SEGURANÇA DO TRABALHO
NA CONSTRUÇÃO CIVIL –
NR-18
Unidade 2
A NBR-18 e o
gerenciamento
de riscos
CEO
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial
ALESSANDRA FERREIRA
Gerente Editorial
LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
GISELLY SANTOS MENDES
IZADORA SOARES CARDOSO
Giselly Santos Mendes
AUTORIA
Olá. Sou Mestre em Qualidade Ambiental, tecnóloga em
Polímeros e administradora, com experiência de mais de 12 anos
na área de Processos Gerenciais. Atualmente, atuo como docente
de nível técnico e tecnológico em instituições de ensino privado.
Sou apaixonada pelo que faço e adoro compartilhar minha
experiência de vida e profissional àqueles que estão iniciando em
suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a
integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz
em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho.
Conte comigo!
Izadora Soares Cardoso
Unidade 2
Olá. Sou doutoranda em Engenharia Elétrica pelo Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal
de Campina Grande (UFCG). Mestre em Engenharia Elétrica (2022)
e Bacharel em Engenharia Elétrica (2019) pela mesma instituição.
Técnica em Eletrotécnica pelo Instituto Federal de Alagoas - IFAL
Campus Palmeira dos Índios (2012). Desenvolvi projetos de
extensão em Eletrônica Básica para alunos do ensino médio da rede
pública e projeto de iniciação científica pelo Programa Nacional de
Cooperação Acadêmica (PROCAD), nas áreas de instrumentação
e telemetria de sistemas não tripulados. Desenvolvi estudos
relacionados ao processo de Ensino e Aprendizagem no curso de
graduação em Engenharia Elétrica da UFCG, além de videoaulas
para alunos de graduação em temas relacionados à Engenharia
Elétrica e Eletrônica. Desde 2013 sou colaboradora do Laboratório
de Instrumentação e Metrologia Científica (LIMC) da UFCG, onde
participo de diversos projetos de ensino, pesquisa e extensão. Atuo
como Analista de Engenharia por mais de 3 anos no setor privado.
4 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Participo de Projetos de Ensino voltados ao desenvolvimento de
material didático instrucional para o Curso de Engenharia Elétrica.
Tenho experiência no desenvolvimento de material didático
instrucional, elaboração de itens, criação de conteúdo e elaboração
de aulas e avaliações para a educação técnica e superior. Tenho
interesse em temas como: ensino, Eletrônica Analógica e Digital,
Processamento de Sinais, Desenvolvimento de material didático
instrucional, Criação de conteúdo e Gestão de pessoas. Tenho
interesse nas áreas de Ensino, Eletrônica Analógica e Digital e
Processamento de Sinais. Sou apaixonada pelo que faço e adoro
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando
em suas profissões. Por esse motivo fui convidada pela Editora
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes.
Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo
Unidade 2
e trabalho. Conte comigo!
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 5
Esses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos:
ÍCONES
No início do Caso haja a
desenvolvimento necessidade de
de uma nova apresentar um novo
OBJETIVO competência. DEFINIÇÃO conceito.
Quando são
Se as observações
necessárias
escritas tiverem que
observações ou
ser priorizadas.
NOTA complementações. IMPORTANTE
Se existirem
Se algo precisar ser curiosidades e
Unidade 2
melhor explicado ou indagações lúdicas
EXPLICANDO detalhado. sobre o tema em
MELHOR VOCÊ SABIA?
estudo.
Existência de Se for preciso acessar
textos, referências sites para fazer
bibliográficas e links downloads, assistir
para aprofundar seu vídeos, ler textos ou
SAIBA MAIS ACESSE
conhecimento. ouvir podcasts.
Se houver a
necessidade de Quando for preciso
chamar a atenção fazer um resumo
sobre algo a cumulativo das últimas
REFLITA ser refletido ou RESUMINDO abordagens.
discutido.
Quando alguma Quando uma
atividade de competência é
autoaprendizagem concluída e questões
ATIVIDADES for aplicada. TESTANDO são explicadas.
6 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Escopo da NR-18 na área de vivência....................................... 9
SUMÁRIO
Escopo da Norma Regulamentadora n° 18..................................................... 9
Norma Regulamentadora n° 18 – Áreas de vivência.................................... 13
Programa de Gerenciamento de riscos.................................. 20
Introdução ao gerenciamento de risco.......................................................... 20
Norma Regulamentadora n° 18 – Programa de Gerenciamento de
Riscos.................................................................................................................... 23
Programa de Gerenciamento de Riscos – Aspectos práticos..................... 26
Segurança nas etapas da obra................................................ 30
Demolição............................................................................................................ 30
Escavação, fundação e desmonte de rochas................................................ 33
Unidade 2
Carpintaria e armação....................................................................................... 41
Estrutura de concreto........................................................................................ 42
Estruturas metálicas........................................................................................... 43
Trabalho a quente.............................................................................................. 43
Serviços de impermeabilização........................................................................ 45
Telhados e coberturas....................................................................................... 46
Serviços em flutuantes............................................................ 48
Aspectos de segurança em flutuantes............................................................ 48
Disposições gerais da NR-18............................................................................ 53
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 7
A Segurança do Trabalho na Construção Civil (NR-18)
compreende o estudo da Segurança do Trabalho relativo à
APRESENTAÇÃO
introdução ao setor da construção civil e à Segurança do Trabalho
na construção civil, bem como a análise das condições e do meio
ambiente de trabalho na indústria da construção. Esse estudo
possibilita a aplicação de um conjunto de conhecimentos relativos
a condições e ao meio ambiente de trabalho na indústria da
construção, necessários ao desempenho satisfatório da profissão.
Nesta Unidade serão apresentados os fundamentos da Norma
Regulamentadora NR-18 em relação ao escopo, às áreas de vivência,
ao Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), à segurança nas
etapas de uma obra civil e aos serviços em flutuantes. Será neste
vasto universo que você irá mergulhar! Nós acreditamos em você
e desejamos sucesso em seus objetivos e formação! Avante!
Unidade 2
8 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2 – A NR-18 e o
gerenciamento de riscos. Nosso objetivo é auxiliar você no
OBJETIVOS
desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o
término desta etapa de estudos:
1. Entender o escopo e a aplicação da NR-18 na área de
vivência.
2. Aplicar as técnicas de gerenciamento de riscos na
construção civil.
3. Identificar as especificidades da NR-18 nas etapas de
uma obra civil.
4. Compreender a sinalização, a capacitação e os serviços
em flutuantes na construção civil.
Unidade 2
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao
conhecimento? Ao trabalho! Avante! Bons Estudos!
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 9
Escopo da NR-18 na área de
vivência
Neste capítulo, você entenderá o escopo e a
aplicação da NR-18 na área de vivência. E então?
Motivado a desenvolver esta competência? Foco e
OBJETIVO bons estudos!
Escopo da Norma
Regulamentadora n° 18
Caro estudante, seja bem-vindo. Iniciaremos o estudo
da Norma Regulamentadora n° 18. Esta é relativa à saúde e à
Unidade 2
Segurança do Trabalho no setor da construção civil, e discute
as condições e o meio ambiente de trabalho neste segmento.
Preparado? Desejamos a você uma boa leitura e um bom
aproveitamento de seus estudos.
A construção civil é a área responsável por englobar
a elaboração de obras dos mais variados portes e funções. É
caracterizada como a atividade econômica responsável pela
construção, instalação e reparação, conforme as normativas
existentes. Além disso, é geradora de muitos postos de trabalho
e, junto a estes, assume um dos maiores índices de acidentes de
trabalho no mundo.
A saúde e a segurança do trabalhador é uma exigência para
toda e qualquer atividade profissional, recebendo atenção especial
na área da construção civil, devido às suas condições de trabalho.
Logo, é relevante compreender as especificidades da NR-18.
