O FISIOTERAPEUTA NA ATENÇÃO BÁSICA À
SAÚDE: A IMPORTÂNCIA DESSE PROFISIONAL NAS
UBS
Acadêmico1
Acadêmica2
Acadêmico3
Acadêmica4
Acadêmico5
Resumo
A implementação do Sistema Único de Saúde (SUS) trouxe transformações significativas para
o setor de saúde no Brasil, promovendo ações fundamentadas no princípio da integralidade,
com ênfase na atenção primária. Essa mudança estimulou a reorientação das práticas
profissionais, destacando as ações dos fisioterapeutas. Este texto é uma revisão de literatura
descritiva e exploratória, realizada por meio da pesquisa de dados em fontes como, SCIELO e
Google Acadêmico, publicados ao longo dos últimos dez anos. A coleta de informações ocorreu
entre setembro e outubro de 2024, focando em material relevante para o tema em questão. Os
fisioterapeutas têm desempenhado um papel importante na atenção primária, utilizando suas
competências e habilidades adquiridas na formação profissional para oferecer cuidados
completos a crianças, adolescentes, mulheres, adultos e idosos, além de intervir na prevenção
através dos níveis de atenção primária, secundária e terciária. Assim, conclui-se que os
fisioterapeutas na atenção primária à saúde têm como objetivo promover a saúde, tanto
individual quanto coletiva, fortalecendo as capacidades físicas e motoras dos indivíduos.
Palavras-chave: Fisioterapeuta; Atenção Básica; Fisioterapia.
Abstract
The implementation of the Unified Health System (SUS) brought significant transformations
to the health sector in Brazil, promoting actions based on the principle of comprehensiveness,
with an emphasis on primary care. This change stimulated the reorientation of professional
practices, highlighting the actions of physiotherapists. This text is a descriptive and exploratory
literature review, carried out through data research in sources such as SCIELO and Google
Scholar, published over the last ten years. The collection of information took place between
September and October 2024, focusing on material relevant to the topic in question.
Physiotherapists have played an important role in primary care, using their skills and abilities
acquired in professional training to provide comprehensive care to children, adolescents,
women, adults and the elderly, in addition to intervening in prevention through the primary,
secondary and tertiary care levels. Thus, it is concluded that physiotherapists in primary health
care aim to promote health, both individual and collective, strengthening the physical and motor
capacities of individuals.
Keywords: Physiotherapist; Primary care; Physiotherapy.
1
Célio Sena Moura.
2
Joani de Souza Pinheiro.
3
Renan Pantoja Martins.
4
Joilma Almeida Alves.
5
Diego Daameche Estevam de Sousa.
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASELVI – Curso Fisioterapia (17558) – Seminário Interdisciplinar,
04/11/2024.
2
1. INTRODUÇÃO
O assunto da saúde pública no Brasil tem se mantido no decurso de sua trajetória
histórica, atingindo um marco significativo com o estabelecimento do Sistema Único de Saúde
(SUS) pela Carta Magna de 1988. Além dessa fase, houve progressos no que diz respeito aos
direitos sociais e na formalização do acesso da população à saúde, que se tornou uma
responsabilidade do Estado. Esse direito deve ser concebido não apenas como uma garantia de
sobrevivência individual e coletiva, mas também centrando-se no bem-estar pleno e integral
(MAIA et al, 2015, p. 1).
Entende-se que para alcançar tal meta, é fundamental incorporar o fisioterapeuta nos
programas de saúde pública voltados para a atenção primária. Os benefícios que este
profissional pode proporcionar à comunidade são incontáveis, como evidenciado pela literatura
atual. Este profissional é percebido como um especialista, apto a trabalhar em todos os níveis
de cuidados de saúde, não se restringindo apenas a ações de cura e reabilitação, mas também
engajando-se em programas de prevenção, promoção da saúde e proteção.
Posto isso, é importante enfatizar que o fisioterapeuta possui independência e
competência para realizar várias tarefas, tais como avaliar pacientes, definir diagnósticos
fisioterapêuticos, planejar e programar intervenções preventivas, além de educação em saúde,
administração de serviços de saúde e emissão de relatórios de nexo causal laboral.
