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Tráfico de Drogas em Londrina: Caso Luca Souza

A ação judicial referente ao processo 0012314-41.2025.8.16.0014 foi julgada procedente, resultando na condenação de Luca Pereira de Souza por tráfico de drogas. O réu foi flagrado com substâncias entorpecentes e objetos relacionados à traficância, após abordagem policial motivada por informações de inteligência. A defesa tentou contestar a legalidade da abordagem, mas o tribunal considerou que havia justa causa para a ação policial.

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Tráfico de Drogas em Londrina: Caso Luca Souza

A ação judicial referente ao processo 0012314-41.2025.8.16.0014 foi julgada procedente, resultando na condenação de Luca Pereira de Souza por tráfico de drogas. O réu foi flagrado com substâncias entorpecentes e objetos relacionados à traficância, após abordagem policial motivada por informações de inteligência. A defesa tentou contestar a legalidade da abordagem, mas o tribunal considerou que havia justa causa para a ação policial.

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PROJUDI - Processo: 0012314-41.2025.8.16.0014 - Ref. mov. 181.

1 - Assinado digitalmente por Leonardo Delfino Cesar


01/09/2025: JULGADA PROCEDENTE A AÇÃO. Arq: Sentença

Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO PARANÁ
COMARCA DA REGIÃO METROPOLITANA DE LONDRINA - FORO CENTRAL DE LONDRINA
3ª VARA CRIMINAL DE LONDRINA - PROJUDI
Av. Tiradentes, 1575 - Jardim Shangri-la A - Londrina/PR - CEP: 86.070-545 - Fone: (43)3572-3680 - E-mail: lon-13vj-

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s@[Link]
Autos nº. 0012314-41.2025.8.16.0014
Processo: 0012314-41.2025.8.16.0014
Classe Processual: Procedimento Especial da Lei Antitóxicos
Assunto Principal: Tráfico de Drogas e Condutas Afins
Data da Infração: 24/02/2025
Réu(s): LUCA PEREIRA DE SOUZA (RG: 22170448 SSP/MG e CPF/CNPJ: 703.261.176-10)
RUA ANDRE SERT, 1069 - Ibiporã - IBIPORÃ/PR - CEP: 86.200-000 - Telefone(s):
(43) 99195-6165

Vistos e examinados estes autos do processo-crime


nº 0012314-41.2025.8.16.0014, em que é autor o MINISTÉRIO PÚBLICO

DO ESTADO DO PARANÁ e réu LUCA PEREIRA DE SOUZA.

SENTENÇA

1. RELATÓRIO:

O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ, por sua representante, no

exercício de suas atribuições legais e com base nos inclusos autos de inquérito policial, ofereceu denúncia

contra LUCA PEREIRA DE SOUZA, brasileiro, casado, servente de pedreiro, natural de Araguari (MG),

nascido a 8 de junho de 2004, com 20 (vinte) anos de idade na data do fato, filho de Neusa de Melo Pereira

e de Valdivino Ferreira de Souza, residente na rua André Sert, n.º 1.069, bairro Paraíso, na cidade e

Comarca de Ibiporã (PR), como incurso nas sanções do delito do artigo 33, caput, combinado com o artigo

40, inciso III, ambos da Lei n.º 11.343/2006, pela prática, em tese, do fato delituoso assim narrado na inicial:

“No dia 24 de fevereiro de 2025 (segunda-feira), por volta das 16h,

policiais militares receberam informações do Setor de Inteligência do 5° Batalhão da Polícia

Militar de que na rua Marselha, nº 525, Jardim Piza, nesta cidade e comarca de Londrina/PR,

havia um indivíduo responsável pela distribuição de entorpecentes. A equipe de inteligência


PROJUDI - Processo: 0012314-41.2025.8.16.0014 - Ref. mov. 181.1 - Assinado digitalmente por Leonardo Delfino Cesar
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realizou vigilância no endereço supracitado quando visualizaram a chegada de veículos que

iam até a residência, pegavam algo e em seguida saíam da localidade. Então, uma equipe

policial foi acionada para maiores averiguações. Ato contínuo, quando os policiais chegaram no

endereço mencionado, o indivíduo, posteriormente identificado como LUCA PEREIRA DE

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SOUZA, avistou-os e tentou retornar para dentro de sua residência, demonstrando sinais de

nervosismo. Por ter assim agido, e diante da vigilância anterior pelo setor de inteligência, os

policiais militares optaram por realizar sua abordagem.

Em busca pessoal, nada de ilícito foi encontrado. Contudo, a equipe

policial avistou, pela janela aberta da casa, 01 (um) prato contendo resquícios de substância

análoga à maconha, razão pela qual foram realizadas buscas pelo local, tendo o denunciado

permitido a entrada dos agentes. Desse modo, lograram êxito em encontrar, no interior da

geladeira, 01 (um) tablete de substância análoga à maconha, pesando aproximadamente 850 g

(oitocentos e cinquenta gramas), além de 50 g (cinquenta gramas) de substância análoga à

maconha, acondicionada na embalagem plástica do tipo ‘zip lock’. Ademais, localizaram outros

objetos usados para a traficância, como 01 (um) estilete na cor preta, 01 (um) prato utilizado

para o fracionamento de entorpecentes e a quantia de R$ 144,00 (cento e quarenta e quatro

reais), em notas diversas. Diante disso, o denunciado foi preso em flagrante e encaminhado à

Delegacia de Polícia para providências cabíveis.

Constatou-se, assim, que o denunciado LUCA PEREIRA DE SOUZA,

dolosamente agindo, ciente da ilicitude e da reprovabilidade de sua conduta, guardava, para

venda ou entrega a consumo de terceiros, as drogas acima descritas, capazes de causar

dependência física e/ou psíquica e de consumo proscrito pela Portaria SVS/MS n.º 344, de 12

de maio de 1998 da ANVISA (Lista F1 – Substâncias Entorpecentes), sem autorização e em

desacordo com determinação legal ou regulamentar, que pelas circunstâncias apuradas se

destinavam ao tráfico, razão pela qual foi preso em flagrante e conduzido às repartições

policiais para as providências cabíveis.

