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Introdução à Virologia e Patogênese Viral

O documento aborda a virologia, detalhando a estrutura e ciclo de vida dos vírus, incluindo os ciclos lítico e lisogênico, além de discutir a patogênese viral e os mecanismos de resistência do hospedeiro. Também são apresentados métodos de diagnóstico virológico e a importância da identificação rápida de agentes virais. O texto destaca a complexidade das interações vírus-hospedeiro e os fatores que influenciam a infecção e a resposta imunológica.
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Introdução à Virologia e Patogênese Viral

O documento aborda a virologia, detalhando a estrutura e ciclo de vida dos vírus, incluindo os ciclos lítico e lisogênico, além de discutir a patogênese viral e os mecanismos de resistência do hospedeiro. Também são apresentados métodos de diagnóstico virológico e a importância da identificação rápida de agentes virais. O texto destaca a complexidade das interações vírus-hospedeiro e os fatores que influenciam a infecção e a resposta imunológica.
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Vírus

Aula 1 - Introdução a Virologia


-Vírus: estruturas subcelulares com ciclo de replicação exclusivamente intracelular,
tornando-os pequenos parasitas intracelulares obrigatórios que não possuem
metabolismo próprio. Os vírus utilizam o aparato enzimático da célula hospedeira para
síntese de seus componentes e sua perpetuação na natureza.
-Os vírus possuem maior diversidade biológica do que bactérias, plantas e animais.
-Infecciosos e potencialmente patogênicos
-A associação vírus-hospedeiro é mais "dependente" do que parasito-hospedeiro
-Viroma humano: coleção de todos os vírus no corpo humano, tejam eles capacidade
patogênicas ou não.
-Vírus podem reciclar material orgânico
-Vírus são os principais agentes de pressão seletiva em proteínas de mamíferos
-Virulência: Capacidade de produzir estado patológico no hospedeiro

Estrutura Viral
-A estrutura básica é constituída por:
Capsídeo (invólucro proteico) + Genoma (ácido nucléico RNA ou DNA) =
Nucleocapsídeo
-Genoma viral: composto de DNA ou RNA, carregam a informação genética para
produzir proteínas virais necessárias para formar a estrutura da partícula viral e para a
replicação e infecciosidade viral. São haplóides ou diplóides.
As proteínas não estruturais asseguram a replicação do genoma e subvertem funções
celulares; enquanto que as estruturais compõe o capsídeo e o envelope.
Os possíveis ácidos nucleicos são: DNA fita dupla ou simples, RNA fita dupla, RNA fita
simples (positiva ou negativa), RNA simples com itermediário de DNA, DNA dupla com
intermediário de RNA.

-Capsídeo: composto de capsômeros, subunidades proteicas, podendo ter várias de


um mesmo tipo ou de diferentes tipos de proteína. A interação entre os capsômeros
pode gerar diferentes simetrias:
Icosaédrica: o capsídeo está organizado como um polígono retangular, de 20 faces.
Helicoidal: As proteínas do capsideo se associam ao redor das moléculas de ácidos
nucléicos, circulando-as na forma de uma espiral.
Complexa: não se enquadra nem como icosaédrica nem como helicoidal.
Normalmente apresentam uma “cabeça” (que seria um capsídeo icoasedrico)
associado a uma “cauda” de protéinas na forma helicoidal.
-Funções: conferir proteção do genoma com sua estrutura rígida, promover a interação
dos vírus não-envelopados com as células, o transporte viral no interior da célula,
auxiliar na replicação do genoma viral, e escapar do sistema imunológico.

-Envelope: localizado externo ao capsídeo, ele é derivado de membranas celulares da


célula hospedeira, sendo formado por uma bicamada lipídica com glicoproteínas virais
que permitem a infectividade viral. Mas este envoltório não tem função de proteção, e é
facilmente degradado.
-Funções: adsorção, penetração na célula, escape viral do sistema imunológico
-Vírus envelopado x não evelopado: Rotavírus, Parvovírus, Adenovírus, HAV,
Papilomavírus x Herpesvírus, Ortomixovírus, Flavivírus, Rhabdovírus.

Ciclo Lítico x Ciclo Lisogênico


-No ciclo lítico o vírus insere seu material genético dentro da célula, dominando a
mesma e destruindo-a no final. (Ver replicação viral abaixo)
-No ciclo lisogênico o vírus agrega seu material genético ao genoma da célula
hospedeira, não interferindo no mecanismo celular. Quando a célula realiza mitose, ela
transmite às células filhas o material genético do vírus, multiplicando-o.

