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Dificuldades da Inclusão Escolar

Este trabalho analisa as dificuldades enfrentadas por professores nas séries iniciais em relação à inclusão de alunos com necessidades especiais, destacando a falta de preparo das instituições e profissionais. A pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, revela que, apesar dos avanços na inclusão escolar, ainda há barreiras significativas a serem superadas. O estudo enfatiza a importância da articulação entre escola, família e sociedade para promover uma educação verdadeiramente inclusiva.

Enviado por

Sarinha Neres
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Dificuldades da Inclusão Escolar

Este trabalho analisa as dificuldades enfrentadas por professores nas séries iniciais em relação à inclusão de alunos com necessidades especiais, destacando a falta de preparo das instituições e profissionais. A pesquisa, de caráter qualitativo e exploratório, revela que, apesar dos avanços na inclusão escolar, ainda há barreiras significativas a serem superadas. O estudo enfatiza a importância da articulação entre escola, família e sociedade para promover uma educação verdadeiramente inclusiva.

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ANA LÚCIA DE OLIVEIRA MELO

AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NO AMBIENTE ESCOLAR PARA INCLUSÃO

GOVERNADOR VALADARES MG
2025
NOME DA INSTITUIÇÃO

ANA LÚCIA DE OLIVEIRA MELO

AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NO AMBIENTE ESCOLAR PARA INCLUSÃO

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito
parcial à obtenção do título
especialista em Educação
Especial.

GOVERNADOR VALADARES MG
2025

2
AS DIFICULDADES ENCONTRADAS NO AMBIENTE ESCOLAR PARA INCLUSÃO

MELO1, Ana Lúcia de Oliveira

Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo
foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou
integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente
referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por
mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos
direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços). “Deixar este texto
no trabalho”.

RESUMO- Este estudo vem mostrar as dificuldades e desafios dos professores em serviço, nas séries
iniciais, quanto à prática de ensino e o desempenho dos alunos inclusos e comuns em sala de aula, na
perspectiva da Educação Inclusiva, com objetivo conhecer as dificuldades encontradas no ambiente
escolar, quanto à inclusão de crianças portadoras de necessidades especiais em seu contexto.
Neste contexto quais dificuldades dos educadores neste problema? O que deve ser feito para mudar
essa realidade? Esta pesquisa trata-se de uma revisão de literatura de cunho qualitativo e exploratório
sobre as dificuldades da inclusão do aluno portador de alguma deficiência seja física ou neurológica.
Para o desenvolvimento deste estudo foi realizada pesquisa bibliográfica sobre o tema proposto em
livros, monografias, teses, artigos científicos e fontes eletrônicas, onde posterior estudo à essa, permitiu
concluir que, ainda que, a inclusão venha sendo feita, a escola e profissionais não estão plenamente
aptos à vivenciá-la, devido a falta de preparo das instituições de ensino, bem como dos atores nela
envolvidos.

Palavras-chave: Educação inclusiva, crianças especiais, ambiente escolar.

1
81luciaana@[Link]
3
1 INTRODUÇÃO

Promover a educação inclusiva não é uma tarefa fácil, pois se trata de conviver
com o diferente e/ou muitas vezes, o desconhecido. Ainda no século XIX a concepção
de portadores de necessidades especiais era impregnada de preconceito. Estes eram
classificados como incapazes, viviam “escondidos” em casa com vida social quase
nula.
Essa realidade começa a se transformar somente no ano de 1960, onde ocorreu
a integração escolar. A trajetória histórica da educação especial foi contemplada
oficialmente na década de 1960 seguida de movimentos civis, aprovação de leis,
decretos e emendas que incentivadas por mobilizações sociais nacionais e estrangeiras
(Buffa, 117, p.118).
Obviamente os resultados dessa mudança, naquela época, não forma
expressivos, nem deram conta de mudar um quadro de tamanha complexidade. Fato
que se torna de fácil compreensão se consideramos que ainda hoje, em pleno século
XXI, esta luta persiste. O importante nesse contexto é nos ater que a década de 60
representou o primeiro passo dessa árdua caminhada.
Será tratado aqui de uma das vertentes da inclusão: a inclusão no ambiente
escolar, que por sua composição é passível de vivenciar uma miríade de situações de
exclusão. Na definição de STAINBACK e STAINBACK (1992) apud
MANTOAN (1997):
O termo inclusão é recente e teve sua origem na palavra inglesa “full
inclusion”. Segundo STAINBACK e STAINBACK (1992) trata-se de um novo
paradigma que pode ser definido da seguinte maneira: a noção de “full
inclusion” prescreve a educação de todos os alunos nas classes e escolas de
bairro (...) reflete mais clara e precisamente que todas as crianças devem ser
incluídas na vida social e educacional da escola e classe de seu bairro, e não
somente colocada no curso geral “mainstream” da escola e da vida comunitária,
depois de elas já terem sido excluídas.