10 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 2.1 – Construção do estádio Arena das Dunas
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
Atualmente, existem 37 normas regulamentadoras (NR),
que versam sobre saúde e segurança no trabalho nas mais varia-
das áreas. Estas, conforme seus escopos, pontuam procedimen-
tos, programas e capacitações, voltados à observância e ao aten-
dimento da integridade e da saúde de colaboradores.
Dentro do arcabouço de normas regulamentadoras,
a que se dedica à indústria da construção civil é
a n° 18, logo, é relevante ao profissional da área,
NOTA com destaque àquele que cuidará da saúde
e da segurança nas obras, conhecer todas as
especificidades desta normativa. Caro estudante,
aqui, conjuntamente a esta NR, é necessária a
observância de outras normas, tais como: 1, 3, 4,
5, 6, 7, 9, 12, 23, 24, 33 e 35, bem como a legislação
específica do empreendimento e da localidade.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 11
O exposto encontra respaldo na Norma Regulamentadora
n° 1, que assevera a necessidade de atender às recomendações
de outras normativas: “a observância das NRs não desobriga as
empresas do cumprimento de outras disposições que, com relação
à matéria, sejam incluídas em códigos de obras ou regulamentos
sanitários dos Estados ou Municípios, e outras, oriundas de
convenções e acordos coletivos de trabalho” (BRASIL, 2009, p. 2).
Conforme a Portaria SEPRT n° 3.733, de 10 de fevereiro
de 2020, a Norma Regulamentadora n° 18 tem como objetivo “[...]
estabelecer diretrizes de ordem administrativa, de planejamento
e de organização, que visam à implementação de medidas de
controle e sistemas preventivos de segurança nos processos,
nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria da
Unidade 2
construção” (BRASIL, 2020, on-line).
Imagem 2.2 – Canteiro de obras
Fonte: Wikimedia Commons.
Esta normativa também prevê o campo de aplicação às
atividades da indústria da construção constantes da seção “F” do
12 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) e às atividades
e serviços de demolição, reparo, pintura, limpeza e manutenção
de edifícios em geral e de manutenção de obras de urbanização.
O escopo da NR-18 prevê a organização e a
administração de medidas preventivas de
segurança, bem como observa as condições do
RESUMINDO ambiente de trabalho em locais, processos e
atividades da indústria da construção civil.
As responsabilidades desta normativa são
previstas no item 18.3. Neste, constam as seguintes
recomendações (BRASIL, 2020):
a) Veto de ingresso ou permanência de
trabalhadores no canteiro de obras, sem que estes
estejam resguardados pelas medidas de segurança
Unidade 2
da norma.
b) Necessidade de comunicação do ingresso e
permanência via Comunicação Prévia de Obras em
sistema informatizado da SIT, antes do início das
atividades, de acordo com a legislação vigente.
Canteiro de obra, conforme a Norma Regulamen-
tadora n° 1, no item 1.6, é definido como a área do
trabalho fixa e temporária, em que são desenvol-
EXPLICANDO
MELHOR vidas operações de apoio e execução de uma obra
(BRASIL, 2009).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 13
Norma Regulamentadora n° 18 –
Áreas de vivência
A área de vivência é abordada no item 18.5 da NR-18. Nele,
destaca-se que a área de vivência deve ser projetada de forma a
oferecer condições mínimas de segurança, conforto e privacidade,
bem como a necessidade de mantê-la conservada com higiene
e limpeza. As instalações sanitárias, os vestiários, o local para
refeição e os alojamentos, quando houver, são considerados
espaços de vivência por esta normativa (BRASIL, 2020).
Imagem 2.3 – Refeitório
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
Logo, os requisitos da área de vivência atuam como
instrumentos para a observação, adequação e manutenção de
espaços destinados ao bem-estar do trabalhador da construção
civil, com espaços adequados e seguros para refeições, higiene
pessoal, descanso e lazer (BRASIL, 2020; FELIX, 2011).
14 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Na área de vivência, conforme a normativa, deve ser
disponibilizado e estruturado um local para a realização da
refeição do trabalhador, observadas as mínimas condições de
conforto, higiene e proteção contra as intempéries (BRASIL, 2020).
O local dever ser equipado e mobiliado de forma a atender às
necessidades de preparo e consumo de refeições (FELIX, 2011).
O atendimento ao disposto também poderá ocor-
rer via convênio formal com estabelecimentos
próximos ao canteiro, desde que observadas as
NOTA condições de segurança, higiene e conforto do
trabalhador. Cumpre destacar que se a organiza-
ção optar por esta modalidade, deverá providen-
ciar o transporte dos trabalhadores até o referido
local, quando o caso assim necessitar (BRASIL,
Unidade 2
2020).
É muito importante destacar que as instalações de
uma área de vivência, no que for pertinente, devem observar
as orientações previstas na NR-24 – Condições sanitárias e de
conforto nos locais de trabalho.
A instalação sanitária compreende o local destinado ao
asseio corporal e/ou ao atendimento das necessidades fisiológicas
de excreção dos indivíduos. Assim, conforme medidas previstas em
normativas, as instalações sanitárias em canteiros de obra devem
conter: lavatório, bacia sanitária sifonada, assento com tampo e
mictório, na proporção de 1 para cada 20 trabalhadores ou fração,
e chuveiro, na proporção de 1 para cada de 10 trabalhadores ou
fração (BRASIL, 2020).
Ainda sobre as instalações sanitárias destaca-se que os
lavatórios e mictórios podem ser individuais ou coletivos, bem
como os vasos sanitários devem ocupar no mínimo, 1m² de área
ocupada (FELIX, 2011).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 15
Imagem 2.4 – Instalação de mictório
Unidade 2
Figura: Wikimedia Commons.
De forma complementar aos requisitos desta normativa,
cita-se Felix (2011), que, ao organizar estudos relativos sobre
engenharia de Segurança do Trabalho na indústria da construção,
pontuou as seguintes recomendações sobre instalações sanitárias:
• São espaços que requerem conservação e manutenção
constante de higienização, logo, devem ser constituídos
de materiais que permitam tal ação.
• Devem ter portas de acesso que inviabilizem o devas-
samento, bem como mantenham o devido resguardo.
Além disso, dever ter instalações independentes para
homens e mulheres, quando necessário.
• Sua localização deve ser distante de área de refeição.
16 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
• Estrutura ventilada, iluminada, com instalações elétricas
protegidas, e pé-direito de, no mínimo, 2,50 metros.
Ainda, é obrigatório, quando o caso necessitar, a instalação
de alojamento, no canteiro de obras ou fora dele, que contemple
as seguintes instalações anexas: cozinha, quando houver preparo
de refeições; local para refeição; instalação sanitária; lavanderia;
e área de lazer, podendo ser utilizado o local de refeição (BRASIL,
2020).
Alojamentos localizados em canteiros de obras
devem ter estrutura adequada (paredes, piso,
cobertura, espaço para circulação e instalação
NOTA elétrica); ventilação; iluminação (artificial ou
natural); mobília (cama e armários); área mínima
Unidade 2
de 3 m² por módulo; pé-direito mínimo entre
2,50 metros a 3,00 metros; e fornecimento de
água potável, filtrada e fresca (bebedouros ou
equivalente) (FELIX, 2011).
Outros aspectos, conforme a referida normativa devem
ser observados em áreas de vivência, tais como (BRASIL, 2020;
FELIX, 2011):
• O deslocamento do colaborador (a contar de seu
posto de trabalho) não pode exceder 150 metros até a
instalação sanitária mais próxima.
• O fornecimento obrigatório de água potável, filtrada
e fresca no canteiro de obras, nas frentes de trabalho
e nos alojamentos, por meio de bebedouro ou forma
equivalente, na proporção de 1 unidade para cada 25
colaboradores ou fração, sendo vedada a oferta e o uso
de copos coletivos.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 17
• Assim, como nas instalações sanitárias, o deslocamento
do colaborador (a contar de seu posto de trabalho) não
pode exceder 100 metros no plano horizontal, ou 15
metros no plano vertical, até a fonte de fornecimento
de água potável (bebedouro ou equivalente) mais
próxima.
