SEGURANÇA DO TRABALHO
NA CONSTRUÇÃO CIVIL –
NR-18
Unidade 1
Fundamentos da
segurança na
construção civil
CEO
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Diretora Editorial
ALESSANDRA FERREIRA
Gerente Editorial
LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS
Projeto Gráfico
TIAGO DA ROCHA
Autoria
GISELLY SANTOS MENDES
IZADORA SOARES CARDOSO
Giselly Santos Mendes
AUTORIA
Olá. Sou Mestre em Qualidade Ambiental, tecnóloga em
Polímeros e administradora, com experiência de mais de 12 anos
na área de Processos Gerenciais. Atualmente, atuo como docente
de nível técnico e tecnológico em instituições de ensino privado.
Sou apaixonada pelo que faço e adoro compartilhar minha
experiência de vida e profissional àqueles que estão iniciando em
suas profissões. Por isso, fui convidada pela Editora Telesapiens a
integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz
em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho.
Conte comigo!
Izadora Soares Cardoso
Unidade 1
Olá. Sou doutoranda em Engenharia Elétrica pelo Programa
de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica da Universidade Federal
de Campina Grande (UFCG). Mestre em Engenharia Elétrica (2022)
e Bacharel em Engenharia Elétrica (2019) pela mesma instituição.
Técnica em Eletrotécnica pelo Instituto Federal de Alagoas - IFAL
Campus Palmeira dos Índios (2012). Desenvolvi projetos de
extensão em Eletrônica Básica para alunos do ensino médio da rede
pública e projeto de iniciação científica pelo Programa Nacional de
Cooperação Acadêmica (PROCAD), nas áreas de instrumentação
e telemetria de sistemas não tripulados. Desenvolvi estudos
relacionados ao processo de Ensino e Aprendizagem no curso de
graduação em Engenharia Elétrica da UFCG, além de videoaulas
para alunos de graduação em temas relacionados à Engenharia
Elétrica e Eletrônica. Desde 2013 sou colaboradora do Laboratório
de Instrumentação e Metrologia Científica (LIMC) da UFCG, onde
participo de diversos projetos de ensino, pesquisa e extensão. Atuo
como Analista de Engenharia por mais de 3 anos no setor privado.
4 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Participo de Projetos de Ensino voltados ao desenvolvimento de
material didático instrucional para o Curso de Engenharia Elétrica.
Tenho experiência no desenvolvimento de material didático
instrucional, elaboração de itens, criação de conteúdo e elaboração
de aulas e avaliações para a educação técnica e superior. Tenho
interesse em temas como: ensino, Eletrônica Analógica e Digital,
Processamento de Sinais, Desenvolvimento de material didático
instrucional, Criação de conteúdo e Gestão de pessoas. Tenho
interesse nas áreas de Ensino, Eletrônica Analógica e Digital e
Processamento de Sinais. Sou apaixonada pelo que faço e adoro
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando
em suas profissões. Por esse motivo fui convidada pela Editora
Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes.
Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo
Unidade 1
e trabalho. Conte comigo!
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 5
Esses ícones aparecerão em sua trilha de aprendizagem nos seguintes casos:
ÍCONES
No início do Caso haja a
desenvolvimento necessidade de
de uma nova apresentar um novo
OBJETIVO competência. DEFINIÇÃO conceito.
Quando são
Se as observações
necessárias
escritas tiverem que
observações ou
ser priorizadas.
NOTA complementações. IMPORTANTE
Se existirem
Se algo precisar ser curiosidades e
Unidade 1
melhor explicado ou indagações lúdicas
EXPLICANDO detalhado. sobre o tema em
MELHOR VOCÊ SABIA?
estudo.
Existência de Se for preciso acessar
textos, referências sites para fazer
bibliográficas e links downloads, assistir
para aprofundar seu vídeos, ler textos ou
SAIBA MAIS ACESSE
conhecimento. ouvir podcasts.
Se houver a
necessidade de Quando for preciso
chamar a atenção fazer um resumo
sobre algo a cumulativo das últimas
REFLITA ser refletido ou RESUMINDO abordagens.
discutido.
Quando alguma Quando uma
atividade de competência é
autoaprendizagem concluída e questões
ATIVIDADES for aplicada. TESTANDO são explicadas.
6 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Introdução ao setor da construção civil................................ 10
SUMÁRIO
Definição, características e função da construção civil............................... 10
A indústria brasileira da construção............................................................... 15
O que a indústria da construção reserva ...................................................... 16
Segurança do trabalho na construção civil .......................... 22
Segurança do trabalho ..................................................................................... 22
Alguns documentos legais................................................................................ 29
Atestado de saúde ocupacional – ASO............................................ 29
Comunicado de acidente do trabalho – CAT.................................. 29
Programa de controle médico de saúde ocupacional ................. 30
Unidade 1
Mão de obra da construção civil, riscos e doenças
ocupacionais............................................................................. 31
Perfil dos trabalhadores da construção......................................................... 31
Risco e doença ocupacional da construção civil........................................... 33
Acidentes de trabalho e normas regulamentadoras............ 39
Definição do acidente de trabalho e relevância na construção civil......... 39
Tipos de acidente de trabalho........................................................... 41
Normas regulamentadoras – NRs................................................................... 44
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 7
A segurança do trabalho na construção civil – NR-
18 – compreende o estudo relativo à introdução ao setor da
APRESENTAÇÃO
construção civil, e segurança do trabalho na construção civil, bem
como a análise das condições e do meio ambiente de trabalho
na indústria da construção. O estudo da segurança do trabalho
na construção civil – NR-18 possibilita a aplicação de um conjunto
de conhecimentos relativos a condições e ao meio ambiente de
trabalho na indústria da construção, necessários ao desempenho
satisfatório da profissão. Além disso, oportunizará a compreensão
da norma regulamentadora visando à qualidade e à produtividade
dos processos de segurança no ambiente da construção civil.
Então, será neste vasto universo que você irá mergulhar, ao longo
desta disciplina. Nós acreditamos em você e desejamos sucesso
em seus objetivos e formação! Avante!
Unidade 1
8 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1 – Fundamentos
da segurança na construção civil. Nosso objetivo é auxiliar você
OBJETIVOS
no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até
o término desta etapa de estudos:
1. Entender o setor da construção civil – seus aspectos e
características.
2. Contextualizar a segurança do trabalho na construção
civil.
3. Caracterizar a mão de obra da construção civil e
discernir sobre seus riscos ocupacionais.
4. Compreender o evento do acidente de trabalho e suas
normas regulamentadoras.
Unidade 1
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao
conhecimento? Ao trabalho! Bons Estudos!
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 9
Introdução ao setor da
construção civil
Neste capítulo, você terá o entendimento das ativi-
dades do setor da economia, bem como subsídios
para comentar sobre o setor da construção civil
OBJETIVO quanto às características, aos cenários e aos desa-
fios. E então? Motivado a desenvolver esta compe-
tência? Foco e bons estudos!
Definição, características e
função da construção civil
Caro estudante, seja bem-vindo. Iniciaremos o estudo da
Unidade 1
segurança do trabalho relativo ao setor da construção civil, bem
como as condições e o meio ambiente de trabalho na indústria
da construção. No entanto, é relevante que seja apresentada
e contextualizada tal área, para sua melhor compreensão.
Preparado? Desejamos a você uma boa leitura.
Antes de iniciarmos nosso estudo na área da construção
civil, é necessário comentar que existem diferentes setores
produtivos, e que estes são fundamentais à economia brasileira.
Assim, o setor primário compreende as atividades que
fornecem a matéria-prima e os insumos, que serão transformados
em produtos acabados. São seis as atividades que compõem este
setor: agricultura, pecuária, extrativismo vegetal, caça, pesca e
mineração (MARTINS; LAUGENI, 2005).
No setor secundário ocorre a transformação dos produtos
provenientes do setor primário, em bens de consumo ou bens de
uso, como máquinas. Uma economia é considerada desenvolvida
quando esse setor se encontra estruturado e desenvolvido. Nesse
10 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
setor constam como atividades a indústria e a construção civil
(MARTINS; LAUGENI, 2005).
Já o setor terciário compreende os serviços, atividades
como comercialização de produtos e oferta de serviços comerciais
e pessoais destinados a terceiros (MARTINS; LAUGENI, 2005).
Imagem 1.1 – Indústria e construção civil demonstrando as atividades do setor secundário
Unidade 1
Fonte: Pixabay.
Sobre a história da construção civil, pode-se comentar que
essa se origina em um período no qual somente existiam duas
formas de aplicação, ou seja, ou se aplicavam os conhecimentos
na esfera civil ou militar. Esta é fundamentada na perspectiva de
tendências e mudanças setoriais, compreendendo uma prioridade
na alocação de recursos da economia e fortalecimento social (SILVA,
2002; TEIXEIRA, 2010).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 11
Você sabia que no Brasil, a Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) e o Conselho Regional de
Engenharia e Agronomia (CREA) são responsáveis
VOCÊ SABIA? por regulamentar as normas do setor de
construção civil, além de fiscalizar o exercício da
profissão, respectivamente?
A área de construção civil abrange as atividades
de produção de obras, desde o planejamento, a
execução e a manutenção, à restauração de obras.
Sua atuação compreende diferentes segmentos:
edifícios, estradas, portos, aeroportos, canais de
navegação, túneis, instalações prediais, obras de
saneamento, de fundações e de terra em geral
(CGEE, 2009).
Complementando o exposto acima, cita-se Mello
Unidade 1
(2007), que caracteriza a indústria da construção
civil como uma complexa cadeia produtiva de
setores industriais como: mineração, siderurgia
do aço, metalurgia do alumínio e do cobre, vidro,
cerâmica, madeira, plásticos, equipamentos
elétricos e mecânicos, fios e cabos e diversos
prestadores de serviços.
A construção civil brasileira compreende um conjunto
de atividades de relevante importância ao desenvolvimento
econômico e social, atuando desde a qualidade de vida da
população até a infraestrutura do país. É uma área de muitas
interfaces com outros setores industriais (SILVA, 2002).
Assim como Silva (2002), o SEBRAE (2008) também pontua
a construção civil como uma atividade produtiva de relevante
impacto sobre os demais setores e cadeias produtivas.
Esta área é caracterizada pela complexidade e
heterogeneidade, sendo composta por, pelo menos, três
segmentos: construção pesada (estradas, usinas de geração de
12 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
energia, portos e terminais, aeroportos etc.); montagens industriais
e de plataformas de prospecção de petróleo e extração mineral;
e edificações industriais, comerciais e residenciais (SEBRAE, 2008).
A indústria da construção civil caracteriza-se por entregar
um produto não homogêneo e não seriado, dependente de
pedidos de execução (CGEE, 2009).
A heterogeneidade da construção civil é uma
característica marcante, pois compreende uma
variedade de atividades, empresas, tecnologias e
EXPLICANDO
MELHOR qualificação. Aspectos que intervêm em seu ciclo
produtivo, gerando consumo de bens e serviços de
outros setores (CGEE, 2009).
Unidade 1
Assim, pode-se compreender a heterogeneidade como
uma série de atividades de diferentes complexidades, relacionadas
pela diversificação de produtos, tecnologias e demandas. Neste
tipo de cadeia são observadas grandes indústrias de tecnologia de
ponta, até microempresas de baixo poder tecnológico.
Imagem 1.2 – Subsetor de edificações
Fonte: Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 13
A indústria da construção civil tem os seguintes subsetores:
subsetor de material de construção; de edificações; e de construção
pesada. Além disso, ainda podem ser apresentados termos como
edificações, construção pesada e montagem industrial (SEBRAE, 2005).
Assim, observa-se que a construção civil assume um
relevante papel frente ao crescimento e desenvolvimento brasileiro.
Contudo, cumpre destacar suas especificidades, tais como: efeito
multiplicador, menor custo de investimento, uso intensivo de
mão de obra, significativa porção dos investimentos e reduzido
coeficiente de importação (SEBRAE, 2005).
Ainda, conforme estudos do SEBRAE (2005) citam-se como
características para o setor:
Unidade 1
• Demanda fortemente relacionada à renda interna e
condições de concessão de crédito.
• Elevada capacidade de geração de emprego, com
destaque à mão de obra com baixa qualificação.
• Baixa participação de emprego formal (registrado), na
parcela total de empregados ocupados do setor.
• Problemas quanto ao cumprimento de normas técnicas
e padronizações relativas ao processo e à segurança do
trabalho.
• Baixa competitividade e produtividade setorial, quando
realizado comparativo a padrões internacionais.
• Defasada atualização tecnológica e gerencial, quando
realizado comparativo a padrões internacionais.
A construção civil atua como elemento propulsor da
atividade econômica brasileira, uma vez que movimenta um
representativo volume de recursos ao longo de sua cadeia (SILVA,
2002). Isto é, representa grande relevância ao desenvolvimento
14 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
de uma nação, frente à quantidade de atividades econômicas
presentes em seu ciclo de produção, o que gera consumo de bens
e serviços de outros setores.
A indústria brasileira da
construção
Nesta seção, vamos complementar sobre a área da
construção civil, ou seja, a área responsável por englobar a
elaboração de obras dos mais variados portes e funções.
Antes de iniciarmos o estudo dessa seção,
convidamos você a refletir sobre o seu atual
conhecimento sobre o cenário da construção civil
Unidade 1
REFLITA brasileira. Como está esse setor? Quantos postos
de trabalho são ocupados?
A indústria da construção civil é um setor em constante
mudança, visto que demanda a adaptação às múltiplas condições
ambientais, ou conforme a região de atuação. Trata-se, portanto,
de um setor flexível em termos tecnológicos, organizacionais,
sociais e econômicos (TOMASI, 2005).
Historicamente, o desempenho da construção civil, sob
o viés econômico, acompanha a situação econômica brasileira.
Logo, o mercado desse setor mostra-se cíclico, com períodos de
elevada demanda e, outros, de baixa demanda (VIEIRA, 2013).
Contudo, a situação econômica tem ganhado produtividade
e participação no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. O que vem
demandando mudanças e tendências, pois é uma área de alocação
de recursos escassos da economia, além de contribuir com o setor
social, uma vez que atua como fonte geradora de postos de trabalho
(OLIVEIRA, 2012).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 15
A Pesquisa Anual da Indústria da Construção (PAIC),
conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE), visa identificar anualmente as
NOTA características da área e suas transformações. O
conjunto de tais informações constitui relevante
fonte estatística, provedora de elementos ao
planejamento público e privado.
Dados referentes ao cenário de 2017, publicados em 2019
pelo IBGE, indicaram que a atividade da construção representou
R$ 280 bilhões em valor de incorporações, obras e serviços
da construção. Sendo que em 2017 a área englobava 126,3 mil
empresas ativas, ocupando 1,91 milhão de pessoas (IBGE, 2017).
Ainda, conforme esse estudo, as incorporações, as obras
Unidade 1
e os serviços citados na pesquisa, em 2017, são representados
por construção de edifícios (R$ 128,1 bilhões – 45,8%), obras de
infraestrutura (R$ 90,3 bilhões – 32,2%) e serviços especializados
da construção (R$ 61,6 bilhões – 22%) (IBGE, 2017).
As empresas da construção empregaram, em 2017,
1.909.293 pessoas, assim distribuídas: 37,1% na construção de
edifícios, 35,0% em serviços especializados da construção e 27,9%
em obras de infraestrutura (IBGE, 2017).
O que a indústria da construção
reserva
A construção civil atua como elemento propulsor da
atividade econômica brasileira, uma vez que movimenta um
representativo volume de recursos ao longo de sua cadeia (SILVA,
2002). É um dos setores mais importantes para a economia de
uma nação. Nos últimos anos, esse segmento passou por um
significativo processo de expansão, contudo, ainda enfrenta
16 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
constantes desafios, como a necessidade de investimento
contínuo (VIEIRA, 2013).
Embora desempenhe papel relevante ao desenvolvimento
econômico e social, a indústria da construção civil brasileira
ainda constitui um setor de baixo investimento em pesquisa
e desenvolvimento, bem como baixo grau de automação e
modernização (MARTINS; BARROS, 2003).
Contudo, nos últimos 10 anos, o segmento tem passado
por um significativo processo de expansão, apresentando
crescimento do PIB do setor superior aos do Brasil (VIEIRA, 2017).
Assim como já indicava Silva (2002), a estabilidade econômica
e a concorrência empresarial levam as organizações da construção
Unidade 1
civil a pensar a tecnologia como ferramenta competitiva. Logo, o
relatório Estudo de tendências tecnológicas na indústria de construção
civil no segmento de edificações de 2013, fortaleceu tal assertiva, ao
identificar 261 tecnologias associadas à construção (VIEIRA, 2013).
Mello e Amorim (2009), em seu estudo O subsetor de
edificações da construção civil no Brasil: uma análise comparativa
em relação à União Europeia e aos Estados Unidos, já comentavam
que desde a última década, este setor passaria por relevante
transformação, com grandes obras em andamento e ocorrência de
investimentos imobiliários. Tal movimento sofre reflexo na adoção
de novos modelos de inovações tecnológicas em diversas empresas
do segmento. Criando, assim, um núcleo de empresas dinâmico e
moderno, comparável a empresas europeias e norte-americanas.
Você sabia que a construção civil é um dos setores
que mais sofre com a variação econômica? O
cenário deste segmento demonstrou reação em
VOCÊ SABIA? 2019, com projeção de crescimento para 2020
(VIEIRA, 2017).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 17
Assim, tal projeção de crescimento demanda dos
profissionais da área novos olhares frente ao uso e a aplicação
de ferramentas e soluções para a área. Veja alguns aspectos
apresentados no estudo realizado (VIEIRA, 2017):
a. Atuação sustentável: adoção de práticas sustentáveis
em projetos como forma de redução de custos e
resíduos, observando critérios de qualidade estrutural
e segurança do processo. Um exemplo desta tendência
é a observância dos critérios da norma NBR 15.575.
A NBR n.o 15.575 é a norma de desempenho de
edificações habitacionais. Sua criação objetiva
demonstrar como os insumos empregados em
NOTA uma construção alinham-se à qualidade de uso
Unidade 1
do futuro imóvel. Tal norma define um padrão
de qualidade para os imóveis, aos quais as partes
interessadas precisam adequar-se. Ficou curioso?
Busque apropriar-se um pouco mais sobre essa
normativa acessando os QR code.
b. Automação predial: tendência do segmento com fins
de otimização, redução de erro, falha humana e custo
operacional. Essa tendência promoverá o incremento
da segurança e economia durante a construção.
Neste contexto, o investimento em tecnologia revela-
se premente para que tais resultados sejam atingidos
mais eficientemente. Aqui, apresenta-se o conceito de
construção inteligente.
18 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 1.3 – Plaza Centenário, um dos edifícios mais inteligentes de São Paulo
Unidade 1
Fonte: Wikimedia Commons.
Frente a isso, cumpre destacar que o desenvolvimento
tecnológico, no Brasil, apresenta gaps relacionados à disponibilidade
e à captação de mão de obra qualificada em seus diversos níveis.
Tal aspecto mostra-se mais premente no segmento de edificações,
quando comparado a outros países europeus (CGEE, 2009).
Construção inteligente é aquela cujo projeto cumpre seu
fim de forma eficiente e econômica. Assim, destaca-se que a
falta de inovação em processos construtivos pode impedir que
os projetos sejam produtivos, eficientes e econômicos (TEIXEIRA,
2010).
c. Uso de energia renovável: desenvolvimento de
sistemas que gerem energia durante o desenvolvimento
das obras ou no uso do projeto. Aqui se destaca o uso
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 19
de placas solares para a produção de energia na obra,
tal ação é uma forma de reduzir custos de projeto.
Essa tendência é importante, pois a indústria da construção
civil é um “personagem” pertinente do tema, uma vez que os
impactos de suas operações e cadeia são relevantes. Assim, caro
estudante, a incorporação da sustentabilidade na indústria da
construção civil mostra-se uma tendência irreversível.
Os requisitos para a construção sustentável devem
observar todo o ciclo de vida, desde o desenvolvimento de projeto,
a obtenção da matéria-prima, a execução da obra, a demolição e o
tratamento dos resíduos gerados.
d. Realidade aumentada: projetos baseados em
Unidade 1
realidade aumentada podem facilitar a visualização
das estruturas projetadas em tamanho real, antes
de sua execução e término. Sua aplicação permite a
identificação de possibilidades, assegura alinhamento
e precisão para a obra e contribui com a redução de
risco e erros.
e. Aplicação de materiais novos: cada vez mais o setor
é convidado a otimizar seus recursos observando a
relação de baixo custo e sustentabilidade. Sendo, o
setor, desafiado constantemente a investir em soluções
que reduzam/eliminem o desperdício e a geração de
resíduos.
f. Realidade virtual e softwares de segurança: permitem
simular situações típicas de obras, além de capacitar
os trabalhadores na utilização de equipamentos sem
riscos de acidentes. São tecnologias que auxiliam no
desenvolvimento das atividades, reduzindo ocorrência
de irregularidades e acidentes no canteiro de obra.
20 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
A cadeia da construção civil, inserida no mercado global,
requer modelos de gestão atualizados, coerentes e alinhados aos
demais elos produtivos de sua estrutura. Tais demandas de mercado
representam oportunidades à área de projetos com destaque à
indústria e aos mecanismos de financiamento (VIEIRA, 2017).
Caro estudante, chegamos ao final do capítulo.
Como está sendo o seu aprendizado até aqui?
Está gostando? Neste capítulo, contextualizou-se
RESUMINDO a área da construção civil como aquela abrange
as atividades de produção de obras, desde o
planejamento e projeto, execução e manutenção,
à restauração de obras. É uma área que apresenta
relevância ao desenvolvimento da nação brasileira,
devido à sua extensa cadeia produtiva e elevada
Unidade 1
capacidade de contratação. Além disso, foi visto
que essa área é caracterizada pela complexidade
e heterogeneidade, sendo composta por, pelo
menos, por três segmentos: construção pesada
(estradas, usinas de geração de energia, portos e
terminais, aeroportos etc.); montagens industriais
e de plataformas de prospecção de petróleo
e extração mineral; e edificações industriais,
comerciais e residenciais. Embora desempenhe um
papel relevante ao desenvolvimento econômico
e social, a indústria da construção civil brasileira
ainda constitui um setor de baixo investimento
em pesquisa e desenvolvimento, bem como baixo
grau de automação e modernização.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 21
Segurança do trabalho na
construção civil
Caro estudante, agora que você já consegue
caracterizar a área da construção civil, seja em
características gerais ou cenários, espera-se
OBJETIVO que, após concluir este Capítulo, você também
possa comentar sobre a segurança do trabalho
no setor da construção civil. E então? Motivado
a desenvolver esta competência? Foco e bons
estudos!
Segurança do trabalho
Unidade 1
A segurança do trabalho pode ser compreendida como o
conjunto de medidas adotadas para a minimização dos acidentes
de trabalho, doenças ocupacionais e proteção da integridade
física e capacidade laboral do trabalhador (GONÇALVES, 2008). A
responsabilidade pela segurança do trabalho é tripartite, isto é,
ela é compartilhada pelo poder público, pelo empregador e pelo
empregado. Sob este viés, cabe ao poder público a criação e a
fiscalização de normas e leis que regulamentem e assegurem a
segurança e a saúde no trabalho. Quanto ao empregador, este
deve fazer cumprir as regulamentações previstas, podendo
ser punido em caso de desrespeito às exigências legais. Já ao
empregado cabe seguir as exigências de segurança em seu local
de trabalho, obedecendo às normas e leis específicas.
22 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 1.4 – Aplicação da relação tripartite
Fonte : Wikimedia Commons.
Unidade 1
À primeira vista, algumas atividades laborais parecem
inofensivas e não oferecem comprometimento da disponibilidade
do trabalhador. No entanto, deve-se ter o cuidado, pois
processos de fabricação requerem cuidados com a segurança dos
trabalhadores.
Imagem 1.5 – Os equipamentos de proteção individual (EPIs) são essenciais para a prevenção
de acidentes em ambientes de trabalho perigosos
Fonte : Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 23
Tais cuidados podem ser conduzidos e atendidos com a
implantação de programas de saúde e segurança por meio de
uma equipe multidisciplinar composta por técnico de segurança
do trabalho, engenheiro de segurança do trabalho, médico do
trabalho e enfermeiro do trabalho. Esses profissionais formam
o que chamamos de Serviço Especializado em Engenharia de
Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT).
Não se sabe ao certo sobre o início da preocupação com
acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. Já no século IV
a.C., existiam relatos de moléstias que acometiam mineiros e
metalúrgicos. No entanto, foi com a Revolução Industrial, no final
do século XVIII, e com o aparecimento das máquinas de tecelagem
movidas a vapor, que a ocorrência de acidentes aumentou
Unidade 1
(MIRANDA, 1998).
A produção, antes manual, passa a ser realizada em
fábricas mal estruturadas, pouco ventiladas, com ruídos altíssimos
e em máquinas sem critério de proteção. Mulheres, homens e,
principalmente, crianças foram às grandes vítimas deste período
(MIRANDA, 1998).
Imagem 1.6 – Trabalho infantil em uma fábrica nos Estados Unidos
Fonte: Wikimedia Commons.
24 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Os problemas relacionados à saúde foram
intensificados a partir do advento da Revolução
Industrial, pois houve uma elevada ocorrência
EXPLICANDO
MELHOR de acidentes devido aos novos equipamentos
provenientes do movimento, abandonando a
modalidade artesanal e adotando o trabalho
mecanizado. A falta de treinamento, as longas
jornadas de trabalho e o emprego da mão de obra
infantil contribuíram muito para esse cenário.
Cumpre destacar que, neste período, inexistia
a legislação do trabalho, logo, muitas vezes, o
trabalhador acidentado ficava à própria sorte
(GONÇALVES, 2008; MIRANDA, 1998).
No Brasil, o processo de industrialização foi impulsionado a
Unidade 1
partir da Segunda Guerra Mundial. E a situação dos trabalhadores
brasileiros não foi diferente, ou seja, as condições de trabalho
também eram inadequadas, o que, por anos, matou e mutilou
trabalhadores.
Com o objetivo de melhorar as condições de saúde e
trabalho no Brasil, a partir da década de 1930, várias leis sociais
foram criadas, entre elas, destaca-se a formação da Comissão
Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa), que se tornou eletiva
em 1944 (SALIBA; PAGANO, 2009).
A busca por mais direitos no Brasil é anterior à
industrialização do país. Antes, os trabalhadores buscavam
direitos considerados, atualmente, buscam direitos básicos, como
descanso semanal remunerado, jornada semanal de 48 horas,
igualdade de direitos para a mulher trabalhadora, assistência
médica e aposentadoria e indenização por acidente de trabalho
(MIRANDA, 1998; SALIBA, 2008).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 25
Imagem 1.7 – Consolidação das leis do trabalho (CLT) publicada no Diário Oficial de 9 de
agosto de 1943
Unidade 1
Fonte : Wikimedia Commons.
Com o incremento da industrialização brasileira a partir
da década de 1950, surgem os primeiros médicos da empresa,
com a responsabilidade exclusiva e direcionada à manutenção
das linhas de produção com trabalhadores saudáveis e aptos,
devendo afastar aqueles que sofriam de algum mal ou sequelas
26 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
de um acidente (SALIBA; PAGANO, 2009). Logo, nesta época, pouco
ou quase nada se fazia em termos prevencionistas, pois a única
preocupação era a perda de disponibilidade laboral e os prejuízos
causados pelos acidentes ao empregador.
Dados do Anuário Estatístico da Previdência Social
publicado em 2017, demonstraram que entre os
anos de 2012 e 2016, foram registrados no Brasil
IMPORTANTE 3,5 milhões de casos de acidente de trabalho em
26 estados e no Distrito Federal. Essas ocorrências
resultaram na morte de 13.363 pessoas, o que
gerou um custo de R$ 22,171 bilhões para os
cofres públicos com gastos como auxílio-doença,
aposentadoria por invalidez, pensão por morte
e auxílio-acidente para pessoas que ficaram com
Unidade 1
sequelas. Destaca-se que nos últimos cinco anos,
anteriores ao estudo em questão, 450 mil pessoas
sofreram fraturas enquanto trabalhavam no Brasil
(BRASIL, 2017).
Quadro 1.1 – Resumo dos fatos históricos de segurança no Brasil
1930 – Estado intervém nas relações do trabalho.
1943 – No Governo Vargas entra em vigor a CLT – Decreto-Lei n° 5.452, de 1
de maio de 1943.
1970 – Brasil é detentor do título de país com mais acidentes do mundo.
1977 – Texto da CLT é revisado com capítulo específico à segurança e
medicina do trabalho. Trata-se do capítulo V, título II.
1978 – Regulamentação dos artigos da CLT por meio da Portaria n° 3.214, de
8 de junho de 1978, criando as primeiras 28 normas regulamentadoras (NR).
1988 – Constituição de 1988 prevê a redução dos riscos inerentes ao trabalho,
por meio de normas de saúde, higiene e segurança.
1997 – A NR-29 é aprovada. Esta diz respeito à segurança e à saúde no
trabalho portuário.
2002 – A NR-30 é aprovada e diz respeito à segurança e à saúde no trabalho
aquaviário.
2017 – A Nova CLT, Lei n° 13.467, de 13 de julho de 2017, é aprovada,
apresentando uma série de novidades relacionadas à legislação trabalhista.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 27
As normas regulamentadoras (NRs) foram publicadas
de forma a orientar e referir a segurança em diferentes áreas
de atuação, com foco nas atividades desenvolvidas. Destaca-se
que estas são o resultado de um processo de consulta pública
e negociação tripartite, envolvendo governo, empregados e
empregadores.
Imagem 1.8 – Exemplo de aplicação da NR-35
Unidade 1
Fonte : Wikimedia Commons.
Os auditores do trabalho realizam ações em todo
o país, junto aos empregados das mais diversas
categorias, auditando, avaliando e regularizando
NOTA as evidentes situações de descumprimento legal,
por meio de embargos e interdições (previstos em
NR específica), bem como são analisados acidentes
de trabalho graves e fatais (ARAÚJO, 2008).
Atualmente, estão em vigor a Portaria n.º
3.214/1978 regulamentadora da Lei n.° 6.514, de
22 de dezembro de 1977, em que estão inseridas
as 36 normas regulamentadoras. Assim como a
Portaria n.° 1.186, de 20 de dezembro de 2018, que
regulamenta a Norma Regulamentadora 37 (NR-37).
28 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Alguns documentos legais
Atestado de saúde ocupacional – ASO
O atestado de saúde ocupacional é o que define se o
empregado está apto ou não para realizar as funções previstas
em seu perfil de função dentro da organização. Para cada exame
realizado, o médico do trabalho deverá emitir em duas vias o ASO
(ARAÚJO, 2008)
A primeira via é arquivada no local de trabalho, à
disposição da fiscalização do trabalho. Já a segunda via será,
obrigatoriamente, entregue ao empregado. O ASO deve seguir as
Unidade 1
regras estabelecidas no Programa de Controle Médico e Saúde
Ocupacional (PCMSO) da empresa, sendo assim, é um documento
pertencente PCMSO.
O ASO é um documento muito importante, pois além da
identificação completa do empregado, reportará informações
completas e atuais sobre a sua saúde, deixando a empresa e
o próprio empregado cientes de sua atual condição de saúde
(ARAÚJO, 2008; SALIBA; PAGANO, 2009).
Comunicado de acidente do trabalho – CAT
O comunicado de acidente do trabalho é um documento
usado para notificar e formalizar o acidente ou doença de trabalho às
partes interessadas. Serve para comunicar aos órgãos competentes
que determinado empregado sofreu um acidente de trabalho ou foi
acometido por doença ocupacional (ARAÚJO, 2008).
Destaca-se que o CAT é a principal ferramenta de controle
estatístico de acidentes de trabalho no Brasil. Só após comunicar o
acidente é que o órgão competente poderá prover o amparo que é
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 29
devido ao empregado acidentado ou vítima de doença ocupacional.
Ou, no caso de morte, à sua família (SALIBA; PAGANO, 2009).
Conforme os artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.213, de 24 de julho de
1991, o CAT deve ser emitido logo após o evento do acidente, podendo
ser emitido até o primeiro dia útil após o acidente. Se a empresa
perder o prazo de notificação, esta deve o realizar do mesmo modo.
O que não pode é ficar sem emitir o comunicado, sendo passível de
sanção organizada e atribuída em lei (SALIBA; PAGANO, 2009).
Programa de controle médico de saúde
ocupacional
A Norma Regulamentadora n.° 7 (NR-7) estabelece a
Unidade 1
obrigatoriedade de elaboração, implementação e avaliação por
parte de todos os empregadores e instituições que admitam
empregados via CLT, ao PCMSO.
Com o objetivo de promover e proteger a saúde do
conjunto dos seus empregados, tem caráter de prevenção,
mapeamento e diagnóstico de agravos à saúde do empregado,
além da constatação dos casos de doenças profissionais ou danos
irreversíveis à saúde.
Caro estudante, chegamos ao final de mais um capítulo.
Como está sendo o seu aprendizado até aqui? Neste
Capítulo, abordamos a segurança do trabalho quanto
sua história, definição, objetivo, contexto e relevância
RESUMINDO
nacional. Constatou-se que, independentemente do
segmento de atuação, pensar na segurança de seus
empregados é relevante e premente. Este Capítulo
cumpriu a função de preparar o seu embasamento
para os demais temas da disciplina. Desejo a você
um bom estudo deste material, não se limite à leitura
aqui tratada, existe uma infinidade de obras a serem
exploradas por você.
30 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Mão de obra da construção civil,
riscos e doenças ocupacionais
Caro estudante, agora você já tem condições de
comentar sobre a indústria da construção civil,
bem como sobre a segurança do trabalho no
OBJETIVO segmento. Neste Capítulo, você conhecerá o perfil
do trabalhador da construção, além dos ricos e das
doenças ocupacionais relacionadas. Então, vamos
desenvolver esta competência?
Perfil dos trabalhadores da
construção
Unidade 1
A área da construção civil compreende um dos maiores
focos geradores de emprego e renda na economia brasileira,
sendo responsável por absorver grande volume de mão de obra
(SEBRAE, 2008).
Logo, é um setor que contribui ao desenvolvimento, pois
abarca significativa parcela da oferta de empregos formais. A
formalidade, por sua vez, contribui com a melhoria de renda da
população, com destaque aos trabalhadores com baixo grau de
instrução escolar.
EXEMPLIFICANDO: conforme dados do Banco Nacional
do Desenvolvimento em 2004, para cada R$ 10 milhões
investidos na construção civil, eram gerados 176 empregos
diretos e 83 indiretos (SEBRAE, 2008).
O perfil apresentado neste capítulo compreende o resultado
de um estudo intitulado “Trabalhadores da construção: perfil,
expectativas e avaliação dos empresários”. Disponível aqui. Dados
dessa pesquisa ponderaram que o tempo médio de atuação no
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 31
canteiro de obras para as mulheres é, em média, de 2,2 anos, sendo
aos homens destinados um período superior a 5,5 anos (MARTINS;
GOMES; RODRIGUES, 2015).
Imagem 1.9 – Reunião de uma equipe de trabalho no Brasil
Unidade 1
Fonte : Wikimedia Commons.
Foram realizados levantamentos em 24 estados das cinco
grandes regiões brasileiras, 85 municípios, com 1.215 entrevistas, em
específico, aos trabalhadores/homens que atuam em canteiros de
obras. Contudo, cumpre destacar que a publicação dos resultados e
análise técnica somente foram reportados no ano de 2015 (MARTINS;
GOMES; RODRIGUES, 2015).
O perfil das trabalhadoras que atuavam no canteiro de
obras, à época da pesquisa, ficou assim resumido: área de atuação
com mais representatividade foi a de mestre/encarregada (20%).
Sobre o grau de instrução, constou-se que 71,6% tinham formação,
bem como recebiam entre 1 e 3 salários-mínimos (MARTINS;
GOMES; RODRIGUES, 2015).
32 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
O perfil dos trabalhadores que atuavam no canteiro de
obras ficou assim resumido: quanto à atuação/função com maior
representatividade constava mestre/encarregado (51%). Sobre o
grau de instrução constou-se que 85,9% dos entrevistados tinham
algum tipo de com formação. Em sua remuneração, 65,7% dos
homens recebiam entre 1 e 5 salários-mínimos (MARTINS; GOMES;
RODRIGUES, 2015).
O estudo ocupou-se também em retratar o principal motivo
de contratação das mulheres para a atuação no canteiro de obras,
a pesquisa apontou o aspecto capricho e eficiência na execução
de tarefas com 56,5%. Frente à intenção de contratação futura,
constatou-se que 72% das empresas pesquisadas, efetivariam
a mão de obra feminina pela mesma razão (MARTINS; GOMES;
Unidade 1
RODRIGUES, 2015).
No quesito limitação, quanto à contratação de mão de
obra para o setor, o estudo apurou que estas são limitadas por
aspectos como: capacidade de empregabilidade, que é afetada
pela estabilidade econômica; as condições de trabalho; os
salários praticados; e a imagem do segmento, que são atrativos
aos profissionais do setor.
Risco e doença ocupacional da
construção civil
A construção civil é um dos ambientes com maior índice
de ocorrência de doenças ocupacionais, pois abarca uma série
de atividades que podem oferecer algum tipo de risco, como
trabalho em altura, trabalho com eletricidade, exposição a agentes
químicos, entre outros (LIMA, 1993; PEINADO, 2019).
Conforme o inciso I do art. 20 da Lei n.° 8.213/1991, define-
se doença ocupacional ou profissional como “aquela produzida ou
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 33
desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada
atividade” (BRASIL, 1991, on-line).
Imagem 1.10 – Exemplo de dermatite leve
Unidade 1
Fonte: Wikimedia Commons.
Entre as principais doenças ocupacionais na construção
civil constam (PEINADO, 2019):
• Distúrbios musculoesquelético: com o
comprometimento de costas e outras lesões musculares
nas articulações devido à massa, movimentação,
elevação e ao manuseio de cargas.
• Dores e entorpecimento de membros superiores
(dedos e mãos): causas relacionadas ao uso contínuo
de ferramentas e equipamentos vibratórios.
34 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 1.11 – Dores ao fechar as mãos são as queixas mais comuns de lesão por esforço
repetitivo (LER)
Unidade 1
Fonte: Wikimedia Commons.
• Dermatite: aspecto de vermelhidão e inflamação de
mucosas da pele. A causa está relacionada ao contato
e à exposição a substâncias irritantes como: cimento,
solventes, entre outros produtos.
• Comprometimento auditivo (baixa audição e surdez):
excesso de exposição a altos níveis de ruído, acima do
estabelecido.
• Doenças respiratórias: relacionadas ao amianto.
Para a prevenção de doenças ocupacionais do ambiente
da construção civil, autores como Peinado (2019), indicam a
observação e o atendimento da legislação vigente e específica,
bem como a adoção de boas práticas relativas à segurança do
ambiente e dos envolvidos.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 35
Logo, ao iniciar um trabalho realize o devido planejamento
das atividades a fim de identificar riscos e precauções que sejam
necessários à sua execução. Existem práticas de controle de risco
ocupacional que auxiliam significativamente a prevenção de
doenças, constam entre essas práticas:
• Evite atividades que envolvam agentes de risco à saúde.
Sempre que possível providencie a substituição por
componentes adequados à demanda.
• Pratique os princípios da ergonomia, como a elevação
de cargas pesadas, não sobrecarregando a coluna, bem
como realizando movimento de agachamento e subida
em velocidade moderada e não impactante.
• Utilize os equipamentos de proteção individual
Unidade 1
mínimos, obrigatórios e específicos a determinadas
atividades, como luvas, capacete, sapatos de proteção,
protetores auditivos, entre outros.
Imagem 1.12 – Capacete com viseira e protetor auricular
Fonte : Wikimedia Commons.
36 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
• Escolha sempre medidas que levem à segurança de
todos os expostos ao risco identificado, por exemplo,
a observância do uso de equipamentos de proteção
coletivos (EPCs).
Uma forma de gestão visual de risco a que um empregado
da construção civil pode estar exposto é por meio da elaboração
de um mapa de riscos. Este compreende uma das modalidades
mais simples de avaliação qualitativa dos riscos existentes em um
local de trabalho (LIMA, 1993; SALIBA, 2008).
Abrange a representação gráfica dos riscos existentes
por meio de círculos de diferentes cores e tamanhos, permitindo
facilidade de elaboração e visualização. Trata-se de um instrumento
participativo, elaborado pelos próprios envolvidos. O mapa de
Unidade 1
risco é baseado no conceito de que quem faz o trabalho é quem o
melhor conhece.
Assim, o mapa de riscos serve como um instrumento de
levantamento preliminar de riscos, de informação para os demais
empregados e visitantes, bem como de planejamento para as
ações preventivas que serão adotadas em uma obra, por exemplo.
O objetivo do mapa de riscos é reunir as informações
básicas necessárias para estabelecer o diagnóstico da situação
da segurança e saúde no trabalho na construção civil, bem como
possibilitar, durante a sua elaboração, a troca e a divulgação
de informações entre os envolvidos, bem como estimular a
participação coletiva nas atividades de prevenção (SALIBA, 2008;
SALIBA; PAGANO, 2009).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 37
Caro estudante, chegamos ao final de mais um
capítulo. Como está sendo o seu aprendizado
até aqui? Neste capítulo, foi abordado o perfil do
RESUMINDO trabalhador da construção civil em 2015 quanto
às suas características. Foram apresentados
o levantamento em 5 regiões, 24 estados, 85
municípios, 1.215 entrevistas, em específico, aos
trabalhadores (homens/mulheres) que atuam em
canteiros de obras. Este estudo foi relevante, pois
irá embasar os demais temas que abordaremos
quanto ao risco e à saúde ocupacional. Desejo a
você um bom estudo deste material. Não se limite
à leitura aqui tratada, existe uma infinidade de
obras a serem exploradas por você.
Unidade 1
38 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Acidentes de trabalho e normas
regulamentadoras
Caro estudante, agora você já tem condições de
comentar sobre a indústria da construção civil
quanto às suas características, função, cenário,
OBJETIVO tendências, desafios e segurança. Neste capítulo,
você acessará o que compreende o acidente
de trabalho e suas normativas. Então, vamos
desenvolver esta competência?
Definição do acidente de trabalho
e relevância na construção civil
Unidade 1
Compreendido que o setor da construção civil é responsável
pela geração de milhares de postos de trabalho, bem como tem
relevante participação no PIB nacional, é relevante pensar a saúde
e a segurança do trabalhador, uma vez que representa uma
exigência para toda e qualquer atividade profissional.
Imagem 1.13 – Operários vestindo coletes refletivos, capacetes e outras roupas de proteção
no local de trabalho
Fonte : Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 39
Cumpre destacar que junto ao setor observa-se um
elevado índice de acidentes e doenças ocupacionais. De acordo
com dados do Anuário Estatístico da Previdência Social publicado
em 2017, o setor registrou no triênio (2015, 2016, 2017) quase
29% dos acidentes de trabalho do período, sendo a ocorrência
respectivamente de 8,70%, 9,53%, e 10, 28% (BRASIL 2017).
Ainda segundo o mesmo estudo, do total de
acidentes registrados em 2017, a categoria de
serviço que apresentou maior índice de acidentes
IMPORTANTE foi a construção de edifícios com 19,18%, seguido
de obras para geração e distribuição de energia
elétrica e telecomunicações com 7,92% e a
incorporação de empreendimentos com 6,40%
(BRASIL, 2017).
Unidade 1
O art. 19 da Lei n.° 8.213/1991, trata a seguinte
definição de acidente do trabalho: “é o que ocorre
pelo exercício do trabalho a serviço de empresa
ou de empregador doméstico ou pelo exercício
do trabalho dos segurados referidos no inciso VII
do art. 11 desta Lei, provocando lesão corporal
ou perturbação funcional que cause a morte ou a
perda ou redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho” (BRASIL, 1991 online).
Essa definição não é plenamente satisfatória, pois o
acidente de trabalho também deve considerar as consequências
sobre o homem como lesões, perturbações ou doenças
ocupacionais (GONÇALVES, 2008). Assim, para o autor, a definição
de acidente do trabalho, compreende a ocorrência de eventos
que possam interferir no andamento normal da atividade laboral,
pois, além do homem, outros aspectos de uma organização
podem ser impactados, como produção, máquinas, ferramentas,
equipamentos, tempo, e demais recursos.
40 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Tipos de acidente de trabalho
Conforme Araújo (2008), é considerado acidente do
trabalho quando uma das situações a seguir é constatada:
• Doença profissional, ou seja, aquela produzida ou
desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar à
determinada atividade.
• Doença do trabalho, ou seja, aquela adquirida ou
desencadeada em função de condições especiais nas
quais o trabalho é realizado, e/ou com ele se relacione
diretamente.
Equiparam-se também à classificação de acidente do
Unidade 1
trabalho, segundo a Lei n.° 8.213/1991, as seguintes situações
(BRASIL, 1991, on-line):
• O acidente ligado ao trabalho que, embora não tenha
sido a causa única, haja contribuído diretamente para
a morte do segurado, para redução ou perda da sua
capacidade para o trabalho, ou produzido lesão que
exija atenção médica para a sua recuperação.
• O acidente sofrido pelo segurado no local e no horário
do trabalho, em consequência de:
a. Ato de agressão, sabotagem ou terrorismo praticado
por terceiro ou companheiro de trabalho; ofensa física
intencional, inclusive de terceiro, por motivo de disputa
relacionada ao trabalho; ato de imprudência, de
negligência ou imperícia de terceiro ou companheiro
de trabalho; ato de pessoa privada do uso da razão;
desabamento, inundação, incêndio e outros casos
fortuitos ou decorrentes de força maior.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 41
• A doença proveniente de contaminação acidental do
empregado no exercício de sua atividade.
• O acidente sofrido pelo segurado, ainda que fora do
local e horário de trabalho:
a. Na execução de ordem ou na realização de serviço sob
a autoridade da empresa; na prestação espontânea de
qualquer serviço à empresa para lhe evitar prejuízo
ou proporcionar proveito; em viagem a serviço da
empresa, inclusive para estudo quando financiada por
esta dentro de seus planos para melhor capacitação
da mão de obra, independentemente do meio de
locomoção utilizado, inclusive, veículo de propriedade
do segurado, no percurso da residência para o local
Unidade 1
de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o
meio de locomoção, inclusive veículo de propriedade
do segurado.
Tanto nos estudos de Araújo (2008) quanto de Gonçalves
(2008), são considerados fatores causadores de acidentes de
trabalho os seguintes pontos:
a. Condição insegura, inerente às instalações, como
máquinas e equipamentos; ato inseguro, entendido
como atitudes indevidas do elemento humano;
fatores pessoais de insegurança, fatores pessoais
(personalidade) dos indivíduos que contribuem para a
ocorrência de acidentes; e eventos catastróficos, como
inundações, tempestades, (independentemente da
ação da empresa ou do empregado).
42 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Sob o ponto de vista da prevenção, a causa de aci-
dentes de trabalho decorre de qualquer aspecto
que, se removido/neutralizado, poderia ter evitado
EXPLICANDO
MELHOR a sua ocorrência. Assim, neste contexto, os aciden-
tes de trabalho são evitáveis, pois não surgem ao
acaso, são, em sua maioria, provocados, logo, pas-
síveis de prevenção.
Um acidente de trabalho é um evento resultante tanto de um
ato inseguro por parte do empregado, como negligenciar o uso de
equipamento de proteção individual, até de uma situação insegura
que possa infringir dano ao trabalhador, bem como à organização,
como negligenciar a oferta de EPIs (GONÇALVES, 2008).
Logo, como exposto acima, estes podem decorrer de
Unidade 1
fatores dependentes do homem, ou das condições existentes no
ambiente de trabalho. Muitos autores, no que tange a análise de
acidentes, pontuam como causa de acidentes o ato ou a condição
que originou o dano.
Os acidentes do trabalho afetam a produtividade
econômica e oneram o sistema de proteção social, bem como
interferem na satisfação e motivação do trabalhador (VENDRAME;
GRAÇA, 2009).
Cumpre destacar que qualquer acidente de trabalho
gera impactos econômicos tanto para o acidentado quanto para
a organização, bem como aos cofres públicos. Assim, mesmo
do ponto de vista prevencionista, a simples movimentação para
adequação às normativas representa um custo (ARAÚJO, 2008;
PEINADO, 2019).
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 43
Normas regulamentadoras – NRs
As normas regulamentadoras são aspectos regulatórios
relativas à segurança e à medicina do trabalho. O não cumprimento
das tais disposições pode incidir em erro grave, acarretando
aplicação de sanção organizada e prevista em legislação vigente.
No Brasil, as normas regulamentadoras constam no
capítulo V, título II da CLT. Foram aprovadas pela Portaria n°
3.214/1978, sendo, atualmente, 37, conforme Quadro 1.2. O
escopo básico de algumas é apresentado a seguir.
Quadro 1.2 – Normas regulamentadoras
NR-1 – Disposições gerais.
Unidade 1
NR-2 – Inspeção prévia – revogada pela portaria – SEPREVT n° 915, de 30 de
julho de 2019.
NR-3 – Embargo ou interdição.
NR-4 – Serviços especializados em engenharia de segurança e em medicina do
trabalho (SESMT).
NR-5 – Comissão interna de prevenção de acidentes (Cipa).
NR-6 – Equipamento de proteção individual.
NR-7 – Programa de controle médico de saúde ocupacional.
NR-8 – Edificações.
NR-9 – Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos,
químicos e biológicos.
NR-10 – Segurança em Instalações e serviços em eletricidade.
NR-11 – Transporte, movimentação, armazenagem e manuseio de materiais.
NR-12 – Segurança no trabalho em máquinas e equipamentos.
NR-13 – Caldeiras e vasos de pressão e tubulações e tanques metálicos de
armazenamento.
NR-14 – Fornos.
NR-15 – Atividades e operações insalubres.
NR-16 – Atividades e operações perigosas.
NR-17 – Ergonomia.
NR-18 – Segurança e saúde no trabalho na indústria da construção.
NR-19 – Explosivos.
44 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
NR-20 – Segurança e saúde no trabalho com inflamáveis e combustíveis.
NR-21 – Trabalhos a céu aberto.
NR-22 – Segurança e saúde ocupacional na mineração.
NR-23 – Proteção contra incêndios.
NR-24 – Condições sanitárias e de conforto nos locais de trabalho.
NR-25 – Resíduos industriais.
NR-26 – Sinalização de segurança.
NR-27 – Registro profissional do técnico de segurança do trabalho no
Ministério do Trabalho.
NR-28 – Fiscalização e penalidades.
NR-29 – Norma regulamentadora de segurança e saúde no trabalho portuário.
NR-30 – Segurança e saúde no trabalho aquaviário.
NR-31 – Segurança e saúde no trabalho na agricultura, pecuária silvicultura,
exploração florestal e aquicultura.
NR-32 – Segurança e saúde no trabalho em estabelecimentos de saúde.
NR-33 – Segurança e saúde no trabalho em espaços confinados.
Unidade 1
NR-34 – Condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção e
reparação naval.
NR-35 – Trabalho em altura.
NR-36 – Norma regulamentadora sobre abate e processamento de carnes e
derivados.
NR-37 – Segurança e saúde em plataformas de petróleo.
NR-38 – Segurança e saúde no trabalho nas atividades de limpeza urbana e
manejo de resíduos sólidos.
Fonte: Elaborado pela autora (2020).
NR-1: DISPOSIÇÕES GERAIS: estabelece as competências
relativas às normas regulamentadoras no âmbito privado, público
e órgãos públicos de administração direta e indireta, que tenham
relações regidas pela CLT. Define os principais termos usados nas
normas e estabelece as obrigações gerais do empregador e do
empregado.
NR-3: EMBARGO OU INTERDIÇÃO: estabelece as
condições em que cada órgão competente, à vista de laudo técnico
do serviço, pode interditar um estabelecimento, setor de serviço,
máquina ou equipamento; ou embargo de uma obra em função
da existência de risco grave e iminente para o trabalhador.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 45
NR-4: SERVIÇOS ESPECIALIZADOS EM ENGENHARIA DE
SEGURANÇA E EM MEDICINA DO TRABALHO (SESMT): trata
das organizações que devem manter SESMT, e estabelece que o
dimensionamento desse serviço se vincula à gradação do risco da
atividade principal do negócio e ao número total de empregados
do estabelecimento.
NR-5: COMISSÃO INTERNA DE PREVENÇÃO DE ACIDEN-
TES (CIPA): estabelece a obrigatoriedade da constituição da Cipa
nas empresas, seu objetivo, forma de constituição, obrigações,
atribuições, deveres e direitos de seus integrantes, bem como as
obrigações dos empregados e do empregador relativas a seu fun-
cionamento.
NR-6: EQUIPAMENTO DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL (EPI):
Unidade 1
estabelece as obrigações do empregador quanto ao fornecimento
gratuito dos EPIs, capacitação para o seu uso correto, bem como
a responsabilidade de tornar obrigatório seu uso. Estabelecendo a
obrigatoriedade de uso pelos empregados do EPI fornecido, bem
como as obrigações técnicas a serem observadas pelo fabricante e
importador do EPI.
Imagem 1.14 – Capacete, luvas de couro e óculos de segurança são símbolos da segurança e
saúde ocupacionais em um ambiente de construção
Fonte : Wikimedia Commons.
46 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
NR-7: PROGRAMA DE CONTROLE MÉDICO DE SAÚDE
OCUPACIONAL (PCMSO): estabelece a obrigatoriedade por
parte dos empregadores em elaborar e implementar controle do
PCMSO, deliberando a realização obrigatória de exames médicos
nos empregados, sua frequência, bem como a necessidade de
realização de exames complementares.
NR-8: EDIFICAÇÕES: estabelece os requisitos técnicos
mínimos a serem observados nas edificações, de forma a garantir
o conforto aos que nelas trabalham.
NR-9: AVALIAÇÃO E CONTROLE DAS EXPOSIÇÕES
OCUPACIONAIS A AGENTES FÍSICOS, QUÍMICOS E BIOLÓGICOS:
estabelece os requisitos para que sejam avaliadas as exposições
ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos quando forem
Unidade 1
identificados no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
NR-10: SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM
ELETRICIDADE: estabelece as condições mínimas necessárias de
qualificação dos profissionais que atuam em redes elétricas, bem
como fixa as condições mínimas exigíveis à segurança daqueles
que operam em instalações elétricas (projeto, execução, operação,
manutenção, reforma e ampliação), e de usuários e terceiros.
Imagem 1.15 – Sinalização alertando para o risco de choque elétrico
Fonte : Wikimedia Commons.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 47
NR-11: TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENA-
MENTO E MANUSEIO DE MATERIAIS: estabelece as normas de
segurança para as atividades de transporte e armazenamento de
materiais, definindo as normas de segurança para operação de
elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas
transportadoras.
NR-12: SEGURANÇA NO TRABALHO EM MÁQUINAS E
EQUIPAMENTOS: estabelece as condições a serem observadas
em instalações e áreas de trabalho, definindo os requisitos
de segurança para máquinas e equipamentos, estendendo
sua observância quanto à manutenção e operação, critério de
fabricação, importação, venda e locação.
NR-17: ERGONOMIA: estabelece os parâmetros que
Unidade 1
permitem a adaptação das condições de trabalho às características
psicofisiológicas dos trabalhadores, incluindo levantamento,
transporte e descarga individual de materiais; mobiliário dos
postos de trabalho; equipamentos dos postos de trabalho;
condições ambientais de trabalho; e organização do trabalho.
48 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
Imagem 1.16 – Ergonomia: a ciência de projetar o trabalho, os equipamentos e o local de
trabalho para adequá-los ao trabalhador
Tela no nível
dos olhos
Suporte na frente
do teclado
Suporte para a
lombar
Unidade 1
Coxas paralelas
ao chão
Apoio para os
pés
Fonte : Wikimedia Commons.
NR-18: SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO NA
INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO: estabelece as diretrizes de ordem
administrativa, planejamento e implementação de medidas de
controle e sistemas preventivos de segurança nos processos,
nas condições e no meio ambiente de trabalho na indústria de
construção.
NR-21: TRABALHO A CÉU ABERTO: estabelece as medidas
de proteção para trabalhos realizados a céu aberto, incluindo
as condições de proteção do trabalhador. Define normas de
segurança do trabalho no serviço de exploração de pedreiras.
SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18 49
NR-23: PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIOS: define os
requisitos que as organizações devem ter para proteção contra
incêndios, bem como as atitudes a serem tomadas no seu combate.
Normatiza o uso de extintores de incêndio e estabelece critérios
relativos aos extintores portáteis. Além disso, indica os extintores
específicos às diversas classes de fogo, sua inspeção, quantidade
e distribuição (localização e sinalização) no ambiente de trabalho.
Compreendido que a construção civil é um segmento que
apresenta elevados índices de acidentes, e que tem uma série de
especificidades que a difere dos demais segmentos da economia,
é de fundamental importância estudar aspectos específicos
relativos à segurança.
Caro estudante, chegamos ao final de mais um
Unidade 1
capítulo. Como está sendo o seu aprendizado
até aqui? Neste capítulo, abordamos o estudo do
RESUMINDO acidente de trabalho conforme a Lei n.° 8.213/1991,
bem como o contextualizamos no ambiente
da construção civil. Outro tema abordado foi a
relação das normas regulamentadoras relativas à
segurança e à medicina do trabalho. Desejo a você
um bom estudo deste material. Não se limite à
leitura aqui tratada, existe uma infinidade de obras
a serem exploradas por você.
50 SEGURANÇA DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL – NR-18
ARAÚJO, G. M. Legislação de segurança e saúde ocupacional. 2.
ed. Rio de Janeiro: GVC, 2008.
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segurança e medicina do trabalho e dá outras providências. Diário
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BRASIL. Lei n.° 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os
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BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n.° 1.186, de 21 de
dezembro de 2018. Aprova a Norma Regulamentadora n.° 37
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Petróleo” e criar a Comissão Nacional Tripartite Temática - CNTT
da NR-37 com o objetivo de acompanhar a implantação da Norma
Regulamentadora - NR. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 2018.
BRASIL. Ministério do Trabalho. Portaria n.° 3.214, de 8 de junho
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