Direito Processual Civil I
Prof. Vanessa Nunes de Barros Mendes Sampaio
DAS PROVAS
1. Teoria Geral das Provas
Prova pode ser compreendida como meio que se permite a persuadir alguém
a respeito de algo. Usualmente, é comum afirmar que este alguém seria o magistrado,
que é aquele que, pelas provas, irá realizar mentalmente uma reconstrução dos fatos
pretéritos e, assim, fazer a subsunção destes com a legislação vigente, de onde
normalmente irá extrair a solução adequada para aquela situação. Mas os demais
participantes do processo também são destinatários das provas, uma vez que eventual
interpretação das provas por parte do juiz pode vir a motivar uma decisão injusta.
É perfeitamente possível ocorrer que o magistrado em sua decisão conclua
pela existência de fatos que naturalisticamente jamais tenham ocorrido ou vice-versa.
O processo é o instrumento que permite ao julgador conhecer a verdade dos fatos,
que é demonstrada pelas provas produzidas. Por vezes quem triunfa não é a parte
que tem razão, mas sim aquela que consegue convencer o magistrado que a razão lhe
assiste, ou seja, que aparentemente os fatos ocorreram como o mesmo narrou em
suas peças e provas.
Ainda que o juiz tenha concluído pela existência de um fato que nunca
ocorreu, essa circunstancia, por si só, não é suficiente para anular a sua decisão.
Então, o essencial para a validade da sentença é que o magistrado analise os
fatos narrados na petição inicial respeitando o princípio da correlação, uma vez que o
juiz, quando provocado a prestar a jurisdição, somente pode fazê-lo nos estreitos
limites desta provocação, sob pena de invalidade desta ato decisório.
2. Classificação das Provas
As provas podem receber os mais variados classificações. Entre as mais
usuais podemos citar: típicas e atípicas; ilícitas; indiciárias; emprestada; fora da terra;
diabólica.
A) Provas Típicas e Atípicas
Provas típicas são aquelas que estão expressamente previstas no CPC tais
como: depoimento pessoal das partes, oitiva de testemunhas, pericial, documental,
confissão, etc.
Provas atípicas são aquelas que não estão claramente positivadas, muito
embora ainda assim possam ser empregadas para elucidação dos fatos, conforme
autoriza o CPC em seu art. 369.
A grande crítica feita à utilização das provas atípicas é que as mesmas não
necessariamente decorrem de um conhecimento científico sólido, o que realmente
pode comprometer o seu valor.
Exemplo: cartas psicografadas; exibição de vídeo em audiência; inspeção in
loco realizada pelo oficial de justiça.
B) Provas Ilícitas
São aquelas produzidas em desconformidade com normas constitucionais e
infraconstitucionais e, por este motivo, não podem ser utilizadas para embasar
qualquer julgamento no processo civil.
No CPC não há qualquer norma que proíba o seu uso, mas existe a proibição
constitucional que recai no art. 5º LVI, CF.
Exemplo: obtenção de confissão do demandado mediante coação.
Vigora no ordenamento jurídico o princípio eu veda o uso da prova ilícita por
derivação. Por conta da vedação ao uso da prova ilícita todas as que surgirem em
decorrência dela, e que acabaram sendo maculadas pelo mesmo vício.
“O vício da arvore envenenada contamina e se transmite para todos os
frutos”.
Mas temos que destacar que renomada doutrina chega a defender a
possibilidade de fundamentação decisória com base em prova ilícita, nos casos em
que forem absolutamente excepcionais e extremos. Pode ser que em dada situação
haja uma questão que envolva algum interesse público que irá se impor de tal maneira
que até mesmo irá sobrepujar o interesse particular da parte em não ser condenada
com base em prova ilícita. Também deve ocorrer, concomitantemente, que a prova
ilícita tenha sido a única que poderia ser produzida para clarear a verdade sobre
eventos pretéritos.
*pegar exemplo no livro.
C) Prova Indiciária
Também chamada de prova indireta ou de caráter lógico.
