"Sinto muito por criticar, mas...
Uma novel deveria ter um mini-clímax
em cada capítulo e no final precisa ter alguma ponte para o próximo. Mas
você só descreveu quem era a mulher e de onde ela era. Não tem nada que
deixe as pessoas interessadas."
"Ah-huh."
"Mas eu senti seu esforço. Não vou te julgar. Pode me falar sobre o que
vai ser? Quais são as subtramas?"
"Ah... elas são gêmeas."
"Ah-huh. E? Quem é o interesse amoroso? O que faz as gêmeas atraírem
ele?"
"Elas não se gostam. Uma é boa em tudo e a outra só é bonita..."
"E?"
"Bom..."
"Você não tem um final ainda, não é?"
A cega com rosto bonito senta com os braços cruzados. Estou nervosa e
fico com medo dela. Quando ela fica seria parece bem autoritária. Então é
esse o lado de advogada dela... Isso é bem diferente da mulher com um
sorriso bonito.
"Eu não pensei ainda."
"Não tem enredo. É como um diário. É chato." Ela se levanta e toca na
mobília familiar para andar até a janela. "Então não tem nada nesse mundo
mesmo, até sua novel é chata."
De repente, sinto que ela é bem fofa para alguém que estava me
criticando sem pensar nos meus sentimentos. Quero correr até ela e bater
sua cabeça dela na parede. Merda! Eu queria fazer uma coisa boa, mas ela
me coloca para baixo. Como posso ter animação para fazer algo bom
quando ela é assim!
Aperto minha mão com força em formato de soco porque não quero
perder. Então falo algo em frustração.
"Todo mundo é ruim quando faz algo pela primeira vez."
"Verdade. Alguém que critica talvez não possa fazer. Nem todo mundo
pode ser um autor... Você costumava ser mais capaz, mas agora, não sei
quem você é."
Sinto que estou sendo muito insultada. Ela me comparou com a Aobe-
Aum? Claro, eu não sou capaz, mas eu também não desisto fácil.
"Se gêmeas é entediante, eu mudo."
"Muda para quê?"
"Uma história de uma mulher que a amiga pede para ela terminar com
uma pessoa que ela nunca viu na vida."
"E?"
"Ela imediatamente se apaixona pelo personagem principal a primeira
vista."
"Que clichê. Chato."
"Não é não!" Rebato como uma criança insultada por um adulto. "O...
diabo vai aparecer."
"Agora é uma fantasia? Alguém vai queimar no inferno também?"
"A personagem principal vai ter a benção de satanás por 10 anos."
Misturo isso e aquilo para criar um enredo. Metavee sorri de canto.
"Você tá copiando uma série americana? Não consegue pensar?"
"Eles vão se apaixonar e no décimo ano, o diabo volta conforme o
contrato."
"Vai levar ela... chato."
"Vai voltar para pegar o que ela não pode dar, e é uma escolha!"
"No final, o cara vai escolher a mulher. Nada de novo."
"A mulher escolhe se afastar e deixar o cara com sua amiga no final."
"Ainda é chato."
"O cara, na verdade, é uma mulher!"
Encaro a pessoa que encontra inconsistência, não desisto. Ela levanta a
sobrancelha um pouco e sorri. Entao ela estala os dedos.
"Isso deve ser bom."
"Huh?"
"A maioria das novels são com caras e mulheres. Escrever sobre duas
mulheres deve ser interessante. Você voltou a ser uma pessoa capaz."
Metavee sorri para mim, mostrando admiração. "Você pode fazer vários
enredos quando alguém pressiona. Mas você ainda precisa adaptar para ser
uma escrita fluida."
"Você estava me pressionando de proposito?"
"Sim... Se não, você não teria um enredo legal. Agora essa novel está
interessante." Metavee coloca a mão no queixo e olha para o outro lado. Se
ela pudesse ver, provavelmente estaria olhando nos meus olhos e me
encorajando.
"Vamos ver como o amor delas vai acabar... E vai ter alguma mudança no
final?"
"..."
"Vamos ver no futuro."
Really really like
Na frente da Metavee, falo como uma pessoa racional, mas quando estou
sozinha, me transformo nessa mulher louca. Eu sou como uma daquelas
pessoas idiotas que não conseguem ter ideias próprias.
