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Valor do Dinheiro no Tempo: Conceitos e Cálculos

O documento aborda a importância do estudo do valor do dinheiro no tempo, destacando conceitos como valor futuro, valor presente e amortização de empréstimos. Ele explica como calcular o valor futuro e presente de anuidades e séries de recebimentos desiguais, além de discutir a determinação da taxa de juro e a amortização de empréstimos. O entendimento desses conceitos é crucial para a gestão financeira eficaz.
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Valor do Dinheiro no Tempo: Conceitos e Cálculos

O documento aborda a importância do estudo do valor do dinheiro no tempo, destacando conceitos como valor futuro, valor presente e amortização de empréstimos. Ele explica como calcular o valor futuro e presente de anuidades e séries de recebimentos desiguais, além de discutir a determinação da taxa de juro e a amortização de empréstimos. O entendimento desses conceitos é crucial para a gestão financeira eficaz.
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VALOR DO DINHEIRO NO TEMPO

 Importância do seu estudo;


 Valor futuro;
 Valor presente;
 Valor futuro de uma anuidade;
 Valor actual de uma anuidade;
 Valor actual e futuro de uma série de recebimentos desiguais;
 Amortização de empréstimo.

4.1. Importância do estudo do valor do dinheiro no tempo


O valor do dinheiro no tempo refere-se ao dinheiro que ele tem hoje podendo não ser o mesmo
amanhã. O dinheiro vale mais hoje do que amanhã.
A importância do estudo do valor do dinheiro no tempo, é que, os gestores financeiros devem
saber que uma unidade monetária hoje, vale mais do que amanhã mesmo não considerando as
flutuações que a moeda vai sofrer. Os gestores deverão saber prever o valor do dinheiro no
futuro em função dos factores que determinam o valor do dinheiro no tempo, para que o valor
presente seja equivalente ao valor futuro. Neste contexto temos que nos recordar dos conceitos
de matemática financeira e considerar o que a seguir se aborda.

4.2. Valor futuro (future value – FV)


É aquele que permite fazer ideia, segundo a qual, recebido uma dada quantia de dinheiro, qual o
valor que irá representar num tempo futuro.
Tem que se responder a preocupação de saber o quanto deve ser recebido no futuro por um
investimento que se faz hoje sob uma dada taxa de juro.

Por exemplo: Se recebermos 100 cts hoje, qual seria o valor a receber depois do dinheiro ser
posto a render juros?

Passado o 1º ano = 100x1,05 = 105 cts


Passado o 2º ano = 105 x1,05 = 110,25 cts
Neste caso 100 cts iniciais venceram juros e esses juros produziram novos juros, vejamos.

1
100x1,05 = 105 cts
5x1,05 = 5.25 cts
110,25 cts

Aqui estamos perante uma composição, é o caso do regime composto. A composição é uma
função exponencial.

Consideremos:
K = taxa de juro ou custo de capital
n = tempo que está em análise
V0 = Valor actual ou PV (present value)
t = período de referência
VFn = Valor futuro ou FVn (future value)

FVn = PV*(1 + k)n

ou

FVn = PV*(FVIFk,n)

(1 + K)n = FVIFk,n – Factor de capitalização/composição

Consideremos os dados do exemplo anterior:


PV = 100
K = 5%

Se n= 1 FV1 = 100*(1 + 5%)1 = 105 cts


Se n = 2 FV2 = 100*(1 + 5%)2 = 100 + 1,1025 = 110,25 cts

2
O factor de capitalização pode crescer com o crescimento da taxa de juro ainda que mantendo
constante o tempo e vice-versa, pode crescer com o passar do tempo ainda que mantendo
constante a taxa de juro.
O factor de capitalização (FVIFk,n) cresce mais rapidamente se o tempo e juros crescerem ao
mesmo tempo.

O valor futuro (FV) nunca é inferior ao valor presente (PV), ou por outra, o factor de
actualização nunca é inferior à unidade.
Uma taxa de juro igual a zero significa não haver custo de capital.