A inclusão escolar representa esse novo tempo, refletindo de forma elementar


esse momento da sociedade brasileira. As dificuldades para a inclusão escolar são
muitas, mas não instransponíveis. Elas atingem tanto escola e profissionais, quanto

4
família e sociedade e, portanto depende do envolvimento e comprometimento de todos
para que uma mudança positiva se realize.

2 AS DIFICULDADES NO AMBIENTE ESCOLAR PARA INCLUSÃO

Através de parâmetros históricos, podemos afirmar que as pessoas com algum


tipo de deficiência já foram excluídas da sociedade. A valorização das atribuições do
corpo, máquina que nos faz refletir que quem não produz, é muitas vezes rotulada
como inválido, sem utilidade. Estas características são atribuídas indistintamente a
todos que têm alguma deficiência, marginalizando-os.
As áreas da Educação Especial ou inclusiva compreendem deficiência
intelectual, deficiência aditiva, deficiência visual, deficiência física, transtorno global do
desenvolvimento - TGD, Deficiência Múltipla, Alta l Habilidades/ Superdotação e Surdo,
cegueira, são alunos que são atendidos na escola comum ao atendimento
especializado. A educação vai se desenvolvendo através de situações presenciadas e
experiências vividas por cada indivíduo ao longo da sua vida.

2.1- BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DA INCLUSÃO

Inclusão é uma palavra de ampla e complexa conceituação. Etimologicamente


derivada do Latim Includere, “fechar em, inserir, rodear”, refere-se a tornar parte de
algo. O entendimento da inclusão requer compreender a sua falta, sendo que essa se
manifesta na exclusão (termo oposto à inclusão).
AMARO (s/d) considera múltiplos os fatores que levam alguém a se tornar
excluído socialmente, bem como atribui suas causas a variados fatores dentre os quais:
fatores de natureza estrutural (relacionados ao sistema econômico, paradigmas
culturais, etc.), fatores de âmbito local (referentes a situações cotidianas, preconceito
social, norma e comportamentos sociais, por exemplo) e fatores de níveis individual e
familiar (composição familiar, situação de desemprego, grau de escolaridade, etc.).

5
Nota-se que as situações de exclusão/inclusão têm uma margem de
conceituação abrangente, mas sua essência permanece: fazer com que algo ou alguém
que esteja à parte, segregado, faça parte, integre.
Sabe-se que a escola é uma instituição que envolve profissionais, alunos, família
e sociedade como um todo. É o lugar que os pais encaminham os filhos para
complementarem sua educação, e onde se prepara o indivíduo para se tornar
independente e útil à sociedade. Portanto, falar sobre inclusão escolar é falar de todas
as esferas da vida social.

2.2 FUNÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR OU ORIENTADOR EDUCACIONAL

A função de supervisor e orientador escolar é regulamentada como Especialista


em Educação Básica – EEB Nível I Grau A Orientação Educacional ou Supervisão
Pedagógica, segundo a SEE- MG.
Segundo o Edital do concurso da Secretaria da Educação de Minas Gerais
01/2011 as atribuições do cargo para supervisor e orientador escolar são as mesmas,
resumidas na titulação de especialista:

Exercer em unidade escolar a supervisão do processo didático como elemento


articulador no planejamento, no acompanhamento, no controle e na avaliação
das atividades pedagógicas, conforme o plano de desenvolvimento pedagógico
e institucional da unidade escolar; - atuar como elemento articulador das
relações interpessoais internas e externas da escola que envolvam os
profissionais, os alunos e seus pais e a comunidade; - planejar, executar e
coordenar cursos, atividades e programas internos de capacitação profissional
e treinamento em serviço; - participar da elaboração do calendário escolar; -
participar das atividades do Conselho de Classe ou coordená-las; - exercer, em
trabalho individual ou em grupo, a orientação, o aconselhamento e o
encaminhamento de alunos em sua formação geral e na sondagem de suas
aptidões específicas; - atuar como elemento articulador das relações internas
na escola e externas com as famílias dos alunos, comunidade e entidades de
apoio psicopedagógicos e como ordenador das influências que incidam sobre a
formação do educando; - exercer atividades de apoio à docência; - exercer
outras atividades integrantes do plano de desenvolvimento pedagógico e
institucional da escola, previstas no regulamento desta lei e no regimento
escolar. (MINAS GERAIS, 2011, Anexo III).