Apurou-se, ainda, que o tráfico de drogas ocorreu nas imediações dos

estabelecimentos de ensino Faculdade Anhanguera, situada na avenida Paris, nº 675, Jardim

Piza, a cerca de 190 m (cento e noventa metros) de distância do local dos fatos, e Escola

Municipal Carlos da Costa Branco, localizada na avenida Paris, nº 515, Jardim Piza, a 350

(trezentos e cinquenta metros) de distância do local dos fatos. (cf. auto de prisão em flagrante

de mov. 1.1; boletim de ocorrência de mov. 1.17; termos de depoimento de movs. 1.2 e 1.4;

auto de constatação provisória da droga de mov. 1.11; e auto de exibição e apreensão de mov.

1.6.).”
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Observado o rito especial da Lei de Tóxicos, ordenou-se a notificação do acusado na

mov. 52.1, e, após a apresentação de defesa preliminar (mov. 77.1), a denúncia foi recebida pela decisão de
mov. 79.1, em 8 de abril de 2025, designando-se a audiência de instrução e julgamento, quando as

testemunhas arroladas foram inquiridas e o réu, interrogado (mov. 167).

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O Ministério Público, por sua ilustre representante, ofereceu memoriais na mov.

174.1, e, em sinopse, reputando comprovadas materialidade e autoria, pug-nou pela condenação do réu,
nos termos da inicial.

Igualmente por memoriais, a douta Defesa, na mov. 179.1, em síntese, arguiu,


preliminarmente, a nulidade da abordagem do réu pela ausência de justa causa e do aviso do direito ao

silêncio e do feito pela violação de domicílio, bem como a necessidade de vista ao Ministério Público para
oferta de acordo de não persecução penal, entendendo presentes os requisitos. No mérito, pediu o desate
absolutório pela fragilidade probatória, com base no princípio in dubio pro reo e no artigo 386, incisos V e VII,

do Código de Processo Penal.

Em caso de condenação, requereu a fixação da pena no mínimo legal e do regime

inicial aberto ou semiaberto, a aplicação da minorante do artigo 33, § 4º, em grau máximo, o afastamento da
majorante do artigo 40, inciso III, ambos da Lei de Drogas, a realização da detração e a concessão da
Justiça Gratuita.

Os autos, então, vieram-me conclusos para sentença.

É o relatório. Decido.

2. FUNDAMENTAÇÃO:

2.1. PRELIMINARES:

a) Da abordagem e da busca pessoal:

A douta Defesa arguiu a nulidade das provas obtidas e de todas as derivadas com a

abordagem e a busca pessoal efetuada no réu, pelas policiais militares, por estarem desprovidas de
mandado judicial, bem como ausentes fundadas suspeitas que autorizassem o emprego da medida

excepcional, em violação à norma do artigo 240, § 2º, do Código de Processo Penal.

Entretanto, como adiante se verá, dos elementos probatórios aos autos carreados,
notadamente os depoimentos judiciais prestados pelos policiais militares, bem como as circunstâncias que
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circundam o caso concreto, extrai-se que o réu foi abordado após notícia averiguada pelo Serviço de

Inteligência da Polícia Militar, que viu indivíduos a bordo de veículos parando defronte de um portão da
residência do acusado, pegando objetos suspeitos e saindo, bem como pela equipe da ROTAM, que, em

apoio, o viu na calçada, tendo ele, ao notar a presença da equipe, fugido correndo.

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Diante da evidente suspeita, o acusado foi seguido e detido na garagem. Pela janela,

os agentes viram um prato com resquícios de maconha em um quarto. Indagado, o réu admitiu a posse da

droga e autorizou a entrada dos agentes. Na revista acompanhada também por Beatriz, mulher do réu,
foram apreendidos um tablete de maconha, pesando 850g, e porções menores da droga em um saco

plástico, com peso de 50g, na geladeira, bem como dois pratos com resquícios de maconha, um estilete

usado para o seu preparo e R$ 144,00 em dinheiro trocado – cf. auto de exibição e apreensão de mov. 1.6.

O cotejo de tais informações autoriza a conclusão de que a abordagem efetuada no


réu foi precedida de justa causa, consistente em indícios concretos de que ele estava na posse de objetos

que constituam corpo de delito, quais sejam, drogas, apetrechos para seu preparo e dinheiro ilícito, a afastar
quaisquer nulidades.

Não é outro o entendimento, mutatis mutandis, do egrégio TRIBUNAL DE JUSTIÇA

DO ESTADO DO PARANÁ, representado pela seguinte ementa de aresto:

“TRÁFICO DE DROGAS. ARTIGO 33, ‘CAPUT’, DA LEI FEDERAL N.


11.343/2006. SENTENÇA CONDENATÓRIA. INSURGÊNCIA DA DEFESA. I - PRELIMINAR
DE NULIDADE DAS PROVAS OBTIDAS NA FASE INQUISITORIAL PELA ILEGALIDADE DA
ABORDAGEM E BUSCA PESSOAL. EXISTÊNCIA DE FUNDADAS SUSPEITAS DA PRÁTICA

DE CRIME. ABORDAGEM MOTIVADA PELO COMPORTAMENTO SUSPEITO DO RÉU EM

SE ABAIXAR EM PLENA VIA PÚBLICA, AO LADO DE UM MURO, COLETAR UM FRASCO


DO CHÃO, MANUSEAR E DEVOLVÊ-LO NO MESMO LOCAL. REGIÃO CONHECIDA PELO

INTENSO TRÁFICO DE DROGAS. CIRCUNSTÂNCIAS CONCRETAS QUE INDICAM A


EXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO POLICIAL. AÇÃO DEVIDA E

POSTERIORMENTE JUSTIFICADA COM A APREENSÃO DE DROGAS. JUSTA CAUSA

EVIDENCIADA. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. [...] A realização das condutas que


configuram o tráfico de drogas ilícitas viciantes transcorre essencialmente na clandestinidade,
justamente para que não levantem suspeitas da autoridade pública. Logo, para a compreensão

do conteúdo daquilo que constitui fundada suspeita para desencadear atuação da autoridade,

devem interceder também considerações de proporcionalidade e de adequação, para que se


permita admitir que são essas fundadas suspeitas que provêm de elementos concretos às

vezes muito suaves, normalmente não detectados pela pessoa comum, mas apenas pela
treinada autoridade policial, a qual é a que tem a expertise para identificação sensível de
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indicativos menores de suspeita – imperceptíveis pela pessoa sem treinamento de segurança –,
justificando, assim, a abordagem, como providência concreta de efetividade à segurança

pública, cuja licitude resta reafirmada também ‘a posteriori’, confirmadas aquelas suspeitas com
as apreensões e a constatação certa do estado todo de flagrância. [...]” (TJPR, 3ª C. Crim.,

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0008367-66.2022.8.16.0116, Matinhos, Rel. José Américo Penteado de Carvalho, J.

