Na matemática, o logaritmo de um número é o expoente a que
outro valor fixo, a base, deve ser elevado para produzir este número.
[3] Por exemplo, o logaritmo de 1 000 na base 10 é 3 porque 10
elevado ao cubo é 1 000 (1 000 = 10 × 10 × 10 = 103). De maneira
geral, para quaisquer dois números reais b e x, onde b é positivo e b
≠ 1,[4]
log
{\displaystyle y=b^{x}\Leftrightarrow x=\log _{b}(y)}.
O logaritmo da base 10 (b = 10) é chamado de logaritmo
comum (ou decimal) e tem diversas aplicações na ciência e
engenharia. O logaritmo natural (ou neperiano) tem a constante
irracional e (≈ 2,718) como base e é utilizado na matemática pura,
principalmente em cálculo diferencial. Ainda há o logaritmo binário,
no qual se usa base 2 (b = 2), que é importante para a ciência da
computação.[5]
O conceito de logaritmo foi introduzido por John Napier no ano
de 1614, a fim de simplificar cálculos, daí a nomenclatura logaritmo
neperiano.[6] Ele foi rapidamente adotado por navegadores,
cientistas, engenheiros e outros profissionais para facilitar seus
cálculos, através do uso de réguas de cálculo e tabelas logarítmicas.
Algumas etapas tediosas da multiplicação com vários dígitos podem
ser substituídas por consultas a tabelas ou por somas mais simples
devido ao fato de o logaritmo de um produto ser o somatório dos
logaritmos dos fatores:[7]
log
log
log
{\displaystyle \log _{b}(xy)=\log _{b}(x)+\log _{b}(y),} desde
que b, x e y sejam positivos e b ≠ 1.
A atual noção de logaritmo advém de Leonhard Euler, que o
relacionou com a função exponencial no século XVIII.[8] As escalas
logarítmicas permitem reduzir grandezas de elevada amplitude para
valores menores. Por exemplo, o decibel é uma unidade logarítmica
que indica a proporção de uma quantidade física (geralmente energia
ou intensidade) em relação a um nível de referência, isto é,
estabelece uma razão entre a quantificação da energia liberada e a
amplitude.[9] Em química, o potencial hidrogeniônico (pH) mede a
acidez e a alcalinidade de soluções aquosas. Os logaritmos ainda são
comuns em fórmulas científicas, na teoria da complexidade
computacional e de figuras geométricas chamadas fractais.[10][11]
Eles descrevem intervalos musicais, aparecem em fórmulas que
contam os números primos, informam vários modelos da psicofísica e
podem auxiliar na perícia contábil.[12]
Do mesmo modo como o logaritmo é o inverso da
exponenciação, o logaritmo complexo é a função inversa da função
exponencial aplicada a números complexos. O logaritmo discreto é
outra variante; ele é utilizado na criptografia assimétrica.[13]
Razão e definição
A ideia dos logaritmos é reverter a operação de exponenciação,
isto é, elevar um número a uma potência.[14] A título de exemplo, a
potência de três (ou o cubo) de 2 é 8, porque 8 é o produto dos três
fatores de 2:[15]
8.
{\displaystyle 2^{3}=2\times 2\times 2=8.}
Disso resulta que o logaritmo de 8 na base 2 é 3, ou seja:[16]
log2 8 = 3.
Exponenciação
A potência de três de qualquer número b é o produto de três
fatores de b. De forma mais geral, elevar b à enésima potência,
quando n é um número natural, se realiza pela multiplicação de n
fatores de b. A enésima potência de b é escrita como bn, que
significa:[17]
fatores
{\displaystyle b^{n}=\underbrace {b\times b\times \cdots \
times b} _{n{\text{ fatores}}}.}
A exponenciação pode ser estendida para by, onde b é um
número positivo e o expoente y é qualquer número real.[18] Por
exemplo, b−1 é o inverso de b, ou seja, 1/b.[19]
Definição
O logaritmo de um número positivo real
{\displaystyle x}, na base
{\displaystyle b}, é o expoente pelo qual
{\displaystyle b} deve ser elevado para se chegar a
{\displaystyle x}, sendo
{\displaystyle b} um número positivo real diferente de
{\displaystyle 1}.[20] Em outras palavras, o logaritmo de
{\displaystyle x} na base
{\displaystyle b} é a solução de
{\displaystyle y} na equação
{\displaystyle b^{y}=x}: [21]
l
o
{\displaystyle log_{b}x=y\Leftrightarrow b^{y}=x}
onde
{\displaystyle b} é a base do logaritmo;
{\displaystyle x} é o logaritmando;
{\displaystyle y} é o próprio logaritmo;
Sendo
)
{\displaystyle log_{b}(x)} pronunciado como "o logaritmo de
{\displaystyle x} na base
{\displaystyle b}".[22]
Exemplos
log
16
{\displaystyle \log _{2}16=4}, visto que
16
{\displaystyle 2^{4}=2\times 2\times 2\times 2=16}.
Os logaritmos também podem ser negativos:[23]
log
{\displaystyle \log _{2}\!\left({\frac {1}{2}}\right)=-1,}
porque:
.
{\displaystyle 2^{-1}={\frac {1}{2^{1}}}={\frac {1}{2}}.}
[24]
Um terceiro exemplo é: log10(150) é aproximadamente 2,176,
que se localiza entre 2 e 3, da mesma forma como 150 está entre 102
= 100 e 103 = 1 000.[25] Finalmente, para qualquer base b, logb(b)
= 1 e logb(1) = 0, pois b1 = b e b0 = 1, respectivamente.[26]
Identidades logarítmicas
Ver artigo principal: Identidades logarítmicas
Várias fórmulas são importantes para relacionar um logaritmo a
outro, e essas relações são chamadas de identidades logarítmicas ou
leis de log.[27]
Produto, quociente, potência e raiz
A tabela a seguir lista algumas identidades logarítmicas[28]
com exemplos, sendo que todas podem ser derivadas após a
substituição da definição de logaritmo
log
{\displaystyle x=b^{\log _{b}(x)}} e/ou
log
b
{\displaystyle y=b^{\log _{b}(y)}} nos primeiros membros.
[29]
Fórmula[30] Descrição Exemplo
produto
log
log
log
b
{\displaystyle \log _{b}(xy)=\log _{b}(x)+\log _{b}(y)} O
logaritmo de um produto é a soma dos logaritmos dos números a
serem multiplicados
log
243
log
27
log
9
)
log
27
{\displaystyle \log _{3}(243)=\log _{3}(9\cdot 27)=\log _{3}
(9)+\log _{3}(27)=2+3=5}
quociente
log
log
(
log
{\displaystyle \log _{b}\!\left({\frac {x}{y}}\right)=\log _{b}
(x)-\log _{b}(y)} O logaritmo da razão é a diferença dos logaritmos
log
16
log
64
log
2
64
log
{\displaystyle \log _{2}(16)=\log _{2}\!\left({\frac {64}{4}}\
right)=\log _{2}(64)-\log _{2}(4)=6-2=4}
potência no logaritmando
log
p
)
log
{\displaystyle \log _{b}(x^{p})=p\log _{b}(x)} O logaritmo
da p-ésima potência de um número é p vezes o logaritmo do número
em questão
log
64
log
6
log
{\displaystyle \log _{2}(64)=\log _{2}(2^{6})=6\log _{2}
(2)=6}
raiz
log
log
{\displaystyle \log _{b}{\sqrt[{p}]{x}}={\frac {\log _{b}(x)}
{p}}} A p-ésima raiz de um número é o logaritmo do número
dividido por p.
log
10
1000
log
10
1000
{\displaystyle \log _{10}{\sqrt {1000}}={\frac {1}{2}}\log
_{10}1000={\frac {3}{2}}=1,5}
Mudança de base
O logaritmo logb(x) pode ser calculado a partir dos logaritmos
de x e de b, ambos com uma base arbitrária k, utilizando a seguinte
fórmula:[31][32]
log
(
x
log
log
{\displaystyle \log _{b}(x)={\frac {\log _{k}(x)}{\log _{k}
(b)}}.}
As típicas calculadoras científicas calculam os logaritmos nas
bases 10 e e.[33] Logaritmos com respeito a qualquer base b podem
ser determinados usando qualquer um desses logaritmos, segundo a
fórmula:[34]
log
)
=
log
10
log
10
log
log
.