Replicação Viral (ou biossíntese viral)


-Processo de multiplicação dos vírus que ocorre no interior das células hospedeiras
com a finalidade de produzir a progênie viral.
-Dependente da maquinaria celular, pois os vírus não apresentam estruturas
moleculares que permitam independência, com muitas enzimas necessárias para a
transcrição e tradução ausentes neles.
-Mesmo tendo uma grande diversidade de genomas, todos os vírus possuem etapas
semelhantes deste ciclo:
1. Adsorção
É a ligação de uma molécula presente na superfície da partícula viral com os
receptores específicos da membrana celular do hospedeiro, sendo esses receptores
proteínas, lipídeos ou carboidratos.
Presença do receptor determina o espectro de hospedeiros, o tropismo do vírus e a
patogenia.
2. Penetração
É a entrada no vírus na célula. A penetração viral na célula hospedeira é um processo
que envolve uma etapa de transferência do genoma viral ou do nucleocapsídeo
(genoma+capsideo) para o interior da célula. Pode ser feita em diferentes estratégias:
Direta: ocorre somente para vírus não envelopados. Após a interação da partícula viral
com receptores da membrana celular ocorre uma desorganização da estrutura do
capsídeo e o genoma é injetado (ou translocado) para o interior do citoplasma através
de poros formados na membrana plasmática. O capsídeo fica no exterior da célula e
sofre degradação.
Fusão do envelope: ocorre somente para vírus envelopados. Depois da ligação do
vírus com o receptor celular, este sofre uma alteração conformacional e é iniciado o
processo de fusão do envelope viral com a bicamada lipídica da membrana celular.
Depois desta fusão, o nucleocapsídeo é liberado no citoplasma onde será
desetruturado para a posterior liberação do genoma viral na célula.
Endocitose mediada por receptor: ocorre com vírus envelopados ou não-envelopados.
O vírus entra na célula por interação do envelope com a região da membrana
plasmática da célula recoberta por clatrina, ocorrendo a invaginação para o interior da
célula com a formação de vesículas intracelulares, o endossomo. Nele, ocorre a fusão
do envelope com a membrana do endossomo e liberação do nucleocapsídeo no
citoplasma (no caso de vírus envelopados) o qual é posteriormente desestruturado e o
genoma fica livre no citoplasma; já os vírus não envelopados utilizam outras estratégias
para sair dos endossomos: alguns, como os adenovírus, provocam a lise do
endossomo, enquanto outros, como os poliovírus, geram poros na membrana vesicular
e injetam o genoma viral diretamente no citoplasma.
3. Desnudamento
É a separação física entre proteínas do capsídeo e o genoma viral, pois o capsídeo é
removido pela ação de enzimas celulares, fazendo com que o genoma viral fique livre
no citoplasma ou no núcleo para a replicação viral.
4. Replicação
A síntese viral compreende a formação das proteínas estruturais e não estruturais a
partir dos processos de transcrição e tradução.
5. Montagem
As proteínas traduzidas vão se agregando ao genoma transcrito, formando o
nucleocapsídeo. Alem disso, para a formação de alguns tipos de vírus, a obtenção do
envoltório lipídico deve ocorrer, o que é dependente de enzimas tanto do vírus quanto
da célula hospedeira, podendo ocorrer no citoplasma ou no núcleo da célula.
6. Liberação
A saída dos novos vírus da célula, podendo ocorrer por lise celular (ruptura da
membrana plasmática celular), exocitose ou brotamento.
OBS: Vírus RNA x Vírus DNA: os vírus RNA fazem a decapsidação, replicação, síntese
de proteínas e montagem no citoplasma da célula, enquanto que os DNA tem etapas
no citoplasma (descapsidação, síntese proteica) e no núcleo (transcrição, replicação e
montagem).

Aula 2 - Patogênese Viral


Patogênese Viral
-Processo ou mecanismo de desenvolvimento de uma doença.
-Patogenicidade: capacidade do vírus de infectar o hospedeiro e causar dano
-Virulência: capacidade relativa de causar dano
-Fatores virais relevantes para o sucesso da infecção: inóculo viral (propriedades do
vírus), tropismo (susceptibilidade e permissividade) e evasão das defesas do
hospedeiro.
-A transmissão viral pode ser:
-Horizontal: transferência ocorre de um indivíduo infectado para um indivíduo
sadio, por contato direto (indivíduo infectado para um susceptível) ou indireto
-Vertical: transferência entre mãe e filhos.
-A emergência de um patógeno é complexa, multifatorial e depende da exposição
(distribuição, ecologia, comportamento dos hospedeiros), infecção (compatibilidade
vírus-hospedeiro, alcance do vírus), transmissão e adaptação (substituição de
nucleotideos, captura de gene, recombinação, seleção).
-A mutação, recombinação e rearranjo variam o genoma viral, podendo alterar a
patogenicidade e influenciando o curso da infecção. As consequências destes eventos
são a manutenção de infecção permanente, resistência a drogas e vacinas, quebra de
barreiras inter-espécies, e emergência ou re-emergência de viroses.
-As regiões afetadas pelas variações genéticas são: enzimas, proteínas do envelope e
proteínas do capsídeo.

