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A Vida de Brielle: Arco, Amizade e Limites

Brielle treina arco e flecha secretamente, apesar da desaprovação de seu pai, que a mantém sob rígidas regras. Ela anseia por liberdade e amizade, mas enfrenta a manipulação emocional do pai e o medo de desobedecê-lo. Após um encontro assustador com um estranho, ela mente sobre um trabalho escolar para conseguir visitar a casa de uma amiga, refletindo sobre o valor de sua vida e suas escolhas.

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A Vida de Brielle: Arco, Amizade e Limites

Brielle treina arco e flecha secretamente, apesar da desaprovação de seu pai, que a mantém sob rígidas regras. Ela anseia por liberdade e amizade, mas enfrenta a manipulação emocional do pai e o medo de desobedecê-lo. Após um encontro assustador com um estranho, ela mente sobre um trabalho escolar para conseguir visitar a casa de uma amiga, refletindo sobre o valor de sua vida e suas escolhas.

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Os pássaros fazem barulho após a flecha passar sobre as árvores, ainda está escuro e gosto de

treinar essa hora, aperfeiçoar as minhas habilidades enquanto não tem ninguém pedindo para
não sair da fazenda. Geralmente treino longe da fazenda antes do nascer do sol, meu pai não
gosta dessa atividade que pratico, pensa que posso me ferir. Mas já treino isso há muito tempo
então ele não deve se preocupar.

Arrumo todas as flechas e coloco-as na aljava, lugar onde armazeno as flechas, uso ela nas
costas pois assim dá mais jeito. Saio correndo da floresta e os primeiros raios de sol iluminam
os campos de trigo enquanto os pássaros cantam suavemente. Pego as escadas e coloco-as na
direção da janela do meu quarto e subo-as. O suor passa pelo meu corpo então decido tomar
banho a fim de ficar limpa para ir à escola. Assim que termino tudo desço as escadas e vou
para a cozinha, visto o avental e começo a preparar o café da manhã. Observo meu pai pela
janela cuidando dos animais, temos uma rotina muito pacífica aqui só que eu gostaria de
explorar mais, saber o que mais posso fazer além de cuidar dos animais, mas o meu pai traçou
um limite, só posso ir até a praça e à escola, nada mais do que isso, sempre observo o castelo
de longe e nunca posso chegar perto. Oiço o sino quando a porta se abre revelando aquela
barba grande

- Bom dia Bri- cumprimenta com uma expressão preocupada- hoje foi treinar longe?

Não consigo mentir para o meu pai e caso minta e depois ele descobrir a verdade, ele vai me
tirar o que mais gosto de fazer por um mês. Mas se falar a verdade ele vai me poupar só por 1
semana

- Sim- coço a nuca- sinto muito pai, mas hoje farei todos os trabalhos, prometo

- Você só me decepciona, não faz nada de jeito

Essa frase me quebra tanto por dentro, só cometi um erro e isso é o preço a pagar. Sinto-me
incapaz de me mover e ele retira-se da cozinha

- Um dia você estará muito orgulhoso de mim pai, eu prometo

Termino de arrumar a casa e vou para a escola. Caminhando pelo pátio da escola não falo com
ninguém, meu pai me proibiu de falar com as pessoas, principalmente se for alguém que ele
não conhece. De repente alguém toca no meu ombro e automaticamente cerro os punhos

- E aí Bri- ele sorri- o que fez no final de semana? Até pensei em ir na sua casa mas imaginei seu
pai me atirando todos porcos da quinta- ele ri

- Da última vez ele jogou lama do porco- Talia dá um sorriso travesso

Lorenzo ficou com o maxilar tremendo só de lembrar da experiência, ri com a sua expressão
facial

- Dessa vez o gato não mordeu a língua e ela riu- diz Talia sorrindo com deboche

- Não comecem gente, vamos para a aula estamos muito atrasados, se o meu pai descobrir que
perdi uma aula por vossa causa dessa vez ele vai jogar a fazenda inteira sobre vocês

Eles se entreolham e corremos para a sala

Lorenzo Polvis e Talia Iramo são os meus melhores amigos, na verdade os meus únicos amigos
na vila. Talia é um pouco esquisita, conheci ela quando tinha 10 anos, foi a primeira pessoa que
não era que o meu pai que interagi, meu pai me apresentou a ela porque pedi uma irmã, ela
sempre ia na minha casa, mas papai nunca me deixou ir na casa dela, ela e o Lorenzo
conhecem metade da escola, ao contrário de mim que só conheço eles e meu pai, sem contar
com os animais da fazenda

Conheci o Enzo quando tinha 14 anos e ele tinha 16 anos, me perdi quando saí revoltada de
casa e ele me encontrou na floresta, eu estava tremendo de frio então ele apareceu para me
ajudar. Quando apresentei o Lorenzo ao meu pai os dois se deram muito bem, foi estranho,
mas notei que a finalmente teria mais amigos, só que não, aquilo foi o limite. Sempre fui uma
pessoa dedicada e as vezes fugia de casa para treinar arco e flecha, aprendi com o meu pai mas
depois ele desistiu de me ensinar dizendo que é coisa para cavaleiros, só que eu continuei
treinando sozinha. Me sinto livre quando pratico e também tenho muita força, as pessoas aqui
me admiram por verem uma menina levando uma cesta com 50 maçãs.