{\displaystyle \log _{b}(x)={\frac {\log _{10}(x)}{\log _{10}
(b)}}={\frac {\log _{e}(x)}{\log _{e}(b)}}.}
Dado um número x e seu logaritmo logb(x), a base
desconhecida b é dada por:[35]
log
{\displaystyle b=x^{\frac {1}{\log _{b}(x)}}.}
Bases particulares
Gráficos sobrepostos do logaritmo de bases
,2ee
Entre todas as opções para a base, três são particularmente
comuns. b = 10, b = e (a constante matemática irracional e ≈
2,71828183) e b = 2 (o logaritmo binário). Na análise matemática, o
uso do logaritmo de base e é generalizado por causa de suas
particulares propriedades analíticas. Por outro lado, logaritmos de
base 10 (o logaritmo comum) são mais fáceis para cálculos manuais
no sistema de numeração decimal.[36]
log
10
10
log
10
10
log
10
log
10
x
.
{\displaystyle \log _{10}\,(\,10\,x\,)\ =\;\log _{10}10\ +\;\log
_{10}x\ =\ 1\,+\,\log _{10}x\,.}
Assim, log10 (x) está relacionado com o número de dígitos
decimais de um inteiro positivo x, isto é, o número de dígitos é o
menor número inteiro estritamente maior que log10 (x).[37] Por
exemplo, log10 (1 430) é aproximadamente 3,15: o próximo inteiro é
4, que é a quantidade de dígitos de 1 430. Tanto o logaritmo natural
quanto o logaritmo binário são utilizados na teoria da informação, o
que corresponde respectivamente ao uso de nats ou bits como
unidades fundamentais de informação.[38] Os logaritmos binários
também são usados na ciência da computação, onde o sistema
binário é onipresente; na teoria musical, onde uma proporção de dois
tons (a oitava) é onipresente e o número de cent entre quaisquer dois
tons é uma versão escalonada do logaritmo binário, ou log 2 vezes
1200, da proporção de tons (ou seja, 100 cents por semitom no
temperamento igual convencional), ou equivalentemente o logaritmo
de base 21/1200; e na fotografia, logaritmos de base 2
redimensionados são usados para medir valores de exposição, níveis
de luz, tempos de exposição, aberturas de lentes e sensibilidade
fotográfica.[39]
A abreviação log x é frequentemente usada quando a base
pretendida pode ser inferida com base no contexto ou disciplina, ou
quando a base é indeterminada ou imaterial. Logaritmos comuns
(base 10), historicamente usados em tabelas de logaritmos e réguas
de cálculo, são uma ferramenta básica para medição e computação
em muitas áreas da ciência e engenharia; nesses contextos, log x
ainda frequentemente significa o logaritmo de base dez.[40] Na
matemática, log x geralmente significa o logaritmo natural (base e).
[41][42] Em ciência da computação e teoria da informação, log
frequentemente se refere a logaritmos binários (base 2). A tabela a
seguir lista notações comuns para logaritmos para essas bases. A
coluna "notação ISO" lista designações sugeridas pela Organização
Internacional de Normalização.[43]
Base b Nome para logb xNotação ISO Outras notações
2 logaritmo binário lb x [44] ld x, log x, lg x,[45] log2 x
e logaritmo natural ln x [nota 1] log x, loge x
10 logaritmo comum lg x log x, log10 x
b logaritmo de base b logb x
História
Antecessores
Os babilônios, entre os anos de 2000–1600 a.C., podem ter
inventado a multiplicação dos quadrados dos quartos para multiplicar
dois números utilizando somente a adição, a subtração e uma tabela
de quadrados dos quartos.[49][50] Entretanto, ele não poderia ser
usado para divisão sem uma tabela adicional dos inversos (ou o
conhecimento de um algoritmo suficientemente simples para gerar os
inversos). Grandes tabelas de quadrados dos quartos foram utilizadas
para simplificar a multiplicação precisa de grandes números a partir
de 1817, até este método ser substituído pela utilização dos
computadores.[51]
O matemático indiano Virasena trabalhou com o conceito de
ardhaccheda, o número de vezes em que um número da forma 2n
pode ser dividido por 2. Para potências exatas de 2, este é o
logaritmo naquela base, que é um número inteiro; para outros
números, ele é indefinido. Ele descreveu relações como a fórmula do
produto e também introduziu logaritmos inteiros nas bases 3
(trakacheda) e 4 (caturthacheda).[52]
Michael Stifel publicou Arithmetica integra em Nuremberg em
1544, contendo uma tabela de inteiros e potências de 2, sendo
considerada uma versão inicial da tabela logarítmica.[53]
No final do século XVI e início do século XVII, um algoritmo
chamado prosthaphaeresis foi usado para aproximar a multiplicação e
a divisão. Isto usava a identidade trigonométrica[54][55]
cos
cos
1
2
cos
cos
{\displaystyle \cos \,\alpha \,\cos \,\beta ={\frac {1}{2}}[\cos(\
alpha +\beta )+\cos(\alpha -\beta )]}
ou similar para converter as multiplicações em adições, bem
como consultas a tabelas. Entretanto, os logaritmos são mais diretos
e requerem menos trabalho. Pode-se demonstrar, com o uso da
Fórmula de Euler, que os dois métodos são relacionados.
De Napier a Euler
John Napier (1550–1617), o inventor dos logaritmos.[32]
O método dos logaritmos foi proposto publicamente em 1614
por John Napier, em um livro intitulado Mirifici Logarithmorum Canonis
Descriptio (Descrição da maravilhosa regra dos logaritmos).[56][57]
Joost Bürgi construiu uma tabela de potências com base muito
próxima a 1, e esta tabela fornecia uma boa correspondência entre os
inteiros 1-10 (ou 10-100, etc.) e expoentes que podiam ser somados.
Esta tabela foi impressa (mas talvez não publicada) em 1620.
Entretanto, Bürgi não definiu uma função abstrata contínua como
Napier, e também não resolveu a precisão das interpolações, o que
também foi trabalhado por Napier.
Johannes Kepler, que usou tabelas de logaritmos
extensivamente para compilar o seu Ephemeris, que depois dedicou a
Napier,[58][58] observou:
…a ênfase em cálculo levou Justus Byrgius [Joost Bürgi] pelo
caminho para esses logaritmos muitos anos antes de o sistema de
Napier aparecer; mas... em vez de apresentar seu filho para o
benefício do público, ele o abandonou no nascimento.
