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Compreendendo a Atmosfera Terrestre

O documento analisa a atmosfera terrestre, sua composição e características, destacando a importância das grandezas atmosféricas na navegação aérea. A atmosfera é dividida em camadas, cada uma com propriedades específicas que influenciam o voo, como pressão, temperatura e umidade. Além disso, o texto aborda os fundamentos da dinâmica do voo e os efeitos das variáveis atmosféricas no desempenho das aeronaves.

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Compreendendo a Atmosfera Terrestre

O documento analisa a atmosfera terrestre, sua composição e características, destacando a importância das grandezas atmosféricas na navegação aérea. A atmosfera é dividida em camadas, cada uma com propriedades específicas que influenciam o voo, como pressão, temperatura e umidade. Além disso, o texto aborda os fundamentos da dinâmica do voo e os efeitos das variáveis atmosféricas no desempenho das aeronaves.

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ESCOLA NACIONAL DE AERONÁUTICA

Néusia Cecília Nhamue

Técnico de Informação de Comunicações Aeronáuticas

Maputo, Outubro

2025
Índice
1. Introdução...................................................................................................................3
2. Atmosfera terrestre......................................................................................................4
2.1. Composição da Atmosfera..........................................................................................4
2.2. Características da atmosfera........................................................................................5
2.2.1. Troposfera...................................................................................................................5

2.2.2. Tropopausa..................................................................................................................6

2.2.3. Estratosfera..................................................................................................................7

2.2.4. Estratopausa................................................................................................................7

2.2.5. Mesosfera....................................................................................................................8

2.2.6. Mesopausa...................................................................................................................8

2.2.7. Termosfera..................................................................................................................8

2.3. Propriedades da atmosfera..........................................................................................9


2.3.1. Pressão e Densidade....................................................................................................9

2.3.2. Temperatura..............................................................................................................11

2.4. Fundamentos da Dinâmica do Voo...........................................................................11


2.4.1. Leis de Newton Aplicadas ao Voo............................................................................11

2.5. Efeitos das Grandezas Atmosféricas sobre o Movimento e Equilíbrio....................11


3. Conclusão..................................................................................................................13
4. Referências bibliográficas.........................................................................................14
1. Introdução

A atmosfera é a camada gasosa, relativamente fina, que circunda o Planeta, sendo


fundamental à vida na Terra. Ela é constituída por uma mistura mecânica de gases, vapor de
água e partículas sólidas em suspensão. Esta mistura que envolve a Terra acompanha os seus
movimentos de rotação e translação, devido à actuação da força da gravidade sobre a
atmosfera.

A navegação aérea ocorre em um ambiente físico altamente variável: a atmosfera terrestre.


Diferente de meios estáticos, como estradas ou trilhos, o espaço aéreo é influenciado por
fenómenos meteorológicos que alteram constantemente as condições de voo. As grandezas
atmosféricas são variáveis físicas e químicas que descrevem o estado da atmosfera em um
dado momento e local. Elas são fundamentais para o planeamento de rotas, cálculo de
performance, segurança operacional e tomada de decisões em tempo real. Este trabalho
apresenta uma análise dessas grandezas, relacionando-as com os princípios da navegação
aérea.
2. Atmosfera terrestre

Não existe um limite superior para a atmosfera, no sentido físico, verificando-se apenas
progressiva rarefacção do ar com a altitude. Em relação à Meteorologia, normalmente se
considera que a atmosfera terrestre possui cerca de 80 a 100 km de espessura. Deve-se
considerar que essa camada, predominantemente gasosa, é muito delgada quando comparada
com o raio médio do Planeta (6.371,229 km). Realmente, a espessura da atmosfera representa
apenas cerca de 1,6% desse raio. Porém, a parte mais importante da atmosfera, sob o ponto de
vista meteorológico (Troposfera) não atinge 20 km de altitude e, representa somente 0,3% do
raio do Planeta.

Portanto, a atmosfera actua como sede dos fenómenos meteorológicos, sendo também
determinante na qualidade e quantidade da radiação solar que atinge a superfície terrestre.