O professor passou trabalho em grupo e já temos os grupos formados, mas eu esperava que
seria a líder, mas o professor escolheu o Lorenzo. Como vou explicar ao meu pai que vou para a
casa dele? Se nunca fui na casa da Talia imagina a do Enzo

- Será que posso conversar com o professor para ser a líder? – coço a nuca de tanto
nervosismo- gente meu pai não vai me deixar sair

- Relaxa Brielle- Talia dá um sorriso largo- vou falar com seu pai e dizer que será na minha casa
e você nem pense em abrir a boca, você precisa se explorar mais

- Nem sei como vocês são meus amigos, vocês conhecem metade da escola e logo eu? – meus
batimentos cardíacos aceleram- não posso mentir para o meu pai, já decepcionei ele tantas
vezes- minha voz fica tremula

- Amiga você não vai mentir, apenas omitir e isso não é errado, certo?- ela sorri- seu pai te
manipula tanto, você é quem deveria estar decepcionada com aquele cabeça de abóbora e
bigodes de gado- ela ri

Se ela está tentando me animar não resultou, tudo bem que meu pai é alguém difícil mas não
vou deixar ela falar assim dele

- Cala-te Talia, você nem conhece o meu pai para dizer isso- digo irritada e me viro para sair
daqui

- espere- Lorenzo grita e segura meu braço- ela exagerou você tem razão, nenhum de nós
conhece seu pai para dizer isso, mas entenda que você está presa naquela fazenda, Bri você
tem que acordar às 4:30 para treinar e seu pai provavelmente não sabe disso, quando vai se
permitir ser livre?

Lorenzo tem o corpo musculoso e enquanto ele segura meu braço sinto uma quentura no meu
corpo. A seguir ele me abraça e ficámos assim por uns 3 minutos

- Chega de momento de casalzinho

- Nós não somos um casal- falamos ao mesmo tempo

- Vocês sabem que isso não vai resultar, se ele descobrir pode me mandar afastar de vocês e
ficar um ano sem praticar flecha- engulo seco só de pensar

- Só pensa nisso, é só uma mentira- diz Talia- melhor irmos embora está ficando tarde, quer ir
connosco Bri?
- Não, só vou atrasar vocês, podem ir- sorri levemente

Lorenzo me despede com um beijo na minha testa e abraço a Talia. Eles vão na direção oposta,
então vou caminhando.

- Ei bonitinha- um homem berrou- não está ouvindo? Pare de andar, PARE! Seu pai não te deu
educação não?
Paro de andar e cerro os punhos, me viro e encaro o homem a minha frente. Ele está com o
cabelo bagunçado e com um cheiro horrível, faço uma careta e me afasto. Será que posso bater
nele e depois fugir? Ninguém me conhece mesmo. O homem está se aproximando então
decido correr, onde está toda a coragem? Morreu. Enquanto corro esbarro em alguns objetos,
agora estou em um local cheio de árvores, como vim parar na floresta? Meu pai vai acabar
comigo dessa vez, começo a chorar de raiva e ouço alguns barulhos
- Quem está aí? – pergunto com a voz tremula
- Brielle? – ouço a voz do meu pai- o que fazes aqui essa hora? Já te avisei sobre os treinos- ele
me observa atentamente- o que aconteceu?
- um homem estava me perseguindo
- Veio por esse caminho porquê? É perigoso demais, você é tão teimosa, não cansa de me
desobedecer?
Decido não responder, meu coração está batendo tão forte até parece que pode sair em
qualquer momento. Estamos voltando para casa em silêncio e não perguntei o motivo dele
estar andando aqui essa hora. Mas ele tem razão, fui teimosa, arrisquei em vir por esse
caminho e agora tenho que lidar com as consequências.
Chegamos em casa e ele vai ligar as luzes, subo as escadas e entro no meu quarto, vou fazer os
deveres de casa depois de tomar banho e relaxar. Assim que termino tudo, desço as escadas e
encontro papai na cozinha
- Pai…- o chamo mas ele não me olha- tem um trabalho em grupo e dessa vez não sou a líder,
acho que o professor quer explorar as capacidades das outras pessoas
- Não- berrou virando-se para mim- o que está acontecendo com você Brielle? Até seu
professor está te tirando o cargo… você está fugindo da escola? Está mesmo assistindo todas as
aulas? Pare de ser tão distraída e dar oportunidade aos outros, você precisa sempre estar em
primeiro - confessou cheio de raiva
- o senhor nem perguntou o motivo disso ter acontecido e já está falando isso- afirmo
chorando- a líder agora é a Talia- minto e sua expressão facial muda
- A Talia? Tem certeza? Ela pode entregar o cargo a você já que são amigas- ele sorri
- o professor falou que não pode ter nenhuma alteração- minto outra vez, me sinto péssima-
nos finais de semana posso ir na casa da Talia e depois ela me acompanha
- Você se esqueceu do que aconteceu hoje? Quase mataram você- berrou, ele exagerou
- eu vou ficar bem, pai- prometi
- A sua vida é a coisa mais valiosa para mim, não podes perdê-la- avisa- você pode ir lá, mas
toma cuidado, melhor levar essas suas brincadeiras de arco e flecha para se proteger, mas usa
com sabedoria e anda com capuz, não deixa ninguém ver o seu rosto
Sorri de leve e não digo mais nada, vou para o meu quarto e reflito na frase que o papai acabou
de dizer. A minha vida vale tanto assim?

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