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Crise do Café e Ascensão de Vargas

O governo de Washington Luís enfrentou a crise de 1929 sem atender aos cafeicultores, resultando em falências e repressão às greves. A revolta popular culminou na Revolução de 1930, levando Getúlio Vargas ao poder e ao estabelecimento de um governo centralizado e autoritário. Durante o Estado Novo, Vargas implementou políticas de industrialização e controle do movimento operário, mas sua ditadura enfrentou crescente oposição, resultando em sua renúncia em 1945.

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Crise do Café e Ascensão de Vargas

O governo de Washington Luís enfrentou a crise de 1929 sem atender aos cafeicultores, resultando em falências e repressão às greves. A revolta popular culminou na Revolução de 1930, levando Getúlio Vargas ao poder e ao estabelecimento de um governo centralizado e autoritário. Durante o Estado Novo, Vargas implementou políticas de industrialização e controle do movimento operário, mas sua ditadura enfrentou crescente oposição, resultando em sua renúncia em 1945.

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Resumo

O governo de Washington Luís, seguindo a política de valorização do café, enfrentou a crise


de 1929 sem atender aos pedidos de ajuda dos cafeicultores. A queda nos preços do café e a
crise econômica global levaram à falência de muitos produtores e a tensões sociais, com o
governo respondendo com repressão às greves e agitações.

Ao final do mandato de Washington Luís, ele quebrou a tradição da Política do Café com Leite
ao apoiar Júlio Prestes para a presidência. Em resposta, a Aliança Liberal, com Getúlio
Vargas e João Pessoa, formou uma chapa oposicionista. Apesar do apoio popular e das
oligarquias regionais, as eleições de março de 1930 foram fraudulentas, garantindo a vitória
de Prestes
.

Apesar da aceitação inicial do resultado das eleições de 1930, a insatisfação com a vitória de
Júlio Prestes e o assassinato de João Pessoa geraram um clima de revolta. A Aliança Liberal,
fortalecida pelo descontentamento popular e pela fraude eleitoral, iniciou a revolução em 3
de outubro. As tropas gaúchas e mineiras avançaram, e em 24 de outubro, uma junta militar
depôs Washington Luís, impedindo a posse de Prestes. Getúlio Vargas assumiu o poder em 3
de novembro, marcando o fim da República Velha e o início da Era Vargas.

O Governo Provisório, instaurado por Getúlio Vargas em 3 de novembro de 1930, substituiu a


República Velha com um governo centralizado e autoritário. Inicialmente, Vargas garantiu a
continuidade das relações agrárias e nomeou tenentes como interventores estaduais, além
de fechar câmaras municipais, assembleias e o Congresso. Criou o Conselho Nacional do
Café para gerenciar a crise do setor e o Conselho Federal do Comércio Exterior para
estimular a indústria e exportações. O modelo econômico passou de agroexportador para
industrialização por substituição de importações. Também estabeleceu o Ministério do
Trabalho para regulamentar leis trabalhistas e criou o Código Eleitoral em 1932, introduzindo
voto secreto e o direito ao voto feminino.

A Revolução Constitucionalista de 1932, liderada por São Paulo, surgiu como uma reação
contra a centralização e a falta de uma nova Constituição pelo governo de Getúlio Vargas.
Insatisfeitos com a nomeação de um interventor militar e a falta de reformas, os paulistas
exigiram a volta ao "estado de legalidade". O movimento ganhou força após a morte de
estudantes em um confronto com a polícia e formou um Exército Constitucionalista. Apesar
da mobilização e apoio limitado de outros estados, São Paulo foi derrotado pelas forças
federais em 28 de setembro de 1932. Politicamente, a revolta resultou na convocação de
eleições para uma Assembleia Constituinte, atendendo parcialmente às demandas dos
paulistas.
Em 16 de julho de 1934, a nova Constituição brasileira foi promulgada, mantendo o
federalismo e presidencialismo, e introduzindo o voto secreto e direto para todos os níveis de
governo. Ela criou a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral, estendeu o voto às mulheres e
aos maiores de 18 anos alfabetizados, e confirmou leis trabalhistas como salário mínimo e
jornada de 8 horas. A Constituição também estabeleceu a Câmara de Deputados com
representação sindical e criou o mandado de segurança. Getúlio Vargas foi eleito o primeiro
presidente constitucional após a Revolução de 1930, para um mandato de quatro anos.

