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Inquérito Policial no 45° Exame da OAB

O inquérito policial é um procedimento administrativo sigiloso e inquisitivo, destinado a reunir elementos para a apuração de infrações penais. Ele pode ser instaurado de diferentes formas, dependendo da ação penal, e possui características como ser obrigatório, informativo e temporário. O indiciamento é um ato exclusivo da autoridade policial, e o encerramento do inquérito deve ser formalizado com um relatório enviado ao juiz competente.
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Inquérito Policial no 45° Exame da OAB

O inquérito policial é um procedimento administrativo sigiloso e inquisitivo, destinado a reunir elementos para a apuração de infrações penais. Ele pode ser instaurado de diferentes formas, dependendo da ação penal, e possui características como ser obrigatório, informativo e temporário. O indiciamento é um ato exclusivo da autoridade policial, e o encerramento do inquérito deve ser formalizado com um relatório enviado ao juiz competente.
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1ª Fase | 45° Exame da OAB

Processo Penal

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Processo Penal

1. Inquérito Policial

O processo penal não serve apenas para que o Estado aplique o seu direito de punir, mas
também para que o indivíduo possa defender-se deste Estado. A Persecução Penal, ou seja, o
caminho a ser percorrido pelo Estado para exercer seu direito de punir, é dividido em duas eta-
pas. Uma do inquérito policial e outra da ação penal. Aqui trabalharemos a primeira etapa.

1.1. Conceito
O inquérito policial pode ser conceituado como um procedimento administrativo, prepara-
tório, inquisitivo e sigiloso, presidido pela autoridade policial, que tem por finalidade reunir ele-
mentos necessários à apuração da prática de uma infração penal e sua autoria, a fim de propiciar
a propositura da denúncia ou queixa-crime.

1.1.2. Natureza jurídica


Pessoal, sempre que for perguntado: “Qual a natureza Jurídica?” de algum instituto, na
verdade, o que se deseja saber é: “o que é isso para o Direito”.
Assim, percebemos que a natureza jurídica do inquérito (o que ele é para o Direito) é de
um procedimento administrativo – não é processo, pois não se constitui de uma relação tri-
lateral (delegado – parte A, parte B contrária – contraditório e ampla defesa), por isso se fala em
investigado, que pode ser o objeto de uma investigação.

1.1.3. Espécies de inquéritos


Segundo o artigo abaixo, outras autoridades, desde que autorizadas por lei, podem inves-
tigar. Vejamos:

Art. 4o do CPP. A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território
de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da
sua autoria.
Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades admi-
nistrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função.

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Processo Penal

Policiais Não policiais

Inquérito policial Inquéritos parlamentares -


Súmula 397 do STF (crime
ocorrido na CD ou SF)
Delegados de po-
lícia de carreira –
PC ou PF Inquéritos presididos por
autoridades judiciárias ou
do MP

Inquérito civil – MP

Inquéritos policiais milita-


res – IPM

Cuidado! Segundo o STF, o Ministério Público poderá investigar. O fundamento encon-


trado pela Suprema Corte foi a teoria dos poderes implícitos. Tal investigação será instrumenta-
lizada por meio de um PIC (procedimento investigatório criminal) e não por meio de inquérito
policial.

1.1.4. Finalidade
Fornecer elementos de convicção para que o titular da ação penal (MP ou ofendido) in-
gresse em juízo.

1.1.5. Instauração do IP
Colegas, estamos diante de um dos pontos mais cobrados em primeira fase. Logo,
leia com muita atenção.
A forma de início do inquérito irá depender, necessariamente, da espécie de ação
penal.
Ler com muita atenção o art. 5o do CPP, explicado abaixo.
1) Crimes de ação penal pública incondicionada:
a) De ofício – a autoridade inicia o IP sem a necessidade de que alguém o informe,
toma conhecimento da infração sem a necessidade da ação penal, a peça inaugural
é uma portaria e se trata de uma cognição imediata.
b) Requisição do juiz ou do MP – o delegado age provocado pelo juiz ou pelo MP –

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Processo Penal

a peça inaugural pode ser a própria requisição, ou pode ser uma portaria, é
uma cognição mediata.
Cuidado! É importante saber essa forma de início do inquérito para os casos de
HC. Autoridade coatora. Perceba que nela a autoridade coatora não será o Dele-
gado, mas sim o juiz ou promotor que requisitou a instauração do IP.
c) Requerimento da vítima ou do seu representante legal – art. 5o, II, CPP - a peça
inaugural pode ser a petição da vítima, ou o delegado inaugura por portaria, trata-
se de uma cognição mediata.
d) Flagrante – pode ser instaurado mediante prisão em flagrante - a peça inaugural é
o auto de prisão em flagrante, trata-se de uma cognição coercitiva.
e) Notícia formulada por qualquer do povo – a notícia pode ser anônima ou apó-
crifa?
f) Notícia anônima pode fundamentar a instauração de IP, desde que se apure pre-
liminarmente a viabilidade da notícia, investigue antes, realize rápida diligên-
cia para verificar a veracidade da notícia, se procedente, elabora-se portaria e
instaura-se o IP.

