O que é MPB
A Música Popular Brasileira surge num movimento na década de 1960, nasceu do caldeirão de
ritmos ancestrais, tais como o samba, o choro e o baião, e bebeu da fonte da Bossa Nova, vinda do
casamento genial entre a harmonia complexa do jazz americano e a cadência sincopada do samba, o
que refinou os dois mundos: nesse estilo a batida do samba, que é no pé, foi para os dedos, no violão.
Surgiu o "violão gago". No entanto, a MPB se distingue ao incorporar influências externas, como o
rock, o jazz e o folk, sem perder a essência nacional.
A sigla em si ganhou força durante um período de efervescência política, foi um canal de protesto e
resistência durante a ditadura militar. Canções de Chico Buarque, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Elis
Regina, por exemplo, carregavam duplos sentidos que falavam ao coração da nação por meio de
metáforas.
Não se trata de um estilo fechado, mas de um termo "guarda-chuva" sob o qual abrigam-se
compositores e intérpretes diversos, todos exaltando o caráter nacional da música. Dos experimentos
do Tropicalismo nos anos 60, passando pela mistura com o rock na década de 80, pela influência da
black music nos anos 90, até as fusões com o hip-hop, o eletrônico e os sons regionais no século XXI,
a MPB sempre se reinventou.
Chico Buarque <3
Cantor, escritor, dramaturgo e compositor, Chico Buarque de Holanda consolidou-se como
um dos principais símbolos de resistência da MPB. Conquistou de muitos, ainda jovem, a
admiração de sua coragem e elegância ao tratar de questões políticas em faixas como:
“Apesar de Você”, que tece suas críticas ao governo autoritário mediante metáforas sutis o
suficiente para atravessarem a censura, mas poderosas para tocar os corações de um povo
oprimido.
As composições inteligentes compõem o coração da arte de Chico, filho de historiador,
que cresceu em um ambiente imerso em cultura e política. Escreveu seu primeiro conto aos
18 anos e conquistou, ao longo da carreira literária, três prêmios Jabuti e, em honra ao
conjunto de sua obra, o prêmio Camões, principal troféu literário da língua portuguesa.
Caetano Veloso
Caetano Emanuel Viana Teles Veloso, o ilustre Caetano Veloso, é um nome de destaque na música
popular brasileira. Cantor, compositor, escritor e ativista cultural, destacou-se pela originalidade e
filosofia de suas letras e mistura de ritmos. Nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, no dia
7 de agosto de 1942. É filho de José Teles Veloso e Claudionor Viana Teles Veloso, conhecida como
“Dona Canó”. Mudou-se, em 1960, para Salvador, onde teve contato com o movimento cultural e
artístico da época, influenciado pela Bossa Nova e pela MPB.
O movimento Tropicalia, ou Tropicalismo, surgiu em 1967 e revolucionou a música brasileira. O
álbum "Tropicalia ou Panis et Circensis" (1968) é considerado um marco desse movimento. Durante a
ditadura militar, Caetano e Gilberto Gil foram presos e, depois, exilados em Londres, em 1969. Entre
suas músicas mais conhecidas estão: Alegria, Alegria (1967), Tropicalia (1968), Sampa (1978),
Sozinho (1998), Você é Linda (1983), O Leãozinho (1977), Cajuína (1979) e Reconvexo (1989).
Caetano Veloso é reconhecido internacionalmente como um dos artistas mais importantes da música
mundial. Ele recebeu vários prêmios Grammy e Grammy Latino, além de ser constantemente citado
por sua contribuição à cultura e à liberdade de expressão.
Gilberto Gil
Nascido em Salvador, Bahia, no dia 26 de junho de 1942, Gilberto Gil foi desde cedo um curioso
inveterado. Sua iniciação musical veio através do acordeão e dos ritmos nordestinos, como o baião e o
forró, que nunca abandonariam completamente o seu repertório.
Na juventude, encontrou o seu par criativo e amigo para a vida, Caetano Veloso. Juntos, absorveram
a sofisticação da Bossa Nova, mas sentiam a necessidade de ir além. O ambiente fervilhante dos
festivais da década de 1960 os projetou, mas foi com a criação do Tropicalismo que eles incendiaram
o cenário cultural..