Na impossibilidade de instalação de bebedouro ou
dispositivo equivalente, dentro dos limites acima
referidos, deve-se assegurar o suprimento de água
NOTA potável, filtrada e fresca em recipientes portáteis
herméticos.
• Nas frentes de trabalho devem ser disponibilizadas
instalações sanitárias, compostas de bacia sanitária
Unidade 2
sifonada, dotada de assento com tampo, e lavatório
para cada 20 trabalhadores ou fração. É possível utilizar
banheiro com tratamento químico com mecanismo de
descarga ou de isolamento dos dejetos, com respiro,
ventilação e higienização diária.
A frente de trabalho, conforme a Norma
Regulamentadora Nº 1, é definida como toda a
área de trabalho móvel e temporária, em que são
EXPLICANDO
MELHOR desenvolvidas operações de apoio e execução de
uma obra (BRASIL, 2013).
• Junto ao alojamento, também pode existir, conforme
necessidade, um vestiário destinado aos trabalhadores.
O espaço é destinado a salvaguardar objetos pessoais
(roupas e itens de higiene pessoal, bem como os
equipamentos de proteção individual – EPIs).
18 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 2.5 – Vestiário
Unidade 2
Fonte: Freepik.
Os vestiários servem àqueles colaboradores que não utilizam
o alojamento, ou seja, apenas necessitam de um espaço para a troca
de vestimentas e a guarda de pertences durante sua jornada de
trabalho. Os vestiários devem ter estrutura adequada, bem como ser
coberta. Por estrutura adequada entende-se ventilação, iluminação,
mobília de uso individual e coletivo (FELIX, 2011).
• É possível a utilização de contêineres, como estruturas
móveis de área de vivência, desde que o pé-direito
tenha, pelo menos, 2,40 metros, além de ser arejado e
climatizado.
As organizações atuantes na construção civil devem
zelar pelo bem-estar e a saúde de seus colaboradores, atuando
sobre as áreas de vivência, atendendo à legislação e às normas
técnicas pertinentes. Vale lembrar, caro aluno, que operar dentro
da conformidade contribui à redução de acidentes de trabalho,
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 19
doenças ocupacionais e riscos ambientais, bem como na redução
de prejuízos derivados da baixa produtividade e ações trabalhistas.
Está gostando da leitura? Espero que sim!
Neste capítulo, aprendemos que a Norma
Regulamentadora n° 18 visa oferecer condições
RESUMINDO adequadas de trabalho aos colaboradores no
ambiente da construção civil. Além disso, vimos
que a área de vivência em canteiros de obras é
o primeiro item entre as medidas previstas nesta
norma. As áreas de vivência estão distribuídas
em instalações sanitárias, vestiários, local para
refeição e alojamentos, quando houver. Com a NR-
18, o ambiente deve oferecer qualidade de estadia,
de forma a contribuir com a saúde do colaborador
e, consequentemente, ao resultado da construção.
Unidade 2
20 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Programa de Gerenciamento
de riscos
Neste capítulo, você entenderá a aplicação das
técnicas de gerenciamento de risco na construção
civil, bem como a relevância em pensar a sua
OBJETIVO gestão. E então? Motivado a desenvolver esta
competência? Foco e bons estudos!
Introdução ao gerenciamento de
risco
Caro estudante, seja bem-vindo. Iremos dar sequência ao
estudo da Norma Regulamentadora n° 18, com destaque ao PGR.
Unidade 2
Este item é responsável por tratar a identificação e a condução
de ações devidas sobre os riscos ocupacionais em canteiros de
obras. Preparado? Desejamos a você uma boa leitura e um bom
aproveitamento de seus estudos.
Com redação da Norma Regulamentadora n° 18, em 11 de
fevereiro de 2020, foi publicada a Portaria SEPRT n° 3.733/2020.
Nesta reformulação, houve a exclusão do Programa de Condições
e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (PCMAT)
e do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), criando
apenas o PGR, cuja estrutura é praticamente a mesma do PCMAT
e do PPRA, porém exige a aplicação da NR-1.
Cada vez mais as empresas do setor da construção
buscam identificar, ainda na fase de planejamento, todos os riscos
relacionados ao empreendimento, bem como levantar e avaliar
quais medidas serão necessárias à sua resolução com o mínimo
de impacto sobre o projeto inicial (FELIX, 2011; PEINADO, 2019).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 21
Entre os riscos relacionados, constam os riscos ocupacio-
nais, cujo gerenciamento de risco é previsto no item 18.4 na Nor-
ma Regulamentadora n° 18.
Imagem 2.6 – Construção civil
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
22 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Você sabia que o documento de referência
mundial em gestão de riscos é a Norma ISO 31000,
e que o objetivo desta é estabelecer princípios e
VOCÊ SABIA? orientações genéricas sobre gestão de riscos? Essa
norma torna possível o gerenciamento de riscos
em qualquer organização, independentemente do
tamanho ou segmento.
Contudo, antes de iniciar o seu estudo no PGR, o
que de acha de alinhar seu atual conhecimento
sobre riscos?
Pode-se pontuar o risco como todo aspecto de
incerteza, capaz de afetar o alcance de um objetivo.
Analisar riscos compreende a mensuração
(qualitativa ou quantitativa) dos riscos existentes
em uma determinada instalação, empregando
Unidade 2
técnicas específicas para a identificação de possíveis
cenários de acidentes. Logo, o gerenciamento de
risco busca reduzir as incertezas nas mais variadas
fases de uma obra (FELIX, 2011; PEINADO, 2019;
PORTELA, 2013; VAREJÃO, 2015).
A gestão de riscos na construção civil, além de
antever situações-problema, auxilia no processo
de tomada de decisão de gestores frente a desvios
necessários, sem, contudo, comprometer o
projeto, uma vez que estes podem gerar atrasos
na elevação de custos. O gerenciamento de
risco na construção civil atua na identificação de
ameaças que possam gerar danos ou prejuízos às
organizações (PORTELA, 2013).
Assim, investir no gerenciamento de risco na
construção civil, além da obrigatoriedade devida,
constitui uma forma de garantir retorno para as
organizações do segmento, além de permitir a
satisfação de colaboradores e clientes.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 23
Norma Regulamentadora n° 18 –
Programa de Gerenciamento de
Riscos
Conforme medidas previstas na NR-18, é obrigatória a
elaboração e a implementação do PGR em canteiros de obras,
que deve contemplar os riscos ocupacionais e suas respectivas
medidas de prevenção, ou seja, o PGR é obrigatório para todo tipo
de obra, com qualquer número de colaboradores (BRASIL, 2020).
Assim, é importante destacar que o PGR deve prever o
desenvolvimento de cada etapa de uma obra, antecipando, nesta
previsão, os riscos e as medidas necessárias à sua mitigação ou
Unidade 2
eliminação.
Você sabia que as empresas contratadas devem
fornecer ao contratante o inventário de riscos
ocupacionais específicos de suas atividades, uma
VOCÊ SABIA? vez que o risco ocupacional ao qual terceiros estão
expostos também deve ser contemplado no PGR
do canteiro de obras?
Em canteiros de obras com até 7 metros de altura
e com, no máximo, 10 colaboradores, o PGR
pode ser elaborado por profissional qualificado
NOTA em Segurança do Trabalho e implementado sob
responsabilidade da organização.
Atenção: a normativa considera “qualificado”
e “habilitado” termos distintos. É considerado
trabalhador qualificado aquele que comprovar
conclusão de curso específico para sua atividade
em instituição reconhecida pelo sistema oficial
de ensino. Já o profissional legalmente habilitado
é o trabalhador previamente qualificado e com
registro no competente conselho de classe.