Quando a prova recair sobre fatos que não são os que o magistrado tem que
analisar e sim outros que permitirão, por um raciocínio indutivo ou dedutivo, se chegar
a conclusão daquilo que uma das partes está alegando.
D) Prova emprestada
No art. 372 do CPC admite o uso da prova emprestada, que é uma expressão
utilizada quando se junta no processo judicial prova que tenha sido produzida em outro
procedimento administrativamente.
E) Prova de fora da terra
Quando se produz alguma prova em juízo localizado em base territorial
distinta daquela em que tramita o processo. É uma situação extremamente corriqueira,
que pode ser ilustrada diante da possibilidade de expedição de uma carta precatória
para oitiva de testemunha que reside em outra localidade.
F) Prova diabólica
O termo é adotado para se referir a uma situação em que a produção de
prova é impossível ou excessivamente difícil de ser produzida pela parte que alegou o
fato, usualmente recaindo sobre fatos negativos.
3. Objeto da Prova
A prova deve recair sobre fatos que normalmente são pretéritos, ou seja,
aqueles que já ocorreram. Mas em certos casos o processo é instaurado para se obter
uma tutela inibitória, onde o intuito do demandante é obter uma decisão judicial que vai
inibir o demandado de praticar algum ato e, nessa hipótese, o objeto da prova vai
recair sobre atos preparatórios que vão indicar que existe a intenção de se praticar um
ilícito posteriormente.
Mas o objeto da prova também pode recair sobre a existência de atos
normativos, pois de acordo com o art. 376 do CPC, é autorizado ao magistrado que
determine que a parte demonstre a vigência de lei municipal, estadual ou mesmo de
hábitos e costumes.
Quanto à parte comprovar a vigência de normas estrangeiras, a dúvida reside
em analisar se estes atos podem ser considerados ou não como fontes normativas no
direito pátrio.
Quanto a prova recair sobre os costumes, é de se ponderar que a
constituição não fez qualquer referencia ao costume como fonte de produção jurídica.
Daí alguns defenderem que o costume deve ser considerado não como instrumento da
criação de uma regra, mas sim como um meio de prova da existência dessa regra.
4. Fatos que independem de prova
O objeto da prova costuma ser um fato. No entanto, por vezes o CPC
estabelece que alguns fatos não dependem de prova. (art. 374)
1ª situação: não dependem de prova os fatos notórios, ou seja, aqueles que
em tese são por todos conhecidos, ou pelo menos para o homem médio, que seria
aquele indivíduo moderado. Logo o que não é notório para o homem médio tem que
ser provado.
2ª situação: não dependem de provas os fatos afirmados por uma parte e
confessados pela parte contrária, o que é normal, pois a confissão nada mais é do que
o reconhecimento, por uma parte, da ocorrência dos fatos que a outra afirma.
3ª situação: não dependem de prova os fatos que no processo são admitidos
como incontroversos.
4ª situação: dispensa produção de provas quando se tratar de um fato em
cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. É o que ocorre
quando o demandado contesta e não impugna especificamente todos os fatos
narrados na inicial. Exemplo: presunção de boa fé nos contratos.
5. Etapas para a produção de provas
As provas podem ser determinadas de ofício, conforme autoriza o art. 130,
sem que isso de forma alguma possa macular a imparcialidade do magistrado. As
etapas para a produção da prova são as seguintes: requerimento; deferimento; e
produção propriamente dita. Nem sempre há necessidade de se realizar cada uma
delas, dependendo da situação concreta.
a) Requerimento: deve ser efetuado pela parte interessada em produzir algum
determinado tipo de prova. Já deve ser apresentado genericamente na petição inicial
pelo demandante e na contestação pelo demandado, muito embora haja momento
ulterior, por ocasião do saneamento do processo, em que o magistrado irá novamente
questionar se há alguma prova a ser produzida.
b) Deferimento: nem sempre o requerimento vai ser aceito pelo magistrado.
