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Autores:
V EDAO Alexandre Lima Farias
Ivone Maria de Oliveira
Rui Jovita G. C. da Silva
Celso Vilar Torino
Jorge Cesar da Cunha Oliveira
Rodolfo Treistman
Empresa: FURNAS Centrais Elétricas S. A.
Endereço: Rua Real Grandeza, 219 – Rio de Janeiro – RJ - Cep 22283-900
Telefone: (021) 528-5296
Fax: (021) 528-4455
Resumo do trabalho:
Aplicação de Controladores
Lógicos Programáveis no
Esquema de Controle de
Emergência do Sistema de
Transmissão em 750 kV.
Resumo do Trabalho:
Com o objetivo de aumentar a confiabilidade na transmissão da energia elétrica de Itaipu
60 Hz, o sistema de 750 kV é provido de Esquema de Controle de Emergência (ECE) que procura
minimizar o impacto de contingências através de desligamento automático de unidades geradoras
na Usina de Itaipu 60 Hz, retirada automática de reator de barramento e abertura de linha de seu
sistema de transmissão.
O emprego de Controladores Lógicos Programáveis (CLP's) na execução do ECE tornou
suas ações mais eficientes, permitindo um corte seletivo de máquinas em Itaipu 60 Hz de acordo
com contingência na transmissão e, considerando o automatismo das ações dos CLP's, reduziu a
possibilidade de erro humano.
Através deste artigo estão apresentadas as lógicas do esquema de controle de emergência
do sistema de 750 kV realizadas por controladores lógicos, bem como apontados os ganhos
alcançados com aplicação desta tecnologia digital.
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ÍNDICE
Aplicação de Controladores Lógicos Programáveis no Esquema de Controle de Emergência do
Sistema de Transmissão em 750kV. .................................................................................................. 3
1 Introdução................................................................................................................................... 3
2 CLP - O equipamento e suas funções........................................................................................ 3
3. Descrição do ECE ...................................................................................................................... 4
3.1. Lógica 1.............................................................................................................................. 4
3.2. Lógica 2.............................................................................................................................. 4
3.3. Lógica 4.............................................................................................................................. 5
3.4. Lógica 5.............................................................................................................................. 5
3.5. Lógica 6.............................................................................................................................. 5
3.6. Lógica 8.............................................................................................................................. 5
3.7. Lógica 9.............................................................................................................................. 6
3.8. Lógica 10............................................................................................................................ 6
3.9. Lógica 11............................................................................................................................ 6
3.10. Considerações adicionais .................................................................................................. 6
[Link] de amostragem ........................................................................................ 6
[Link] ou manutenção dos CLP’s das subestações............................................. 7
[Link] em transformadores ......................................................................... 7
4. Conclusões............................................................................................................................. 8
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Aplicação de Controladores Lógicos Programáveis no Esquema
de Controle de Emergência do Sistema de Transmissão em 750kV.
1 Introdução
O emprego de tecnologia digital nas áreas de proteção e controle de Sistemas Elétricos de
Potência, visando elevar os índices de confiabilidade e qualidade na transmissão de energia, é
uma tendência que hoje se consolida com a utilização de Controladores Lógicos Programáveis
(CLP's). No âmbito de FURNAS, CLP's estão sendo aplicados na execução do Esquema de
Controle de Emergência (ECE) do Sistema de Transmissão em 750 kV, responsável pelo
transporte da energia gerada pela Usina de Itaipu 60 Hz e de fundamental influência no
desempenho do Sistema Interligado.
O ECE garante a integridade do sistema de transmissão para contingências como perda de
linhas ou transformadores e sua atuação assegura o desempenho desejável da interligação dos
Sistemas Sul e Sudeste. A aplicação de CLP's buscou tornar as ações do esquema mais seletivas,
seguras e menos dependentes de intervenção humana, sendo atualmente baseadas nos seguintes
parâmetros:
FIPU = Fluxo de potência ativa (MW) nas linhas de Foz do Iguaçu-Ivaiporã medido na SE
Foz do Iguaçu.
FSE = Fluxo de potência ativa (MW) nas linhas de Ivaiporã – Itaberá medido na SE
Ivaiporã.
FSU = Fluxo de potência ativa (MW) para a região Sul na transformação de Ivaiporã.
F230 = Fluxo de potência ativa (MW) na interligação Norte do Paraná.
VT = Tensão nos terminais dos bancos de capacitores série dos circuitos Foz – Ivaiporã,
junto aos reatores de linha
NMAQ = Número de máquinas sincronizadas na Usina de Itaipu 60 Hz.