2.1. Composição da Atmosfera

A maior parte da atmosfera é constituída por reduzido número de elementos gasosos, contudo
existe um número elevado de constituintes num volume pequeno. A atmosfera pode ser
caracterizada também por um grupo de gases com concentração aproximadamente constante
no tempo e no espaço, denominado de “fixos” ou matriz atmosférica e, outro grupo, sem
concentração constante, chamados de “variáveis”. A matriz atmosférica possui tempo de
residência longo, da ordem de 106 anos para o Hélio (He), o mais curto dentre eles. Contudo,
existem outros gases chamados de variáveis, que participam dos ciclos biogeoquímicos
(carbono, nitrogênio, entre outros) e apresentam tempo de residência relativamente curto
(décadas ou menos). Assim, a atmosfera pode ser considerada composta por dois conjuntos
de gases: componentes fixos (matriz) e as componentes variáveis.

 Componentes Fixos: mistura de gases, com predominância do nitrogênio – N2 (78%)


e do oxigênio – O2 (20,9%). Os demais gases nobres (hélio, nónio, argônio, xenônio e
criptônio) somados constituem menos de 1% do total.
 Componentes Variáveis: composto principalmente por vapor de água, dióxido de
carbono (CO2), metano (CH4) e ozônio (O3).

Na análise da composição do ar é conveniente suprimir o vapor de água, exactamente porque


sua concentração é extremamente variável (0 a 4% do volume da atmosfera) no espaço e no
tempo, e assim, altera as proporções dos demais constituintes. Quando se desumidifica
totalmente o ar, obtém-se o chamado “ar seco”. A composição média do ar seco é
praticamente constante até cerca de 25 km de altitude.

2.2. Características da atmosfera

As camadas da atmosfera interagem entre si, trocando propriedades (calor, vapor de água e
outros gases). Não existe um limite físico rígido para a atmosfera. Segundo critério térmico,
as camadas da atmosfera se localizam da superfície até 110 km. Para a Meteorologia, baseada
no critério térmico, a atmosfera terrestre é dividida em quatro camadas ou esferas
isotérmicas: Troposfera, Estratosfera, Mesosfera e Termosfera, separadas por três zonas de
transição, Tropopausa, Estratopausa e Mesopausa, respectivamente. Cada camada é
caracterizada por uma mudança uniforme de temperatura em função da altitude. Em certas
camadas ocorre diminuição da temperatura com aumento da altitude, enquanto em outras a
temperatura aumenta com altura crescente. O topo de cada camada é denotado por uma
"pausa", onde a temperatura não varia com a altitude (isotérmica), como mostrado na figura
abaixo.

2.2.1. Troposfera

A Troposfera contém aproximadamente 80% da massa da atmosfera, e é a parte de atmosfera


em que vivemos e onde se realizam as observações de tempo meteorológico. Nesta camada a
temperatura do ar diminui com a altitude, isto é conhecido como resfriamento adiabático, ou
seja, diminuição de temperatura causada por diminuição em pressão. Em termos médios para
todo o Planeta, a temperatura do ar na Troposfera diminui com altitude aproximadamente 6,5
ºC/km. O perfil térmico da Troposfera é resultado principalmente do aquecimento da
superfície terrestre pela radiação solar incidente.

Os raios solares aquecem a superfície do Planeta, que por sua vez aquece a base da
Troposfera; a ascensão do calor através desta camada é feita então por uma combinação de
convecção e turbulência. A Troposfera é mais propensa à mistura vertical causada por
transferências convectivas e turbulentas do que outras camadas da atmosfera.

Estes movimentos verticais e a abundância de vapor da água fazem da Troposfera a camada


mais importante para ocorrência dos fenômenos meteorológicos. A espessura da Troposfera
varia com a latitude e com a época do ano. Nos pólos, oscila entre 6 km no inverno e 10 km
no verão, em média, enquanto que na região Tropical sua espessura é de 15 km a 20 km,
respectivamente. Grandes perturbações atmosféricas (como os ciclones) podem estar
associadas à elevação ou redução da espessura da Troposfera.

2.2.2. Tropopausa

A Tropopausa é o nome da camada intermediária entre a Troposfera e a Estratosfera, situada


a uma altura média em torno de 17 km no equador. Essa camada é caracterizada por isotermia
(temperatura não varia com a altitude). Nas latitudes médias a temperatura da tropopausa
varia de -50 a -55 oC, e sua espessura é da ordem de 3 km.

