Professor Policarpo
Brasília
A nova capital
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21 de Abril de 1960
A construção de Brasília foi a concretização de um
projeto nacional que existia desde o século XIX, cujo
intuito era o de levar a capital do nosso país para o
planalto central. Essa obra aconteceu entre 1957 e
1960 e foi viabilizada pelo governo de Juscelino
Kubitschek.
Juscelino idealizou a construção de Brasília para que
fosse a síntese perfeita do seu plano de modernização
do Brasil. Durante as obras, o presidente não poupou
recursos para que a cidade projetada por Oscar
Niemeyer e Lúcio Costa fosse erguida. Os
trabalhadores que a fizeram ficaram conhecidos como
candangos.
Inauguração de Brasília em 21 de Abril de 1960
A construção de Brasília foi realizada na segunda
metade da década de 1950, durante o governo de
Juscelino Kubitschek. Esse foi um período de agitação
política e de relativo desenvolvimento econômico em
nosso país. Kubitschek foi eleito presidente com seu
slogan de campanha, ele propôs avançar o Brasil “50
anos em 5”.
A construção de Brasília foi o evento mais simbólico
do referido projeto de desenvolvimento econômico
brasileiro, o qual procurava investir pesadamente em
áreas entendidas como estratégicas. Esse projeto
fazia parte de uma concepção de um novo Brasil.
Essa priorização do desenvolvimento econômico é
conhecida pelos especialistas
como desenvolvimentismo, e, no governo de JK, ela
foi manifestada pelo Plano de Metas. Esse plano
econômico visava estruturar o caminho para que o
governo pudesse realizar o desenvolvimento do país
nos cinco anos do mandato de JK.
Palácio da Alvorada
O Plano de Metas foi implantado já em 1º de fevereiro de
1956, o segundo dia do governo de JK. Ele estipulava 31
objetivos a serem cumpridos dentro de cinco áreas
estratégicas do
país: energia elétrica, transporte (infraestrutura),
indústria de base, alimentação e educação. O Plano causou
grande mobilização do governo para que essas áreas fossem
desenvolvidas (alimentação e educação foram menos
priorizadas e receberam poucos recursos).
O Plano foi um sucesso, trazendo resultados
significativos nas áreas da indústria, da energia
elétrica e do transporte. Grande parte desse sucesso
deveu-se à construção de Brasília, uma vez que ela
movimentou a economia e mobilizou uma vasta
quantidade de recursos para viabilizar a transferência
da capital.
A ideia de transferência da capital para o interior do
Brasil existia desde o século XIX. José Bonifácio de
Andrada e Silva, conhecido como patrono
da independência do Brasil, sugeriu, em 1823, a
transferência da capital do país para o interior como
forma de protegê-la de eventuais ataques promovidos
por forças estrangeiras. Ele chegou a sugerir o nome
“Brasília” para a nova capital.
José Bonifácio de Andrada e
Silva (1763-1838)
Localização do Distrito Federal
Essa ideia não ganhou corpo e permaneceu esquecida
durante todo o período monárquico. Com
a Proclamação da República, em 1889, um novo
governo ocupou o poder do Brasil e uma nova
constituição foi elaborada, em 1891. Essa Constituição
determinava, em um de seus artigos, que uma região
do planalto central seria reservada para, futuramente,
abrigar a nova capital do país.
Com isso, inaugurou-se uma série de estudos e
trabalhos para viabilizar esse projeto. O presidente
Floriano Peixoto (1891-1894) criou a Comissão
Exploradora do Planalto Central do Brasil, que realizou
a Missão Cruls, responsável por enviar um grupo para
o planalto central a fim de estudar e delimitar a área
que receberia a nova capital. Os trabalhos vinculados
a essa comissão foram realizados até 1897.
