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Aventura no Jogo Infinity War

O protagonista recebe uma recomendação de um amigo para jogar Infinity War e decide baixar o jogo, que apresenta um mundo de fantasia com duas guildas. Após um tutorial, ele se prepara para jogar, mas ao acordar, se encontra em um ambiente desértico e surreal, onde um olho azul substitui seu olho esquerdo. Ele tenta entender sua nova realidade enquanto é atacado por um lobo, resultando em ferimentos e dor intensa.

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valepivettazago
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Aventura no Jogo Infinity War

O protagonista recebe uma recomendação de um amigo para jogar Infinity War e decide baixar o jogo, que apresenta um mundo de fantasia com duas guildas. Após um tutorial, ele se prepara para jogar, mas ao acordar, se encontra em um ambiente desértico e surreal, onde um olho azul substitui seu olho esquerdo. Ele tenta entender sua nova realidade enquanto é atacado por um lobo, resultando em ferimentos e dor intensa.

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CAP 1 TEO

Mexendo no meu celular enquanto estava deitado na minha cama, de repente recebi uma
notificação do meu amigo.

Mesmo cansado e com vontade de dormir, abri a mensagem que ele me enviou.

(Acabei de encontrar um jogo que parece legal. O nome é Infinity War.)

(Aparentemente tem como jogar em dois, então baixa aí para a gente jogar.)

Era outra mensagem sobre jogo.

Frequentemente, ele vinha me mandando mensagens sobre jogos que ele achava.

Não dava bola para a maioria deles, mas pelo menos me esforçava naqueles que eu
começava a jogar.

Falando de forma sincera, são poucos os jogos que eu sinto vontade de jogar.

Normalmente leio a descrição antes para ver se é algo que eu gostaria, e quando aparenta
ser bom eu simplesmente abaixo.

Mesmo que eu abaixe, são poucos que eu baixo que eu realmente continuo jogando.

De qualquer forma, depois de procurar na Apple Store, rapidamente achei o jogo que ele
indicou, e então cliquei nele.

Minha primeira impressão foi que o jogo parece ser bem feito. As imagens que apareceram
eram realmente bonitas.

Além disso, a descrição também me cativou um pouco, já que se passa em um mundo de


fantasia, que é exatamente o gênero que eu gosto.

Não é o único gênero que eu jogo, mas também é aquele que eu mais jogo.

Depois de olhar superficialmente o jogo, decidi baixar, já que minha opinião não poderia ser
formada apenas olhando os detalhes rasos.

Surpreendentemente, o jogo se instalou rapidamente.

Achei que demoraria mais, porém parece que ele é mais leve do que eu esperava.

Deixando isso de lado, quando o jogo finalmente terminou de baixar, logo cliquei na opção
de ‘jogar’ que apareceu na tela.

Depois disso, a primeira coisa que vi foram obviamente os créditos da empresa que fez o
jogo, Final State. Depois disso, o jogo finalmente carregou.
Quando o jogo carregou, duas opções aparecem: Se eu queria ou não ver o tutorial.

Como não sabia sobre o jogo, naturalmente cliquei no tutorial. Além disso, como estava
com sono, decidi apenas ver o tutorial e depois simplesmente dormir, já que já era meia
noite.

Depois de dois minutos vendo o tutorial, eu meio que tirei minhas conclusões sobre o jogo.

De acordo com o tutorial, o mundo do Infinity War é dividido em dois continentes.

O continente Demoníaco, e o continente Geral.

Obviamente, o continente Demoníaco é um lugar muito mais perigoso que o continente


Geral, já que as feras lá são bem mais fortes

Além disso, diferente do nome, os dois continentes não estão em guerra. A discriminação
com os demônios também já sumiu a tempos e os dois continentes estão em bons termos.

Em ambos é possível encontrar humanos, demônios, elfos, e outras raças.

Aliás, o objetivo principal do jogo é um tanto quanto simples.

Você tem basicamente duas opções.

Se juntar a guilda mais forte, ou então criar a guilda mais forte.

Essas são as duas opções dadas pelo jogo, e ambas são difíceis em seus próprios termos.

Se você quiser criar uma guilda e transformá-la na mais forte, você precisa fazer tudo do
zero, o que levaria muito tempo.

E se você quiser se juntar a guilda mais forte, você obviamente precisa de uma força
absurda, o que também levaria tempo.

Em geral, as duas opções são difíceis, e mesmo já sendo difíceis, o jogo te dá chance de
dificultar ainda mais.

Quando eu finalmente acabei o tutorial, depois de ver o vídeo de dois minutos, outras duas
opções apareceram na tela:

(Deseja começar no modo)

(Difícil) ou (Fácil)

Difícil: nasce no continente Demoníaco como humano.

Fácil: nasce no continente Geral como humano.


Depois de analisar as duas opções, eu pretendia começar no fácil, mas deixei essa escolha
para amanhã, já que assim como havia decidido, depois de ver o tutorial eu dormiria.

Eu poderia sim escolher em qual modo jogar e depois dormir, mas tenho certeza de que se
eu fizesse isso, não aguentaria a vontade e acabaria jogando o jogo, sacrificando meu
sono, coisa que eu não queria.

Precisava de uma boa noite de sono para realizar o teste de matemática amanhã.

De qualquer forma, apenas desliguei meu celular e me deitei na cama.

Depois disso, peguei no sono em poucos minutos.

***

Depois de uma ótima noite de sono, enquanto esfregava meus olhos, tentava ao máximo
permanecer acordado.

Não poderia dormir de novo já que se eu chegasse atrasado na aula eu poderia muito bem
zerar minha prova, e eu não poderia me dar ao luxo de perder nota, ainda mais com minha
mãe estando mais rígida do que nunca pelo fato de agora eu estar no 9° ano.

Demorou alguns segundos, mas depois de algumas piscadas eu finalmente pude abrir
meus olhos totalmente.

Quando finalmente abri meus olhos, tudo não poderia estar mais normal.

Meu quarto pequeno porém confortável, o despertador tocando, minhas figure arts…

Tudo completamente normal.

Depois de interromper o despertador, me levantei da cama e fui rapidamente até o armário


e peguei meu uniforme escolar.

Após pegar meu uniforme, assim como fazia todas as manhãs, troquei meu pijama por ele e
finalmente estava pronto para ir a aula.

Peguei minha mochila que estava guardada embaixo da minha mesa, e também meu
celular, depois disso me dirigi até a porta do meu quarto.

Antes de sair do meu quarto, decidi verificar o horário e percebi que eu ainda tinha 20
minutos antes da aula começar.

Quando percebi isso, decidi que tomar o café da manhã hoje não seria um problema.

Guardando meu celular no bolso da calça, finalmente abri a porta do meu quarto e passei
por ela, enquanto pensava sobre qual sabor de torrada eu comeria hoje.
‘Tantas opções… Nutella, pasta de amendoim, doce de leite….’

Interrompendo meus pensamentos, depois de abrir a porta de repente um forte vento


começou a me atingir, o que fez com que eu cobrisse meus olhos com meu braço.

Além do vento, eu podia sentir areia voando e acertando meu corpo, me machucando um
pouco, já que a tal “areia” parecia bem mais pesada do que aquela que dá para achar na
praia.

Enquanto pensava sobre por que caralhos teria uma tempestade de areia dentro da minha
casa, meus pensamentos foram cortados quando o vento cessou e a areia parou de voar.

Quando a tempestade parou, tudo que eu podia sentir era o sol escaldante queimando
minha pele, além disso, também não conseguia ver nada além de um solo rochoso sem
nenhum verde, totalmente seco.

A primeira coisa que fiz quando vi aquilo foi pensar no que caralhos estava acontecendo,
mas como eu estava surpreso demais não consegui formular nada… nenhuma resposta
veio em minha mente.

A região que eu morava quase não tinha desastres naturais, e se fosse ocorrer um, toda a
empresa e canais de notícias avisariam, além das autoridades que provavelmente
esvaziaram a área.

Era simplesmente impossível ser um desastre natural. E mesmo estando óbvio, não
consegui pensar nisso na hora, já que como disse, estava muito surpreso.

Demorou um pouco, mas quando eu finalmente me acalmei, comecei a pensar na situação


de forma lógica.

Pensando um pouco, lembrei que momentos atrás eu estava dentro do meu quarto, ou seja,
eu poderia simplesmente voltar lá, mas quando me virei para entrar no meu quarto, para a
minha infelicidade, não tinha simplesmente nada na minha frente além do solo rochoso e
calor escaldante.

Enquanto o calor do sol queimava minha pele, olhava para o lugar que antes tinha meu
quarto, mas que agora não tinha mais nada, pensando se aquilo podia ser um sonho.

Infelizmente, essa opção logo foi descartada quando meu celular começou a vibrar dentro
do meu bolso.

Surpreso pela vibração repentina, peguei meu celular do bolso e liguei ele.

Quando liguei ele, a primeira coisa que fiz foi reparar no que estava na tela.

A tela estava toda preta, exceto por duas opções escritas em branco de cada lado.
‘olho avançado’ ‘olho da verdade’

Enquanto olhava surpreso para a tela, fiquei pensando no que deveria fazer.

Bem, na minha frente tinha duas opções, ou pelo menos era o que aparentava, então na
hora eu pensei que devesse escolher uma.

Depois de olhar as duas opções em branco, cliquei naquela que dizia: olho da verdade.

Não sei por que, mas pensei que talvez por ter o nome de olho da verdade, poderia me
contar o motivo de tudo isso estar acontecendo.

De qualquer forma, logo quando cliquei em cima da opção, lentamente, meu celular
começou a se desmaterializar na minha frente, aos poucos virando minúsculos grão de
areia, que resvalaram da minha mão e caíram no chão.

Depois disso, enquanto olhava meu celular, que agora eram grãos de areia caindo no chão,
percebi que os pequenos grãos de areia estavam se juntando de novo no formato de uma
bola.

Quando eles acabaram de se juntar, o que eu tinha na minha mão era um olho azul,
diferente do meu que é preto.

Logo quando o olho acabou de se formar, fiquei momentaneamente assustado justamente


pelo fato de ter um olho na palma da minha mão, mas depois que o susto passou eu peguei
o olho com meus dedos e o aproximei do meu rosto para olhar melhor.

O olho não aparentava ter nada de diferente, então foi o melhor que pensei no momento.

Analisando bem o olho, pude perceber que além da cor azul, ele não parecia ser nada
diferente do meu olho, ou de outros olhos que se encontra por aí.

Mesmo um pouco decepcionado, continuei olhando por um tempo enquanto pensava sobre
o olho, porém, de repente, o olho começou a brilhar.

Quando isso aconteceu, meu olho esquerdo começa a simplesmente ser empurrado para
fora como se alguém estivesse puxando ele.

A dor foi tão forte que me fez cair de joelhos no chão, o que me fez ver sangue pingando do
meu olho e caindo em cima do solo árido abaixo.

Não conseguia mais sentir meu olho esquerdo, como se ele tivesse simplesmente sumido.

Infelizmente, diferente do olho, a dor que eu sentia não sumia nunca.

A dor era tanta que ao invés de permanecer apenas no olho, se espalhou pelo corpo inteiro
como se eu estivesse tomando um choque.
Essa mesma dor durou vários minutos antes de eu finalmente recuperar um pouco da
minha consciência, que quase tinha sumido por causa da dor.

Ainda de joelhos, toquei meu olho esquerdo apenas para confirmar que não tinha nada lá
além de sangue.

Além disso, aquele olho azul que eu tinha na mão antes simplesmente tinha desaparecido,
ou era o que eu pensava antes de olhar para trás.

Quando olhei para trás, fiquei quase boquiaberto, o que não foi possível graças a dor, já que
na minha frente tinha um olho azul simplesmente voando.

Antes que eu pudesse formular qualquer pensamento sobre aquilo, o olho veio voando
rapidamente na minha direção e simplesmente entrou dentro do lugar que meu olho
esquerdo costumava ficar.

Diferente de quando estava perdendo o olho, a dor que tive que suportar foi menos pior,
mas mesmo assim não me impediu de ranger os dentes lutando para aguentá-la, o que me
fez cair no chão quase desmaiando, e por mais que eu me esforçasse justamente para não
desmaiar, tudo foi em vão quando senti minha consciência simplesmente saindo do meu
corpo e minha visão escurecendo cada vez mais.

CAP 2

Acordei com o sol escaldante queimando meu corpo, além do solo seco que também estava
super quente.

Coçando minha nuca enquanto olhava de um lado para o outro, analisei o lugar em que eu
estava.

