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Avaliação de Caroços na Tireoide

A avaliação das patologias do pescoço e da tireoide na radiologia utiliza principalmente o Ultrassom (USG), que é essencial para diagnosticar lesões císticas e guiar biópsias. As lesões podem ser classificadas em císticas, como cistos do ducto tireoglosso e linfangiomas, e sólidas, incluindo linfonodomegalia e tumores benignos e malignos. O carcinoma de tireoide, embora raro, é classificado em diferentes tipos, sendo o carcinoma papilífero o mais comum e menos agressivo.

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Avaliação de Caroços na Tireoide

A avaliação das patologias do pescoço e da tireoide na radiologia utiliza principalmente o Ultrassom (USG), que é essencial para diagnosticar lesões císticas e guiar biópsias. As lesões podem ser classificadas em císticas, como cistos do ducto tireoglosso e linfangiomas, e sólidas, incluindo linfonodomegalia e tumores benignos e malignos. O carcinoma de tireoide, embora raro, é classificado em diferentes tipos, sendo o carcinoma papilífero o mais comum e menos agressivo.

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A avaliação das patologias relacionadas ao pescoço e à tireoide é um campo vasto na

radiologia, utilizando diversos métodos de imagem, sendo o Ultrassom (USG) o método de


imagem preferido para massas cervicais1. O USG é crucial para o diagnóstico, especialmente
de lesões císticas, e para guiar biópsias e excisões1. Outros métodos incluem a Tomografia
Computadorizada (TC), aplicada em infecções agudas para avaliar abscessos1, a
Ressonância Magnética (RM), que tem valor em grandes lesões para determinar infiltração em
linfonodos profundos1, e o PET/CT, utilizado para estadiamento (como no Linfoma maligno)12.
As massas cervicais podem ser classificadas em císticas ou sólidas1.
Patologias do Pescoço: Lesões Císticas
As lesões císticas são frequentemente categorizadas pela sua localização na linha média ou
fora dela34.
1. Cisto do Ducto Tireoglosso:
◦ É comum em crianças3.
◦ O ducto tireoglosso é uma estrutura que percorre a base da língua, no forame ceco, até a
glândula tireoide3.
◦ Na ultrassonografia (USG), pode ser anecoico ou hipoecoico, apresentando ecos internos
devido à infecção, hemorragia ou conteúdo proteico5.
◦ Um achado característico é o movimento ascendente do cisto durante a deglutição ou na
protrusão da língua5.
◦ Em termos de localização, 80% são infra-hióideos (medianos ou paramedianos) e 20% são
supra-hióideos, na linha mediana ou no forame cego6.
2. Cisto da Fissura Branquial:
◦ A maioria é remanescente da 2ª fissura branquial, cuja obliteração incompleta resulta em
cisto (75%), seio ou fístula (25%)57.
◦ Estão localizados ao longo da borda anterior do músculo esternocleidomastóideo (ECM)78.
Podem estar lateralmente à artéria carótida comum ou, mais cranialmente, entre a artéria
carótida interna e externa8.
◦ Na USG, geralmente apresentam ecos internos causados por detritos, que consistem em
cristais de colesterol8. O cisto é tipicamente compressível e pode inflamar, apresentando
empiema8.
◦ Cistos relacionados à 4ª fenda branquial podem envolver o seio piriforme ou a glândula
tireoide7.
3. Malformações Linfáticas (Linfangiomas):
◦ São lesões císticas, ou malformações vasculolinfáticas910, resultantes do mau
desenvolvimento do canal linfático; 90% delas ocorrem na cabeça e pescoço9.
◦ Podem ser apresentadas como cistos únicos ou multiloculados, com múltiplos
compartimentos posteriores10.
◦ Na região do pescoço posterior, apresentam 1 ou mais cistos maiores9. No pescoço anterior,
manifestam-se como inúmeros cistos pequenos e podem infiltrar profundamente o mediastino e
o pescoço (Higroma coli)9.
◦ Cistos maiores são geralmente anecoicos e podem conter detritos9. A malformação
linfocítica macrocística pode ser hiperecoica9. As imagens ponderadas em T2 geralmente
mostram alta intensidade de sinal, podendo haver nível líquido-líquido, especialmente após
sangramento1112.
4. Rânula:
◦ É um cisto de retenção cheio de líquido que se origina da glândula salivar sublingual1213.
◦ Pode se estender para o assoalho da boca ou, quando se estende através ou sobre o
músculo mio-hióideo, é chamada de “rânula em queda” (ou mergulhante), apresentando-se
como uma massa submentoniana ou submandibular1213.
◦ Na USG, aparece como uma massa anecoica contínua com a glândula sublingual14.
Patologias do Pescoço: Lesões Sólidas
As lesões sólidas podem ser categorizadas em linfonodais e não linfonodais1.
Lesões Sólidas Linfonodais
A avaliação da linfonodomegalia é crucial, sendo muito comum em crianças, geralmente como
nós reativos a uma infecção primária15.
• Linfonodos Normais: Delineados, ovais, com um centro ecogênico (hilo) e eixo curto menor
que 10 cm15.
• Linfadenite (Reativa, Bacteriana ou Viral):
◦ Linfonodos reativos são uma reação à inflamação próxima, estando ligeiramente
aumentados e mais hipoecogênicos que o normal, mas preservando o hilo ecogênico central16.
◦ A linfadenite bacteriana ou viral envolve a infecção do próprio linfonodo, com início agudo e