2) Crimes de ação penal pública condicionada - art. 5º, § 4, CPP: o inquérito, nos
crimes em que a ação pública depender de representação (ação penal pública condicionada),
não poderá sem ela ser iniciado.
3) Crimes de ação penal de iniciativa privada - art. 5º, § 5º, CPP: nos crimes de ação
privada, a autoridade policial somente poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha
qualidade para intentá-la.

1.1.6. Características do inquérito policial


1) Instrumental: o IP tem por finalidade apurar a materialidade da infração penal e indí-
cios da autoria. Ele não é um fim em si mesmo, mas um instrumento para a instauração da futura
ação penal.
2) Obrigatório: havendo justa causa, o delegado não pode deixar de instaurar o procedi-
mento investigatório, a autoridade não pode deixar de instaurar.
E no caso de ser requerida a instauração e o Delegado indeferir? Aplica-se o artigo abaixo:

Art. 5o, § 2o, CPP. Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado: [...]

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Processo Penal

§ 2o Do despacho que indeferir o requerimento de abertura de inquérito caberá recurso


para o chefe de Polícia.

3) Discricionário: os atos de investigação são da análise exclusiva da autoridade policial,


que estudará sua conveniência e oportunidade; a discricionariedade diz respeito às diligências.
Cuidado! No caso de o crime deixar vestígios (não transeunte), o exame de corpo de
delito (art. 158 do CPP) será obrigatório.

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão requerer qualquer
diligência, que será realizada, ou não, a juízo da autoridade.

4) Dispensável: se o titular da ação penal tiver provas da materialidade e indícios da


autoria por outro meio, o IP é dispensável.

Art. 39. [...] § 5o O órgão do Ministério Público dispensará o inquérito, se com a repre-
sentação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste
caso, oferecerá a denúncia no prazo de 15 dias.

5) Informativo: os elementos colhidos no IP servirão apenas para subsidiar a ação penal.

Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em con-
traditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos ele-
mentos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não
repetíveis e antecipadas.

6) Escrito:
Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a escrito
ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.

7) Sigiloso:
Art. 20. A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou
exigido pelo interesse da sociedade.

Porém ele não é sigiloso para:


• O juiz;
• O MP – pode acompanhar o inquérito e ser o mesmo promotor na ação penal –
Súmula no 234, STJ;

Súmula no 234 – A participação de membro do ministério público na fase investigatória


criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Processo Penal

• O advogado – art. 7o, XIV, do EOAB e Súmula Vinculante no 14.

Art. 7, XXI, da Lei 8.906/1994 (EAOB) – assistir a seus clientes investigados durante a
apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo interrogatório ou de-
poimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele
decorrentes ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da res-
pectiva apuração:
a) apresentar razões e quesitos; (perguntas...)
Art. 7, XIV, da Lei 8.906/1994 (EOAB) – examinar, em qualquer instituição responsável
por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e de investigações
de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, po-
dendo copiar peças e tomar apontamentos, em meio físico ou digital;

Súmula Vinculante n° 14 – É direito do defensor, no interesse do representado, ter


acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investiga-
tório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercí-
cio do direito de defesa.

8) Inquisitivo: não havendo acusado, mas somente suspeito, não se aplica ao IP o


contraditório.
Atenção! Segundo a doutrina, o contraditório fica postergado (diferido) para ser usado
durante a ação penal.
9) Indisponível: art. 17 do CPP – “A autoridade policial não poderá mandar arquivar
autos de inquérito.”
10) Temporário: é uma garantia constitucional, art. 5o, LXXVIII, CF – duração razoável
do processo.

1.1.7. Prazo do IP
[Link]. Regra geral

Art. 10 do CPP. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o indiciado tiver sido
preso em flagrante, ou estiver preso preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a
partir do dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30 dias, quando estiver
solto, mediante fiança ou sem ela.
§ 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e enviará autos ao juiz
competente.
§ 2o No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas.
§ 3o Quando o fato for de difícil elucidação, e o indiciado estiver solto, a autoridade poderá
requerer ao juiz a devolução dos autos, para ulteriores diligências, que serão realizadas
no prazo marcado pelo juiz.

Anota aí:

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Processo Penal

• Indiciado preso – 10 dias. Improrrogável;


• Indiciado solto – 30 dias. Prorrogável.

