REVISTA DO LABORATÓRIO DE ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA DA UEPB
ISSN 2179 - 8168
A ARTE RUPESTRE DO SERIDÓ
Ian Victor S. Cordeiro1
1 iancordeira1@[Link]
Revista Tarairiú, Campina Grande - PB, Ano XI – Vol.1 - Número 18 – janeiro / junho de 2021
ISSN 2179 8168
ABSTRACT:
The rock art are paintings and engravings found on panels and rock shelters. Composed of various forms,
such as marks left by prehistoric peoples, indicate the passage, daily life, history and messages, which could
have been a form of language, but which today are enigmas to be deciphered by archaeologists from all over
the world. Rock art today is defined by two types (Paintings and Engravings), various traditions and some sub-
traditions, which vary according to the forms of the arts, methodologies and trends in archaeological sites.
No Seridó Paraibano, specifically not Seridó Oriental, we usually encounter arts from the Agreste, Nordeste
and Itacoatiara traditions. When observing the archaeological sites previously known in the area under
analysis, locating studies, bibliographic sources and research in progress, the article will bring concepts,
preconceptions and technical readings of what they represent; as made up; and their importance as objects
of study, understanding and perspectives for tourism and science.
INTRODUÇÃO:
As artes rupestres são pinturas e gravuras encontradas normalmente em
painéis e abrigos rochosos. Compostas de variadas formas, as marcas deixadas por povos
pré-históricos indicam a passagem, cotidiano, observações e mensagens, que pudera ser
uma forma de linguagem, mas que hoje são enigmas a serem decifrados por arqueólogos
do mundo todo. As artes rupestres, atualmente, são definidas por dois tipos (Pinturas e
Gravuras), várias tradições e algumas sub-tradições, que variam de acordo com as formas das
artes, das metodologias e das localizações dos sítios arqueológicos2. No Seridó Paraibano,
especificamente no Seridó Oriental, nos deparamos habitualmente com artes das tradições
Agreste, Nordeste e Itacoatiara. Ao observar os sítios arqueológicos até então conhecidos
da área em análise, localizando estudos, fontes bibliográficas e pesquisas em andamento,
o artigo trará conceitos, pré-conceitos e leituras técnicas de o que representam; como
confeccionadas; e sua importância como objeto de estudos, entendimento e perspectivas
para o turismo e para a ciência.
1.0 - A ARTE RUPESTRE E SUAS TRADIÇÕES
A arte rupestre é uma marca deixada pelos povos pré-históricos há milhares de anos e
que ainda são um dos grandes mistérios da humanidade. São encontradas no mundo todo
2 sítio arqueológico é um local onde é possível encontrar evidências de atividades humanas, tais como pinturas rupestres,
construções antigas, túmulos e artefatos que simbolizam e representam determinado momento histórico da região.
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e com variadas formas de confecção, de expressão e tradições. Visitar um sítio arqueológico
pré-histórico para analisar e tentar ler ou decifrar marcas conservadas pelo tempo tornou-se
até dias de hoje atividade de lazer e trabalho de pesquisa de muitas pessoas. A humanidade
busca por respostas para todas as indagações e nessas buscas por respostas para inquietações é
que se encontram os desenvolvimentos filosóficos e tecnológicos, seja de grande ou pequena
relevância e escalas locais ou globais
“Acredita-se que a arte rupestre tenha surgido no Paleolítico superior, entre 40.000
e 11.000 anos AP (Antes do Presente), no seio de grupos humanos que dominavam
o fogo, possuíam tecnologia diversificada de produção de instrumentos de pedra
lascada e que, em termos de constituição física, eram semelhantes ao homem
moderno.” (VIANA, BUCO, SANTOS, SOUSA. 2016. p. 2.).
Pinturas e Gravuras em painéis rochosos que encontramos nos sítios arqueológicos tem
variadas formas de interpretação e leitura. Com observações e comparações, foi definido
algumas tradições, para que assim, possa melhor definir e entender qualquer forma de
padrão que possa algum dia vir a ser entendido cientificamente e socialmente.