As atribuições do cargo de especialista em educação descritas no edital acima,


traz dados importantes para repensar a prática de supervisão e orientação educacional.

6
O especialista em educação básica deve acompanhar o trabalho docente e controlando
e avaliando as atividades pedagógicas da escola.
A atuação do supervisor é reconhecida como de articulação das relações
interpessoais internas e externas da escola. Assim cabe a esse profissional mediar as
relações na comunidade educativa, alunos, pais e educadores.
Na formação continuada o supervisor deve planejar e coordenar cursos de
capacitação profissional, estes podem ser realizados por meio do Módulo II, este
momento de estudo que sempre tem sido alvo de discussões nas reuniões escolares:

I - de Professor, o exercício concomitante dos seguintes módulos de trabalho:


módulo 1: regência efetiva de atividades, área de estudo ou disciplina; módulo
2: elaboração de programas e planos de trabalho, controle e avaliação do
rendimento escolar, recuperação dos alunos, reuniões, auto aperfeiçoamento,
pesquisa educacional e cooperação, no âmbito da escola, para aprimoramento
tanto do processo ensino-aprendizagem, como da ação educacional e
participação ativa na vida comunitária da escola. (MINAS GERAIS, 1977, art.
13).

O módulo II é parte das atribuições dos professores da rede estadual de ensino


de Minas Gerais, em âmbito municipal, as secretarias de educação trata o assunto
como momento de Estudos Pedagógicos, acompanhados pelo pedagogo escolar, como
previsto na Resolução da SMED/GV Nº 07/2010: “realizar estudos e pesquisas que
fundamentam a proposta de políticas, diretrizes e normas educacionais, juntamente
com outros pedagogos da SMED.”
Voltando as atribuições prevista no Edital da SEE/MG 01/201, o supervisor
escolar deve participar efetivamente na elaboração do calendário escolar, coordenar os
conselhos de classes. Outro ponto importante está na orientação e aconselhamento
individual de alunos visando sua formação geral e na sondagem de suas aptidões
específicas.
Outro ponto importante é articular o apoio psicopedagógico dos alunos que
necessitam de atendimento especializado educacional, apoiar o trabalho docente. A
função do supervisor torna-se necessária e importante na condução do processo
pedagógico da escola.
Dessa forma a supervisão escolar pode ser entendida coo uma “visão sobre
todo o processo educativo, para que a escola possa alcançar os objetivos da educação

7
e os objetivos específicos da própria escola”. (NERICI, 1974, p.34). O
acompanhamento direto do processo pedagógico é função inerente do cargo de
supervisor dando suporte à relação professor e alunos, ensino e aprendizagem,
planejamento, gestão do processo escolar.

2.3 ATRIBUIÇÃO DO ORIENTADOR EDUCACIONAL DECRETO N.72846/73

O cargo de orientador educacional foi regulamentado a partir Decreto nº 72.846,


de 26 de setembro de 1973, tendo como tarefa ter um contato assíduo com no
atendimento dos alunos, bem como o papel de gestão escolar.

Art. 1º. Constitui o objeto da Orientação Educacional a assistência ao


educando, individualmente ou em grupo, no âmbito do ensino de 1º e 2º graus,
visando o desenvolvimento integral e harmonioso de sua personalidade,
ordenando e integrando os elementos que exercem influência em sua formação
e preparando-o para o exercício das opções básicas. (BRASIL, 1973, Decreto
72846, Art. 1º).

No artigo 5º do referido decreto há a afirmação da natureza do papel do


orientador educacional em termos de planejamento, coordenação e supervisão do
processo pedagógico. Assim,

Art. 5º. A Profissão de Orientador Educacional, observadas as condições


previstas neste regulamento, se exerce na órbita pública ou privada, por meio
de planejamento, coordenação, supervisão, execução, aconselhamento e
acompanhamento relativos às atividades de orientação educacional, bem como
por meio de estudos, pesquisas, análises, pareceres compreendidos no seu
campo profissional. (BRASIL, 1973, Decreto 72846, Art. 1º).