31.05.2025)

b) Do direito ao silêncio:

Suscitou a Defesa a nulidade da prova colhida na fase extrajudicial, por violação ao

princípio da vedação à autoincriminação, considerando que os policiais militares que efetuaram a

abordagem e prisão do réu não o advertiram de seu direito ao silêncio.

Ao contrário do arguido pela ilustre Defesa, não há nenhuma nulidade na abordagem


ou prisão em flagrante do denunciado.

Deveras, o direito ao silêncio é garantia prevista no artigo 5º, inciso LXIII, da


Constituição Federal, segundo o qual “o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de
permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado”.

Entretanto, conforme relatado acima, a ser esmiuçado adiante, o réu foi abordado em
estado flagrancial, tendo sido apreendidas porções de maconha, além de apetrechos para o seu preparo e

dinheiro ilícito.

Ademais, depois de ter sido o réu preso e encaminhado à autoridade policial, esta
procedeu ao seu interrogatório, advertindo-o de seu direito de permanecer calado (mov. 1.8). A mesma

advertência foi feita em juízo (mov. 167.5).

Portanto, não se verifica lesão ao princípio da vedação à autoincriminação na


eventual falta de advertência do direito do acusado de permanecer calado pelos policiais militares, quando

estes efetuaram a sua abordagem, principalmente porque tal direito é destinado ao preso, conforme

disposição constitucional.

E, como assentado pela 5ª Turma do colendo SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, o

reconhecimento de eventual nulidade relativa a esse direito reclama efetiva demonstração de prejuízo, haja
vista a prevalência, conforme o artigo 563 do Código de Processo Penal, do princípio da instrumentalidade

das formas (pas de nullité sans grief) (STJ, AgRg no HC n. 798.225/RS, relator Ministro Ribeiro Dantas, 5ª

Turma, julgado em 12/6/2023).


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A respeito, segue entendimento do mesmo Tribunal:

“[...] O afastamento da nulidade em razão não advertência ao direito de


permanecer em silêncio quando da prisão em flagrante encontra-se suficientemente

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fundamentado no fato de que consta do auto de prisão em flagrante que o autuado foi

cientificado de todas as suas garantias constitucionais, inclusive, a de manter-se em silêncio,


assim como a abordagem ocorreu em via pública, não havendo provas de coação ou de

violência física que justifiquem por sob dúvida a voluntariedade ou a espontaneidade das
declarações prestadas pelo paciente. [...] Esta Corte Superior tem jurisprudência no sentido de

que eventual inobservância do direito a informação das garantias constitucionais de


permanecer em silêncio ou de ser assistido por advogado na fase inquisitiva é causa de

nulidade relativa, inclusive, devendo ser suscitada no momento oportuno, de modo que seu
reconhecimento exige demonstração do prejuízo, consoante o princípio do pas de nullité sans
grief, o que não se dá no caso em apreço. [...]” (STJ, AgRg no HC n. 782.868/SP, relator

Ministro Messod Azulay Neto, 5ª Turma, julgado em 26/9/2023)

c) Da violação de domicílio:

A Defesa arguiu a nulidade dos elementos apreendidos na casa do réu e a


consequente ilicitude das provas coligidas aos autos, sustentando que os agentes da autoridade,
responsáveis pela prisão dele, teriam entrado na residência sem o seu consentimento, sem o estado de

flagrância e desprovidos de mandado de busca e apreensão, em violação à garantia da inviolabilidade


domiciliar, prevista no artigo 5º, inciso XI, da Constituição da República.

Entretanto, como logo se verá e foi dito, dos elementos de informação colhidos no
inquérito policial e dos depoimentos dos policiais militares prestados em juízo, extrai-se terem as diligências
sido precedidas de notícia anônima averiguada por uma equipe do Serviço de Inteligência da Polícia Militar,

que viu pessoas a bordo de veículos pegando objetos suspeitos no portão da casa do réu e pediu o auxílio

da ROTAM, tendo ele fugido correndo ao notar os agentes.

Todos esses elementos justificaram o acompanhamento do acusado, pois havia

fundada suspeita da traficância, corroboradas quando os policiais, ao deterem o réu ainda na garagem,
viram, pela janela, um prato com resquícios de maconha dentro da residência. Mesmo que não precisassem,

obtiveram autorização dele para entrarem e apreenderam um tablete de maconha, pesando 850g, e porções
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menores da droga em saco plástico, pesando 50g, na geladeira, bem como dois pratos com resquícios de

maconha, um estilete usado para o seu preparo e R$ 144,00 em dinheiro trocado – cf. auto de exibição e

apreensão de mov. 1.6.

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Tais circunstâncias constituem razoáveis suspeitas da posse, no imóvel, de

substâncias entorpecentes, apetrechos para o seu preparo e dinheiro ilícito, sendo hábeis, portanto, a
autorizar o ingresso dos agentes no local, ainda que não tivessem sido franqueados pelo réu.

E, como é sabido, o tráfico ilícito de drogas (artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006) é

crime permanente, cujo momento consumativo se protrai no tempo, prologando igualmente o estado de
flagrância.

Colaciona-se, por oportuno, o recente julgado proferido pelo venerando SUPREMO

TRIBUNAL FEDERAL:

“[...] TRÁFICO DE DROGAS (ART. 33, CAPUT, DA LEI 11.343/2006).