“O conceito de tradição compreende a representação visual de todo um universo
simbólico primitivo que pode ter sido transmitido durante milênios sem que,
necessariamente, as pinturas de uma tradição pertençam aos mesmos grupos
étnicos, além do que poderiam estar separados por cronologias muito distantes”
(MARTIN, 2005, P. 234)
Martin orienta que as tradições distingue as artes para uma organização representativa,
ainda que não tenham sido feitas por um grupo homogêneo, uma organização cultural
singular, mas que estão distantes por milhares de anos entre si e entre nós. Prous leva em
consideração as técnicas, formas e localização das artes, para definir uma tradição.
“Estilos são frequentemente definidos como subdivisões (Prous, Guidon). (..) Do
Sul para o norte, descreveremos nove tradições, algumas das quais aparecem
concomitantemente nos mesmos sítios ou painéis”. (PROUS, 1992, P. 511)
Das nove, destacam-se oito tradições observadas por André Prous: Tradição Nordeste;
Tradição Meridional; Tradição Agreste; Tradição Planalto; Tradição São Francisco; Tradição
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Catarinense; Tradição Geométrica; Tradição Amazônica;
Fig. 1 – Mapa das tradições rupestres no Brasil.
Fonte: Arqueologia Brasileira. Prous, 2012.
Na região em análise encontramos costumeiramente três tradições: Tradição Agreste,
Tradição Nordeste e Itacoatiara.
1.1 - TRADIÇÃO AGRESTE
A Tradição Agreste no estudo das artes nos indica figuras estáticas e de tamanho
consideravelmente vasto, e sem representação de cenas. Caracteriza também pinturas
antropomorfas e zoomorfas com poucos detalhes, mas, medindo grandes proporções em
relação a figuras de outras tradições. No Seridó existem centenas de sítios arqueológicos
dessa tradição, como no exemplo a seguir (fig. 2):
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Fig. 2 – Figura Rupestre Agreste. Sítio Arqueológico Ave Grande – Pedra Lavrada.
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020).
No exemplo acima detectamos um zoomorfo da Tradição Agreste, caracterizada pela
tinta, por seu tamanho e por sua expressão - uma imagem estática.
A tradição é resultado de pesquisas no agreste pernambucano e paraibano, sendo
referência pela localização geográfica dos estudos.
Na Tradição Agreste temos algumas subtradições, como por exemplo a Subtradição
Cariris Velhos, que é encontrada em Pernambuco e Paraíba, próximos a leitos de rio e em
formações graníticas arredondas, como defende Martin:
“Os grafismos e painéis da sub-tradição Cariris Velhos nunca aparecem em abrigos
e paredões no alto das serras e, tanto na Paraíba como em Pernambuco, os lugares
preferidos são os matacões arredondados de granito que emergem pela erosão,
nas rochas mais brandas, nos vales e nas encostas das serras, destacando-se na
paisagem”. (MARTIN, 2005. p.p. 275-276.)”.
No entanto quando se observa a microrregião em análise devemos questionar a presença
de uma subtradição cariris velhos por falta de registros de acordo com as características
citadas anteriormente. Comumente é encontrado abrigos graníticos e formações rochosas
contendo Tradição Agreste localizados nos altos das serras, relativamente longe de reservas
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de água, e, os poucos registros conhecidos atualmente não se nota diferença na qualidade
nem nas expressões contidas das figuras encontradas em quaisquer outras localidades. Com
isso, dentre as subtradições até hoje certificadas, não há uma que seja vinculada ao Seridó
Oriental Paraibano. Portanto é uma indicação para uma pesquisa científica, uma subtradição
da tradição Agreste no Seridó.
As misteriosas marcas de mãos, marcas de dedos, antropomorfos e zoomorfos de grande
expressão são encontradas na região, indicando a presença humana pela área, em pelo menos
cinco mil anos.
Fig. 3 – Marcas de mãos. Sítio Arqueológico Ave Grande, Pedra Lavrada-PB.
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020).
Fig. 4 – Marcas de dedos. Sítio Arqueológico da Serra das Porteiras, Nova Palmeira-PB
Crédito da imagem: Raony Borges (2020)
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A imponência dos sitios arqueológicos da Tradição Agreste na região é admirável. Nota-
se que a qualidade gráfica não se restringe a tradições e/ou regiões, no entanto a Tradição
Agreste é considerada por Martin, inferior à Tradição Nordeste.