4.2.1. Métodos para calcular o valor futuro (FV)


 O valor futuro (FV) pode ser calculado usando as tradicionais tabelas financeiras onde se
encontram os factores de capitalização.
 O Valor futuro (FV) pode ser calculado com a utilização das calculadoras financeiras.
 Na última hipótese pode-se usar uma qualquer calculadora científica visto que possui
uma função exponencial.

4.3. Valor actual ou valor presente (present value – PV)


Aqui o objectivo é inverso. É para orientar alguém a receber hoje um valor que é prometido para
o futuro, ou seja, se um dado valor é oferecido no futuro, quanto devíamos receber hoje? Qual é
o montante hoje que corresponde a um certo valor futuro?
Portanto, o valor actual/valor presente é o valor hoje de um fluxo ou uma série futura de fluxos
de caixa.

Assim temos:

FVn
PV =
(1+K)n ;

PV = FVn*(1 + K)-n ;

3
1
PV =
(1+K)n

1
Se = PVIFk,n = Present value interest factor (factor de actualização), teremos:
(1+K)n

PV = FVn*(PVIFk,n)

1
Também, PV =
FVIFk,n

Suponhamos que temos que receber uma quantia de 110,25 cts daqui a 2 anos. Quanto receberia
hoje se a taxa de juro for de 5%?

Dados:
FV2= 110,25
n=2
K = 5%
PV = ?

Resolução:
PV = FVn*(PVIFk,n)
PV = 110,25*(PVIF5%,2) = 100 cts

4.4. Valor futuro de uma anuidade


Uma anuidade ou renda é definida como uma série de pagamentos ou recebimentos de um valor
fixo durante um número específico de anos. É preciso saber quando o pagamento é feito (no fim
ou no início do período).

Há dois tipos de anuidades:

4
 Diferidas ou ordinárias ou ainda, posticipadas – no fim do período
 Antecipadas; dão-se no início do período.
4.4.1. Anuidade diferida ou posticipada

n
FVAn= PMT * ∑(1 + K)n-1
t=1

FVAn = Valor futuro de uma anuidade


PMT = Payment = anuidade = pagamento

Como a anuidade é diferida, significa que a última anuidade não paga juros porque faz-se no fim
no ano.

FVAn = PMT*(FVIFAK,n)

Onde: n
FVIFAK,n= ∑(1 + K)n-1
t=1

Por exemplo, recebo agora como pagamento anual, 1000 cts e deposito num banco que paga
juros à taxa de 4%. Quanto receberia no final do 4º ano?

PMT = 1000 cts


K = 4%
n=3
FVA3 = ?
0 1 2 3

1000 1000 1000

5
FVA3 = 1000(FVIFA4%,3)

3
FVA3 =1000* ∑ (1+ 4%)3-1
t=1

FVA3 =1000* (1,042 + 1,041 + 1,040)

= 1000*3,1216
= 3.121,6 cts
(O 1º mil tem juros de 2 anos, o 2º mil tem juros de 1 ano e o 3º mil não tem).

4.4.2. Anuidade antecipada


Os depósitos são feitos no início do ano e o juro é vencido no início de cada período. Haverá
capitalização de mais um período.
n n
FVAn = PMT* ∑(1 + K)n-1*(1 + K) = PMT* ∑(1+K)n
t=1 t=1

FVAn = PMT*(FVIFAK,n)*(1 + K), onde (1+K) é um factor de correcção.

No nosso exemplo teremos:


0 1 2 3
4% 4% 4%

1000 1000 1000 FV?

FVA3 = 1000*(3,1216)*(1 + 4%)


= 3.246,46 cts
Ou
FVA3 = 1000(1+4%)3 + 1000(1+4%)2 + 1000(1+4%)1=
= 3.246,46 cts

6
4.5. Valor actual de uma anuidade
Ao invés de receber anuidades em cada ano, podemos receber todo o valor hoje.
Como já foi dito, podemos ter anuidades posticipadas e anuidades antecipadas. A ideia é que,
quanto iria receber hoje no lugar de pagamentos anuais durante (por exemplo) 10 anos.

