Tráfico de Drogas em Londrina: Caso Luca Souza
Tráfico de Drogas em Londrina: Caso Luca Souza
Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA - FORO CENTRAL DE LONDRINA
3ª VARA CRIMINAL DE LONDRINA - PROJUDI
Av. Tiradentes, 1575 - Jardim Shangri-la A - Londrina/PR - CEP: 86.070-545 - Fone: (43)3572-3680 - E-mail: lon-13vj-
SENTENÇA
1. RELATÓRIO:
exercício de suas atribuições legais e com base nos inclusos autos de inquérito policial, ofereceu denúncia
contra LUCA PEREIRA DE SOUZA, brasileiro, casado, servente de pedreiro, natural de Araguari (MG),
nascido a 8 de junho de 2004, com 20 (vinte) anos de idade na data do fato, filho de Neusa de Melo Pereira
e de Valdivino Ferreira de Souza, residente na rua André Sert, n.º 1.069, bairro Paraíso, na cidade e
Comarca de Ibiporã (PR), como incurso nas sanções do delito do artigo 33, caput, combinado com o artigo
40, inciso III, ambos da Lei n.º 11.343/2006, pela prática, em tese, do fato delituoso assim narrado na inicial:
Militar de que na rua Marselha, nº 525, Jardim Piza, nesta cidade e comarca de Londrina/PR,
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realizou vigilância no endereço supracitado quando visualizaram a chegada de veículos que
iam até a residência, pegavam algo e em seguida saíam da localidade. Então, uma equipe
policial foi acionada para maiores averiguações. Ato contínuo, quando os policiais chegaram no
nervosismo. Por ter assim agido, e diante da vigilância anterior pelo setor de inteligência, os
policial avistou, pela janela aberta da casa, 01 (um) prato contendo resquícios de substância
análoga à maconha, razão pela qual foram realizadas buscas pelo local, tendo o denunciado
permitido a entrada dos agentes. Desse modo, lograram êxito em encontrar, no interior da
maconha, acondicionada na embalagem plástica do tipo ‘zip lock’. Ademais, localizaram outros
objetos usados para a traficância, como 01 (um) estilete na cor preta, 01 (um) prato utilizado
reais), em notas diversas. Diante disso, o denunciado foi preso em flagrante e encaminhado à
dependência física e/ou psíquica e de consumo proscrito pela Portaria SVS/MS n.º 344, de 12
destinavam ao tráfico, razão pela qual foi preso em flagrante e conduzido às repartições
Piza, a cerca de 190 m (cento e noventa metros) de distância do local dos fatos, e Escola
Municipal Carlos da Costa Branco, localizada na avenida Paris, nº 515, Jardim Piza, a 350
(trezentos e cinquenta metros) de distância do local dos fatos. (cf. auto de prisão em flagrante
de mov. 1.1; boletim de ocorrência de mov. 1.17; termos de depoimento de movs. 1.2 e 1.4;
auto de constatação provisória da droga de mov. 1.11; e auto de exibição e apreensão de mov.
1.6.).”
PROJUDI - Processo: 0012314-41.2025.8.16.0014 - Ref. mov. 181.1 - Assinado digitalmente por Leonardo Delfino Cesar
01/09/2025: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: Sentença
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Observado o rito especial da Lei de Tóxicos, ordenou-se a notificação do acusado na
mov. 52.1, e, após a apresentação de defesa preliminar (mov. 77.1), a denúncia foi recebida pela decisão de
mov. 79.1, em 8 de abril de 2025, designando-se a audiência de instrução e julgamento, quando as
174.1, e, em sinopse, reputando comprovadas materialidade e autoria, pug-nou pela condenação do réu,
nos termos da inicial.
silêncio e do feito pela violação de domicílio, bem como a necessidade de vista ao Ministério Público para
oferta de acordo de não persecução penal, entendendo presentes os requisitos. No mérito, pediu o desate
absolutório pela fragilidade probatória, com base no princípio in dubio pro reo e no artigo 386, incisos V e VII,
inicial aberto ou semiaberto, a aplicação da minorante do artigo 33, § 4º, em grau máximo, o afastamento da
majorante do artigo 40, inciso III, ambos da Lei de Drogas, a realização da detração e a concessão da
Justiça Gratuita.
