ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 37143/2023
ACÓRDÃO
Avaria de água aberta e exposição a risco, acidente e fato da navegação, envolvendo a lancha a
motor, ocorridos no rio Cubatão, município de Joinville, Santa Catarina, provocando avaria no
motor, parte elétrica/eletrônica, sem acidentes pessoais ou poluição [Link]ção do deck
de popa provocando embarque de água pela vedação dos cabos do motor.Água aberta. Fato de
terceiro. Exculpar. Exposição a risco. Imperícia. Condenação.
Lidos, relatados e discutidos os autos.
Trata-se do acidente e fato da navegação, envolvendo a L/M "FÉ", ocorridos no rio Cubatão,
município de Joinville, Santa Catarina, cerca das 13h30, do dia 23 de outubro de 2022, provocando
avaria no motor, parte elétrica/eletrônica devido ao embarque de água, sem acidentes pessoais ou
poluição ambiental.
Dos depoimentos colhidos e documentos acostados extrai-se que no referido dia a Lancha FÉ,
inscrição n. 4215508444, com 6,39 metros de cumprimento, AB 2,60, classificada para atividade de
esporte e recreio e área de navegação interior foi posicionada no cais da Marina Porto do Sol a
pedido do Sr. BRUNO, onde ele realizaria um passeio com mais cinco pessoas a bordo, após a
lancha ter passado por um reparo de ampliação do deck. Por volta de 12h30, embarcaram na
Lancha FÉ, o condutor, Sr. Bruno, e mais cinco pessoas. Eles navegavam pelo rio Cubatão e, após
alguns minutos, notou a lancha estava com a popa pesada. Logo depois, observou uma grande
quantidade de água, que embarcava. Sem conseguir identificar a origem da entrada da água,
decidiu “abarrancar” de forma deliberada a lancha (fazer uma varação), como medida de
segurança, evitando que ela afundasse por completo no meio do rio. Em seguida, foi realizado
contato com a Marina, solicitando apoio e, nesse intervalo de tempo, uma embarcação, que
passava pelo local, prestou socorro e conduziu quatro das seis pessoas, que estavam a bordo, de
volta para a Marina Porto do Sol. Duas pessoas ficaram na lancha até a chegada do apoio da
Marina. Com a chegada do apoio, estudaram a situação e decidiram deixar a embarcação varada
até a descida da maré, regressando à Marina. Posteriormente, verificou-se que era o caso de água
aberta seguida de varação. No final da tarde, com a maré mais baixa, a embarcação de apoio da
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
da navegação, previsto no art. 14, alínea “b”, da Lei nº 2.180/54, como decorrente de fortuna do
mar, mandando arquivar os autos, conforme promoção da PEM.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se.
Sessão Ordinária nº 7.884 de 10 de setembro de 2025.
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
meteoceanográfico (swell) de caráter excepcional, inevitável e irresistível, que deu ensejo ao
incidente relatado.
Concluíram os peritos e o encarregado do IAFN, em uniformidade de entendimentos, que a causa
determinante do encalhe foi fortuna do mar.
Analisados os autos entendeu a D. Procuradoria que assiste razão ao encarregado do IAFN, sendo
assim, opinou pelo arquivamento do presente IAFN.
Publicada nota de arquivamento, os prazos foram preclusos sem que interessados se
manifestassem conforme certidão (Documento nº 0248711- SEI).
Decide-se.
De tudo o que consta nos presentes autos, restou demonstrado que conforme constatado pelos
peritos o equipamento (gangway) estava com as manutenções em dias. Os parâmetros
meteorológicos para a operação de apoio logístico prestado pela embarcação "POSH ARCADIA",
estavam dentro dos limites seguros, o sistema de alarme funcionou corretamente antes da
desconexão automática (auto lift). Não houve acidentes pessoais e nem poluição hídrica. A
Sociedade Classificadora (ABS) atestou a navegabilidade da embarcação após o incidente,
apontando apenas o dano material da gangway. O Comandante afastou a embarcação "POSH
ARCADIA" com segurança, sem ocorrências de abalroamento. As inquirições das testemunhas
corroboraram com as apurações dos peritos e também com o resultado do Boletim de Informações
Ambientais do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM), sendo possível constatar que o incidente
resultou de uma alterações inesperadas das condições meteorológicas. Conclui-se que o incidente
teve como causa determinante uma brusca alteração meteorológica (SWELL) sendo considerado
uma fortuna do mar, fenômeno natural de caráter excepcional, inevitável e irresistível.