Nos anos 1970, foi um dos pilares do chamado "Pão com Ovo" ou "Movimento Alegria", propondo
uma música mais descontraída e popular. Dessa fase saem hinos como "Refazenda", "Refavela" e
"Realce", mostrando sua capacidade de dialogar com o urbano e o rural, o erudito e o popular.
Sua consciência social e política sempre foi uma marca registrada, que culminou em sua aceitação do
convite para ser Ministro da Cultura entre 2003 e 2008. No governo Lula, ele tornou-se a própria
encarnação de suas ideias: um gestor que acreditava na cultura como ferramenta de inclusão e no
potencial libertário da tecnologia, promovendo políticas como os Pontos de Cultura.
Gal Costa
A trajetória de Gal Costa é inextricavelmente ligada à de seus companheiros baianos Caetano
Veloso e Gilberto Gil, com quem forjou não apenas uma amizade profunda, mas uma parceria artística
que mudaria os rumos da MPB.
Seu início de carreira, ainda como Maria da Graça, foi marcado pela influência da bossa nova e do
samba-canção. Foi com o Tropicalismo que ela explodiu. Gal era a voz que dava corpo e alma à
ousadia daqueles jovens. Seu desempenho no álbum-manifesto "Tropicália: ou Panis et Circensis"
(1968) foi essencial.
Em seu disco de estreia, simply intitulado "Gal Costa" (1969), que a revolução se consolidou.
Lançado enquanto Caetano e Gil estavam no exílio, aquele álbum era um ato de coragem. Em faixas
como "Baby" e "Divino, Maravilhoso", sua voz não era apenas doce; era desafiadora, áspera, sensual
e experimental, incorporando os gritos da juventude e a psicodelia da época.
Gal possuía um instrumento vocal de rara beleza e flexibilidade. Esta versatilidade permitiu-lhe
navegar por diferentes fases. Após a Tropicália, nos anos 1970, mergulhou em um repertório mais
romântico e popular, tornando-se uma estrela de massa. Canções como "Meu Bem, Meu Mal" e
"Folhetim" ecoavam em todos os rádios do país, mostrando que a artista de vanguarda também tinha o
dom de tocar o coração do grande público.
MPB, Política e Ditadura
A Ditadura Militar teve início no Brasil em 1964, e com o Ato Institucional n° 5, alguns direitos
importantes foram tirados da população. Qualquer manifestação que não concordasse com o governo
vigente era considerada subversiva e sujeita a punições, portanto, os artistas precisavam usar
metáforas.
Por conta disso, cantores como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque tiveram que sair do
país e viver exilados no exterior, devido aos riscos que corriam no seu próprio país. Este período de
censura e repressão foi marcado por uma intensa perseguição a jornalistas, professores, estudantes e
qualquer cidadão considerado uma ameaça ao regime. A tortura tornou-se uma prática sistemática e
generalizada contra os presos políticos, utilizada como ferramenta para obter informações e aterrorizar
a oposição. Órgãos como o DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações - Centro de
Operações de Defesa Interna) tornaram-se símbolos dessa violência de Estado.
Economicamente, o regime foi caracterizado por um paradoxo: enquanto promovia um intenso
crescimento econômico, conhecido como "Milagre Brasileiro" (entre 1968 e 1973), com grandes
obras de infraestrutura e expansão industrial, também aprofundou a concentração de renda e as
desigualdades sociais. O endividamento externo do país cresceu exponencialmente, plantando as
sementes para as crises econômicas das décadas seguintes.
A abertura política, lenta e gradual, iniciou-se no final dos anos 1970, pressionada por uma sociedade
civil que se reorganizava através do movimento sindical, das "Diretas Já" e de uma imprensa cada vez
mais corajosa. A Anistia de 1979 permitiu o retorno de exilados, mas também gerou polêmica ao
perdoar crimes cometidos por agentes do Estado, um tema que permanece como uma ferida aberta na
sociedade brasileira.