É o relatório. Decido.
2. FUNDAMENTAÇÃO:
2.1. PRELIMINARES:
A douta Defesa arguiu a nulidade das provas obtidas e de todas as derivadas com a
abordagem e a busca pessoal efetuada no réu, pelas policiais militares, por estarem desprovidas de
mandado judicial, bem como ausentes fundadas suspeitas que autorizassem o emprego da medida
Entretanto, como adiante se verá, dos elementos probatórios aos autos carreados,
notadamente os depoimentos judiciais prestados pelos policiais militares, bem como as circunstâncias que
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circundam o caso concreto, extrai-se que o réu foi abordado após notícia averiguada pelo Serviço de
Inteligência da Polícia Militar, que viu indivíduos a bordo de veículos parando defronte de um portão da
residência do acusado, pegando objetos suspeitos e saindo, bem como pela equipe da ROTAM, que, em
apoio, o viu na calçada, tendo ele, ao notar a presença da equipe, fugido correndo.
os agentes viram um prato com resquícios de maconha em um quarto. Indagado, o réu admitiu a posse da
droga e autorizou a entrada dos agentes. Na revista acompanhada também por Beatriz, mulher do réu,
foram apreendidos um tablete de maconha, pesando 850g, e porções menores da droga em um saco
plástico, com peso de 50g, na geladeira, bem como dois pratos com resquícios de maconha, um estilete
usado para o seu preparo e R$ 144,00 em dinheiro trocado – cf. auto de exibição e apreensão de mov. 1.6.
que constituam corpo de delito, quais sejam, drogas, apetrechos para seu preparo e dinheiro ilícito, a afastar
quaisquer nulidades.
do conteúdo daquilo que constitui fundada suspeita para desencadear atuação da autoridade,
vezes muito suaves, normalmente não detectados pela pessoa comum, mas apenas pela
treinada autoridade policial, a qual é a que tem a expertise para identificação sensível de
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indicativos menores de suspeita – imperceptíveis pela pessoa sem treinamento de segurança –,
justificando, assim, a abordagem, como providência concreta de efetividade à segurança
pública, cuja licitude resta reafirmada também ‘a posteriori’, confirmadas aquelas suspeitas com
as apreensões e a constatação certa do estado todo de flagrância. [...]” (TJPR, 3ª C. Crim.,
31.05.2025)
b) Do direito ao silêncio:
Entretanto, conforme relatado acima, a ser esmiuçado adiante, o réu foi abordado em
estado flagrancial, tendo sido apreendidas porções de maconha, além de apetrechos para o seu preparo e
dinheiro ilícito.
Ademais, depois de ter sido o réu preso e encaminhado à autoridade policial, esta
procedeu ao seu interrogatório, advertindo-o de seu direito de permanecer calado (mov. 1.8). A mesma
estes efetuaram a sua abordagem, principalmente porque tal direito é destinado ao preso, conforme
disposição constitucional.
