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Sustentabilidade Organizacional: Desafios e Práticas

O documento aborda a sustentabilidade organizacional, discutindo seus conceitos, desafios globais e a importância da governança corporativa. Destaca a evolução histórica da relação entre a humanidade e a natureza, enfatizando a necessidade de soluções sustentáveis que envolvam diversos setores da sociedade. O texto também explora a ética empresarial e a inovação como fatores essenciais para o desenvolvimento sustentável.

Enviado por

Aline Andrade
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Sustentabilidade Organizacional: Desafios e Práticas

O documento aborda a sustentabilidade organizacional, discutindo seus conceitos, desafios globais e a importância da governança corporativa. Destaca a evolução histórica da relação entre a humanidade e a natureza, enfatizando a necessidade de soluções sustentáveis que envolvam diversos setores da sociedade. O texto também explora a ética empresarial e a inovação como fatores essenciais para o desenvolvimento sustentável.

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Sustentabilidade

Tobias Coutinho Parente

Organizacional
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
Material para uso exclusivo de aluno matriculado em curso de Educação a Distância da Rede Senac EAD, da disciplina correspondente. Proibida a reprodução e o compartilhamento digital, sob as penas da Lei. © Editora Senac São Paulo.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Jeane Passos de Souza - CRB 8a/6189)

Parente, Tobias Coutinho


Sustentabilidade organizacional / Tobias Coutinho Parente. -- São
Paulo : Editora Senac São Paulo, 2017.

Bibliografia.
e-ISBN 978-85-396-2112-5 (ePub/2017)
e-ISBN 978-85-396-2113-2 (PDF/2017)

1. Sustentabilidade organizacional 2. Governança corporativa 3. Gestão


de empresas : Desenvolvimento sustentável I. Título. II. Série.

17-676s CDD - 658.151


658.408
BISAC BUS001010
BUS104000
BUS072000

Índice para catálogo sistemático


1. Sustentabilidade organizacional : Governança corporativa
658.151
2. Gestão de empresas : Desenvolvimento sustentável 658.408
SUSTENTABILIDADE
ORGANIZACIONAL

Tobias Coutinho Parente


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Administração Regional do Senac no Estado de São Paulo
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Alexandre Lemes da Silva Proibida a reprodução sem autorização expressa.
Valdemir Nunes da Costa Todos os direitos desta edição reservados à
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Sumário
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Capítulo 1 Capítulo 5
Desafios globais para Gestão de stakeholders, 69
o século XXI, 7
1 Tipos de stakeholders, 71
1 Histórico e os principais desafios, 9 2 Visão dos acionistas versus visão
2 Papel de cada um dos setores na dos demais stakeholders, 74
solução desses desafios, 18 3 Planejamento e gestão de
Considerações finais, 19 stakeholders, 78
Referências, 21 Considerações finais, 83
Referências, 84
Capítulo 2
Conceito de sustentabilidade, 23 Capítulo 6
Sustentabilidade: olhando para
1 O que é e o que não é dentro da empresa, 87
sustentabilidade, 24
2 Dimensões da sustentabilidade, 26 1 Práticas sustentáveis, 88
3 Visão estratégica e oportunidades Considerações finais, 101
de negócios, 34 Referências, 101
Considerações finais, 36
Referências, 36 Capítulo 7
Sustentabilidade: olhando para
Capítulo 3 fora da empresa, 103
Ética empresarial, 39
1 Práticas sustentáveis, 104
1 Ética e moral, 40 Considerações finais, 114
2 Princípios éticos, 45 Referências, 115
3 Dilemas éticos no processo
decisório, 48 Capítulo 8
Considerações finais, 51 Inovação, competitividade
Referências, 52 e sustentabilidade, 117

Capítulo 4 1 Inovação e inovação sustentável,


118
Governança corporativa, 53
2 Empreendedorismo,
1 Sociedade das organizações, 54 intraempreendedorismo e
empreendedorismo sustentável,
2 Separação entre propriedade e
124
controle, 58
3 Desenvolvimento de processos e
3 Mecanismos de incentivo e de
negócios sustentáveis, 129
monitoramento da gestão e seu
impacto na sustentabilidade Considerações finais, 131
organizacional, 62 Referências, 132
Considerações finais, 66
Referências, 66 Sobre o autor, 135
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Capítulo 1
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Desafios globais
para o século XXI