Pelo exposto, deve-se julgar procedente o pedido de arquivamento formulado pela PEM.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
quanto à natureza e extensão do acidente da navegação: desconexão automática de passarela.; b)
quanto à causa determinante: onda elevada inesperada e imprevisível; c) decisão: julgar o acidente
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 38164/2024
ACÓRDÃO
Desconexão automática de [Link] elevada inesperada e imprevisível. Fortuna do mar.
Arquivamento.
Vistos os presentes autos.
Consta dos autos que no dia 25 de janeiro de 2024, no campo do roncador, Bacia de Campos, a
embarcação "POSH ARCADIA", um flotel, estava conectada à plataforma P-62 por uma passarela
(gangway). Segundo o que foi relatado a unidade "POSH ARCADIA" operava normalmente, em
posicionamento dinâmico, quando às 02h37, ocorreu um movimento inesperado entre a "P-62" e a
"POSH ARCADIA", causado por uma onda elevada (swelll), resultando na desconexão automática
(emergencial) da passarela.
Apurou-se que o movimento inesperado (swell) causou um pico de elevação na passarela,
ultrapassando a configuração de segurança do sistema, iniciando assim o auto lift (desconexão
emergencial) da passarela. Em virtude da inclinação para baixo da passarela, houve o impacto da
extremidade da passarela com o convés de mergulho da P-62, ocorrendo um blecaute nos
comandos de recolhimento da passarela.
De acordo com os depoimentos o Comandante, o Operador de Posicionamento Dinâmico (DPO) e
o Marinheiro Auxiliar de Convés da P-62 guarneceram suas posições e realizarem o afastamento da
plataforma.
Do evento em exame não resultaram acidentes pessoais ou poluição hídrica, mas há registro de
danos materiais eis que a passarela (gangway) da embarcação "POSH ARCADIA" sofreu avarias.
A prova técnica registrou que tanto a embarcação "POSH ARCADIA" quando a passarela (gangway)
a ela pertencente estavam em bom estado de conservação. Apurou-se que a passarela funcionava
normalmente e eram realizadas checagens semanalmente.
Os peritos registraram que, inicialmente, as condições ambientais eram normais e favoráveis para
operação, que não foi emitido aviso de mau tempo, no entanto, ocorreu um evento
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
Na análise do Encarregado, a correnteza se encontrava com intensidade fora dos parâmetros,
devido às enchentes que acometeram o Rio Grande do Sul no mês de maio de 2024, uma
catástrofe, com volumes de água nunca visto nos últimos 40 anos, que desceram do centro do
Estado do Rio Grande do Sul, após inundações de vários rios que desembocam todo seu volume de
água na Lagoa dos Patos, e que consequentemente, descem para sair pela única saída que existe,
ou seja, pelos Molhes da Barra de Rio Grande, sendo assim, aumentando de forma espantosa a
intensidade da correnteza, causando uma força capaz de arrebentar as espias do navio naquele
momento.
A D. Procuradoria entendeu que o acidente da navegação envolvendo o N/M “NM "Konkar Ormi”,
resultou de fator inevitável e irresistível, configurando uma situação de fortuidade, manifestando-
se desde já pelo ARQUIVAMENTO do presente IAFN.
Pelo exposto, deve-se julgar procedente o pedido de arquivamento formulado pela PEM.