Etapas de uma patogênese viral:


1. Penetração
Vírus entra no hospedeiro pela via adequada e realiza a replicação primária em tecidos
próximos a entrada.
2. Disseminação
O vírus escapa dos mecanismos de defesa do organismo do hospedeiro e dissemina-
se para os tecidos e órgãos-alvo
3. Replicação
O vírus se replica eficientemente nesses tecidos e órgãos
4. Lesão/doença
O vírus produz injúria tecidual
5. Excreção
Eliminação viral pelo hospedeiro em fluidos corporais, sangue, fezes, etc.

Entrada e Saída do Vírus


Dependendo do caráter do vírus e em quais locais ele vai atuar, ele tem diferentes
rotas
-Portas de entrada: pele, mucosas dos tratos respiratório, gastrointestinal e urogenital.
Também pode ser por via transplacentária (mãe para feto), transplantes.
-Vias de excreção: secreções respiratórias, fezes, pele, leite materno, excreções
genitais, sangue e urina.

Patologia em nível celular


-Quando os vírus entram em uma célula, eles podem causar diferentes tipos de
infecção
-Infecção lítica: vírus se multiplica e causa morte celular, liberando os vírus que
estavam dentro dela
-Infecção persistente: vírus se multiplica e são lentamente liberados, sem causar morte
celular
-Infecção latente: vírus se multiplica e fica na célula, sem causar danos a ela.
Posteriormente se torna uma infecção lítica.
-Infecção abortiva: não ocorre multiplicação
-Transformação de células normais em celulas de tumor

Infecções
-Localizada: se matém próxima ao local de penetração e replicação primária,
infeccionando apenas células vizinhas. Não se espalha pelo corpo, atinge apenas um
tipo de tecido. Característica de viroses que causam lesão na pele ou em mucosas.
-Disseminada ou sistêmica: viroses que se replicam no local de entradas, são liberados
pelas células para atingirem camadas mais internas para entrarem em contato com
fluidos corporais (linfa e sangue) para uma disseminação mais fácil das partículas virais
pelo corpo, atingindo outros tecidos.
-Viremia: presença de partículas virais no sangue do indivíduo infectado.

Padrões de infecções
-Aguda: rápida produção de vírus, eliminação rápida do patógeno pelo hospedeiro.
Resolução rápida, levando à imunidade ou à morte do hospedeiro.
-Assintomática: infecção aguda que não resultou em doença, produção de bírus no
hospedeiro mas não o bastante para gerar sintomas.
-Latente: vírus continua no hospedeiro de forma não infecciosa, escapando da resposta
imunológica mas tendo períodos de reativação (replicação viral e produção de
sintomas).
-Crônica ou persistente: infecção lenta sem eliminação do agente viral, com produção
contínua por longos períodos de tempo em baixas concentrações.
-Persistente temporária:

Penetração nos Tecidos


1. Entrada dos vírus em células endoteliais
2. Transporte ativo destas partículas virais
3. Infecção
4. Interior de monócitos ou linfócitos

Mecanismos de Resistência do Hospedeiro


-Respostas imunes:
-Inata: composto por mecanismos de defesa não-específicos, que constituem
uma resposta indiferenciada aos invasores, ou seja, serão as mesmas defesas para os
diferentes vírus. Constituída por barreiras físicas (pele, muco, pH, saliva, lágrimas...),
células fagocitárias (macrófagos, monócitos...), células dendríticas e células "natural
killers".
-Adquirida: formada por mecanismos específicos de reconhecimento do
patógeno, caracterizada por produção de células de memória que produzirão
anticorpos específicos dependendo do patógeno e seus agentes. Esta resposta provém
resistência para uma possível nova infecção a esse patógeno, de forma que é formada
por linfócitos B e anticorpos (humoral) e linfócitos T (celular).
-Interferons: citocinas com a função de induzir um estado antiviral durante a resposta
inata do hospedeiro. A indução é iniciada depois das células reconhecerem padrões
moleculares associados a patógenos. Os interferons produzidos e secretados irão
induzir a ativação de outros genes para a produção de proteínas responsáveis por inibir
a síntese proteica e degradar o genoma viral.
-Anticorpos: importantes para a proteção contra infecções virais pois induzem
imunidade protetora e duradoura, podendo neutralizar ou opsonizar a partícula viral. Os
neutralizantes impedem a interação da partícula viral com a célula, os que atuam como
opsoninas se ligam à particula viral e recrutam macrófagos e induzem a fagocitose.