O artigo 8º. Versa sobre as atribuições do cargo do orientador educacional,


detalhando suas responsabilidades na gestão do processo pedagógico escolar. Aqui
mostrar que não há distinção entre as funções de supervisão e orientação, pois ambas
fazem parte do acompanhamento do processo pedagógico realizado pelo gestor
educacional. Assim,

Art. 8º. São atribuições privativas do Orientador Educacional: a) Planejar e


coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação
8
Educacional em nível de: 1 - Escola; 2 - Comunidade. b) Planejar e
coordenar a implantação e funcionamento do Serviço de Orientação
Educacional dos órgãos do Serviço Público Federal, Municipal e Autárquico;
das Sociedades de Economia Mista Empresas Estatais, Paraestatais e
Privadas. c) Coordenar a orientação vocacional do educando, incorporando-o
ao processo educativo global. d) Coordenar o processo de sondagem de
interesses, aptidões e habilidades do educando. e) Coordenar o processo de
informação educacional e profissional com vista à orientação vocacional. f)
Sistematizar o processo de intercâmbio das informações necessárias ao
conhecimento global do educando. g) Sistematizar o processo de
acompanhamento dos alunos, encaminhando a outros especialistas aqueles
que exigirem assistência especial. h) Coordenar o acompanhamento pós-
escolar. i) Ministrar disciplinas de Teoria e Prática da Orientação Educacional,
satisfeitas as exigências da legislação específicas do ensino. j) Supervisionar
estágios na área da Orientação Educacional. l) Emitir pareceres sobre matéria
concernente à Orientação Educacional. Art. 9º. Compete, ainda, ao Orientador
Educacional as seguintes atribuições: a) Participar no processo de identificação
das características básicas da comunidade; b) Participar no processo de
caracterização da clientela escolar; c) Participar no processo de elaboração do
currículo pleno da escola; d) Participar na composição caracterização e
acompanhamento de turmas e grupos; e) Participar do processo de avaliação e
recuperação dos alunos; f) Participar do processo de encaminhamento dos
alunos estagiários; g) Participar no processo de integração escola-família-
comunidade; h) Realizar estudos e pesquisas na área da orientação
Educacional. (BRASIL, 1973, Decreto 72846, Art. 8º).

Dessa forma, o orientador educacional cumpre o papel de gestor do processo


pedagógico escolar, sempre importante na articulação de todas as atividades
pedagógicas realizadas pela escola para a formação de seus alunos.
É como afirma FOREST ET LUSTHAUS, apud MANTOAN (1997):

A inclusão tem um modo de reunir alunos com e sem dificuldades, funcionários,


professores, pais, diretores, enfim todas as pessoas envolvidas com a
educação. Sua metáfora é o caleidoscópio: "O caleidoscópio precisa de todos
os pedaços que o compõem. Quando se retira pedaços dele, o desenho se
torna menos complexo, menos rico. As crianças se desenvolvem, aprendem e
evoluem melhor em um ambiente rico e variado".2

A conceituação do termo inclusão dos autores supramencionados nos leva ao


correto entendimento do mesmo. Uma visão global, aplicada quando se busca a
qualidade de educação para todos os indivíduos, possuam ou não essa alguma
deficiência.
Falar de inclusão escolar exige a reflexão sobre o sentido atribuído à educação,
bem como do processo ensino-aprendizagem e sua contribuição na formação do