“Com técnica gráfica e riqueza temática inferiores à tradição Nordeste, outros grupos étnicos de
caçadores pré-históricos marcam sua presença no Nordeste brasileiro: o registro rupestre que os
caracteriza tem sido chamado de tradição Agreste.” (MARTIN, 2005. P. 271).
Em uma analogia aos movimentos artísticos e salientando a diferença das eras,
consideramos que cada tradição tem seus propósitos, significados e, talvez ultilidade,
mediante as necessidades temporais e visões futuristas, que é dom de todo artista.
1.2 - TRADIÇÃO NORDESTE
Tradição Nordeste das artes rupestres são grafismos que tem uma representatividade
mais sugestiva que a tradição Agreste. São normalmente cenas de caça, rituais, sexo e afins.
Nesta tradição observamos um sentido de movimento, cria-se facilmente cenas do dia a dia
dos antepassados num cenário árduo de uma vida onde a resistência e coragem são etapas
inevitáveis para sobreviver.
A tradição em questão é fruto de observações e um longo trabalho iniciado potencialmente
no Piauí, a partir de São Raimundo Nonato. Com a colaboração e empenho de pesquisadores
como Anne Marrie e, principalmente Niède Guidon, a Serra da Capivara3 tornou-se referência
internacional em riqueza arqueológica, sendo facilmente considerado o maior complexo
arqueológico do Brasil, sendo este, o pilar central dos estudos da tradição
3 O Parque Nacional Serra da Capivara é uma unidade de conservação de proteção integral à natureza localizada no Piauí.
Contém milhares de sítios arqueológicos, sendo também um grande complexo arqueológico brasileiro.
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Fig. 5 – Pinturas da tradição Nordeste. Serra da Capivara-PI.
Crédito da imagem: Pedro Santiago/G1 (2014).
Acima temos um exemplo de tradição Nordeste, pintura que também se tornou símbolo
do parque. Em destaque tem-se alguns antropomorfos e zoomorfos em cenas de movimento,
ou, perseguição em caça, no canto inferior a direita, várias representações antropomórficas
que se supõe ser um grupo de caça em êxtase.
Fig. 6 - Pintura tradição Nordeste, Pedra Lavrada-PB (cores avivadas).
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020).
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Na microrregião Seridó, encontramos dezenas de grafismos da tradição Nordeste que
são encontradas tanto em xistos próximos a rios quanto em graníticos no alto das serras,
não existe um padrão para foco quando se procura sítios arqueológicos desta tradição, nesta
região.
1.3 – TRADIÇÃO NORDESTE – SUBTRADIÇÃO SERIDÓ
A tradição Nordeste divide-se em diversas subtradições, entre elas, a subtradição Seridó,
que se refere justamente a região Seridó potiguar, logo, como faz divisa com o Seridó Paraibano,
implica afirmar que as tribos e aldeias que detinha essa vertente artística, deleitaram-se em
todo setor, sem limites geográficos impostos.
Característica da subtradição Seridó são as “cabeças de castanha”, conhecida também
como cabeça C, pela forma como é expressa a cabeça dos antropomorfos dessa subtradição.
Fig. 7 – Sítio Arqueológico Xique-xique. Carnaúba dos Dantas-RN
Crédito da imagem: Dean Carvalho (2020)
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Na figura 7 é mostrado algumas pinturas encontradas em Carnaúba dos Dantas no Seridó
do Rio Grande do Norte. É possível identificar antropomorfos com a “cabeça de castanha”,
marca da subtradição Seridó, que parte da tradição Nordeste desde a Serra da Capivara no
Piauí.
Fig 8 – Difusão da Tradição Nordeste de pintura rupestre no NE do Brasil.
Fonte: Pré-História do Nordeste do Brasil, 2005. P. 252
O mapa destaca São Raimundo Nonato no Piauí, local onde a tradição Nordeste fora
criada, e, a ligação para a Bahia, Sergipe e a região do Seridó do Rio Grande do Norte, onde é
encontrado assimilações da tradição em Parelhas-RN e Carnaúba dos Dantas -RN. No Seridó
Paraibano já foi registrado em Pedra Lavrada, Nova Palmeira e São Vicente do Seridó figuras
da mesma tradição e subtradição.