Depois de olhar por um tempo não foi difícil perceber o que tinha acontecido.

Eu ainda estava no mesmo lugar de antes, porém tinha caído duro no chão, já que além da
dor e da perda de sangue que me causaram fadiga, o sol acertando meu corpo também
contribui para me cansar mais.

Depois de perceber o que estava acontecendo, a única coisa que me restava era pensar
sobre minha situação.

Já tinha tentado formular ideias sobre o que estava acontecendo antes de desmaiar, mas a
surpresa e dor não me deixaram ir tão longe.

Agora que meu olho não estava mais doendo, eu poderia pensar racionalmente se deixasse
o resto de surpresa que estava sobrando de lado.

Colocando a mão no queixo e sentando com as pernas cruzadas, fechei meus olhos e
comecei a pensar.
Eu tinha acabado de sair do meu quarto e de repente meu quarto sumiu e uma tempestade
de areia tomou conta do lugar, além disso, um olho voador substituiu meu antigo olho que
simplesmente sumiu.

Analisando todas essas informações, a única coisa que eu pude tirar disso era que eu
estava ficando louco, mas depois de lembrar da dor que tinha passado momentos atrás,
sabia que aquilo não podia ser uma ilusão.

Descartando a ideia de loucura, se eu não entendia a situação, a única opção que restava
era aceitar ela, o que não era fácil.

Antes de simplesmente aceitar minha situação, pensei no máximo de motivos possíveis que
explicariam o que estava acontecendo, mas nenhum fazia sentido.

No fim de tudo, eu soube que teria que aceitar minha situação, e foi exatamente isso que eu
fiz, ou pelo menos tentei.

Ainda não poderia aceitar totalmente, mas se eu quisesse viver, eu teria que aceitar pelo
menos parte daquilo, como por exemplo o novo ambiente.

Eu poderia esquecer o olho voador por enquanto e simplesmente focar no novo ambiente
na minha frente.

Enquanto pensava sobre tudo isso, interrompendo minhas ideias, de repente ouvi um uivo
vindo de longe.

Rapidamente virei minha cabeça em direção ao som que escutei, e tudo que vi foi uma
silhueta se aproximando.

Não pude dizer de primeira, mas sabia que a silhueta não era de um humano.

Tampando meus olhos com minha mão para minha visão não ser afetada pelo sol, depois
de olhar bem, percebi que a silhueta em questão parecia ter o formato de um lobo.

Conforme observava a silhueta que estava longe, mais e mais pensamentos invadiram
minha mente.

‘Por que um lobo estaria em um ambiente árido desses?’

Realmente não sabia o motivo, o que não me impediu de pensar sobre a situação.

De repente, interrompendo meus pensamentos, a silhueta que antes estava se movendo


lentamente começou a ficar cada vez mais rápida.

Antes que eu pudesse perceber, o que antes era apenas uma silhueta, agora era a imagem
perfeita de um lobo cinza correndo em minha direção.
Assustado pela ação repentina do lobo, virei meu corpo para a direção contrária dele e
comecei a correr com tudo que tinha.

Sabia que se aquele lobo me alcançasse, eu com certeza morreria.

Correndo o mais rápido possível, com minha vida em jogo, depois de alguns passos, acabei
tropeçando e caindo.

Apesar do tropeço, me levantei rapidamente sem nem olhar para trás, já que não queria ser
comida de lobo.

Depois de me levantar e continuar correndo, tropecei mais algumas vezes antes de


recuperar meu ritmo.

Logo depois que recuperei meu ritmo, percebi que do meu lado tinha a sombra de um
animal correndo.

Sabia que aquela sombra era do lobo e aquilo indicava que ele estava cada vez mais
próximo.

Por causa disso, comecei a correr ainda mais ferozmente antes de de repente sentir minha
coxa sendo mordida.

O lobo era bem mais rápido que eu, e mesmo correndo com tudo que podia, ele acabou me
alcançando rapidamente e desferiu uma mordida diretamente na minha coxa.

Sentindo o rasgou na minha coxa, cai no chão e logo percebi uma pequena poça de sangue
se formando perto da minha perna.

Um pouco depois de perceber a poça de sangue, meu corpo finalmente se deu conta do
ferimento e a dor que senti percorreu todo o meu ser.

Como um choque elétrico, mais forte de quando perdi meu olho, a dor passou por todo o
corpo me agonizando cada vez mais.

Contraindo meu abdômen, tentei colocar minha mão em cima da mordida mas de repente o
lobo voou em minha direção e me fez ficar de costas para o chão.

Com o peso de seu corpo sobre mim, usei meu antebraço para tentar parar o lobo, mas
mesmo segurando com os dois braços eu quase não estava aguentando.

Enquanto rosnava, o lobo tentava avançar ainda mais sua mandíbula tentando mirar no
meu pescoço, mas fazia de tudo para aguentar.

Por causa dos latidos e rosnados, além do sangue da minha coxa, a babá do lobo começou
a cair, o que me fez virar a cabeça para o lado, evitando que acertasse diretamente minha
face.
Quando virei minha cabeça para o lado, percebi que do meu lado tinha uma pedra média
que eu conseguiria segurar com minha mão.

Querendo sobreviver de qualquer forma, cedi meu braço esquerdo para pegar a pedra, mas
por causa disso o lobo conseguiu soltar sua mandíbula e morder meu braço direito.

Mesmo com a dor infernal no meu braço direito, por causa da adrenalina ignorei ela e
comecei a martelar a pedra com tudo na cabeça do lobo, e sangue começou a aparecer na
sua testa.

Depois de pelo menos dez marteladas enquanto ele mordia meu braço direito, uma parte da
cabeça do lobo abriu e a pedra que era cinza ficou vermelha por causa do sangue.

Além da pedra, meu braço esquerdo segurando ela e minha cara também ficaram
vermelhos de sangue por causa das pancadas que eu acertei no lobo.

Graças as várias pancadas, o ferimento que eu fiz no lobo foi grande o suficiente para o
levar a morte.

Depois que eu parei de bater nele, seu corpo caiu em cima de mim, o que dificultou a tarefa
de tirar seus dentes do meu braço, mas depois de um tempo tentando eu consegui me livrar
da sua mordida.

Assim que meu braço ficou livre, mesmo com a dor agonizante que eu estava sentindo, tirei
o corpo do lobo de cima de mim, jogando ele para o lado.

Após tirar seu corpo de cima de mim, me deitei no chão, mas para minha infelicidade a
adrenalina de antes passou, e a dor que eu ignorava antes começou a se intensificar cada
vez mais.

Arrepios percorreram meu corpo e a dor de quando ele tinha acabado de me morder
simplesmente voltou em um piscar de olhos.

Tanto minha coxa como meu braço ficaram paralisados por causa da dor.

Além disso, a perda de sangue me fez ficar ainda mais cansado.

Depois de um tempo me contraindo deitado no chão, que estava extremamente quente,


mas a dor do calor não chegava nem perto das mordidas, comecei a olhar de um lado para
o outro de novo, buscando algum lugar que eu pudesse ficar.

Por causa de tudo acontecendo, minha visão mesmo um pouco falha logo grudou em uma
caverna não tão longe de mim.

Dentro dali tinha sombra, além de que parecia ser mais seguro do que ficar no sol com risco
de desmaiar de novo.
Decidido, usei toda a minha força para levantar, apoiando-me no chão com os dois braços e
usando apenas a perna esquerda para levantar.

Depois de levantar comecei a cambalear em direção a caverna, enquanto apertava o


ferimento no meu braço direito com minha mão esquerda.

Apesar de toda a dor, não deixei de caminhar nem por um segundo, já que tudo que queria
era descansar um pouco e finalmente pensar no que fazer.

Já que já tinha decidido aceitar minha situação, agora eu deveria pensar no que fazer.

Infelizmente, o lobo não permitiu que eu pensasse em como sobreviver daqui para frente.

Na verdade, provavelmente me ajudou, já que me mostrou como o lugar é e como eu devo


tomar cuidado com minhas ações.

Interrompendo meus pensamentos, percebo que logo cheguei na frente da caverna.

A entrada era grande e dava pra perceber como o lugar era seco por dentro.

Mesmo com sombra, não parecia ter nem um resíduo de umidade dentro da caverna.

Pelo menos, comparado ao lado de fora, o calor imenso do sol não queimaria meu rosto a
cada segundo que se passasse.

Sem perder mais tempo, entrei dentro da caverna quase rastejando, tendo fé de que
poderia descansar pelo menos um pouco lá dentro.

CAP 3

Comparado ao lado de fora, assim como tinha imaginado, dentro da caverna era bem mais
fresco.

Graças a sombra projetada pelo teto formado de rochas, os raios solares simplesmente não
conseguiam atingir minha pele ou o solo, me permitindo finalmente sentar no chão sem
queimar um pouco minha bunda.

Assim que tinha entrado dentro da caverna, a primeira coisa que fiz foi procurar um lugar no
qual eu poderia me apoiar ou sentar, e depois de procurar um pouco pelo lugar, finalmente
achei o que parecia ser um banco de pedra grudado na parede.

Mesmo sendo natural e não tendo o melhor formato, no momento em que sentei nele, senti
que finalmente poderia relaxar sem estar no inferno.

Depois de sentar-me no banco, comecei a finalmente organizar meus pensamentos.


Já tinha tentado fazer isso antes, mas todas as vezes foram interrompidas por algum
imprevisto, ou então algum desastre, já que na minha cabeça, lutar com um lobo não é
considerado apenas um simples imprevisto.

De qualquer forma, finalmente comecei a me organizar e pensar no que fazer.

Agora que sabia o perigo presente nesse novo ambiente, eu teria que tomar cuidado com
qualquer coisa.

Mesmo dentro da caverna eu teria que tomar cuidado para não encontrar algum animal
descansando, por exemplo.

Além disso, se eu permanecesse apenas na caverna, alguma hora eu morreria de fome ou


de sede.

Para evitar isso, eu precisaria sair da caverna e tentar caçar algum animal ou então achar
alguma poça de água para beber.

Olhando por todos os ângulos, eu não poderia ficar apenas na caverna, eu teria que me
arriscar e sair dela.

Principalmente se eu quisesse encontrar algum caminho de volta para casa.

Eu não estava nem perto de entender o que tinha acontecido, mas ainda tinha esperanças
de que se eu sobrevivesse, com o tempo poderia encontrar algum povo que me levasse de
volta para o meu país, permitindo que eu finalmente voltasse para casa.

Bem, isso apenas sendo otimista, já que nesse ponto, não duvidaria se alguém me dissesse
que eu não estava mais na terra.

De qualquer forma, enquanto continuava pensando sobre o que fazer, de repente a dor que
tinha no meu braço e na minha perna pioraram.

Eu sabia que se eu quisesse buscar suplementos e sobreviver, a primeira coisa que eu teria
que fazer era melhorar a condição da minha perna e do meu braço.

O problema era que eu não sabia como fazer isso.

Com minha movimentação atual limitada, mesmo que eu saísse à procura de uma árvore
que tivesse folhas grandes o suficientes para que eu as usasse como atadura, era possível
que minha perna falhasse no meio do caminho e eu acabasse virando ovo frito dentro
daquele inferno.

Além disso, pelo pouco que eu tinha observado do ambiente até agora, estava claro que
pelo menos na minha região atual, e vegetação simplesmente não existia, e mesmo se
houvesse uma árvore, ela provavelmente estaria toda seca e sem nenhuma folha, sobrando
apenas galhos e o tronco.
Em resumo, a única coisa que eu poderia fazer era suportar a dor e tentar minimizar ao
máximo os movimentos do meu corpo.

O problema era que eu já estava com sede e fome, então mesmo que descansasse, minha
energia estaria acabada de qualquer jeito.

Depois de um tempo analisando os altos e baixos, decidi que descansar por hora seria a
melhor coisa a se fazer.

Lembrando que tinha o corpo do lobo morto lá fora, não tão longe da caverna, se minha
perna estivesse boa o suficiente para andar e meu braço forte o suficiente para arrastar o
corpo do lobo para cá, eu teria o que comer por pelo menos alguns dias.

Depois de comer, minha energia finalmente se recuperaria um pouco e então eu poderia


buscar por água.

Por mais sofrido que fosse, o plano também seria o mais seguro.

Eu talvez passaria alguns dias sem beber água, mas no final de tudo, se eu aguentasse, eu
finalmente poderia dar adeus ao risco de morte temporariamente.