24 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
A estrutura de um PGR deve atender às exigências previstas
na NR-1, bem como observar e conter os seguintes documentos:
a. Projeto da área de vivência do canteiro de obras e
eventual frente de trabalho, em conformidade com o
item que trata sobre o tema na referida normativa. Este
projeto deve ser elaborado por profissional legalmente
habilitado.
b. Projeto elétrico das instalações temporárias, elaborado
por profissional legalmente habilitado.
c. Projeto de sistema de proteção coletiva, elaborado por
profissional legalmente habilitado.
Os equipamentos de proteção coletiva (EPCs) são
Unidade 2
utilizados quando há risco de queda ou de projeção
de materiais. Os EPCs, comumente utilizados em
EXPLICANDO
MELHOR canteiros de obra, podem compreender: sistema de
guarda-corpo e rodapés, plataformas de proteção
(ou bandejas principal, secundárias e terciárias),
sistema limitador de queda em altura (SLQA), tela
fachadeira, fechamento provisório resistente, linha
de vida e pontos de ancoragem (PEINADO, 2019).
d. Projeto de Sistema de Proteção Individual Contra
Quedas (SPIQ), quando aplicável, elaborado por
profissional legalmente habilitado.
e. Apresentar a relação dos EPIs e suas respectivas
especificações técnicas. Todo EPI indicado deve atender
aos riscos ocupacionais existentes.
Nesses projetos, deverão constar detalhamentos,
esquemas, especificação dos materiais e outras informações que
venham a contribuir para a sua implantação em canteiro de obras
(PEINADO, 2019).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 25
O PGR deve ser atualizado conforme a etapa de
execução na qual se encontra o canteiro de obras.
Assim, compreende um documento em constante
IMPORTANTE análise e atualização. Além disso, as frentes de
trabalho devem ser consideradas na elaboração e
implementação do programa.
As organizações, registradas no Conselho Federal de
Engenharia e Agronomia (Confea) e no Conselho Regional
de Engenharia e Agronomia (Crea), com responsável técnico
legalmente habilitado em Segurança do Trabalho, podem
adotar, se assim desejarem, soluções alternativas às medidas de
proteção coletiva, por meio da adoção de técnicas de trabalho,
equipamentos, tecnologias ou outros dispositivos, desde que
Unidade 2
observadas as seguintes premissas (BRASIL, 2020):
f. Propiciem avanço tecnológico em segurança, higiene e
saúde dos trabalhadores.
g. Objetivem a implementação de medidas de controle e
sistemas preventivos de segurança nos processos, nas
condições e no meio ambiente de trabalho na indústria
da construção.
h. Garantam a realização das tarefas e atividades de modo
seguro e saudável.
Toda a documentação relativa à adoção de
soluções alternativas deve integrar o PGR do
canteiro de obras. Esta deve, obrigatoriamente,
NOTA apresentar memórias de cálculos, especificações
técnicas e procedimentos de trabalho.
Cumpre destacar que, quando adotadas as soluções
alternativas às medidas de proteção coletiva, estas devem constar
em procedimentos de Segurança do Trabalho, que apresentar os
seguintes aspectos:
26 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
a. Os riscos ocupacionais aos quais os trabalhadores
estarão expostos.
b. A descrição dos equipamentos e das medidas de
proteção coletiva a serem implementadas.
c. A identificação e a indicação dos EPI a serem utilizados.
d. A descrição de uso e a indicação de procedimentos
quanto aos EPCs e EPIs, conforme as etapas das tarefas
a serem realizadas.
e. A descrição das medidas de prevenção a serem
observadas durante a execução dos serviços, entre
outras medidas a serem previstas e prescritas por
profissional legalmente habilitado em Segurança do
Unidade 2
Trabalho.
As tarefas que envolvem soluções alternativas
somente poderão ser iniciadas com autorização
especial, precedida de análise de risco e permissão
NOTA de trabalho, que contemple os treinamentos,
os procedimentos operacionais, os materiais, as
ferramentas e outros dispositivos necessários à
execução segura da tarefa.
Programa de Gerenciamento de
Riscos – Aspectos práticos
Caro aluno, esta seção apresentará alguns aspectos
práticos que podem lhe auxiliar na elaboração de um PGR.
Outra questão relevante é destacar que, embora existam
estruturas-modelo que auxiliam o profissional na elaboração
do PGR, não há um único “caminho” para a elaboração deste
programa, pois sua complexidade e abrangência irão acompanhar
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 27
a dimensão e os riscos ocupacionais existentes em cada fase de
uma obra.
Antes de iniciar a proposta de seu PGR, lembre-se de
analisar todo o local de trabalho (seja o canteiro de obra e a frente
de trabalho); realizar levantamento de quais serão as atividades a
serem realizadas (seja por contratados ou terceirizados); realizar
levantamento de quais materiais, equipamentos e ferramentas
serão manuseados; e determinar as ameaças (riscos) presentes
(FELIX, 2011; VAREJÃO, 2015).
Ao determinar os riscos presentes, deve-se avaliá-los e
classificá-los conforme cores e grupos previstos em normativa
específica. Essa classificação em grupos e cores é padrão, ou seja,
designa a mesma caracterização de riscos em qualquer tipo de
Unidade 2
organização, seja uma fábrica ou canteiro de obra.
A seguir são representados os riscos e a caracterização de
seus grupos, de acordo com Varejão (2015).
Imagem 2.7 – Legenda de cores representativa de riscos
Risco físico
Risco químico
Risco biológico
Risco ergonômico
Acidentes
Fonte: Wikimedia Commons.
28 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Em que:
Grupo I (verde) – risco físico: compreendem aspectos
aos quais os colaboradores estarão expostos (seja de forma
contínua ou intermitente), tais como ruídos, umidade, pressão e
temperatura, por exemplo.
Grupo II (vermelho) – risco químico: compreendem
atividades que envolvam agentes que possam ser inalados pelo
colaborador, tais como partículas suspensas, poeiras, névoas e
vapores.
Grupo III (marrom) – risco biológico: compreendem
atividades que envolvam ou propiciem a exposição do colaborador
a bactérias, fungos, parasitas e outros.
Unidade 2
Grupo IV (amarelo) – risco ergonômico: constitui
qualquer situação que possa causar desconforto ao colaborador,
bem como levar ao desenvolvimento de doenças ocupacionais.
Grupo V (azul) – risco de acidente: constitui qualquer
fator que possa afetar a integridade física do colaborador, como
atividades que envolvam o uso de máquinas e equipamentos
sem a devida proteção ou normalização, por exemplo, bem como
atividades realizadas em ambientes que ofereçam condições
inseguras.
Uma vez determinadas as ameaças de seu espaço de
trabalho, é interessante avaliar a necessidade do uso de EPCs
e EPIs. Tanto a NR-6 quanto a NR-18, de forma a evitá-las,
estabelecem a exigência da conscientização e do fornecimento
a todos os colaboradores que exerçam atividade que apresente
algum risco à sua integridade.
É importante lembrar que os EPIs devem ser usados como
medida de proteção quando não for possível eliminar o risco, com
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 29
a proteção coletiva; for necessária complementação da proteção
coletiva com a proteção individual; na realização de trabalhos
eventuais e de exposição curta (FELIX, 2011).
Imagem 2.8 – EPI com proteção de crânio, rosto e auditiva
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
Ao eleger um EPI, recomenda-se a observância dos seguintes
aspectos: a tipologia dos riscos que a atividade oferece; as condições
de trabalho as quais o colaborador estará exposto; as partes do corpo
a serem protegidas; a definição de que funções (cargos) utilizará os
EPIs indicados; e orientação e conscientização de uso.
Está gostando da leitura? Espero que sim!
Neste capítulo, aprendemos que a Norma
Regulamentadora n° 18, em sua nova redação,
RESUMINDO estabeleceu o PGR. Frente a tal cenário, a
indústria da construção civil necessita realizar o
gerenciamento de seus riscos, de forma a oferecer
segurança aos colaboradores, bem como ao
negócio principal. Além disso, vimos que um PGR
deve conter: projeto da área de vivência, projeto
elétrico das instalações temporárias, projeto de
sistema de proteção coletiva e projeto de SPIQ,
quando aplicável, além de apresentar a relação
dos EPIs e suas respectivas especificações técnicas.