INGRESSO DOMICILIAR. FUNDADAS RAZÕES PARA O INGRESSO NO IMÓVEL
DEVIDAMENTE JUSTIFI-CADAS A POSTERIORI. OBSERVÂNCIA DAS DIRETRIZES

FIXADAS POR ESTA SUPREMA CORTE NO JULGAMENTO DO TEMA 280 DA


REPERCUSSÃO GERAL. [...] 6. O entendimento adotado pelo SUPREMO TRIBUNAL
FEDERAL impõe que os agentes estatais devem nortear suas ações, em tais casos,
motivadamente e com base em elementos probatórios mínimos que indiquem a ocorrência de
situação flagrante. A justa causa, portanto, não exige a certeza da ocorrência de delito, mas,
sim, fundadas razões a respeito. Precedentes. 7. A fuga para o interior do imóvel ao perceber a
aproximação dos policiais militares, que realizavam patrulhamento de rotina na região,

evidencia a existência de fundadas razões para a busca domiciliar, que resultou na apreensão

de ‘1362 (mil, trezentos e sessenta e duas) pedras de substância análoga ao crack, pesando
478g (quatrocentos e setenta e oito gramas), 450 (quatrocentos e cinquenta) gramas de
substância análoga à maconha e 1212 (mil duzentos e doze) pinos de substância popularmente

conhecida como cocaína, pesando aproximadamente 788g (setecentos e oitenta e oito

gramas), gramas)’, conforme descrito na denúncia. 8. Em se tratando de delito de tráfico de


drogas praticado, em tese, nas modalidades ‘guardar’ ou ‘ter em depósito’ a consumação se

prolonga no tempo e, enquanto configurada essa situação, a flagrância permite a busca


domiciliar, independentemente da expedição de mandado judicial, desde que presentes

fundadas razões de que em seu interior ocorre a prática de crime, como consignado no

indigitado RE 603.616, portador do Tema 280 da sistemática da Repercussão Geral do STF.


[...]” (STF, RE 1492256 AgR-EDv-AgR, Relator Min. Edson Fachin, Relator p/ acórdão Min.

Alexandre de Moraes, Tribunal Pleno, julgado 17-02-2025)


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Destarte, diante da suspeita levantada por testemunho seguida de verificação in loco,

do estado de flagrânciae da autorização da mulher do acusado, não subsiste a aventada violação ao


domicílio, não havendo falar, por conseguinte, em prova ilícita nos autos.

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d) Do oferecimento do acordo de não persecução penal:

A douta Defesa arguiu, preliminarmente, ser necessária a abertura de vista dos autos

ao Ministério Público para a propositura do acordo de não persecução penal ao acusado, sustentando a
satisfação de suas condições, sobretudo após eventual reconhecimento da causa especial de diminuição de

pena do artigo 33, § 4º, da Lei nº 11.343/2006.

Tal pedido, extemporâneo, não pode ser ora atendido, máxime considerando que o
Ministério Público, na primeira oportunidade em que se manifestou neste processo-crime, fundamentou sua

recusa à proposta de acordo de não persecução penal (cota de mov. 44.1, item IV), haja vista ser a pena
mínima superior a 4 (quatro) anos, ser a medida insuficiente e inadequada para a prevenção e a reprovação
do crime e pela conduta criminal reiterada do réu, que responde a processo-crime pela prática dos delitos de

direção de veículo automotor sem habilitação e porte ilegal de arma de fogo de uso permitido, não se
preenchendo, assim, parte dos requisitos do artigo 28-A, caput e § 2º, inciso II, do Código de Processo

Penal.

Ademais, a Defesa não solicitou tempestivamente a remessa do feito à Procuradoria-


Geral da Justiça, procedimento estabelecido no § 14 do artigo 28-A do mesmo Codex, não tendo abordado a

questão na defesa prévia de mov. 77.1, embora o Ministério Público já tivesse se manifestado a respeito,
quando do oferecimento da denúncia, não cabendo a interferência, portanto, do Poder Judiciário, dada a

própria natureza do instituto em comento.

É o que se extrai, a título exemplificativo, da ementa de aresto do colendo SUPERIOR

TRIBUNAL DE JUSTIÇA:

“[...] NEGATIVA DE OFERECIMENTO DE ACORDO DE NÃO

PERSECUÇÃO PENAL JUSTIFICADA. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. [...] O

pretendido acordo deixou de ser ofertado em razão do Ministério Público ter considerado
estarem ausentes os requisitos objetivos e subjetivos para a proposição, tendo sido destacado

que a ré não confessou a infração. Outrossim, descumprido um dos requisitos objetivos do


ANPP (a confissão, neste caso), não é cabível a remessa para o órgão superior do Ministério

Público. ‘Uma vez exercido o direito de solicitar a revisão, cabe ao Juízo avaliar, com base nos
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fundamentos apresentados pelo Parquet, se a recusa em propor o ajuste foi motivada pela
ausência de algum dos requisitos objetivamente previstos em lei e, somente em caso negativo,

determinar a remessa dos autos ao Procurador-Geral’ [...] Ademais, a defesa não solicitou
tempestivamente a remessa dos autos ao órgão superior do MP, na forma do art. 28-A, § 14, do

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CPP, já que permaneceu silente após tomar ciência da recusa do Parquet em ofertar o ANPP e

somente abordou o tema meses depois. [...]” (STJ, AgRg nos EDcl no REsp 2.048.216/SP,
relator Min. Ribeiro Dantas, 5ª Turma, julgado em 8/5/2023)

Ante o exposto, rejeito as preliminares arguidas, passando, portanto, à análise do

mérito.

2.2. MÉRITO:

a) Quanto à materialidade.

Comprovou-se suficientemente a materialidade com o auto de prisão em flagrante de


mov. 1.1, os termos de depoimento de movs. 1.2 e 1.4, o auto de exibição e apreensão de mov. 1.6, o auto
de constatação provisória de droga de mov. 1.11, o boletim de ocorrência de mov. 1.17, os laudos de exame
toxicológico de movs. 61.1, 73.1 e 74.1, além da prova produzida durante a instrução.

b) Quanto à autoria:

O acusado LUCA PEREIRA DE SOUZA, interrogado na mov. 167.5, negou a prática


do fato delituoso a ele atribuído na inicial, pretextando estar em sua residência, quando os policiais a

invadiram, apreenderam um tablete de maconha de quase 900g na geladeira, que adquiriu para estoque e

consumo pessoal, bem como R$ 144,00 em dinheiro e o prenderam. Nada mais havia no local. Corroborou
ser próximo à Faculdade Anhanguera e à Escola Municipal Carlos da Costa Branco.