Após pensar em tudo isso, a única opção restante era colocar em prática o que eu decidi.

Saindo de cima do banquinho de pedra na parede, me deitei no chão da caverna para


descansar.

A poeira e a areia eram abundantes, mas curiosamente o lugar não parecia tão sujo assim,
provavelmente por causa da baixa umidade.

Não era possível encontrar fungos ali, por exemplo.

Depois de deitar-me, a primeira coisa que fiz foi tentar fechar os olhos, mas assim que fiz
isso, memórias nítidas do lobo me atacando apareceram na minha visão.

Imediatamente abri os olhos assustado.

Mesmo tendo aceitado minha situação, não era fácil permanecer calmo, na verdade, era
simplesmente impossível.

Eu sabia que teria pesadelos todos os dias que passaria ali, e o medo que veio de
simplesmente fechar os olhos foi o suficiente para me deixar totalmente alerta.

Após o susto, decidi permanecer de olhos abertos, pois por mais que eu tentasse, sabia que
não conseguiria dormir, pelo menos agora.

E então, com os olhos abertos, permaneci deitado no chão enquanto olhava para o teto por
pelo menos duas horas.
Por mais sonolento e cansado que eu estivesse, o medo e a dor que voltava em alguns
momentos não me deixavam descansar nem por um segundo.

Acontece que na minha situação, o simples fato de eu não estar lutando com outro lobo me
fez ficar minimamente feliz.

***

Passado as duas horas de descanso, por mais que eu não soubesse quanto tempo eu tinha
permanecido deitado, me levantei e fui até a saída da caverna.

Tinha decidido sair no momento em que eu sentisse que minha perna e braço estivessem
minimamente relaxados.

O momento era esse.

Comparado a minutos atrás, sentia que agora meus ferimentos já não doíam tanto quanto
antes.

Além da dor, meus movimentos também estavam mais relaxados, não estando tão duros
quanto antes.

Quando cheguei a saída da caverna, antes de realmente sair de lá, decidi colocar apenas
minha cabeça para fora.

Fiz isso para observar se tinha algum animal perigoso, como o lobo que eu tinha lutado
contra antes.

Observando por alguns segundos enquanto movia minha cabeça de um lado para o outro,
decidi que estaria seguro seguir em frente.

Assim sendo, movi meu corpo para fora da caverna, e lentamente comecei a caminhar em
direção ao corpo do lobo que não estava tão longe.

Comparado a antes, o sol não estava mais tão quente e a luz que se estendia por todo o
campo de pedras e areias agora estava mais leve.

Além disso, embora ainda estivesse lento, não estava mais cambaleando para andar como
antes.

Quando olhei para trás, percebi que já estava um pouco longe da caverna.

Também pude ver que gotas de sangue formavam um caminho por onde eu passava.

Ainda não tinha nada para tampar meus ferimentos, felizmente, tinha pensado em usar o
lobo para isso também.
Depois de caminhar por mais alguns segundos, finalmente tinha chegado no lugar em que o
corpo do lobo estava.

Flexionando meus joelhos, me agachei para agarrar o lobo pela pele.

Mesmo dando tudo de mim, levantar o lobo do chão, mesmo que um pouco, não foi nada
fácil.

Felizmente, eu tinha levantado ele apenas para virá-lo, permitindo que ficasse mais fácil de
arrastá-lo.

Soltando a pele do lobo, quando ele caiu no chão, um pouco de poeira pode ser vista
voando.

Agora que o lobo estava em uma posição confortável para arrastá-lo, agarrei suas duas
patas traseiras, e comecei a levá-lo.

Graças ao lobo, a viagem de volta foi bem mais difícil.

O peso dele não era brincadeira e toda a dor que tinha sumido enquanto eu descansava
estava começando a voltar.

Mesmo doendo mais do que antes, continuei andando enquanto o arrastava até a caverna.

Por mais que tenha sido difícil, depois de o arrastar por cerca de dois minutos, eu
finalmente tinha conseguido voltar à caverna.

Levei o corpo do lobo até que ele ficasse perto do lugar em que eu estava descansando, e o
larguei ali por um tempo, pois já sabia o que fazer.

Mesmo que agora eu tivesse o lobo, para comer ele eu precisaria cortar-lo ou pelo menos
tirar a pele dele, já que eu não estava afim de colocar pelo de cão na boca.

Eu provavelmente morreria engasgado.

Sabendo disso, me movi pela caverna até achar uma pedra média, uma um pouco maior do
que a que usei para matar o lobo.

Depois de alguns segundos procurando, finalmente tinha achado uma.

Sem perder tempo, assim que encontrei uma com o tamanho perfeito, fui até o banco de
pedra que eu tinha sentado antes, e comecei a bater a ponta da pedra no banco.

Depois de algumas batidas, a pedra soltou uma lasca, e se olhasse de perto, dava para
perceber que por causa disso, agora ela estava bem mais afiada.

Tinha pensado em fazer isso enquanto ia buscar o lobo.


Tinha visto alguém fazendo o mesmo em um programa de sobrevivência.

Se você não tivesse uma faca ou algo cortante, você poderia pegar uma pedra e batê-la em
uma quina até que ela fosse moldada para algo cortante.

Graças ao fato das pedras nesse novo ambiente serem secas, não foi difícil deixá-la mais
cortante apenas tirando uma lasca dela, mesmo assim, eu também não achei que
conseguiria de primeira, já que imaginava que eu teria que tentar o mesmo com várias
pedras antes que uma ficasse boa.

Felizmente, acabou não sendo o caso.

Agora que eu tinha uma pedra boa para tirar a pele do lobo, fui até ele e comecei o serviço.

Estaria mentindo se eu dissesse que não foi nojento.

Obviamente foi.

O cheiro e a textura da carne crua eram o suficiente para me deixar enjoado, mas por mais
que fosse assim, eu estava apenas fazendo o necessário para sobreviver.

Basicamente, meus instintos foram mais fortes do que os meus sentidos.

Depois de esforçar um pouco, agora que minha mão estava toda ensanguentada, tinha
conseguido tirar uma parte da pele do lobo.

A esse ponto, seria pedir muito ter uma carne cozida, então mesmo estando crua, tirei uma
parte da parte do lobo sem pele, e decidi enfiar para dentro.

Se eu tivesse que avaliar, foi a coisa mais nojenta que eu já tinha comido em toda minha
vida, apesar disso, finalmente ter colocado comida na boca foi realmente bom.

Mesmo não sabendo se eu estava ou não muito tempo sem comer, era fato que o cansaço
e fome que eu estava sentindo eram enormes, então finalmente me alimentar nessas
condições foi algo gratificante, mesmo que tenha sido nojento ao mesmo tempo.

Depois de comer mais alguns pedaços da carne, me forçando para não vomitar, senti que
eu finalmente tinha tido um descanso adequado.

Graças a isso, acabei me sentindo mais relaxado, o que acabou me gerando uma dúvida.

‘Que horas são agora?’

Com essa dúvida em mente me movi até a saída da caverna, e quando olhei para o céu,
percebi que a noite já tinha chegado.

O calor de antes já tinha sido substituído pelo frio, e a luz absorvida pela escuridão.
Olhando para o céu, meus olhos logo pousaram em uma forma branca, a lua.

Ela brilhava imensamente.

Parecia a luz no fim do túnel, como se fosse um último raio de esperança.

Sentindo a brisa gelada de repente, me lembrei da minha situação.

O lugar que eu estava parecia um deserto, e pelo que já tinha visto antes, desertos
normalmente são frios à noite e quentes de dia.

Acontece que mesmo assim, ficar na caverna era a melhor opção.

Graças ao fato de que o sol estava batendo 24h seguidas nas paredes e teto da caverna, o
calor permaneceria ali dentro por muito mais tempo do que o calor do solo lá fora.

Resumindo, lá fora ficaria bem mais frio do que dentro da caverna.

Sabendo disso, fui até o fundo da caverna de novo, e me movi até o lugar que tinha
descansado antes.

Tive que mover o lobo de lugar, já que ele estava ocupando minha posição, e assim que o
deixei em um canto da caverna, me deitei no chão.

Mesmo deitado no chão, sabia que por mais que eu tentasse dormir eu não conseguiria,
então minha única opção era ficar acordado a noite toda.

Infelizmente, o trauma recente não permitiria com que eu descansasse totalmente.

Pelo menos, além do trauma que aparecia sempre que eu fechava os olhos, eu estava
relaxado e conseguiria descansar bem mesmo sem dormir.

Um dos motivos pelo qual eu estava relaxado, era o fato de que eu sabia que o trauma que
eu estava enfrentando atualmente era temporário.

Alguma hora ou outra eu conseguiria vencer ele.

Eu tinha fé nisso.

Com esses e vários outros pensamentos, permaneci acordado a noite toda, mas mesmo
assim meus descanso não foi ruim.

CAP 4

O sol já tinha amanhecido, e o frio da noite já não estava mais me atingindo.

Sendo sincero, comparado ao frio, o calor do dia era bem melhor.


O frio me fazia espirrar toda hora, além de que eu ficava tremendo a todo momento.

No calor, você apenas soa um pouco ao invés de ficar tremendo de frio.

De qualquer forma, na noite passada, mesmo não dormindo, eu consegui descansar


realmente bem pela primeira vez desde o início desses incidentes.

Também consegui fechar meus olhos algumas vezes, indicando que eu estava perdendo o
medo do trauma aos poucos.

Infelizmente, ainda não foi o suficiente para me deixar dormir.

Independente disso, fiquei aliviado apenas de nenhum animal ter aparecido para me caçar.

Só isso era o suficiente por enquanto.

De qualquer jeito, podemos dizer que minha manhã foi simples.

Enquanto estava transicionando do frio para o calor, acabei me levantando.

Quando levantei, percebi que a dor tanto da minha perna como do meu braço estavam
menores.

Na noite passada, depois de deitar para descansar um pouco, com a mesma pedra que
tinha usado para arrancar um pedaço de carne do lobo, cortei dois pedaços da sua pele,
grandes o suficientes para servirem de atadura para meus machucados.

Foi desconfortável no início, já que era simplesmente nojento de forma instintiva, mas
depois de um tempo, meu corpo acabou se acostumando com a sensação da pele do lobo
roçando na minha própria carne.

Provavelmente foi graças a esses pedaços de pele que meus machucados já não doíam
tanto.

Ainda precisaria de tempo para ficar cem por cento, mas era o suficiente no momento.

Logo após levantar, a primeira coisa que eu fiz foi me dirigir até o corpo do lobo, pegar a
pedra pontiaguda e então cortar um pedaço da sua carne para comer.

O pedaço que eu tirei tinha o tamanho de três peças de sushi.

Não era tão grande mas era o suficiente para me servir naquele momento.

Também queria que a comida durasse, já que eu sinto que não conseguiria matar um lobo
de novo.

Depois de comer, fui até o banco de pedra e comecei a pensar.


Na última vez que sentei ali para pensar, minhas ideias tinham se concretizado, então
pensei que se sentasse ali eu poderia pensar melhor novamente.

Enquanto pensava, depois de um tempo, eu acabei definindo três objetivos.

1° conseguir lenha para fazer uma fogueira.

2° conseguir água.

3° explorar o local.

Desses três objetivos, o mais importante de todos era conseguir água, por motivos óbvios.

Além da água, os outros dois também eram importantes, já que conseguir uma fogueira
afastaria outros animais de noite, além de me proteger do frio, enquanto explorar a área me
possibilitaria definir quais lugares são seguros ou não.

Além desses três, eu tinha mais algumas coisas que teria que fazer, mas decidi deixar
esses três como primeiros já que eu poderia os resolver ao mesmo tempo.

Por exemplo:

Se eu fosse explorar o local, eu teria que andar pela região, e se eu tivesse sorte eu poderia
achar algum lugar com água enquanto isso.

Ou então, o simples ato de procurar lenha faria com que eu passasse por vários locais, me
dando uma ideia da região.

Estava claro que de todos os objetivos, se eu fizesse essas três juntos seria o grupo mais
rápido a ser completo.

Isso era de suma importância já que perder tempo não é bom em nenhuma ocasião.

Depois de pensar por vários minutos e finalmente ter meus objetivos definidos, o que eu
precisava fazer agora era me preparar.

Sai do banco de pedra e me movi até o corpo do lobo.

Na noite passada eu não tinha só descansado.

Por mais que em boa parte do tempo eu tenha deixado meu cérebro desligado, usei ele por
pelo menos 30 minutos pensando no que eu faria com o resto da pele do lobo.

