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Exoplaneta HIP 67522 b em autodestruição

Cientistas monitoram o exoplaneta HIP 67522 b, que orbita perigosamente perto de sua estrela, HIP 67522, desencadeando erupções estelares que podem levar à perda de sua atmosfera. Este fenômeno, causado pela interação do planeta com o campo magnético da estrela, é inédito e pode transformar HIP 67522 b em um sub-Neptuno ao longo de milhões de anos. As observações foram realizadas com os telescópios TESS e CHEOPS.
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Exoplaneta HIP 67522 b em autodestruição

Cientistas monitoram o exoplaneta HIP 67522 b, que orbita perigosamente perto de sua estrela, HIP 67522, desencadeando erupções estelares que podem levar à perda de sua atmosfera. Este fenômeno, causado pela interação do planeta com o campo magnético da estrela, é inédito e pode transformar HIP 67522 b em um sub-Neptuno ao longo de milhões de anos. As observações foram realizadas com os telescópios TESS e CHEOPS.
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ESPAÇO

Há um planeta “azarado” que se está a autodestruir


com a ajuda da sua estrela
Este exoplaneta, como são designados os planetas fora do nosso sistema solar, orbita a sua estrela de forma tão próxima que parece
desencadear erupções na superfície estelar.

Ilustração do planeta HIP 67522 b a ser atacado pela radiação emitida pelas erupções da sua estrela hospedeira JANINE FOHLMEISTER/INSTITUTO LEIBNIZ DE
ASTROFÍSICA DE POTSDAM
Os cientistas têm vindo a monitorizar um grande planeta gasoso que orbita extremamente perto de uma estrela jovem e que está a ser atingido por
"chamas" lançadas pela mesma, uma situação nunca antes observada.

Este exoplaneta, como são designados os planetas fora do nosso sistema solar, orbita a sua estrela de forma tão próxima que parece desencadear
erupções na superfície estelar – maiores do que as observadas no Sol – que atingem vários milhões de quilómetros no espaço e que, com o tempo,
poderão levar à perda de grande parte da atmosfera deste mundo azarado que se tem vindo a autodestruir.

O fenómeno parece ser causado pela interação do planeta com o campo magnético da estrela, segundo os investigadores. E esta estrela pertence a um
tipo conhecido por ter erupções, especialmente quando jovem.

"Uma estrela jovem deste tipo é uma fera furiosa, especialmente se se estiver tão perto [dela] como este planeta está", explica a astrofísica do
Instituto Holandês de Radioastronomia Ekaterina Ilin, autora principal do estudo publicado na revista Nature.

A estrela, chamada HIP 67522, é ligeiramente mais maciça do que o Sol e está localizada a cerca de 407 anos-luz da Terra, na constelação de
Centauro.

Esta estrela e este planeta, bem como um segundo planeta gasoso mais pequeno também detetado neste sistema planetário, são praticamente recém-
nascidos. Enquanto o Sol e os planetas do nosso sistema solar têm cerca de 4,5 mil milhões de anos, esta estrela tem cerca de 17 milhões de anos,
sendo os seus planetas ligeiramente mais novos.

O planeta, chamado HIP 67522 b, tem um diâmetro quase do tamanho de Júpiter, o maior planeta do nosso sistema solar, mas apenas 5% da massa de
Júpiter. Orbita cinco vezes mais perto da sua estrela do que o planeta mais interior do nosso sistema solar, Mercúrio, precisando apenas de sete dias
para completar uma órbita.

Uma "chama", neste caso, corresponde a uma erupção intensa de radiação electromagnética que emana da parte mais externa da atmosfera de uma
estrela, chamada coroa. Então, como é que o HIP 67522 b provoca enormes erupções na estrela? À medida que a orbita, aparentemente interage com
o campo magnético da estrela – quer através do seu próprio campo magnético, quer talvez através da presença de material condutor, como o ferro, na
composição do planeta.
Segundo Ilin, os investigadores ainda não sabem "ao certo qual é o mecanismo", mas acreditam que, à medida que o planeta se move através do
campo magnético da sua estrela hospedeira, "como um barco num lago", cria ondas que, por sua vez, quando atingem a coroa estelar desencadeiam
explosões, libertando radiação.

"As chamas que estas ondas desencadeiam quando chocam com a estrela são um fenómeno novo. Isto é importante porque nunca tinha sido
observado antes, especialmente com a intensidade detetada", frisa Ekaterina Ilin.

Os investigadores acreditam que se trata de um tipo específico de onda chamada onda Alfvén – cujo nome é uma homenagem ao físico sueco do
século XX e vencedor do Prémio Nobel Hannes Alfvén –, que se propaga devido à interação de campos magnéticos.

As chamas podem aquecer e inflamar a atmosfera do planeta, que é dominada por hidrogénio e hélio. Ao longo de centenas de milhões de anos, o
facto de ser fustigado por estas erupções poderá fazer desaparecer elementos mais leves da atmosfera e reduzir a massa do planeta.

"Nessa altura, terá perdido a maioria, se não todos os elementos leves, e tornar-se-á o que se chama um sub-Neptuno – um planeta gasoso mais
pequeno do que Neptuno", conclui Ilin. Ou seja, a radiação poderá destruir a atmosfera deste planeta (de si já pouco denso), ameaçando reduzir o
tamanho daquele que é atualmente um mundo do tamanho de Júpiter para um do tamanho de Neptuno.

Os investigadores utilizaram observações efetuadas por dois telescópios espaciais: o TESS da agência espacial norte-americana NASA e o CHEOPS
da Agência Espacial Europeia.

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