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Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem psicoterapêutica que visa aumentar a flexibilidade psicológica, permitindo que os indivíduos vivam de acordo com seus valores, mesmo diante do desconforto. Desenvolvida na década de 1980, a ACT se diferencia da Terapia Cognitivo-Comportamental tradicional ao focar na aceitação das experiências internas em vez da eliminação de sintomas. Utilizando o modelo Hexaflex, a ACT promove processos como aceitação, defusão cognitiva e ação comprometida para ajudar os indivíduos a lidarem com a dor e o sofrimento de maneira mais eficaz.
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Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT)

A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem psicoterapêutica que visa aumentar a flexibilidade psicológica, permitindo que os indivíduos vivam de acordo com seus valores, mesmo diante do desconforto. Desenvolvida na década de 1980, a ACT se diferencia da Terapia Cognitivo-Comportamental tradicional ao focar na aceitação das experiências internas em vez da eliminação de sintomas. Utilizando o modelo Hexaflex, a ACT promove processos como aceitação, defusão cognitiva e ação comprometida para ajudar os indivíduos a lidarem com a dor e o sofrimento de maneira mais eficaz.
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A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é uma abordagem

psicoterapêutica pertencente à Terceira Onda das Terapias Cognitivo-


Comportamentais. Diferentemente da Terapia Cognitivo-Comportamental
tradicional, a ACT não tem como foco principal a eliminação de sintomas ou a
modificação do conteúdo de pensamentos e emoções considerados negativos.
Seu objetivo central é promover uma mudança na forma como o indivíduo se
relaciona com suas experiências internas, buscando aumentar a flexibilidade
psicológica. Essa flexibilidade permite que a pessoa conduza uma vida rica e
significativa, alinhada aos seus valores pessoais, mesmo diante de situações
de desconforto (HAYES; STROSAHL; WILSON, 2021).
Entre os principais autores que contribuíram para o desenvolvimento da ACT,
destaca-se Steven C. Hayes, PhD, considerado o fundador da abordagem e
responsável pela formulação da Teoria das Molduras Relacionais (RFT), que
serve de base teórica para a ACT. Kirk D. Strosahl, PhD, colaborou
significativamente com a aplicação da ACT em contextos de saúde primária,
enquanto Kelly G. Wilson, PhD, contribuiu com os conceitos relacionados aos
valores e ao self-como-contexto. Além desses autores, a Association for
Contextual Behavioral Science (ACBS) representa uma comunidade
internacional que promove o desenvolvimento contínuo da ACT e da RFT.
A ACT começou a ser desenvolvida na década de 1980, com as primeiras
formulações conceituais elaboradas por Steven Hayes e seus colaboradores.
Em 1999, foi publicada a primeira edição do livro “Acceptance and Commitment
Therapy”, que introduziu oficialmente a abordagem. A partir dos anos 2000,
houve uma intensificação das pesquisas sobre a ACT e sua base teórica. Em
2004, Hayes formalizou o conceito das “terapias de terceira onda”,
posicionando a ACT como uma das abordagens centrais desse movimento. Em
2005, foi fundada a ACBS, consolidando a comunidade de profissionais
dedicados à ACT. Em 2012, foi lançada a segunda edição do livro principal, que
foi traduzida para o português em 2021, consolidando o modelo Hexaflex como
estrutura unificada da abordagem.
Do ponto de vista teórico, a ACT propõe um modelo de psicopatologia baseado
na ideia de inflexibilidade psicológica. Para essa abordagem, a psicopatologia
não é vista como uma doença, mas como uma “normalidade destrutiva”, ou
seja, um padrão de funcionamento psicológico rígido que emerge de processos
humanos comuns, como a linguagem e a cognição. A ACT diferencia dor de
sofrimento: a dor é considerada uma experiência inevitável da vida, enquanto o
sofrimento surge da tentativa de evitar ou controlar essa dor. A evitação
experiencial é apontada como uma das principais armadilhas, pois representa o
esforço constante para controlar pensamentos, sentimentos e sensações
indesejadas, o que, paradoxalmente, intensifica o sofrimento e afasta o
indivíduo de uma vida com sentido. Outro conceito importante é o de fusão
cognitiva, que se refere à identificação excessiva com os próprios
pensamentos, tratando-os como verdades absolutas ou ordens, sem
capacidade de distanciamento.
Em contrapartida, o modelo de mudança proposto pela ACT é a flexibilidade
psicológica, definida como a capacidade de estar em contato com o momento
presente, aceitar as experiências internas sem resistência e agir de acordo com
os valores pessoais, mesmo diante do desconforto. Esse modelo é
operacionalizado por meio do Hexaflex, que compreende seis processos
interconectados: aceitação, defusão cognitiva, contato com o momento
presente, self como contexto, valores e ação comprometida. A aceitação refere-
se à disposição para vivenciar experiências internas difíceis sem tentar
controlá-las. A defusão cognitiva envolve o distanciamento dos pensamentos,
percebendo-os como eventos mentais e não como verdades literais. O contato
com o momento presente diz respeito à atenção plena ao “aqui e agora”, de
forma flexível e sem julgamentos. O self como contexto representa a percepção
do “eu” como um observador constante das experiências, distinto do conteúdo
delas. Os valores são princípios fundamentais escolhidos livremente, que
conferem sentido e direção à vida. Por fim, a ação comprometida consiste no
engajamento em ações concretas e consistentes com os valores escolhidos,
mesmo diante de dificuldades.
As intervenções utilizadas na ACT são, em sua maioria, experienciais e
metafóricas, com o objetivo de cultivar os processos do Hexaflex e modificar a
função das experiências internas, sem necessariamente alterar seu conteúdo.
Entre as estratégias de psicoeducação e enfraquecimento do controle,
destacam-se a metáfora do polígrafo, que ilustra como tentar controlar
pensamentos e emoções pode ser contraproducente; a desesperança criativa,
que leva o cliente a reconhecer que suas estratégias antigas não funcionam; e
a metáfora da pessoa no buraco, que demonstra como insistir nas mesmas
soluções pode aprofundar o problema.
Por fim, vale destacar que muitas técnicas comportamentais da TCC
tradicional, como a exposição gradual e a ativação comportamental, também
são utilizadas na ACT, porém com uma função diferente: elas servem para
promover ações alinhadas aos valores pessoais, e não apenas para reduzir
sintomas.
Conclui-se que a ACT oferece uma perspectiva inovadora ao enfatizar a
aceitação do sofrimento inevitável e o compromisso com ações guiadas por
valores. Ao desenvolver a flexibilidade psicológica por meio dos seis processos
do Hexaflex, essa abordagem capacita os indivíduos a viverem de forma mais
plena e significativa, mesmo diante dos desafios e desconfortos inerentes à
condição humana.

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