Assim,
ACORDAM os Desembargadores da Primeira Turma do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a)
Quanto à natureza e extensão do fato da navegação: colisão de embarcação com o píer, com
registro de perda de espias e sem poluição hídrica; b) Quanto à causa determinante: mudança
brusca nas condições climáticas; e c) Decisão: julgar o fato da navegação, previsto no art. 14, "a" da
Lei nº 2.180/54, como decorrente de fortuna do mar, mandando arquivar o IAFN, conforme
promoção da PEM.
Publique-se. Comunique-se. Registre-se
Sessão Ordinária nº 7892 de 02 de outubro de 2025.
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
correntógrafo da Praticagem registrava no dia do acidente o máximo de 4,17nós. Entretanto, sua
localização fica próximo à boia nº 11 ao sul do TECON, e tão próximo do Terminal da TERMASA, o
que justificaria essa diferença, além de que, o Estado do Rio Grande do Sul atravessava um período
de catástrofe, com volumes de chuvas enormes e inundações de rios no centro do estado que
deságuam em um só ponto, que são pelos Molhes da Barra, o que provocou correntes
extremamente fortes nesse período.
Conforme mencionado nos autos, o Estado do Rio Grande do Sul foi atingido por uma enchente
histórica em maio de 2024, resultando no aumento da corrente dos rios, causando alagamentos e
desastres em toda a região. Os investimentos necessários para reconstrução do terminal sob
análise, fazendo inclusive alusão à colisão do navio atracado contra o cais, por força do aumento
da força da correnteza das águas.
À luz de tais considerações, a D. Procuradoria entendeu que o acidente da navegação envolvendo o
N/M “NM "Konkar Ormi”, resultou de fator inevitável e irresistível, configurando uma situação de
fortuidade, manifestando-se desde já pelo arquivamento do presente IAFN.
Por fim, requereu a D. Procuradoria como Medida Preventiva e de Segurança, a implementação da
ação apontada pela Capitania dos Portos do Rio Grande do Sul no sentido de fazer gestões junto ao
Terminal Termasa para a instalação/utilização de um aparelho de medição de corrente e de um
ponto de medição de vento e velocidade de navios no cais Norte do TERMASA, de modo a auxiliar
na apuração de outros acidentes que possam vir a ocorrer no local.
Publicada nota de arquivamento, os prazos foram preclusos sem que interessados se
manifestassem conforme certidão (Documento nº 0319609- SEI).
Decide-se.
O Encarregado do Inquérito concluiu que o acidente foi atribuído à forte correntada e ao aumento
de volume de água na lagoa, considerando as enchentes no norte do Estado que causaram fortes
correntes durante o escoamento dessas águas em direção à boca da barra.
No Laudo de Exame Pericial Indireto, de fls. 54/69 ,os peritos concluíram que a causa determinante
foi fortuna do mar.
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
das espias que foram largadas e se encontravam no cais e flutuando na água do rio, confirmando-
se o seu bom estado de conservação.
Ao comparar as cargas de rupturas das espias do navio contidas nos Certificados de testes das
espias com os cálculos de resistência das espias no diagrama de atracação do TERMASA, a perícia
concluiu que em todas as posições das espias havia maior resistência do que o requerido pelo
plano do Terminal.
Nos cálculos do navio de projeto (utilizado como modelo para os cálculos padrão da Termasa), há
previsão de um vento máximo de 37 nós (o vento presente era de 21/22 nós) e uma corrente
máxima de 3 nós (a corrente, segundo valores máximos obtidos no Correntógrafo da Praticagem
foi de 4,17 nós). De modo que a correnteza estava muito acima do máximo admissível.
O Encarregado do Inquérito, em concordância de entendimento com a perícia concluiu que a
causa determinante do acidente da navegação foi Fortuna do Mar, em virtude das condições
climáticas que ocorreram em grande escala em todo estado do Rio Grande do Sul, favorecendo e
contribuindo assim para fortes correntezas no local.