reconhecimento de eventual nulidade relativa a esse direito reclama efetiva demonstração de prejuízo, haja
vista a prevalência, conforme o artigo 563 do Código de Processo Penal, do princípio da instrumentalidade
das formas (pas de nullité sans grief) (STJ, AgRg no HC n. 798.225/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, 5ª
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A respeito, segue entendimento do mesmo Tribunal:
violência física que justifiquem por sob dúvida a voluntariedade ou a espontaneidade das
declarações prestadas pelo paciente. [...] Esta Corte Superior tem jurisprudência no sentido de
nulidade relativa, inclusive, devendo ser suscitada no momento oportuno, de modo que seu
reconhecimento exige demonstração do prejuízo, consoante o princípio do pas de nullité sans
grief, o que não se dá no caso em apreço. [...]” (STJ, AgRg no HC n. 782.868/SP, relator
c) Da violação de domicílio:
Entretanto, como logo se verá e foi dito, dos elementos de informação colhidos no
inquérito policial e dos depoimentos dos policiais militares prestados em juízo, extrai-se terem as diligências
sido precedidas de notícia anônima averiguada por uma equipe do Serviço de Inteligência da Polícia Militar,
que viu pessoas a bordo de veículos pegando objetos suspeitos no portão da casa do réu e pediu o auxílio
fundada suspeita da traficância, corroboradas quando os policiais, ao deterem o réu ainda na garagem,
viram, pela janela, um prato com resquícios de maconha dentro da residência. Mesmo que não precisassem,
obtiveram autorização dele para entrarem e apreenderam um tablete de maconha, pesando 850g, e porções
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menores da droga em saco plástico, pesando 50g, na geladeira, bem como dois pratos com resquícios de
maconha, um estilete usado para o seu preparo e R$ 144,00 em dinheiro trocado – cf. auto de exibição e
substâncias entorpecentes, apetrechos para o seu preparo e dinheiro ilícito, sendo hábeis, portanto, a
autorizar o ingresso dos agentes no local, ainda que não tivessem sido franqueados pelo réu.
E, como é sabido, o tráfico ilícito de drogas (artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006) é
crime permanente, cujo momento consumativo se protrai no tempo, prologando igualmente o estado de
flagrância.
TRIBUNAL FEDERAL:
evidencia a existência de fundadas razões para a busca domiciliar, que resultou na apreensão
de ‘1362 (mil, trezentos e sessenta e duas) pedras de substância análoga ao crack, pesando
478g (quatrocentos e setenta e oito gramas), 450 (quatrocentos e cinquenta) gramas de
substância análoga à maconha e 1212 (mil duzentos e doze) pinos de substância popularmente
fundadas razões de que em seu interior ocorre a prática de crime, como consignado no
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Destarte, diante da suspeita levantada por testemunho seguida de verificação in loco,
A douta Defesa arguiu, preliminarmente, ser necessária a abertura de vista dos autos
ao Ministério Público para a propositura do acordo de não persecução penal ao acusado, sustentando a
satisfação de suas condições, sobretudo após eventual reconhecimento da causa especial de diminuição de
Tal pedido, extemporâneo, não pode ser ora atendido, máxime considerando que o
Ministério Público, na primeira oportunidade em que se manifestou neste processo-crime, fundamentou sua
recusa à proposta de acordo de não persecução penal (cota de mov. 44.1, item IV), haja vista ser a pena
mínima superior a 4 (quatro) anos, ser a medida insuficiente e inadequada para a prevenção e a reprovação
do crime e pela conduta criminal reiterada do réu, que responde a processo-crime pela prática dos delitos de
direção de veículo automotor sem habilitação e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, não se
preenchendo, assim, parte dos requisitos do artigo 28-A, caput e § 2º, inciso II, do Código de Processo
Penal.
questão na defesa prévia de mov. 77.1, embora o Ministério Público já tivesse se manifestado a respeito,
quando do oferecimento da denúncia, não cabendo a interferência, portanto, do Poder Judiciário, dada a
TRIBUNAL DE JUSTIÇA:
pretendido acordo deixou de ser ofertado em razão do Ministério Público ter considerado
estarem ausentes os requisitos objetivos e subjetivos para a proposição, tendo sido destacado
Público. ‘Uma vez exercido o direito de solicitar a revisão, cabe ao Juízo avaliar, com base nos
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fundamentos apresentados pelo Parquet, se a recusa em propor o ajuste foi motivada pela
ausência de algum dos requisitos objetivamente previstos em lei e, somente em caso negativo,
determinar a remessa dos autos ao Procurador-Geral’ [...] Ademais, a defesa não solicitou
tempestivamente a remessa dos autos ao órgão superior do MP, na forma do art. 28-A, § 14, do
somente abordou o tema meses depois. [...]” (STJ, AgRg nos EDcl no REsp 2.048.216/SP,
relator Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, julgado em 8/5/2023)
mérito.
2.2. MÉRITO:
a) Quanto à materialidade.
b) Quanto à autoria:
invadiram, apreenderam um tablete de maconha de quase 900g na geladeira, que adquiriu para estoque e
consumo pessoal, bem como R$ 144,00 em dinheiro e o prenderam. Nada mais havia no local. Corroborou
ser próximo à Faculdade Anhanguera e à Escola Municipal Carlos da Costa Branco.
O policial militar Eder Lopes dos Anjos, inquirido na mov. 167.2, afirmou ter o Serviço
de Inteligência da Polícia Militar solicitado o apoio da equipe da ROTAM após seus agentes terem
averiguado notícia do tráfico de drogas praticado na rua Marselha, bairro Piza, nesta cidade, onde viram
indivíduos a bordo de veículos parando defronte de um portão, pegando objetos suspeitos e saindo, sem
Diante dessas suspeitas, no local, viu o acusado defronte da residência que, ao notar
a presença da equipe, fugiu correndo, razão pela qual o seguiu e o deteve ainda na garagem. Pela janela,
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viu um prato com resquícios de maconha num quarto. Indagado, o réu admitiu a posse da droga e autorizou
Após revista acompanhada também por Beatriz, mulher do réu, foram apreendidos
Faculdade Anhanguera, cujo polo se divide por toda a região em vários imóveis, e da Escola Municipal
Peracini (mov. 167.1), acrescentando também terem sido apreendidos um estilete para preparo da droga e
A informante Beatriz Ibanhes de Souza, mulher do réu, ouvida no mov. 167.4, aduziu
estar na sala da residência dele, quando ambos ouviram um barulho e viram os policiais entrarem sem
autorização, tendo eles apreendido algumas porções de maconha do acusado, para consumo próprio.
Esses foram os elementos probatórios aos autos carreados e, ao fim de sua análise,
indubitável se mostra a autoria em relação ao réu, precipuamente pelas declarações dos policiais militares e
circunstâncias que circundam o caso concreto, mostrando-se inarredável a condenação.
Como se viu, interrogado, o réu negou a prática delitiva, alegando ter um tablete de
quase 900g de maconha em sua residência para consumo pessoal.
A par disso, não há negar que da leitura do depoimento dos policiais militares,
responsáveis pela diligência que culminou com a prisão em flagrante do réu e a apreensão da substância
entorpecente, apetrechos para o seu preparo e dinheiro, extrai-se relevante prova da autoria a ele imputada,
pois foram uníssonos, estando suas declarações em perfeita consonância com as demais provas.
de Processo Penal, sendo que, para se desconstituir os depoimentos por aqueles prestados é necessária a
existência de, pelo menos, indícios de parcialidade ou interesse na condenação, o que não restou
demonstrado no presente caderno processual.
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na fase indiciária como em juízo, refletiram firmeza na elucidação dos fatos, de modo que se impõe sejam
A respeito:
COMO SÃO UNÍSSONOS DESDE O DIA DO FATO ATÉ DEPOIMENTO EM JUÍZO. [...]”
(TJPR, 2ª C. Crim., 0003171-70.2019.8.16.0068, Chopinzinho, Rel. Des. Kennedy Josué Greca
De Mattos, J. 17.03.2025)
Diante dessas suspeitas, no local, viram o acusado defronte da casa que, ao notar a
presença da equipe, fugiu correndo, razão pela qual foi seguido e detido ainda na garagem. Pela janela,
viram um prato com resquícios de maconha em um quarto. Indagado, o réu admitiu a posse da droga e
autorizou a entrada dos agentes. Em revista acompanhada também por Beatriz, mulher do réu, foram
apreendidos um tablete grande e porções menores de maconha na geladeira, bem como um estilete para
A negativa genérica do réu em seu interrogatório restou isolada no feito e não foi
corroborada por nenhum elemento probatório, além de não ser crível tenha ele guardado um tablete de 850g
de maconha somente para consumo pessoal, tanto por ser uma quantidade expressiva quanto por ter sido
tablete e uma porção de maconha, pesando, ao todo, 900g – novecentos gramas; cf. auto de exibição e
apreensão de mov. 1.6), aliada à apreensão de dois pratos com resquícios de maconha (cf. laudos
toxicológicos de movs. 73.1 e 74.1) e um estilete usados para o seu preparo e R$ 144,00 em dinheiro
trocado e às próprias circunstâncias da abordagem, como a notícia e a campana prévias e o fato de ter o réu
fugido correndo ao notar a presença da viatura, são outros importantes elementos a caracterizarem o delito
do artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006.
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Ademais, como se sabe, é desnecessária a constatação de efetivos atos de
mercancia para a configuração do delito de tráfico de drogas, sendo irrelevante que os policiais não tenham
presenciado o acusado comprando ou revendendo os entorpecentes a terceiros.
“[...] Tráfico de drogas. Artigo 33, ‘caput’, c.c. artigo 40, inciso v, ambos
da Lei Federal n. 11.343/2006. [...] 2. O crime de tráfico de drogas é tipificado em uma estrutura
incriminadora de ação múlti-pla alternativa, e, pois, consuma-se pela prática de qualquer das
condutas que constituem verbos nucleares típicos do artigo 33 da Lei Federal n. 11.343/2006,
razão pela qual se compreende tecnicamente que não pratica a traficância somente aquele
quem vende a droga, mas também aquele que traz consigo, oferece, guarda ou pratica outra
conduta nuclear daquele tipo legal de crime, não sendo concretamente para uso exclusivo
próprio. 3. Afigura-se dispensável, para efeitos de configuração da traficância, que as drogas
sejam encontradas em poder do acusado ou que haja a efetiva tradição ou entrega da
substância entorpecente a terceiros ou ao destinatário final. Basta a prática de uma das dezoito
condutas contidas no ‘caput’ no artigo 33 da Lei de Drogas para que haja a consumação do
ilícito penal, no caso, ‘oferecer’. Precedentes do STJ e do TJPR. [...]” (TJPR, 3ª C. Crim.,
0009075-71.2025.8.16.0000, Iporã, Rel. Jose Americo Penteado de Carvalho, J. 31.05.2025)
declarações dos policiais militares responsáveis pela sua prisão, de forma que se vislumbra incontestável a
caracterização do delito tipificado no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006.
também, pela conduta de guardar substância entorpecente, que se faz presente no artigo 33, caput, da Lei
nº 11.343/2006.
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c) Quanto à causa de aumento de pena prevista no artigo 40, inciso III, da Lei nº
11.343/2006:
A causa de aumento de pena inscrita no inciso III, do artigo 40, da Lei nº 11.343/2006,
comprovada pelo conjunto probatório demonstrado supra, pois, segundo as declarações das policiais
militares e do próprio acusado, o delito foi perpetrado nas proximidades da Faculdade Anhanguera, cujo polo
se divide por toda a região em vários imóveis, e da Escola Municipal Carlos da Costa Branco, sendo caso de
11.343/2006:
Deixo de aplicar a causa de diminuição de pena prevista no artigo 33, § 4º, da Lei nº
11.343/2006, pois não estão presentes os requisitos legais, não obstante o alegado pela Defesa, por se
dedicar o réu às atividades criminosas.
entorpecente e da apreensão de apetrechos que indicam o preparo em larga escala, verifica-se que ele
possui registros de atos infracionais equiparados equivalentes à prática apenas do delito de tráfico de drogas
(cf. certidão de antecedentes infracionais de mov. 136.2: 1) no processo de apuração de ato infracional de n.
º 0702.20.350670-5, foi proferida sentença pela prática de tal ato infracional, recebendo o réu a medida
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No que tange ao perdimento dos bens apreendidos com os corréus (dois pratos, um
de metal e outro de cerâmica de cor branca, um estilete de cores preta e amarela e R$ 144,00 – cento e
quarenta e quatro reais – em dinheiro trocado; cf. auto de exibição e apreensão de mov. 1.6), reputo ser
De acordo com o § 1º, do artigo 63, da Lei nº 11.343/2006, “[...] Os bens, direitos ou
valores apreendidos em decorrência dos crimes tipificados nesta Lei ou objeto de medidas assecuratórias,
após decretado seu perdimento em favor da União, serão revertidos diretamente ao Funad”.
E segundo o artigo 63, inciso I, da mesma Lei, o juiz deverá decidir, ao proferir
sentença de mérito, sobre o “[...] perdimento do produto, bem, direito ou valor apreendido ou objeto de
medidas assecuratórias”.
Por decisão plenária, consignou-se não haver a necessidade, para o confisco dos
bens, de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso, sua modificação para evitar a descoberta da droga
ou qualquer outro requisito além daqueles expressamente inscritos no artigo 243, parágrafo único, da
Constituição da República, ou seja, a apreensão em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins.
Constituição Federal. Tese: É possível confisco de todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a
habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para evitar a
apontados na denúncia eram produtos do crime tipificado no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006,
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Portanto, diante da interpretação feita do § 1º, do artigo 63, da Lei nº 11.343/2006,
observando-se o caso concreto, ou seja, verifica-se dever ser aplicado, diante dos elementos probatórios
existentes, o aludido dispositivo legal, de maneira que decido pela perda dos bens apreendidos com os réus.
Ante o exposto e o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE a pretensão
punitiva deduzida na denúncia (mov. 44.2) e CONDENO o réu LUCA PEREIRA DE SOUZA, inicialmente
qualificado, nas sanções do delito tipificado no artigo 33, caput, combinado com o artigo 40, inciso III,
e, com prevalência, o disposto no artigo 42 da Lei n.º 11.343/2006, passo à individualização das penas
impostas ao condenado.
4. APLICAÇÃO DA PENA:
excedeu o inerente ao tipo penal; aos antecedentes: não os registra (consoante certidão do Sistema Oráculo
de mov. 174.2 e certidões de objeto e pé de mov. 177.2); à conduta social: quase nada foi apurado, não
havendo condições de ser ora valorada; à personalidade: não há nada nos autos, pois deve esta ser
analisada por profissional da psiquiatria; às circunstâncias do crime: são desfavoráveis, haja vista a
quantidade de droga que o condenado guardava, o que obviamente deve ser sopesado e reprimido com
maior severidade. Ressalto, por oportuno, que a Lei n.º 11.343/2006, em seu artigo 42, expressamente
determina a preponderância de alguns poucos fatores sobre o estabelecido no artigo 59 do Código Penal,
sendo que entre aqueles elencados está justamente a espécie da substância ou do produto entorpecente.
Olhando para o caso deste processo-crime, nem se precisa dizer da facilidade da venda de maconha a
jovens e adolescentes, causando reflexos desastrosos nos âmbitos pessoal, familiar e social, tais como a
de exibição e apreensão de mov. 1.6). Tudo isso, é claro, deve ser reprimido com maior rigor, bem como
justifica o recrudescimento da reprimenda; aos motivos e às consequências do delito: não podem ser
avaliados, diante da análise do que consta; e, ao comportamento da vítima: tal circunstância resta
prejudicada para o presente feito.