O policial militar Eder Lopes dos Anjos, inquirido na mov. 167.2, afirmou ter o Serviço
de Inteligência da Polícia Militar solicitado o apoio da equipe da ROTAM após seus agentes terem

averiguado notícia do tráfico de drogas praticado na rua Marselha, bairro Piza, nesta cidade, onde viram
indivíduos a bordo de veículos parando defronte de um portão, pegando objetos suspeitos e saindo, sem

conseguirem abordar nenhum dos motoristas.

Diante dessas suspeitas, no local, viu o acusado defronte da residência que, ao notar

a presença da equipe, fugiu correndo, razão pela qual o seguiu e o deteve ainda na garagem. Pela janela,
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viu um prato com resquícios de maconha num quarto. Indagado, o réu admitiu a posse da droga e autorizou

a entrada dos agentes.

Após revista acompanhada também por Beatriz, mulher do réu, foram apreendidos

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um tablete grande, bem como porções menores de maconha na geladeira. Confirmou ser o local ao lado da

Faculdade Anhanguera, cujo polo se divide por toda a região em vários imóveis, e da Escola Municipal

Carlos da Costa Branco.

No mesmo sentido foram os depoimentos dos policiais militares Maykon Willian

Peracini (mov. 167.1), acrescentando também terem sido apreendidos um estilete para preparo da droga e

cerca de R$ 142,00 em dinheiro trocado, e Matheus Garcia Bogo (mov. 167.3).

A informante Beatriz Ibanhes de Souza, mulher do réu, ouvida no mov. 167.4, aduziu
estar na sala da residência dele, quando ambos ouviram um barulho e viram os policiais entrarem sem
autorização, tendo eles apreendido algumas porções de maconha do acusado, para consumo próprio.

Esses foram os elementos probatórios aos autos carreados e, ao fim de sua análise,
indubitável se mostra a autoria em relação ao réu, precipuamente pelas declarações dos policiais militares e
circunstâncias que circundam o caso concreto, mostrando-se inarredável a condenação.

Como se viu, interrogado, o réu negou a prática delitiva, alegando ter um tablete de
quase 900g de maconha em sua residência para consumo pessoal.

A par disso, não há negar que da leitura do depoimento dos policiais militares,

responsáveis pela diligência que culminou com a prisão em flagrante do réu e a apreensão da substância
entorpecente, apetrechos para o seu preparo e dinheiro, extrai-se relevante prova da autoria a ele imputada,
pois foram uníssonos, estando suas declarações em perfeita consonância com as demais provas.

Certo é que os depoimentos dos agentes da autoridade prestados em juízo


constituem forte valor probatório, porquanto não teriam nenhum motivo para acusar um inocente.

Inexiste no ordenamento processual penal qualquer vedação à acolhida das


narrativas de agentes públicos, como se infere da leitura conjunta dos artigos 202 e 207, ambos do Código

de Processo Penal, sendo que, para se desconstituir os depoimentos por aqueles prestados é necessária a

existência de, pelo menos, indícios de parcialidade ou interesse na condenação, o que não restou
demonstrado no presente caderno processual.

Merecem credibilidade, destarte, as declarações dos policiais militares, porquanto se


mostraram verídicas, impessoais, aliadas à idoneidade da função de munus público exercida e, ainda, tanto
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na fase indiciária como em juízo, refletiram firmeza na elucidação dos fatos, de modo que se impõe sejam

consideradas como prova firme da autoria e materialidade do delito em debate.

A respeito:

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“[...] DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS MILITARES QUE SE REVESTEM
DE EFICÁCIA PROBATÓRIA, NA MEDIDA EM QUE NÃO RESTOU DEMONSTRADO

QUALQUER INTERESSE PARTICULAR NA INVESTIGAÇÃO POLICIAL E QUE SE


MOSTRARAM HARMÔNICOS EM RELAÇÃO A TODO O CONJUNTO PROBATÓRIO, BEM

COMO SÃO UNÍSSONOS DESDE O DIA DO FATO ATÉ DEPOIMENTO EM JUÍZO. [...]”
(TJPR, 2ª C. Crim., 0003171-70.2019.8.16.0068, Chopinzinho, Rel. Des. Kennedy Josué Greca

De Mattos, J. 17.03.2025)

Com efeito, os agentes públicos inquiridas em juízo atestaram com minudência as


circunstâncias em que ocorreu a prisão em flagrante do réu, confirmando ter o Serviço de Inteligência da
Polícia Militar solicitado apoio da equipe da ROTAM após seus agentes terem averiguado notícia da
traficância na rua Marselha, bairro Piza, nesta, onde viram indivíduos a bordo de veículos parando defronte
de um portão, pegando objetos suspeitos e saindo, sem conseguirem abordar nenhum motorista.

Diante dessas suspeitas, no local, viram o acusado defronte da casa que, ao notar a
presença da equipe, fugiu correndo, razão pela qual foi seguido e detido ainda na garagem. Pela janela,
viram um prato com resquícios de maconha em um quarto. Indagado, o réu admitiu a posse da droga e

autorizou a entrada dos agentes. Em revista acompanhada também por Beatriz, mulher do réu, foram
apreendidos um tablete grande e porções menores de maconha na geladeira, bem como um estilete para

preparo da droga e cerca de R$ 142,00 em dinheiro trocado.

A negativa genérica do réu em seu interrogatório restou isolada no feito e não foi
corroborada por nenhum elemento probatório, além de não ser crível tenha ele guardado um tablete de 850g

de maconha somente para consumo pessoal, tanto por ser uma quantidade expressiva quanto por ter sido

apreendido com instrumentos para a produção da droga para o comércio.