As partes não tem o direito de produzir toda e qualquer prova no processo, mas
apenas aquelas que são relevantes para p julgamento da causa. De um modo geral é
recomendável que o juiz ao proferir a decisão de saneamento, nela própria defira ou
indefira qualquer produção de prova, já que é neste momento que vão ser
determinados os pontos controvertidos que precisam ser esclarecidos. O requerimento
de produção de prova de um fato que não é controvertido se traduz em prova
irrelevante e protelatória quanto aos rumos do processo, razão pela qual a mesma
deve ser rejeitada.
c) Produção da prova propriamente dita: no caso das provas orais,
constumam ocorrer na AIJ, então vai depender do tipo de prova a ser produzida.
6. Critérios para a Valoração das Provas
Uma vez produzida a prova, a mesma passa a pertencer ao processo, em
obediência ao princípio da “comunhão das provas”, de modo que possa aproveitar a
qualquer uma das partes, independentemente de quem as tiver requerido ou mesmo
se sua produção tiver sido determinada ex officio. Resta ainda realizar a valoração da
aludida prova.
a) Intima convicção: o magistrado se encontra autorizado a decidir sem que
seja necessário fundamentar a sua decisão. Sistema que não mais se coaduna com o
texto constitucional e do CPC.
b) Prova tarifada: a própria legislação já vai atribuir a certos meios de prova
um valor previamente estabelecido. É o que pode ocorrer a certos caos em que há
uma prova soberana, ou seja, um determinado meio de prova que é insubstituível,
como estabelece o CPC ao dispor que quando a lei exigir instrumento público como da
substancia do ato, nenhuma outra prova, por mais especial que seja, pode suprir-lhe a
falta. Essa norma trata de ranço deste critério valorativo de produção da prova, que
somente é empregado em caráter excepcional quando a legislação autorizar (art. 406).
c) Livre convencimento motivado ou persuasão racional: o magistrado tem
plena liberdade em analisar os meios de provas produzidas aos autos, decidindo com
base nos mesmos e motivando adequadamente a sua decisão em conformidade com
os dispositivos já mencionados.
Para alguns doutrinadores incumbe ao juiz, ao proferir sua decisão,
apresentar uma valoração discursiva da prova, justificando o seu convencimento e,
também, os motivos pelos quais acolhe ou rejeita cada elemento do conjunto
probatório.
7. Ônus da prova e ônus financeiro da prova
É frequente afirmar que o ônus da prova é em regra estático, pois o CPC
estabelece que compete ao demandante provar fato constitutivo do seu direito e cabe
ao demandado provar quanto à comprovação de qualquer fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito autoral.
a) Ônus da prova é sempre estático ou pode ser dinâmico?
Em princípio trata-se de ônus estático, já que a prova deve ser realizada por
aquele que fez a alegação, sob risco de ser reputada como não demonstrada. Mas
existem algumas hipóteses e, que o ônus da prova não será de quem alegou, mas sim
daquela que pode melhor produzir a prova, o que coincide com os postulados da teoria
da carga dinâmica o ônus da prova. O CPC adotou de forma expressa a possibilidade
do ônus ter esse caráter dinâmico quando prevê que a prova pode ser produzida pela
parte que detêm as melhores condições para tanto, independentemente de ter sido ela
a requerente da medida.
b) Qual a diferença entre inversão e dispensa do ônus da prova?
A inversão vai ocorrer quando o juiz determina motivadamente que uma parte
produza prova de fato que foi afirmado pela outra.
A dispensa ocorre quando o magistrado dispensa motivadamente o
demandante do ônus de provar os fatos que alegou, pois o juiz estará admitindo
provisoriamente que tais fatos já ocorreram, de modo que caberá ao demandado
realizar a prova em contrário, ou seja, que os eventos não ocorreram da maneira como
foi descrita. Ressalva-se, porém, que nos casos do CDC é mais frequente a utilização
da nomenclatura inversão, que é equivocada, já que na verdade ocorre uma dispensa.
c) A inversão é um direito subjetivo do consumidor ou faculdade do
magistrado?
Primeiramente temos que diferenciar a inversão ope judicis da ope legis. A
primeira é aquela em que a inversão é automática, pois dependerá de deferimento por
parte do magistrado. Exemplo: situações contempladas no CDC onde apenas é
autorizado o deferimento da inversão do ônus da prova se a alegação do demandante
for verossímil ou quando o mesmo for hipossuficiente.
