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Observações de Marte no Século XVII

O documento aborda a evolução das observações de Marte desde o século XVII, destacando figuras como Johannes Kepler, Galileu Galilei e Christiaan Huygens, que contribuíram para a compreensão do planeta. Kepler introduziu a ideia de órbitas elípticas, enquanto Galileu utilizou o telescópio para observar Marte, e Huygens fez importantes descobertas sobre suas características. O texto também menciona outros astrônomos que, ao longo do tempo, aprimoraram a observação e o entendimento de Marte e do Sistema Solar.

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Observações de Marte no Século XVII

O documento aborda a evolução das observações de Marte desde o século XVII, destacando figuras como Johannes Kepler, Galileu Galilei e Christiaan Huygens, que contribuíram para a compreensão do planeta. Kepler introduziu a ideia de órbitas elípticas, enquanto Galileu utilizou o telescópio para observar Marte, e Huygens fez importantes descobertas sobre suas características. O texto também menciona outros astrônomos que, ao longo do tempo, aprimoraram a observação e o entendimento de Marte e do Sistema Solar.

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Observando Marte no século XVII

Os anos das décadas de 1600 foram muito difíceis para aqueles que queriam estudar ciência. A Igreja Católica Romana era
uma instituição poderosa e tinha suas próprias idéias sobre a natureza do Universo. Todo o conhecimento científico, em
particular as novas idéias, precisavam da aprovação do clero. Divergências com as idéias da igreja poderiam levar o
pensador a punições severas, até mesmo à pena de morte.

1609: Johannes Kepler

Johannes Kepler (1571-1630), um estudante de Tycho Brahe,


publicou Astronomia Nova (Nova Astronomia), que continha as
duas primeiras leis do movimento planetário estabelecidas por ele.
Usando dados obtidos por Tycho Brahe, Kepler demonstrou a sua
primeira lei do movimento baseando-se em cálculos que
consideravam que Marte descrevia uma órbita elíptica em torno
do Sol.

Supor uma órbita planetária com forma elíptica era uma idéia
revolucionária naquela época. Até então, a crença clássica
mantinha que uma vez que o círculo era perfeito necessariamente
todas as órbitas planetárias deviam ser circulares, por serem uma
criação de Deus.

A suposição de órbita elíptica feita por Kepler desafiou e,


finalmente, substituiu a suposição clássica que exigia órbitas
circulares perfeitas.

1609: Galileu Galilei

Galileo Galilei (1564-1642) possivelmente foi o construtor do


primeiro telescópio em 1609, tornando-se a primeira pessoa a
usar um instrumento para propósitos astronômicos.

Galileu acreditava na teoria de Copérnico de que os corpos


celestes que fazem parte do Sistema Solar giram em torno do Sol.

A época era difícil para novas idéias e o cardeal Bellarmino avisou


Galileu para ser cauteloso com suas idéias e não concluir que a
teoria Copernicana era real. Galileu publicou um livro, Siderius Nuncius (O Mensageiro Estrelado), que foi considerado
controverso e em oposição às idéias da Igreja Católica Romana. Como conseqüência Galileu foi preso e julgado pela
Inquisição. O tribunal eclesiástico o considerou culpado de heresia, sentenciando Galileu à prisão e forçando-o a se
retratar.

Em segredo, seu livro foi contrabandeado para fora de seu pais e publicado na França.
Hoje seu trabalho é considerado como sendo a fundação da física moderna.
1610: Galileu Galilei

No ano de 1610 Galileu observou Marte com este seu telescópio primitivo.

Ele escreveu a um de seus amigos, o padre Castelli, falando sobre observações de fases de Marte, o que indicava que
Marte era um corpo esférico iluminado pelo Sol.

1636: Francisco Fontana

Francisco Fontana observa e desenha Marte. O seu desenho mostra uma mancha negra, a qual ele chamou de "pílula
negra", dentro de uma esfera. A mancha negra era devida a um defeito em seu telescópio.

1640: Niccolo Zucchi

Em 1616, Niccolo Zucchi (1586-1670), professor do Colégio Jesuíta em Roma, construiu um dos mais antigos telescópios
refletores que temos notícia, anterior àqueles produzidos por James Gregory e Isaac Newton.

Observando, em 1640, Marte com o seu telescópio refletor, Zucchi declarou ter notado manchas na superfície do planeta.

13 de outubro de 1659: Christiaan Huygens

O astrônomo holandês Christiaan Huygens (1629-1695) desenha o primeiro


esbôço de Marte.