Aula 3 - Métodos de Diagnóstico e Controle Virológico


Diagnóstico Virológico
Por que e quando solicitar diagnóstico virológico?
-Porque ele é fundamental quando são necessárias rápidas e precisas identificações
do agente, direcionar e iniciar tratamentos, diferenciar tipo de infecção, verificar
resposta vacinal, vigiar e estudar epidemias
-Formado pelas etapas: diagnóstico clínico, diagnóstico laboratorial, sendo este feito
por métodos diretos (isolamento viral, pesquisa de antígenos, do genoma viral, ou por
microscopia eletrônica) ou indiretos (pesquisa de anticorpos).

Amostras Clínicas
Dependendo da suspeita e da fase, serão coletadas amostras diferentes.
-Durante a fase aguda: primeiros dias da doença, com replicação viral e sem produção
de anticorpos. Procurar por vírus, antígenos ou genoma viral.
-Após a fase aguda: coleta de sangue para pesquisa de anticorpos (sorologia).

Métodos Clássicos de Diagnóstico Virológico


Se baseiam no Isolamento do vírus a partir da amostra clínica em sistemas
hospedeiros.
-Animais de laboratório
-Ovos embrionados: isolamento de alguns vírus a partir de amostra clínica. (ex: Febre
Amarela, Influenza humano, Influenza aviário, Poxvírus)
-Cultura de células
-Efeito sitopático (ECP): alterações celulares que surgem em decorrência da
infecção e replicação viral.
-Microscopia eletrônica: permite observar a morfologia do vírus, sendo utilizadas como
amostras líquido vesicular (herpesvírus, poxvírus), material fecal (rotavírus).

Métodos Imunológicos
-Permitem detectar antígenos virais (diretos) ou anticorpos (indiretos/sorologia)
-Exemplos de diretos: microscopia eletrônica, métodos moleculares de detecção de
genoma, métodos imunológicos (imunofluorescência direta, ELISA direto).
-Exemplos de métodos indiretos: ELISA indireto, imunofluorescência indireta
Outros exemplos:
-Reação de inibição da hemaglutinação
-Radioimunoensaio
-Testes imunocromatográficos
-Western-Blot
-ELISA (ensaio Imunoenzimático): identifica antígenos ou anticorpos, ainda podendo
diferenciar a classe do anticorpo (IgM ou IgG).
-Como é feito? O indireito é feito em uma placa, onde antígenos estão aderidos
e os soros que serão sendo testados são aplicados. Se estiverem presentes anticorpos
no soro específicos para o antígeno, haverá uma ligação entre antígeno e anticorpos,
que é detectada quando se adicionar um segundo anticorpo que estará ligado à
enzimas (conjugado) e estes se ligarem aos anticorpos ligados ao antígeno. Em
seguida é adicionado um substrato específico para a enzima, e onde ocorrer a ligação
antígeno-anticorpo a coloração do poço será alterada.
-Sorologia: métodos que utilizam o "soro" (plasma sanguineo sem fatores de
coagulação), onde estarão presentes os anticorpos referentes aos vírus presentes.
Muito utilizada para diagnóstico pois vários virus não podem ser isolados nos sistemas
hospedeiros ou o processo é difícil e demorado.
Prevenção e Controle das Viroses
-Identificação de pontos frágeis que sejam passíveis de intervenção
-Identificação das formas de transmissão
-Quarentena e isolamento
-Medidas higiênicas e sanitárias
-Controle de vetores
-Mudança de comportamento
-Vacinação: Principal forma de controlar e erradicar uma doença!!!
o que esperar: desenvolvimento de resposta imune celular e humoral, imunidade
prolongada, efeitos colaterais mínimos, estabilidade
-Tipos de vacinas virais:
-Vacinas atenuadas: tem presença do vírus, mas sem a capacidade de produzir
a doença. Ex: vacinas contra caxumba, rubéola, sarampo, febre amarela, varicela,
rotavírus
-Vacinas inativadas: presença de vírus inativados por agentes químicos ou
físicos, destruindo a infectividade, mas não a imunogenicidade.

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