O Projeto de Lei (PL) 6.206/2009, que estabelece a obrigatoriedade da inclusão de
fisioterapeutas nas equipes da Estratégia Saúde da Família (ESF), está atualmente em discussão
na Câmara dos Deputados. Estabelecida em 1994 como a entrada para o Sistema Único de
Saúde, realiza ações com o objetivo de alcançar a universalidade, promover a igualdade e
aprimorar a qualidade dos cuidados de saúde para a população em geral (MAIA et al, 2015, p.
1).
Com base nas afirmações acima mencionadas e com o propósito de destacar a crucial
relevância da inclusão do fisioterapeuta nos programas de saúde pública na atenção básica e
sua intervenção no processo de saúde/doença da população, este paper discutirá os benefícios
dessa inclusão, o enquadramento legal para tal, além do papel do fisioterapeuta na Estratégia
Saúde da Família (ESF). O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre as possibilidades e
potencialidades do papel do fisioterapeuta na Atenção Básica, confirmando e evidenciando as
diversas vantagens para a sociedade brasileira como um todo.
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
3
2.1 Alguns marcos importantes na história do surgimento do Sistema Único de Saúde à
Atenção Básica
Segundo Primon (2004 et al, p. 1), na medida em que está vinculada a uma economia
capitalista, a Medicina Moderna é uma medicina individualista, que só conhece a relação do
mercado médico com o paciente, desconsiderando a dimensão global e coletiva da sociedade.
Em "O nascimento da Medicina Social", Foucault busca demonstrar o oposto: "que a medicina
contemporânea é uma medicina social, fundamentada numa certa tecnologia do corpo social
que, em apenas um aspecto, é individualista e valoriza as relações entre médico e paciente"
(FOUCAULT, 2000, 79). De acordo com esse escritor, a transição de uma medicina privada
para uma medicina pública ocorreu com o advento do capitalismo.
Para Foucault, a constituição da Medicina dita social é composta de três etapas, como
se vê a seguir.
A medicina de Estado, que se desenvolveu na Alemanha no começo do século XIII,
onde prática médica era centrada na melhoria do nível de saúde da população. Um
programa efetivo denominado de polícia médica consistia em observar a morbidade,
os fenômenos epidêmicos e endêmicos; a medicina urbana, que se desenvolveu na
França na segunda metade do século XVIII. Consistia em analisar e organizar os
lugares de acúmulos e amontoamento de tudo que, no espaço urbano, pode provocar
doença, lugares de formação e difusão dos fenômenos epidêmicos ou endêmicos e
controlar e estabelecer uma boa circulação da água e do ar; a medicina dos pobres, da
força de trabalho, do operário, desenvolvida na Inglaterra, baseada na Lei dos Pobres:
o pobre fazia parte da paisagem urbana como os esgotos e a canalização, até o segundo
terço do século XIX, contudo, com a epidemia de cólera de 1832, cristalizou-se em
torno da população proletária ou plebéia uma série de medos políticos e sanitários. A
Lei dos Pobres comportava um serviço médico destinado ao pobre, tendo como
característica atingir igualmente toda a população, as medidas preventivas a serem
tomadas, as coisas, os locais e o espaço social (FOUCAULT, 2000, p. 96).
Ainda de acordo com Foucault (2000, p. 97), a fórmula da medicina social inglesa foi a
mais bem-sucedida, pois conseguiu unir três aspectos: assistência médica ao pobre,
monitoramento da saúde do trabalhador e análise abrangente da saúde pública. Além disso,
possibilitou a criação de três sistemas médicos sobrepostos e coexistentes: uma medicina
assistencial voltada para os mais desfavorecidos, uma medicina administrativa responsável por
questões gerais como vacinação, epidemias, entre outros, e uma medicina privada voltada para
aqueles com recursos financeiros para pagá-la. No momento, os sistemas de saúde ao redor do
mundo tentam integrar esses três segmentos, ainda que sejam de formas distintas.
Na passagem da ditadura militar para o início da democracia no Brasil, na década de
1980, teve início o movimento da Reforma Sanitária Brasileira, em defesa da democratização
da saúde (PAIM, 2013). O impacto desse movimento resultou na promulgação da Constituição
Federal de 1988 (BRASIL, 1988), estabelecendo a saúde como um direito de todos os
brasileiros. O SUS foi estabelecido através da regulamentação da Lei nº. 8080 de 1990
4
(BRASIL, 1990a), complementada pela Lei nº. 8142 de 1990 (BRASIL, 1990b), que
especificou os princípios e diretrizes estabelecidos na Constituição e detalhou a estrutura e
operação do sistema (BIM, 2019, p. 25 apud CONCÓRDIA; PASCHE, 2015).
