ÍNDICE
INTRODUÇÃO..................................................................................................................................1
INFECÇÃO DA CORRENTE SANGUÍNEA..................................................................................2
DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES..............................................................................................2
CLASSIFICAÇÃO DAS INFECÇÕES DA CORRENTE SANGUÍNEA......................................2
EPIDEMIOLOGIA.............................................................................................................................3
ETIOLOGIA.......................................................................................................................................3
FISIOPATOLOGIA............................................................................................................................4
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS........................................................................................................5
DIAGNÓSTICO.................................................................................................................................5
TRATAMENTO..................................................................................................................................6
PREVENÇÃO....................................................................................................................................8
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICA...............................................................................................10
INTRODUÇÃO
A infecção da corrente sanguínea constitui uma das principais causas de morbidade e
mortalidade em pacientes hospitalizados, especialmente em unidades de terapia
intensiva. Caracteriza-se pela presença de microrganismos viáveis no sangue,
detectados através de hemoculturas positivas, podendo originar-se de diversos focos
infecciosos primários ou estar relacionada a dispositivos intravasculares.
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INFECÇÃO DA CORRENTE SANGUÍNEA
A incidência de ICS tem aumentado nas últimas décadas, em parte devido ao
envelhecimento populacional, ao maior número de procedimentos invasivos, ao uso de
dispositivos intravasculares e à crescente prevalência de pacientes
imunocomprometidos. Além disso, a emergência de microrganismos multirresistentes
tem dificultado o tratamento e piorado o prognóstico desses pacientes.
DEFINIÇÕES E CLASSIFICAÇÕES
Conceitos Fundamentais
A infecção da corrente sanguínea pode ser classificada em diferentes categorias. A
bacteremia refere-se especificamente à presença de bactérias viáveis no sangue,
enquanto a fungemia indica a presença de fungos. O termo septicemia, embora ainda
utilizado popularmente, está em desuso na literatura médica científica.
Classificação das Infecções da Corrente Sanguínea
As ICS podem ser classificadas de acordo com sua origem em primárias ou
secundárias. As infecções primárias da corrente sanguínea são aquelas em que não se
identifica um foco infeccioso primário evidente, sendo frequentemente relacionadas ao
uso de cateteres vasculares. Já as infecções secundárias originam-se de focos
infecciosos documentados em outros sítios, como trato urinário, pulmões, abdome ou
pele.
Outra classificação importante distingue as ICS em comunitárias, quando adquiridas
fora do ambiente hospitalar, e relacionadas à assistência à saúde, que incluem as
infecções nosocomiais e aquelas associadas a procedimentos médicos.
Infecção Relacionada a Cateter Venoso Central
A infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter venoso central (IPCS-CVC)
representa uma importante categoria, definida pela presença de hemocultura positiva
em paciente portador de cateter central, com manifestações clínicas de infecção e sem
outra fonte aparente de infecção. Esta condição está associada a significativa
morbimortalidade e representa um indicador de qualidade da assistência hospitalar.
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EPIDEMIOLOGIA
Incidência e Prevalência
As infecções da corrente sanguínea representam aproximadamente 15% de todas as
infecções relacionadas à assistência à saúde. Em unidades de terapia intensiva, a
incidência pode variar entre 5 a 7 casos por 1.000 cateteres-dia, dependendo das
características da população atendida e das medidas de prevenção implementadas.
Mortalidade e Morbidade
A mortalidade atribuível às ICS varia amplamente conforme o microrganismo causador,
as condições clínicas do paciente e a adequação da terapia antimicrobiana instituída.
Estudos demonstram taxas de mortalidade entre 12% e 35%, podendo alcançar até
50% nos casos de choque séptico. Pacientes que desenvolvem ICS apresentam tempo
de internação prolongado, em média 7 a 20 dias adicionais, e custos hospitalares
significativamente elevados.
Fatores de Risco
Diversos fatores aumentam o risco de desenvolvimento de ICS, incluindo idade
extrema, presença de comorbidades, imunossupressão, uso de dispositivos invasivos,
ventilação mecânica, nutrição parenteral, hospitalização prolongada, uso prévio de
antimicrobianos e procedimentos cirúrgicos de grande porte.
ETIOLOGIA
Os agentes causadores de ICS variam de acordo com o contexto clínico e o tipo de
infecção. Nas últimas décadas, observou-se uma mudança no perfil microbiológico,
com aumento da incidência de cocos gram-positivos e fungos.