— Johannes Kepler[59], Rudolphine Tables (1627)
Por meio de subtrações repetidas, Napier calculou (1 − 10−7)L
para L variando de 1 a 100. O resultado para L=100 é
aproximadamente 0,99999 = 1 − 10−5. Napier então calculou os
produtos desses números com 107(1 − 10−5)L para L de 1 a 50, e fez
similarmente com 0,9998 ≈ (1 − 10−5)20 e 0,9 ≈ 0,99520. Esses
cálculos, que levaram vinte anos, permitiram-lhe fornecer, para
qualquer número N de 5 a 10 milhões, o número L que resolve a
equação
10
−
10
{\displaystyle N=10^{7}{(1-10^{-7})}^{L}.\,}
Napier primeiro chamou L um “número artificial”, mas depois
introduziu o termo “logaritmo” para significar um número que indica
uma razão: λόγος (logos) significando proporção, e ἀριθμός
(arithmos) significando número. Em notação moderna, a relação para
logaritmos naturais é:[60]
log
10
10
≈
10
log
10
10
log
10
{\displaystyle L=\log _{(1-10^{-7})}\!\left({\frac {N}
{10^{7}}}\right)\approx 10^{7}\log _{\frac {1}{e}}\!\left({\frac
{N}{10^{7}}}\right)=-10^{7}\log _{e}\!\left({\frac {N}{10^{7}}}\
right),}
onde uma boa aproximação corresponde à observação que
(
10
10
{\displaystyle {(1-10^{-7})}^{10^{7}}\approx {\frac {1}
{e}}.\,}
A invenção dos logaritmos foi rápida e amplamente recebida
com elogios. Os trabalhos de Bonaventura Cavalieri (Itália), Edmund
Wingate (França), Xue Fengzuo (China) e Johannes Kepler (Alemanha)
ajudaram a espalhar e expandir ainda mais o conceito e a utilidade
dos logaritmos.[61]
A hipérbole y = 1/x (curva vermelha) e sua área dada por x = 1
a 6 (hachurada de laranja).
Em 1649, Alphonse Antonio de Sarasa, antigo aluno de Grégoire
de Saint-Vincent, relacionou os logaritmos com a quadratura da
hipérbole, apontando que a área f(t) do gráfico de x = 1 a x = t
satisfaz[62][63]
(
t
{\displaystyle f(tu)=f(t)+f(u).\,}
O logaritmo natural foi descrito primeiramente pelo alemão
Nikolaus Mercator em sua obra Logarithmotechnia,[64] publicada em
1668, embora o professor de matemática John Speidell, em 1619, já
tivesse elaborado uma tabela explicando o que eram os logaritmos
naturais com base no trabalho de Napier.[65] Por volta de 1730,
Leonhard Euler definiu a função exponencial e o logaritmo natural por
lim
∞
(
{\displaystyle e^{x}=\lim _{n\rightarrow \infty }(1+x/n)^{n},}
ln
lim
−
1
{\displaystyle \ln(x)=\lim _{n\rightarrow \infty }n(x^{1/n}-1).}
[66]
Euler também mostrou que uma função é o inverso da outra.
[67][68][69]
Tabelas de logaritmos
Ver artigo principal: Tabela matemática
Definição de logaritmos segundo a Encyclopædia Britannica
(1797).
Com a simplificação de cálculos difíceis, os logaritmos
contribuíram para o avanço da ciência, especialmente da astronomia.
Foram críticos para os avanços na agrimensura, na navegação
astronômica e em outros domínios.[70] Pierre Simon Laplace
comentou sobre os logaritmos:
"... um admirável artifício que, ao reduzir para poucos dias um
trabalho de muitos meses, duplica a vida dos astrônomos e poupa-os
dos erros e desgostos inseparáveis dos longos cálculos."[71]
A ferramenta-chave que possibilitou o uso prático dos
logaritmos antes das calculadoras e computadores foi a tabela de
logaritmos.[72] A primeira tabela deste tipo foi compilada por Henry
Briggs em 1617, imediatamente após a invenção de Napier.
Ulteriormente, tabelas com maior alcance e precisão foram
publicadas. Essas tabelas listavam valores de logb(x) e bx para
qualquer número x em um certo intervalo, com uma determinada
precisão, para uma certa base b (usualmente, b = 10). Por exemplo, a
primeira tabela de Briggs contém o logaritmo comum de todos os
números inteiros de 1 a 1 000, com precisão de oito dígitos. Como a
função f(x) = bx é a função inversa de logb(x), ela foi chamada de
antilogaritmo.[73] O produto e o quociente de dois números positivos
c e d eram rotineiramente calculados pela soma e diferença de seus
logaritmos. O produto cd ou o quociente c/d são encontrados por
meio de consulta aos antilogaritmos da soma ou diferença, na mesma
tabela:
c
log
log
log
+
log
{\displaystyle cd=b^{\log _{b}(c)}\,b^{\log _{b}(d)}=b^{\log
_{b}(c)+\log _{b}(d)}\,}
log
log
b
{\displaystyle {\frac {c}{d}}=cd^{-1}=b^{\log _{b}(c)-\log
_{b}(d)}.\,}
Para cálculos manuais que demandam precisões apreciáveis,
realizar a pesquisa dos dois logaritmos (na tabela logarítmica),
realizar sua soma ou diferença e localizar o antilogaritmo na
tabela[74] é muito mais rápido do que a multiplicação por métodos
anteriores, tal como o prosthaphaeresis, que depende das identidades
trigonométricas. Cálculos de potências e raízes são reduzidos à
multiplicação ou à divisão da seguinte maneira:[75]
log
=
b
log
{\displaystyle c^{d}=(b^{\log _{b}(c)})^{d}=b^{d\log _{b}
(c)}\,}
log
c
)
{\displaystyle {\sqrt[{d}]{c}}=c^{\frac {1}{d}}=b^{{\frac
{1}{d}}\log _{b}(c)}.\,}
Muitas tabelas de logaritmos fornecem os logaritmos
separadamente pela característica e a mantissa de x, ou seja, a parte
inteira e a parte fracionária de log10(x).[76] A característica de 10 · x
é 1 mais a característica de x, e seus significandos são os mesmos.
Isso estende o escopo das tabelas de logaritmos: dada uma tabela
listando log10(x) para todos os inteiros de 1 a 1 000, o logaritmo de 3
542 é aproximadamente:[77]
log
10
3542
log
10
10
354
=
1
log
10
354
log
10
354
{\displaystyle \log _{10}(3542)=\log _{10}(10\cdot 354,2)=1+\
log _{10}(354,2)\approx 1+\log _{10}(354).\,}
Régua de cálculo
Outra aplicação crítica foi a régua de cálculo, um par de escalas
logarítmicas utilizadas para cálculos, da seguinte maneira:[78]
Representação esquemática de uma régua de cálculo. Neste
exemplo, colocando 2 na escala inferior e 3 na escala superior,
atinge-se 6 pelo produto. Esta régua funciona porque a distância de 1
a x é marcada proporcionalmente ao logaritmo de x.
A escala logarítmica não deslizante de Edmund Gunter foi
desenvolvida logo depois da invenção de Napier. O padre inglês
William Oughtred a aprimorou para criar a régua de cálculo — um par
de escalas logarítmicas móveis, em que os números são colocados
em distâncias proporcionais às diferenças de seus logaritmos.
Deslizando-se a escala superior em relação à escala inferior permite a
soma mecânica dos logaritmos.[79] Por exemplo, colocando-se a
distância de 1 a 2 na escala inferior e a distância de 1 a 3 na escala
superior, chega-se na escala inferior ao produto 6.[80] A régua de
cálculo foi uma ferramenta essencial para engenheiros e cientistas
até a década de 1970, porque ela permite, em detrimento da
precisão, muito mais rapidez no cálculo que as técnicas baseadas nas
tabelas logarítmicas.[67]
Propriedades analíticas
Um estudo mais profundo dos logaritmos requer o conceito de
função: uma relação entre dois conjuntos, na qual há uma condição
entre cada um de seus elementos. Um exemplo é a função
exponencial, na qual a enésima potência de b resulta em um número
real y.[81] Esta função se escreve:
{\displaystyle f(n)=b^{n}.}
Função logarítmica
Para justificar a definição de logaritmo, é necessário mostrar
que a equação
{\displaystyle b^{x}=y} tem a solução x e que esta é única,
desde que y seja positivo e b seja positivo e diferente de 1. Uma
prova para este fato requer o teorema do valor intermediário do
cálculo elementar.[82] Este teorema afirma que uma função contínua
que produz dois valores m e n também produz qualquer valor que se
situe entre m e n.[83] Uma função é contínua quando ela não dá
“saltos”, isto é, quando seu gráfico pode ser desenhado sem se
levantar a caneta.