PCARG = Período de carga.
2 CLP - O equipamento e suas funções
A utilização de CLP's foi dirigida, principalmente, às ações que atuam desligando máquinas
em Itaipu 60 Hz. Na usina, que de acordo com a filosofia adotada tem a função de mestre na
execução do desligamento de máquina, estão instalados dois CLP's para garantir a confiabilidade
do funcionamento do esquema. Já as subestações funcionam com apenas um CLP, enviando os
dados coletados através de sistema de microondas.
Os CLP's da usina além de aquisitar os dados enviados pelas diversas subestações,
identificam as máquinas que estão em operação e estabelecem a seqüência de corte. O número
de máquinas a serem desligadas é definido de acordo com o evento no sistema de transmissão.
Durante o processo de desligamento de unidade geradora, o controle de potência conjunto da
usina é desativado afim de impedir que as máquinas remanescentes compensem a redução de
geração.
Nas subestações os CLP's tem a função de aquisitar os dados de estados de disjuntores,
chaves seccionadoras e relés de sobrecargas de transformadores e os dados analógicos de fluxo
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de potência e tensão. Uma vez realizada uma crítica de consistência da informação, estes dados
são transmitidos para Itaipu através de canais individualizados entre cada subestação e a usina.
3. Descrição do ECE
3.1. Lógica 1
Evita a abertura dos transformadores 765/500kV da SE Foz do Iguaçu decorrente de
sobrecarga superior a 50% durante 20s.
A ação desta lógica é comandada pela atuação dos relés de sobrecorrente dos
transformadores: Havendo sobrecarga superior a 50% em pelo menos um transformador por 3s é
enviado comando para corte de uma unidade geradora. Persistindo a sobrecarga por mais 7s outra
unidade é cortada. É permitido o corte de até duas unidades geradoras (Figura 1).
Reduzida a sobrecarga para valores inferiores a 50% o processo de corte de máquinas é
interrompido
3.2. Lógica 2
Evita abertura do tronco de 750 kV entre Ivaiporã e Tijuco Preto na perda de um circuito
deste trecho.
A utilização de CLP's proporcionou uma grande seletividade tanto na habilitação da lógica,
que considera os parâmetros FIPU, FSE, NMAQ e PCARG, quanto na ação de corte de máquinas,
que possui diferentes estágios conforme mostra a Figura 2.
A lógica também distingue dois períodos de carga (Média/Pesada e Leve/Mínima). Para
cada valor de NMAQ, dentro de cada período, corresponde um par de valores de FIPU e FSE que
determina os níveis de fluxo de potência para corte de uma, duas ou três máquinas.
Logo, para cada condição de carga, em função do número de máquinas em operação e se
for ultrapassado o valor de FIPU ou de FSE de um determinado nível de referência a perda de um
circuito entre as SE's IV-TP é suportada com o corte do número de máquinas correspondente.
Deve ser observado que apenas na carga Média/Pesada e com número superior a sete unidades
em operação na usina são selecionadas três máquinas para o corte.
É importante frisar que a lógica abrange também a condição de operação do sistema de
transmissão com tensão VT inferior a 102%. Detetada esta situação, as referências dos níveis de
FSE são reduzidas pelo fator de 0,95 a fim de garantir a efetividade do esquema.
A descrição acima está ilustrada pelo diagrama de blocos da Figura 3.
A filosofia apresentada é válida para a situação de sistema completo. Define-se como
sistema completo a operação do tronco de 750 kV com todas as linhas de transmissão, capacitores
série presentes (completos), todos os disjuntores dos vãos de linhas juntos aos barramentos de
750 kV das SE's Ivaiporã e Itaberá fechados e pelo menos um transformador 750/500kV da SE
Ivaiporã. Esses são os elementos do sistema de transmissão cujas presenças são monitoradas
pelos CLP’s. A Figura 4 apresenta a configuração de sistema completo.
Na ausência de pelo menos um elemento entre os monitorados pelos CLP's, o sistema é
considerado incompleto e a lógica segue a mesma filosofia de atuação apresentada pela figura 3.
As diferenças básicas são os valores de referências reduzidos e menos seletividade no corte de
máquina.
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3.3. Lógica 4
Desliga os 2 circuitos Foz do Iguaçu-Ivaiporã por taxa de freqüência, como último recurso
para se evitar sobrefreqüências no sistema Sul após a atuação da lógica 8.