9
indivíduo, é preciso, de fato, compreender a complexidade e grandiosidade que envolve
essa temática.
Nesse contexto, fazem-se necessárias também mudanças dos paradigmas
educacionais dos sistemas de ensino, onde deve se centrar mais no educando e suas
particularidades, do que nas disciplinas e resultados quantitativos favorecendo uns em
detrimento de outros.
Numa sociedade que valoriza e busca a inclusão, pondera o ideal de valorização
dos Direitos Humanos, valorizando o ser humano, garantindo que todos tenham a
acesso a oportunidades que o aperfeiçoem como tal, respeitando suas individualidades.
Conforme foi apontado anteriormente, a inclusão é um conceito há muito almejado, do
mesmo modo que não é de hoje que se busca a não exclusão escolar, o acesso e
permanência efetivos do aluno com deficiência no ensino regular.
Em contrapartida, os paradigmas de segregação, os preconceitos, permanecem
fortes nas escolas e na sociedade, e as dificuldades e desafios que se apresentam para
transpô-los, fazem com que se busque o caminho mais fácil, ou seja, manter esses
alunos em espaços especializados. O que se traduz em: perpetuar o preconceito via
estigmatização daqueles que não atendem aos padrões ditos normais da sociedade
vigente.
Para KUNC (1992), o que fundamenta a inclusão é a valorização da diversidade
humana, pois “quando a educação inclusiva é totalmente abraçada, nós abandonamos
a ideia de que as crianças devem se tornar normais para contribuir para o mundo”. O
que se traduz em respeitar cada um pelo que é pelo que pode contribuir, e aprender em
seu meio.

2.4- EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO CONTEXTO HISTÓRICO

Antes de tudo é preciso esclarecer a diferença entre educação especial e


educação inclusiva, pois não raro é possível perceber na fala dos indivíduos a confusão
em definir tais conceitos, na maior parte das vezes julgando que ambos têm o mesmo
significado.

10
Em meados da década de 90, com a Declaração de Salamanca (em seus
princípios, confrontando antigos paradigmas e reconhecendo a exclusão em que viviam
esses indivíduos), a inclusão escolar passa a figurar o universo brasileiro. Essa
Declaração (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA p. 5 - 6). determina que:

O princípio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças


deveriam aprender juntas, independentemente de que quaisquer dificuldades
ou diferenças que possam ter. As escolas inclusivas devem reconhecer e
responder as diversas necessidades de seus alunos, acomodando tanto estilos
como ritmos diferentes de aprendizagem e assegurando uma educação de
qualidade a todos através de currículo apropriado, modificação organizacional,
estratégias de ensino, usa de recursos e parcerias com a comunidade. Dentro
das escolas inclusivas, as crianças com necessidades educacionais especiais
deveriam receber qualquer apoio extra que possam precisar para que lhe
assegure uma educação efetiva. (art. 11º, p 13)

Também as leis brasileiras asseguram o acesso de todos à educação na rede


regular de ensino e comungam com o princípio da escola inclusiva da Declaração
Salamanca. O artigo 208 da Constituição Brasileira de 1988 determina que haja
“atendimento especializado aos portadores de necessidades especiais
preferencialmente na rede regular de ensino” e a LDBEN – Lei de Diretrizes e Bases da
Educação Nacional – vem reforçando essa determinação legal. Salvo em casos
extremos, quando o aluno, em função de condições específicas, não possibilita sua
inserção nas classes comuns do ensino regular, fala-se em salas especializadas.
Quando se refere a alguém que tenha necessidade educacional especial,
imediatamente imagina-se alguém com alguma “deficiência visível”, um cadeirante, por
exemplo, ou uma pessoa com deficiência mental.
No entanto a educação inclusiva é universal, visa o aprendizado do educando
independente de diferenças, pois sua razão de ser é justamente transpor as
dificuldades, quaisquer que essas sejam para garantir o aprendizado de todos.
Quanto aos educandos com necessidades educacionais especiais, a resolução
CNE/CEB nº 2 de 17/11/2001, que dispõe sobre as Diretrizes Nacionais para a
Educação Especial na Educação Básica, no artigo 5º, os classificam como tais quando
apresentam:

11
I – dificuldades acentuadas de aprendizagem, ou limitações no desenvolvimento
que dificultem o acompanhamento das atividades curriculares, compreendida em dois
grupos:
A – aquelas não vinculadas a uma causa orgânica específicas;
B – aquelas relacionadas a condições, disfunções, limitações ou deficiências;
II – dificuldades de comunicação e sinalização diferenciada dos demais alunos,
demandando a utilização de linguagens e códigos aplicados;
II – altas habilidades/superdotados, grande facilidade de aprendizagem que os
leve a dominar rapidamente conceitos, procedimentos e atitude.
Portanto, pode-se afirmar que a necessidade educacional especial vai desde a
dificuldade de aprendizagem a um alto grau de assimilação do conhecimento que leve
ao aprendizado mais rápido. O papel da escola é viabilizar a aprendizagem de todos,
indiscriminadamente. Para tanto, deve passar por adaptações em sua estrutura física,
quando necessário, mas principalmente, em suas práticas pedagógicas.
É bem sabido que a educação brasileira já não obedece ao modelo arcaico de
outrora. A pedagogia moderna vem ganhando cada vez mais força e adeptos. São
vários os estudiosos que contribuíram e contribuem na construção de novos métodos
de ensino. Dentre estes se destacam Piaget e Vygotsky, com suas teorias cognitivas
que amparam a busca do alcance dos objetivos da inclusão.
Para Piaget (1990, p. 7) o sujeito constrói seu próprio conhecimento agindo no
meio em que vive já Vygotsky (1989, p. 6) defende a interação e a mediação, a
construção do conhecimento como uma ação compartilhada.
A teoria de Vygotsky (Vygostky, 1989, p. 3) dá base de sustentação à educação
inclusiva quando enfatiza o papel do conhecimento partilhado, da troca de experiências,
da mediação como meio indicar caminhos. Para o autor a educação especial deve se
voltar para as possibilidades do educando e não suas limitações.
Para tanto, é preciso vencer a barreira do preconceito cultural arraigado na
escola, nos educadores, nos alunos, na sociedade, de que a pessoa com necessidade
especial é incapaz, ou mesmo não tão capaz quanto os “normais”. Sob o prisma da
teoria constitutiva na prática pedagógica, é possível pensar na efetivação da inclusão
na escola, pois esta propicia mecanismos de permanência do aluno na mesma, uma
vez que a escola procura se adaptar ao educando e não o contrário.
12
2.5- BASES LEGAIS DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO BRASIL

Um sucinto resgate histórico sobre a educação de crianças com necessidades


educativas especiais no contexto brasileiro faz-se necessário para que a leitura dessa
realidade na contemporaneidade seja feita corretamente.
No país, já no século XIX se deram as primeiras iniciativas em relação à
educação de crianças especiais. Segundo dados do MEC – Ministério de Educação e
Cultura:
No Brasil, o atendimento às pessoas com deficiência teve início na época do
Império, com a criação de duas instituições: o Imperial Instituto de Meninos
Cegos, em 1854, atual Benjamin Constant – IBC, e o Instituto de Surdos e
Mudos, em 1857, hoje denominado Instituto Nacional da Educação dos Surdos
– INES, ambos do Rio de Janeiro. No início do século XX é fundado o Instituto
Pestalozzi (1926), instituição especializada no atendimento às pessoas com
deficiência mental; em 1954, é fundada a primeira Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais – APAE; e em 1945 é criado o primeiro atendimento
educacional especializado às pessoas com superdotação na Sociedade
Pestalozzi, por Helena Antipoff.

Essas medidas iniciais, conforme se pode observar não eram universais,


atendiam a casos específicos. Segundo MAZZOTA (1996) no século XX o interesse
pela educação de pessoas com necessidades especiais aumenta e expande o número
de instituições de ensino regular com esse atendimento.
Porém, é apenas em 1957 que o governo federal assume o compromisso com a
educação de pessoas com necessidades especiais e nesse período são realizadas
diversas campanhas de incentivo à educação das mesmas. Em 1961 é promulgada a
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN/4.024/61 que dispõe
sobre o atendimento educacional à pessoas com deficiência. Ela determina que “A
educação de excepcionais deve no que for possível enquadrar-se no sistema geral de
educação, a fim de integrá-los na comunidade”.
Em 1973 a criação do CENESP – Centro Nacional de Educação Especial – pelo
MEC, com o objetivo de melhorar o atendimento aos excepcionais no território nacional.
Em 1988 a Constituição Federal preconiza a educação como direito de todos e
dever do Estado e a oferta de atendimento educacional especializado
preferencialmente na rede regular de ensino.

13
Na década de 90 o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente – reforça o
direito e obrigação de matricular a criança na rede regular de ensino e a Declaração
Salamanca, que passa a “influenciar a formulação das políticas da educação inclusiva.
Pode-se observar que foram feitos vários avanços no território legal em favor das
pessoas com necessidades especiais. No entanto, apesar dos avanços, há muito ainda
a ser feito. As leis só são úteis quando cumpridas, caso contrário, nada mais
representam que palavras impressas no papel.
O compromisso assumido pelos legisladores e pelas políticas públicas deve
também ser assumido pelos sistemas educacionais de ensino, caso contrário essas
instituições estarão vivenciando uma inclusão de fachada que em nada contribui para o
desenvolvimento da criança com necessidade especial.