A distância da Tropopausa em relação à superfície varia conforme as condições climáticas da


Troposfera, da temperatura do ar, a latitude, entre outros factores. Se existe na Troposfera
uma agitação atmosférica, com muitas correntes de convecção, a Tropopausa tende a se
elevar. Isto se deve ao aumento do volume do ar na troposfera, este aumentando, por
consequência, empurrará a tropopausa para cima. Ao subir a tropopausa esfria, pois o ar
acima dela está mais frio.

2.2.3. Estratosfera

Em contraste com a Troposfera, a temperaturas na Estratosfera é o resultado da absorção


directa da radiação solar e aumentam com altitude crescente. Apresenta pequena
concentração de vapor de água e temperatura constante até a região limítrofe, denominada
Estratopausa. Outra característica distintiva da Estratosfera é a absorção de radiação
ultravioleta pelo ozônio (O3). Isto é maior ao redor de 50 km, próximo a Estratopausa, que é
também onde as temperaturas atingem valor máximo (0 oC no topo), dependendo da latitude e
estação. Quanto aos movimentos atmosféricos, vale ressaltar que, nesta camada, devido a seu
perfil estável de temperatura “frio” por baixo, e “quente” por cima, observa-se ausência quase
completa de movimentos verticais.

2.2.4. Estratopausa

A Estratopausa é a camada de transição que está situada entre a Estratosfera e Mesosfera.


Caracteriza-se, em relação à temperatura, pela isotermia, com temperatura em torno de 0 oC, e
tendo sua espessura média entre 3 a 5 km.

2.2.5. Mesosfera

Na Mesosfera a temperatura diminui substancialmente com a altitude, chegando até a -90º C


em seu topo. Esta camada situada entre a Estratopausa em sua parte inferior e a Mesopausa
em sua parte superior, entre 50 a 85 km de altitude. É na Mesosfera que ocorre o fenômeno
da aeroluminescência das emissões da hidroxila, que geralmente é confundida com as
auroras.

2.2.6. Mesopausa

A Mesopausa é a região da atmosfera que determina o limite entre uma atmosfera com massa
molecular constante de outra onde predomina a difusão molecular. Ela apresenta isotermia e
espessura média de 10 km, com limites de 80 e 90 km.

2.2.7. Termosfera

Acima da Mesopausa, está a Termosfera, onde a temperatura é inicialmente isotérmica e


depois aumenta rapidamente com a altitude, como resultado da absorção de ondas muito
curtas da radiação solar por átomos de oxigénio e nitrogénio. Ela estende se por centenas de
quilômetros em direcção ao espaço, sendo seu limite superior considerado como o “Topo da
Atmosfera”, a 1.000 km de altitude. Embora as temperaturas atinjam valores muito altos,
estas temperaturas não são exatamente comparáveis àquelas experimentadas próximas a
superfície da Terra. Essa camada é também conhecida como Ionosfera.
2.3. Propriedades da atmosfera
2.3.1. Pressão e Densidade
 Balanço Hidrostático

Com excelente aproximação, a pressão medida sobre qualquer ponto dentro da atmosfera é
igual ao peso por unidade de área da atmosfera acima desse ponto, isto é, a atmosfera está
essencialmente em balanço hidrostático.

Equilíbrio hidrostático: é um conceito da mecânica dos fluidos significando um balanço entre


o campo gravitacional e o gradiente de pressão.

 Pressão como uma Coordenada Vertical

Na meteorologia é comum usar a pressão p ao invés da altitude z como coordenada vertical,


isto é, como uma medida de onde você está verticalmente na atmosfera

.
A altitude geométrica z associada com uma pressão particular não é constante, mas varia de
alguma forma de tempo em tempo e de local para local.

 Densidade Atmosférica

Próximo ao nível do mar, um valor típico da densidade do ar é cerca de 1,2 kg.m 3, isso é
cerca de 1/800 avos da densidade da água, que é de cerca de um quilograma por litro, ou
1000 kg m3.

Sob uma pressão maior, próximo da superfície, o ar será comprimido para uma maior
densidade do que no caso em baixas pressões (maiores altitudes), onde deve apresentar uma
densidade mais baixa.
2.3.2. Temperatura

Quantidade que determina a direcção na qual a energia térmica (calor) escoará quando dois
objectos forem colocados em contacto um ao outro. No nível microscópico, a temperatura de
uma particular substancia é proporcional à energia cinética média de suas moléculas.