Infelizmente, eu não conseguia pensar no que fazer sobre a carne, já que alguma hora iria
apodrecer, então minha única opção era coma-la.

Porém, a questão da pele era diferente.


Pensei em como usá-la de várias formas, e olhando para o tanto de pele restante, das
opções que eu tinha pensado, a mais sensata a se fazer era uma capa.

A capa não só me protegeria do frio da noite, mas também possibilitaria eu me proteger das
queimaduras que eu poderia sofrer graças ao sol.

Ela me protegeria tanto de dia como de noite.

Além disso, mesmo sendo uma proteção fraca, uma camada de pele extra poderia fazer
com que o dano dos ataques de outros animais fossem menores, permitindo que eu me
ferisse menos.

Mesmo tendo pensado nesses três usos para a capa, eu esperava não ter que usufruir do
terceiro, já que mesmo tendo uma camada de pele extra, eu não esperava e nem queria
lutar com outro animal de novo.

Apenas no caso de eu não ter comida que eu faria isso, mas mesmo assim, eu buscaria um
animal menos perigoso que um lobo para caçar, já que não seria legal virar a presa no meio
da caça.

Olhando para a pedra cortante ao lado do lobo, que eu tinha feito no dia anterior, me
agachei e agarrei ela com minha mão.

Depois disso, com a pedra na minha mão direita, segurei a pele do lobo com minha mão
esquerda e comecei a tirar a pele dele.

O trabalho foi cansativo já que a pele de um lobo não é nem um pouco fácil de tirar.

Permaneci agachado, tentando tirar toda a pele dele, por pelo menos trinta minutos.

Apenas depois desse tempo que eu finalmente tinha acabado o serviço, além disso, por
causa do cansaço, precisei descansar um pouco.

Meu corpo estava longe de ser forte, e com apenas treze anos, meus músculos com certeza
não eram desenvolvidos.

Se olharmos pelo lado positivo, talvez toda essa aventura maluca me ajudaria a
desenvolver meu corpo.

Olhando para o lobo agora sem pele, na verdade, com pele apenas na cabeça, não pude
deixar de ficar orgulhoso com minha conquista.

Além do lobo sem pele, na minha mão era possível ver um pedaço enorme de pele bruta.

Minha ideia era me cobrir com aquilo, usando como capa.

Segurando as duas pontas da pele com minhas mãos, fiquei de pé e segurei a pele, a
mantendo sobre minha cabeça.
Para testar sua funcionalidade, fui até a saída da caverna.

O sol já estava aparecendo completamente, e lá fora já estava quente o suficiente para


causar queimaduras em segundos.

Quando sai da caverna, ao invés dos raios solares me queimarem quase que no mesmo
instante, a pele sobre minha cabeça foi capaz de anulá-los.

Por mais que estivesse mais quente pelo fato de que eu tinha uma pele feita para te
proteger da neve cobrindo meu corpo, o fato dos raios solares não estarem me atingindo
era simplesmente incrível.

Quando tive um tempo para descansar na caverna, percebi minha pele toda vermelha e
queimada.

Era bom saber que isso não aconteceria mais.

Sabendo que a capa funcionava perfeitamente, assim como eu havia imaginado, fui e entrei
na caverna de novo.

Agora que tinha uma capa para me proteger do frio e do calor, eu precisava resolver outra
coisa.

Sair para explorar seria perigoso, já que nada garantia que eu não acharia um lobo ou
qualquer outro animal feroz no meio do caminho.

Sabendo disso, decidi fazer outra pedra pontiaguda, já que a outra estava muito
desgastada.

Peguei uma mais ou menos do mesmo tamanho da primeira, e comecei a bater ela na
mesma no banco de pedra.

Depois de algumas batidas, o formato logo começou a mudar para algo mais fino, e depois
de mais alguns segundos batendo, finalmente tinha conseguido uma “arma”.

Meu objetivo era me defender com aquilo, e por mais que não fosse realmente uma arma,
provavelmente era o suficiente para me proteger de ataques.

Se eu enrolasse a capa no meu braço, permitindo que o lobo ou qualquer animal me


mordesse, e então atacasse ele com essa pedra, eu provavelmente seria capaz de sair da
luta sem muitos ferimentos.

Olhando a pedra pontiaguda em minha mão, sabia que agora eu estava pronto para ir em
busca dos meus objetivos.

Como o mais importante era tentar achar água, eu focaria nesse primeiro.
Sabendo qual era o objetivo principal no momento, sai da caverna segurando minha mais
nova capa por cima da minha cabeça, e ao mesmo tempo segurando a pedra com minha
mão direita.

Tive que segurar a capa apenas com a mão esquerda, já que no bolso do meu uniforme,
que já estava totalmente desgastado e sujo, a pedra não conseguia caber por ser grande
demais.

Mesmo com esse pequeno problema, eu segui minha viagem.

Assim que sai da caverna e olhei para o céu, percebi que já era meio dia.

Como estava muito animado testando a capa, quando sai da caverna antes, não tinha
reparado no sol.

Deixando isso de lado, dessa vez olhei para o horizonte enquanto decidia para qual lado eu
deveria ir.

Eu sinceramente não sabia qual direção era qual.

A única coisa que eu lembrava era que o sol nasce ao leste e se põe ao oeste.

E lembrando que de manhã, enquanto o sol nascia, ele estava exatamente na frente da
caverna, eu poderia deduzir que se eu seguisse por trás da caverna, eu estaria indo para o
oeste, e eu decidi fazer exatamente isso.

Decidi seguir pelo oeste, já que comparado a outras direções, se eu seguisse por lá seria
bem mais fácil de me achar depois.

Poderia explorar as outras regiões em outra hora, já que não serviria de nada eu ter a
informação mas não ter nem onde morar, já que me perdi no meio do caminho.

Se eu seguisse pelo oeste, tudo que eu tinha que fazer era dar meia volta.

Além disso, meu trabalho principal nessa hora não era explorar a região, mas sim buscar
água.

Decidido sobre qual caminho eu deveria pegar, comecei então minha jornada.

Seguindo pelo oeste, enquanto eu caminhava, tudo que eu podia ver era um solo seco e
poeira no ar.

Às vezes algumas árvores secas apareciam, mas eu as ignorava no momento, já que


quando eu estivesse voltando para a caverna, eu poderia pegar lenha dessas árvores.

Mesmo se eu olhasse para o horizonte, não dava para ver muita coisa além de um ar seco
e um solo petrificado.
Era tão simples e repetitiva a paisagem, que chegava a ser decepcionante.

Comparado ao perigo e as dificuldades extremas, era triste ver como o número de


dificuldades e perigos não era proporcional ao número de opções que a paisagem desse
lugar proporcionava.

A viagem seguiu a mesma por pelo menos trinta minutos, sem achar água ou qualquer
outra coisa interessante.

Em certo momento, eu até comecei a correr, já que no ritmo em que eu estava, não acharia
água nunca.

Mantendo a capa por cima de mim, correr foi um tanto quanto desafiador.

Dei alguns tropeços pelo caminho, mas não me machuquei caindo em nenhuma das vezes.

Conforme a viagem seguia, o calor junto do tédio se tornavam cada vez maiores.

Correr também ajudou nisso, já que o vento batendo na minha cara me livrou um pouco do
calor.

***

Já cansado de tanto correr, apoiado com as mãos nos joelhos, estava parado na frente de
um precipício.

Tive que parar abruptamente momentos atrás já que de repente avistei um precipício na
minha frente.

Sinceramente, de todas as coisas nessa uma hora de caminhada, ter achado o precipício foi
realmente a mais impressionante.

Olhando para baixo do precipício, era possível ver uma terra seca, cheia de pedras, assim
como o caminho que eu tinha percorrido até agora.

Porém, diferente da minha região, o campo lá embaixo emanava uma aura bem mais
assustadora do que qualquer coisa que eu já tinha visto.

Parecia o mesmo sentimento de encarar um cemitério gigante.

De qualquer forma, apesar da aura horripilante, não era tão ruim assim.

Ficava feliz de saber que tinha descoberto esse precipício, já que parte do meu terceiro
objetivo estava completo.

E mesmo sendo apenas parte dele, saber que tem um precipício é bom pois indica que não
tem mais nada para explorar nessa área.
— ROAR

Interrompendo de repente meus pensamentos, e me assustando um pouco, escuto um


rosnado de repente, vindo de trás de mim.

Quando viro minha cabeça e olho para trás, não tão longe de mim, pude avistar um lobo,
que ao invés de cinza, era negro.

CAP 5

Olhando para o lobo na minha frente, não pude deixar de ficar assustado.

Por mais que eu estivesse sobrevivendo com um lobo dentro da mesma caverna nas
últimas horas, aquilo era simplesmente um cadáver.

Não tinha alma nem nada do tipo.

Já estava completamente morto.

Encarar um lobo vivo era completamente diferente.

É como se os estágios iniciais do meu trauma, o medo de quando eu fechava os olhos,


estivessem voltando de uma vez.

Suor começou a escorrer do meu rosto e qualquer um que olhasse poderia perceber como
eu estava assustado.

Eu não queria enfrentar o animal na minha frente.

Queria simplesmente fugir.

Infelizmente, essa opção não existia.

Sabia que qualquer movimento em falso e eu morreria para o lobo.

Eu teria que lutar contra ele de um jeito ou de outro, assim como da primeira vez.

Na verdade, diferente da primeira vez, mesmo se eu quisesse, eu não poderia fugir por
causa do precipício atrás de mim.

Basicamente não tinha por onde eu fugir naquele momento.

A minha única opção era lutar usando a estratégia que eu tinha montado para esse tipo de
situação.

Lembrando da estratégia que eu tinha feito para enfrentar um animal caso eu achasse um,
começo a enrolar a capa envolta do meu braço esquerdo.
Quando finalmente acabei de enrolar ela, pego a pedra que tinha deixado no chão enquanto
enrolava a capa, e ao mesmo tempo, olho para trás enquanto engulo um bocado de saliva.

Olhando agora que tinha um animal mortífero na minha frente, o precipício parecia pelo
menos dez vezes mais assustador do que antes.

O que antes parecia um cemitério, agora parecia minha passagem para o céu.

Eu sabia que se o lobo me atacasse, mesmo que eu segurasse ele, se ele continuasse
aplicando força me fazendo ir para trás eu poderia simplesmente cair do precipício e voar
em direção a morte.

Eu teria que parar o ataque dele perfeitamente para isso não acontecer, mesmo nunca
tendo treinado antes.

Essa ideia não me alegrava nem um pouco, já que só sabia o que fazer na teoria. Nem
sabia se eu tinha coragem de entregar meu braço de graça para ele.

E mesmo se o plano funcionasse e ele agarrasse meu braço, a pedra seria o suficiente para
matá-lo?

Enquanto pensava em todas as tragédias possíveis, cortando meus pensamentos


pessimistas, o lobo avançou em minha direção com tudo.

Foi tão rápido que eu quase não consegui reagir a tempo.

Quase instintivamente, levantei meu braço esquerdo em direção a mordida dele, rezando
para que desse certo.

‘Se eu levar em consideração que o lobo anterior tinha mordido meu braço sem nenhuma
proteção, agora que eu tinha uma pele enrolada nele, o dano seria muito menor, né?’

Pela primeira vez desde que o lobo apareceu eu pensei positivamente, torcendo com todas
as minhas forças para que o plano desse certo.

Além de torcer, um sentimento de confiança começou a brotar dentro de mim,


milissegundos antes do lobo me atingir.

Não sei porque, mas como tinha sobrevivido nesse inferno até agora, comecei a pensar que
talvez a sorte jogasse do meu lado nesse instante.

‘Vai dar certo, ou melhor, tem que dar certo!’

Depois de alguns segundos correndo, o lobo finalmente me alcançou.

Metros antes de me atingir, ele deu um pulo como forma de conseguir impulso, e assim
como tinha pensado, ele mirou diretamente no meu braço esquerdo.
A partir do momento em que ele pulou em diante, tudo na minha visão tinha ficado lento
enquanto eu estava esperançoso do meu plano.

Quando sua boca estava a milímetros de distância do meu braço, meu coração começou a
bater incontrolavelmente.

E então ele finalmente me alcançou.

Assim que ele me mordeu, contrariando todas as minhas expectativas, tudo que senti foi
meu braço parando de existir.

Na verdade, ao invés de simplesmente parar de existir, senti ele sendo arrancado sem
nenhuma dificuldade.