Pode-se demonstrar que esta propriedade se aplica à função
f(x) = bx. Como f assume valores positivos arbitrariamente grandes e
arbitrariamente pequenos, qualquer número y > 0 situa-se entre f(x0)
e f(x1) para apropriados x0 e x1.[84] Logo, o teorema do valor
intermediário garante que a equação f(x) = y tem uma solução. Além
disso, há apenas uma solução para essa equação, porque a função f é
estritamente crescente (para b > 1) ou estritamente decrescente
(para 0 < b < 1).[85]
A única solução x é o logaritmo de y na base b, logb(y). A
função que atribui a y o seu logaritmo é chamada de função
logarítmica ou, simplesmente, logaritmo. A função logb(x) é
essencialmente caracterizada pela fórmula do produto:[86]
log
y
)
log
log
{\displaystyle \log _{b}(xy)=\log _{b}(x)+\log _{b}(y).}
Mais precisamente, o logaritmo em qualquer base b > 1 é a
única função crescente f dos números reais para os reais que
satisfaçam f(b) = 1 e
(
x
{\displaystyle f(xy)=f(x)+f(y).}[87]
Teorema — Dado um número real b (com 0 < b ≠ 1), chama-se
função logarítmica a função f de ℝ+* em ℝ dada pela lei f(x) =
logb(x).[88]
Função inversa
O gráfico de uma função logarítmica logb(x) (azul) é obtido pela
reflexão do gráfico de uma função exponencial bx (vermelho) em
relação à linha diagonal ( x = y).
A fórmula para o logaritmo de uma potência indica que para
qualquer número x,
log
)
=
log
{\displaystyle \log _{b}\left(b^{x}\right)=x\log _{b}(b)=x.}
Literalmente, tendo-se a x-ésima potência de b, o logaritmo na
base b resulta em x. Inversamente, dado um número positivo y, a
fórmula
log
{\displaystyle b^{\log _{b}(y)}=y,} diz que se primeiro
tirarmos o logaritmo e depois elevarmos a esta potência, temos de
volta y.[89] Logo, as duas maneiras possíveis de combinar logaritmos
e exponenciação dão o número original. Portanto, a função f(x) =
logbx é a função inversa de f(x) = bx.[90]
As funções inversas estão estreitamente relacionadas às
funções originais. Seus gráficos são correspondentes, apenas
trocando-se o eixo das abcissas com o eixo das ordenadas (ou pela
reflexão em relação à diagonal x = y), como mostrado nos gráficos ao
lado: um ponto (t, u = bt) em um gráfico representa o ponto (u, t =
logbu) no outro gráfico, pelo processo da reflexão, e vice-versa.[91]
Consequentemente, logb(x) tende para o infinito se x cresce para o
infinito, desde que b seja maior que um (nesse caso, logb(x) é uma
função crescente). Para b < 1, logb(x) tende para menos infinito.[92]
Derivada e integral
O gráfico de um logaritmo natural (verde) e sua tangente em x
= 1,5 (preto).
As propriedades analíticas das funções passam para suas
funções inversas. Então, como f(x) = bx é uma função diferenciável e
contínua, logb(y) também é. Grosso modo, uma função contínua é
diferenciável se seu gráfico não tiver "ângulos". Além disso, como a
derivada de f(x) calcula a ln(b)bx pelas propriedades da função
exponencial, a regra da cadeia implica que a derivada de logb(x) é
dada por[85][93]
log
1
x
ln
{\displaystyle {\frac {d}{dx}}\log _{b}(x)={\frac {1}{x\
ln(b)}}.}
Isto é, a inclinação de uma tangente que toca o gráfico do
logaritmo na base b no ponto (x, logb(x)) é igual a 1/(x ln(b)).[94] Em
particular, a derivada de ln(x) é 1/x, o que implica que a integral de
1/x é ln(x) + C. A derivada, com uma definição generalizada, de f(x)
é[95]
ln
′
(
{\displaystyle {\frac {d}{dx}}\ln(f(x))={\frac {f'(x)}{f(x)}}.}
O quociente do gráfico à direita é chamado de derivada
logarítmica de f. O cálculo de f'(x) por meio da derivada de ln(f(x)) é
conhecido como diferenciação logarítmica.[96] Fórmulas relacionadas,
tais como integrais de logaritmos para outras bases, podem ser
derivadas a partir da equação abaixo usando a mudança de base.
Portanto, a integral de um logaritmo natural ln(x) éː[97][98]
ln
ln
(
x
{\displaystyle \int \ln(x)\,dx=x\ln(x)-x+C.}[99]
Representação da integral do logaritmo natural
O logaritmo natural de t é a área hachurada do gráfico da
função f(x) = 1/x.
O logaritmo natural de t corresponde à integral de 1/x dx de 1
para t:[100]
ln
x
.
{\displaystyle \ln(t)=\int _{1}^{t}{\frac {1}{x}}\,dx.}
Em outras palavras, ln(t) é igual à área entre o eixo das
abcissas e o gráfico da função 1/x, variando de x = 1 a x = t, tal como
na figura ao lado. Esta é uma consequência do teorema fundamental
do cálculo e do fato de que a derivada de ln(x) é 1/x. As fórmulas do
logaritmo de produtos e potências podem ser derivadas a partir dessa
definição (utilizando como exemplo, ln(tu) = ln(t) + ln(u)):[101]
ln
)
∫
ln
+
∫
ln
ln
{\displaystyle \ln(tu)=\int _{1}^{tu}{\frac {1}{x}}\,dx\ {\
stackrel {(1)}{=}}\int _{1}^{t}{\frac {1}{x}}\,dx+\int _{t}^{tu}{\
frac {1}{x}}\,dx\ {\stackrel {(2)}{=}}\ln(t)+\int _{1}^{u}{\frac {1}
{w}}\,dw=\ln(t)+\ln(u).}
A igualdade (1) divide a integral em duas partes, enquanto a
igualdade (2) mostra a mudança de variável (w = x/t). Na ilustração
abaixo, o desdobramento corresponde à divisão da área nas partes
amarela e azul. Redimensionando a área azul do gráfico à esquerda
no eixo das ordenadas e diminuindo-o no eixo das abcissas pelo
mesmo fator t, conclui-se que seu tamanho é constante; dessa forma,
movendo-o apropriadamente para o gráfico à direita, percebe-se a
mesma área em proporções diferentes.[102]
Comprovação visual e geométrica da fórmula-produto do
logaritmo natural.
A fórmula da potência ln(tr) = r ln(t) pode ser derivada de
maneira semelhante, na qual a segunda igualdade usa uma mudança
de variáveis (integração por substituição), w = x1/r:[103]
ln
1
w
ln
)
.