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Fig. 8 – Antropomorfos com cabeça de castanha.
Sítio Arqueológico Furna do Nego Zé, Nova Palmeira-PB.
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020)
Fig. 9 – Antropomorfo em situação de combate, caracterizado pela cabeça de castanha.
Sítio Arqueológico da Batalha, Pedra Lavrada-PB.
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020)
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Os sítios arqueológicos que são referências nas figuras 8 e 9 são localizados no Seridó
Oriental Paraibano. Por ora os registros com esses grafismos são mais comuns nas cidades de
Carnaúba dos Dantas-RN, Parelhas-RN, Pedra Lavrada-PB, Nova Palmeira-PB e São Vicente do
Seridó-PB, assim sendo, municípios circunvizinhos deverão localizar dentro de seus limites,
identificar a presença dessa e outras tradições da arte rupestre.
Fig. 10 – Sítio Arqueológico Mirador II Fig. 11 – Sítio Arqueológico de Porcos, São Vicente do
Nova Palmeira-PB Seridó
Crédito da imagem: Raony Borges (2020) Crédito da imagem: Juvandi Santos (2021)
O sítio arqueológico da fig.10 é destaque da tradição nesta região pela singularidade de
suas feições. É também símbolo na logomarca da área de preservação e pesquisa do Seridó
Oriental da Paraíba, a APASOP4
1.4 – TRADIÇÃO ITACOATIARA
Notoriamente a tradição Itacoatiara é a mais abundante em toda a região. Em todos os
9 municípios desta pesquisa há de se registrar sítios arqueológicos desta tradição, sendo esta
muito peculiar pois são formas de petróglifos, uma arte de talhar nas rochas sinais, marcas ou
símbolos bem como figuras razoavelmente identificáveis. Itacoatiara é uma palavra derivada
do tupi que significa “pedra riscada”. A grande referência desta tradição é o sitio arqueológico
Pedra de Ingá, em Ingá-PB.
4 Área de Proteção Ambiental do Seridó Oriental da Paraíba é uma área de preservação e desenvolvimento sustentável
que está a ser criada na região para pesquisas arqueológicas, espeleológicas e paleontológicas, bem como o desenvolvimento do
turismo como fonte de renda alternativa, na região.
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Fig. 12 – Sítio Arqueológico Pedra de Ingá, Ingá-PB
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020)
Referência mundial, em especial para os sítios arqueológicos da tradição Itacoatiara,
a Pedra de Ingá contém mais de 400 petróglifos em baixo relevo por toda sua extensão e
arredores.
Seguindo as margens dos rios que correm pelas terras seridoenses encontram-se centenas
de sítios arqueológicos da tradição Itacoatiara, que por sua vez é caracterizada também, por
em praticamente todos os casos serem localizados em cursos d’água.
“As formas conhecidas de gravuras em pedra são: meia-cana (baixo relevo),
picoteamento, raspagem, alto relevo, pedra de sino e as pseudo-inscrições. Quanto
à técnica utilizada poderia ser o corte, a raspagem ou o simples picoteamento da
pedra, as gravuras variam entre polidas e não polidas”. (SANTOS, 2014. P. 52-53.).
A partir das observações de Santos, partimos para uma observação em campo e
filtragem dos estilos que podemos trabalhar, nos quais enfatizaremos as formas raspagem,
picoteamento e meia-cana, salientando que em alguns casos podemos identificar uma forma
concatenada a outra, caso do picoteamento e raspagem.
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Fig. 13 – Sítio Arqueológico na cidade de Baraúna-PB.
Crédito da imagem: Fagner Giminiano (2020)
Em Baraúna recentemente começou atividades de pesquisas arqueológicas pelo grupo
Desbravadores da Caatinga e fora observado inúmeras gravuras em um sítio arqueológico
com profundidade consideravelmente sublime para a tradição. São várias capsulares com
algumas chegando a serem mais profundas que as de Ingá.