Escrever uma novel não é fácil. Como os autores conseguem escrever
tantas páginas? Eu nem sei por onde começar... Okay. Para continuar com o
capítulo anterior, Saen-Soen, a principal, não, vou mudar isso. Que nome
chato! É como o nome das personagens de uma novel da Chaoplanoy.
Ah... Qual nome uso?
Marisa... É um bom nome, vou usar esse. Okay... Marisa encontra sua
irmã gêmea, Nub-Dao.
Uau... Bloquei de escritor.
Arrrrrrr. Se isso é difícil, não deveria ter começado. Eu criei
expectativas...
"Então você continua com essa coisa?"
Pang sai do banheiro e fala. Coloco a mão no nariz assim que sinto o
cheiro vindo de lá.
"Você cagou ou morreu? Que cheiro ruim. Você precisa fazer uma
lavagem intestinal."
"Eu comi muito bife. Eu tenho muito dinheiro, então eu só como comida
boa. Não sou uma das pessoas desempregadas que não faz nada o dia todo,
como escrever uma novel. Você pode comer vegetais, tem muita fibra e não
é caro. Combina com você."
"Que frase longa e sarcástica? Se eu for uma autora famosa e rica um dia,
vai engasgar com a culpa e morrer."
"Chata... Então, o que esta escrevendo? Vou te ajudar."
"Escrever o quê? Eu nem comecei." Coço a cabeça, me sinto irritada. "Se
eu voltar na casa da May sem nada, ela vai me enterrar viva, ela é
malvada."
"O jeito que você chama ela mudou rápido. Você elogiou ela no outro
dia, mas hoje ela é malvada?"
"É como ela é agora. Que tipo de pessoa faz criticas tão severas? Ela
falou que minha história não tem enredo e que parece um diário chato sem
nada de interessante. Ela precisava ser tão malvada?"
"Ela é uma mulher interessante... E isso é só conhecendo ela pelo que
você fala."
"Como?"
"Você descreveu ela como uma pessoa frágil e delicada, como se ela
fosse feita de vidro e pudesse quebrar. Mas ela te critica sem ligar para os
seus sentimentos..."
"Ela provavelmente queria me pressionar para que eu escrevesse uma
novel boa. É o jeito de advogada dela."
"Uma pessoa cega pode ser advogada?"
"Ela ficou cega após virar advogada."
"Pensei que ela era cega de nascença. Como ela ficou cega? Você
perguntou?"
"Não."
Parando para pensar... Nunca pensei nisso. Eu só sei que você pode fazer
muito dinheiro, ter uma casa grande e por ser advogada antes, ela ficou
cega.
Agora, estou curiosa...
"Então... escreva sobre ela."
"Huh?"
Assim que ouço aquilo, olho para minha amiga.
"Uma autora precisa de material para trabalhar. Alguns usam situações
que já aconteceram. Alguns usam suas experiências anteriores. Você pode
escrever sobre a Metavee..."
"..."
"Escreva sobre como, por que, e quem você quer que ela seja na novel.
Isso é interessante... A autora vai descobrir com os leitores quem aquela
mulher é..."
"..."
"Quem ela é..."
Não preciso me esforçar muito ou fazer algo complicado. Posso só
perguntar a amiga da Aobe-Aum se quiser saber.
Na verdade, a Pang consegue ser idiota às vezes.
[Eu não sei nada. Aum raramente falava sobre a ex. Eu só sabia que ela é
uma advogada bonita e que elas se encontraram no aeroporto enquanto a
Aum estava trabalhando.]
"Você é a melhor amiga dela, como não sabe?"
[Até a própria irmã dela não sabe o que ela faz ou pensa. Mas... por que
eu saberia? Não gosto de ficar me metendo na vida das pessoas.]
Okay... Estou me metendo na vida de alguém.
"Você sabe como ela ficou cega?"
[Ouvi que ela foi atacada.]
"Huh?"
[Ouvi dizer que ela ganhou um caso e foi atacada depois. Isso é tudo que
sei. Preciso desligar, tenho que voltar ao trabalho por que eu tenho um.
Tchau.]
Jan desliga sem ligar. Por que todo mundo fica assim por eu não
trabalhar? Não é que eu não procure por um.
E o que foi aquilo de falar que eu estava me metendo na vida de outra
pessoa? Como ser curiosa pode afetar alguém? Só quero materiais para
minha novel. Nossa! Já que não posso perguntar, vou perguntar a May!