{\displaystyle \ln(t^{r})=\int _{1}^{t^{r}}{\frac {1}{x}}dx=\
int _{1}^{t}{\frac {1}{w^{r}}}\left(rw^{r-1}\,dw\right)=r\int
_{1}^{t}{\frac {1}{w}}\,dw=r\ln(t).}
A soma dos recíprocos dos números naturais,
{\displaystyle 1+{\frac {1}{2}}+{\frac {1}{3}}+\cdots +{\
frac {1}{n}}=\sum _{k=1}^{n}{\frac {1}{k}},} é chamada de
série harmônica.[104] Ela está intimamente relacionada ao logaritmo
natural: quando n tende ao infinito, a diferença
ln
{\displaystyle \sum _{k=1}^{n}{\frac {1}{k}}-\ln(n)}
converge para um número conhecido como constante de Euler-
Mascheroni. Esta relação auxilia na análise do desempenho de
algoritmos tais como os conhecidos como quicksort.[105]
Existe também outra representação da integral de logaritmos
que é usada em algumas situações:[106]
ln
=
−
lim
{\displaystyle \ln(x)=-\lim _{\epsilon \to 0}\int _{\epsilon }^{\
infty }{\frac {dt}{t}}\left(e^{-xt}-e^{-t}\right)}
Isto pode ser verificado demonstrando-se que ele possui o
mesmo valor para x=1, e a mesma derivada.
Transcendência do logaritmo
Todos os números reais que não são números algébricos são
chamados de números transcendentes;[107] por exemplo, o π e o
número de Euler são números deste tipo, porém
{\displaystyle {\sqrt {2-{\sqrt {3}}}}} não é. Quase todos os
números reais são números transcendentais. O logaritmo é um
exemplo de uma função transcendental. O Teorema de Gelfond-
Schneider afirma que os logaritmos geralmente assumem valores
transcendentais, isto é, "difíceis".[108]
Cálculo
Logaritmos são uma alternativa fácil de resolver cálculos em
alguns casos, por exemplo, log10(1000) = 3. Geralmente, os
logaritmos podem ser calculados usando a série de potências ou a
média aritmética-geométrica, ou serem retirados de uma tabela de
logaritmos pré-calculada, a qual oferece uma precisão definida.[109]
[110] O método de Newton, desenvolvido para resolver equações de
forma iterativa de maneira aproximada, também pode ser usado para
calcular o logaritmo, porque sua função inversa,[111] a função
exponencial, é calculada de maneira eficiente por esse método.
Usando tabelas de consulta, métodos como o algoritmo de Volder
podem ser usados para cálculo de logaritmos se as únicas operações
disponíveis são a adição e o deslocamento aritmético.[112] Além
disso, o algoritmo do logaritmo binário calcula o lb(x) pela
recursividade, baseada em repetidas potências de 2 de x, a partir da
seguinte equação:[112]
log
)
=
log
{\displaystyle \log _{2}(x^{2})=2\log _{2}(x).\,}
Série de potências
Série de Taylor
A série de Taylor de ln(z) centralizado em z = 1. A animação
mostra as primeiras 10 aproximações incluindo a nonagésima nona e
a centésima estimativa. As aproximações não convergem além da
distância de 1 até o centro.
Para qualquer número real z que satisfaça 0 < z < 2, a seguinte
fórmula se aplica:[113]
ln
−
1
+
⋯
{\displaystyle \ln(z)=(z-1)-{\frac {(z-1)^{2}}{2}}+{\frac {(z-
1)^{3}}{3}}-{\frac {(z-1)^{4}}{4}}+\cdots }
Esta é uma forma para dizer que ln(z) pode ser aproximado a
um valor cada vez mais preciso a partir da seguinte expressão:[114]
1
)
{\displaystyle {\begin{array}{lllll}(z-1)&&\\(z-1)&-&{\frac {(z-
1)^{2}}{2}}&\\(z-1)&-&{\frac {(z-1)^{2}}{2}}&+&{\frac {(z-
1)^{3}}{3}}\\\vdots &\end{array}}}
Por exemplo, com z = 1,5, a terceira aproximação equivale a
0,4167, que é cerca de 0,011 maior que a ln(1,5) = 0,405465.[115]
Essa série proporciona uma aproximação de ln(z) com uma precisão
arbitrária desde que o número de parcelas seja suficiente. Em cálculo
elementar, ln(z) é, consequentemente, o limite desta série. Isto
representa a série de Taylor do logaritmo natural para z = 1; a série
de Taylor de ln z fornece uma aproximação útil para ln(1+z), quando z
é pequeno, |z| < 1, logo[116]
ln
{\displaystyle \ln(1+z)=z-{\frac {z^{2}}{2}}+{\frac {z^{3}}
{3}}\cdots \approx z.}
Séries mais eficientes
Outra série para aproximação e resolução de cálculos
logarítmicos é baseada na tangente hiperbólica inversa:[113]
ln
(
artanh
z
−
{\displaystyle \ln(z)=2\cdot \operatorname {artanh} \,{\frac {z-
1}{z+1}}=2\left({\frac {z-1}{z+1}}+{\frac {1}{3}}{\left({\frac {z-
1}{z+1}}\right)}^{3}+{\frac {1}{5}}{\left({\frac {z-1}{z+1}}\
right)}^{5}+\cdots \right),}
Esta fórmula vale para qualquer valor real z > 0. Utilizando a
notação sigma, ela também pode ser escrita de outro modo:[117]
ln
2
n
{\displaystyle \ln(z)=2\sum _{n=0}^{\infty }{\frac {1}
{2n+1}}\left({\frac {z-1}{z+1}}\right)^{2n+1}.}
Tal série pode ser derivada a partir da série de Taylor. Ela
converge mais rapidamente que a série de Taylor, especialmente se z
está próximo de 1.[118] Por exemplo, para z = 1,5, os três primeiros
termos da segunda série aproximam ln(1,5) com um erro de cerca de
3×10−6. A rápida convergência de z próximo a 1 pode ser
aproveitada da seguinte maneira: dada uma aproximação com baixa
precisão y ≈ ln(z) e colocando
exp
{\displaystyle A={\frac {z}{\exp(y)}},\,}, o logaritmo de z é:
[119]
ln
y
+
ln
{\displaystyle \ln(z)=y+\ln(A).\,}
Quanto melhor a aproximação inicial y, mais próximo A será de
1, de modo que seu logaritmo pode ser calculado de maneira mais
eficiente. A pode ser calculado utilizando a série exponencial, que
converge rapidamente, desde que y não seja muito grande.[120] Para
se calcular o logaritmo de um valores maiores de z, pode-se reduzir
seu valor, escrevendo z = a · 10b, de modo que ln(z) = ln(a) + b ·
ln(10).[121]
Um método intimamente relacionado pode ser usado para
calcular o logaritmo de números inteiros. A partir da série acima,
conclui-se que:[122]
ln
ln
(
.
{\displaystyle \ln(n+1)=\ln(n)+2\sum _{k=0}^{\infty }{\frac
{1}{2k+1}}\left({\frac {1}{2n+1}}\right)^{2k+1}.}
Se o logaritmo de um inteiro n com valor alto é conhecido,
então esta série produz uma série de rápida convergência para
log(n+1).[123]
Média aritmética-geométrica
A média aritmética-geométrica produz aproximações de alta
precisão do logaritmo natural. ln(x) é aproximada com uma precisão
de 2−p pela seguinte fórmula criada por Carl Friedrich Gauss:[124]
[125]
ln
x
)
ln
{\displaystyle \ln(x)\approx {\frac {\pi }{2M(1,2^{2-m}/x)}}-m\
ln(2).}
Nessa equação, M(x,y) representa a média aritmética-
geométrica de x e y. Ela é obtida calculando-se repetidamente
(x+y)/2 (média aritmética) e sqrt{(x*y)} (média geométrica), e
depois fazendo com esses resultados sejam os próximos x e y. Esses
números convergem rapidamente para um limite comum que é o
valor de M(x,y). O valor de m é escolhido de tal modo que[126]
>
{\displaystyle x\,2^{m}>2^{p/2}.\,}
para garantir a precisão requerida. Um m maior faz com que o
cálculo de M(x,y) requeira mais passos (os valores iniciais de x e y
estão mais afastados, logo são necessários mais passos para
convergir), mas dá maior precisão. As constantes π e ln(2) podem ser
calculadas com séries de rápida convergência.[127]
Aplicações
A photograph of a nautilus' shell.