Se você digitar em qualquer site de busca a frase “desafios globais


para o século XXI”, verá que existem milhares de resultados. Caso te-
nha ainda mais curiosidade e comece a pesquisar os sites reportados
pela busca, você perceberá que algumas palavras-chave se repetem:
aquecimento global, crescimento, demografia, fome, globalização, lixo,
miséria, pobreza, poluição, preservação. Em comum, todas elas estão
relacionadas a algum dos três pilares da sustentabilidade (ambiental,
econômico e social).1

1 Do inglês triple bottom line, que seriam os três pilares da sustentabilidade. Mais detalhes sobre esse
conceito serão fornecidos no capítulo 2.

7
Com os resultados da busca, você perceberá rapidamente, em uma

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perspectiva histórica, que a partir da Revolução Industrial (meados do
século XVIII) começou a oferta de produtos em larga escala, por conta
da invenção da máquina a vapor, e, desde então, os desafios da huma-
nidade têm tomado uma proporção cada vez mais global. As distâncias
geográficas foram sendo reduzidas pela evolução dos meios de trans-
porte e de comunicação, possibilitando que os produtos e os serviços
fossem ofertados de forma padronizada por todas as regiões do mun-
do. Hoje, há vários exemplos de produtos projetados por designers nos
Estados Unidos (EUA), produzidos na China e vendidos no Brasil.

Esse avanço tecnológico possibilitou melhorias para a população,


porém, também trouxe desafios. Ao mesmo tempo que o crescimento
econômico fez com que as pessoas tivessem mais recursos para con-
sumir bens e serviços, elevando o seu bem-estar, também aumentou a
poluição, a produção de lixo, a desigualdade social, entre outras ques-
tões que se tornaram grandes dilemas para a sociedade. Quase sempre
as soluções apontadas são complexas e tentam balancear os aspectos
ambientais, econômicos e sociais de cada questão. Nesse contexto, a
sustentabilidade é um conceito amplo que vem sendo moldado e defini-
do conforme a evolução humana, tendo tido uma aceleração a partir da
década de 1960 por conta de vários fatores, entre eles, o rápido cresci-
mento econômico do pós-guerra e a globalização.

Todos esses desafios são frutos da atuação humana na natureza e


do modo como nos organizamos em sociedade. Por isso, as possíveis
soluções para cada um desses desafios envolvem diferentes setores,
que vão desde as esferas governamentais, passando pelas empresas,
organizações da sociedade civil, como ONGs, até a atuação de cada
cidadão no seu dia a dia.

Para entender melhor como chegamos até aqui, neste capítulo será
feita uma breve retrospectiva histórica, com o intuito de conhecer os
problemas que temos criado e enfrentado, típicos da modernidade.

8 Sustentabilidade organizacional
1 Histórico e os principais desafios
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Fazer uma cronologia histórica é sempre um desafio, seja qual for o


assunto que queiramos estudar. Também não é tarefa fácil se despren-
der do presente em direção ao passado -- a sensação de que as coisas
no passado eram melhores é uma ideia tentadora. Todavia, nossa histó-
ria mostra que o ser humano está sempre em constante transformação.

Independentemente da época, as evidências históricas apontam que


o ser humano sempre enxergou a natureza como uma fonte inesgotável
a ser transformada e explorada, conforme as necessidades de sua épo-
ca (CURI, 2011). Por vezes, acreditamos que os desafios que enfrenta-
mos atualmente não existiam no passado e que a humanidade vivia em
harmonia com a natureza, sem agredir o meio ambiente. Entretanto, o
comportamento predatório do ser humano sempre esteve presente – o
que mudou ao longo do tempo não foi sua postura, mas sim a capaci-
dade das suas ferramentas. Logo, sem o acesso às tecnologias mais
sofisticadas, o impacto do homem na natureza era menor em épocas
anteriores (CURI, 2011).

