Curso: Agronomia
DOENÇAS DO SORGO: PRIMEIRA E SEGUNDA SAFRA NO
BRASIL
Aluna: Kaylaine Julia N. A. Santos – 5°P Agronomia
Disciplina: Milho e Sorgo / Professor: Hemerson Alves
Barbacena
19/07/2025
SUMÁRIO:
1. Introdução;
2. Principais doenças do sorgo na primeira safra;
3. Principais doenças do sorgo na segunda safra;
4. Conclusão;
5. Referências bibliográficas;
1. INTRODUÇÃO:
O sorgo (Sorghum bicolor L. Moench) é uma gramínea de grande importância
agrícola e socioeconômica, especialmente em regiões com clima semiárido ou de
baixa disponibilidade hídrica, devido à sua tolerância à seca. No Brasil, o cultivo do
sorgo é realizado tanto na primeira quanto na segunda safra, sendo utilizado para
alimentação humana, ração animal e produção de bioenergia. No entanto, a
produtividade da cultura pode ser comprometida por diversos fatores, entre os quais
se destacam as doenças, causadas por fungos, bactérias e vírus. A ocorrência e a
severidade dessas doenças variam de acordo com o período de plantio, sendo
influenciadas pelas condições climáticas, suscetibilidade das cultivares e práticas de
manejo adotadas. Assim, o presente trabalho tem como objetivo apresentar as
principais doenças que afetam o sorgo no Brasil, distinguindo sua ocorrência entre a
primeira e a segunda safra, bem como discutir seus sintomas, impactos e
estratégias de manejo.
2. PRINCIPAIS DOENÇAS DO SORGO NA PRIMEIRA SAFRA
A primeira safra, normalmente cultivada entre os meses de outubro e janeiro,
caracteriza-se por apresentar maior pluviosidade e temperaturas amenas a
elevadas. Essas condições favorecem o desenvolvimento de doenças de origem
fúngica, que tendem a se manifestar mais intensamente durante o período
vegetativo e reprodutivo da cultura.
2.1. Antracnose (Colletotrichum sublineolum)
A antracnose é favorecida por alta umidade e temperaturas amenas. Os sintomas
incluem lesões avermelhadas a marrons nas folhas, que podem se unir e necrosar
grandes áreas da planta. Essa doença causa redução da área foliar, interferindo
diretamente na fotossíntese e comprometendo o crescimento e a produção do sorgo.
Ela é mais comum na primeira safra, especialmente quando as condições climáticas
favorecem a alta umidade.
Manejo para controle:
Uso de cultivares resistentes.
Eliminação de restos culturais infectados para reduzir a fonte de inóculo.
Rotação de culturas para evitar o acúmulo de inóculo no solo.
Aplicação de fungicidas com ação preventiva, especialmente em períodos
críticos de desenvolvimento da planta.
2.2. Ferrugem (Puccinia purpurea)
A ferrugem do sorgo é favorecida por clima ameno e umidade elevada. Os sintomas
incluem pústulas alaranjadas nas folhas e bainhas, que liberam esporos ao se
romperem. A doença enfraquece a planta e pode reduzir o enchimento dos grãos,
comprometendo a produtividade. É mais prevalente na primeira safra, quando a
umidade relativa do ar é maior.
Manejo para controle:
Cultivares resistentes ou tolerantes à ferrugem.
Evitar o plantio tardio em épocas de maior pressão da doença.
Monitoramento constante e aplicação de fungicidas preventivos ou quando os
primeiros sinais da doença forem observados.
2.3. Mosaico do Sorgo (vírus)
O mosaico do sorgo é transmitido por vetores, como os pulgões. A infecção viral
causa mosaico clorótico nas folhas, deformações e atraso no crescimento das
plantas. Essa doença reduz o vigor das plantas e impacta diretamente na produção.
É mais frequente no início do ciclo, característico da primeira safra.
Manejo para controle:
Controle efetivo dos vetores (pulgões) com inseticidas seletivos.
Uso de sementes livres do vírus para evitar a disseminação da doença.
Evitar plantios sucessivos de sorgo na mesma área para reduzir a pressão do
inóculo.
2.4. Podridões de Colmo (Fusarium spp. e Macrophomina phaseolina)
As podridões de colmo são favorecidas por estresse hídrico, solos compactados e
plantas senescentes. Os sintomas incluem escurecimento interno do colmo, que
pode levar ao colapso da planta e ao acamamento. Essas podridões causam perdas
de produtividade e dificultam a colheita. A doença geralmente se manifesta no final
da primeira safra, podendo se estender dependendo das condições climáticas.