2.4. Fundamentos da Dinâmica do Voo

A dinâmica do voo é regida por princípios da física clássica, especialmente a mecânica de


Newton, a termodinâmica atmosférica e a aerodinâmica. A aeronave é um corpo em
movimento imerso em um fluido compressível (a atmosfera), sujeito a forças externas e
internas que determinam sua trajectória, velocidade e estabilidade.

2.4.1. Leis de Newton Aplicadas ao Voo

1ª Lei – Inércia: Uma aeronave em voo nivelado e constante permanecerá nesse estado até
que uma força externa (mudança de vento, comando do piloto, turbulência) altere sua
trajectória.

2ª Lei – F = m·a: A aceleração da aeronave depende da força resultante aplicada (empuxo,


sustentação, arrasto, peso) e da sua massa. Essa lei é usada para calcular acelerações em
manobras, subida e descida.

3ª Lei – Acção e Reacção: O empuxo gerado pelos motores provoca uma reacção do ar que
impulsiona a aeronave para frente. O ar reage com resistência (arrasto), que deve ser
superado para manter o movimento.

2.5. Efeitos das Grandezas Atmosféricas sobre o Movimento e Equilíbrio


 Temperatura do Ar
 Ar quente → menor densidade → menor sustentação.
 Altitude de densidade aumenta → performance reduzida.
 Motores: menor rendimento térmico em temperaturas elevadas.
 Exemplo operacional: Em aeroportos quentes e elevados, como Joanesburgo ou Quito, a
decolagem exige maior pista e menor carga.
 Pressão Atmosférica
 Menor pressão → menor densidade → menor sustentação.
 Altímetros dependem da pressão para indicar altitude.
 Variações de pressão afectam a estabilidade e podem gerar ventos fortes.
 Aplicação: Pilotos ajustam QNH para calibrar altímetros conforme a pressão local.
 Umidade Relativa
 Ar úmido → menos denso → reduz sustentação.
 Favorece formação de nuvens e nevoeiros → afecta visibilidade.
 Afecta refratividade de ondas de rádio → influencia comunicações e navegação
 Vento
 Vento de proa: melhora performance de decolagem e pouso.
 Vento de cauda: aumenta distância de pouso, pode comprometer segurança.
 Vento cruzado: exige correção de trajetória e técnica de pouso específica.
 Turbulência: pode alterar equilíbrio e causar oscilações perigosas.
 Visibilidade
 Reduzida por nevoeiros, fumaça, chuva intensa.
 Afecta operações VFR (Visual Flight Rules).
 Exige uso de instrumentos em condições IFR (Instrument Flight Rules).
 Aplicação: Aproximações por instrumentos em aeroportos com baixa visibilidade.
 Precipitação
 Chuva intensa: reduz aderência na pista → risco de aquaplanagem.
 Granizo: pode danificar fuselagem e motores.
 Neve: exige procedimentos de degelo e limpeza de pista.
 Impacto operacional: planejamento de alternância e uso de aeroportos com melhor
infraestrutura.

3. Conclusão
A atmosfera terrestre, por sua composição e estrutura, interage simultaneamente com a
radiação solar e terrestre e a superfície terrestre, e assim, estabelece um sistema de trocas
energéticas que explica diversos fenómenos que afectam a vida no Planeta. Esta camada é
essencial para a vida e o funcionamento ordenado dos processos físicos e biológicos sobre a
Terra. A atmosfera protege os organismos da exposição a níveis arriscados de radiação
ultravioleta, contém os gases necessários para os processos vitais de respiração celular e
fotossíntese e fornece a água necessária para a vida.

Na ausência da atmosfera, a vida de nosso Planeta seria bastante difícil, pois teríamos um
aquecimento significativo durante o dia e resfriamento durante a noite. Isso só não ocorre
devido à presença de certos gases na atmosfera, que devido à sua natureza química,
principalmente estrutura molecular, absorvem e reemitem uma fracção significativa da
radiação infravermelha emitida pela superfície terrestre.
4. Referências bibliográficas
 ICAO (2022). Meteorological Service for International Air Navigation.
 UFRRJ. Composição e Estrutura da Atmosfera.
 Artigo: As leis de Newton e a estrutura espaço-temporal da mecânica clássica

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