Para realizar suas observações de Marte, Huygens usou um telescópio


avançado, desenhado por ele mesmo. Este telescópio tinha muito mais
qualidade do que aqueles fabricados pelos seus predecessores e permitia um
aumento de 50 vezes.

28 de novembro de 1659: Christiaan Huygens

Huygens registra a primeira característica verdadeira da superfície de Marte.


Ele observa uma grande mancha negra na superfície deste planeta,
provavelmente Syrtis Major, que se tornou conhecida como o "Mar da
Ampulheta". Pela primeira vez esboços da superfície de Marte se tornaram
úteis para os astrônomos.

Observando a mancha durante rotações sucessivas do planeta, Huygens notou que ela retornava à mesma posição no
mesmo instante no dia seguinte. Baseado nisto, ele calculou que Marte tinha um período de rotação de 24 horas.

Em 1656, Huygens já havia realizado alguns desenhos de Marte, mas eles não foram úteis porque em julho de 1655 Marte
tinha estado em oposição e as condições de visibilidade eram ruins.
1666: Giovanni Domenico Cassini

Embora Marte estivesse em oposição o astrônomo italiano Giovanni


Cassini (1625-1712) observou e desenhou algumas características da
sua superfície.

Cassini fez cerca de 20 desenhos grosseiros de Marte no Observatório


de Bologna e, a partir deles, notou que as marcas na superfície do
planeta retornavam às mesmas posições cerca de 40 minutos mais
tarde do que no dia anterior. Desta forma ele concluiu que o período
rotacional, ou seja o dia marciano, era de 24 horas e 40 minutos.
Cassini também foi quem descobriu que o planeta Marte possuia uma
calota polar no hemisfério norte.

1672: Isaac Newton

Em 1672 Isaac Newton desenhou o seu telescópio refletor e o


apresentou à Royal Society of London. Muitos autores consideram
que este foi o primeiro telescópio refletor construido, a despeito de
ser conhecido o fato de que o astrônomo italiano Niccolo Zucchi
construiu um telescópio refletor em 1616 e o usou em 1640 para
observar Marte.

Estes telescópio eram bastante precários pois os metais usados na


fabricação dos seus espelhos, naquela época, não podiam ser polidos
adequadamente.

1671-1673: Jean Richer

Jean Richer (1630-1696), por ordem do governo francês, viajou para Caiena, Guiana Francesa, e mediu a paralaxe de
Marte no seu perigeu.

Giovanni Cassini

Após a divulgação dos cálculos de Jean Richer, Cassini comparou as medições do astrônomo francês com as suas próprias
medições da posição de Marte em relação às estrelas. Ele determinou as distâncias de Marte e do Sol a partir da Terra
obtendo então as primeiras dimensões razoavelmente precisas do Sistema Solar.

Cassini deduziu que a distância Terra-Sol, conhecida como unidade astronômica, era de 140 milhões de quilômetros, o que
é bastante preciso se compararmos com o valor moderno de 149,6 milhões de quilômetros.

setembro de 1672: Christiaan Huygens

Neste mes Marte estava em oposição e Christiaan Huygens foi o primeiro a notar uma mancha branca no pólo sul de Marte,
provavelmente a calota polar sul.
1686: Bernard de Fontenelle

Bernard de Fontenelle, um respeitado astrônomo francês, publicou o


livro "La Pluralité des Mondes" (A Diversidade dos Mundos). Este
livro, escrito como um diálogo, discute evidências que sinalizam a
existência de vida em planetas do Sistema Solar.

Fontenelle, entretanto, acreditava que Marte não era habitado, de modo


que o planeta vermelho recebeu pouca atenção no seu livro:

"Ele é também 5 vezes menor que a Terra e


recebe muito menos luz solar. Em resumo,
Marte não vale o esforço de darmos uma
parada. Uma escolha muito mais atraente seria
Júpiter com suas 4 luas!"

Hoje sabemos que Marte não é 5 vezes menor que a Terra. Marte tem
metade do diâmetro da Terra.

1698: Christiann Huygens

O livro Cosmotheoros, escrito por Christian Huygens é publicado postumamente. Huygens, que morreu em 1695, havia
escrito este livro alguns anos antes. Nele Huygens trata da questão de vida em Marte, sendo um dos primeiros textos
publicados que trata sobre a vida extraterrestre.

Huygens deduziu que, embora Marte seja mais frio do que a Terra porque ele está mais afastado do Sol, a vida lá deve ter
se adaptado a isto.

No seu livro Huygens discutiu quais as exigências que devem ser feitas para que um planeta possa ser capaz de manter
vida, e especulou sobre a possível existência de extraterrestres inteligentes.

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