A forma de acondicionamento da droga, já fracionada e embalada para a venda (um

tablete e uma porção de maconha, pesando, ao todo, 900g – novecentos gramas; cf. auto de exibição e

apreensão de mov. 1.6), aliada à apreensão de dois pratos com resquícios de maconha (cf. laudos

toxicológicos de movs. 73.1 e 74.1) e um estilete usados para o seu preparo e R$ 144,00 em dinheiro

trocado e às próprias circunstâncias da abordagem, como a notícia e a campana prévias e o fato de ter o réu

fugido correndo ao notar a presença da viatura, são outros importantes elementos a caracterizarem o delito
do artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006.
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Ademais, como se sabe, é desnecessária a constatação de efetivos atos de

mercancia para a configuração do delito de tráfico de drogas, sendo irrelevante que os policiais não tenham
presenciado o acusado comprando ou revendendo os entorpecentes a terceiros.

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Sobre o tema, segue entendimento do egrégio TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
DO PARANÁ representado pela ementa de aresto:

“[...] Tráfico de drogas. Artigo 33, ‘caput’, c.c. artigo 40, inciso v, ambos
da Lei Federal n. 11.343/2006. [...] 2. O crime de tráfico de drogas é tipificado em uma estrutura

incriminadora de ação múlti-pla alternativa, e, pois, consuma-se pela prática de qualquer das
condutas que constituem verbos nucleares típicos do artigo 33 da Lei Federal n. 11.343/2006,

razão pela qual se compreende tecnicamente que não pratica a traficância somente aquele
quem vende a droga, mas também aquele que traz consigo, oferece, guarda ou pratica outra
conduta nuclear daquele tipo legal de crime, não sendo concretamente para uso exclusivo
próprio. 3. Afigura-se dispensável, para efeitos de configuração da traficância, que as drogas
sejam encontradas em poder do acusado ou que haja a efetiva tradição ou entrega da
substância entorpecente a terceiros ou ao destinatário final. Basta a prática de uma das dezoito
condutas contidas no ‘caput’ no artigo 33 da Lei de Drogas para que haja a consumação do
ilícito penal, no caso, ‘oferecer’. Precedentes do STJ e do TJPR. [...]” (TJPR, 3ª C. Crim.,
0009075-71.2025.8.16.0000, Iporã, Rel. Jose Americo Penteado de Carvalho, J. 31.05.2025)

Deveras, no caso em apreço, restou evidenciada a circunstância de guardar droga


pelo réu, consoante demonstraram os elementos probatórios colhidos durante a instrução, sobretudo as

declarações dos policiais militares responsáveis pela sua prisão, de forma que se vislumbra incontestável a
caracterização do delito tipificado no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006.

Não se questiona o fato de ser o réu, eventualmente, usuário de entorpecentes. No


entanto, como se sabe, as figuras de usuário e traficante não se excluem mutuamente, sendo, ao contrário,
comum coexistirem com relação ao mesmo sujeito.

O tráfico de drogas é delito de tipo misto alternativo, de forma a se caracterizar,

também, pela conduta de guardar substância entorpecente, que se faz presente no artigo 33, caput, da Lei

nº 11.343/2006.

Destarte, não sobrepairando dúvidas acerca da materialidade e da autoria do delito


de tráfico ilícito de entorpecentes, de responsabilidade do acusado, em favor de quem não socorre nenhuma

causa excludente da ilicitude ou dirimente da culpabilidade, a condenação é de rigor.


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Documento assinado digitalmente, conforme MP nº 2.200-2/2001, Lei nº 11.419/2006, resolução do Projudi, do TJPR/OE
c) Quanto à causa de aumento de pena prevista no artigo 40, inciso III, da Lei nº

11.343/2006:

A causa de aumento de pena inscrita no inciso III, do artigo 40, da Lei nº 11.343/2006,

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ou seja, a da infração ter sido cometida nas imediações de estabelecimentos de ensino, foi cabalmente

comprovada pelo conjunto probatório demonstrado supra, pois, segundo as declarações das policiais

militares e do próprio acusado, o delito foi perpetrado nas proximidades da Faculdade Anhanguera, cujo polo

se divide por toda a região em vários imóveis, e da Escola Municipal Carlos da Costa Branco, sendo caso de

aplicação da causa especial de aumento.

d) Quanto à causa de diminuição de pena prevista no artigo 33, §4º, da Lei nº

11.343/2006:

Deixo de aplicar a causa de diminuição de pena prevista no artigo 33, § 4º, da Lei nº
11.343/2006, pois não estão presentes os requisitos legais, não obstante o alegado pela Defesa, por se
dedicar o réu às atividades criminosas.

Sabe-se que a quantidade de droga não é apta, isoladamente, a obstar a incidência


da minorante em comento, não se podendo presumir, com base apenas em tal circunstância, que o acusado
se dedicasse a atividades criminosas, sobretudo considerando a sua primariedade.

Entretanto, no caso em tela, além da quantidade considerável da substân-cia

entorpecente e da apreensão de apetrechos que indicam o preparo em larga escala, verifica-se que ele
possui registros de atos infracionais equiparados equivalentes à prática apenas do delito de tráfico de drogas
(cf. certidão de antecedentes infracionais de mov. 136.2: 1) no processo de apuração de ato infracional de n.

º 0702.20.350670-5, foi proferida sentença pela prática de tal ato infracional, recebendo o réu a medida

socioeducativa de liberdade assistida; 2) no processo de apuração de ato infracional de n.º 0702.21.021124-


0, foi proferida sentença, submetendo-o à medida de internação; 3) no processo de apuração de ato

infracional de n.º 0702.21.002925-3, foi proferida sentença, submetendo-o à medida de prestação de


serviços à comunidade).

Tais circunstâncias são aptas ao afastamento da referida minorante.

e) Quanto à perda dos bens apreendidos:


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No que tange ao perdimento dos bens apreendidos com os corréus (dois pratos, um

de metal e outro de cerâmica de cor branca, um estilete de cores preta e amarela e R$ 144,00 – cento e
quarenta e quatro reais – em dinheiro trocado; cf. auto de exibição e apreensão de mov. 1.6), reputo ser

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cabível.