Acontece que o ritmo das mudanças provocadas pelos humanos


tomou proporções inigualáveis nos últimos quatrocentos anos. Em ne-
nhum outro período de nossa história foram feitas tantas descobertas
científicas e tecnológicas, gerando uma incrível capacidade de produção
e de uso e controle dos recursos naturais (DIAS, 2006). O marco inicial
desse rápido avanço tecnológico foi, como já mencionado, a Revolução
Industrial. Até o século XVI, as únicas fontes de energia utilizadas eram
praticamente a manual e animal. Com o advento da máquina a vapor, o
homem pôde facilmente utilizar diversos tipos de combustíveis dispo-
níveis na natureza, primeiramente o carvão mineral e, posteriormente,
outros combustíveis fósseis, como o petróleo (OLIVEIRA, 2013).

Além do aumento da exploração dos recursos naturais, essas no-


vas tecnologias provocaram mudanças nos campos econômico, social

Desafios globais para o século XXI 9


e político. Na economia, o aumento da produtividade gerou incremen-

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tos significativos na riqueza material das sociedades, que por conse­
quência afetou o espectro social, fazendo, por exemplo, as pessoas se
mudarem das áreas rurais para os centros urbanos. Do ponto de vista
político, uma nova classe trabalhadora que se formava nas cidades co-
meça a se organizar com os movimentos sindicais (OLIVEIRA, 2013).

Ao analisar esse cenário, o economista inglês Thomas Malthus


publicou em 1798 o trabalho Um ensaio sobre o princípio da popula-
ção, no qual apontava suas preocupações referentes ao crescimen-
to populacional e a possibilidade de esgotamento dos recursos na-
turais. Uma vez que a população estava crescendo e consumindo
mais, Malthus sugeriu que a natureza não aguentaria a crescente
demanda de alimentos.

Do ponto de vista ambiental, apenas no final do século XIX teve início


um debate nas comunidades científica e artística para delimitar áreas
de preservação ambiental, sendo um marco disso a criação do Parque
Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos, em 1872, o primeiro do
tipo no mundo (BARBIERI, 2007). Nesse momento, a discussão ainda
não envolvia especificamente as empresas. Havia uma ideia de que a
preservação ambiental não era compatível com a atuação empresarial.
As empresas seriam responsáveis pelo desenvolvimento, sinônimo de
crescimento econômico, e se elas atuassem em prol de preservar os
recursos naturais, não seriam capazes de gerar riquezas para a socie-
dade, comprometendo o bem-estar social.

Se no campo ambiental as empresas não eram ainda contestadas, no


aspecto econômico elas começam a ser criticadas com a quebra da Bolsa
de Nova Iorque, em 1929. A Grande Depressão americana compromete
um ciclo de crescimento econômico constante e coloca em risco o estilo
de vida americano (American way of life). Na Europa, o fortalecimento do
socialismo também colabora para confrontar a ideia de que as empresas
deveriam ser a principal fonte de geração de riqueza para a sociedade.

10 Sustentabilidade organizacional
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Os elevados lucros das companhias que atuavam em monopólios desper-


tavam forte descontentamento na população, que discutia a distribuição
justa de riquezas e o papel do Estado (FARIA; SAUERBRONN, 2008).

O modelo de crescimento econômico acelerado experimentado des-


de a Revolução Industrial volta a encontrar sustentação no pós-guerra, e
o mundo tem uma nova onda de forte crescimento, principalmente nos
países desenvolvidos, que reorganizaram suas economias e suas ativi-
dades industriais. Já na década de 1960, suas populações alcançaram
padrões materiais elevados para a época, que ainda não foram atingi-
dos por alguns países da África e da América Latina (OLIVEIRA, 2013).

Ao contrário de épocas anteriores, essa nova fase do crescimento foi


combatida por vários movimentos. O surgimento de problemas ambien-
tais em grandes centros urbanos foi o sinal de partida para que o modelo
de crescimento econômico começasse a ser criticado do ponto de vista
ambiental. Poluição do ar e da água, contaminação dos solos e chuva
ácida foram alguns dos problemas apontados no início dos anos 1960.
Nas áreas rurais, também foram feitas críticas à Revolução Verde, que
possibilitou o aumento da produtividade por meio do uso de fertilizan-
tes e de pesticidas. Em 1962, Rachel Carson publicou o livro Primavera
silenciosa, em que alertava para o desaparecimento dos pássaros com a
destruição de seus hábitats, por conta da rápida expansão da Revolução
Verde (BARBIERI, 2007; DIAS, 2006; OLIVEIRA, 2013; CURI, 2011).