Atualmente está ajustado em 1.4 Hz/s. Ressalta-se que em alguns casos este esquema
poderá atuar mesmo para sobrefreqüências abaixo de 65 Hz. Para evitar esta atuação
desnecessária, o esquema é bloqueado para algumas faixas de recebimento Sudeste.
3.4. Lógica 5
Evita abertura do sistema de transmissão em 750kV entre as SE’s Foz do Iguaçu e
Ivaiporã na perda de um circuito deste trecho.
O emprego de CLP's permite que a habilitação da lógica seja feita pelos parâmetros FIPU,
FSE, NMAQ E PCARG em dois períodos distintos de carga (Leve/Mínima e Média/Pesada), de
modo semelhante a lógica 2, para os diferentes níveis de corte de unidades geradoras.
A condição de operação do sistema de transmissão com tensão VT inferior a 102%
também será incluída, porém serão reduzidas as referências dos níveis de FIPU pelo fator de 0,95
a fim de garantir a efetividade do esquema.
Com a digitalização, as lógicas 2 e 5 tornaram-se semelhantes, a menos dos valores de
referências. Deste modo, vale se reportar ao diagrama de blocos da Figura 3 para a ilustração da
lógica 5.
3.5. Lógica 6
Evita a abertura dos transformadores de 765/500kV da SE Ivaiporã decorrente de
sobrecarga superior a 50% durante 20s.
A atuação da lógica pelos CLP's é ativada por sinal dos relés de sobrecorrente dos
transformadores, porém apenas na condição de FSU no sentido Sul. Nesta situação, havendo
sobrecarga em pelo menos um transformador por 3s, é enviado sinal para corte de uma unidade
geradora. Persistindo a sobrecarga por mais 7s outra unidade é cortada. É permitido o
desligamento de até duas unidades geradoras e reduzindo a sobrecarga para valores inferiores a
50% o processo de corte de máquinas é interrompido. As filosofias de atuação das lógicas 1 e 6
são semelhantes, apesar da restrição do sentido de FSU para a lógica 6. Portanto, o diagrama de
blocos da Figura 1 também representa a lógica 6.
3.6. Lógica 8
Evita bloqueio de usinas térmicas no sistema Sul devido a sobrefreqüências.
A perda de circuito duplo entre as SE Ivaiporã e Tijuco Preto comanda o desligamento de
determinado número de máquinas de Itaipu 60Hz. A tomada de decisão do número de unidades a
serem mantidas em operação é determinada pela seguinte equação:
NMAO(FSU + F 230 + 1300 )
NF =
FIPU
Onde NF significa o número de unidades fora do corte e FSU positivo representa fluxo na
transformação de Ivaiporã no sentido Sudeste/Sul. A lógica deverá considerar a parte inteira de
NF, havendo a restrição de que esse valor não pode ser inferior a três unidades.
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Na indisponibilidade do valor de F230, deverá ser assumido o valor constante de –400MW
para essa variável.
Além desta equação, a ativação da lógica 8 também depende do valor de FSE para sua
habilitação e, estando fora de operação os dois transformadores 765/500 kV de Ivaiporã, a atuação
da lógica é inibida.
3.7. Lógica 9
Evita a abertura dos transformadores da SE Tijuco Preto decorrente de sobrecarga
superior a 50% durante 20 s.
A atuação da lógica depende de sinal proveniente dos relés de sobrecorrente. Havendo
sobrecarga em pelo menos um transformador por 3s, é enviado sinal para corte de uma unidade
geradora. Persistindo a sobrecarga por mais 7s outra unidade é cortada. Admite-se o corte de até
duas unidades geradoras. Reduzida a sobrecarga para valores inferiores a 50% o processo de
corte de máquinas é interrompido.
As lógicas 1 e 9 são semelhantes e, portanto, vale se referir ao diagrama de blocos da
figura 1 para ilustração da lógica 9.
3.8. Lógica 10
Comanda o desligamento de reator na SE Ivaiporã para evitar a ocorrência de colapso de
tensão no sistema de 750 kV.
A condição de fluxo nas linhas Foz do Iguaçu-Ivaiporã (FIPU) superior a 5100 MW e tensão
nos terminais dos capacitores série destes circuitos (VT) inferior ao valor recomendado de 780 kV
por um período superior a 2 segundos comanda a abertura automática de um reator manobrável
de 330 MVAr, se ele estiver energizado.
A figura 5 apresenta o diagrama de blocos da lógica de desligamento automático de reator.
3.9. Lógica 11
Evita a ocorrência de colapso de tensão no sistema de 750 kV através do desligamento de
máquina em Itaipu 60Hz.
