Já se passaram duas semanas desde que estou indo na casa do Lorenzo, felizmente o papai não
desconfia de nada e tudo está conforme planejado, nunca me imaginei desobedecendo essa
maneira
- Tenho que ir, terminámos tarde demais E meu pai deve estar preocupado- meus olhos ficam
pesados- ainda bem que só nos restam 3 dias
- Amanhã não vou poder aparecer- comenta Talia coçando a nuca- tenho que acompanhar o
meu pai no castelo, ele vai levar alguns documentos de venda pra lá e como eu me expresso
bem, já sabem né
- Então eu e o Lorenzo vamos estudar juntos e depois te passo o que tudo
- eu também não estarei disponível, preciso- ele e pensa um pouco- fazer compras na cidade
- Você pode fazer isso de manhã- comento
- Não posso, o melhor preço é de tarde e a noite- ele sorri
- Entendi, então não vamos estudar, se falharmos nesse trabalho a culpa é vossa
Nos despedimos e assim que saio da casa do Lorenzo a noite já tomou conta da vila, ainda bem
que dessa vez estou andando com algo pra me defender. Acho que aqueles dois querem passar
tempo sozinhos, imagina só ter a minha todos os dias da semana durante 5 horas.
O caminho pela floresta é mais rápido então não vou demorar para chegar, mas também pode
ser perigoso, vou pela floresta mesmo. Chego bem em casa e encontro o meu pai comendo
- Chegaste muito tarde
- Desculpa pai, resolvemos 60% do trabalho por isso demorei-me preparo para subir as escadas
- Vou fazer compras amanhã, vais ficar em casa cuidando dos animais.
-Tudo bem, amanhã não terá mesmo estudo, eles estarão ocupados- suspiro
- Não se envolva em problemas que não são seus
DIA SEGUINTE
Hoje acordei mais tarde, a semana foi cansativa e nem tive muito tempo para treinar, mas hoje
é Sábado então vou aproveitar, ainda bem que já cuidei de todos os animais. Vou no meu
quarto pegar meus equipamentos.
A tarde cai lentamente sobre a fazenda, e o céu é pintado com tons de laranja e rosa. Terminei
de cuidar dos animais e decidi ir para a floresta para praticar com meu arco e flechas. A aljava
está firmemente presa às minhas costas enquanto caminho entre as árvores, o som das folhas
sob meus pés ecoando na quietude.
Enquanto pratico ouço vozes se aproximando. Paro e me escondo atrás de uma árvore,
espiando para ver que está vindo. Vejo três homens, dois deles estão vestidos de maneira
suspeita e com a cabeça coberta, e o outro é um senhor que parece amedrontado e ferido.
- Finalmente encontramos você, dessa vez não tens onde ir- exclama o primeiro homem com a
voz empoeirada- quem diria que eu conseguiria acabar com o chefe dos guardiões assim
- Primeiro vamos pegar tudo que ele tem e pode ser útil- diz o segundo homem- depois
acabámos com ele, não tens nada a dizer vovozinho? - ele pega a mochila do homem deitado
no chão- acaba com ele
Meu coração acelera. O que devo fazer? As palavras de meu pai ecoam em minha mente: “Não
se envolva em problemas que não são seus.” Mas não posso simplesmente ficar aqui e assistir
Respiro fundo, pego uma flecha e puxo a corda do arco. Com um movimento firme, miro e
atiro. A flecha voa pelo ar e atinge a perna do segundo homem e ele geme de dor
- QUEM FEZ ISSO? – diz irritado- apareça
Ainda escondida nas árvores atiro outra flecha no braço do primeiro homem mas passa de
raspão.
- Vamos sair daqui, corre- soluça o primeiro homem
- Ele não pode sair daqui vivo- o segundo homem grita de dor
- Se não irmos embora agora nós é que não vamos sair vivos daqui- diz irritado
Eles fogem rapidamente pela floresta então corro até o senhor que parece aliviado, mas ainda
assustado
- está tudo bem? – pergunto, ajudando-o a se levantar
- Sim, agora está. Muito obrigado, jovem- responde ele, a voz fraca mas grata- Meu nome é
Arthur
- Eu sou Brielle. O que aconteceu? - pergunto preocupada
- Fui atacado por esses bandidos enquanto viajava para a cidade- explica ele, respirando com
dificuldade- você me salvou, não sei como agradecer
- Não foi nada- digo, sentindo uma estranha mistura de orgulho e desconforto- vamos sair
daqui antes que eles voltem.