Na década de 1930, o Brasil viu a ascensão de duas correntes políticas: a Ação Integralista
Brasileira (AIB), de inspiração fascista, liderada por Plínio Salgado, e a Aliança Nacional
Libertadora (ANL), de orientação socialista, liderada por Luiz Carlos Prestes.

A AIB, com sua ideologia autoritária e nacionalista, obteve apoio de setores conservadores e
promovia a perseguição aos comunistas. Em contraste, a ANL, formada por diversos grupos
de esquerda, defendia a nacionalização de empresas estrangeiras, a reforma agrária e um
governo popular.

O crescimento da ANL levou à Intentona Comunista de 1935, uma tentativa revolucionária


que resultou em confronto violento e repressão severa pelo governo de Vargas. Esse
episódio justificou a adoção de medidas autoritárias, como o estado de sítio e mudanças na
Lei de Segurança Nacional, visando eliminar a oposição e consolidar o controle sobre as
forças populares.

Em 1937, Getúlio Vargas utilizou o "Plano Cohen", um documento forjado que alegava uma
conspiração comunista, como pretexto para instaurar um golpe de Estado. No dia 10 de
novembro, Vargas fechou o Congresso e outorgou a Constituição de 1937, que estabeleceu o
Estado Novo, um regime autoritário com forte centralização do poder no Executivo,
eliminação das liberdades democráticas, e censura.

A nova Constituição extinguiu o federalismo, a liberdade de imprensa, os partidos políticos e


as greves, criou uma nova estrutura legislativa com uma Câmara de Deputados e um
Conselho Nacional, e instituiu a pena de morte. Vargas governou com poderes excepcionais,
sem Congresso e com um sistema judicial enfraquecido.

Durante o Estado Novo, Vargas também enfrentou a oposição dos integralistas, culminando
na Intentona Integralista em 1938, que resultou em repressão severa e a prisão de líderes
integralistas. O regime implementou um aparato de propaganda massiva através do DIP
(Departamento de Imprensa e Propaganda) e estabeleceu uma polícia secreta para reprimir
opositores, consolidando um governo autoritário e centralizado.
Durante o Estado Novo, Vargas promoveu uma política econômica de intervenção estatal e
nacionalismo econômico, com foco na industrialização e substituição de importações. Criou
órgãos e empresas públicas para impulsionar a industrialização, como a Companhia
Siderúrgica Nacional e a Companhia Vale do Rio Doce.

A política trabalhista de Vargas visava controlar o movimento operário através de leis que
atendiam às reivindicações dos trabalhadores, mas enfraqueciam a autonomia sindical.
Instituiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) em 1943, que consolidou direitos
trabalhistas como o salário mínimo e a jornada de trabalho de 48 horas semanais. Ao mesmo
tempo, promoveu um sindicalismo estatal e assistencialista, que limitava a independência
dos sindicatos e controlava os movimentos sociais.

Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil inicialmente se manteve neutro, mas


gradualmente alinhou-se com os Aliados após o ataque japonês a Pearl Harbor e o
torpedeamento de navios brasileiros por submarinos alemães. Em 22 de agosto de 1942, o
Brasil declarou guerra à Alemanha e à Itália e enviou a Força Expedicionária Brasileira (FEB) e
uma força aérea para combater na Itália. Em troca, os EUA ajudaram a desenvolver a
infraestrutura brasileira, como a usina de Volta Redonda.

A participação do Brasil ao lado dos Aliados criou contradições, pois o país lutava contra o
nazifascismo enquanto mantinha um regime ditatorial. Pressões internas e externas, como
manifestações estudantis e críticas de políticos e intelectuais, além da insatisfação dos EUA
com a política nacionalista de Vargas, levaram a uma abertura política. Em fevereiro de 1945,
Vargas anunciou eleições e a convocação de uma Assembleia Constituinte. Ele criou novos
partidos, como o PSD e o PTB, e legalizou o PCB.

No entanto, a oposição, principalmente a UDN, e a insatisfação militar aumentaram. Em 29


de outubro de 1945, Vargas foi forçado a renunciar após um golpe militar e foi substituído
por José Linhares, que passou o poder ao general Eurico Gaspar Dutra, eleito em dezembro
de 1945. Vargas retirou-se para sua fazenda em São Borja.

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