A sua ação é determinada por fluxo nos circuitos Foz do Iguaçu-Ivaiporã (FIPU) superior a
5500 MW e a existência de sinal indicativo de atuação do limitador de corrente máxima de campo
de pelo menos uma das unidades de Itaipu 60 Hz.
O diagrama de blocos da figura 6 apresenta a filosofia de atuação desta lógica. Até a data
de elaboração deste relatório, Itaipu ainda não havia viabilizado o sinal do limitador de corrente
máxima de campo.
[Link]ções adicionais
[Link] de amostragem
O tempo de amostragem, que define o intervalo de tempo (periodicidade) para a
atualização dos dados de entrada pelos CLP's, foi ajustado em 5 segundos.
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[Link] ou manutenção dos CLP’s das subestações
• SE Foz do Iguaçu:
A perda do CLP da SE Foz do Iguaçu implica na ausência da informação FIPU, que pode
ter seu valor substituído nas lógicas 2, 5 e 8 pela medição da potência ativa chegando a SE
Ivaiporã. Em função das perdas na transmissão nas LT's FI-IV, a adoção desta medição alternativa
poderia implicar em corte de número insuficiente de máquinas, pois seu valor é inferior à FIPU.
Para contrabalançar esta restrição foi adotado o fator de redução de 0,95 nas referências de FIPU
das lógicas 2 e 5 enquanto perdurar o problema.
Na decisão da lógica 8 o valor de FIPU é empregado diretamente, pois a expressão que
define o número de máquinas fora do corte (NF) já apresenta um fator de 1300 MW para
compensar imprecisões de cálculo.
O fator de correção aplicado na lógica 11 para o valor de FIPU é igual a 0,98 de modo a
diminuir o risco de corte desnecessário de máquina em Itaipu.
• SE Ivaiporã:
Quando da indisponibilidade do CLP da SE Ivaiporã são perdidas as informações de FSE,
FSU e F230, exigindo valores "back-up" para a lógica 8. O valor de FSE é substituído pela medição
de potência ativa chegando a SE Itaberá, sendo um valor inferior ao original devido as perdas na
transmissão, e o valor de FSU é obtido subtraindo de FIPU a medição alternativa de FSE.
Em decorrência da ausência de informação de estado dos disjuntores e capacitores série
da SE Ivaiporã o sistema é considerado em configuração incompleta e as lógicas 2 e 5 terão suas
referências de ativação alteradas após decorrido o período de 1 minuto.
Quando o CLP da SE Ivaiporã estiver fora de operação fica bloqueada a lógica 10. Sendo
um problema exclusivo de comunicação entre a SE Ivaiporã e a usina de Itaipu, esta função
permanece disponível.
• SE itaberá:
Do mesmo modo que a SE Ivaiporã, após 1 minuto de indisponibilidade do CLP desta
subestação sistema é considerado em configuração incompleta para a atuação das lógicas 2 e 5.
Se os CLP’s de duas subestações consecutivas entre Foz do Iguaçu e Itaberá estiverem
simultaneamente indisponíveis, o ECE será automaticamente desativado e a transmissão deverá
ser reduzida a valores seguros.
• SE Tijuco Preto:
A falta de comunicação com a SE Tijuco Preto não impede a ação de nenhuma das lógicas
do esquema de emergência.
[Link] em transformadores
A ação de retaguarda das lógicas 1, 6 e 9 é realizada através de “transfer-trip” do sinal de
atuação da proteção de sobrecorrente para a subestação mais próxima quando da perda de
comunicação das SE´S FI, IV e TP respectivamente.
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4. Conclusões
A aplicação de Controladores Lógicos Programáveis na realização do Esquema de
Controle de Emergência do sistema em 750 kV teve como meta principal a redução de atuações
acidentais de cortes de unidades geradoras em Itaipu 60 Hz decorrentes basicamente de ação
humana. A capacidade de manipulação de grande número de informações e a inteligência própria
destes equipamentos permitiram alcançar importantes evoluções nas lógicas do ECE, tornando
suas ações de corte de tal modo seletivas, que atingiu-se uma redução significativa do número de
máquinas a serem desligadas durante situações de emergência.
Figura 1 – Diagrama de Blocos das Lógicas 1, 6 e 9.
Figura 2 – Níveis de Corte de Máquinas
Figura 3 – Diagrama de blocos das lógicas 2 e 5.
AVISO: 8
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Figura 4 – Configuração Completa do Sistema de 750 kV.
Figura 5 – Lógica de desligamento automático de reator
Figura 6 – Diagrama de Blocos da Lógica de Desligamento Automático de Máquinas.
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