Como se fosse manteiga, o lobo tinha simplesmente arrancado meu braço, fazendo com
que sangue voasse para todo lado.

Antes que eu sequer pudesse reagir ou sentir qualquer tipo de dor, por causa da perda
repentina de sangue e a falta de água que estava se acumulando por quase um dia, a
pressão do meu corpo caiu de repente.

Me sentindo tonto, comecei a cambalear para trás, e assim como de costume, tentei colocar
minha mão esquerda na minha cabeça, já que era o que eu geralmente fazia quando ficava
tonto, mas infelizmente minha mão nem estava mais lá.

Eu ainda estava confuso e juntando isso com a tontura eu não tive outro fim a não ser andar
para trás até cair do precipício.

Momentos antes de cair, a dor finalmente tinha atingido meu corpo, mas infelizmente, foi
tarde demais para qualquer tipo de reação.

Com meu último passo contendo a maior dor que eu senti nessas últimas horas, resvalei
para baixo do precipício.

Enquanto caia, a dor, tontura e pressão baixa se juntaram, todas as três ao mesmo tempo,
me fazendo ficar inconsciente quase que no mesmo instante.

***

Dentro de uma cabana, no meio daquele deserto gigante, uma mulher com dois chifres e
uma causa diabólica, além de um cabelo negro magnífico e olhos vermelhos hipnotizantes,
observava entusiasmada enquanto via o menino cair do precipício.

Ela tinha observado o garoto nas últimas horas, e em anos dentro do continente
Demoníaco, nunca tinha visto alguém tão impressionante.

O garoto, mesmo tendo apenas treze anos, se mostrou capaz de fazer um plano para
sobreviver naquele ambiente hostil.
Além disso, receber uma melhora de sentido no mesmo instante em que aparece…

Era simplesmente magnífico na visão dela.

O menino que veio de outro mundo, sem saber o que estava acontecendo, sobrevivendo no
ambiente mais perigoso do planeta por quase um dia.

Era um feito simplesmente impressionante.

Ainda mais se considerar o fato de que o garoto estava sozinho por todo esse tempo…

Assim que ela viu o último deslize do garoto, ela sabia que ele não tinha culpa.

Ela estava analisando o garoto em todos os momentos desde que ele tinha aparecido, por
isso sabia que a queda do precipício não foi culpa dele.

Ele simplesmente não tinha informações o suficiente sobre o local, e justamente por causa
disso, ele estava prestes a morrer em alguns segundos.

Deixar uma jóia tão bruta simplesmente ser perdida… não era algo que Karin faria.

Canalizando sua energia nas costas, de repente, um par de asas negras apareceram.

Se fosse comparar, dava para dizer que eram as asas de um dragão, ou algo parecido.

Assim que as asas se abriram, Karin começou a correr em direção ao menino, que estava
pelo menos a um quilômetro de distância.

Depois de pegar certa velocidade, suas asas começaram a se mexer e de repente ela saiu
do chão.

Assim que ela começou a voar, pó e areia poderiam ser vistos se espalhando pelo ar no
lugar em que ela levantou voou.

Depois de bater as asas algumas vezes, Karin estabilizou seu voo e com uma velocidade
surpreendente começou a voar em direção ao menino que tanto a interessava.

Apesar do sol fervente, Karin não ligou para isso, na verdade, nem a incomodava, o nível de
força dela era muito alto para algo simples como o sol machucá-la.

Voando com velocidade, Karin em alguns segundos percorreu a marca de um quilômetro.

Ela poderia ter sido mais rápida, mas esse gasto de energia era simplesmente
desnecessário.

Observando o corpo do garoto, que ainda estava caindo, de longe, Karin se impulsionou
para frente com tudo e então deixou o garoto cair sobre seu colo.
O segurando com os dois braços, como se fosse um bebê, Karin analisou bem a face do
garoto.

Nesse momento, ela começou a brilhar de excitação.

Ela só tinha tido uma aluna na sua vida inteira, e atualmente essa aluna era uma das mais
fortes do mundo.

Mesmo querendo treinar outra pessoa, ela nunca achava alguém com o mesmo nível de
sua discípula.

Por mais que procurasse pelo mundo todo, ela simplesmente não achava ninguém.

Felizmente, depois de decidir repousar um pouco no continente Demoníaco, acabou


encontrando alguém que nem desse mundo era.

Além disso, seu talento batia de frente com o de sua discípula.

Mesmo que ele fosse cem vezes inferior a ela no combate, ou seu sexto sentido fosse um
lixo, seu intelecto e expansão de análise eram algo surreal para essa idade.

Ele suprimiu a surpresa, medo e dor, todos de uma vez, e simplesmente decidiu que viveria
de uma forma ou outra.

Nenhum talento focado em combate seria capaz de bater de frente com essa imensa força
de vontade e poder analítico.

Depois de pensar por alguns segundos sobre a criança, Karin começou a voar em direção a
sua cabana de madeira.

Dessa vez, ao invés de percorrer um quilômetro em apenas alguns segundos, ela demorou
um pouco mais, levando algo em torno de quarenta segundos.

Se ela voasse com a mesma velocidade que tinha usado para alcançá-lo, ela não sabia se
o corpo do menino conseguiria suportar a pressão, ainda mais naquele estado.

Era mais seguro ela viajar em uma velocidade controlada, evitando qualquer tipo de
problema que a alta velocidade traria ao corpo do menino.

Quando ela finalmente chegou, pousou suavemente no solo quente e então deu passos em
direção a sua cabana.

Com o garoto ainda no colo, ela entrou em sua residência e foi até um quarto separado.

No quarto tinha uma cama limpa que não era usada por ninguém, pelo menos até
momentos atrás quando a mulher colocou o corpo do menino ali.
Depois de deitar o menino na cama, ela verificou o pulso dele e descobriu que ele tinha que
ser tratado logo.

Ela não ficou desesperada nem nada, pois já sabia da situação do garoto, mas verificar seu
pulso confirmou que ele estava realmente mau.

Movendo suas mãos para a altura do peito, e formando um formato de triângulo com elas,
Karin de repente começou a sussurrar algumas palavras.

“Triângulo do benfeitor, terceiro lado.”

“Regeneração”

Uma voz simplesmente linda, que poderia relaxar até o mais sombrio dos corações ressoou
pelo quarto todo.

Infelizmente, por mais bela que a voz fosse, nesse momento, ninguém poderia ouvi-la a não
ser a própria Karin.

Quando o garoto finalmente acordasse curado e ouvisse essa voz, ele com certeza ficaria
impressionado.

CAP 6

No horizonte, não importa o quanto eu olhasse, eu não via simplesmente nada.

Exatamente do mesmo jeito de quando eu estava naquele deserto infernal.

Só conseguia ver um solo rochoso, mas nada além disso.

Eu me lembrava perfeitamente do que tinha acontecido momentos atrás.

O lobo negro tinha me atacado, e mesmo confiante do meu plano, esperançoso de que
daria certo, o lobo destruiu todas as minhas expectativas arrancando meu braço sem
nenhum esforço.

Se eu analisasse bem a cara do lobo naquela hora, eu poderia ver um pingo de decepção.

Seu oponente era simplesmente muito fraco.

Sabendo de tudo que tinha acontecido, comecei a pensar sobre onde eu poderia estar.

Eu tinha certeza que não sobreviveria daquela queda, então não fazia sentido eu estar tão
bem.

Além disso, por mais que sobrevivesse, eu estaria com o corpo todo quebrado.
Provavelmente morreria minutos depois de acordar.
Levando tudo isso em consideração, comecei a pensar que talvez esse fosse o pós vida.

Após minha morte, algum deus me chamou para esse espaço, talvez para julgar meus
feitos enquanto vivo.

Sinceramente, não acreditava tanto assim com a possibilidade de existir um Deus, mas
parece que eu estava errado.

Bem, independente de se um Deus me chamou ou não, para mim, não existia outra opção a
não ser eu estar morto.

Sabendo disso, começou a olhar com mais calma ao redor, movendo minha cabeça de um
lado para o outro.

Assim como eu tinha pensado anteriormente, enquanto eu observava não foi difícil dizer
que eu realmente estava no mesmo inferno de antes.

Felizmente, se esse era o pós vida, isso quer dizer que eu poderia explorar o lugar sem
perigos agora.

Com esse pensamento, começo a me mover em uma direção aleatória, sem nenhum rumo.

A única coisa que marcava a direção que eu estava indo, era um sol vermelho no céu, que
estava se pondo, e eu seguindo ele.

Assim como da vez em que comecei a explorar o lugar em busca de água, a viagem
também estava sendo chata e calma.

Ainda mais do que da outra vez, pois independente do que eu descobrisse, ou se eu


achasse água, não mudaria nada, pois eu já estava morto.

Meu braço e perna também não doíam nem um pouco, estavam completamente curados.

Graças a isso, eu pelo menos pude correr mais rápido do que da última vez, que só tinha
aumentado um pouco o ritmo, o suficiente para pegar a brisa do vento.

Enquanto corria, não pude deixar de pensar se eu ficaria nesse lugar para sempre.

Agora que eu estava morto, eu ficaria para sempre nesse ambiente, ou eu iria para um lugar
que fosse algo parecido com um reino dos mortos.

Eu não sabia.

Também cheguei a pensar que isso era um teste das valkirias, e se eu sobrevivesse nesse
inferno no pós vida, elas me mandariam para o Valhala.

Uma teoria maluca, mas na minha cabeça fazia um pouco de sentido depois de tudo que
tinha acontecido.
Aliás, considerando tudo que aconteceu, meu medo provavelmente estava pior agora.

Felizmente, parece que um trauma não poderia te afetar no pós vida.

Depois de andar por mais um tempo, avistei de longe um precipício.

As memórias rapidamente voltaram da hora na qual eu tinha sido morto.

Deixando o medo de lado, fui até o precipício e encarei ele, com uma carranca no rosto.

Foi muita coincidência encontrar o mesmo precipício de novo, então minha curiosidade
tomou conta de mim.

Chegando perto do precipício e estendendo meu pescoço para ver, a visão parecia a
mesma de antes.

Tinha a mesma aura assustadora e a sensação era a mesma.

Parecia até que eu estava vivo de novo.

De repente, distraindo meus pensamentos, avisto um corpo morto perto da parede do


precipício.

Mesmo com o corpo todo destruído, não era difícil perceber quem era.

Aquele corpo com certeza era meu.

O cabelo preto curto e olhos verdes que brilhavam no sol, assim como minha mãe dizia.

Não dava pra confundir aquele cabelo e aqueles olhos com ninguém.

No mesmo momento em que localizei meu corpo lá embaixo, destruído pela queda, uma
vontade imensa de vomitar apareceu.

Mesmo estando longe, ter observado meu corpo morto foi algo simplesmente desagradável.

Enquanto lutava para não vomitar, de repente volto minha atenção para trás de mim.

O lobo negro.

O mesmo de antes tinha aparecido novamente.

O suor começa a escorrer do meu rosto infinitamente e o medo começa a dopar meus
pensamentos.

O medo que eu estava sentindo de encontrar o lobo que causou meu fim era tanto que nem
pensar eu poderia naquele momento.
O lobo começou a andar lentamente para frente, em minha direção, mas mesmo com a
velocidade baixa, a cada passo que ele dava, o medo me obrigava a dar um passo para
trás.

Quando senti meu pé na beira do precipício, engoli um bocado de saliva imensa, e virei
minha cabeça para trás tentando medir a altura daquilo.

Eu não sabia a altura e nem planejava pular, mas caso eu caísse de novo, queria pelo
menos saber a altura daquilo.

Infelizmente foi inútil, meus olhos não podiam medir a altura daquilo sem nenhum
equipamento.

Na verdade, eu acho que ninguém conseguiria.

Depois da falhar em medir a altura, quando viro minha cabeça para frente, em direção ao
lobo, sou pego de surpresa pois o lobo estava bem na minha frente.

Ele não estava tão perto antes e naquela velocidade ele não poderia ter chegado na minha
frente em apenas alguns segundos.

Além disso, se ele tivesse vindo correndo eu provavelmente ouviria seus passos, que
estariam mais pesados.

Era como se ele tivesse teleportado.

Por causa da surpresa, acabou tomando um susto com a figura do lobo aparecendo de
repente na minha frente e meu pé direito desliza para baixo do precipício.

Eu ja tinha certeza que estava morto, então não pude deixar de pensar sobre o que
aconteceria comigo se eu sofresse essa queda.

Bem, todos eram pensamentos inúteis pois em menos de um segundo eu já estava caindo.