A inversão ope legis é aquela onde houver a dispensa do ônus da prova do
demandante quanto a certas questões, que são justamente as mencionadas.
d) até que momento o magistrado pode ou não deferir a inversão do ônus da
prova?
É bastante expressivo o entendimento no sentido que somente poderá ser
determinada até o saneamento do processo, de modo a respeitar os princípios
basilares como o do contraditório ou o da ampla defesa. O tema é regulado no art.
357, III, até porque ao magistrado é vedado realizar esta inversão na própria sentença,
pois iria gerar uma situação que tornaria impossível a desincumbencia deste encargo
pela parte.
e) possibilidade ou não de recusa da parte em produzir prova contrária a si,
caso o magistrado tenha invertido o ônus da prova.
O Pacto de San José da Costa Rica reconhece como garantia judicial o direito
da parte lesada em não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a confessar-se
culpada. Da mesma maneira podemos argumentar que o direito a não
autoincriminação decorre do direito ao silencio, este sim reconhecido em nossa carta
magna. Então entendemos que mesmo que o juiz determine a inversão do ônus da
prova, a parte pode se recusar a fazê-la. Mas a sua omissão não passará
despercebida, pois pode lhe gerar uma presunção desfavorável que, somada as
demais provas que houverem sido produzidas, poderá resultar em um julgamento
contrario a si.
f) é possível a inversão do ônus financeiro da prova?
Não, pois não pode o magistrado determinar que uma parte produza o ato e a
outra arque com o ônus financeiro dela. O ônus da prova é em regra de quem alega,
cabendo a esta mesma parte também o ônus financeiro da prova. (art. 370)
g) quem deve arcar com ônus financeiro da prova determinada de oficio pelo
magistrado?
Caberá ao demandante arcar com esse ônus financeiro, conforme se extrai
da redação do art. 95 do CPC, muito embora trate somente da prova pericial, podemos
empregar em qualquer outra prova.
*Súmula 232 STJ.
h) as despesas para a produção da prova devem sempre ser recolhidas antes
da sua produção ou podem ser realizadas ao final do processo?
A regra é que tais despesas devem ser recolhidas antes da produção da
prova, muito embora em algumas situações a própria legislação autorize que essas
despesas sejam recolhidas somente ao final, por exemplo nas ações civis públicas.
i) é válida a previsão normativa de que as próprias partes poderão
convencionar de comum acordo a inversão do ônus da prova?
Sim, art. 373, §§3º e 4º.
8. Provas em Espécie
O CPC enumera algumas modalidades de provas, senão vejamos:
8.1 Produção Antecipada de provas
O CPC regula este tema de maneira bem mais ampla que o anterior, pois sob
esta nomenclatura foram abrangidas as hipóteses que justificavam as cautelares
autônomas de “arrolamento” e de justificação. A mesma pode ser admitida em
diversas situações.
A competência para a produção antecipada de provas será o juízo do foro
onde a prova deve ser produzida ou, então do domicílio do réu. Mas há norma
prevendo que o órgão jurisdicional que a processar não fica prevento para eventual
demanda posterior.
O processamento dessa produção de provas segue o art. 382, com a
possibilidade de até mesmo requerer outras provas não especificadas na petição
inicial, mas desde que relacionadas ao mesmo fato.
O magistrado não se pronunciará sobre os fatos que forem objeto de tais
provas e nem mesmo sobre as suas consequências jurídicas. É vedado o
oferecimento de defesa ou recurso neste procedimento, exceto se o magistrado
indeferir a produção de prova pleiteada pelo requerente.
8.2 Ata notarial
É uma ata ou certidão lavrada pelo tabelião, que pode estar também
representada por imagem ou som que atestem a existência ou o modo de existir de
algum determinado fato. Apesar de o tabelião ter atos que gozam de fé pública, sua
afirmação não é definitiva, devendo ser interpretada sim como uma prova produzida
por uma parte. Ainda que na certidão conste a existência de uma filiação entre duas
pessoas, tal prova não terá contornos absolutos e seu conteúdo poderá ceder frente
aos demais meios de prova produzidos em juízo.