[Link]. Prazos especiais


Lei no 5.010/1966 – prazo de conclusão do IP na Justiça Federal – art. 66: indiciado
preso – 15 dias, prorrogado por mais 15 dias.
Segundo o art. 66, o preso deverá ser apresentado ao juiz para a prorrogação: indiciado
solto – 30 dias, prorrogáveis a critério do juiz – segue o CPP.
Lei no 11.343/2006 – Lei de Drogas:
• Indiciado preso – 30 dias, prorrogável por mais 30 dias.
• Indiciado solto – 90 dias, prorrogável por mais 90 dias.

1.1.8. Vícios no inquérito policial


Não sendo o inquérito policial um ato do Poder Judiciário, mas sim um procedimento ad-
ministrativo, os vícios que existam nesta fase da persecução penal não acarretam nulidade
processual.
Cuidado! A irregularidade poderá, entretanto, acarretar a invalidade de um ato. É o que
ocorre com a prisão em flagrante irregular etc.

1.1.9. Indiciamento
É o ato pelo qual o delegado atribui a alguém a prática de uma infração penal, baseado
em indícios da autoria e prova da materialidade.
Pergunta: seria possível o indiciamento determinado por um juiz ou promotor?
O SFT já respondeu e disse que não. STF. 2ª T. – HC no 115015/SP – rel. Min. Teori
Zavascki – j. em 27-8-2013 (Info 717 do STF).
O indiciamento é ato privativo da autoridade policial, segundo sua análise técnico-jurídica
do fato. O juiz não pode determinar que o Delegado de Polícia faça o indiciamento de alguém.

1.1.10. Encerramento do inquérito policial


Previsão legal:

Art. 10. do CPP. [...] § 1 A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido apurado e
enviará autos ao juiz competente.

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1ª Fase | 45° Exame da OAB
Processo Penal

§ 2 No relatório poderá a autoridade indicar testemunhas que não tiverem sido inquiridas,
mencionando o lugar onde possam ser encontradas. [...]
Art. 19. Nos crimes em que não couber ação pública, os autos do inquérito serão remeti-
dos ao juízo competente, onde aguardarão a iniciativa do ofendido ou de seu repre-
sentante legal, ou serão entregues ao requerente, se o pedir, mediante traslado.

Procedimentos no encerramento: novo art. 28 do CPP e a suspensão pelo STF.

Art. 28. Ordenado o arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer elementos infor-


mativos da mesma natureza, o órgão do Ministério Público comunicará à vítima, ao
investigado e à autoridade policial e encaminhará os autos para a instância de revisão
ministerial para fins de homologação, na forma da lei.
§ 1o Se a vítima, ou seu representante legal, não concordar com o arquivamento do inqué-
rito policial, poderá, no prazo de 30 (trinta) dias do recebimento da comunicação, sub-
meter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, conforme dispuser
a respectiva lei orgânica.
§ 2o Nas ações penais relativas a crimes praticados em detrimento da União, Estados e
Municípios, a revisão do arquivamento do inquérito policial poderá ser provocada pela
chefia do órgão a quem couber a sua representação judicial.

Importante! Recentemente o STF decidiu que ao se manifestar pelo arquivamento do


inquérito policial ou de quaisquer elementos informativos da mesma natureza, o Ministério Pú-
blico submeterá sua manifestação ao juiz competente e comunicará o fato à vítima, ao investi-
gado e à autoridade policial, podendo encaminhar os autos para o procurador-geral ou para a
instância de revisão ministerial, quando houver, para fins de homologação (ADIs 6298, 6299,
6300 e 6305).
Cuidado com a alteração legislativa:

Art. 14-A. Nos casos em que servidores vinculados às instituições dispostas no art. 144
da Constituição Federal figurarem como investigados em inquéritos policiais, inquéritos
policiais militares e demais procedimentos extrajudiciais, cujo objeto for a investigação de
fatos relacionados ao uso da força letal praticados no exercício profissional, de forma con-
sumada ou tentada, incluindo as situações dispostas no art. 23 do Decreto-Lei no 2.848,
de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), o indiciado poderá constituir defensor.
§ 1o Para os casos previstos no caput deste artigo, o investigado deverá ser citado da
instauração do procedimento investigatório, podendo constituir defensor no prazo de
até 48 (quarenta e oito) horas a contar do recebimento da citação.
§ 2o Esgotado o prazo disposto no § 1o deste artigo com ausência de nomeação de defen-
sor pelo investigado, a autoridade responsável pela investigação deverá intimar a insti-
tuição a que estava vinculado o investigado à época da ocorrência dos fatos, para que
essa, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, indique defensor para a representação do
investigado.
§ 3o Havendo necessidade de indicação de defensor nos termos do § 2o deste artigo, a
defesa caberá preferencialmente à Defensoria Pública, e, nos locais em que ela não esti-
ver instalada, a União ou a Unidade da Federação correspondente à respectiva compe-
tência territorial do procedimento instaurado deverá disponibilizar profissional para acom-
panhamento e realização de todos os atos relacionados à defesa administrativa do inves-
tigado.
§ 4o A indicação do profissional a que se refere o § 3o deste artigo deverá ser precedida

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Processo Penal

de manifestação de que não existe defensor público lotado na área territorial onde tramita
o inquérito e com atribuição para nele atuar, hipótese em que poderá ser indicado profis-
sional que não integre os quadros próprios da Administração.
§ 5o Na hipótese de não atuação da Defensoria Pública, os custos com o patrocínio dos
interesses dos investigados nos procedimentos de que trata este artigo correrão por conta
do orçamento próprio da instituição a que este esteja vinculado à época da ocorrência dos
fatos investigados.
§ 6o As disposições constantes deste artigo se aplicam aos servidores militares vinculados
às instituições dispostas no art. 142 da Constituição Federal, desde que os fatos investi-
gados digam respeito a missões para a Garantia da Lei e da Ordem.

Sobre o Juiz das Garantias, assim posicionou-se o Supremo Tribunal Federal:


Prazo: o Tribunal considerou a norma de aplicação obrigatória e deu prazo de 12 meses,
prorrogável por mais 12 meses, a partir da publicação da ata do julgamento, para a adoção das
medidas legislativas e administrativas necessárias à adequação das diferentes leis de organiza-
ção judiciária, à efetiva implantação e ao efetivo funcionamento do juiz das garantias em todo o
país, conforme as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Denúncia: a competência do juiz das garantias termina com o oferecimento da denúncia,
cuja análise passa a ser atribuição do juiz da instrução penal, que decidirá, também, eventuais
questões pendentes.
Prisão: em até 10 dias após o oferecimento da denúncia ou queixa, o juiz da instrução e
julgamento deverá reexaminar a necessidade das medidas cautelares em curso.
Revogação automática de prisão cautelar: foi afastada a regra que previa o relaxa-
mento automático da prisão caso as investigações não fossem encerradas no prazo legal. Se-
gundo a decisão, o juiz poderá avaliar os motivos que motivaram sua declaração.
Alcance: as normas relativas ao juiz das garantias não se aplicam aos processos de com-
petência originária do STF e do Superior Tribunal de Justiça, regidos pela Lei 8.038/1990, aos
processos de competência do Tribunal do Júri, aos casos de violência doméstica e familiar e às
infrações penais de menor potencial ofensivo. O juiz das garantias atuará nos processos crimi-
nais da Justiça Eleitoral.
Investidura: foi afastada a regra que previa a designação do juiz das garantias. Segundo
a decisão, o juiz deverá ser investido conforme as normas de organização judiciária de cada
esfera da justiça, observando critérios objetivos a serem periodicamente divulgados pelos tribu-
nais.
Controle de investigações: foi fixado o prazo de até 90 dias, contados da publicação da
ata do julgamento, para os representantes do Ministério Público encaminharem, sob pena de
nulidade, todos os procedimentos de investigação (PICs) e outros procedimentos semelhantes,

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Processo Penal

mesmo que tenham outra denominação, ao respectivo juiz natural, independentemente de o juiz
das garantias já ter sido implementado na respectiva jurisdição.
Contraditório: o exercício do contraditório será realizado, preferencialmente, em audiên-
cia pública e oral. Contudo, o juiz pode deixar de realizar a audiência quando houver risco para
o processo ou adiá-la em caso de necessidade.
Dignidade do preso: a divulgação de informações sobre a realização da prisão e a iden-
tidade do preso pelas autoridades policiais, pelo Ministério Público e pela magistratura deve as-
segurar a efetividade da persecução penal, o direito à informação e a dignidade da pessoa sub-
metida à prisão
Arquivamento: ao se manifestar pelo arquivamento do inquérito policial ou de quaisquer
elementos informativos da mesma natureza, o Ministério Público submeterá sua manifestação
ao juiz competente e comunicará o fato à vítima, ao investigado e à autoridade policial, podendo
encaminhar os autos para o procurador-geral ou para a instância de revisão ministerial, quando
houver, para fins de homologação.
Revisão: além da vítima ou de seu representante legal, a autoridade judicial competente
também poderá submeter a matéria à revisão da instância competente do órgão ministerial, caso
verifique patente ilegalidade ou anormalidade no arquivamento.
Prova inadmissível: foi declarada a inconstitucionalidade do dispositivo que proibia o juiz
que tivesse admitido prova declarada inadmissível de proferir a sentença ou o acórdão.

Art. 157, § 5º O juiz que conhecer do conteúdo da prova declarada inadmissível não po-
derá proferir a sentença ou acórdão. (Vide ADI 6.298, ADI 6.299, ADI 6.300, ADI 6.305)

Audiência de custódia: em caso de urgência, a audiência de custódia poderá ser reali-


zada por videoconferência.

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