Na análise do Encarregado, a correnteza se encontrava com intensidade fora dos parâmetros,
devido às enchentes que acometeram o Rio Grande do Sul no mês de maio de 2024, uma
catástrofe, com volumes de água nunca visto nos últimos 40 anos, que desceram do centro do
Estado do Rio Grande do Sul, após inundações de vários rios que desembocam todo seu volume de
água na Lagoa dos Patos, e que consequentemente, descem para sair pela única saída que existe,
ou seja, pelos Molhes da Barra de Rio Grande, sendo assim, aumentando de forma espantosa a
intensidade da correnteza, causando uma força capaz de arrebentar as espias do navio naquele
momento.
Os danos sofrido pelo Terminal foram consequências das tentativas do Navio Konkar Ormi, de
permanecer atracado ao cais para manter sua segurança que estava comprometida, entretanto, de
forma inesperada e involuntária, por força da corrente que tinha uma intensidade forte, além dos
parâmetros aceitáveis, fez com que o navio colidisse contra o cais, sem que nada mais pudesse ser
feito, mesmo depois de todas as medidas preventivas adotadas.
Nos Relatórios do Comandante, do Prático, dos quatro MESTRES dos rebocadores e do Terminal há
uniformidade de entendimento no sentido de reconhecer que a corrente chegava a 5 nós. O
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
local, verificou que o navio não estava encostado com as defensas (fixas ao cais), então o Agente
do terminal solicitou que ele empurrasse pela bochecha de BE, para tentar encostar o navio
novamente ao cais, com a maré e correnteza muito forte, o Terminal solicitou o apoio do segundo
rebocador "VITORIA LX"; que fizeram todo procedimento mediante a autorização da sua agência e
sob instrução do Terminal; que quando chegou o segundo rebocador continuou com a mesma
condição adversa de clima, o Terminal via Agente tomou a decisão de trazer a mudança de berço
do navio, da TERMASA para o TERGRASA, solicitando o Prático. O Prático solicitou mais dois
rebocadores para realizar a mudança de berço. Com a chegada dos outros dois rebocadores, já
com o Prático a bordo do navio, iniciou a passagem de cabos dos rebocadores para o navio, nesse
momento os cabos do navio com o Terminal começaram a partir. O navio foi abrindo e foi
estourando todos os cabos, tentamos fundear o navio, mas pela condições de vento e correnteza
não foi possível, o prático por segurança tomou a decisão de sair com o navio fora da Barra.
De acordo com o ofício do Terminal da Termasa, datado de 10/05/2024, o terminal atesta que
houve danos em trechos do cais e que os custos causados pelo Navio foram estimando num total
de vinte milhões, duzentos e quarenta e oito mil e cento e sessenta e nove milhões de dólares. No
entendimento do Terminal e de todos os atores participantes (Comandante do Navio, Prático,
Comandantes dos rebocadores e Gerente Operacional do Terminal), eles concordam e entendem
que todo o ocorrido que levou ao rompimento das espias e à colisão foi fruto de condições
meteorológicas severas, e teve como principal fator a intensidade da corrente (5nós). Quanto ao
tempo de atendimento, inicialmente, quando do rompimento das primeiras espias, o acionamento
dos Rebocadores "CEPHEUS" e "VITÓRIA LX" que aconteceu às 21h33 e 21h50 e foram atendidos
às 21:56 e 22h20, respectivamente, tendo sido o atendimento considerado satisfatório.
No Relatório de Investigação de Acidente e Incidente, o acidente foi atribuído à forte correntada e
ao aumento de volume de água na lagoa, considerando as enchentes no norte do Estado que
causaram fortes correntes durante o escoamento dessas águas em direção à boca da barra.
No Laudo de Exame Pericial Indireto, de fls. 54/69 ,os peritos concluíram que a causa determinante
foi fortuna do mar.