Em São Vicente do Seridó o grupo Caminhos do Seridó em prospecção pelo Rio Seridó
localizou dezenas de marcas pré-históricas pelo leito do rio. Estão abundantemente na tradição
Itacoatiara, observando em picoteamento, raspagem e meia-cana. Um deles, segundo o
arqueólogo Dr. Juvandi de Sousa Santos: “Pode ser o maior paredão rochoso com gravuras
rupestres da Paraíba. Mais de 90 metros, vários painéis com centenas de figuras”.
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Fig. 14 – Sítio Arqueológico em Tenório
Crédito da imagem: Daniel Henrique (2020)
Fig. 15 – Sítio Arqueológico em Nova Palmeira-PB
Crédito da imagem: Grupo Rastros e Pegadas (2020)
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Fig. 16 – Sítio Arqueológico em Cubati-PB
Crédito da imagem: Ktia Santos (2020)
Fig. 17 – Sítio Arqueológico em São Vicente do Seridó
Crédito da imagem: Grupo Caminhos do Seridó (2020)
Dentre centenas de sítios arqueológicos da tradição Itacoatiara na região, dois merecem
melhor atenção, um localizado em Picuí-PB – a Cachoeira do Pedro e outro que é considerado
o principal patrimônio pré-histórico da região – a Pedra de Retumba, em Pedra Lavrada-
PB. Ambos são de extrema importância para a arqueologia nacional por sua imponência,
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características e beleza, também para o turismo e trabalhos históricos municipais e regionais.
Fig. 18 – Cachoeira do Pedro, Picuí-PB
Crédito da imagem: Associação Trilhas na Caatinga (2020)
A Cachoeira do Pedro tem vários painéis que contém mais de 200 figuras em Itacoatiara
e em algumas figuras tem contornos pintados. Tem em picoteamento, raspagem e meia-cana,
alguns a grande maioria são indecifráveis, mas algumas pode-se notar ser representação de
fitomorfos, zoomorfos e antropomorfos. Localizada em próximo a rodovia PB 151 o acesso
é por meio de guias locais do grupo Trilhas na Caatinga. Ponto turístico da cidade de Picuí,
o sítio arqueológico entra no hall de um dos mais importantes da Paraíba, já tendo sido
trabalhado por pesquisadores da UFRN, UFPE e atualmente pela UEPB. Algumas de suas
figuras encontram-se pouco desgastadas devido ao intemperismo natural e também o sítio
já foi alvo de vandalismo por leigos e curiosos desorientados de sua importância. Cabendo
atualmente aos órgãos responsáveis desenvolver programas de conscientização para os
munícipes.
Sítio Arqueológico Pedra de Retumba, localizado a 800 metros do centro de Pedra Lavrada
é o principal patrimônio pré-histórico da região e um dos mais importantes do Brasil. Contendo
mais de 300 petróglifos e algumas pinturas da tradição Agreste, a Pedra de Retumba é ligada em
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imponência à Pedra de Ingá. Responsável pela nomenclatura do município de Pedra Lavrada,
Itacoatiara = pedra riscada - lavrada / gravado - O sítio arqueológico é responsável pelo nome
da cidade onde tem sede. Sendo esta uma a única cidade da Paraíba com topónimo derivado
de uma arte rupestre. Referência em pesquisas científicas e teorias de conspiração, a Pedra
de Retumba tem sobre si variadas tentativas de interpretação atraindo curiosos, caçadores
de tesouros, astrônomos e afins.
Romantizada inclusive no hino municipal, a Pedra de Retumba também é referência: “Da
inteligência e da bravura de um povo, Desbravando um mundo novo, Surgiu Pedra Lavrada.
Pedra por força da natureza, Lavrada pela grandeza, De uma civilização antepassada.”
(CAMPOS.).
Fig. 19 - Pedra de Retumba, Pedra Lavrada-PB
Crédito da imagem: Iraelson Robson Souza (2020)
A Pedra de Retumba é firmada no Complexo arqueológico do Cantagalo, onde encontramos
vários sítios arqueológicos contendo 3 tradições da arte rupestre e algumas sub-tradições
como a sub-tradição Seridó, na tradição Nordeste e a sub-tradição Ingá, nas Itacoatiaras.