Depois de alguns segundos caindo, algo em torno de dois, de repente, eu sinto algo macio
encostando nas minhas costas.

Quando verifiquei, não tinha nada, apenas o solo a vários metros de distância.

Mas a sensação não era uma mentira.

Minha visão então começa a escurecer de repente antes de mudar para algo totalmente
diferente.

***
Com suor escorrendo do meu rosto, de repente acordo do pesadelo em que eu estava e me
inclino para frente, sentando-me na cama sem nem perceber.

Não estava entendo o que tinha acontecido.

Comecei a pensar em várias coisas, como se por exemplo eu estava tendo um pesadelo.

Essa era a hipótese que mais fazia sentido, mas daí outra pergunta veio à minha mente.

Como eu tinha sobrevivido a queda?

Deixando esses pensamentos de lado, viro minha cabeça de um lado para o outro, apenas
para descobrir que eu aparentemente estava em um quarto.

Mesmo curioso sobre o lugar que eu estava, começo a tocar meu rosto com vontade de
verificar se eu era real.

Depois de apertar minha bochecha, não tinha dúvidas de que era real.

Olhando de um lado para o outro, percebi que eu estava em um quarto pequeno, feito de
madeira e pedra.

Não sabia por que estava lá ou como tinha chegado lá, mas isso não importava na hora.

Movendo meu pescoço para baixo, ao invés de olhar pelo quarto eu começo a verificar meu
próprio corpo.

Eu estava todo enfaixado, principalmente meu braço esquerdo.

Quando vi meu braço esquerdo, não pude deixar de ficar surpreso e tocar ele.

Eu tinha certeza que eu havia o perdido lutando contra aquele lobo…

Deixando as dúvidas sobre meu braço de lado, começo a me perguntar sobre onde eu
estava.

Momentos atrás eu estava tendo um pesadelo, mas de repente acordo em um quarto


confortável.

Já nem sabia mais se eu estava naquele mesmo inferno ou não.

Infelizmente, não tinha como eu verificar já que o quarto não tinha janelas, porém, por
causa do calor que eu estava sentindo e pelo fato de que meu corpo estava claramente
suado, era fato que o lugar que eu estava não era nem um pouco agradável em termos
climáticos.

Deixando isso de lado, depois de pensar mais um pouco sobre onde eu poderia estar, uma
dúvida ainda maior apareceu na minha mente.
Como eu tinha recuperado meu braço perdido?

Não tinha como simplesmente costurar um braço novo, ou então colocar uma prótese de
repente, então como ele ainda estava lá?

Eu já sabia que momentos atrás, tais quais eu tinha meu braço e perna perfeitos eram parte
de um pesadelo.

Agora que eu tinha acordado dele, isso só indica que eu tinha sobrevivido da queda de
algum jeito, e magicamente meu braço se recuperou.

Depois de pensar um pouco e juntar as informações que eu tinha até agora, cheguei à
conclusão de que alguém tinha cuidado de mim.

Essa pessoa que cuidou de mim provavelmente me encontrou quase morto depois de cair
do precipício, e começou a cuidar dos meus ferimentos.

Não sabia como tal pessoa tinha recuperado meu braço, mas isso não importava.

Aliás, só de ficar pensando no meu braço me trazia memórias de mim perdendo ele.

Tais memórias não eram nem um pouco confortáveis, na verdade, completamente


assustadoras.

Não queria sofrer aquilo de novo de jeito nenhum.

Só de pensar em perder meu braço, na dor que eu senti e os efeitos da perda de sangue
me fazia suar ainda mais.

Depois de me acalmar um pouco, começo a olhar por todo o quarto a procura de uma única
coisa

A porta.

Se eu ficasse deitado para sempre, nunca saberia o que tinha acontecido comigo e nem
teria a chance de agradecer quem me salvou.

Sabendo disso, me levantei da cama um pouco aflito, pois mesmo parecendo bem, talvez
quando eu ficasse de pé eu sentiria uma dor descomunal.

Felizmente, depois de me levantar imediatamente me acalmei pois nenhuma dor veio.

Meu corpo estava em perfeito estado, ou quase.

Depois de me levantar, andei até a porta de madeira, e assim que cheguei na frente dela,
movi minha mão até a maçaneta e abri.
Do outro lado da porta, tudo que eu pude ver foi uma visão de algo como uma casa
pequena, parecida com uma cabana.

Assim como o quarto em que eu estava, a casa inteira era feita de pedra e madeira, algo
que me lembrava um estilo rústico, ou então as casa das histórias de fantasia em que tem
condes e reinos.

Se essa casa realmente ficasse no meio daquele deserto gigante de pedras e rochas, seria
algo realmente aleatório.

Além disso, nem conseguia imaginar quanto esforço era necessário para morar naquele
inferno.

Deixando meus pensamentos de lado, continuo me movendo pela pequena cabana até
encontrar a porta que levaria pelo lado de fora.

Não tinha encontrado ninguém dentro da cabana, então pensei que talvez do lado de fora
teria alguém.

Parado na frente da porta que levaria para o lado de fora, abri ela e imediatamente senti os
raios solares tocarem minha pele.

Felizmente, os raios solares não eram tão fortes quanto aqueles de quando eu estava
lutando para sobreviver.

Depois de abrir a porta e sair da residência, imediatamente fico surpreso com a visão
proporcionada.

Se eu olhasse apenas para o horizonte, tudo que eu veria era um solo rochoso e infertil,
mas se eu olhasse o solo perto da cabana, a visão era impressionante.

Era possível ver grama e flores no solo perto da cabana.

Esse solo verde e vivo se estendia até sete metros da cabana, de todas as direções,
formando um círculo perfeito de vegetação.

Era uma visão única no meio daquela massa de cores mortas que se estendia até o
horizonte.

Assim que minha surpresa passou, algo diferente cresceu dentro de mim.

Uma parte de mim se sentiu emocionada por finalmente ver uma ambientação normal,
depois de horas vendo apenas coisas mortas e secas.

Ainda um pouco emocionado, mas não o suficiente para chorar ou algo do tipo, eu procurei
dentro de todo aquele espaço verde para ver se eu achava alguém, mas depois de rodear o
lugar eu ainda não tinha achado ninguém.
Como ainda não tinha achado ninguém, eu comecei a pensar sobre isso, mas antes que
qualquer ideia surgisse, sou pego de surpresa por uma ventania forte, que me fez tapar
meus olhos com o braço.

Quando a ventania passou depois de alguns segundos, de repente avisto uma figura com
dois chifres negros e uma causa negra parada no solo bem na minha frente.

Não acreditei imediatamente no que vi, mas quando a figura começou a se mover em minha
direção, uma pressão esmagadora tomou conta do ar, me deixando com dificuldade para
respirar.

Assim que a pressão apareceu, o medo logo tomou conta de mim.

Graças ao medo, a única coisa que pude pensar era que aquela figura parecia um demônio.

‘Um demônio veio me caçar logo depois de eu acordar?’

Ainda assustado, pensamentos como esse começaram a aparecer na minha mente.

De repente, quando ela estava apenas a alguns passos de mim, a pressão cessou
finalmente deixando eu respirar normalmente.

Junto com a perda da pressão, o medo instintivo que eu estava sentindo antes logo tinha
sumido e minha mente começou a clarear.

Os pensamentos pessimistas que eu estava tendo rapidamente sumiram e minha mente


começou a funcionar normalmente de novo.

E então, quebrando o silêncio entre nós dois, e me pegando de surpresa, a primeira a falar
foi a mulher com os dois chifres.

“Você está se sentindo bem?”

Fiquei confuso com sua pergunta repentina, ficando em dúvida sobre por que ela tinha
perguntado isso de repente.

“A..anh?”

Por causa da dúvida, gaguejei confuso ao invés de dar uma resposta.

“É compreensível você estar confuso, mas saiba que eu não pretendo fazer nenhum mal a
você”

“O..ok, mas quem é você?”

“Eu me chamo Karin. E se serve de alguma coisa, digamos que fui eu que te salvei da
morte”
Quando ela disse isso, eu finalmente me dei conta do por que ela tinha perguntado aquilo
inicialmente.

Era ela que tinha me salvado.

E isso me deixou um pouco confuso, já que não sabia o que fazer na hora.

A única coisa que pensei foi em agradece-la.

Eu deveria agradecer adequadamente, afinal, se não fosse por ela eu nem estaria vivo.

Ela tinha cuidado de mim, então eu devia tudo a ela.

“Ah... muito obrigado?”

Pensando em como deveria agradecê-la, eu fiz uma reverência curvando meu corpo para
frente enquanto mantinha meus braços presos ao meu tronco.

Agradeci ela do fundo do meu coração, pois estava realmente grato por ela ter me salvado.

Pega de surpresa, pude perceber pela cara que ela fez que ela não esperava um
agradecimento dessa forma, mas pelo menos ela não parecia insatisfeita, e sim apenas
surpresa.

“Bem, não precisa me agradecer, eu que decidi te salvar”

“Mas mesmo assim…. se não você por você eu nem estaria vivo…”

“Não acho que isso seja verdade. Te observei nas últimas horas, e a sua força de vontade,
querendo sobreviver a qualquer custo se mostrou bem forte”

Me observou? Eu fiquei realmente confuso com essa fala dela, então não pude deixar de
perguntar:

“Como assim?”

Queria saber sobre isso.

Se ela me observou nas últimas horas, isso quer dizer que ela também sabia que eu não
era deste mundo?

Eu tinha concluído que não era deste mundo há algum tempo.

Nunca tinha ouvido falar de um lugar na terra que tinha um solo desses, além de um lobo
que sobrevive em uma temperatura tão alta.

Eu gostava de ver canais sobre animais na televisão e nunca tinha ouvido sobre um lobo
desses.
E mais, a força de mordida de um lobo não era o suficiente para arrancar meu braço como
se fosse manteiga…

Interrompendo meus pensamentos, a Karin de repente volta a falar.

“Eu sei que você está confuso agora, então que tal conversarmos?”

“Conversar?”

”Exatamente”

“O-ok”

Realmente estava confuso.

A mulher na minha frente tinha dois chifres negros, além de que ela de repente apareceu
depois de uma ventania.

Além disso, por mais que eu não tivesse pensado muito sobre isso até o momento, não
fazia sentido a vegetação só se estabelecer perto da cabana.

Além dessas perguntas, eu obviamente tinha muitas outras que queria fazer.

Conversar era a melhor opção, assim como ela tinha proposto.

“Certo, então…”

Interrompendo sua própria fala, Karin de repente levantou suas duas mão na altura do peito
e formou um triângulo com elas.

Assim que o triângulo foi formado, ela começou a sussurrar algumas palavras.

“Triângulo do benfeitor, segundo lado”

“Criação”

Assim que ela começou a sussurrar, uma voz belíssima ecoou por todo o espaço, me
acalmando imediatamente.

Era como se eu estivesse ouvindo a voz de uma Deusa, de tão bela que era.

Cada palavra que ela dizia era o suficiente para fazer eu querer ouvir cada vez mais a voz.

Quase hipnotizante.
Quando ela terminou de sussurrar as palavras, de repente fui pego de surpresa pois saindo
do chão, madeira começou a aparecer, além disso, a madeira começou a se moldar sozinha
para ter o formato de uma mesa e dois bancos.

Uma mesa com um banco de cada lado tinha acabado de ser formada na minha frente.

A surpresa foi tanta que imediatamente perguntei:

“O... o que foi isso?”

Olhando com os olhos levemente arregalados para ela, eu já tinha perdido a compostura de
quando eu estava agradecendo, e não pude evitar perguntar sobre o que tinha acabado de
acontecer.

“Se sente”

“anh?”

“Não tem como nós conversarmos de pé não é mesmo”

Depois de pedir para mim sentar, ela rapidamente se moveu e sentou-se no banco à direita
da mesa.

Segui seus passos e também sentei no banco, mesmo estando confuso, já que querendo
ou não, concordava que era melhor conversar sentado.

O problema era que eu estava me sentindo numa festa do chá, sentado numa mesa no
meio do jardim.

Assim que me sentei, não pude evitar de ficar tenso mas logo a tensão se dissipou e foi
substituída por várias dúvidas.

Sem perder mais tempo, eu logo perguntei sobre o que eu estava mais curioso e aflito.

“Onde nós estamos?”

Parecendo surpresa e satisfeita com minha pergunta, Karin me respondeu no mesmo


instante.

“Tão direto em”

“Não se apresse, logo responderei todas as suas perguntas”

Enquanto minha cara estava séria e confusa, a cara da Karin estava calma, com um sorriso
estampado nela enquanto ela falava.

CAP 7
Depois da minha pergunta repentina, Karin logo me respondeu.

“Então essa é sua primeira pergunta?”

“Bem, eu realmente não sei onde estamos”

Não tinha ideia de onde estava, mesmo tendo sobrevivido no lugar por quase um dia.

Era normal que essa fosse minha maior dúvida.

Retomando o rumo da conversa, Karin então disse:

“Faz sentido,levando em consideração que você veio de outro mundo…”

Então ela realmente sabia que eu tinha vindo de outro mundo.

Era interessante saber disso, pois confirmava que desde o início ela estava me observando,
fazendo com que eu me perguntasse.

‘Como ela estava me observando?’

Tirando-me dos meus pensamentos, Karin finalmente respondeu minha pergunta.

“Atualmente, nós estamos na parte mais deserta do continente Demoníaco”

“Anh?!”

Assim que ela disse isso, não pude evitar de me levantar momentaneamente do banco,
totalmente surpreso com o que ela tinha falado.

‘Como assim continente Demoníaco?’

Mesmo sabendo que eu estava em outro mundo, soltar uma bomba dessas de repente foi
um choque imenso para mim.

Me lembrava das histórias que lia ou então de jogos que eu jogava.

Era simplesmente chocante saber disso.

Depois de me acalmar um pouco, comecei a pensar sobre o que ela tinha falado.

Conforme pensava, cada vez mais aquilo ia fazendo sentido para mim.

Mesmo que fosse chocante, fazia sentido levando em consideração o ambiente hostil que
eu estava sobrevivendo momentos atrás.

Se eu comparasse com o continente Demoníaco de Mushoku tensei por exemplo, parecia


quase igual.
Depois de ter pensado sobre o assunto e ter percebido que fazia sentido, sentei-me no
banco e continuei falando, ou tentei antes de Karin me interromper.

“Cont-”

“Você está mais surpreso com o fato de você estar no continente Demoníaco do que com o
fato de eu saber que você veio de outro mundo?”

Assim que ela disse isso, entendi o porquê de sua surpresa.

Se qualquer outra pessoa descobrisse que eu era de outro mundo, eu realmente ficaria
preocupado, mas ela disse que já estava me observando desde o início, então não parecia
ter a intenção de fazer mal a mim.

Além disso, se ela estava me observando desde o início, ela já sabia que eu era de outro
mundo, e como ela disse para mim que estava me observando, não era difícil descobrir que
ela já sabia sobre minha identidade.

Pensando em uma resposta rápida, logo respondo a pergunta dela.

“Bem, você disse que estava me observando desde o início, então era fácil presumir que
você já sabia sobre minha identidade”

Logo depois de respondê-la, seu rosto mudou e sua expressão de repente mostrou sinais
de satisfação, além de um sorriso ter aparecido em seu rosto.

“Presumir isso só com as poucas palavras que eu disse é realmente impressionante”

“Bem…”

Por mais que parecesse que ela estava apenas me elogiando, na hora tive a sensação de
que não era tão simples assim.

Deixando esse pequeno sentimento de lado, rapidamente faço outra pergunta.

As dúvidas na minha mente eram gigantes.

“Eu tenho outra pergunta”

“Diga, irei responder todas as dúvidas que você tiver”

“Como você fez madeira surgir de repente do chão?”

Além de me perguntar sobre onde eu estava, essa era minha segunda maior dúvida.

Agora que ela disse que nós estávamos no continente Demoníaco, e se levarmos em
consideração que esse era outro mundo, a única opção era magia, certo?
Se fosse, eu obviamente ficaria animado, já que magia era algo que me interessava.

Tendo visto várias histórias de fantasia, e jogado vários jogos com o mesmo gênero, a ideia
de magia para mim era algo fantástico.

Poderia lançar poderes usando feitiços, e usar mana para controlar elementos.

Na minha visão era algo simplesmente magnífico.

Se aquilo realmente fosse magia, talvez viver em outro mundo não seria tão ruim assim.

Além disso, se eu fosse viver nesse mundo eu precisaria de algo para me proteger.

Magia com certeza seria a melhor opção.

Me tirando de minha animação, Karin logo respondeu minhas pergunta.

“Bem, aquilo lá era meu sexto sentido”

“Sexto sentido?”

“Exatamente”

Nunca tinha ouvido sobre isso em histórias ou jogos.

Bem, mesmo que não fosse magia, eu não estava decepcionado.

Longe disso.

Sempre que eu via alguma história com um tipo de poder diferente, sempre achava legal
pois era algo inovador.

Conhecer um poder do zero e ainda no mundo real, não apenas nas telas, realmente
vivendo aquilo, me trazia um sentimento de excitação enorme.

Querendo saber mais sobre esse tal de sexto sentido, rapidamente pergunto a ela sobre o
assunto.

“O que é isso?”

“Já que você veio de outro mundo, eu irei explicar de forma simples”

“Basicamente, todas as crianças quando chegam em uma certa idade, sendo elfos,
humanos, demônios, etc, despertam um sexto sentido”

“O sexto sentido nada mais é do que algo que completamenta a sua vida”
“Assim como os cinco sentidos principais, o sexto sentido se torna algo necessário para sua
vida”

“Além disso, cada raça tem mais chance de despertar um certo sexto sentido”

“Como por exemplo os elfos, que tem mais chance de despertar a energia elementar*

Assim que ela disse energia elementar, o nome rapidamente chamou minha atenção.

Queria saber se por exemplo era possível controlar os elementos com esse sexto sentido.

Com essa dúvida em mente, perguntei a ela sobre o assunto.

“O que é energia elementar?”

“Assim como o nome sugere, se o seu sexto sentido é energia elementar, você pode
controlar os elementos por si mesmo”

“Entendo, isso parece bem legal…”

“Você está curioso sobre os sextos sentidos?”

“Na verdade… sim”

Realmente.

Seria mentira dizer que eu não estava curioso sobre eles.

Queria saber quais tinham e como eles eram usados.

Ou então como eles apareciam na vida de alguém.

Minha cabeça no momento estava pensando apenas sobre esses tais “sextos sentidos”.

Felizmente, logo Karin apareceu com uma ideia.

“Então eu tenho uma sugestão…”

“Sugestão?”

“Exatamente”

Minha atenção imediatamente se virou a ela quando ela disse sugestão.

Por mais que eu estivesse pensando sobre o sexto sentido, quando ela disse que tinha uma
sugestão, não pude evitar de ficar curioso sobre.

Tipo, queria realmente saber qual era sua sugestão.


“Que sugestão é essa?”

“Que tal despertarmos o seu sexto sentido?”

“O que?!”

Mais uma vez, levantando do banco, não consegui não ficar surpreso com aquela fala.

Mesmo se existisse magia nesse mundo ou qualquer outro poder parecido, eu não tinha
esperanças de que conseguiria usar esses poderes, justamente por ser de outro mundo.

Quando ela disse isso, foi como se ela estivesse confirmando que eu também teria poderes.

Nada poderia me deixar mais animado do que isso.

Até estava esquecendo do inferno que tinha passado um dia atrás.

Sentando-me no banco e me acalmando um pouco, depois disso, Karin logo continuou.

“Você parece bem animado com essa ideia”

“Bem, esse tipo de poder não existe no mundo em que eu vivia”

“Mas para ficar animado assim, você não parece totalmente leigo sobre esse tipo de força”

“Realmente. No meu planeta, era normal ter histórias com poderes parecidos”

“Interessante…. Você poderia me contar sobre elas alguma hora?”

“Ah, bem… se você quiser..”

Um pouco surpreso com a afirmação repentina, respondo ela antes de continuar falando
sobre o assunto anterior.

“Mas voltando para o assunto do sexto sentido, como eu faço para despertar o meu?”

“Você está realmente animado com isso”

“É tão óbvio assim?”

Era tão óbvia minha animação?

Tipo, eu sabia que eu estava bem animado então não era difícil de perceber, mas…

“Bem… Sim… É bem óbvia”

Esfregando na minha cara que estava óbvio…


Não pude deixar de pensar se ela não podia simplesmente ter confirmado ao invés de
responder desse jeito.

De qualquer forma, eu logo continuei.

“Já que está tão óbvio, por que você não me mostra como despertar”

“Certo, acho que já enrolamos de mais”

De repente, colocando a mão sobre a mesa, na palma da mão de Karin uma pedra
começou a ser formada.

Conforme a pedra aparecia, cada vez mais a cor preta ficava óbvia.

Quando a pedra finalmente terminou de se materializar em sua mão, ao invés de uma pedra
totalmente sólida, algo mais parecido com um cristal tinha sido formado.

Assim que o cristal se formou, Karin o agarrou com a mão e deu para mim, dizendo:

“Quebre-o”

Um pouco confuso, confirmei antes de realmente fazer o que ela tinha dito.

“Quebra-lo?”

“Exatamente. Assim que você quebrar, vamos descobrir qual é o seu sexto sentido”

“Certo”

Agarrando a pedra que ela tinha me entregado, a ajeito dentro da minha palma já fechada e
começo a fazer força com a mão.

A pedra era dura, a tornando realmente difícil de quebrar, mas comparado a dor que já tinha
sentido, aquele pequeno esforço não era nada.

Depois de um tempo pressionando a pedra, um som de vidro se quebrando finalmente pode


ser ouvido.

Assim que isso aconteceu, senti a pedra de tri da minha palma fechada se transformando
em vários pedaços menores.

Assim que a ação foi feita, perguntei a Karin:

“O que devo fazer agora?”

“Apenas deixe os pedaços do cristal sobre a mesa, pertos um do outro”


“Certo”

Seguindo o que ela tinha falado, movi minha mão até a metade da mesa e deixei os
pedaços ali.

Assim que fiz isso, uma luz apareceu de todos os pedaços, forte o suficiente para aparecer
mesmo de dia.

Depois de alguns segundos, a luz ficou mais forte e de branco começou a mudar para a cor
azul.

Assim que todas as pedras antes pretas estavam brilhando azuis, todos os pedaços se
levantaram como se estivessem levitando e começaram a girar em sentido horário.

Conforme giravam, a cada volta eles se aproximavam cada vez mais, e aos poucos foi
possível ver alguns pedaços se juntando com outros, deixando o brilho azul mais forte.

Quando finalmente todos os pedaços estavam juntados, a pedra que antes era preta agora
estava totalmente azul.

Por causa disso, também acabou ficando mais transparente do que antes, mas não prestei
tanta atenção nessa parte.

Assim que a pedra ficou azul, ela caiu sobre a mesa e parecia que eu nunca nem tinha
tocado nela antes.

Por mais que a cor agora estivesse diferente, seu estado físico estava perfeito, sem
nenhum arranhão ou rachadura.

Enquanto eu estava encantado com o que tinha acabado de acontecer, a voz de Karin de
repente me tirou de meus pensamentos.

“Interessante”

Com um sorriso estampado em seu rosto, ela estendeu seu braço até a mesa e pegou a
jóia azul.

Assim que o fez, começou a analisá-la de perto.

Quando terminou de analisar a pedra, ela apenas colocou a jóia sobre a mesa novamente e
a deixou lá.

Após isso, ela começou a falar:

“Bem, pelo que pude verificar, seu sexto sentido é a mana”

Assim que ela disse isso, imediatamente fiquei animado.


Se meu sexto sentido era mana, isso significa que eu poderia usar magia, certo?

Bem, eu não sabia, por isso decidi perguntar a Karin.

“Então isso significa que eu posso usar magia?!”

Com um ânimo óbvio na minha voz, não era difícil dizer o quão animado eu estava.

Observando minha animação, Karin então responde minha pergunta.

“Magia? Isso é coisa dos espiritualistas”

“Mana tem um princípio completamente diferente”

“Não é usada para magia”

Quebrando todas as minhas expectativas sobre a chance de eu poder usar magia, não
pude deixar de me sentir um pouco decepcionado.

Tentei não demonstrar isso, mas parece que não foi eficaz, pois Karin logo percebeu.

“Você parece um tanto quanto chateado”

“Bem, eu realmente queria poder usar magia*

“Eu já vi outras pessoas usando magia antes, não é tão legal quanto parece”

“Além disso, pessoas que usam magia só atacam a distância”

“É muito mais legal usar combate corpo a corpo do que lançar magias de longe”

“E a mana serve exatamente para isso”

Ouvindo Karin desabafar sua opinião sobre magia e mana, me senti um pouco melhor.