Em 1968, três fatos foram determinantes para o direcionamento do


debate acerca das questões ambientais (DIAS, 2006). O primeiro foi a
criação do Clube de Roma – organização que reunia cientistas, políti-
cos e outros intelectuais com o intuito de estudar temas inerentes à
sociedade. No que tange aos aspectos ambientais, em 1972 o Clube
publicou o relatório “Os limites do crescimento”, de Dennis Meadows et
al. Baseado em uma releitura das ideias de Thomas Malthus, o relató-
rio alertava para os problemas que o crescimento econômico gera no
meio ambiente, ameaçando a sobrevivência da espécie humana. Como

Desafios globais para o século XXI 11


solução, o relatório propunha a ideia de “crescimento zero” para que os

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recursos naturais pudessem ser preservados (CURI, 2011). O segun-
do fato foi a Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU) de
1968, que agendou uma Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente
Humano para 1972, em Estocolmo, na Suécia (DIAS, 2006). Por fim, a
Unesco, braço de conhecimento da ONU, organizou em Paris uma con-
ferência sobre a conservação e o uso dos recursos naturais. A partir
dessa conferência, a questão ambiental começou a ser elemento indis-
pensável de discussão no âmbito da ONU (CURI, 2011).

A realização da Conferência de Estocolmo foi o primeiro momento


em que o debate não integrava somente cientistas, mas, também, os
representantes diplomáticos de diversos países. As discussões extra-
polaram a preservação ambiental em direção ao modelo de desenvol-
vimento dos países. De um lado, os países desenvolvidos propunham
um freio no crescimento econômico como forma de preservar os recur-
sos naturais; de outro, os subdesenvolvidos queriam se aproveitar do
desenvolvimento tecnológico e do crescimento industrial para superar
suas mazelas sociais. Como produto da conferência, foi aprovada uma
Declaração sobre o Meio Ambiente Humano com 26 princípios, além
da criação do Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente
(Pnuma). Por fim, a conferência contribuiu para que os países criassem
ministérios, agências e outras organizações responsáveis por fomentar
o debate acerca da questão ambiental.

PARA SABER MAIS

Em meio ao polarizado debate entre países desenvolvidos e subde-


senvolvidos em Estocolmo, a líder do governo da Índia, única chefe
de estado presente na conferência, proferiu seu discurso acreditan-
do ser injusto que países em desenvolvimento tivessem seu desen-
volvimento limitado por conta da natureza. Ela defendia que o com-
bate deveria ser focado na pobreza, que era a maior das poluições.

12 Sustentabilidade organizacional
A polarização entre países do Norte (desenvolvidos) e do Sul (sub-
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desenvolvidos) dominou o debate por um bom período. O passo deci-


sivo para a ruptura da discussão foi a criação da Comissão Mundial
sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (CMMAD), em 1983, que
tinha o desafio de propor soluções viáveis que conciliassem interesses
econômicos e mundiais. Comandada pela ex-ministra da Noruega, Gro
Harlem Brundtland, a comissão produziu, em 1987, o relatório Nosso
futuro comum – também conhecido como Relatório Brundtland. As
conclusões do relatório seguiram um caminho diferente do resultado
de Estocolmo-1972. Primeiro, crescimento econômico e preservação
ambiental não são incompatíveis, haveria a possibilidade de trabalhar
ambos por meio da ecoeficiência. Segundo, a pobreza e as questões
sociais também deveriam ser contempladas. Por fim, os resultados de
nossas ações devem considerar não somente a nossa geração, mas
também as gerações futuras (OLIVEIRA, 2013).

O relatório propôs o conceito de desenvolvimento sustentável


como norteador para o desenvolvimento, sendo capaz de conciliar
crescimento econômico e preservação ambiental. Segundo o relató-
rio, “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessida-
des das gerações presentes sem comprometer a possibilidade das
gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades” (ONU,
1991, p. 46).

