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Tipos e Integração de Enxertos de Pele

O documento aborda o conceito de enxertos, que são transferências de tecido sem vascularização própria, classificando-os em autoenxertos, isoenxertos, aloenxertos e xenoenxertos. Descreve as fases de integração do enxerto, as condições essenciais para sua integração, e as indicações e contraindicações para o uso de enxertos de pele. Também discute as vantagens e desvantagens de enxertos de espessura total e parcial, além de fatores relevantes na escolha do enxerto.

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Rafael Santana
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Tipos e Integração de Enxertos de Pele

O documento aborda o conceito de enxertos, que são transferências de tecido sem vascularização própria, classificando-os em autoenxertos, isoenxertos, aloenxertos e xenoenxertos. Descreve as fases de integração do enxerto, as condições essenciais para sua integração, e as indicações e contraindicações para o uso de enxertos de pele. Também discute as vantagens e desvantagens de enxertos de espessura total e parcial, além de fatores relevantes na escolha do enxerto.

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ENXERTOS

Conceito fundamental: transferência de tecido sem vascularização própria


Tipos:
• Autoenxerto: do próprio indivíduo;
• Isoenxerto: gêmeo idêntico;
• Aloenxerto: indivíduo da mesma espécie;
• Xenoenxerto: outra espécie.
Fases da integração:
• Embebição - até 48h;
• Inosculação - 4º a 5º dia;
• Angiogênese - até 7º dia.

Enxertos de pele Espessura total Espessura parcial

- Mais áreas doadoras;


- Maior espessura; - Integração mais fácil;
Vantagens - Melhor resultado estético; - Epitelização da área doadora;
- Melhor retração secundária. - Menor retração primário.

- Poucas áreas doadoras; - Maior retração secundária;


Desvantagens - Necessidade de fechamento da área doadora; - Cobertura menos espessa.
- Maior retração primária.

1. CONCEITOS GERAIS
• Enxerto de Pele: transferência de tecido cutâneo • É uma ferramenta para reconstrução cutânea.
SEM suprimento sanguíneo próprio de uma área • Tipos de enxerto:
doadora para uma área receptora: • Pele, gordura, tendão, osso, nervo. (trataremos
• Se houver suprimento sanguíneo, deixa de ser sobre os de pele).
um enxerto e passa a ser retalho;

2. INTRODUÇÃO
2.1 Pele

• Subdivisão da pele: Primeira camada: Epiderme; • Enxerto nada mais é do que a retirada total ou
Segunda camada: Derme; Encontra-se os anexos parcial da camada cutânea.
cutâneos (foliculo piloso, glandula sudorípara,
glandula sebácea); Superficial → papilar; Profunda
→ Reticular; Tecido subcutâneo = Hipoderme;
ENXERTOS 595

3. CLASSIFICAÇÃO
3.1 Quanto à espessura 3.2 Quanto à origem

TIPO ORIGEM

Autoenxerto Mesmo indivíduo

Mesma espécie
Isoenxerto Indivíduo diferente
Mesma carga genética

Mesma espécie
Aloenxerto / Homoenxerto Indivíduo diferente

Heretoenxerto / Espécie diferente


Xenoenxerto

• Cada região do corpo tem espessuras cutâneas


diferentes, tornando a classificação quanto à • Autoenxerto – também chamados de autólogos:
espessura relativa e pouco precisa. (Não precisa Retirados de um indivíduo e transplantados nele
gravar os epônimos); mesmo; Principal forma;
• Quanto mais profundo é o enxerto, maior é a • Homoenxerto/Isoenxerto – precisam ter 3
possibilidade de levar anexos cutâneos; critérios: Mesma espécie; Indivíduo diferente;
• Parcial (áreas doadoras mais comuns: coxas e Mesma carga genética (irmão gêmeo); Exemplo:
braços): Fino = Thiersch-Ollier; Intermediários = retiro de um irmão gêmeo, e implanto no outro
Blair – Brown; Espessos = Padgett. gêmeo;
• Aloenxerto: Pessoas diferentes; Mesma espécie, de
carga genética diferente (bancos de pele);
• Heteroenxerto/Xenoenxerto: Espécies diferentes
(Exemplo: pele de tilápia).

4. INTEGRAÇÃO DO ENXERTO
• Ao retirar um enxerto, é necessário colocá-lo em • Fases da Integração (3 fases):
sua área receptora para seu objetivo: • Embebição: Primeiras 24-48 horas; É nutrido
• Como citado, não há vascularização própria em por difusão plasmática; Colocar o enxerto em
enxerto, logo, precisam ser revascularizados área receptora bem vascularizada. Aumento de
para evitar necrose. peso devido à nutrição inicial;
596 CIRURGIA PLÁSTICA

• Inosculação: Após 48 horas podendo durar até


7-10 dias. É caracterizado pelo alinhamento
dos capilares do leito receptor, com os vasos
seccionados na retirada do enxerto. Momento
de alta fragilidade sendo importante evitar
perturbação no local;
• Revascularização: Dura até 1 semana;
Caracterizado pela penetração vascular para o
enxerto; Similar a fase da cicatrização fisiológica
– fibroproliferativa; Fibroblastos produzem
matrizes extracelular na interface do enxerto
com a área receptora.