De acordo com o § 1º, do artigo 63, da Lei nº 11.343/2006, “[...] Os bens, direitos ou

valores apreendidos em decorrência dos crimes tipificados nesta Lei ou objeto de medidas assecuratórias,

após decretado seu perdimento em favor da União, serão revertidos diretamente ao Funad”.

E segundo o artigo 63, inciso I, da mesma Lei, o juiz deverá decidir, ao proferir

sentença de mérito, sobre o “[...] perdimento do produto, bem, direito ou valor apreendido ou objeto de
medidas assecuratórias”.

A matéria, submetida a repercussão geral no âmbito do SUPREMO TRIBUNAL


FEDERAL, foi julgada em 2017.

Por decisão plenária, consignou-se não haver a necessidade, para o confisco dos
bens, de se perquirir a habitualidade, reiteração do uso, sua modificação para evitar a descoberta da droga
ou qualquer outro requisito além daqueles expressamente inscritos no artigo 243, parágrafo único, da
Constituição da República, ou seja, a apreensão em decorrência do tráfico ilícito de entorpecentes e drogas

afins.

Segue a ementa do referido aresto:

“[…] A habitualidade do uso do bem na prática criminosa ou sua

adulteração para dificultar a descoberta do local de acondiciona-mento, in casu, da droga, não é


pressuposto para o confisco de bens, nos termos do artigo 243, parágrafo único, da

Constituição Federal. Tese: É possível confisco de todo e qualquer bem de valor econômico
apreendido em decorrência do tráfico de drogas, sem a necessidade de se perquirir a

habitualidade, reiteração do uso do bem para tal finalidade, a sua modificação para evitar a

descoberta do local do acondicionamento da droga ou qualquer outro requisito além daqueles


expressamente previstos no artigo 243, parágrafo único, da Constituição Federal” (STF, RE

638491, Rel. Min. Luiz Fux, Tribunal Pleno, julgado em 17.05.2017).

Compulsando-se os presentes autos de processo-crime, exsurge que os bens

apontados na denúncia eram produtos do crime tipificado no artigo 33, caput, da Lei nº 11.343/2006,

reportando-me, neste passo, ao já fundamentado.


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Portanto, diante da interpretação feita do § 1º, do artigo 63, da Lei nº 11.343/2006,

observando-se o caso concreto, ou seja, verifica-se dever ser aplicado, diante dos elementos probatórios
existentes, o aludido dispositivo legal, de maneira que decido pela perda dos bens apreendidos com os réus.

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3. DISPOSITIVO:

Ante o exposto e o mais que dos autos consta, JULGO PROCEDENTE a pretensão

punitiva deduzida na denúncia (mov. 44.2) e CONDENO o réu LUCA PEREIRA DE SOUZA, inicialmente

qualificado, nas sanções do delito tipificado no artigo 33, caput, combinado com o artigo 40, inciso III,

ambos da Lei n.º 11.343/2006.

Considerando as diretrizes estabelecidas nos artigos 59 e 68, ambos do Código Penal

e, com prevalência, o disposto no artigo 42 da Lei n.º 11.343/2006, passo à individualização das penas
impostas ao condenado.

4. APLICAÇÃO DA PENA:

No respeitante à culpabilidade: o grau de reprovabilidade da conduta perpetrada não

excedeu o inerente ao tipo penal; aos antecedentes: não os registra (consoante certidão do Sistema Oráculo
de mov. 174.2 e certidões de objeto e pé de mov. 177.2); à conduta social: quase nada foi apurado, não

havendo condições de ser ora valorada; à personalidade: não há nada nos autos, pois deve esta ser
analisada por profissional da psiquiatria; às circunstâncias do crime: são desfavoráveis, haja vista a
quantidade de droga que o condenado guardava, o que obviamente deve ser sopesado e reprimido com

maior severidade. Ressalto, por oportuno, que a Lei n.º 11.343/2006, em seu artigo 42, expressamente
determina a preponderância de alguns poucos fatores sobre o estabelecido no artigo 59 do Código Penal,

sendo que entre aqueles elencados está justamente a espécie da substância ou do produto entorpecente.
Olhando para o caso deste processo-crime, nem se precisa dizer da facilidade da venda de maconha a

jovens e adolescentes, causando reflexos desastrosos nos âmbitos pessoal, familiar e social, tais como a

violência e o cometimento de outras infrações penais. Ademais, a quantidade apreendida do entorpecente é


considerável (um tablete e uma porção de maconha, pesando, ao todo, 900g – novecentos gramas; cf. auto

de exibição e apreensão de mov. 1.6). Tudo isso, é claro, deve ser reprimido com maior rigor, bem como

justifica o recrudescimento da reprimenda; aos motivos e às consequências do delito: não podem ser

avaliados, diante da análise do que consta; e, ao comportamento da vítima: tal circunstância resta
prejudicada para o presente feito.
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Ponderadas as circunstâncias judiciais do artigo 59 do Código Penal, verifico que não
lhe são desfavoráveis, salvo no que tange às circunstâncias do crime, considerando a quantidade expressiva

da substância entorpecente, motivo pelo qual recrudesço a reprimenda em 01 (um) ano de reclusão e 60

(sessenta) dias-multa, de modo que fixo a pena-base acima do seu mínimo legal, ou seja, em 06 (seis) anos

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de reclusão e 560 (quinhentos e sessenta) dias-multa.

Não há circunstâncias atenuantes ou agravantes.

O condenado não faz jus à causa de diminuição de pena prevista no artigo 33, § 4º,

da Lei nº 11.343/2006, por se dedicar às atividades criminosas, conforme acima exposto.

Presente, por outro lado, a causa de aumento de pena prevista no artigo 40, inciso III,
da Lei n.º 11.343/06, razão pela qual aumento a pena em 1/6 (um sexto), o que corresponde a 01 (um) ano

de reclusão e 93 (noventa e três) dias-multa, extir-pada a fração da pena de multa ‘pro reo’, patamar de

aumento escolhido com base na presença de uma única majorante, de maneira a totalizar a PENA FINAL

de 07 (SETE) ANOS DE RECLUSÃO E 653 (SEISCENTOS E CINQUENTA E TRÊS) DIAS-MULTA, na

ausência de outras causas modificadoras.