A ideia central do conceito era que devemos preservar o meio am-


biente, mas que isso não deve ser um obstáculo ao desenvolvimento
econômico. Nesse sentido, o relatório fez duras críticas ao modelo de
desenvolvimento dos países ricos e afirmou que ele não deveria ser
copiado pelos países mais pobres. Por outro lado, o relatório também
reconheceu que era necessário gerar um modelo de desenvolvimento
para que a pobreza pudesse ser superada nos países subdesenvolvi-
dos (CURI, 2011). Portanto, equilíbrio era a palavra de ordem, ou seja,
desenvolvimento sustentável requer um equilíbrio entre as dimensões

Desafios globais para o século XXI 13


econômica, ambiental e social, de tal forma que não só a geração atual

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possa satisfazer suas necessidades, mas também as gerações futuras.

Cinco anos depois, foi realizada uma nova conferência da ONU, des-
sa vez no Rio de Janeiro, que ficou conhecida como Rio-92. Os debates
focaram em consolidar o conceito de desenvolvimento sustentável e no
equilíbrio entre desenvolvimento e preservação, polarizando os países
desenvolvidos e subdesenvolvidos. Um importante documento produ-
zido pela conferência foi a Agenda 21, que sistematizou as obrigações
ambientais, com padrões para atuação dos governos e sociedade civil
(CURI, 2011). Outro ponto importante resultante da Rio-92 foi a realiza-
ção da Conferência das Partes (COPs), entre os anos 1990 e 2000. A
COP 3, realizada em Quioto, deu origem a um documento que propôs
um corte nas emissões de gases de efeito estufa entre 2008 e 2012,
chamado Protocolo de Quioto. O protocolo previa que os países teriam
responsabilidades distintas, conforme sua industrialização, e foi um
avanço não somente pela fixação de metas, mas por ter criado impor-
tantes mecanismos para implementá-las (BARBIERI, 2007).

Posteriormente ao Protocolo de Quioto, diversas COPs foram reali-


zadas e, desde então, foram feitas proposições para que os países pos-
sam cumprir suas metas, visto que muitos países mudaram sua estru-
tura de desenvolvimento. Outrora pouco industrializados, Brasil, Índia e
China passaram a figurar no topo da lista dos maiores poluidores. Em
2009, a COP 15, em Copenhague, foi a consolidação desse cenário, e ali
cada país apresentou suas propostas para reduzir as emissões em seu
território (CURI, 2011).

As discussões seguiram avançando com a realização da RIO+20,


em 2012, e da COP 21, realizada na cidade de Paris, em 2015. Na ca-
pital francesa, foi assinado o Acordo de Paris por 195 países, com o
compromisso de reduzirem as emissões dos gases de efeito estufa.
Em 2017, após a eleição presidencial dos Estados Unidos, o presidente
eleito Donald Trump anunciou que iria retirar seu país do acordo. Com

14 Sustentabilidade organizacional
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isso, começaram especulações para que o acordo seja assinado direta-


mente com as empresas norte-americanas.

Além da questão ambiental, a ONU também estabeleceu uma


agenda para solucionar graves problemas sociais. No ano 2000, foram
elencados os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), com
metas definidas a serem atingidas até 2015. Com o slogan “Oito jeitos
de mudar o mundo”, foram feitas diversas campanhas referentes aos
oito objetivos estabelecidos como cruciais, conforme se vê a seguir na
figura 1.

Figura 1 – Objetivos do milênio

1 2 3 4

Acabar com a Educação básica Igualdade entre Reduzir a


fome e a miséria de qualidade sexos e valorização mortalidade
para todos da mulher infantil

5 6 7 8

Melhorar a saúde Combater a Qualidade de vida Todo mundo


das gestantes AIDS, a malária e e respeito ao trabalhando pelo
outras doenças meio ambiente desenvolvimento

Fonte: adaptado de ODM Brasil (Os objetivos..., [s.d.]).

Em 2015, foi feita uma avaliação dos objetivos para identificar se


as metas traçadas foram atingidas. Conforme relatório da ONU, al-
guns objetivos foram bem-sucedidos e outros não.

Desafios globais para o século XXI 15


Entre 1990 e 2010 a extrema pobreza foi reduzida de 47% para 22%

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da população. A meta foi atingida. Entretanto, 1,2 bilhão de pessoas
ainda estão na extrema pobreza no mundo (recebem menos de
US$ 1,2/dia). O acesso à educação e à saúde melhorou no mun-
do todo, assim como avançaram as ações de proteção ao meio
ambiente. No Brasil os resultados dos ODM são extremamente
positivos. Vamos alcançar ou superar as metas em quase todos.
Um exemplo marcante é a redução da extrema pobreza, que caiu
de 25,6% da população em 1990 para 3,5% em 2012. Permanece
como desafio principalmente o do ODM – 5: reduzir a mortalidade
materna, que precisaria baixar de 64 para 35 óbitos/100 mil nasci-
dos vivos até 2015.