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Ponderadas as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal, verifico que não
lhe são desfavoráveis, salvo no que tange às circunstâncias do crime, considerando a quantidade expressiva
da substância entorpecente, motivo pelo qual recrudesço a reprimenda em 01 (um) ano de reclusão e 60
(sessenta) dias-multa, de modo que fixo a pena-base acima do seu mínimo legal, ou seja, em 06 (seis) anos
O condenado não faz jus à causa de diminuição de pena prevista no artigo 33, § 4º,
Presente, por outro lado, a causa de aumento de pena prevista no artigo 40, inciso III,
da Lei n.º 11.343/06, razão pela qual aumento a pena em 1/6 (um sexto), o que corresponde a 01 (um) ano
de reclusão e 93 (noventa e três) dias-multa, extir-pada a fração da pena de multa ‘pro reo’, patamar de
aumento escolhido com base na presença de uma única majorante, de maneira a totalizar a PENA FINAL
Considerando que o acusado não possui bens de grande valor nem exerce profissão
muito rendosa, FIXO o valor de cada dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo mensal vigente
ESTABELEÇO, para o início do cumprimento da pena pelo condenado LUCA PEREIRA DE SOUZA, haja
Concedo a tal réu o direito de recorrer em liberdade, pois não permaneceu preso
cautelarmente e não estão presentes, a esta altura, quaisquer causas modificadoras da respectiva decisão
Código Penal, DEIXO de promover a substituição da pena privativa de liberdade pelas penas restritivas de
direito previstas no artigo 43 do supracitado Diploma Legal, como também de conceder a suspensão
Como se sabe, antes da inovação trazida pela Lei nº 12.736/2012, cabia ao Juízo da
Execução Penal proceder à detração (artigo 66, inciso III, alínea “c”, da Lei nº 7.210/1984).
PROJUDI - Processo: 0012314-41.2025.8.16.0014 - Ref. mov. 181.1 - Assinado digitalmente por Leonardo Delfino Cesar
01/09/2025: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: Sentença
Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
No entanto, de acordo com a atual redação do § 2º, do artigo 387, do Código de
Processo Penal, passou a vigorar a regra de que “o tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou
de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de
preso ou internado provisoriamente, houver mudança no regime inicial de cumprimento da pena privativa de
liberdade, com o nítido escopo de evitar a continuidade da imposição de indevido regime mais gravoso,
facilitando aos sentenciados, destarte, a primeira progressão de regime.
Entretanto, no caso dos autos, conquanto o réu tenha permanecido, por certo tempo,
preso processualmente, vislumbro que a detração em nada alterará o regime fixado, de maneira a mostrar-
se mais adequado que ela seja procedida no Juízo da Execução, onde há maiores conhecimentos acerca do
tempo de pena já cumprido, além de outras informações subjetivas a respeito do condenado.
5. DEMAIS DISPOSIÇÕES:
processuais ex lege, de acordo com o artigo 804 do Código de Processo Penal, sendo que eventual
na forma do artigo 49, § 2º, do Código Penal, deverá ser paga no prazo de 10 (dez) dias contados do
se, para tanto, no que for cabível, o disposto no Código de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça.
DECRETO a perda dos bens apreendidos com o réu (cf. mov. 1.6), com base no
artigo 63, inciso I, da Lei nº 11.343/2006, o que se dará na forma da referida Lei, atentando-se para o
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01/09/2025: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: Sentença
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estabelecido no Código de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado, após o trânsito em
julgado desta sentença, e, atentando-se para o artigo 1007 do Código de Normas da Corregedoria-Geral
da Justiça do Estado, determino a destruição de dois pratos e um estilete, pois são objetos imprestáveis.
como prevê o artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, pois não há vítima determinada no crime
pelo qual foi o réu condenado.
676 a 681, todos do Código de Processo Penal; nos artigos 831 a 837 do Código
de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado;
condenação;
Justiça do Estado.