8.3 Depoimento pessoal
Consiste na colheita em juízo das declarações de uma das partes principais
do processo. Pode ser determinado de oficio ou mesmo requerido no momento próprio
pela parte interessada e deve ser realizado na AIJ. Havendo urgência justificável, este
depoimento poderá ser prestado no bojo de uma ação cautelar de produção
antecipada de provas.
A parte pode se recusar a prestar seu depoimento em juízo já que é
respaldado em norma constitucional.
Mas o CPC determina que, neste caso, caberá ao magistrado interpretar a
recusa como confissão. O mesmo irá ocorrer caso a parte deixe de comparecer a AIJ
após ter sido regularmente intimada ou, se durante a AIJ, o magistrado considerar que
o depoente deixou de apresentar respostas ou foi evasivo.
A confissão nestes casos, gera apenas uma presunção relativa de veracidade
quanto aos fatos afirmados pela outra parte.
Por vezes o depoente não será obrigado a depor sobre certos fatos, como
aqueles criminosos ou torpes que lhe forem imputados, art. 388, somente não se
aplicam a demandas que envolvam filiação, divorcio ou anulação de casamento.
A ausência motivada a AIJ pode ser relevada pelo magistrado, hipótese qme
que será então designada uma nova data para realização ou continuação da AIj
conforme o caso.
8.4 Confissão
Ocorre a confissão quando uma parte admite a ocorrência de um fato, que
seja contrario ao seu interesse e favorável ao adversário. A mesma dispensa a
necessidade de prova a respeito de fato já confessado, muito embora se trate de uma
presunção relativa (374, III).
Pode ser classificada como qualificada ou complexa. A qualificada é quando
réu confessa fatos que foram afirmados pelo autor, muito embora negue os efeitos
pretendidos pelo demandante, é a defesa direta do mérito.
A complexa é aquela em que o réu reconhece os fatos narrados na inicial
mas, ao mesmo tempo, argui ouro extintivo modificativo ou impeditivo a seu favor, que
caracteriza uma defesa de mérito indireta.
Importante salientar que a confissão não induz necessariamente ao
reconhecimento do pedido. Nem sempre uma confissão leva ao a procedência daquilo
que o demandante alega.
Essa confissão poder ser tanto judicial quanto extrajudicial, sendo realizada
pela própria parte ou por mandatário com poderes especiais para tanto. A confissão
feita por uma das partes não pode prejudicar os demais litisconsortes que porventura
estejam litigando ao seu lado em um dos polos da relação jurídica.
Também não pode ser admitida quando se referir a fatos relativos a direitos
indisponíveis, de modo que caso isso ocorra o referido ato não terá qualquer valor
probatório apto a influenciar o convencimento do magistrado no momento em que vier
a decidir.
Não se permite a confissão do que venha ser realizado mediante erro de fato
ou coação, muito embora nessa hipótese o código permita que a mesma seja
desconstituída por meio de demanda autônoma.
Havendo vicio na pratica do ato processual, nada impede que isso possa ser
apresentado no próprio processo por meio de simples petição.
Se já tiver transitado em julgado a sentença de mérito que foi proferida no
processo em que a confissão viciada tiver sido prestada, até poderá ser possível o
emprego da ação rescisória, dependendo do fundamento, para desconstituir o ato
decisório e quiçá também a confissão.
Em regra a confissão é indivisível, de modo que uma parte não pode invoca-
la como prova apenas no tópico que a beneficiar e rejeitá-la naquilo que lhe for
desfavorável, tratando-se dos mesmos fatos. Caso a confissão aborde mais de um
fato, nada impede que isso ocorra.
8.5 Exibição de documento ou coisa
Qualquer parte pode requerer ou mesmo o juiz determinar de ofício que seja
exibido documento ou coisa que se encontre em poder de um dos litigantes ou até
mesmo de um terceiro.