Fui até a casa enorme da Metavee para a ver como de costume, mesmo
sem ter escrito nada. Quando chego, ouço barulhos e gritos vindo do jardim.
"Eu vim te visitar, por que precisa arrumar briga?"
"Isso é o que você chama de visitar, pai? Você ao menos liga para o que
eu fiz? Estou nessas condições e você ainda não liga para mim!"
Posso sentir o ressentimento na voz da Metavee. Me escondo e observo
mantendo uma distância porque quero que eles esclareçam tudo antes.
"Você pediu por isso."
O cara velho, que esta um pouco maior no meio, entra no seu carro, que
está estacionado perto de onde estou. Ele me olha por um segundo e ri pelo
canto da boca.
"Não nos encontramos faz um tempo."
"Huh?" Me assusto um pouco porque não o conheço. Então, acho que o
pai da Metavee conhece a Aobe-Aum. "Olá."
"Eles falam que sabem quais são os amigos verdadeiros em tempos de
crise... Pensei que minha filha era inteligente, mas é sempre a mesma coisa.
Ela é gay, estupida e completamente fora de si."
"Já chega."
Isso vem da mulher que provavelmente é anos mais nova que o homem.
Deve ser a mãe. Então, levanto minhas mãos em respeito e boas maneiras.
"Estou indo. Aum, tome conta da May, por favor."
Meso falando isso, ela não parece ligar muito para mim. Assim que o
carro some das nossas vistas, corro para a May, ela está parada... sem
sapatos.
"May... você esta bem?"
A pessoa que parece que vai chorar sorri. Ela está tentando conter a raiva
dos eventos anteriores.
"Aum, você está aqui há muito tempo?"
"Um pouquinho."
"Uma atmosfera familiar, né?"
"A... Ah-huh." Respondo enquanto penso, 'Quao familiar?' é a primeira
ver que vejo os pais dela. "Por que esta aqui fora?"
"Para brigar com meu pai."
"Seu pai te trouxe aqui?" Não obtenho uma resposta, então mudo o
tópico por que isso não é importante. "Você não está usando sapatos. Seus
pés vão ficar com gamers. Use os meus sapatos."
Tiro meus sapatos e me abaixo para colocar nos pés dela. Metavee parece
hesitar um pouco então a olho.
"Qual o problema? Por que não tá colocando os sapatos?"
"Pensei que você estava com raiva por te criticar."
A menção me lembra que eu estou um pouco frustrada ainda. No entanto,
após presenciar a briga com a família dela, não seria uma boa hora se ela
brigasse comigo também.
"Uma autora vai ser criticada, é normal. Preciso aceitar isso."
"Você é tão mente aberta."
"Coloque os tênis logo, ou seu pé vai ficar sujo." Eu insisto, mas ela
balança a cabeça.
"Não. Posso lavar meus pés quando entrar. Andar na grama é bom. É tão
macio."
"Eu só consigo imaginar nos cocos de cachorro."
"Não temos cachorro aqui." Metavee ri um pouco antes de tirar os
sapatos e ficar descalça de novo. "Já que estamos aqui, vamos caminhar
juntas. Eu não saio faz um tempo."
"Okay."
"Ande descalça comigo, é bem legal."
Ficamos lado a lado, May com seus braços envolta dos meus. O
nervosismo dela é adorável, então pego sua mão para a acalmar.
"Você pode andar para frente. Não tem nada na nossa frente. Se tiver, eu
falo."
"Continuo nervosa, vamos entrar."
"Por quê? Você me chamou para caminhar, mas agora está fugindo?
Não... é bom aqui fora, por que não ficar e admirar um pouco?"
"Como posso ficar aqui sem ver?"
Entro em panico porque eu deixei escapar. Não tenho certeza se a
magoei. Então para a confortar, respondo como se estivéssemos em uma
série de TV...
"Está tudo bem. Eu serei seus olhos."
E fecho meus olhos porque sinto vontade de vomitar depois de falar isso.
Odeio essas frases forçadas de televisão. Prefiro assistir ao primeiro-
ministro falar.
"Parece uma fábula."
"Também percebi."
"Mas eu gosto."
"Gostou do que eu falei? A frase de uma fábula?"
"Eu gosto de você."
Tum-tum...
Olho para a pessoa que falou isso. Ela está olhando para a frente por que
não consegue ver. Meu coração está tremendo um pouco, mas eu estou um
pouco desapontada porque ela provavelmente gosta da Aum.