30 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Segurança nas etapas da obra
Neste capítulo, você identificará as especificidades
da NR-18 nas etapas de uma obra civil. E então?
Motivado a desenvolver esta competência? Foco e
OBJETIVO bons estudos!
Caro estudante, seja bem-vindo. Iremos dar sequência
ao estudo da Norma Regulamentadora n° 18, com destaque à
segurança nas etapas da obra civil. Este item é responsável por
tratar as ações de segurança necessárias nas diferentes etapas
de um canteiro de obra. Preparado? Desejamos a você uma boa
leitura e um bom aproveitamento de seus estudos.
Unidade 2
O canteiro de obras é propício a apresentar agentes de
riscos, que podem estar presentes em máquinas, equipamentos,
materiais e atividades em geral, independentemente do tamanho
e tipo da obra ou do número de trabalhadores no local (FERREIRA,
2017). Logo, justifica-se o estudo das etapas de uma obra civil,
bem como de suas especificidades.
São etapas da obra, conforme item 18.7 da NR-18:
demolição; escavação, fundação e desmonte de rochas; carpintaria
e armação; estrutura de concreto; estruturas metálicas; trabalho
a quente; serviços de impermeabilização; e telhados e coberturas
(BRASIL, 2020).
Demolição
A demolição compreende o ato de destruir, de forma
medida e calculada, alguma construção para dar espaço à outra
construção. O ato de demolir é uma das atividades mais comuns
na construção civil. Existem diversos meios e técnicas para realizar
a demolição de uma estrutura, entre elas, a demolição mecânica,
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 31
a demolição por meio do uso de explosivos e a demolição manual
(PEREIRA, 2014).
Imagem 2.9 – Exemplo demolição da varanda de um edifício
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
A execução de serviços de demolição é complexa, por isso
é importante tratar a segurança nesta etapa, uma vez que ações
não planejadas podem prejudicar a estabilidade do conjunto em
demolição, bem como comprometer a segurança de uma equipe
(FELIX, 2011).
Conforme previsto na nova redação da NR-18, na etapa
de demolição, deve ser elaborado e implementado um plano
de demolição, sob responsabilidade de profissional legalmente
habilitado. Esse plano deve contemplar todos os riscos
ocupacionais potencialmente existentes nas etapas desta fase,
bem como apresentar as medidas preventivas a serem observadas
quanto à segurança e à saúde do colaborador (BRASIL, 2020).
32 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Todo plano de demolição deve considerar os seguintes
aspectos:
a. Linhas de fornecimento de energia elétrica, água,
líquidos inflamáveis e gasosos liquefeitos, substâncias
tóxicas, canalizações de esgoto e de escoamento de
água e outros.
b. Construções vizinhas à obra, no que tange à sua
estrutura, integridade e estabilidade.
c. Procedimentos para a remoção de materiais e entulhos.
d. Avaliação prévia das aberturas existentes no piso.
e. Existência de áreas para a circulação de emergência.
Unidade 2
f. Local adequado para a disposição dos materiais
retirados.
g. Medidas de contenção de propagação e controle de
poeira.
h. Demarcação e sinalização de trânsito de veículos e
pessoas.
Antes de iniciar qualquer modalidade de demolição, as
linhas de abastecimento de energia elétrica, água e gás, bem
como as canalizações de esgoto e escoamento de água, deverão
ser retiradas e protegidas, respeitando normas e determinações
existentes (FELIX, 2011).
Além dos aspectos acima mencionados, devem ser
observados itens como: uso de proteção coletiva e individual;
remoção de vidros, ripados, estuques e outros elementos frágeis;
remoção de objetos pesados ou volumosos com emprego de
dispositivos mecânicos; e proibição da permanência de pessoas
que possam ter sua estabilidade comprometida no processo de
demolição (FELIX, 2011).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 33
Escavação, fundação e desmonte
de rochas
A etapa de serviço de escavação, fundação e desmonte
de rochas deve ser realizada e supervisionada conforme projeto
elaborado por profissional legalmente habilitado. A seguir são
apresentados aspectos de observância e atuação profissional,
conforme prerrogativas da NR-18.
Toda área em que forem realizadas as atividades
de escavação, fundação e desmonte de rochas,
quando apresentar riscos, deve ter a adequada
NOTA sinalização de advertência (visível em número e
tamanho), inclusive noturna. Além disso, deve
Unidade 2
dispor de barreiras de isolamento em todo o seu
perímetro. Tais ações são fundamentais de forma
a impedir a entrada de veículos e pessoas não
autorizadas. Em escavações, os escoramentos
utilizados como medidas de prevenção devem ser
inspecionados diariamente.
Todo projeto de escavação deve considerar previamente as
características do solo, as cargas que estarão atuantes e os riscos
existentes, assim como as medidas de preventivas demandadas.
Em escavações de encostas, devem-se tomar as devidas
precauções de forma a evitar escorregamentos ou movimentos
de grandes proporções.
Antes de ser iniciada uma obra de escavação ou fundação,
o responsável técnico deve informar-se sobre a existência de
galerias, canalizações e cabos, na área a ser trabalhada, bem
como estudar e avaliar os riscos de impregnação do subsolo por
emanação de produtos nocivos, insalubres e/ou perigosos, ou seja,
é relevante que o profissional conheça previamente a área quanto
à sua constituição geológica e especificidades (FELIX, 2011).
34 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Você sabia que as etapas de escavação com
profundidade superior a 1,25 metros somente
podem ser iniciadas com a liberação e a autorização
VOCÊ SABIA? de profissional legalmente habilitado? Esta ação
deve atender ao disposto em normas técnicas
nacionais vigentes.
Imagem 2.10 – Exemplo de escavação
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
O talude da escavação, quando indicado no
projeto, deve ser protegido contra os efeitos da
erosão interna e superficial durante a execução da
NOTA obra.
Assim, a sinalização nas etapas de uma obra é muito
importante. Na escavação, as bordas devem ter uma faixa de
proteção de, no mínimo, 1 metro, livre de cargas, bem como
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 35
proteção contra a entrada de águas superficiais na cava da
escavação. Atenção: essas proteções devem sofrer constantes
manutenções.
Quanto à profundidade das escavações, seguem as
recomendações conforme NR-18: aquelas com profundidade
superior a 1,25 metros devem ser protegidas com taludes ou
escoramentos definidos em projeto elaborado por profissional
legalmente habilitado. Estas também devem dispor de escadas ou
rampas colocadas próximas aos postos de trabalho, de forma a
permitir, em caso de emergência, a saída rápida dos colaboradores
(BRASIL, 2020).
Para escavações com profundidade igual ou inferior a
1,25 metros, deve-se avaliar no local da escavação a existência de
Unidade 2
riscos ocupacionais e, se necessário, adotar as devidas medidas de
prevenção (BRASIL, 2020).
Imagem 2.11 – Escavação com espaço para trânsito de veículos e pessoas
Fonte: Wikimedia Commons.
36 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Você sabia que assim como a demolição, a
escavação, quando próxima de edificações, deve
ser monitorada e seu resultado documentado?
VOCÊ SABIA? Além disso, quando existirem, próximos da
escavação, cabos elétricos, tubulações de água,
esgoto, gás e outros, devem ser tomadas medidas
preventivas de modo a eliminar o risco de acidentes
durante a execução da escavação (BRASIL, 2020).
Quando necessário o trânsito de pessoas sobre as
escavações, devem ser projetadas passarelas em conformidade
com o item 18.8 desta norma regulamentadora. Também, o
tráfego próximo às escavações deve ser desviado, ou, na sua
impossibilidade, devem ser adotadas medidas para redução de
velocidade (BRASIL, 2020).