O requerimento para a exibição desse documento ou coisa é realizado no
próprio bojo do processo primitivo quando estiver em poder de uma das partes. Dessa
forma caberá ao demandante requerer essa exibição, esclarecendo a finalidade da
prova, bem como as razões que a legitimam a supor que as mesmas se encontram em
poder da parte contrária. Também é exigida, quando possível, a individuação, tão
completa quanto possível, da coisa ou do documento.
Nada impede que essa exibição seja requerida pelo réu, hipótese em que o
seu tratamento será igual.
Após a apresentação, primeiramente o magistrado irá determinar que a parte
contraria apresente-a bem como que se manifeste no prazo de 5 dias. A legislação
autoriza que haja recusa na apresentação, muito embora em outras o mesmo já não
ocorra, senão vejamos os arts. Seguintes.
Art. 399. O juiz não admitirá a recusa se:
I - o requerido tiver obrigação legal de exibir;
II - o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o
intuito de constituir prova;
III - o documento, por seu conteúdo, for comum às partes.
Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou
a coisa se:
I - concernente a negócios da própria vida da família;
II - sua apresentação puder violar dever de honra;
III - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a
seus parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo
de ação penal;
IV - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado
ou profissão, devam guardar segredo;
V - subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do
juiz, justifiquem a recusa da exibição;
VI - houver disposição legal que justifique a recusa da exibição.
Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput
disserem respeito a apenas uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a
outra em cartório, para dela ser extraída cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado
auto circunstanciado.
Se o magistrado concluir pela necessidade da exibição e constatar que não
foi realizada estabelece que os fatos que o documento ou a coisa atestariam serão
presumidos relativamente como verdadeiros.
*Súmula 372 do STJ.
Caso a coisa ou o documento esteja em poder de um terceiro após já ter sido
instaurado o processo inicial, a única distinção é que será permitida a emenda da
inicial, apenas para que este terceiro seja incluído na demanda, gerando um
litisconsóricio passivo necessário, diante da permissão do demandado primitivo. Após
a citação, o novo demandado terá 15 dias para responder. Se necessário, poderá ser
designada uma audiência especial nos casos em que a lei autorizar.
Art. 402. Se o terceiro negar a obrigação de exibir ou a posse do documento
ou da coisa, o juiz designará audiência especial, tomando-lhe o depoimento, bem
como o das partes e, se necessário, o de testemunhas, e em seguida proferirá
decisão.
8.6 Prova documental
Se destina a demonstrar a ocorrência de um fato que seja relevante para o
deslinde da causa. O seu valor probante foi merecedor de uma extensa
regulamentação – art 405 a 438.
Essa prova já deve vir acompanhada com a petição inicial ou com a resposta
apresentada, muito embora seja lícito que o interessado a traga aos autos a qualquer
momento durante a tramitação do processo, enquanto não tiver sido proferida a
sentença.
Se o processo já tiver sido sentenciado, apenas em caráter excepcional é que
as partes podem apresentar novos fatos por ocasião da interposição de apelação.
Se necessário o magistrado pode determinar que qualquer repartição pública
seja oficiada para apresentar, a qualquer tempo, inclusive em grau recursal, as
certidões necessárias a prova das alegações das partes ou os procedimentos
administrativos nas causas da fazenda pública. É uma faculdade que somente deve
ser exercida se realmente tais documentos forem relevantes para o esclarecimento de
fatos referentes à resolução do mérito da causa. Deve ser afastada a possibilidade de
expedição de oficio a qualquer órgão que possua cadastro de bens do executado, pois
é uma medida que se não se destina a ser prova de um fato relevante para o
julgamento do mérito.
Também devem ser indeferidos ofícios a registros civil de pessoas naturais ou
jurídicas e até mesmo junta comercial já que existe a possibilidade de se obte-lo
independentemente da ingerência estatal, bastando que o interessado se dirija ao
local para requerer.
- arguição de falsidade de documento
Deve ser apresentada ao longo do processo em uma das peças mencionadas
no código (deve ser suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de 15 (quinze)
dias, contado a partir da intimação da juntada do documento aos autos.)