[...] os ODM não conseguiram diminuir as desigualdades de renda


no mundo. O 1% da população mais rica controla 40% da riqueza
mundial, enquanto a metade mais pobre da população mundial só
é dona de 1% da riqueza. No Brasil, entre 1990 e 2012, a diferen-
ça dos 20% mais pobres com os 20% mais ricos era de 30 vezes
e agora caiu para 17. Porém, hoje os 20% mais ricos controlam
57,1% da renda nacional, bem acima dos padrões internacionais.
(ODM BRASIL, Breve avaliação..., [s.d.])

Após esse balanço, a ONU reformulou os objetivos em busca de


oferecer uma visão mais integrada dos desafios globais. Em um docu-
mento intitulado “Agenda de desenvolvimento pós-2015”, os objetivos
foram reformulados de tal forma que pudessem englobar também a
questão do desenvolvimento sustentável. Assim, foram lançados os
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), com metas para
serem cumpridas até 2030, conforme apresentado na figura 2.

Figura 2 – Objetivos de desenvolvimento sustentável

1 2 3 4

Erradicação da Fome zero Boa saúde e Educação de


probreza bem-estar qualidade
(cont.)

16 Sustentabilidade organizacional
5 6 7 8
Erradicação da Fome zero Boa saúde e Educação de
probreza bem-estar qualidade
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5 6 7 8

Igualdade de Água limpa e Energia acessível Emprego digno e


gênero saneamento e limpa crescimento
econômico

9 10 11 12

Indústria, Redução das Cidades e Consumo e


inovação e desigualdades comunidades produção
infraestrutura sustentáveis responsáveis

13 14 15 16

Combate às Vida debaixo da Vida sobre a terra Paz, justiça e


alterações água instituições
climáticas fortes

17

Parcerias em
prol das metas

Fonte: adaptado de Brasil ([s.d.]).

O Brasil teve atuação efetiva na elaboração dos objetivos, participan-


do de todas as sessões de negociação intergovernamental. Com isso,
o país lançou um documento com 169 metas distribuídas entre os 17
desafios. Além disso, o Brasil lançou um documento explicando os ele-
mentos que orientaram sua posição. Entre as metas estabelecidas pelo

Desafios globais para o século XXI 17


Brasil, algumas delas são: 1) até 2030, erradicar a pobreza extrema de

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todas as pessoas em todos os lugares; 2) até 2030, acabar com a fome
e garantir o acesso de todas as pessoas a alimentos seguros, nutritivos
e suficientes durante todo o ano; 3) acabar com todos os tipos de discri-
minação contra todas as mulheres e meninas em toda parte.

2 Papel de cada um dos setores na solução


desses desafios
A questão da sustentabilidade em seu início era algo restrito a deter-
minados grupos da sociedade. Apenas ativistas e cientistas apontavam
para os problemas advindos do rápido crescimento industrial e econô-
mico. Entretanto, conforme apresentado, com o passar do tempo, outros
setores da sociedade começaram a discutir esses desafios. Empresas
e governos iniciaram um debate com os demais setores da sociedade.
Se não por convicção, o fato é que sem a participação do primeiro e do
segundo setores (Estado e mercado), o terceiro setor (organizações da
sociedade civil, como organizações não governamentais – ONGs) não
conseguiria colocar a pauta da sustentabilidade em evidência. Nesse
sentido, cada um desses setores possui um papel-chave na busca por
soluções aos desafios globais do século XXI.

Quase sempre, o terceiro setor, por meio de ONGs e de outras orga-


nizações da sociedade civil, é o primeiro a identificar problemas prove-
nientes da ação humana. Essas organizações fazem bastante barulho
ao denunciar alguma situação que esteja sendo praticada por governos
ou empresas, como poluição, desrespeito às leis, corrupção, entre ou-
tras. Muitas vezes, as organizações do terceiro setor não são levadas a
sério por um tempo, como foi na questão da poluição e de outros desa-
fios relatados aqui. Somente quando ocorre algum escândalo ou algum
desastre ambiental é que as preocupações dessas organizações são
consideradas. Apesar de ser mais rápido que os demais setores, esse
é o que menos possui condições para colocar em prática soluções que
contornem os desafios, uma vez que eles são gerados, em sua grande
maioria, pelas empresas.