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Fig. 20 – Pedra de Retumba, Pedra Lavrada-PB
Crédito da imagem: Ian Cordeiro (2020)
Na figura 17 podemos assimilar a relação ente a Pedra de Retumba e a Pedra de Ingá.
Ambas contém figuras e técnicas de elaboração muito similares, entretanto, a Pedra de
Retumba é composta por muitos capsulares desordenados e com menos complexidade em
relação ao monumento de Ingá.
1.5 – TRADIÇÃO ITACOATIARA – SUBTRADIÇÃO INGÁ
Uma subtradição vem sendo pesquisada e já é uma realidade na Paraíba, a subtradição
Ingá, das Itacoatiaras. Conhecendo os incontáveis sítios arqueológicos dessa tradição
pela Paraíba, o LABAP (UEPB) com a coordenação do arqueólogo Juvandi de Sousa Santos
desenvolveu pesquisas em pelo menos 53 municípios iniciais (2015), hoje todo o estado está
em análise.
As características de localização, estilo, técnica e formas são pilares para a qualificação dos
sítios nessa subtradição, afim de melhor entender o dia-a-dia desses povos que marcaram as
rochas em pelo menos 8 000 anos atrás. No seridó paraibano muitos sítios já foram designados
nessa nova pesquisa, incluindo os sítios Cachoeira do Pedro e Pedra de Retumba.
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“São sulcos profundos, atingindo até 8 mm, e largos: há registros de outras Itacoatiaras
na região onde desenvolvemos nossas pesquisas com sulcos semelhantes e
apresentam essa mesma profundidade, entre 8 e 5 mm. O interior côncavo é muito
bem polido e boleado. Geralmente, as superfícies utilizadas para esta técnica, são
previamente polidas por meios naturais ou antrópicos”. (SANTOS, 2015. p. 25.).
Segundo o pesquisador Santos, o objetivo principal é traçar um perfil estilístico da
tradição na Paraíba e, consequentemente, uma subtradição.
1.6 - CONSIDERAÇÕES FINAIS
A arte rupestre no seridó paraibano é algo que já merecia ser explorado, pesquisado e
ensinado há muitos anos. Pelo conhecimento nacional e internacional dos sítios arqueológicos
localizados nas cidades, o potencial dos complexos arqueológicos e pelo desenvolvimento
que as cidades vizinhas potiguares já desenvolveram ao longo dos anos passados.
O crescimento dos grupos de trilheiros das cidades é peça chave nos andamentos das
atividades arqueológicas. Vale ressaltar a importância dos grupos: União Caatinga; Rastros e
Pegadas; Caminhos do Seridó; Desbravadores da Caatinga e Trilhas na Caatinga. Até então a
maioria das organizações são autônomas e seus membros conhecem os municípios em cada
potencial histórico e turístico.
A ligação com a Universidade Estadual da Paraíba, trazendo a academia para as pesquisas
científicas sobre nossa pré-história é algo que está fazendo com que essa geração se interesse
por história, história local e desenvolva um sentimento de pertencimento à localidade de seu
nacimento e crescimento.
A arte rupestre, assim como muitos desenhos famosos mundo a fora é uma arte
que atravessa os milênios e que, talvez os únicos intérpretes leais sejam quem um dia as
confeccionaram. São formas, tradições e subtradições que nos indicam um pouco o que era a
vida há milhares de anos, por isso sua importância para a arqueologia, história, antropologia,
sociologia, entre a maioria das ciências sociais e humanas. As marcas nas rochas são registros
de um conhecimento que talvez ainda não conhecemos. Como um físico ou um químico
registra suas descobertas, os povos primitivos registravam as suas. Pode ser escrita, arte
pela arte ou uma grande observação astronômica, são inúmeras interpretações, mas o que
importa é que “A arte rupestre é a arte original do Brasil” (CORDEIRO, 2020. p. 51.). Não se
sabe o que diz lá, mas foi importante para alguém um dia. Reflita.
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1.7 - REFERENCIAS
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Nogueira, Monica. BORGES, Fabio Mafra. Levantamento de sítios arqueológicos a céu aberto na Área
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1.8 - LINKS
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