Conduzo Arthur para fora da floresta e de volta à fazenda. Paramos perto do celeiro, longe da
vista da casa. Meu pai não está em casa então sinto-me aliviada por não ter que explicar nada a
ele.
- Pode descansar aqui por um tempo- digo a Arthur, indicando um fardo de feno onde ele pode
se sentar.
- Obrigado Brielle- diz ele, acomodando-se com dificuldade – você tem um talendo notável
com o arco, onde aprendeu?
- Pratico desde pequena- respondo dando de ombros- não há muito o que fazer por aqui.
Ele acena com a cabeça, estudando-me com uma intensidade que me deixa desconfortável.
Será que ajudei um homem mau?
- Há algo em você, Brielle. Algo que vejo em poucos, um espírito forte e uma habilidade nata-
ele faz uma pausa, como se estivesse ponderando algo- vou descansar um pouco, mas gostaria
de falar com você mais tarde, não sei se estou tomando a decisão certa mas vou arriscar
-assinto curiosa, mas não pressiono por mais informações. Deixo Arthur descansar e volto para
a casa, meu coração ainda está acelerado pela adrenalina do confronto e pelas palavras
enigmáticas de Arthur.
Enquanto termino de fazer as minhas tarefas, não consigo deixar de pensar no que ele disse.
Há uma inquietação dentro de mim e pela primeira vez, sinto que talvez isso não seja uma
coisa ruim.
O sol já se pôs quando volto ao celeiro para ver como Arthur está. A noite é tranquila, exceto
pelo som ocasional dos grilos e do vento suave passando pelas árvores. Levo água e comida
para ele, imaginando que deve estar com fome.
- Como se sente? – pergunto, entregando-lhe a comida
- Melhor, graças a você- responde Arthur, aceitando a água e a comida com um aceno de
gratidão.
Sentamos em silêncio por um momento, enquanto ele come. Eu observo as sombras dançando
nas paredes do celeiro e suspiro lembrando do que ele tem a dizer.
- O senhor mencionou que queria falar comigo- digo finalmente- o que é tão importante?
Arthur termina de comer e me olha com seriedade
- Brielle, preciso que confie em mim- começa ele- o que vou te contar não é fácil de acreditar,
mas é verdade
- Como pode confiar em alguém que só conheceu em algumas horas? - levanto-me irritada
- Você salvou a minha vida e ainda arriscou a sua. Agora estou arriscando a minha vida por
você
Assinto, encorajando-o a continuar.
- Eu sou um dos Guardiões da cidade, encarregado de proteger nosso reino de ameaças
internas e externas- revela ele com sua voz grave-os homens que me atacaram hoje são parte
de uma fracção que quer desestabilizar nosso governo e semear o caos.
Sinto um arrepio na espinha. Guardiões sempre foram figuras lendárias para mim, não terminei
de ler o livro sobre eles porque quando meu pai descobriu que estava lendo aquilo ficou
chateado a me recebeu o livro. Nunca pensei que conheceria um de verdade, muito menos
que ele estaria em perigo
- As pessoas acham que os guardiões já não existem e isso melhora as nossas missões, eles
acreditam que os guardiões são apenas lendas e pouca gente leu o livro, depois foi retirado de
todas as livrarias e bibliotecas do Reino.
- Mas o que isso tem a ver comigo? – pergunto tentando entender onde ele quer chegar
- Você tem uma habilidade rara, Brielle- responde Arthur, seus olhos brilhando com
intensidade – a precisão e a coragem que você demonstrou não são comuns. Precisamos de
pessoas como você nos Guardiões, pessoas que possam fazer a diferença
Meu coração bate mais rápido. A proposta