2.6- A EDUCAÇÃO INCLUSIVA NO COTIDIANO ESCOLAR

O maior desafio do sistema escolar global é o da inclusão educacional. Em


países economicamente mais carentes trata-se, sobretudo de milhões de crianças que
jamais presenciou uma sala de aula (BELLAMY, 1999). As dificuldades para a
implantação da educação inclusiva no cotidiano escolar são muitas. Estruturas físicas
inadequadas (construções que não foram feitas pensando nas pessoas com
necessidades especiais), professores sem formação adequada (tanto pela falta de
oportunidade quanto pela falta de interesse em trabalhar crianças deficientes, falta essa
alimentada pelo preconceito).
Os poucos profissionais habilitados por vezes não querem atuar nessa área
devido à baixa renumeração e falta de recursos das instituições. Grande parte do corpo
docente que se depara com essa situação não é capaz de realizar um bom trabalho,
pois não estão preparados, assim prejudica os alunos e o processo de inclusão, a
maioria desses profissionais graduou-se em um momento em que essas pessoas não
eram tão consideradas como agora e, portanto, precisam se reciclar para
acompanharem essa realidade que se apresenta.
A maior dificuldade da educação inclusiva é programá-la no cotidiano escolar. A
inclusão exige o envolvimento de toda a escola: profissionais, alunos e famílias.

14
O professor deve estar em processo de formação contínuo para dar conta de
responder as demandas que se lhe apresentam. A família deve estar presente na
escola para auxiliar, contribuir na otimização do processo de ensino-aprendizagem dos
filhos. A gestão deve ser descentralizada e participativa de modo que todos os
envolvidos façam parte do processo educativo.
Omote (2003) garante que a educação inclusiva é, sobretudo, ensino de
qualidade para todos os alunos e, para a eficácia da mesma pondera, essencial que os
professores do ensino comum ganhem, na sua formação, alguns conhecimentos
básicos sobre alunos com necessidades especiais e recursos especiais, bem como
alguma experiência pedagógica com tais alunos (OMOTE, 2003, p. 156). O autor
defende a opinião de que:
Assim, pode-se apontar que, na realidade, os professores de ensino comum
necessitam de uma sólida formação como um bom professor e de
conhecimento e experiência sobre algumas questões relevantes sobre os
alunos com necessidades educacionais especiais e os recursos que podem ser
utilizados na sua aprendizagem escolar. A questão central, na formação de
professores de ensino comum capacitados para atender alunos com
necessidades educacionais especiais em suas classes comuns, é então decidir
que conhecimento e que experiência devem ser proporcionada a esses
professores.

Referente à ideia do autor citado anteriormente, que garante que a educação


inclusiva submerge um método de preparação do professor; pondera as diferenças e as
dificuldades dos alunos na aprendizagem escolar como fontes de conhecimento sobre
como ensinar e como aperfeiçoar as condições de trabalho no cotidiano nas salas de
aula.
A formação acadêmica pedagógica hoje já oferece suporte para os atuais e
futuros professores trabalharem a inclusão escolar. A prática pedagógica oferece meios
de “driblar” as dificuldades e promover o aprendizado de todos, indiscriminadamente.
Cada aluno, independente de sua necessidade pode e deve ser educado.
No entanto, o maior empecilho para sua implantação encontra-se no preconceito.
Afinal, séculos de discriminação, exclusão e indiferença não poderiam ser suplantadas
em um tempo relativamente curto. Por si só a inclusão já uma forma de romper com
paradigmas passados que excluíam essas crianças, estigmatizando-as como
incapazes, uma vez que hoje já se sabe que elas são tão capazes de aprender quanto
qualquer outro.
15
As marcas indeléveis deixadas pelo preconceito na sociedade brasileira são hoje
amenizadas pelas políticas públicas que asseguram o acesso a bens e serviços pelas
pessoas com deficiência, de modo que integrem a sociedade da qual fazem parte.
No ambiente escolar, a inclusão depende, e muito, do papel do professor. É
preciso usar de bom senso e criatividade dentro da sala de aula para atender cada
aluno (PATTO, 1999, p.182-183). Ainda que a escola não tenha a estrutura física
adequada, o professor pode ser o diferencial dentro da sala de aula. Além do que,
ainda que a escola sofra as mudanças estruturais necessárias, sem profissional
qualificado de nada adiantará.

3- CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conclui que a educação inclusiva vai além da pratica pedagógica moderna, leis
de amparos às pessoas com necessidades especiais e aceitação da sociedade – uma
realidade, a mesma é um desafio diário, persistente dos educadores nas salas de
aulas. Não está ainda universalizada nas instituições de ensino brasileiras, mas é um
movimento crescente que vem cada vez ganhando mais adeptos.
Segundo determinações legais, é direito do aluno com necessidade educacional
especial se matricular na rede regular de ensino, então a escola pública deve se
apresentar como um ambiente favorável ao seu aprendizado e evolução de suas
potencialidades.
A sociedade brasileira durante um bom tempo cometeu equívocos que
segregaram essa parcela da sociedade, e buscando se corrigir desenvolveu leis
específicas para assegurar o acesso da mesma a bens e serviços ofertados para a
sociedade.
Para efetivar as determinações legais que garantem o acesso da população com
necessidade especial, as instituições de ensino precisam passar por adequações em
seus aspectos físicos, organizacionais e pedagógicos.
Vygotsky e Piaget oferecem suporte teórico através de suas teorias que
preconizam a interação social, a mediação e a diversidade. A escola pública, sob a
égide desses estudiosos, para garantir o aprendizado do aluno com necessidade

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educativa especial, deve, através da reflexão, teorizar sua prática e adaptá-la à
necessidade desse aluno.
A escola inclusiva para se tornar realidade exige transformações nas instituições
de ensino. É preciso que escola se torne acessível tanto física quanto
pedagogicamente. O professor tem que se qualificar para atender esse público alvo.
São várias as barreiras a serem vencidas: físicas, pedagógicas, ideológicas. O
preconceito deve ser trabalhado e superado. Deixar de se fixar na dificuldade do aluno
e valorizar suas potencialidades. A inclusão é um desafio constante e diário que precisa
ser conquistado por todos, pois somente um esforço conjunto tornará possível sua
efetivação.
Finalizando este estudo, chega à conclusão que o trabalho de inclusão não
poderá ser concluído enquanto houver necessidade de aperfeiçoamento tanto dos
métodos de ensino como também dos sistemas educacionais. A inclusão é um fato que
não pode mais esperar melhores preparos por parte dos estabelecimentos de ensino,
como também dos responsáveis em originar a dignidade humana, procurando com isso
os valores éticos para que todos contenham lugar e vez nos demais segmentos da
sociedade.
A ausência de preparo dos professores é uma barreira, mas não é fator
categórico para a não consistência do aluno com deficiência em classe regular. Todos
são responsáveis pela inclusão, tanto a escola como a sociedade em geral.

4. REFERÊNCIAS

AMARO, Rogério Roque. A exclusão social hoje. Disponível em


[Link] Acesso em 27 de agosto de
2015.

BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CP n.009/01. Diretrizes


Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em
nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília, 08 de maio de
2001.

BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Organização de Alexandre de Moraes. 16. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
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BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB Lei nº 9394/96.

BRASIL/MEC. Política nacional de educação especial. Brasília- DF, 1994.

DECLARAÇÃO DE SALAMANCA. Sobre princípios e práticas na área das


necessidades educativas. Disponível em:
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IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: [Link].


Acesso em 29/10/06. BRASIL. MEC – Ministério da Educação e Cultura. Declaração
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uma reflexão sobre o tema. São Paulo: Meminon, 1997.

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Origem Da Palavra. Disponível em [Link]


Acesso em 14 de outubro de 2015.

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Disponível em <[Link]>. Acesso em 03 de novembro de 2015.

SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão Construindo uma sociedade Para Todos. 3ª Ed.
Rio de Janeiro: WVA, 1999.

SALAMANQUE. Educação Inclusiva - um processo e um desafio. Em "Salamanque


- Cinq ans après" - Rapport sur les activités de l'UNESCO à la lumière de la Déclaration
de Salamanque et du Cadre d'Action - pp 9-10, Tradução Jorge Santos, 2008.

SASSAKI, Romeu Kasumi. Inclusão Construindo uma sociedade Para Todos. 3ª Ed.
Rio de Janeiro: WVA, 1999.

UNESCO. Declaração de Salamanca. Conferência Mundial sobre Necessidades


Educativas Especiais: acesso e qualidade. Salamanca, Espanha, 1994.

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