18 Sustentabilidade organizacional
O segundo setor por sua vez é o que possui mais condições para
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superar os desafios globais, pois é o que concentra mais recursos finan-


ceiros, e a sua atuação é a grande responsável por criar esses desafios,
em especial, no que tange à questão ambiental. Todavia, as empresas
sempre tiveram uma posição reativa à sustentabilidade, aprendendo,
assim, a lidar com essa temática. Poucas foram as que se deram conta
de que a sustentabilidade é um novo valor que veio para ficar e que fazer
uma gestão sustentável é algo que pode trazer vantagens competitivas.
Portanto, o segundo setor tem se caracterizado por ter um grupo de em-
presas que saem na frente ao responder às pressões do terceiro setor
e, com isso, determinam as práticas que serão adotadas pelas demais.

O primeiro setor, por meio das diferentes esferas governamentais,


é o responsável por observar essas práticas e legislar em torno delas.
Em geral, o Estado atua após as práticas já estarem sendo adotadas
e define quais os parâmetros mínimos que cada empresa deve seguir.
Além disso, o Estado também pode ser um impulsionador de práticas
sustentáveis, ao observar os problemas apontados pelo terceiro setor e
criar uma legislação antes que as empresas tenham práticas voltadas
para um determinado problema. O grande impulso para que o Estado
tenha uma atuação que contribua para superar os desafios globais é
fazer com que os governos não sejam conduzidos para atender a de-
terminados grupos de interesse em detrimento do coletivo; para tanto,
são necessárias instituições sólidas, que criem leis consistentes e as
façam valer.

Considerações finais
Os desafios globais para o século XXI são inúmeros. As soluções
passam não somente pelo desejo de resolver os problemas, mas tam-
bém por questões de conciliação e de cooperação. Existem múltiplas
visões a respeito do desenvolvimento humano e sua interação com
a natureza. Como apresentado, já houve época em que poluição era

Desafios globais para o século XXI 19


sinônimo de progresso, tal qual nas décadas posteriores à Revolução

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Industrial. Também houve um período em que o crescimento econô-
mico era visto como incompatível com a preservação ambiental, como
nos anos 1960 e 1970. Previsões catastróficas e otimistas já foram rea-
lizadas, nenhuma delas tendo se concretizado totalmente.

Desde o estabelecimento do conceito de desenvolvimento susten-


tável, os países têm buscado soluções que atendam às necessidades
de todas as partes. Evidente que o caminho não tem sido fácil e exis-
tem diversos obstáculos. Entretanto, não se podem perder de vista os
avanços alcançados. Se em 1972 apenas um chefe de Estado partici-
pou da Conferência de Estocolmo, em 2015, 195 países assinaram o
Acordo de Paris e todos os membros da ONU adotaram a agenda dos
objetivos de desenvolvimento sustentável. Isso quer dizer que todos
os desafios globais serão superados até 2030? Muito provavelmen-
te, não; mas significa que existe um esforço coletivo entre os países,
de forma que todos possam cooperar em prol de superar os nossos
problemas globais.

Do ponto de vista econômico, nunca estivemos em melhores con-


dições para superar nossos problemas. A renda mundial tornou-se
dez vezes maior nos últimos cem anos, ao passo que a população
aumentou apenas quatro vezes (GUIMARÃES, 2008). Ou seja, há mais
dinheiro disponível, as pessoas possuem um nível de renda maior e as
condições para enfrentar os problemas sociais, ambientais e econô-
micos estão mais favoráveis. Não somente pela questão financeira,
mas também por conta do avanço da tecnologia, que tem possibili-
tado a implantação de soluções mais rápidas e sofisticadas para os
desafios do século XXI – que deve continuar tendo “equilíbrio” como
palavra-chave, para que todos possam ter uma vida digna em um pla-
neta sustentável.

20 Sustentabilidade organizacional
Referências
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