O Rito Críptico
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6 de abril de 2019
Por Rito Crítico devemos entender um conjunto de graus maçônicos praticados no Rito
de York, também designado como Rito do Arco Real. O termo críptico vem de cripta,
simbolismo que designa “oculto”, “secreto”, pois aqui cuida-se de preservar o mais caro
dos segredos maçônicos, que é a chamada Palavra Perdida.
Nos graus anteriores do Real Arco, a declaração foi posta na recuperação da Palavra
Perdida. Este simbolismo referia-se à própria sobrevivência do Templo do Rei Salomão,
que tinha sido destruído pelos caldeus, e nessa destruição essa Palavra foi perdida (pois
o Templo de Jerusalém era a própria Palavra, consubstanciada num edifício). Assim, a
missão de Zorobabel, o Aterzata, se oficialmente era a de reconstruir Jerusalém e o seu
templo, em termos científicos era também a de recuperar a Palavra Perdida.
Por isto é que todo o desenvolvimento dos graus do Arco Real funciona com este tema,
da mesma forma que os graus filosóficos do Rito Escocês. Assim, se os maçons do Arco
Real se dedicam a recuperar a Palavra Perdida, os maçons da Cripta do Arco Real
dedicam-se-se-ão a preservá-la, para que ela não mais se perca. Desta forma, os
Conselhos de Maçons Críticos formam o corpo central do Rito de York da maçonaria livre
e só podem entrar nesse Conselho os Irmãos que já completaram o caminho do Real
Arco.
A lenda explorada nesses graus refere-se a uma cripta que existiria nas porções do
Templo de Jerusalém, onde Salomão teria escondido certos “tesouros” que seriam
usados para fins específicos. Estes tesouros, provavelmente aqueles que Moisés teria
encerrado na Arca da Aliança, seriam conhecimentos arcanos de especial relevância.
Entre eles estariam, inclusive, o Verdadeiro Nome de Deus e a forma de pronunciá-lo,
pois este era a chamada Palavra Perdida.
Diz a lenda que Salomão escolheu um grupo de mestres Maçons para formar uma
guarda especial, com o intuito de proteger a Cripta e seus preciosos conteúdos. Estes
eram irmãos que já possuíam a Palavra, ou seja, simbolicamente eram maçons do Real
Arco que já conheciam. Como se tornaram guardiões da criptografia dos segredos,
passaram a ser chamados de Maçons da Cripta ou Críticos. Nessa cripta, desenvolviam
o trabalho das suas Lojas, cuja função era sempre o estudo das maneiras de conservar a
Palavra Perdida.
Ressalta-se que no Rito Escocês esta lenda também é trabalhada, com um conteúdo
idêntico e uma mesma finalidade. Nos graus filosóficos do R∴ E∴ A∴ A∴, as atividades
também são realizadas no sentido de “reconstruir” o Templo de Jerusalém, ou seja,
recuperar o “ensinamento arcano” que Deus dera aos construtores do Templo de
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Jerusalém, na forma das ciências permitir para a construção daquele edifício sagrado,
que era, na verdade, um verdadeiro simulacro do universo. Esta disposição estaria nas
próprias instruções que Deus teria dado a Moisés para a construção do Tabernáculo, e
depois a Salomão e Adonhiram (Hiram Abiff) para a construção do Templo, que na
verdade, nada mais era que o próprio Tabernáculo erigido em alvenaria. A diferença entre
o Rito de York (Arco Real) e o Rito Escocês está apenas na forma em que essa estrutura
simbólica é desenvolvida. Se no Arco Real, os maçons que recuperam a Palavra Perdida
se tornam Maçons Crípticos, os maçons do Rito Escocês que completam os graus
filosóficos tornam-se Cavaleiros Kadosh, que equivalem, na simbologia do Arco Real,
aos maçons da Cripta. Haja vista que os Irmãos do Rito Escocês, ao se tornarem
Cavaleiros Kadosh, no grau 32, também irão penetrar na Cripta dos Grandes Filósofos,
onde irão descobrir o segredo final da escalada maçónica, que se revelam nas oito
colunas da sabedoria. [1]
Já no Rito de York (Arco Real), a ênfase é posta na guarda da Palavra Sagrada, que
tanto poderia ser o Nome Inefável de Deus, como a sabedoria que Ele teria confiado a
Moisés quando mandou este fazer a Arca da Aliança, pois na Bíblia lê-se que, além das
Tábuas da Lei, Deus mandou Moisés depositar na Arca o “ testemunho que Eu hei de te
dar”. [2]
Esse testemunho seria a Palavra Sagrada, ou a própria sabedoria contida nas instruções
usadas pelos arquitetos do Templo de Jerusalém para construí-lo, pois essas instruções
estariam a própria fórmula pela qual Deus construiu o universo. Esta é, pelo menos, uma
simbologia usada pela maçonaria, que se resume no segredo da Letra G.
Os trabalhos desenvolvidos pelas maçons da Cripta ocorreram em três Graus que são
chamados de Mestre Real, Mestre Escolhido e Super Excelente Mestre.
