o seu


comportamento e conteúdo para se alinharem às tendências promovidas pela
plataforma, buscando maior visibilidade e reações.
Conteúdo sem Contexto
• O design do TikTok facilita a criação e disseminação de vídeos curtos que
frequentemente carecem de contexto adicional. Essa característica permite que o
conteúdo seja consumido rapidamente, mas também pode levar a interpretações
equivocadas ou superficiais.
• A ausência de contexto aprofundado desafia os utilizadores a transmitirem
mensagens claras e impactantes num tempo limitado.
• O TikTok incentiva a imitação e a replicação através do seu design e
funcionalidades, promovendo "públicos de imitação". Os princípios de mimese
(imitação e replicação) são encorajados pela lógica e o design da plataforma
• A cultura do TikTok valoriza a participação em desafios virais e tendências, onde
são recriadas danças, falas ou outros formatos populares.
• Essa normatização da imitação não apenas reforça a criação de conteúdo
homogêneo, mas também fortalece a sensação de comunidade entre os
utilizadores que participam das mesmas tendências.
• A socialização online transforma-se em fenómenos efémeros de imitação.
Autocriação através de Plataformas
• Os utilizadores do TikTok frequentemente estendem a sua presença digital para além de
uma única plataforma. Eles utilizam o TikTok como uma ferramenta para expressar aspetos
específicos de sua identidade, enquanto outras plataformas, como Instagram ou YouTube,
servem para diferentes facetas ou audiências.
• Essa "autocriação através de plataformas" reflete uma estratégia deliberada de gestão da
identidade, onde os indivíduos adaptam o seu conteúdo e a sua persona conforme as
características e públicos de cada rede social.
• o TikTok inaugura um novo paradigma na construção do "eu" digital, onde o algoritmo
desempenha um papel central na formação da identidade e na interação social.
• O conceito de autocriação através de plataformas revela que a identidade digital não é fixa
nem singular, mas sim moldada estrategicamente em diferentes redes sociais. Utilizadores e
influenciadores ajustam as suas performances, exploram diferentes narrativas e utilizam
cada plataforma de acordo com suas regras algorítmicas e oportunidades econômicas.
• Cria-se um cenário onde a identidade digital se torna fragmentada, performativa e
altamente influenciada pela lógica das plataformas digitais.

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