Aquele que alegar falsidade deve esclarecer os motivos que a justificam. Por
exemplo a falsidade de um documento público pode ocorrer quando o mesmo não for
verdadeiro ou quando alterar documento verdadeiro. A falsidade de documento
particular decorre quando for impugnada a sua assinatura ou quando o mesmo tiver
sido assinado em branco com posterior preenchimento abusivo.
O ônus da prova de quem alegar falsidade é de quem o arguir, exceto quando
se tratar de impugnação de autenticidade, onde o ônus será de quem produziu o
documento.
Em seguida a outra parte sera ouvida para se manifestar em 15 dias,
devendo seguir ser realizado exame pericial, exceto se a parte que produziu o
documento concordar em retirá-lo dos autos.
Sendo esta questão decidida no curso do processo, se estará diante de uma
decisão interlocutória, mas quando for decidida ao final do processo, estaremos diante
de uma sentença.
8.7 documentos eletrônicos
O código disciplina quanto a possibilidade do uso de documentos eletrônicos
no processo, dispodo ser necessária a sua forma impressa para o uso, bem como a
verificação de sua autenticidade.
Existe norma prevendo que o magistrado apreciará o seu valor probante
ainda que o mesmo não tenha sido convertido, embora seja assegurado às partes o
seu pleno acesso.
Prevê ainda que somente serão admitidos aqueles que sejam produzidos e
conservados de acordo com a legislação específica.
8.8 prova testemunhal
Consiste na tomada de depoimento prestado por alguém que não é parte
principal do processo. Seu objetivo é a obtenção de esclarecimentos sobre os fatos
controvertidos que são relevantes para a resolução do mérito do processo, devendo a
atuação da testemunha se limitar a informar se o fato ocorreu ou não, bem como em
quais circunstancias. Jamais, em hipótese alguma, a testemunha deve realizar juízo
de valor sobre os eventos, pois não lhe compete aprecia-los. Sua atuação é limitada a
esclarecer sobre a dinâmica as situação apenas isso.
Não se pode deferir a oitiva daquela pessoa que nada sabe sobre o fato, mas
se encontra para prestar esclarecimentos técnicos dos mais diversos tipos, já que
nesse caso não se trata de testemunha, mas sim de especialista, nesses casos
deveria ter sido pedido prova pericial, e esta pessoa apresentada como assistente
técnico.
Também pode ser indeferida quando o fato já estiver provado por documento,
confissão da parte ou exame pericial. Não sendo qualquer uma dessas hipóteses e,
sendo relevante o fato cujos depoimentos serão prestados, caberá então ao
magistrado deferir a realização da prova.
Não existe mais a tarifação da prova testemunhal. No CPC anterior era
imprestável a testemunha para confirmar existência de contratos ou relações jurídicas
de direito material cujo conteúdo econômico excedessem o decuplo do salário mínimo
vigente. Não existe mais essa tarifação.
Cada parte pode arrolar até 10 testemunhas ao processo, todas devidamente
qualificadas pelo nome, profissão, residência e local de trabalho, entre outros dados
mais. Se esta prova for deferida no saneamento do processo, as partes disporão de 15
dias para que o rol das testemunhas seja apresentado, caso ainda não tenha sido
feito.
A parte tem que informar o rol de testemunhas no prazo fixado, que por óbvio
é anterior à AIJ. Não é fixado o prazo que a parte dispõe para realizar o recolhimento
dos emolumentos que vão viabilizar a intimação das aludidas pessoas. De nada
adianta informar com antecedência as testemunhas se o recolhimento das custas para
a efetivação da diligencia somente for comprovado as vésperas de realização da
audiência, que terá que ser redesignada.
O juiz tem o poder de exigir no mesmo prazo o recolhimento das custas para
intimação das testemunhas. Caso esses valores não sejam recolhidos, interpreta-se
que a própria parte é que ficará responsável de trazer as mesmas, hipótese em que
será decretado o perdimento da prova se a mesma não comparecer.
A intimação da testemunha pode ser realizada pelo patrono da parte, art. 455.