Unidade 2
Fundações ou alicerces são elementos com a finalidade de
transmitir as cargas de uma edificação para as camadas resistentes do
solo, sem provocar ruptura do terreno. A escolha do tipo de fundação
acompanha a função da intensidade da carga e da profundidade
da camada resistente do solo. As fundações são classificadas em
superficiais (rasas ou diretas) e profundas (PEREIRA, 2013).
Imagem 2.12 – Fundação rasa de uma casa em comparação às fundações profundas de um edifício
Fonte: Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 37
Na fundação superficial, a carga é transmitida ao terreno
pelas pressões distribuídas sob a base da fundação. Além
disso, compreendem pequenas escavações no solo, não sendo
necessário o uso de equipamentos de grande porte para sua
execução. Fazem parte das fundações superficiais as sapatas
(isoladas, associadas, corridas e vigas de fundação), os blocos e os
radiers (PEREIRA, 2013).
As fundações profundas transmitem a carga ao terreno
pela base (resistência de ponta), por sua superfície lateral
(resistência de fuste) ou por uma combinação das duas. As
fundações profundas representativas, geralmente, são de grandes
projetos, que necessitam transmitir maiores cargas ao terreno.
Além disso, são indicadas em aplicações de camadas superficiais
Unidade 2
do solo pobres ou fracas. Esse tipo de fundação compreende os
tubulões, as estacas e os caixões (PEREIRA, 2013).
A NR-18 proíbe o uso de tubulão escavado manualmente
com profundidade superior a 15 metros. Ainda, segundo a
normativa, o tubulão escavado manualmente deve ser encamisado
em toda a sua extensão; executado após sondagem ou estudo
geotécnico local, para profundidade superior a 3 metros; e ter
diâmetro mínimo de 0,9 metros.
A escavação manual de tubulão somente pode ser
executada nos casos em que haja estabilidade no solo, sem risco
de desmoronamento, e que seja possível o controle de água em
seu interior, além de ser precedida da elaboração de um plano de
resgate e remoção.
38 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
No tubulão escavado manualmente é proibido
o trabalho simultâneo em bases alargadas em
tubulões adjacentes e a abertura simultânea
NOTA de bases tangentes, bem como a execução de
fundação por meio de tubulão de ar comprimido,
isto é, com pressão hiperbárica.
A NR-18 destaca que todo o colaborador envolvido
na atividade de escavação manual de tubulão deve ter,
obrigatoriamente, a capacitação na NR-33 e na NR-35, bem como
estar com os exames médicos atualizados em conformidade
com a NR-7, e ter toda sua atividade registrada por profissional
legalmente habilitado (BRASIL, 2020).
No processo de escavação manual de tubulão, quanto ao
Unidade 2
equipamento de descida e içamento de colaboradores e materiais
utilizados, este deve:
a. Dispor de sistema de sarilho, projetado por profissional
legalmente habilitado, fixado no terreno, fabricado em
material resistente e com rodapé de 0,2 metros em sua
base, dimensionado conforme a carga e apoiado com,
no mínimo, 0,5 metros de afastamento em relação à
borda do tubulão.
b. Ser dotado de sistema de segurança com travamento.
c. Ter dupla trava de segurança no sarilho, sendo uma de
cada lado.
d. Ter corda de cabo de fibra sintética.
e. Utilizar corda de sustentação do balde com comprimento
de modo que haja, em qualquer posição de trabalho,
no mínimo, 6 voltas sobre o tambor.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 39
f. Ter gancho com trava de segurança na extremidade da
corda do balde.
Assim, como o processo de escavação manual demanda
critérios específicos, a operação dos equipamentos de descida e
içamento de colaboradores e materiais, também devem atender a
determinados aspectos, como:
a. Liberação do serviço a cada etapa (abertura de fuste e
alargamento de base), devidamente registrada em livro
de registro diário de escavação.
b. Dispor de sistema de ventilação por insuflação de ar por
duto, captado em local isento de fontes de poluição, ou,
em caso contrário, adotar processo de filtragem do ar.
Unidade 2
c. Depositar materiais longe da borda do tubulão, com
distância determinada pelo estudo geotécnico.
d. Ter cobertura quando o serviço for executado a céu
aberto.
e. Providenciar isolamento, sinalização e fechamento
de poços nos intervalos e no término da jornada de
trabalho.
f. Impedir o trânsito de veículos nos locais de trabalho.
g. Paralisar imediatamente as atividades de escavação no
início de chuvas quando o serviço for executado a céu
aberto.
h. Utilizar iluminação blindada e à prova de explosão.
No desmonte de rochas, o armazenamento, manuseio
e transporte de explosivos, deverá sempre obedecer às
recomendações de segurança do fabricante, bem como observar
os métodos estabelecidos pelo órgão competente.
40 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 2.13 – Preparação do explosivo C-4 militar para detonação
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
Em operações de desmonte de rocha a fogo, aquelas que
utilizam explosivos, é obrigatória a elaboração de um plano de
fogo para cada detonação, por profissional legalmente habilitado.
Esse plano deve considerar os riscos ocupacionais e as medidas
preventivas adequadas à segurança e à saúde dos colaboradores
(BRASIL, 2020).
Você sabia que em operações de desmonte de
rocha a fogo há a necessidade de existir um bláster
responsável pelo armazenamento/preparação de
VOCÊ SABIA? cargas e carregamento de minas. Ele é responsável
pela ordem de fogo, a detonação e a retirada/
destinação dos explosivos que não explodiram.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 41
Imagem 2.14 – Exemplo de bate-estaca
Unidade 2
Fonte: Wikipedia Commons.
Em caso de utilização de bate-estacas, os cabos de
sustentação do pilão, em qualquer posição de trabalho, devem
ter o comprimento mínimo em torno do tambor definido pelo
fabricante ou profissional legalmente habilitado, que está
envolvido na operação da etapa. Quando o bate-estacas não
estiver em operação, o pilão deve permanecer em repouso sobre
o solo ou no fim da guia do seu curso.
Carpintaria e armação
As áreas de carpintaria, corte, dobragem e armação
de vergalhões de aço devem ter piso resistente, nivelado e
antiderrapante; cobertura contra intempéries e queda de materiais;
e lâmpadas para iluminação, bem como antever procedimentos
de coleta e remoção de resíduos, sendo isoladas contra circulação
de pessoas não autorizadas.
42 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Os procedimentos desta etapa da obra devem
prever o desenvolvimento de atividades de
deslocamento, sempre visando que o material
NOTA escorregue, tombe ou desmorone.
Estrutura de concreto
Em etapas de estruturas de concreto, o projeto das
formas e dos escoramentos deve ter a indicação da sequência de
retirada das escoras; indicar o isolamento e a sinalização quando
na montagem ou desforma; apresentar medidas preventivas
quanto à queda livre das peças; e ser elaborado por profissional
legalmente habilitado (BRASIL, 2020).
Unidade 2
Imagem 2.15 – Armadura de aço em uma peça de concreto
Fonte: Wikimedia Commons.
Ainda, conforme a normativa NR-18, a operação de
concretagem deve ser supervisionada por colaborador capacitado,
que deve observar as seguintes medidas em sua atividade (BRASIL,
2020):
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 43
a. Inspecionar equipamentos e sistemas de alimentação
de energia antes e durante a execução dos serviços.
b. Inspecionar as peças e as máquinas do sistema
transportador de concreto antes e durante a execução
dos serviços.
c. Inspecionar o escoramento e a resistência das formas
antes e durante da execução dos serviços.
d. Isolar e sinalizar o local em que é executada a
concretagem, permitido o acesso somente à equipe
envolvida.
e. Dotar as caçambas transportadoras de concreto
de dispositivos de segurança que impeçam o seu
Unidade 2
descarregamento acidental.
Estruturas metálicas
Toda montagem, manutenção e desmontagem de etapa de
estrutura metálica deve estar sob responsabilidade de profissional
legalmente habilitado, bem como constar no respectivo PGR da
obra. É importante destacar que nesta etapa, devido às suas
especificidades, é obrigatório fornecer ao colaborador recipiente
e/ou suporte para o depósito de materiais e/ou ferramentas,
necessárias à execução.