Um nautilus apresenta uma espiral logaritmica.
Os logaritmos têm muitas aplicações dentro e fora da
matemática. Algumas destas utilizações são relacionadas à noção de
invariância de escala. Por exemplo, cada câmara da casca de um
Nautilidae é uma cópia aproximada da seguinte, numa escala com um
fator constante, dando origem à formação de uma espiral logarítmica.
[128]
A lei de Benford que mostra a frequência da distribuição dos
dígitos em fontes de dados também pode ser explicada pela
invariância de escala.[129] Os logaritmos também estão vinculados à
autossimilaridade. Por exemplo, aparecem na análise dos algoritmos
que resolvem um problema por meio de sua divisão em dois
problemas similares menores e, em seguida, a união de suas
soluções.[130] As dimensões de formas geométricas autossimilares,
isto é, figuras cujas partes se assemelham ao todo, também são
baseadas em logaritmos. As escalas logarítmicas são convenientes
para quantificar a variação relativa de um valor em oposição à sua
diferença absoluta. Além disso, como a função logarítmica log(x)
cresce bem lentamente para grandes valores de x, as escalas
logarítmicas são usadas para compactar dados científicos em larga
escala. Também são encontrados em muitas fórmulas científicas, tais
como a equação de foguete de Tsiolkovsky, a equação de Fenske ou a
equação de Nernst.[131]
Escalas logarítmicas
Ver artigo principal: Escala logarítmica
Este gráfico logarítmico descreve o valor do marco de ouro
alemão em Papiermark durante a hiperinflação na República de
Weimar.
Quantidades científicas são muitas vezes expressas como
logaritmos de outras quantidades, usando a escala logarítmica. Por
exemplo, o decibel é uma unidade de medida associada a um nível de
escala logarítmica. Baseia-se em uma razão de um logaritmo comum
— 10 vezes o logaritmo comum de uma razão de potência ou 20
vezes o logaritmo comum de uma razão de tensão. Ele é utilizado
para quantificar a perda de níveis de tensão em uma transmissão de
sinais elétricos,[132] para descrever níveis de potência de sons em
acústica[133] e a absorbância de luz no campo da espectrometria e
óptica. A relação sinal-ruído que descreve a quantidade de ruído
indesejado em relação a um sinal significativo também é medida em
decibéis.[134] De forma similar, a relação sinal-ruído de pico é
vulgarmente usada para avaliar a qualidade de som e métodos de
compressão de imagens com base em logaritmos.[135]
A força de um terremoto é medida por um cálculo envolvendo o
logaritmo comum da energia emitida pelo sismo; esse processo é
feito pela escala Richter ou pela escala de magnitude de momento.
Por exemplo, um terremoto de magnitude 5,0 gera 32 vezes (101.5)
mais energia do que a produzida por um terremoto de magnitude 4,0,
e um de 6,0 produz energia 1 000 vezes maior (103) do que o de
magnitude 4,0.[136] Outra escala logarítmica é a de magnitude
aparente, que mede a luminosidade de um corpo celeste a partir da
razão entre o seu brilho e o de uma estrela de referência.[137] Outro
exemplo é o pH na química: ele é definido como o logaritmo comum
negativo da concentração de íons de hidrônio (H3O+) dissociados em
solução aquosa. A atividade de íons de hidrônio em água neutra é
10−7 mol·L−1, logo um pH de 7. O vinagre tipicamente tem um pH
de aproximadamente 3. A diferença de 4 corresponde a uma razão de
104 na atividade, isto é, a atividade do íon de hidrônio do vinagre é
cerca de 10−3 mol·L−1.
Os gráficos semi-log, também chamados de papeis gráficos
especiais, utilizam o conceito de escala logarítmica para visualização:
um eixo, geralmente o das ordenadas, está em escala logarítmica. Por
exemplo, o gráfico à direita comprime o aumento acentuado de 1
milhão a 1 trilhão no mesmo espaço (no eixo vertical) que o aumento
de 1 a 1 milhão. Nesses gráficos, a função exponencial da forma f(x)
= a · bx aparece com uma linha reta de declive igual ao logaritmo de
b. Os gráficos log-log, também chamados de papel gráfico di-log pelo
Instituto Tecnológico de Aeronáutica,[138] são aqueles em que ambos
os eixos estão representados pela escala logarítmica, fazendo com
que a forma f(x) = a · xk seja descrita como uma linha reta de declive
igual ao expoente k. Isto se aplica na visualização e análise das leis
de potência.[129]
Psicologia
Os logaritmos estão incluídos em diversas leis que descrevem a
percepção humana.[139][140] A lei de Hick propõe uma relação
logarítmica entre o tempo para os indivíduos escolherem uma
alternativa e o número de opções que eles possuem para decidir.
[141] A lei de Fitts, por outro lado, prevê que o tempo necessário para
mover-se rapidamente de uma posição inicial até uma zona de
destino final é uma função logarítmica da distância e da área do
destino.[142] Na psicofísica, a lei de Weber-Fechner propõe uma
relação logarítmica entre estímulo e sensação, tal como o peso real e
o percebido de um item que uma pessoa está carregando.[143] Esta
lei, entretanto, é menos precisa do que modelos mais recentes, tal
como a lei potencial de Stevens.[144]
Estudos psicológicos concluíram que indivíduos com baixa
aprendizagem em matemática tendem a estimar valores e resultados
de maneira logarítmica, isto é, eles posicionam um número em uma
linha imaginária de acordo com o seu logaritmo, de modo que 10 é
posicionado tão próximo de 100 quanto 100 de 1 000. Com o
aumento do ensino, essa estimativa se torna mais linear em algumas
circunstâncias (posicionando 1 000 dez vezes mais distante),
enquanto os logaritmos são usados quando os números a serem
posicionados são difíceis de serem plotados linearmente.[145][146]
Teoria da probabilidade e estatística
Três funções densidade de probabilidade (PDF) de variáveis
randômicas com distribuição log-normal. O parâmetro µ, que é zero
nos três PDF mostrados, é a média dos logaritmos da variável
randômica, e não a média da própria variável.
Os logaritmos surgem na teoria das probabilidades: a lei dos
grandes números indica que, para uma moeda honesta, quando o
número de lançamentos da moeda tende para infinito, a proporção
observada de caras se aproxima da metade. As oscilações dessa
proporção em torno da metade são descritas pela lei do logaritmo
iterado.[147]
A bar chart and a superimposed second chart. The two differ
slightly, but both decrease in a similar fashion.
Distribuição dos primeiros dígitos das populações dos 237
países do mundo. Os pontos pretos indicam a distribuição prevista
pela lei de Benford.
Os logaritmos também ocorrem na distribuição log-normal:
quando o logaritmo de uma variável aleatória tem uma distribuição
normal, diz-se que a variável tem uma distribuição log-normal.[148]
As distribuições log-normais são encontradas em muitos campos,
sempre que uma variável seja formada pelo produto de muitas
variáveis aleatórias positivas e independentes, por exemplo, no
estudo da turbulência.[149]
Os logaritmos são usados para a estimativa de máxima
probabilidade de modelos estatísticos paramétricos: para
determinado modelo, a função de probabilidade depende de pelo
menos um parâmetro que deve ser estimado. O valor máximo da
função de probabilidade ocorre para o mesmo valor do parâmetro em
que é máximo o logaritmo das probabilidades (o log-probabilidade ),
porque o logaritmo é uma função crescente. O log-probabilidade é
mais fácil para maximizar, especialmente para a multiplicação das
probabilidades de variáveis aleatórias independentes.[150]
A lei de Benford descreve a ocorrência de dígitos em muitos
conjuntos de dados, tal como as alturas de edifícios. De acordo com
essa lei, a probabilidade de que o primeiro dígito decimal seja d (de 1
a 9) é igual a log10(d + 1) − log10(d), independentemente da
unidade de medida.[151] Então, cerca de 30% dos dados podem ter 1
como o primeiro dígito, 18% de ser 2, e assim por diante.[152]
Auditores examinam desvios em relação à lei de Benford para
detectar fraudes contábeis.