A perícia constatou que as espias encontravam-se em boas condições. Foi analisado o Certificado
das Espias utilizadas pelo Navio. No caso em lide, foi feita a inspeção visual no local do acidente
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
Rebocador ("CEPHEUS") às 21:56 e do segundo Rebocador ("VITÓRIA"), começou a saga de
empurrar na proa e abrir a popa, e vice-versa, empurrando a popa e abrindo a proa. Em
determinado momento o Comandante teve a percepção de que o navio tocou com a proa pela
bochecha de BB, entretanto, não ficou sabendo no momento de nenhuma avaria no Terminal da
TERMASA. Essas tentativas de aproximação ao cais foram totalmente prejudicadas pela força da
corrente agindo sobre área vélica submersa devido a um calado de 13,29 metros que dificultou
sobremaneira, somente conseguindo se estabilizar paralelo ao cais por volta das 01h30 do dia
07 /05/2024, mantendo os dois rebocadores empurrando o navio de encontro ao cais.
O Prático foi solicitado pela Agência Marítima Rio Grande (AMRG) para efetuar uma mudança de
Terminal (do TERMASA para o TERGRASA), às 01h20 do dia 07 /05/2024 para que estivesse a bordo
do navio às 03h00 (POB - Pilot On Board). O prático chegou às 03:00 do dia 07/05/2024, com mais
dois (02) Rebocadores (“Starnav Sirius” e Crater). Quando o Prático começou a posicionar os
quatro (04) rebocadores, a corrente que aumentava sua força e afastar o navio do cais novamente,
nesse momento as espias começaram a se romper e nesse instante o Comandante do Navio após
ter visto que mais algumas espias se romperam, decidiu largar as que sobraram para não danificar
os equipamentos de bordo. O Prático vendo que não conseguiria retornar com o navio ao cais e
por não ter mais espias para atracar em outro Terminal, decidiu junto com o Comandante
desatracar de vez e fundear. Fizeram duas (02) tentativas de fundeio (às 03:30 e às 04:42), sem
sucesso devido a corrente muito forte. Decidiram então (Comandante do Navio e Prático) levar o
navio para a área de fundeio Fora de Barra. O Prático desembarcou às 06h30 e o Navio fundeou na
área de fundeio Fora de Barra às 07h12 do dia 07 /05/2024.
Em depoimento de fls. 141, o Sr. Vladmir, Comandante do Rebocador "VITORIA LX", relatou que
quando chegou no local o rebocador "CEPHEUS" já estava atuando na proa por BE; que observou
que o navio estava se afastando do cais e o Terminal TEMARSA fez contato com o depoente via
rádio VHF para ele atuar na popa de BE; que o Terminal solicitou que os rebocadores ficassem
empurrando o navio para cais, devido às condições climáticas desfavoráveis; que com a presença
do Prático foi decidido realizar a manobra de mudança de berço No depoimento do Sr. Rodrigo,
Comandante do Rebocador "CEPHEUS", ele declarou que quando estava atracado no TECON, por
volta das 22h foi acionado via telefone celular pela central de operação da Wilson Sons para
prestar auxílio no terminal da TERMASA para prestar auxílio no N/M "Konkar Ormi". Chegando no
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
mantida, o Prático Guido Cajaty determinou o posicionamento dos quatro rebocadores para iniciar
a manobra. O rebocador "CEPHEUS" foi alocado na proa, enquanto o "CRATER" e o "STARNAV
SIRUS" ficaram pelo costado e o "VITORIA LX" foi posicionado na popa.
No momento em que os rebocadores estavam se posicionando e tentando passar seus cabos, o
navio começou a afastar-se bruscamente do cais devido à forte correnteza. O rebocador "VITORIA
LX" foi então reposicionado na bochecha de boreste, ao lado do CRATER, para controlar a abertura
da proa, que se movia bruscamente para longe do cais.
Apesar dos esforços, as espias começaram a se partir sequencialmente, indicando que o retorno
do navio ao cais não seria possível. Com o objetivo de minimizar os riscos, algumas espias foram
largadas, evitando danos aos equipamentos de convés (cabrestantes e molinetes) e priorizando a
segurança da tripulação.