Trabalho a quente
Conforme a NR-18, o trabalho a quente compreen-
de as atividades de soldagem, goivagem, esmeri-
lhamento, corte ou outras, que possam gerar fon-
DEFINIÇÃO tes de ignição, tais como aquecimento, centelha ou
chama (BRASIL, 2020).
44 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Toda atividade de trabalho a quente deve ter a análise de
risco específico, com destaque àquelas que envolvam materiais
combustíveis ou inflamáveis no entorno; ou forem realizadas em área
sem prévio isolamento e não destinada para este fim (BRASIL, 2020).
O local e as adjacências em que o trabalho a quente será rea-
lizado deve sofrer inspeção preliminar e observar: limpeza e isenção
de agentes combustíveis, inflamáveis, tóxicos e contaminantes, por
meio de medidas preventivas. Além disso, devem ser imediatamente
liberados, quando da constatação de ausência de atividades incom-
patíveis com a atividade (BRASIL, 2020).
Imagem 2.16 – Soldagem de arco elétrico
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 45
Você sabia que, quando necessário, nesta etapa,
pode existir um colaborador que exerça a função
de observador das atividades? Será a função de
VOCÊ SABIA? acompanhar toda a atividade até sua conclusão.
Este colaborador deve ter capacitação em preven-
ção e combate a incêndio.
Compreendem medidas de prevenção contra in-
cêndio: a eliminação ou o controle de possíveis
riscos de incêndios; instalação de proteção contra
o fogo, respingos, calor, fagulhas ou borras, de mo-
do a evitar o contato com materiais combustíveis
ou inflamáveis; manutenção de sistema de com-
bate a incêndio desobstruído e próximo à área de
trabalho; e inspeção do local e as áreas adjacentes,
quando do término da atividade, a fim de evitar
Unidade 2
princípios de incêndio.
Em trabalhos a quente que utilizarem gases, devem
ser adotadas as seguintes medidas: uso de gases ade-
quados à aplicação, atendendo às instruções do fabri-
IMPORTANTE cante previstas em Ficha de Informação de Segurança
de Produtos Químicos (FISPQ); uso de reguladores de
pressão e manômetros calibrados e em conformida-
de com o gás empregado; uso de acendedores que
produzam somente centelhas; e proteção contra o
contato de oxigênio sob alta pressão com matérias
orgânicas, tais como óleos e graxas.
Serviços de impermeabilização
Os serviços de aquecimento, transporte e aplicação de
impermeabilizante em edificações, conforme a NR-18, devem
atender às normas técnicas nacionais vigentes (BRASIL, 2020).
Cumpre destacar que o reservatório para aquecimento deve
observar os seguintes aspectos: identificação do fabricante ou
importador (nome e CNPJ), disponibilidade de manual técnico de
46 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
operação, tampa com respiradouro de segurança e medidor de
temperatura.
Assim como o reservatório de aquecimento, o local de
instalação deste deve atender a aspectos como ventilação natural
ou forçada, nivelamento adequado e isolamento e sinalização de
advertência, bem como ser mantido limpo e organizado.
Sistemas de aquecimento a gás devem atender aos
seguintes requisitos: cilindros de gás devem ter ca-
pacidade de, no mínimo, 8 kg; ser instalados a, no
NOTA mínimo, 3 metros do equipamento de aquecimen-
to; aqueles com capacidade igual ou superior a 45
kg devem estar sobre rodas.
Em serviços de impermeabilização, é vetado o uso
Unidade 2
de aquecimento à lenha, e o movimento de equi-
pamento de aquecimento com a tampa destrava-
da. Todo colaborador envolvido nesta etapa deve
ter capacitação adequada.
Telhados e coberturas
Em etapas que envolvam serviço em telhados e coberturas
que excedam 2 metros de altura com risco de queda de pessoas,
aplica-se o disposto na Norma Regulamentadora NR-35.
É vetada a realização de trabalho/atividades em telhados
ou coberturas que estejam: sobre superfícies instáveis ou que não
tenham resistência estrutural; sobre superfícies escorregadias; sob
chuva, ventos fortes ou condições climáticas adversas; sobre fornos
ou qualquer outro equipamento do qual haja emanação de gases
provenientes de processos industriais; sujeito à concentração de
cargas em um mesmo ponto sobre telhado ou cobertura, exceto
se autorizada por profissional legalmente habilitado.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 47
Caro estudante, você chegou ao fim de mais
um Capítulo desta unidade. Como estão seus
estudos e leituras? Neste Capítulo, avançamos no
RESUMINDO estudo da Norma Regulamentadora NR-18, com
destaque à segurança nas etapas da obra civil.
Compreendeu-se que item “Segurança nas etapas
da obra civil” na norma é responsável por tratar
as ações de segurança necessárias nas diferentes
etapas de um canteiro de obra. Logo, justifica-se
o estudo das etapas de uma obra civil, bem como
de suas especificidades. Além disso, constatou-se
que são etapas da obra, conforme item 18.7 da NR-
18: demolição; escavação, fundação e desmonte
de rochas; carpintaria e armação; estrutura de
concreto; estruturas metálicas; trabalho a quente;
Unidade 2
serviços de impermeabilização; e telhados e
coberturas (BRASIL, 2020).
48 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Serviços em flutuantes
Neste capítulo, você compreenderá a sinalização,
a capacitação e os serviços em flutuantes. E então?
Motivado a desenvolver esta competência? Foco e
OBJETIVO bons estudos!
Caro estudante, seja bem-vindo. Iremos dar sequência
ao estudo da Norma Regulamentadora n° 18, com destaque
aos serviços realizados em flutuantes. Este item é responsável
por tratar as ações de segurança necessárias em atividades que
ocorram em plataformas flutuantes. Preparado? Desejamos a
você uma boa leitura e um bom aproveitamento de seus estudos.
Unidade 2
Aspectos de segurança em
flutuantes
Com a redação da Norma Regulamentadora n° 18, foi
publicada a Portaria SEPRT n° 3.733/2020. Nesta reformulação,
ficaram 13 itens que reportam o atendimento às normas de
autoridades marítimas, NORMAM-02/DPC, de 2005, mantendo as
principais exigências e simplificando itens.
Imagem 2.17 – Plataforma de apoio utilizada na construção da ponte rodoferroviária
Rubinéia/SP até Aparecida do Taboado/MS
Fonte: Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 49
Você sabia que a NORMAM-02/DPC estabelece
normas da autoridade marítima para embarca-
ções destinadas à navegação interior? Além disso,
VOCÊ SABIA? é aplicável a todas as embarcações de bandeira
brasileira destinadas à navegação interior, com
exceção de embarcações empregadas na atividade
de esporte e/ou recreio, e sob as embarcações da
Marinha do Brasil.
Embarcação constitui qualquer construção, inclusi-
ve as plataformas flutuantes e, quando rebocadas,
as fixas, sujeita à inscrição na autoridade marítima
e suscetível de se locomover na água, por meios
próprios ou não, transportando pessoas ou cargas.
As embarcações são classificadas quanto ao tipo
de navegação, à atividade ou ao serviço em que se-
Unidade 2
rão empregadas. Assim, plataforma flutuante com-
preende o tipo de embarcação sem propulsão pró-
pria utilizada para emprego diverso (BRASIL, 2005).
Para a realização de serviços em flutuantes, as
plataformas flutuantes devem estar regularmente
inscritas na Capitania dos Portos e, portar os se-
guintes documentos: Título de Inscrição de Embar-
cação (TIE) ou Provisão de Registro de Propriedade
Marítima (PRPM) originais, e Certificado de Segu-
rança de Navegação (CSN) válido (BRASIL, 2020).
Além dessa documentação, em plataformas
flutuantes, deve existir uma placa, em lugar visível
e em língua portuguesa, indicativa da quantidade
NOTA máxima de pessoas e da carga máxima permitida
a ser transportadas pela plataforma.
A NORMAM-02/DPC recomenda que a periferia da
plataforma flutuante deve ter guarda-corpo de proteção contra
quedas de colaboradores (balaustrada), bem como iluminação de
50 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
segurança estanque às condições climáticas, quando da realização
de atividades noturnas (BRASIL, 2005).
Outro requisito de segurança a ser observado nesta
modalidade de serviço, é que as superfícies de trabalho das
plataformas flutuantes devem ter piso antiderrapante, em bom
estado de conservação, e dotados de guarda-corpos e corrimão.
Essa observação estende-se aos pontos de embarque, escadas e
rampas (BRASIL, 2020).
Na plataforma flutuante deve haver equipamentos de
salvatagem, em conformidade com a referida norma. Ainda, é
obrigatória a instalação de equipamentos de combate a incêndio
(extintores de incêndio em número e capacidade adequados)
(BRASIL, 2005).
Unidade 2
São exemplos de equipamentos de salvatagem:
embarcações de sobrevivência, colete salva-vidas, boia salva-vidas
e artefatos pirotécnicos (BRASIL, 2005).
a. Embarcação de sobrevivência – é um meio coletivo
de abandono de embarcação em perigo, capaz de
preservar a vida de pessoas durante certo período,
enquanto aguardam socorro. São exemplos de
embarcações de sobrevivência o aparelho flutuante e a
balsa inflável classe III.
b. Colete salva-vidas – é um meio individual de abandono,
capaz de manter uma pessoa, mesmo inconsciente,
flutuando por, no mínimo, 24 horas. Os coletes podem
ser rígidos ou infláveis, podendo ser fabricados em
tamanhos diferentes.
Toda atividade que oferecer risco de queda na água, deve
utilizar colete salva-vidas, homologado pela Diretoria de Portos
e Costas (DPC). Quando da execução de trabalhos a quente
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 51
em plataformas flutuantes, deve-se utilizar colete salva-vidas
retardante de chamas (BRASIL, 2020).
Devem ser disponibilizados coletes salva-vidas em
número mínimo igual ao de pessoas a bordo, bem
como botes salva-vidas em número suficiente e
NOTA devidamente equipados.
Assim, como é obrigatório o uso de colete salva-
vidas, também é obrigatório o uso de botas com
elástico lateral nas atividades em plataformas
flutuantes.
Imagem 2.18 – Colete salva-vidas
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
c. Boia salva-vidas – é um equipamento de salvamento
que atua como meio flutuante de apoio para a
pessoa que caiu na água, enquanto esta aguarda por
salvamento. Esse equipamento deve ter fixado em
4 pontos equidistantes em sua periferia, um cabo
de náilon, que constitua alças que facilitarão o seu
lançamento, bem como servirão para apoio ao náufrago
(BRASIL, 2005)
A boia salva-vidas também deve ter uma retinida flutuante
de 20 metros de material sintético, capaz de flutuar, devendo ter
diâmetro mínimo de 8 mm.
52 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
d. Artefatos pirotécnicos – são dispositivos que, de
dia e à noite, têm a função de indicação de que uma
embarcação/pessoa se encontra em perigo. É UMA
forma de sinalizar que foi recebido e entendido o sinal
de socorro emitido.
Você sabia que todo equipamento de salvatagem
deve ter as seguintes informações: número do
certificado de homologação emitido pela DPC, nome
VOCÊ SABIA? do fabricante, modelo, classe, número de série (caso
aplicável) e data de fabricação? (BRASIL, 2005).
imagem 2.19 – Boia salva-vidas
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
Outros aspectos devem ser considerados em serviços em
flutuantes, como: ter colaboradores capacitados em salvamento e
primeiros socorros, na proporção de 2 para cada 20 colaboradores
ou fração.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 53
Disposições gerais da NR-18
De forma complementar ao seu estudo, aqui são
apresentados alguns pontos das disposições gerais da NR-18.
Este tópico tem como finalidade reunir preceitos comuns a mais
de um item desta normativa, com destaque aos tópicos iniciais já
estudados (BRASIL, 2020).
a. As atividades da indústria da construção devem adotar
as medidas de prevenção conforme a hierarquia
prevista na NR-1.
b. As vestimentas de trabalho devem ser fornecidas em
conformidade e atendimento ao previsto na NR-24.
Unidade 2
c. O levantamento manual ou semimecanizado de cargas,
em atividades da indústria da construção, deve ser
executado de acordo com a NR-17.
d. Na etapa de planejamento de qualquer atividade, deve-
se prever o armazenamento e a estocagem de materiais
de forma a não gerar acidentes, prejudicar o trânsito de
pessoas ou a circulação de materiais, dificultar o acesso
aos equipamentos de combate a incêndio, bem como
não obstruir portas ou saídas de emergência.
e. Os locais destinados ao armazenamento de materiais
tóxicos, corrosivos, inflamáveis ou explosivos devem:
ser isolados, apropriados e sinalizados; permitir o
acesso somente de pessoas devidamente autorizadas;
e dispor de FISPQ.
f. O canteiro de obras deve ser dotado de medidas de
prevenção de incêndios, em conformidade com a
legislação estadual e as normas técnicas nacionais
54 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
vigentes. Além disso, deve dispor de saídas que
viabilizem o abandono rápido e seguro.
Imagem 2.20 – Dispositivo de medida de prevenção de incêndio
Unidade 2
Fonte: Wikimedia Commons.
É dever do empregador informar todos os
colaboradores sobre a utilização dos equipamentos
de combate ao incêndio, dispositivos de alarme
NOTA existentes, bem como procedimentos para
abandono dos locais de trabalho com segurança.
g. As saídas e as vias de passagem devem ser claramente
sinalizadas por meio de placas ou sinais luminosos que
indiquem a direção da saída. Além disso, nenhuma
saída de emergência deve ser fechada à chave ou
trancada durante a jornada de trabalho.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 55
h. É obrigatória a colocação de tapume, com altura mínima
de 2 metros, sempre que forem executadas atividades
da indústria da construção, de forma a impedir o acesso
de pessoas estranhas aos serviços.
Imagem 2.21 – Tapume de obra civil
Unidade 2
Fonte: Wikiversity.
i. Em acidentes fatais, é obrigatória a adoção das seguintes
medidas, pelas organizações da construção civil:
• Comunicar de imediato, e por escrito, ao órgão regional
competente em matéria de segurança e saúde no
trabalho, que repassará a informação ao sindicato da
categoria profissional.
• Isolar o local diretamente relacionado ao acidente,
mantendo suas características até sua liberação pela
autoridade policial competente, e órgão regional
competente em matéria de segurança e saúde no
trabalho. Cumpre destacar que a liberação do local
56 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
pode ser concedida em até 72 horas, contadas do
protocolo de recebimento da comunicação escrita ao
referido órgão.
Caro estudante, chegamos ao final de mais um
capítulo. Como está sendo seu aprendizado até
aqui? Neste Capítulo, avançamos no estudo da
RESUMINDO Norma Regulamentadora NR-18, com destaque à
segurança em serviços realizados em flutuantes.
Compreendeu-se que na reformulação da NR-
18, ficaram 13 itens que reportam o atendimento
à NORMAM-02/DPC, mantendo as principais
exigências e simplificando itens. Desejo a você um
bom estudo deste material. Não se limite à leitura
aqui tratada, existe uma infinidade de obras a
Unidade 2
serem exploradas por você.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 57
BRASIL. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. Normas
da autoridade marítima para embarcações empregadas na
REFERÊNCIAS
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Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2020. Disponível em: https://
[Link]/web/dou/-/portaria-n-3.733-de-10-de-fevereiro-
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BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria SIT n.º 84, de 04 de março de
Unidade 2
2009. Altera a redação do item 1.7 da Norma Regulamentadora nº
1. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2009.
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58 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
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Unidade 2
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 59