Em 1922, o presidente Epitácio Pessoa (1919-1922)
realizou o lançamento da pedra fundamental da nova
capital em Planaltina, e, depois, somente o presidente
Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) e o presidente
Getúlio Vargas (1930-45 e 1951-54), nas décadas de
1940 e 1950, realizaram ações mínimas nesse
sentido. Isso porque a constituição de 1946 também
trazia a possibilidade de transferência da capital.
Planalto Central - Goiás
Afirma-se que o ponto de partida para que Juscelino
Kubitschek construísse uma nova capital para o Brasil
deu-se durante a sua campanha eleitoral. Em 1955,
em um comício realizado em Jataí, cidade no estado
de Goiás, Juscelino foi questionado por um eleitor
chamado Antônio Soares Neto sobre a construção de
uma nova capital em cumprimento da Constituição.
A lei nº 2.874 inaugurou o processo de construção da
nova capital e nomeou-a Brasília. Para que a obra
fosse realizada, o governo criou a Companhia
Urbanizadora Nova Capital, empresa conhecida
como Novacap. Juscelino entregou o comando dela
para uma pessoa de sua confiança, o engenheiro e
deputado do PSD Israel Pinheiro.
O arquiteto da construção foi Oscar Niemeyer, diretor
do Departamento de Arquitetura da Novacap. O
projeto urbanístico foi de autoria de Lúcio Costa,
arquiteto que conquistou essa função após ser
anunciado como o vencedor do concurso organizado
pela Novacap para essa finalidade (obter o projeto
urbanístico), em 1957.
Brasília foi construída
entre 1956 e 1960.
Durante quatro anos,
a paisagem inóspita
do Planalto Central
brasileiro foi
radicalmente alterada
pela abertura de
largas avenidas e
quadras e
pela construção de
palácios e edifícios.
A construção de Brasília foi feita em meio a inúmeros
desafios. A cidade com aeroporto mais próxima,
Anápolis-GO, ficava a mais de 100 km, e as estradas
que ligavam até Brasília eram de terra. Todo o material
necessário para viabilizar a obra era levado a Brasília
com grande dificuldade. Além disso, o fato de tudo ser
levado de avião aumentava os custos da obra.
Do ponto de vista humano, a construção de Brasília
também teve alto custo. A maioria dos trabalhadores
vinha do Nordeste, mas muitos também vinham de
Goiás e Minas Gerais e ficaram conhecidos
como candangos. O trabalho era exaustivo, as
condições de vida eram ruins, e os trabalhadores
ainda sofriam com a violência das autoridades,
havendo até casos deles que foram assassinados
pelas forças policiais.
A cidade de Brasília foi pensada para ser o símbolo do
projeto de modernização e desenvolvimento de JK. A
arquitetura inovadora da cidade passava essa ideia, e
o projeto materializava o ideal do presidente
de interligar os dois Brasis (litoral e interior) como
momento-chave para a formação de um novo território,
mais moderno e desenvolvido. Sobretudo a ocupação
da região Centro-Oeste brasileira estaria consolidada.
Os quatro homens mais importantes na construção de
Brasília, portanto, foram:
Juscelino Kubitschek, presidente que não poupou
recursos ou esforços para a edificação de Brasília;
Israel Pinheiro, diretor da Novacap;
Oscar Niemeyer, arquiteto que idealizou os principais
prédios de Brasília;
Lúcio Costa, realizador do projeto urbanístico da
cidade.
Da esquerda para a direita, Oscar Niemeyer, Israel Pinheiro,
Lucio Costa e JK analisam o projeto de Brasília
O economista Eugênio Gudin (1886-1986), ministro da
Fazenda de agosto de 1954 a abril de 1955, estimou o
custo da construção de Brasília em US$ 1,5 bilhão em
valor de 1960, quando foi inaugurada a cidade. Isso
representava 10% do PIB do país na época, cerca de
R$68 bilhões hoje.
A região metropolitana de Brasília atualmente abriga
pouco mais de 3 milhões de pessoas.
É isso!
Ótimo dia queridos e queridas!
@ProfessorPolicarpo
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