Complexidade computacional
A análise de algoritmos é um ramo da ciência da computação
que estuda o desempenho dos algoritmos (programas de computador
que resolvem um determinado problema). Os logaritmos são valiosos
para descrever algoritmos que dividem um problema em partes
menores e juntam as soluções dos subproblemas.[153]
Por exemplo, para encontrar um número em uma lista
ordenada, a pesquisa binária verifica a entrada do meio e trabalha
com a metade antes ou depois da entrada do meio, se o número
ainda não foi encontrado. Este algoritmo exige, em média, log2(N)
comparações, onde N é o tamanho da lista. Similarmente, a
ordenação por mistura (merge sort) classifica uma lista dividindo-a
em duas metades e a classifica antes de ordenar os resultados. Esses
algoritmos normalmente requerem um tempo aproximadamente
proporcional a N · log(N).[154] A base desse logaritmo não é
especificada, porque o resultado somente é alterado por um fator
constante quando se utiliza uma outra base. Um fator constante é
usualmente desconsiderado na análise de algoritmos sob o modelo de
custo uniforme padrão.[155]
Diz-se que uma função f(x) cresce de modo logarítmico se f(x) é
(exatamente ou aproximadamente) proporcional ao logaritmo de x
(entretanto, descrições biológicas do crescimento de organismos
usam este termo para uma função exponencial).[156] Por exemplo,
qualquer número natural N pode ser representado no sistema de
numeração binário com não mais do que log2(N) + 1 bits. Em outras
palavras, a quantidade de memória para armazenar N cresce de
modo logarítmico com N.
Entropia e caos
Bolas em uma mesa de bilhar oval. Duas partículas, saindo do
centro com um ângulo que difere em um grau, seguem caminhos que
divergem caoticamente por causa das reflexões nas bordas.
A entropia é uma medida da desordem de algum sistema. Na
termodinâmica estatística, a entropia S de um sistema físico é
definida como:[157]
i
ln
{\displaystyle S=-k\sum _{i}p_{i}\ln(p_{i}).\,}
O somatório é sobre todos os possíveis estados i do sistema em
questão, tais como as posições das partículas de gás em um
recipiente. Além disso, pi é a probabilidade de que o estado i seja
atingido e k é a constante de Boltzmann. Similarmente, a entropia da
informação mede a quantidade de informação: se um destinatário de
mensagem pode esperar qualquer uma das possíveis mensagens com
probabilidades iguais, então a informação transportada por qualquer
mensagem é quantificada por log2(N) bits.[158]
O expoente de Lyapunov usa o logaritmo para aferir o grau de
caotização de um sistema dinâmico. Por exemplo, para partículas
movendo-se sobre uma mesa de bilhar oval, até mesmo pequenas
mudanças nas condições iniciais resultam em caminhos muito
diferentes da partícula. Tais sistemas são caóticos de maneira
determinística, porque erros pequenos nas medições do estado inicial
previsivelmente conduzem para estados finais muito diferentes.[159]
Pelo menos um expoente de Lyapunov deterministicamente caótico é
positivo.
Fractais
Parts of a triangle are removed in an iterated way.
O triângulo de Sierpinski (na direita) é construído pelo
substituição contínua dos triângulos equiláteros por três triângulos
menores.
Os logaritmos são aplicados nas definições das dimensões dos
fractais.[160] Fractais são objetos geométricos que são
autossimilares: pequenas partes repetem, pelo menos
aproximadamente, toda a estrutura global. O triângulo de Sierpinski
(imagem) pode ser construído com três cópias dele mesmo, cada
pedaço tendo metade da dimensão original. Isto faz com que a
dimensão de Hausdorff desta estrutura seja log(3)/log(2) ≈ 1,58.
Outra noção de dimensão baseada nos logaritmos é obtida pela
contagem do número de caixas (Dimensão de Minkowski–Bouligand)
necessário para cobrir o fractal em questão.[161]
Música
Four different octaves shown on a linear scale.
Four different octaves shown on a logarithmic scale.
Quatro oitavas diferentes apresentadas em uma escala linear, e
em seguida em uma escala logarítmica (como são ouvidas).
Os logaritmos estão relacionados aos tons e intervalos musicais.
Em temperamento igual, a razão das frequências depende
exclusivamente do intervalo entre dois tons, e não da frequência
específica (ou altura) dos tons individuais. Por exemplo, a nota
musical Lá tem uma frequência de 440 Hz e o Si bemol tem uma
frequência de 466 Hz. O intervalo entre o Lá e o Si bemol é um
semitom, assim como aquele entre o Si bemol e o Si (frequência de
493 Hz).[162]
Da mesma forma, a razão entre as frequências coincide:[163]
466
440
493
466
1.059
12
.
{\displaystyle {\frac {466}{440}}\approx {\frac {493}{466}}\
approx 1.059\approx {\sqrt[{12}]{2}}.}
Portanto, os logaritmos podem ser utilizados para descrever os
intervalos: um intervalo é medido em semitons tomando-se o
logaritmo na base-21/12 da razão das frequências, enquanto o
logaritmo na base-21/1200 da razão de frequências expressa o
intervalo em cents, centésimo de um semitom. Este último é utilizado
para codificação fina, como é necessário em temperamentos
desiguais.[164]
Intervalo
(os dois tons são ouvidos ao mesmo tempo) Tom 72 somⓘ
Semitom somⓘ Terça maior exata somⓘ Terça maior
somⓘTrítono somⓘ Oitava somⓘ
Razão de frequências r
72
0097
{\displaystyle 2^{\frac {1}{72}}\approx 1,0097}
12
0595
{\displaystyle 2^{\frac {1}{12}}\approx 1,0595}
25
{\displaystyle {\tfrac {5}{4}}=1,25}
12
2599
{\displaystyle {\begin{aligned}2^{\frac {4}{12}}&={\
sqrt[{3}]{2}}\\&\approx 1,2599\end{aligned}}}
12
1
,
4142
{\displaystyle {\begin{aligned}2^{\frac {6}{12}}&={\sqrt
{2}}\\&\approx 1,4142\end{aligned}}}
12
12
{\displaystyle 2^{\frac {12}{12}}=2}
'’'Número correspondente de semitons
log
12
12
log
{\displaystyle \log _{\sqrt[{12}]{2}}(r)=12\log _{2}(r)}
1
{\displaystyle {\tfrac {1}{6}}\,}
{\displaystyle 1\,}
8631
{\displaystyle \approx 3,8631\,}
{\displaystyle 4\,}
{\displaystyle 6\,}
12
{\displaystyle 12\,}
Número correspondente de cents
log
1200
1200
log
2
{\displaystyle \log _{\sqrt[{1200}]{2}}(r)=1200\log _{2}(r)}
16
{\displaystyle 16{\tfrac {2}{3}}\,}
100
{\displaystyle 100\,}
386
31
{\displaystyle \approx 386,31\,}
400
{\displaystyle 400\,}
600
{\displaystyle 600\,}
1200
{\displaystyle 1200\,}
Teoria dos números
Os logaritmos naturais estão estreitamente interligados com a
função de contagem de números primos (2, 3, 5, 7, 11, ...), um tópico
importante da teoria dos números. Para qualquer número inteiro x, a
quantidade de números primos menores ou iguais a x é denotada
pela constante π(x). O teorema dos números primos afirma que o π(x)
é dado aproximadamente por:
ln
{\displaystyle {\frac {x}{\ln(x)}},}
no sentido em que a razão entre π(x) e aquela fração aproxima-
se de 1 quando x tende ao infinito.[165] Como consequência, a
probabilidade de que um número aleatoriamente escolhido entre 1 e
x seja primo é inversamente proporcional ao número de dígitos
decimais de x. Uma estimativa muito melhor de π(x) é dada pela
função logaritmo integral Li(x), definida por:
ln
(
{\displaystyle \mathrm {Li} (x)=\int _{2}^{x}{\frac {1}{\
ln(t)}}\,dt.}
A hipótese de Riemann, uma das mais antigas conjecturas
matemáticas abertas, pode ser estabelecida em termos comparativos
de π(x) e Li(x).[166] O teorema de Erdős–Kac descrevendo o número
de fatores primos distintos também envolve os logaritmos naturais.