Não sei se essa foi a intenção dela, mas pelo menos me fez enxergar as coisas por outro
lado.

Assim como ela havia falado, combater corpo a corpo era mais legal do que atacar a
distância.

E eu também achava isso.

Porém, magia era claramente mais segura do que enfrentar um monstro ou animal de
frente.

Eu não queria ter que passar pela mesma coisa que tinha passado lutando contra aquele
lobo negro.
Infelizmente, parece que combate corpo a corpo era a única opção para mim se eu
quisesse ficar mais forte e sobreviver.

Falando sinceramente, eu não sabia por que Karin tinha me ajudado ou o que ela ganhava
fazendo isso, mas não pretendia ficar sob os cuidados dela para sempre.

Se não tinha uma forma de voltar à terra, eu teria que sobreviver nesse novo mundo, mas
não poderia depender apenas da Karin.

Na verdade, nem sabia se ela estava disposta a me ajudar de novo.

De qualquer forma, eu sabia que tinha que ser forte de um jeito ou de outro.

Com esse pensamento em mente, e com a decepção momentânea tendo passado, eu


disse:

“Certo, mana não é ruim. Eu só estava sendo precipitado”

Ouvindo minhas palavras, Karin diz:

“Entendo, então não está mais decepcionado”

“Na verdade não. Eu também gosto de combate corpo a corpo”

“O problema é que eu não sei lutar….”

Esse era o meu único problema.

Eu não sabia lutar.

Quer dizer, se eu realmente quisesse sobreviver nesse mundo novo, eu teria que pesquisar
e conseguir informações sobre ele, mas isso eu poderia fazer perguntando a Karin.

Ela não parecia incomodada respondendo minhas perguntas, então imaginei que se
perguntasse um pouco mais não seria nada ruim.

Ou seja, eventualmente, meu único problema seria não saber me defender.

Já tinha visto como era perigoso o mundo lá fora, depois e ter enfrentado aquele lobo negro,
então sabia que seu eu não aprendesse a me defender eu nunca seria capaz de sobreviver.

Enquanto uma carranca preocupada surgia em meus rosto, Karin de repente rompe o
silêncio dizendo palavras que me livraram da preocupação.

“Isso não é realmente um problema”

“Como assim?”
“Bem, eu posso simplesmente treinar você”

Pego de surpresa pela fala dela, não pude evitar de perguntar sobre.

“Espera, isso é verdade?”

“Óbvio, por que eu mentiria?”

“Mas você já me salvou, por que me ajudaria treinando também?”

“Eu só te salvei pois queria treinar você”

“Faz tempo que eu não acho alguém a altura da minha discípula para treinar”

“Você foi o primeiro em anos que eu senti que valeria a pena treinar”

Nessa hora, não sabia se agradece tinha sido a coisa certa a se fazer.

Tipo ela tinha acabado de jogar na minha cara que só tinha me salvado para se livrar do
tédio?

Bem, pelo menos é isso que parecia ser.

Infelizmente, isso não mudava o fato de que ela tinha salvo minha vida.

Não importava o motivo, mas sim o que ela tinha feito.

Me tirando da confusão interna, a voz de Karin logo começou a soar pelo ar.

“Mas antes de eu te treinar, que tal você acabar de perguntar sobre suas dúvidas”

“Realmente, eu ainda tenho muitas dúvidas”

“Ficaria agradecido se você pudesse responder elas”

Tinha muitas coisas ainda para perguntar, não queria esperar nem mais um segundo para
obter respostas.

Sendo assim, concordando com o que ela tinha dito, nós dois começamos a conversar.

Antes de perguntar sobre algo novamente, percebendo que não tinha me apresentado
ainda, digo meu nome para ela enquanto me desculpava pela apresentação tardia.

“Bem, meu nome é Michael…”

“Perdão pela apresentação tardia!”


Rindo da minha cara, Karin apenas responde rapidamente.

“Não tem problema”

“Mas agora, mas então, quais são suas perguntas?”

“Bem…..”

E assim passamos o resto do dia inteiro conversando.

Eram várias e várias perguntas.

A maioria exigia respostas mais longas então o tempo no final foi compreensível.

Só acabamos nossa seção de perguntas quando o sol estava se pondo.

CAP 8

Deitado na mesma cama de quando eu estava apagado, enquanto abraçava o travesseiro,


pensava sobre o dia de hoje.

Tinha conversado com Karin a tarde inteira.

Ela respondeu várias perguntas minhas, e sempre que ela respondia uma eu logo lançava
outra.

Era um mar de perguntas sem fim.

Felizmente, ela não pareceu com raiva disso, na verdade parecia até satisfeita.

Deixando isso de lado, minha atenção logo se virou para as respostas que ela deu.

Graças as informações que ela tinha me dado, eu estava em um estado de choque imenso.

Por mais que eu tenha tentado disfarçar essa surpresa, eu acho que não foi tão eficiente
assim.

Eu realmente fiquei muito surpreso com tudo o que ela falou.

Basicamente, enquanto conversávamos, em certo momento eu acabei perguntando sobre a


geografia do mundo.

Uma pergunta simples, mas seria extremamente importante para mim já que eu literalmente
vinha de outro mundo.

De qualquer forma, sua resposta me deixou chocado na mesma hora.

Ela não deu uma resposta complexa. Tudo o que ela falou foi:
“Atualmente, o mundo está dividido em dois continentes. O continente Geral e o continente
Demoníaco”

“Em ambos é possível encontrar várias pessoas de todas as raças”

“Uma diferença entre os dois é o perigo, já que o continente Demoníaco é bem mais
perigoso do que o continente Geral, onde as feras são mais fracas”

“Além disso……”

Bem, saber de tudo o que ela me disse foi bom, o problema era uma única coisa.

Continente Demoníaco e Continente Geral.

Esses dois nomes me lembravam de uma coisa que eu estava fazendo logo antes de ser
teleportado para outro mundo.

O jogo Infinity War.

Não sabia se eu realmente tinha sido transportado para dentro do jogo, mas independente
disso, essa era uma opção que eu deveria levar em conta.

Na verdade, pelo que observei do continente Demoníaco durante o vídeo do tutorial, a


região que eu estava agora era bem parecida, apenas mais deserta.

Isso tudo me fazia pensar que eu realmente tinha sido transportado para dentro do jogo.

E isso foi um choque para mim.

Assim como disse antes, tentei controlar minha surpresa anteriormente, enquanto estava
com Karin, justamente para não parecer suspeito.

Porém agora que estou sozinho, essa surpresa estava tomando conta do meu corpo inteiro.

Mesmo que eu não tivesse entrado dentro do jogo, essa era a opção mais provável, então
eu teria que levá-la em conta.

Além disso, levando essa opção em conta, mais uma dúvida surgia.

Eu teria que viver assim como as missões dadas no jogo ou eu poderia viver minha vida
normalmente?

Não sabia, mas sabia que alguma hora teria que decidir sobre isso.

Também sabia que se essa hora chegasse, escolher as missões do jogo seria a opção mais
segura.
De qualquer forma, enquanto minha cabeça estava a mil por causa de todas os
pensamentos e ideias que tinha, tudo o que eu pensava era relacionado a possibilidade de
eu estar preso dentro do jogo.

Pensei em várias coisas, como se eu por exemplo poderia voltar ao mundo real, mas
descartei essa pois se eu colocasse esperança demais e acabasse me decepcionando, eu
poderia literalmente quebrar por nunca mais ver minha família.

Além disso, também pensei sobre tudo aquilo de antes, como por exemplo se eu deveria
seguir a história do jogo ou não.

No final, eu decidi que seguiria a história do jogo, entrando na melhor guilda do continente
Demoníaco.

Não sabia se era a escolha certa a se fazer, mas se eu fosse seguir o jogo, era com certeza
a mais fácil.

Além disso, não escolhi entrar na melhor guilda do continente Geral pois como eu tinha
aparecido no continente Demoníaco, depois de pensar um pouco, concluí que eu
provavelmente estaria no modo difícil se isso fosse o jogo.

E se eu estava no modo difícil, essa era a única opção.

Depois de pensar sobre mais algumas coisas, a última coisa que eu concluí na minha visão
era a mais importante.

Decidi que eu não pensaria nesse mundo como um jogo.

Já tinha conhecido a Karin e além de cuidar de mim ela me ajudaria com treinamento.

Ela com certeza não é só uma personagem de um jogo, e eu nem poderia pensar nisso.

Ela tinha me salvado por vontade própria, eu devia tudo a ela.

Levar esse mundo a sério também fazia parte disso.

Além disso, eu já tinha enfrentado os problemas que esse mundo apresentava, e eu sabia
da dor que eles causavam.

Passar fome e sede em uma temperatura imensa, por mais que tenha sido num curto
período de tempo, foi uma experiência traumatizante.

Além disso, a dor que senti ao ser mordido por um lobo também não foi nada fácil de lidar.

Eu desejava morrer naquela hora.

De qualquer forma, se eu quisesse respeitar a Karin, que tinha me salvado, e sobreviver


nesse mundo, eu não poderia pensar nele apenas como um jogo.
Teria que pensar nele como o planeta terra que eu viveria de agora em diante.

Depois de acabar de pensar sobre esse assunto, eu comecei a pensar sobre outra coisa.

A própria Karin.

Por mais que eu não tivesse demonstrado, seu cabelo negro como a noite e seu olhos
vermelhos sangue eram lindos.

Ambos combinavam perfeitamente com seu rosto incrível que sempre esteve sorrindo
desde que me salvou.

Eu não conseguia tirar aquele sorriso da minha cabeça.

Como um adolescente de treze anos, era normal que eu pensasse assim, mas tinha algo
mais.

Qualquer menina bonita, no mesmo nível da Karin, poderia me deixar desse jeito.

Mas com a Karin era diferente.

Desde o momento que ela disse que tinha me salvado, o jeito que ela me tratou e ela
dizendo que iria me treinar fizeram meu corpo se aquecer um pouco.

Eu me sentia confortável perto dela.

Não era amor nem nada do tipo, apenas que eu sabia que se estivesse do lado dela,
mesmo naquele inferno, eu ficaria seguro.

E mesmo depois de me separar dela, com o treinamento, eu provavelmente não teria


dificuldade de sobreviver sozinho.

Basicamente, eu ficaria devendo a ela durante minha vida toda.

Com esse pensamento em mente, acabei adormecendo depois de um tempo, já que já tinha
pensado sobre tudo que eu precisava.

***

Enquanto esfregava os olhos para acordar logo, rapidamente me levantei da cama em que
estava deitado e saí do quarto.

Por mais que a sensação de dormir bem em uma cama confortável seja incrível, eu não
podia me dar ao luxo de aproveitar mais.

Afinal, meu treinamento começava hoje.


Eu não queria perder nem um segundo dormindo.

Logo depois de sair do quarto, mesmo não estando correndo, andei rapidamente até a
saída da cabana.

Assim que cheguei na frente da porta, movi minha mão até a maçaneta a fim de abri-la.

Quando eu finalmente girei a maçaneta e abri a porta, de repente, sinto um puxão


segurando minha gola.

Quando olhei para trás, logo percebi que era.

Era Karin.

Ela estava me segurando pela gola com uma mão, enquanto com a outra tapava a boca
enquanto bocejava.

Abrindo seus olhos que estavam lacrimejando um pouco, ela de repente diz.

“O que você pensa que está fazendo”

Com uma cara de surpresa, pois não sabia o que responder, eu digo a primeira coisa que
me vem à mente.

“A gente não ia começar o treinamento hoje?”

— Suspiro

Parecendo um pouco decepcionada, depois de suspirar, ela então me responde.

“Sim mas… você precisa comer antes”

“Comer?”

“Exato, o café da manhã é a refeição mais importante do dia”

Isso era uma coisa que eu ouvia toda hora na terra, mas quem diria que também existia
aqui.

Me tirando dos pensamentos, ela continua.

“Como você planeja criar um corpo forte?”

“.....”

“Não sabe né? Bem, para fazer isso, você precisa se alimentar bem”
Enquanto ela falava tudo aquilo, eu não pude deixar de pensar que ela parecia bem mais
rígida do que ontem.

Mesmo pensando isso, em nenhum momento achei ruim, já que mostrava que ela
realmente queria me treinar.

Sabendo disso, eu disse.

“Então posso considerar isso como parte do treinamento?”

“Sim, já que querendo ou não, é uma parte do treino”

“Certo, mas….”

Coçando minha nuca, eu continuo.

“O que eu devo comer”

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