Após todos os esforços, constatou-se que o navio não possuía mais espias sobressalentes para
retornar ao terminal TERGRASA, que era a intenção inicial com a chegada do Prático a bordo.
Assim, alterou-se o planejamento para fundear o navio na área "B" (ponto de fundeio), garantindo
a segurança da embarcação e da tripulação.
Apesar de duas tentativas de fundeio no local determinado, não foi possível manter o navio
fundeado, precisou recolher o ferro com urgência devido à correnteza muito forte, que impedia
uma ancoragem segura. Com o auxílio dos rebocadores "STARNAV SIRUS" e "SVITZER GENARO", o
navio então rumou para fundear fora de Barra, onde não houve intercorrências.
No depoimento do Comandante do navio, consta que após ter recebido a informação de que as
condições meteorológicas ficariam pior, tomou as providências de aumentar o número de espias e
dobrar algumas amarrações. Quando recebeu a informação de que uma espia na popa havia se
rompido e mais duas na proa também, com consequente abertura da proa, inicialmente tentou
por meios próprios contornar a situação usando seus próprios equipamentos
(cabrestante/molinete). Entretanto, quando sentiu que com seus meios próprios não estava
conseguindo recolher/puxar as espias e fazer o navio retornar/encostar no cais, pois, os
equipamentos não tinham força. O navio se aproximava do cais, e se afastava, fruto de uma
corrente extremamente forte conforme atestada pelo Comandante. Com isso, o Comandante
pediu auxílio de rebocador para ajudar a empurrar o navio para o Cais. Após a chegada do primeiro
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ANO X - 3 de novembro de 2025 Acórdãos
PROCESSO Nº 38363/2024
ACÓRDÃO
Colisão de embarcação com o píer, com registro de perda de espias e sem poluição hídrica.
Mudança brusca nas condições climáticas. Fortuna do mar. Arquivamento.
Lidos, relatados e discutidos os autos.
Consta dos autos que em 06 de maio de 2024, às 21h10, o NM "Konkar Ormi” encontrava-se
atracado no cais do TERMASA no Rio Grande - RS quando, devido à força da correnteza, começou a
se afastar do berço de atracação. Em virtude dessa situação e das informações recebidas do
Imediato e do Oficial de serviço, o Comandante do navio, prevendo uma ação de segurança em
virtude das condições meteorológicas, determinou que reforçassem a amarração, dobrando um
(01) espringue de ré, um (01) lançante de ré e passando um reforço dobrado pelo través.
Ainda que tomadas as devidas providências para reforçar a peação e manter o navio atracado com
segurança, ele continuava a afastar-se do cais, o que ocasionou o rompimento de duas (02) espias
de popa, um (01) espringue e dois (02) lançantes, devido à correnteza muito forte (estimada pelo
Imediato em 5 nós).
Na sequência, o Comandante solicitou apoio de rebocadores à Agência Marítima. Durante o
intervalo de tempo até a chegada dos rebocadores, foi tentado manter o navio na posição com o
uso dos cabrestantes e molinetes, porém, em razão da forte correnteza, os equipamentos não
apresentaram força suficiente para a tarefa.
Após a chegada de dois (02) rebocadores, o "Cepheus" e o "Vitória IX", foi realizada uma tentativa
inicial de manter o navio encostado ao cais. Entretanto, a correnteza causava o movimento de
"abre e fecha" na proa do navio. Durante esse período, na tentativa de estabilizar o navio, o
Comandante observou que ele havia tocado o cais na proa a bombordo, resultando em uma
colisão com o Píer da TERMASA e no deslocamento da Torre nº 03.
Por volta das 03h00, a lancha da Praticagem chegou com o Prático a bordo para iniciar a
desatracação do navio, a fim de trocá-lo de píer, agora com o apoio de mais dois (02) rebocadores
("CRATER" e "SIARNAV SIRUS"). Após analisar a situação e verificar que a atracação não poderia ser
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