4.1 Condições essenciais para


integração do enxerto [Link]
dGhL3YdQ4mpccTsZ 8hBcqC/?lang%3Dpt%26format%3Dpdf&sa=
• Leito bem vascularizado; D&source=docs&ust=1701015088364681&
usg=AOvVaw33XnFrVyVgIA2lh0DM1604
• Imobilização → evitar destruição dos capilares Fenestrações no enxerto diminui risco de complicações
durante as fases de inosculação e revascularização;
• Ausência de coleção na interface (seroma,
hematoma); 4.2 Complicações
• Ausência de infecção. • Cisalhamento é a principal causa de perda
do enxerto: Para evitar é necessário curativo
compressivo;
• Outras causas: Seroma/hematoma – outras
fontes indicam essas como a principal causa, mas
para a prova, considere cisalhamento! Leito mal
vascularizado; Presença de infecção; Paciente
desnutrido 🡪 sem reserva energética; Pacientes
com doenças autoimunes, imunossuprimidos.

4.3 Abertura do curativo em


enxertos parciais
• Em lâmina: 3 – 5 dias (geralmente 5, 3 pode ser
muito precoce);
• Em malha: 5 – 7 dias;
• Cuidados adicionais: Trocas sequenciais do
curativo -> Refazer o curativo, e a cada vez que
reabrir, avaliar a vitalidade e integralização da
ferida. Momento de identificação de complicação.
Hidratação da pele: Quanto mais fino = menos
anexos cutâneos. Proteção solar; Malhas
compressivas. Reinervação e reativação das
Tecido com tecido de granulação (tecido propício)
glândulas anexiais: Ocorre semanas após.

5. CONTRAÇÃO DO ENXERTO
5.1 Contração primária 5.2 Contração secundária
• Acontece imediatamente após retirada do enxerto, • Não depende exclusivamente do enxerto, depende
ou após a incisão cirúrgica – fibras elásticas; também da área receptora;
• Relação diretamente proporcional a quantidade • Na cicatrização fisiológica, na fase de
de fibras elásticas (maior espessura, maior remodelamento/maturação (terceira fase), há
contração). contração do leito da ferida provocada por
miofibroblastos;
• Relação inversamente proporcional a quantidade
de fibras elásticas, quanto mais fibras mais resiste
à força e consequentemente menor contração.
ENXERTOS 597

6. INDICAÇÃO E CONTRAINDICAÇÕES
6.1 Reconstrução de defeitos cutâneos 6.2 Contraindicações
• Neoplasias cutâneas; • Feridas mal-vascularizadas;
• Queimaduras; • Estruturas nobres: Osso, cartilagem, tendão, vasos,
• Perda tecidual (ex: trauma, descolante); vísceras.
• Infecções (fasciíte).

7. FATORES RELEVANTES NA ESCOLHA DO ENXERTO


7.1 Área receptora 7.2 Área doadora
• Analisar o tamanho da lesão; • Há quantidade disponível?
• Local da lesão; • Compatibilidade com a área receptora? Coloração,
• Exposta ou que esconde nas vestimentas? textura, necessita de anexos cutâneos?
Estética? Funcional?

7.3 Enxerto de pele parcial

INDICAÇÕES VANTAGENS DESVANTAGENS


Queimaduras Grande oferta Qualidade limitada
Feridas agudas bem vascularizadas Integração mais fácil Não transporta anexos cutâneos
Possibilidade de de recoletar a
mesma área Maior contração secundária
Feridas crônicas mal vascularizadas Menor contração primária (na área receptora)
(na área doadora)

Fonte: [Link]
br/&sa=D&source=docs&ust=1701015088365336&usg=AOvVaw1_
lT16yPHc85WCu9Sq4WWb
598 CIRURGIA PLÁSTICA

7.4 Enxerto de pele total

INDICAÇÕES VANTAGENS DESVANTAGENS


Excelente Disponibilidade
Áreas estéticas qualidade e limitada
estabilidade
Transporta Maior risco de
Áreas funcionais anexos cutâneos não integração [Link]
br/&sa=D&source=docs&ust=1701015088365854&usg=AOvVaw1
Menor contração PoWVKQ1T4K3UA9_poaNA4
Leitos bem secundária (área
vascularizados receptora)

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