geralmente unilateral17. Pode apresentar sinais de liquefação (áreas com parede detectável e
centro hipoecoico ou reflexões móveis)17.
• Linfoma Maligno:
◦ Apresenta-se como linfadenopatia indolor2. Linfonodos cervicais estão mais envolvidos no
linfoma de Hodgkin2.
◦ Na USG, são redondos, homogeneamente hipoecoicos e não possuem hilo ecogênico
central2.
◦ Linfomas malignos tendem a ser bem delimitados, homogêneos, hipoecoicos e atingir vários
níveis, diferentemente da linfadenite que se manifesta com inflamação circundante,
heterogeneidade e liquefação central16.
◦ OBS: Linfonodos supraclaviculares aumentados devem ser sempre considerados malignos
até prova em contrário15.
Outras Lesões Sólidas (Não Linfonodais)
Incluem hemangiomas, paragangliomas, neurofibromas e afecções de glândulas salivares18.
• Hemangioma: Neoplasia vascular benigna, mais comum na infância, especialmente na
cabeça e pescoço18. Na USG (Doppler), é altamente vascularizado, bem definido e
ecogênico18.
• Paraganglioma (Tumor glômico ou quemodectoma): Raros em cabeça e pescoço1920.
Surgem ao longo da bainha carotídea, incluindo a bifurcação carotídea, gânglios vagais, bulbo
jugular e plexo timpânico1920.
◦ Na RM, o padrão de “sal e pimenta” é típico ("sal": produtos de hemorragia; "pimenta":
vazios devido à alta vascularização)19. Podem ser assintomáticos ou apresentar crescimento
lento, paresia de nervos e zumbido pulsátil21.
• Neurofibroma: Tumores benignos da bainha nervosa periférica22. O subtipo intraneural
localizado é o mais comum (90%) e não está associado à Neurofibromatose do tipo 1 (embora o
tumor tenha forte associação com a NF1)22.
Patologias em Glândulas Salivares
O espaço parotídeo é o espaço cervical supra-hióideo23, contendo a glândula parótida (seu
maior componente), linfonodos, vasos e o nervo facial23.
• Aumento Difuso: Ocorre principalmente nas glândulas parótidas24. Se for bilateral, deve-se
pensar em etiologia autoimune (ex: Síndrome de Sjögren)2425. Parotidite bacteriana é uma
causa de aumento unilateral24. A parotidite pode se manifestar com dilatações ductais e indícios
inflamatórios na fase aguda, além de histórico de infecções26.
• Tumores Parotídeos: O Hemangioma é o tumor de glândula parótida mais comum da
infância24. O Adenoma Pleomórfico (tumor misto benigno) é a lesão benigna mais comum das
glândulas salivares27.
◦ Os tumores malignos parotídeos mais comuns são o Carcinoma Mucoepidermóide e o
Adenóide Cístico28.
Patologias da Tireoide (Espaço Visceral)
A avaliação da tireoide por USG deve ser realizada em decúbito dorsal e hiperextensão cervical
para facilitar o acesso à glândula29. O mapeamento com Doppler colorido deve ser feito sem
compressão, para evitar subestimar a vascularização30.
Lesões Não Neoplásicas da Tireoide
• Bócio: É o nome dado ao aumento das dimensões da glândula tireoide2931. Pode ser
classificado como tóxico ou atóxico, e pode ter extensão mergulhante3132. O bócio mergulhante
é uma das massas da abertura torácica superior3233.
• Tireoidite: Apresenta-se hipoecoica, heterogênea, com aumento das dimensões30. Não há
visualização na cintilografia30. Um fator de risco para Linfoma primário da tireoide é a tireoidite
de Hashimoto34.
• Nódulos: Têm alta prevalência na população30. Embora o USG seja sensível para a detecção,
a PAAF é o padrão ouro para a diferenciação entre benigno e maligno35.
Carcinoma de Tireoide (Tumores Malignos)
Os tumores malignos da tireoide constituem 1% de todos os cânceres e são mais frequentes em
mulheres35. Estes carcinomas, que se desenvolvem no espaço visceral (Nível VI de linfonodos
cervicais)3637, são classificados em:
1. Carcinoma Diferenciado (Papilífero ou Folicular):
◦ Carcinoma Papilífero (90% dos tumores): Não agressivo e de crescimento lento35. Pode
metastizar para linfonodos35. Na USG, é tipicamente hipoecoico e pode apresentar
microcalcificações psamomatosas35.
◦ Carcinoma Folicular (Segundo mais frequente): Comum em áreas endêmicas de bócio35.
A disseminação é hematogênica, não para linfonodos35. Muitas vezes, o diagnóstico requer
biópsia excisional, pois o USG e a PAAF podem ser insuficientes3538. Não costuma ter
microcalcificações38.
2. Carcinoma Medular (5% dos tumores):
◦ Cresce a partir das células C38. Disseminação hematogênica, linfática e por invasão local38.
◦ Na USG, é uma lesão hipoecoica com contornos irregulares, um halo espesso hipoecoico,
vasos presentes e calcificações grandes34.
3. Carcinoma Anaplásico/Indiferenciado (Menos de 5% dos tumores):
◦ É muito agressivo, de crescimento rápido, e invade estruturas adjacentes3738. Possui
prognóstico ruim e disseminação hematogênica e linfática38.
◦ Na USG, manifesta-se como uma massa volumosa e hipoecoica, com margens irregulares,
calcificações grosseiras e ausência de vascularização ao Doppler devido à necrose38.
Outras Neoplasias da Tireoide
• Linfoma Primário: Normalmente do tipo Não-Hodgkin34. Tende a gerar obstrução34. Na USG,
é uma tumoração única, hipoecoica, multilobulada e homogênea, podendo, às vezes, apresentar
áreas anecoicas de necrose34.
• Metástase: É rara na tireoide, derivando principalmente de melanoma, rim, pulmão e mama

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