Manejo para controle:
Correção da fertilidade do solo e manejo adequado da irrigação para evitar
estresse hídrico.
Evitar solos compactados, utilizando práticas de manejo do solo que
favoreçam a aeração e drenagem.
Rotação de culturas para reduzir a pressão de inóculo.
Principais Doenças do Sorgo na Segunda Safra
3.1. Mancha-de-Helminthosporium (Exserohilum turcicum)
A mancha-de-Helminthosporium é favorecida por calor e umidade elevada. Ela se
manifesta por lesões alongadas e marrons nas folhas, semelhantes às que ocorrem
no milho. Essa doença causa redução da área fotossintética, afetando diretamente o
rendimento de grãos. Ela ganha destaque na segunda safra, quando o clima é mais
quente e úmido.
Manejo para controle:
Uso de cultivares resistentes.
Rotação de culturas com espécies não hospedeiras do patógeno.
Monitoramento da lavoura e aplicação de fungicidas, principalmente no início
da infecção.
3.2. Carvão do Sorgo (Sporisorium sorghi)
O carvão do sorgo é favorecido por sementes contaminadas e clima quente. Os
sintomas incluem a formação de estruturas pretas (soros) no lugar das panículas, o
que resulta na perda total das estruturas reprodutivas. Essa doença tende a
aumentar na segunda safra, especialmente em áreas com baixa rotação de culturas.
Manejo para controle:
Uso de sementes tratadas e livres de patógenos.
Rotação de culturas para interromper o ciclo do patógeno.
Eliminação de restos de plantas infectadas após a colheita para reduzir a
inoculação no ciclo seguinte.
3.3. Antracnose (Colletotrichum sublinlavouram)
A antracnose também pode ocorrer na segunda safra, mas com menor intensidade.
Ela causa lesões avermelhadas a marrons nas folhas, que podem coalescer e
necrosar grandes áreas, prejudicando a fotossíntese. Sua ocorrência depende das
condições ambientais e da resistência da cultivar.
Manejo para controle:
Cultivares resistentes ou tolerantes.
Monitoramento das lavouras e uso de fungicidas preventivos quando
necessário.
Rotação de culturas para reduzir o inóculo.
3.4. Podridão por Macrophomina phaseolina
Esta podridão é favorecida por estresse térmico e hídrico, sendo comum na segunda
safra (safrinha). Os sintomas incluem necrose do colmo, plantas murchas e
quebradiças, comprometendo drasticamente a produtividade.
Manejo para controle:
Manejo de estresse hídrico com irrigação adequada e controle de erosão.
Rotação de culturas para interromper o ciclo do patógeno.
Correção da acidez do solo e melhoria da estrutura do solo para evitar a
compactação e melhorar a drenagem.
[Link]ÃO:
As doenças do sorgo variam conforme a época de cultivo, sendo determinadas pelas
condições climáticas, sistema de produção e genótipos utilizados. Na primeira safra,
predominam doenças como a antracnose e a ferrugem, favorecidas pela umidade.
Já na segunda safra, com temperaturas mais elevadas e maior estresse hídrico,
destacam-se doenças como a mancha-de-Helminthosporium, o carvão e a podridão
do colmo por Macrophomina. Para garantir uma produção eficiente e sustentável, é
fundamental adotar práticas de manejo integrado de doenças, como o uso de
sementes certificadas, rotação de culturas, seleção de cultivares resistentes e
monitoramento constante das lavouras.
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
EMBRAPA. Doenças do sorgo. Embrapa Milho e Sorgo, 2022. Disponível em:
[Link] Acesso em: 18 jul. 2025.
FERREIRA, R. C.; SILVA, D. D. Principais doenças do sorgo no Brasil: identificação
e controle. Sete Lagoas: Embrapa Milho e Sorgo, 2021.
PINTO, N. F. J. A.; ALMEIDA, A. M. R. Doenças do sorgo: diagnose e controle.
Brasília: Embrapa, 2020.
AGRIANUAL. Anuário da Agricultura Brasileira. São Paulo: FNP Consultoria e
Comércio, 2024.
COSTA, R. V. da; CASELA, C. R. Fitopatologia do sorgo. Revista Brasileira de Milho
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