Não de mim...
"Por que esta quieta?"
"Não sei o que falar."
"Acebei de falar que gosto de você. Agora é sua vez."
"O quê? Preciso falar também?"
"Sim. Rápido."
"Eu gosto de você."
"..."
Dessa vez, nós duas ficamos em silêncio. Noto que a pessoa ao meu lado
está atordoada. Então bato gentilmente meu cotovelo nela.
"O quê? Você quem mandou falar."
"Sim... Por que fiquei assim?"
E rimos uma para a outra. Quando vejo que ela está ficando melhor,
começo uma conversa enquanto caminhamos.
"Por que você brigou com seu pai? Foi muito barulho."
"Mesma coisa de sempre."
Pera, como eu vou saber?
"Ah."
"Eu não te falei ainda."
Oh... Eu não precisava fingir que sabia?
"Entendi."
"É a mesma coisa."
"Entendo."
"Ainda não."
Se ela ficar fazendo isso, vou arrancar a cabeça dela. De verdade. Não
ligo mais!
"..."
"Você ficou calada? Que engraçado..." Metavee gargalha como se
estivesse gostando disso. Sorte dela que não consegue ver minha cara
emburrada. "Okay, não vou rir mais."
"Vai me contar ou não?"
"Meu pai veio me visitar, mas como sempre... brigamos depois de duas
frases. Meu pai odeia tudo sobre mim."
"Por que ele te odiaria? Sua casa é gigante, você é uma advogada e tem
uma vida de causar inveja."
"Meu pai nunca esteve satisfeito desde que nasci. Ele sempre me ignora,
não importa o que eu faça. Ele sempre acha uma coisa para criticar... Não
tenho importância."
Ouço a Metavee e de uma forma consigo me identificar e sei como ela se
sente. Então eu não sou a única.
Ela também é uma rejeitada...
Quando ouço aquilo, me sinto mais próxima da Metavee. Se ela procura
alguém que a entende, ela pode olhar para mim. Não somos tão diferentes.
"Tudo isso porque eu não nasci um homem. Bom... meu pai sempre quis
um filho, mas não conseguiu."
Eu balanço a cabeça que entendi e falo a ela a razão para isso.
"O saco dele é pequeno?"
"O quê?"
"Nada." Bato na minha própria boca, mas é tarde de mais. "Desculpa."
Mesmo assim ela sorri e balança a cabeça.
"O que tem a ver com o saco dele?"
"Eu li em um lugar... que se o homem tem saco pequeno, ele costuma só
ter meninas. Se for grande, filhos."
"..."
"Nascer mulher não é nossa culpa. Nossas mães têm cromossomos X e
nossos pais mandam cromossomos Y para o ovário das mães. Eles foram os
que mandaram o cromossomo X. O que poderíamos ter feito?"
Reclamo como uma criança que entende ciências, mesmo só tirando nota
baixa. Por que eu lembro dessas coisas?
"Bom."
"O que é bom?"
"Dá próxima vez que brigar com meu pai, vou falar isso. Ele vai ficar
chocado e nunca mais vai brigar comigo. Vai ser a primeira vez que uso
minhas habilidades de advocacia contra meu pai e seu saco."
Tento não rir. Me sinto bem por fazer ela sorrir.
"Aum."
"Huh? Oh?" Metavee pega meu rosto. Ela parece querer diminuir a
distância entre nós, então eu sei o que ela quer fazer. "Aqui? É na frente da
sua casa. E se alguém nos ver e... Eu ainda não li minha novel, por que vai
me beijar?"
"É um beijo de agradecimento. E hoje, eu quero te agradecer por duas
coisas."
"Quais?"
"Primeiro... Você deu seus tênis para mim. Foi muito doce."
"O quê? Não foi nada."
"Segundo... o saco do meu pai."
"Ah... Ops."
Metavee fica na ponta dos pés e me beija, então não consigo falar.
Mesmo a razão para o beijo ser...
O saco da pessoa que criou ela.
Nos afastamos e noto que ela esta corada e penso que eu devo estar igual.
Honestamente, acho que a Metavee está com vergonha de fazer isso
também. Ela só está tentando ser durona.
"Você fica tão fofa com vergonha, May."
"Quem está com vergonha? Eu não estou."
Ela coloca as mãos nas bochechas como se quisesse esconder sua
vergonha, mas é tarde de mais. Então eu sorrio.