Os trabalhos dos dois primeiros graus são desenvolvidos na Cripta subterrânea sob o
Templo do Rei Salomão. Já o grau de Super Excelente Mestre é conferido às maçons
crípticos como preparação para a sua elevação ao Cavaleiro Templário, título que ele
receberá ao ser-lhe conferido a Ordem da Cruz Vermelha, que constitui a sua iniciação
para participar das Comendadorias dos Cavaleiros Templários. [3]
O Mestre Real é aquele que aprende a sabedoria contida na sabedoria depositada na
Arca da Aliança. Aprenda o por quê de toda a liturgia preconizada por Moisés para
aqueles que iriam servir no Santo dos Santos. Conhece a razão de toda a ritualística
prevista na Bíblia para a construção do Tabernáculo, da Arca e do Templo de Salomão,
pois essa sabedoria é a fórmula pela qual o Grande Arquiteto do Universo construiu o
mundo. Este é o conhecimento essencial que um verdadeiro mestre Maçon precisa
possuir. Sem esta sabedoria ele não entenderá a liturgia e a filosofia da verdadeira
maçonaria. O presidente da Loja do Mestre Real é o próprio Salomão e as dignidades da
Loja são personagens de sua corte.
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Já o Mestre Escolhido remete-se à lenda do Secretário íntimo do Rei Salomão, também
existente nos graus filosóficos do Rito Escocês. Os trabalhos desse grau são
desenvolvidos na abóbada do Templo do Rei Salomão. Os acontecimentos que
caracterizam o grau são bastante excitantes, proporcionando-lhe grande interesse
filosófico. A cerimónia ritualística contém a história que completa o “Círculo de Perfeição”
da antiga Maçonaria operativa. Refere-se a um secretário de nome Joabem, que teria
arriscado a própria vida para não quebrar a lealdade que ele desviou ao Rei Salomão. E
o grau que sobreleva, sobre todas as virtudes, a lealdade e o zelo. [4] O Super Excelente
Mestre, como dissemos, está relacionado com os acontecimentos que levaram à
recuperação da Palavra perdida. História da destruição do primeiro templo, os motivos
pelos quais isso aconteceu, a saga dos judeus para reconstruir o segundo templo e todos
os esforços físicos e espirituais para que esse grande trabalho de maçonaria fosse
realizado. Mostra que a destruição do primeiro templo representou a perda da Palavra e
a fuga do segundo templo foi a recuperação da Palavra. Para que esta Sabedoria seja
conservada e não mais se perca é preciso uma residência moral do próprio espírito
humano, no qual seus vínculos sejam substituídos por virtudes. Pois se foi a
degeneração moral do povo eleito que encheu a ruína, será uma virtude dos novos
eleitos que proporcionará a glória de uma Nova Aliança.
E de posse desses conhecimentos, o Irmão do Real Arco, agora um Maçon Crítico estará
em condições de receber a sua comenda como Cavaleiro Templário. [5]
João Anatalino Rodrigues
[1] Vide a nossa obra “Mestres do Universo” publicada pela Ed. Biblioteca 24×7. No Rito
Escocês essa alegoria define-se pelos ensinamentos dos grandes filósofos, entendidos
como sendo os mensageiros de Deus para trazer aos homens a verdadeira sabedoria. É
interessante observar que aqui se percebem diferentes concepções filosóficas que
inspiraram a maçonaria especulativa em seus primórdios. Na maçonaria do Arco Real,
que provavelmente teve origem nas camadas mais conservadoras da sociedade
britânica, que constituíam uma aristocracia, a maioria das maçons pertenciam ao partido
Torie. Estavam mais ligados à tradição cavalheiresca e por isso divulgaram nos seus ritos
muita alusão a temas ligados aos cavaleiros templários e hospitalares, razão pela qual os
três graus finais do Rito de York se remetem às chamadas Comendadorias Templárias,
numa clara remissão a essa famosa Ordem de Cavalaria. Pretende-se, com essa
alegoria, fazer dos maçons do Arco Real, protetores da Cripta, os herdeiros dos segredos
dos templários. Esta lenda, ainda hoje, rende muita literatura e filmes, pois os maçons
americanos, praticamente os criadores do Rito do Real (ou pelo menos os seus
praticantes mais eficazes) descobriram hoje os guardiões do tesouro templário. Veja-se a
esse propósito o filme “O Tesouro Perdido”, com Nicolas Cage e o romance “O Símbolo
Perdido”, de Dan Brown. Historicamente, o Rito de York seria uma dissidência do Rito
Escocês, fundado pelos jacobitas (apoiantes da família da Stuart), pois enquanto os
jacobitas (praticantes do Rito Escocês) apoiavam a volta dos Stuarts ao trono inglês, os
Irmãos do Real Arco, na sua maioria do partido dos Wiggs, apoiavam a Revolução
Gloriosa, que colocou a Casa de Hannover no trono da Inglaterra. Ver a esse propósito a
excelente obra de Frances Yates, “O Iluminismo Rosacruz”, publicada pela Ed. Cultrix.
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[2] Êxodo, 25:16.
[3] Supõe-se que os Cavaleiros Templários eram detentores de verdadeiros segredos
arcanos que não podiam ser revelados às pessoas comuns, pois proporcionavam a
destruição da ordem vigente. Estes cavaleiros também eram possuidores de um tesouro
riquíssimo. Seria a posse desses segredos e desse tesouro que terminou a extinção da
Ordem e a execução dos seus líderes na fogueira. Os tais segredos nunca foram
revelados e o tesouro nunca foi encontrado. A este propósito recomendamos a leitura da
nossa obra “Guerreiros da Luz”,
[4] Veja-se a nossa obra “Conhecendo a Arte Real” publicada por Madras, os
comentários sobre o desenvolvimento dessa lenda no Rito Escocês.
[5] Supostamente, este era um rito desenvolvido pelos próprios cavaleiros templários.
Ver a nossa obra “Guerreiros da Luz”, já mencionado.
A Importância dos Graus Simbólicos
Rituais e Ritos
A espiritualidade do Rito Escocês Antigo e Aceite
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roupas entre os Ritos
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