A Ditadura Militar no Brasil durou 21 anos, terminando oficialmente em 1985 com a eleição indireta
de Tancredo Neves. Seu legado é complexo e doloroso, deixando para o país uma herança de
autoritarismo, violência não resolvida e instituições fragilizadas, cujos efeitos ainda são sentidos e
debatidos intensamente nos dias de hoje.
Marisa Monte
Marisa Monte é uma das maiores cantoras e compositoras do Brasil. Dona de uma voz suave e
marcante, ela mistura samba, MPB e pop com muita sensibilidade. Desde o final dos anos 1980,
Marisa encanta o público com canções poéticas e cheias de emoção. Entre seus sucessos estão Beija
Eu, Amor I Love You e Velha Infância, com o grupo Tribalistas. Depois vieram sucessos como Mais
(1991), Verde, Anil, Amarelo, Cor-de-Rosa e Carvão (1994) e Memórias, Crônicas e Declarações de
Amor (2000), que marcaram gerações.
Em 2002, Marisa formou o trio Tribalistas, ao lado de Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown. O grupo
se tornou um fenômeno com canções como Já Sei Namorar e Velha Infância. Além de cantora, ela
também é produtora e cuida de cada detalhe artístico de seus álbuns, sempre prezando pela qualidade
e pela poesia.
Nova MPB
A MPB está mais viva do que nunca, com uma nova cara. O estilo, que marcou gerações com nomes
como Caetano Veloso, Elis Regina e Gilberto Gil, vem se reinventando e ganhando novas vozes.
A chamada Nova MPB misturou influências de vários gêneros, como pop, rap, R&B, samba e até
funk. Essa mistura fez com que o estilo se tornasse mais próximo dos jovens.
Outro ponto marcante é a independência dos artistas. Muitos começaram a carreira publicando suas
músicas em plataformas como Spotify, YouTube e TikTok, sem depender de gravadoras.
Entre os nomes mais conhecidos dessa nova fase estão Liniker, Luedji Luna, Anavitória, Tiago Iorc,
Céu, Rubel, Tim Bernardes, Marina Sena... Cada um traz seu estilo, mas todos mantêm o espírito da
MPB: unir poesia e emoção para contar histórias do Brasil e das pessoas.
Rubel
Rubel é um contador de histórias da geração digital, um poeta do cotidiano cuja voz ecoa os
sentimentos de milhares de jovens. Gustavo Rubel Schmitz começou de forma despretensiosa, postou
vídeos no YouTube tocando versões acústicas. "Partilhar" tornou-se um hino nacional.
Maria Gadú
Nascida Maria de Lourdes Gadú, na cidade de São Paulo, sua canção "Shimbalaiê"
explodiu nas rádios e na internet, tornando-se um hino instantâneo. Aquele sucesso
estrondoso, no entanto, não a definiu como um "one-hit wonder". Pelo contrário, foi o portal
para uma carreira. Ela é a intérprete apaixonada de clássicos, como demonstrou no álbum
"Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor", onde revisitou Caetano Veloso e parceiros, mas também
é uma compositora de mão cheia.
Tiago Iorc
Tiago Iorczeski, ou simplesmente Tiago Iorc, nasceu em Brasília. Com uma voz leve, Tiago
conquistou o coração de muita gente, dentro e fora do Brasil. Já ganhou 5 prêmios Latin
Grammys. Sua caminhada começou a ganhar força em 2008, quando lançou Let Yourself In,
que chegou ao topo das paradas. Com o tempo, ele passou a compor em português, criando
músicas que falam diretamente com quem ouve. Em 2015, lançou Troco Likes, com sucessos
como Coisa Linda e Amei Te Ver.
Liniker
Liniker de Barros Ferreira Campos é uma cantora e compositora nascida em Araraquara. Ascendeu,
a partir de 2015, ao estrelato com a banda Liniker e os Caramelows. Em 2022, ela fez história ao se
tornar a primeira artista trans a ganhar um Grammy Latino, marco esse que reafirma sua relevância no
cenário internacional.