Bactérias Gram-Positivas
Os estafilococos representam os principais agentes gram-positivos causadores de ICS,
particularmente o Staphylococcus aureus e os estafilococos coagulase-negativos. O S.
aureus está frequentemente associado a infecções graves, com capacidade de causar
endocardite, osteomielite e abscessos metastáticos. Os estafilococos coagulase-
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negativos, especialmente o S. epidermidis, são os principais agentes de infecções
relacionadas a cateteres. Os enterococos, incluindo Enterococcus faecalis e E.
faecium, também constituem importantes patógenos, especialmente em pacientes com
manipulação do trato gastrointestinal ou urinário.
Bactérias Gram-Negativas
Entre os gram-negativos, destacam-se as enterobactérias como Escherichia coli,
Klebsiella pneumoniae e Enterobacter spp., além de não-fermentadores como
Pseudomonas aeruginosa e Acinetobacter baumannii. Esses microrganismos estão
frequentemente associados a infecções de origem urinária, abdominal e respiratória. A
emergência de cepas produtoras de beta-lactamases de espectro estendido e
carbapenemases representa um desafio terapêutico significativo.
Fungos
As candidemias têm aumentado em frequência, sendo a Candida albicans a espécie
mais comum, seguida por espécies não-albicans como C. glabrata, C. tropicalis e C.
parapsilosis. Os fatores de risco para fungemia incluem uso prolongado de
antimicrobianos de amplo espectro, nutrição parenteral, cirurgias abdominais e
imunossupressão grave.
FISIOPATOLOGIA
A invasão da corrente sanguínea por microrganismos pode ocorrer através de
diferentes mecanismos. A translocação bacteriana a partir do trato gastrointestinal, a
disseminação hematogênica de um foco infeccioso primário, a inoculação direta
através de procedimentos invasivos e a colonização de dispositivos intravasculares
representam as principais vias de entrada.
Resposta do Hospedeiro
Após a invasão microbiana, ocorre uma complexa resposta inflamatória do hospedeiro.
Os microrganismos e seus produtos, como endotoxinas e exotoxinas, são reconhecidos
por receptores do sistema imune inato, desencadeando a liberação de citocinas pró-
inflamatórias como TNF-alfa, IL-1 e IL-6. Esta resposta inflamatória exacerbada pode
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levar à síndrome da resposta inflamatória sistêmica, caracterizada por febre,
taquicardia, taquipneia e alterações na contagem leucocitária.
Progressão para Sepse e Choque Séptico
Quando a resposta inflamatória é descontrolada, pode ocorrer disfunção orgânica,
caracterizando a sepse. A ativação da cascata de coagulação, a disfunção endotelial,
as alterações na perfusão tecidual e o desequilíbrio entre a demanda e oferta de
oxigênio contribuem para a falência de múltiplos órgãos. O choque séptico representa o
estágio mais grave, com hipotensão refratária à ressuscitação volêmica e necessidade
de vasopressores.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
Sinais e Sintomas
As manifestações clínicas das ICS são variáveis e dependem do microrganismo
envolvido, da porta de entrada e das condições do hospedeiro. Os sintomas mais
comuns incluem febre ou hipotermia, calafrios, taquicardia, taquipneia, alteração do
estado mental e hipotensão. Pacientes idosos e imunocomprometidos podem
apresentar manifestações atípicas, com ausência de febre.
Complicações
As complicações das ICS incluem endocardite infecciosa, formação de abscessos
metastáticos, osteomielite, meningite, choque séptico, síndrome da angústia
respiratória aguda e falência de múltiplos órgãos. A identificação precoce dessas
complicações é fundamental para o manejo adequado.
DIAGNÓSTICO
A hemocultura representa o padrão-ouro para o diagnóstico de ICS. Recomenda-se a
coleta de pelo menos duas amostras de sítios distintos, antes do início da
antibioticoterapia sempre que possível. O volume adequado de sangue coletado é
fundamental para aumentar a sensibilidade do exame, sendo recomendados 20 a 30
mL por coleta em adultos, distribuídos em frascos para aeróbios e anaeróbios.
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Interpretação dos Resultados
A interpretação das hemoculturas deve considerar a relevância clínica do
microrganismo isolado. Alguns microrganismos como S. aureus, E. coli e Candida spp.
raramente representam contaminação. Por outro lado, estafilococos coagulase-
negativos, Corynebacterium spp. e Bacillus spp. podem representar contaminantes,
sendo necessária a correlação clínica e, idealmente, o isolamento em múltiplas
amostras.
Métodos Diagnósticos Complementares
Além das hemoculturas, outros exames complementares auxiliam no diagnóstico e
avaliação da gravidade. A dosagem de biomarcadores como proteína C reativa,
procalcitonina e lactato sérico podem auxiliar no diagnóstico de infecção bacteriana e
sepse. Exames de imagem são importantes para identificação de focos infecciosos
primários ou complicações metastáticas.
Métodos Moleculares
Os métodos moleculares, como a reação em cadeia da polimerase (PCR) e a
espectrometria de massa (MALDI-TOF), têm revolucionado o diagnóstico
microbiológico, permitindo identificação mais rápida dos microrganismos e detecção de
genes de resistência. Essas tecnologias possibilitam ajuste precoce da terapia
antimicrobiana, potencialmente melhorando os desfechos clínicos.
TRATAMENTO
O manejo das ICS baseia-se em três pilares fundamentais: controle da fonte infecciosa,
terapia antimicrobiana adequada e suporte hemodinâmico e orgânico. O início precoce
do tratamento, idealmente na primeira hora após o reconhecimento da sepse, está
associado a melhor prognóstico.
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Terapia Antimicrobiana Empírica
A escolha da terapia antimicrobiana empírica deve considerar o provável foco
infeccioso, os patógenos mais prováveis, o perfil de resistência local, as condições
clínicas do paciente e o uso prévio de antimicrobianos. Em pacientes graves,
especialmente com sepse ou choque séptico, recomenda-se terapia de amplo
espectro, com cobertura para gram-positivos, gram-negativos e, em situações
específicas, fungos.
Ajuste da Terapia Antimicrobiana
Após a identificação do microrganismo e determinação do perfil de sensibilidade, deve-
se realizar o descalonamento antimicrobiano, substituindo o esquema de amplo
espectro por antimicrobianos de espectro mais estreito e direcionados. Esta prática
reduz a pressão seletiva, diminui o risco de emergência de resistência e minimiza
efeitos adversos.
Duração do Tratamento
A duração da terapia antimicrobiana varia conforme o microrganismo isolado e a
presença de complicações. Para bacteremias não complicadas, geralmente
recomenda-se 7 a 14 dias de tratamento. Infecções por S. aureus geralmente requerem
14 dias, podendo estender-se até 4 a 6 semanas na presença de endocardite ou outras
complicações metastáticas.
Controle da Fonte
O controle adequado da fonte infecciosa é fundamental para o sucesso terapêutico.
Nos casos de IPCS-CVC, a remoção do cateter deve ser considerada, especialmente
em infecções por S. aureus, fungos ou bacilos gram-negativos não fermentadores. A
drenagem de abscessos, debridamento de tecidos necróticos e remoção de corpos
estranhos infectados são medidas essenciais.
Suporte Clínico
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Pacientes com sepse e choque séptico requerem suporte intensivo, incluindo
ressuscitação volêmica adequada, uso de vasopressores quando necessário,
monitorização hemodinâmica, suporte ventilatório e controle glicêmico. O manejo deve
seguir as diretrizes internacionais da Surviving Sepsis Campaign.
PREVENÇÃO
A prevenção das ICS baseia-se em múltiplas intervenções que incluem higienização
adequada das mãos, utilização de precauções-padrão, técnica asséptica rigorosa
durante procedimentos invasivos e uso racional de antimicrobianos. Programas de
controle de infecção hospitalar desempenham papel fundamental na implementação e
monitorização dessas medidas.
Prevenção de IPCS-CVC
Para prevenção de infecções relacionadas a cateter venoso central, recomendam-se
bundles de inserção e manutenção que incluem higienização das mãos, uso de barreira
máxima de proteção durante a inserção, antissepsia da pele com clorexidina alcoólica,
escolha do sítio de inserção adequado (preferência para veia subclávia), revisão diária
da necessidade de manutenção do cateter e cuidados com o curativo. A
implementação sistemática dessas medidas demonstrou redução significativa nas
taxas de IPCS-CVC.
Programas de Stewardship Antimicrobiano
Os programas de uso racional de antimicrobianos contribuem para a prevenção de ICS
por microrganismos multirresistentes, promovendo o uso apropriado de
antimicrobianos, o descalonamento quando apropriado e a otimização da duração da
terapia. Estas iniciativas auxiliam na redução da pressão seletiva e na preservação da
eficácia dos antimicrobianos disponíveis.
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CONCLUSÃO
As infecções da corrente sanguínea representam um importante problema de saúde
pública, associadas a elevada morbimortalidade e impacto econômico significativo. O
reconhecimento precoce, o diagnóstico adequado através de hemoculturas, a
instituição rápida de terapia antimicrobiana apropriada e o controle da fonte infecciosa
são fundamentais para melhorar os desfechos clínicos. A abordagem multidisciplinar,
envolvendo médicos, enfermeiros, farmacêuticos e profissionais de controle de
infecção, é essencial para o manejo adequado das ICS e melhoria contínua da
qualidade da assistência prestada aos pacientes.
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