Considerando que o acusado não possui bens de grande valor nem exerce profissão
muito rendosa, FIXO o valor de cada dia-multa em 1/30 (um trigésimo) do salário mínimo mensal vigente

ao tempo do fato (conforme o artigo 43, caput, da Lei nº 11.343/2006).

Em observância ao disposto no artigo 33 do Código Penal, que diz respeito às penas


privativas de liberdade, bem como reputando o que se mostra necessário e suficiente para repressão e
prevenção de delitos, inclusive a situação mais eficaz, sob os pontos de vista pedagógico e criminológico,

ESTABELEÇO, para o início do cumprimento da pena pelo condenado LUCA PEREIRA DE SOUZA, haja

vista a quantidade da pena e a sua primariedade, o REGIME SEMIABERTO.

Concedo a tal réu o direito de recorrer em liberdade, pois não permaneceu preso

cautelarmente e não estão presentes, a esta altura, quaisquer causas modificadoras da respectiva decisão

relativamente aos requisitos inscritos no artigo 312 do Código de Processo Penal.

Considerando-se o estabelecido no artigo 44, inciso I, e artigo 77, caput, ambos do

Código Penal, DEIXO de promover a substituição da pena privativa de liberdade pelas penas restritivas de

direito previstas no artigo 43 do supracitado Diploma Legal, como também de conceder a suspensão

condicional da pena (sursis).

Como se sabe, antes da inovação trazida pela Lei nº 12.736/2012, cabia ao Juízo da

Execução Penal proceder à detração (artigo 66, inciso III, alínea “c”, da Lei nº 7.210/1984).
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No entanto, de acordo com a atual redação do § 2º, do artigo 387, do Código de

Processo Penal, passou a vigorar a regra de que “o tempo de prisão provisória, de prisão administrativa ou
de internação, no Brasil ou no estrangeiro, será computado para fins de determinação do regime inicial de

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pena privativa de liberdade”.

Da leitura do aludido dispositivo legal, infere-se que a detração, na sentença


condenatória, será necessária quando, descontado da pena definitiva fixada o tempo em que o réu ficou

preso ou internado provisoriamente, houver mudança no regime inicial de cumprimento da pena privativa de

liberdade, com o nítido escopo de evitar a continuidade da imposição de indevido regime mais gravoso,
facilitando aos sentenciados, destarte, a primeira progressão de regime.

Entretanto, no caso dos autos, conquanto o réu tenha permanecido, por certo tempo,

preso processualmente, vislumbro que a detração em nada alterará o regime fixado, de maneira a mostrar-
se mais adequado que ela seja procedida no Juízo da Execução, onde há maiores conhecimentos acerca do
tempo de pena já cumprido, além de outras informações subjetivas a respeito do condenado.

Por conseguinte, DEIXO de proceder à detração.

5. DEMAIS DISPOSIÇÕES:

CONDENO o réu LUCA PEREIRA DE SOUZA ao pagamento das custas

processuais ex lege, de acordo com o artigo 804 do Código de Processo Penal, sendo que eventual

concessão da Justiça Gratuita deverá ser apreciada pelo Juízo da Execução.

Advirta-se ao apenado de que a pena de multa aplicada supra, depois de atualizada

na forma do artigo 49, § 2º, do Código Penal, deverá ser paga no prazo de 10 (dez) dias contados do

trânsito em julgado desta sentença, nos termos do artigo 50 do Código Penal.

COM O TRÂNSITO EM JULGADO DESTA, COMUNIQUE-SE E SOLICITE-SE

IMEDIATAMENTE À VARA DE EXECUÇÕES PENAIS A PRONTA IMPLANTAÇÃO DO ALUDIDO RÉU

NO SISTEMA PRISIONAL ADEQUADO AO REGIME FIXADO.

AUTORIZO sejam realizados os procedimentos necessários para o fim de incinerar

as substâncias entorpecentes que sobejaram da mencionada apreensão, se já não realizados, observando-

se, para tanto, no que for cabível, o disposto no Código de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça.

DECRETO a perda dos bens apreendidos com o réu (cf. mov. 1.6), com base no

artigo 63, inciso I, da Lei nº 11.343/2006, o que se dará na forma da referida Lei, atentando-se para o
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estabelecido no Código de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado, após o trânsito em

julgado desta sentença, e, atentando-se para o artigo 1007 do Código de Normas da Corregedoria-Geral

da Justiça do Estado, determino a destruição de dois pratos e um estilete, pois são objetos imprestáveis.

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Deixo de fixar o valor mínimo para a reparação dos danos causados pela infração,

como prevê o artigo 387, inciso IV, do Código de Processo Penal, pois não há vítima determinada no crime
pelo qual foi o réu condenado.

CERTIFICADO O TRÂNSITO EM JULGADO DESTA:

a. EXPEÇA-SE guia de recolhimento para execução das penas (artigo 674 do


Código de Processo Penal e artigo 105 da Lei de Execução Penal), observando-se
o disposto: nos artigos 106 e 107, ambos da Lei de Execução Penal; nos artigos

676 a 681, todos do Código de Processo Penal; nos artigos 831 a 837 do Código
de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado;

b. OFICIE-SE, em atenção ao estabelecido no artigo 15, inciso III, da


Constituição da República, à Justiça Eleitoral, COMUNICANDO-SE a presente

condenação;

c. COMUNIQUEM-SE ao Distribuidor e ao Instituto de Identificação,


certificando-se nos autos o trânsito em julgado desta sentença con-denatória, de
acordo com os artigos 824 a 830 do Código de Normas da Corregedoria-Geral da

Justiça do Estado.

CUMPRAM-SE as demais determinações pertinentes ao feito constan-tes do Código

de Normas da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado.

PUBLIQUE-SE. REGISTRE-SE. INTIMEM-SE.

Londrina, datado e assinado eletronicamente.

JUÍZO DA 3ª VARA CRIMINAL DE LONDRINA

Leonardo Delfino Cesar, juiz de direito substituto

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