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Análise de Fácies e Escoamento Superficial

O documento discute a análise de fácies como um método essencial na caracterização de processos de coluvionamento, definindo fácies como a soma de características sedimentares que ajudam a interpretar ambientes deposicionais. A análise inclui diferentes tipos de fácies, como litofácies, biofácies e ichnofácies, e enfatiza a importância da interpretação objetiva dos processos formadores das camadas. Além disso, aborda o escoamento superficial, suas origens e tipos, destacando a relação entre precipitação, infiltração e erosão do solo.

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Análise de Fácies e Escoamento Superficial

O documento discute a análise de fácies como um método essencial na caracterização de processos de coluvionamento, definindo fácies como a soma de características sedimentares que ajudam a interpretar ambientes deposicionais. A análise inclui diferentes tipos de fácies, como litofácies, biofácies e ichnofácies, e enfatiza a importância da interpretação objetiva dos processos formadores das camadas. Além disso, aborda o escoamento superficial, suas origens e tipos, destacando a relação entre precipitação, infiltração e erosão do solo.

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2.1.2.

2 Análise de Fácies: Recurso Metodológico na Caracterização dos Processos

de Coluvionamento

O termo fácies significa face, aspecto, aparência, forma, característica ou

condição, podendo variar a definição entre os autores. Embora essa variação, ha um

consenso em se admitir como a soma de características de uma unidade sedimentar. As

características incluem as dimensões, estruturas, tamanho de grão, cor, conteúdo

biogenético e sedimentos constituintes de depósitos que permite sua distinção com

relação a outros corpos adjacentes. Com isso o termo fácies esta diretamente relacionada

com os processos deposicionais atuantes na construção dos corpos sedimentares,

podendo ser considerada como um meio de classificação dos sedimentos de determinada

sequência. Desta forma expressa as circunstâncias em que cada camada foi gerada, sendo

fundamental instrumento de interpretação de ambiente deposicional e processos

associados (NICHOLS, 1999).

Dependendo do foco do estudo, diferentes termos são usados para alguns aspectos das

facies, tais como: a) litofácies: descrição, demarcação das características da rocha e ou

depósito como produto único dos processos físicos e químicos; b) biofácies: descrição

na quais as observações são voltadas para flora e fauna; e c) ichnofácies: descrição é

voltada para os sinais de fósseis existentes nas rochas e ou depósito.

A análise de fácies, interpretação dos estratos, em ambientes deposicionais, pode

ser considerada como objetivo central da sedimentologia e estratigrafia. A interpretação

dos ambientes sedimentares pode ser um exercício muito simples ou complexo no

contexto da sequência sedimentar. Em alguns casos há características únicas das rochas

e ou depósito oriundas de um ambiente particular. A interpretação das fácies deve ser

objetiva e baseada no reconhecimento dos processos formadores das camadas, sendo


oportuno na caracterização de depósitos de coluvio, que são associados tanto a

movimentos de massa quanto ao escoamento superficial.

As fácies deposicionais representam litotipos que podem estar presentes em

corpos oriundos de fluxos gravitacionais de massa, refletindo as configurações

deposicionais originais anteriores à ressedimentação, ou podem estar associadas aos

fluxos gravitacionais de sedimentos in situ, nas partes mais rebaixadas do terreno

(CARLOTO, 2006).

O estudo de fácies sedimentares em escala microscópica foi denominado por

Brown (1943 apud RIBEIRO & BORGHI, 2007) de microfácies, sem fazer menção ao

tipo de litologia ou técnica de estudo. As microfácies podem ser definidas como

variações nas características litológicas de um pacote de sedimentos, através da análise

de lâminas delgadas obtidas com o uso de microscópio feito por meio de lâminas

delgadas (MENDES,

1984 apud RIBEIRO & BORGHI, 2007).

[Link] Escoamento Superficial

A origem do escoamento superficial está ligada diretamente com as

precipitações. A água ao precipitar sobre o solo pode infiltrar, acumular-se em áreas

deprimidas ou escoar diretamente sobre a superfície. Segundo Paisani (1998), “quando

a intensidade de chuva excede a capacidade de infiltração do solo, surge o fluxo

superficial hortoniano (horton overland flow), característico de regiões com pouca

cobertura vegetal. Em áreas onde a presença de vegetação é significativa, os solos ficam

mais permeáveis e a água tende a infiltrar alimentando os lençóis freáticos, que por sua
vez alimentam os rios, esse fluxo é chamado de fluxo de base (baseflow). A água pode

também percolar dentro do solo ou sobre a rocha pelos poros existentes, gerando assim

o fluxo subsuperficial (subsurface). O fluxo de retorno (retourn flow) surge quando a

zona limite de percolação do fluxo subsuperficial na encosta, definido pelo gradiente

topográfico, coincide com a superfície do terreno. Quando o solo excede sua capacidade

de infiltração encontrando-se totalmente saturado, a água emerge dele, formando assim

o escoamento superficial saturado (saturation overland flow)”.

No escoamento laminar, a água se desloca em camadas, ou lâminas, uma camada

escorregando sobre a adjacente havendo somente troca de quantidade de movimento

molecular. A água se desloca vertente abaixo em forma de lençol, removendo, por onde

passa, materiais terrosos formando lâminas delgadas. A quantidade de material

transportado pelo escoamento laminar varia conforme o tipo de solo existente. Os solos

compostos por silte, material arenoso e areias quartzosas, geralmente de origem

sedimentar, apresentam tamanho relativamente grande das partículas para serem

arrastados pelo escoamento superficial. Os solos de natureza basáltica são argilosos,

compostos por materiais “finos” em relação aos solos de origem sedimentar, entretanto,

a erosão laminar ocorre mais facilmente em solos de origem basáltica.

Além do escoamento laminar, os fluxos já mencionados podem ocorrer nas

encostas de forma concentrada e são designados de escoamento superficial canalizados.

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