É proibido que sejam arroladas testemunhas incapazes, ou seja, aquelas
interditadas, menores de 16 anos, entre outros casos. Não podem ser arroladas
testemunhas impedidas, que sejam ascendentes ou descendentes das partes, entre
outros casos. Não se deve permitir a inquirição de testemunhas suspeitas, aquelas
que são amigas ou inimigas das partes, ou que tenham interesse na causa.
O art. 451 do CPC esclarece quando poderá ocorrer a substituição da
testemunha. I - que falecer; II - que, por enfermidade, não estiver em condições de
depor; III - que, tendo mudado de residência ou de local de trabalho, não for
encontrada.
Não sendo qualquer uma dessas hipóteses a substituição será indeferida pois
equivale a permitir que a parte arrole nova testemunha extemporaneamente.
Caso o magistrado esteja convencido da utilidade dessa oitiva, pode então
determinar que ela seja ouvida como se fosse do juízo, eis que dispõe de iniciativa
provatória.
Se o próprio magustrado tiver sido arrolado como testemunha em processo
que tramita perante o seu juízo, deverá ser observada norma própria com a
declaração de impedimento se realmente tiver conhecimento dos fatos que possam
influir na sua decisão. Mas se não souber de nada, basta determinar a exclusão do
seu nome, através de decisão interlocutória.
As testemunhas serão ouvidas na AIJ exceto nos casos do art. 453. I - as que
prestam depoimento antecipadamente; II - as que são inquiridas por carta.
São inquiridos em sua residência ou onde exercem sua função, lembrando
que no dia da realização do ato o magistrado estará acompanhado de um servidor que
vai documentar todo o ato, e também as partes e seus patronos.
I - o presidente e o vice-presidente da República;
II - os ministros de Estado;
III - os ministros do Supremo Tribunal Federal, os conselheiros do Conselho
Nacional de Justiça e os ministros do Superior Tribunal de Justiça, do Superior
Tribunal Militar, do Tribunal Superior Eleitoral, do Tribunal Superior do Trabalho e do
Tribunal de Contas da União;
IV - o procurador-geral da República e os conselheiros do Conselho Nacional
do Ministério Público;
V - o advogado-geral da União, o procurador-geral do Estado, o procurador-
geral do Município, o defensor público-geral federal e o defensor público-geral do
Estado;
VI - os senadores e os deputados federais;
VII - os governadores dos Estados e do Distrito Federal;
VIII - o prefeito;
IX - os deputados estaduais e distritais;
X - os desembargadores dos Tribunais de Justiça, dos Tribunais Regionais
Federais, dos Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Eleitorais e
os conselheiros dos Tribunais de Contas dos Estados e do Distrito Federal;
XI - o procurador-geral de justiça;
XII - o embaixador de país que, por lei ou tratado, concede idêntica
prerrogativa a agente diplomático do Brasil.
A parte se comprometer a trazer a testemunha independente da realização de
qualquer intimação. Nesse caso se ela não comparecer é considerado desistência
quanto a necessidade de sua oitiva. Se a parte não assumiu este ônus, a ausência
pode gerar graves reflexos como a redesignação da AIJ e a determinação de que a
mesma venha ser conduzida de maneira coercitiva, respondendo ainda pelas
despesas do adiamento do feito.
Durante a audiência, o juiz deve inquirir cada testemunha separada e
sucessivamente, sendo primeiras aquelas arroladas pelo demandante após as do
demandado.
No depoimento cada testemunha deverá informar sua qualificação e,
tambpem, se possui alguma relação de parentesco com as parets. Se a resposta for
positiva, o magistrado não vai exigir o compromisso de veracidade do que for
afirmado, vai ocorrer a oitiva de um informante.
Cabe ao magistrado exigir que preste compromisso de dizer a verdade do
que souber e lhe for perguntado, bem como adverti-la que poderá incorrer em sanção
penal, caso venha a efetuar afirmação falsa ou se oculte de falar a verdade.
A testemunha somente pode silenciar quando: I - que lhe acarretem grave
dano, bem como ao seu cônjuge ou companheiro e aos seus parentes consanguíneos
ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau; II - a cujo respeito, por estado
ou profissão, deva guardar sigilo.
(LIVRO PAGINA 354)
AUDIENCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO
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AUDIENCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO