Mariane Lacerda 6º período Medicina | Univasf
SISTEMA MOTOR | MOTRICIDADE
MARCHA
A marcha é um processo motor complexo que resulta da integração entre centros de
comando (cérebro) e execução (músculos), modulados por geradores de padrão (cerebelo e
núcleos da base).
O ciclo de marcha vai do momento em que o calcanhar toca o solo até que o mesmo
calcanhar toque o solo novamente.
Características básicas
1. Ao caminhar pelo menos um pé está em contato com o chão o tempo todo;
2. Existem dois períodos de duplo apoio por ciclo.
3. Quando deixam de ocorrer esses períodos de duplo apoio a marcha passa a ser
corrida.
Centro de massa
O centro de massa corporal está logo à frente do corpo vertebral S2; uma marcha eficiente
minimiza o deslocamento desse centro por meio de rotações/inclinações pélvicas e
movimentos articulares coordenados.
Impacto das alterações
Distúrbios da marcha aumentam risco de queda e lesões, exigem manobras
compensatórias e elevam o gasto energético. Podem resultar de problemas em qualquer
nível dos sistemas nervoso ou muscular — desde falhas efetoras até déficits sensitivos ou
de modulação.
Avaliação clínica
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A marcha é muitas vezes a primeira impressão do examinador (observada quando o paciente
entra no consultório). Deve-se checar:
• Deformidades ortopédicas limitantes: genu varo, genu valgo, genu recurvatum,
cifoescoliose, inclinação pélvica – anteversão e retroversão
• Solicitar que o paciente caminhe:
o Em ritmo natural
o Mais rápido
o Marcha tandem (um pé na frente do outro).
o Na ponta dos pés
o Nos calcanhares
Observar:
• Maléolos medialmente separados por menos de 5 cm são normais;
separação maior que 5 cm sugere problemas de equilíbrio.
• Assimetria no levantamento dos artelhos indica pé caído;
• Balanço excessivo do quadril sugere fraqueza proximal (ex.: miopatias);
• Encurtamento do passo pode apontar doença bifrontal ou parkinsonismo
(associado a redução do balanço dos braços).
A observação durante a marcha permite detectar movimentos anormais pouco visíveis em
repouso — coreias, atetose, distonias, torcicolo espasmódico — frequentemente aparecem ao
caminhar, por isso a observação minuciosa é fundamental.
Em suma: a marcha reflete a integridade e a coordenação de múltiplos sistemas; sua
avaliação cuidadosa fornece pistas diagnósticas valiosas e orienta intervenções para
reduzir risco e melhorar eficiência.
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Teste de Fukuda
O teste de Fukuda (ou marcha de Fukuda) é um exame clínico simples usado para detectar
desvios rotacionais durante a marcha com os olhos fechados — um sinal compatível com
disfunção vestibular unilateral (ou, menos frequentemente, com problema
cerebelar/neurológico). É um teste de triagem: sugere lateralização, não dá diagnóstico
definitivo.
Materiais e preparação:
• Espaço plano e seguro (chão firme, sem obstáculos).
• Piso com marcação no ponto inicial (opcional).
• Cronômetro se quiser contar passos; fita métrica para medir deslocamento.
Contraindicações/precauções: não realizar se o paciente estiver muito instável, com risco de
queda elevado, náuseas intensas ou incapacidade para ficar de pé sem apoio. Mantenha-
se próximo para segurar.
1. Peça ao paciente que fique em pé, com braços estendidos à frente (ou ao lado,
conforme preferência), pés paralelos e alinhados no ponto de partida.
2. Instrua claramente: “Feche os olhos e marche no lugar — passos normais e firmes
— dando 50 passos (ou por 30–60 segundos)”. Outra variação é pedir 50 passos
avançando no mesmo local.
3. O examinador fica a pouca distância, preparado para apoiar caso o paciente perca
o equilíbrio; não guie o paciente.
4. Observe e registre: rotação angular do tronco/cabeça, deslocamento linear do local
de início, direção e distância do desvio. Pode marcar o novo local do pé/linha de
deslocamento.
5. Ao terminar, peça ao paciente abrir os olhos e compare a orientação final com a
inicial.
Dizemos que Fukuda é positivo se:
• Giro > 45° em torno do ponto inicial
OU
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• Deslocamento linear > 1 metro em relação ao ponto de partida
são critérios clássicos de teste de Fukuda positivo.
Registre também para que lado o paciente girou — o lado da rotação costuma corresponder
ao lado da lesão vestibular periférica (ou seja, girou para a direita → suspeita de lesão no
lado direito).
Interpretação:
• Positivo (giro ipsilateral / deslocamento) → sugere hipofunção vestibular do lado
para o qual o paciente girou (lesão periférica mais provável).
• Negativo (sem giro significativo) → teste não sugere descompensação vestibular
unilateral, mas não exclui doença vestibular (falso-negativo possível).
Observações adicionais: se houver grande oscilação irregular sem padrão rotacional claro,
pense em ataxia cerebelar ou causas neuromusculares.
• É teste de triagem — sensibilidade e especificidade são moderadas; resultados
devem ser correlacionados com história, sintomas (vertigem, zumbido), exame
otoneurológico e, se necessário, exames instrumentais (vHIT, videonistagmografia,
ressonância).
• Lesões cerebelares ou problemas motores podem mimetizar o teste.
MARCHAS PATOLÓGICAS
1. Marcha ebriosa (ataxia cerebelar) – lesões cerebelares
O que é / por quê acontece: Devido à disfunção do cerebelo (vérmis ou hemisférios), há perda
da coordenação, do alcance, tempo e força dos movimentos — a chamada dismetria. O
resultado é um caminhar que parece “de bêbado”: passos irregulares, imprevisíveis e
oscilantes.
Características clínicas
• Passos de comprimento variável, base alargada; paciente pode oscilar para qualquer
direção (lado a lado, frente/trás).
• Incapacidade de andar em linha reta (marcha tandem impossível — os pés saem da
linha).
• Uso dos braços como “balancins” (braços afastados do corpo).
• Ataxia presente com olhos abertos e fechados; pode piorar ligeiramente com olhos
fechados, mas não tanto quanto na ataxia sensorial.
Exemplos de causas: Degeneração cerebelar alcoólica, intoxicações, tumor cerebelar, AVC
cerebelar, ataxias hereditárias.
Teste prático
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• Peça para andar em linha (marcha tandem): sai da linha; pode haver desvio para o
lado da lesão se hemisfério estiver envolvido.
• Observação de movimentos de alcance ao tocar nariz (ataxia de intenção) costuma
estar presente.
2. Marcha vestibular / em estrela
O que é / por quê acontece: Resulta de perda (frequentemente unilateral) da função
vestibular periférica ou nuclear, levando a um erro na percepção direcional e tendência a
“desviar” ao caminhar.
Características clínicas
• Desvio ao tentar andar em linha; frequentemente desvia-se para o lado da lesão.
o Há um desvio da marcha para um dos lados (lateropulsão) como se alguém
estivesse empurrando o paciente ao andar.
• Marcha em estrela (prova de Babinski–Weil): ao andar com olhos fechados 5 passos
à frente e 5 atrás o traçado forma uma estrela (desvio ipsilateral quando vai à
frente, contralateral ao voltar).
• No teste de Fukuda (50 passos com olhos fechados e braços estendidos) há rotação
para o lado lesionado (>45° e >1 m considerado positivo).
• Ao andar em círculo ao redor de um objeto, tende a cair em direção ao lado da lesão
(ou desenhar espiral, dependendo do lado).
Exemplos de causas
• Neurite vestibular, labirintite, doença de Menière, neurinoma do acústico,
traumatismo.
Como diferenciar de ataxia cerebelar
• Ambos podem falhar na marcha tandem, mas:
o Na vestibular há geralmente náusea, vertigem rotatória e sinais de desvio
ipsilateral bem marcados;
o Na cerebelar a ataxia é mais global (membros superiores e inferiores) e a
marcha continua descoordenada mesmo sem tontura intensa.
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3. Marcha talonante (tabética / por déficit proprioceptivo)
O que é / por quê acontece: Perda da propriocepção (fibras sensoriais grossas, funículos
posteriores), o paciente não “sente” a posição do pé e depende da visão para orientar o passo.
Características clínicas
• Passos altos (steppage) — “jogar” o pé para frente e bater o calcanhar com força no
solo (foot slap/sonoro).
• Base alargada; piora acentuada no escuro ou com olhos fechados (Romberg
positivo).
• Olhar fixo no chão enquanto caminha para compensar com visão.
Exemplos de causas
• Neuropatia periférica severa (diabética, tóxica), lesão dos cordões posteriores
(tabes dorsalis — sífilis), deficiências de B12, espondilose cervical com
comprometimento sensorial.
4. Marcha anserina / marcha miopática
O que é / por que acontece: Causada por fraqueza dos músculos proximais do quadril (glúteo
médio, glúteo mínimo, iliopsoas), levando a compensações pélvicas e do tronco.
Características clínicas
• Oscilação exagerada do quadril (waddling), base às vezes alargada, rotação pélvica
acentuada.
• Ombros retraídos e hiperlordose em casos graves (semelhante à marcha de
gestante).
• Ao subir escadas o paciente apoia-se excessivamente nas mãos/corrimão.
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• Sinal de Trendelenburg: queda da pelve do lado oposto ao apoio quando o músculo
abdutor do quadril do lado de apoio está fraco.
Exemplos de causas
• Miopatias (Distrofia de Duchenne, miopatias inflamatórias como polimiosite),
miopatias congênitas, atrofia muscular proximal.
Teste prático
• Pedir que o paciente fique apoiado em uma perna — pelve cai para o lado
contralateral se o glúteo médio estiver fraco (Trendelenburg positivo).
Variante da marcha anserina: Gait “tip-toe” / apoio na ponta dos pés
O que é / por quê acontece: Apoio predominante na parte anterior do pé por encurtamento do tendão de
Aquiles ou retração do tríceps sural, ou por alterações neurológicas.
Características clínicas
• Apoio nos antepé (plantígrado anterior), às vezes marcha em pontas (tip-toe gait).
• Pode ocorrer em paralisia cerebral, contratura aquileana pós-trauma ou em algumas miopatias
com retração.
5. Marcha helicópode / hemiparética
O que é / por que acontece: Ocorre após hemiparesia do primeiro neurônio motor, tipicamente
por AVC (acidente vascular cerebral). A postura típica é a posição de Wernicke–Mann:
membro superior em flexão e pronação; membro inferior em extensão e inversão (aduzido,
pé em supinação).
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Como se manifesta na marcha
• O lado afetado descreve um arco: o indivíduo arrasta a borda anterior-lateral do pé,
em vez de levantar e avançar normalmente — daí o termo helicópode.
• O calçado costuma ficar gasto na região antero-lateral.
• O membro superior em flexão não contribui para o balanço, o que torna a marcha
assimétrica e pesada.
• Pode haver circundução do quadril (o paciente faz semicírculo com a perna para
contornar o pé que “arrasta”).
O que observar / testar
• Peça para caminhar naturalmente e observe desgaste do calçado.
• Avalie o movimento de elevação do pé (dorsiflexão) e a circundução do quadril.
6. Marcha em tesoura (paraparética / espástica)
O que é / por que acontece: característica de paraparesias espásticas (lesões da medula ou
paraparesias congênitas — ex.: síndrome de Little / paralisia cerebral espástica). A
espasticidade dos adutores das coxas faz com que as pernas se aproximem excessivamente.
Como se manifesta na marcha
• Passos muito aproximados / base estreita, com tendência a cruzar os joelhos a cada
passo — como se as pernas “raspassem” uma na outra (semelhança a tesouras).
• Os pés muitas vezes arrastam no solo (passos curtos) e o caminhar parece “colado”
ao chão.
• Em crianças, frequente equinismo (ponta de pé) por encurtamento do tendão de
Aquiles (marcha digitígrada).
O que observar / testar
• Solicitar caminhada em linha e observar cruzamento dos joelhos.
• Procurar sinais de espasticidade (tono aumentado, reflexos exacerbados).
• Verificar encurtamento de músculos posteriores da perna (aquiles).
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7. Marcha escarvante (neuropática / pé caído)
O que é / por que acontece: Devido à fraqueza dos dorsiflexores (músculos que levantam o pé)
— causas comuns: radiculopatia L5, lesão do nervo fibular (comum peroneal),
polineuropatia.
Como se manifesta na marcha
• O paciente levanta exageradamente a coxa (alto “steppage”) para evitar que o pé ou
os artelhos arrastem; depois “arremessa” o pé para frente.
• Ao apoiar, pode ouvir-se um som característico (às vezes batida dos artelhos
seguida do calcanhar).
• Incapacidade de andar apoiado sobre os calcanhares (teste de marcha nos
calcanhares é positivo).
O que observar / testar
• Teste específico: pedir para andar sobre os calcanhares — se não conseguir, sugere
dorsiflexores fracos.
8. Marchas paréticas (por lesões específicas)
Lesão do nervo tibial / radiculopatia S1
• Acomete gastrocnêmio e sóleo → déficit de flexão plantar → paciente não consegue
andar na ponta dos pés. Teste: pedir para andar na ponta dos pés — se incapaz,
suspeitar S1/tibial.
Lesão do nervo femoral
• Fraqueza do quadríceps → déficit na extensão do joelho → o indivíduo pode
caminhar apoiando-se de modo a “impedir” o joelho de dobrar excessivamente (às
vezes usa hiperextensão do joelho ou apoio sobre o próprio joelho). Observa-se
instabilidade ao subir escadas e dificuldade em se levantar de cadeiras baixas.
Outras paréticas
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• Lesão focais (ex.: CMT — Charcot–Marie–Tooth) podem causar combinação de
foot-drop e alteração sensitiva; investigar padrão e evolução.
9. Marcha parkinsoniana
O que é / por que acontece: A marcha parkinsoniana resulta da rigidez e bradicinesia
características das síndromes parkinsonianas (p. ex. doença de Parkinson). Há diminuição
da amplitude e da velocidade dos movimentos voluntários, alterações posturais e reflexos
posturais prejudicados — tudo isso torna andar difícil, inseguro e estereotipado.
Principais sinais clínicos
• Postura encurvada: cabeça e tronco inclinados para frente; joelhos levemente
fletidos.
• Redução da oscilação dos braços (braços “colados” ao corpo).
• Passos curtos (petit-pas) e pés que “arrastam” no solo.
• Viradas “em bloco”: o paciente não gira cabeça/tronco separadamente, vira todo o
corpo de uma vez.
• Dificuldade para iniciar a marcha (start hesitation) — às vezes “patina” sem sair do
lugar.
• Festination: aceleração involuntária com passos cada vez mais curtos, tendência a
inclinar-se para frente.
• Freezing: paradas súbitas e breves em que o paciente “congela” e não consegue dar
o próximo passo.
• Olhar hipomímico (olhar “vazio”), hipomimia facial, retração palpebral leve.
Testes práticos
• Peça que ande normalmente, depois que vire 180° e observe se vira em bloco.
• Teste de início: peça para começar a andar — observe hesitação/patinação.
• Pull test (retropulsão): avalie reflexos posturais — aplique um puxão breve no tronco
para ver se há resposta.
• Peça que caminhe em linha reta e em marcha tandem (marcha em linha) — muitos
têm dificuldade.
• Observe presença de freezing ao pedir que atravesse uma porta ou faça curva.
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10. Marcha Dispráxica (apraxia de marcha / marcha magnética)
O que é / por que acontece: Perda da sequência automática de movimentos que compõem a
marcha, sem fraqueza motora, ataxia sensorial ou paralisia evidente. Costuma relacionar-se a
lesões frontais ou a hidrocefalia de pressão normal (síndrome de Hakim–Adams), que
comprometem os circuitos fronto-subcorticais responsáveis pela “programação” do andar.
Como se manifesta na marcha
O paciente aparenta que os pés estão “colados” ao chão; há grande dificuldade de iniciar a
marcha e os passos ficam minúsculos ou praticamente ausentes. A base costuma ser estreita
e há tendência súbita a cair. Pode existir resistência variável ao movimento passivo (paratonia
/ Gegenhalten).
O que observar / testar
• Início da marcha (start hesitation) — marcada dificuldade.
• Presença de paratonia: resistência variável ao mover passivamente braços/coxas.
• Associação com sinais frontais: lentidão mental, perda de iniciativa, incontinência
urinária (pensar em NPH).
• Ausência de déficits sensoriais ou de fraqueza que expliquem o quadro.
11. Marcha claudicante
Lesões do aparelho locomotor e insuficiência arterial periférica.
O paciente caminha mancando para um dos lados.
O desconforto piora conforme o paciente caminha, mas melhora com o repouso.
Pode ser:
Intermitente: Dolorosa e relacionada a problemas vasculares.
Limitante – Dor impede a realização de exercícios, como caminhar.
Não limitante – Dor não impede a realização de exercícios.
Neurogênica: Compressão dos nervos.
Encurtamento do membro: Um MI maior do que o outro ou diferença de formação
óssea gerando o movimento de “mancar” ao caminhar.
12. Marcha Cautelosa (senil)
O que é / por que acontece: Padrão comum em idosos sem doença neurológica específica,
decorrente de medo de cair, diminuição da confiança funcional ou déficits sensoriais
moderados (visão, propriocepção) e condições médicas que aumentam insegurança.
Como se manifesta na marcha: Passos curtos, velocidade reduzida, base alargada e postura
cuidadosa, como quem anda sobre superfície escorregadia. Não há padrão neurológico focal
claro.
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13. Astasia–Abasia Talâmica
O que é / por que acontece: Incapacidade desproporcional de ficar em pé (astasia) ou de andar
(abasia) devido a lesão talâmica unilateral. A fraqueza ou perda sensorial presentes não
explicam totalmente a incapacidade funcional — reflexos posturais orientados pelo tálamo
estão afetados.
Como se manifesta na marcha: Dificuldade marcante em manter-se ereto; ao caminhar há
tendência a cair para trás ou para o lado contralateral à lesão. Pode haver instabilidade súbita
e incapacidade de sustentar o equilíbrio.
O que observar / testar
• Força muscular frequentemente preservada; a incapacidade é desproporcional.
• Tendência a cair para um lado específico (contralateral à lesão).
• Sintomas acompanhando quadro talâmico (alterações sensoriais, dor, distúrbios
do sono/consciência).
14. Marcha Hipercinética
O que é / por que acontece
Marcha influenciada por hipercinesias (movimentos involuntários excessivos) — coreias,
atetose, distonias — que frequentemente se acentuam durante a ação de caminhar. Essas
alterações são típicas de doenças como Huntington, coreia de Sydenham e diversas formas
de distonia.
Como se manifesta na marcha
A marcha torna-se “dançante” ou grotesca: movimentos imprevisíveis, amplos ou contínuos
que envolvem tronco e membros, às vezes sem pausas; na distonia, posturas anormais
(torcicolo, inversão do pé, extensão isolada do hálux) podem aparecer a cada passo.
15. Marcha antálgica
Relacionada ao movimento de evitar a dor de um membro lesado.
O paciente reluta em colocar peso no membro afetado.
Há um encurtamento da fase de apoio no hemicorpo lesionado.
Geralmente há rigidez do lado afetado.
16. Marcha funcional / conversiva (não orgânica)
O que é: alteração da marcha sem uma explicação neurológica estrutural suficiente;
frequentemente inconsistente e variável.
Sinais-chave: grande variabilidade entre observações, melhora com distração, movimentos
não fisiológicos (ex.: astasia-abasia dramática), inconsistência nos testes.
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Exemplo: pessoa que não consegue ficar em pé no consultório, mas se levantando e
caminhando normalmente quando não percebe ser observada.
Abordagem: abordagem empática, excluir causas orgânicas, encaminhar para reabilitação
funcional e, quando indicado, terapia psicológica.
Observações do Escape Room:
Marcha por insuficiência do glúteo médio: Instabilidade lateral pela fraqueza abductora.
(Campbell). Fraqueza do glúteo médio direito (teste de Trendelenburg positivo). Marcha
com inclinação lateral ao lado contralateral.
Marcha da perna curta: Compensação por encurtamento real ou aparente do membro.
Desigualdade dos membros inferiores. Observa-se marcha claudicante, membro esquerdo
encurtado.
Retroversão do colo femoral: apresenta marcha com rotação externa exagerada dos pés
(“andar como Chaplin”). Anteversão → rotação interna.
Anteversão do colo femoral: apresenta marcha com rotação interna dos pés.
Marcha em tesoura – Espasticidade bilateral → padrão em tesoura. Marcha rígida, em adução,
semelhante a “tesoura”. Por trauma de medula torácica incompleta. Via piramidal (trato
corticoespinal).
Marcha escarvante: Nervo fibular comum (dorsiflexores).
Ataxia mista (cerebelar + sensorial): Marcha com base alargada + Romberg positivo.
Combinação frequente em doenças neurodegenerativas.
Doença de Charcot-Marie-Tooth (neuropatia hereditária): pé cavo bilateral, fraqueza distal,
atrofia muscular em “perna em garrafa de champanhe”. Pé cavo + marcha escarvante
bilateral.
Degeneração das colunas posteriores → ataxia sensorial. Tabes dorsalis (neurossífilis). Marcha
atáxica, perda vibratória, pupilas de Argyll Robertson.