4.5.1. Anuidades posticipadas

n
PVAn = PMT* ∑(1 + K)-n
t=1

n
Sendo, ∑(1+ K)-n = PVIFAK,n
t=1

PVAn = PMT*(PVIFAK,n)

Por exemplo:
PMT = 1000 cts
K = 4%
n = 3 anos
PVAn = ?

PVA3 = PMT (PVIFA4%,3)


3
= PVAn = 1000* ∑(1 + K)-n
t=1
= 1000(1,04-3+1,04-2+1,04-1)
= 1000*2,77509
=2.775,10 cts

7
4.5.2. Anuidades antecipadas

n
PVAn = PMT* ∑(1 +K)-n*(1+K)
t=1

Ou
PVAn = PMT*(PVIFAK,n)* (1+k)

Com base no exemplo anterior, neste caso seria:


PVA3 = 1000*(2,7751)*(1+4%) = 2.886,10 cts

4.6. Valor futuro e actual de uma série de recebimentos desiguais


Ao invés de receber anuidades em cada ano, podemos receber todo o valor hoje.
Como já foi dito, podemos ter anuidades posticipadas e anuidades antecipadas. A ideia é que,
quanto iria receber hoje no lugar de pagamentos anuais durante (por exemplo) 10 anos.

4.6.1. Valor futuro de uma série de recebimentos desiguais

 Antecipados

n
FVAn = ∑PMTi*(1+ K)n
t=1

Ou

n
FVAn = ∑PMTi*(FVIFAK,n)*(1+K)
t=1

8
 Posticipados
n
FVAn = ∑PMTi*(1+ K)n-1
t=1

Ou

n
FVAn = ∑PMTi*(FVIFAK,n)
t=1

4.6.2. Valor presente de uma série de recebimentos desiguais


 Posticipados

n
PVAn = ∑PMTi*(1+K)-n
t=1

Ou

n
PVAn = ∑PMTi*(PVIFAK,n)
t=1

 Antecipados

n
PVAn = ∑PMTi*(1+K)-n*(1+k)
t=1

Ou

n
PVAn = ∑PMTi*(1+K)1-n
t=1

9
4.7. Determinação da taxa de juro

A taxa de juro é determinada a partir das fórmulas dos casos anteriormente referidos e
recorrendo as tabelas financeiras. Se precisarmos de uma exactidão da taxa de juro teremos que
fazer a interpolação linear.

4.8. Amortização de empréstimo


A amortização de empréstimo, consiste numa tabela construída para efeitos de cumprimento do
pagamento de débitos financeiros.
Temos que conhecer juros e amortizações dum empréstimo para poder fazer uma análise
financeira.
O juro é o custo que vai afectar o lucro, os impostos e a própria rendibilidade da empresa.

Sabemos que, PVAn = PMT (PVIFAK,n)


Quanto será o pagamento anual, PMT?

PVAn
PMT =
PVIFAK,n

Suponhamos que pedimos um empréstimo de 1000 cts à taxa de juro de 10% e é um empréstimo
amortizável em 3 anos. A anuidade é posticipada e é constante.

Dados
Pv = 1000 cts
n=3
K = 10%
PMT = ?

10
n
PVAn = PMT* ∑(1 + K)-n
t=1

PVAn = PMT*(PVIFAK,n)

Portanto:

1000
PMT =
PVIFA10%,3

1000
PMT =
1,1-3+1,1-2+1,1-1

PMT = 402 cts

Quadro de amortização do empréstimo


Ano Capital inicial Capital Juro; K = 10% PMT Saldo em dívida
0 1.000 1.000
1 1.000 302 100 402 698
2 698 332 70 402 366
3 366 365 37 402 0

Juro = Capital inicial*K


PMT = Capital + Juro; logo, Capital = PMT - Juros
Saldo em dívida = Capital inicial – Capital

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