O logaritmo den fatorial, n! = 1 · 2 · ... · n, é dado por:
ln
ln
ln
ln
{\displaystyle \ln(n!)=\ln(1)+\ln(2)+\cdots +\ln(n).\,}
Este número pode ser utilizado para obter a fórmula de Stirling,
uma aproximação do número n! para valores altos de n.[167]
Generalizações
Logaritmos complexos
An illustration of the polar form: a point is described by an arrow
or equivalently by its length and angle to the x axis.
Forma polar de z = x + iy. Ambos os ângulos φ e φ' são
argumentos de z.
Os números complexos a que resolvem a equação
=
z
{\displaystyle e^{a}=z}
são chamados de logaritmos complexos. Aqui, z é um número
complexo. Um número complexo é geralmente representado como z
= x + iy, onde x e y são números reais e o i é a unidade imaginária.
Um número destes pode ser visualizado como um ponto em um plano
complexo, como apresentado à direita.[168] A forma polar codifica
um número complexo não-nulo z por seu valor absoluto, que é a
distância r da origem e um ângulo entre o eixo x e a linha que passa
entre a origem e z. Este ângulo é chamado de argumento de z. O
valor absoluto r de z é[169]
{\displaystyle r={\sqrt {x^{2}+y^{2}}}.\,}
O argumento não é exclusivamente especificado por z: ambos
os ângulos φ e φ' = φ + 2π são argumentos de z, porque adicionarem-
se 2π radianos ou 360 graus ao ângulo φ corresponde ao
"enrolamento" sobre a origem no sentido anti-horário em uma volta.
O número complexo resultante é novamente z, como ilustrado na
figura à direita. Entretanto, exatamente um argumento φ satisfaz a
condição de: −π < φ e φ ≤ π. Ele é chamado de argumento principal,
denotado Arg(z), com A maiúsculo[170] (uma normalização
alternativa é 0 ≤ Arg(z) < 2π.[171])
A density plot. In the middle there is a black point, at the
negative axis the hue jumps sharply and evolves smoothly otherwise.
O principal ramo do logaritmo complexo, Log(z)[172]. O ponto
preto de z = 1 corresponde ao valor absoluto zero e as cores mais
brilhantes (mais saturadas) referem-se aos valores absolutos maiores.
O matiz da cor codifica o argumento de log(z).
Utilizando-se as funções trigonométricas seno e cosseno, ou a
exponencial complexa, respectivamente, r e φ são tais que as
seguintes identidades se aplicam:[173]
cos
sin
{\displaystyle {\begin{array}{lll}z&=&r\left(\cos \varphi +i\sin \
varphi \right)\\&=&re^{i\varphi }.\end{array}}\,}
Isto implica que a a-ésima potência de e é igual a z, onde
a
ln
{\displaystyle a=\ln(r)+i(\varphi +2n\pi ),\,}
φ é o argumento principal Arg(z) e n é um inteiro arbitrário.
Qualquer a é chamado de um logaritmo complexo de z. Há uma
quantidade infinita deles, em contraste com os logaritmos reais, que
são únicos. Se n = 0, a é chamado de valor principal do logaritmo,
denotado Log(z). O argumento principal de qualquer número real
positivo x é 0; logo Log(x) é um número real e é igual ao logaritmo
real natural. Logo, as fórmulas acima dos logaritmos de produtos e
potências não são generalizadas como o valor principal de um
logaritmo complexo.[174]
A ilustração da direita descreve o Log(z). A descontinuidade,
isto é, o salto no matiz na parte negativa do eixo x, é causada pelo
salto do argumento principal ali. Este lugar geométrico é chamado de
ponto de ramificação. Este comportamento só pode ser contornado
pela restrição da extensão do ângulo φ. Então o argumento de z e,
consequentemente, seu logaritmo se tornam funções multivaloradas.
[175]
Inversos de outras funções exponenciais
A exponenciação ocorre em muitas áreas da matemática e sua
função inversa é muitas vezes referida como o logaritmo. Por
exemplo, o logaritmo de uma matriz é a função inversa da
exponencial matricial.[176] Outro exemplo é a função logarítmica p-
adic, cujo inverso é a função exponencial p-adic. Ambas são definidas
através da série de Taylor para o caso real.[177] No contexto da
geometria diferencial, o mapa exponencial traça o espaço tangente
em um ponto de uma variável na vizinhança deste ponto. O seu
inverso também é chamado o mapa logarítmico.[178]
No contexto de grupos finitos, a exponenciação é dada pela
multiplicação repetida de um elemento b do grupo com ele mesmo. O
logaritmo discreto é o inteiro n que resolve a equação bn = x, onde x
é um elemento do grupo. A exponenciação pode ser realizada de
forma eficiente, mas em alguns casos o logaritmo discreto é muito
difícil de ser calculado. Esta assimetria tem aplicação importante na
criptografia de chave pública, como, por exemplo, a troca de chaves
de Diffie-Hellman, uma rotina que permite a troca de chaves
criptográficas dentro de canais de comunicação inseguros.[179] O
logaritmo de Zech está relacionado com o logaritmo discreto no grupo
multiplicativo de elementos diferentes de zero de um corpo finito.
[180]
Outras funções inversas do tipo do logaritmo incluem o
logaritmo duplo ln(ln(x)), o super ou hiper-4-logaritmo (uma ligeira
variação do qual é o chamado logaritmo iterado na ciência da
computação), a função W de Lambert e o logit. Eles são as funções
inversas da função exponencial dupla, da tetração, de f(w) =
wew[181] e da função logística, respectivamente.[182]
Conceitos relacionados
Na perspectiva da matemática pura, a identidade log(cd) =
log(c) + log(d) expressa um grupo isomórfico entre os números reais
positivos sob a multiplicação e os reais sob a adição. As funções
logarítmicas são os únicos isomorfismos contínuos entre estes grupos.
[183] Por este isomorfismo, a medida de Haar (Medida de Lebesgue)
dx nos números reais corresponde à medida de Haar dx/x nos
números reais positivos.[184] Na análise complexa e na geometria
algébrica, as formas diferenciais da forma df/f são conhecidas como
formas com polos logarítmicos.[185]
O polilogaritmo é a função definida por:
Li
{\displaystyle \operatorname {Li} _{s}(z)=\sum _{k=1}^{\
infty }{z^{k} \over k^{s}}.}
Ele está relacionado aos logaritmos naturais pela Li1(z) = −ln(1
− z). Além disso, Lis(1) é igual à função zeta de Riemann ζ(s).[186]