Ainda segundo Bim, a Constituição Federal de 1988 introduziu uma visão de seguridade
social como manifestação dos direitos sociais intrínsecos à cidadania, unindo saúde,
previdência e assistência, estabelecendo novos vínculos entre os diversos níveis
governamentais e novas obrigações para os administradores. Ao incorporar propostas do
movimento da Reforma Sanitária Brasileira, o Estado reconheceu o direito à saúde e a
responsabilidade do Estado, assegurando um conjunto de políticas econômicas e sociais,
incluindo a instituição do SUS, de caráter universal, gratuito e público, integrado e
participativo. A Constituição estabeleceu o fundamento para a saúde pública no Brasil, e nos
artigos 196 a 200 (BRASIL, 1988), que compõem a Seção II da saúde, está contida a fundação
de todas as leis e regulamentos que definem o alicerce da saúde pública no país (Ibidem).
De acordo com Primon (2004, p. 4), a Lei Orgânica da Saúde (Lei no 8080/90) foi
estabelecida em 1990, regulando o capítulo da saúde na Constituição Federal. Ela aborda a
promoção, proteção e recuperação da saúde, além da estruturação e operação do sistema de
saúde. Outra legislação que estabelece o SUS é a Lei no 8142/90, que estabelece o controle
social do sistema, garantido pelo caráter deliberativo dos conselhos e conferências, além de
tratar da transferência intergovernamental de fundos para a saúde. No começo da década de
1990, começa a implementação de um novo sistema de saúde, denominado Sistema Único de
Saúde (SUS). O SUS é definido como "um conjunto de ações e serviços de saúde oferecidos
por entidades e órgãos públicos, sejam eles federais, estaduais ou municipais" (ALMEIDA,
CHIORO, ZIONI, s/d, p. 34).
De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 1990), a fundação do SUS se baseou
nos princípios constitucionais e foi guiada pelos princípios de universalidade, equidade e
integralidade, universalidade, regionalização e hierarquização, resolubilidade,
descentralização, participação dos cidadãos e complementaridade do setor privado
Todavia, segundo Primon (2004, p. 5), esses princípios ainda não foram totalmente
implementados, mas aplausíveis progressos foram alcançados nos anos recentes. Uma das ações
notáveis é a implementação do Programa Saúde da Família - PSF. A estratégia de saúde da
família é desenvolvida para cumprir os requisitos deste modelo, visando valorizar o indivíduo
e sua família. Comparada ao plano de ações e metas do Ministério da Saúde, pode ser vista
como uma nova maneira de estruturar a atenção básica à saúde. Em junho de 1991, o Programa
de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) foi estabelecido e, em janeiro de 1994, as primeiras
equipes de Saúde da Família foram estabelecidas.
5
Nesse sentido, de acordo com Campos:
Os primeiros programas denominados de Programas de Agentes Comunitários de
Saúde e de Medicina de Família, projetos inicialmente isolados, se disseminaram e
resgataram, para a sociedade e para os sistemas locais de saúde, a figura do médico
da família e comunidade. Passou-se, então, a questionar a estratégia anteriormente
adotada, de organização das unidades básicas de saúde, baseada no trabalho de
assistência médica por especialidades básicas. A partir de 1995, o Ministério da Saúde
assumiu o compromisso de implantar o Programa de Saúde da Família em todo o
território nacional. Ocorreu, então, a aceleração do processo de constituição de
equipes, tornando-se um consenso a importância do médico de família para compor e
liderar as ações previstas na Atenção Básica à Saúde (CAMPOS, 2003 s/d).
2.2 A atenção primária da saúde
Reis et al (2019, p. 2), diz que a atenção primária à saúde (APS) representa o acesso
inicial ao Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse sentido, segundo os mesmos autores, com o
objetivo de aprimorar a assistência e assegurar o direito ao bem-estar a todos, em 1994, o
Ministério da Saúde estabeleceu o Programa Saúde da Família (PSF), que posteriormente, com
a sua ampliação e a proposta de restruturação, foi renomeado o que agora é conhecido como
Estratégia Saúde da Família (ESF).
Além de tais informações, com o propósito de reforçar a rede de cuidados básicos e
aprimorar a qualidade do atendimento, a Portaria GM no 154, de 24 de janeiro de 2008,
estabeleceu o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF), um programa que permite a
inclusão da fisioterapia na atenção básica. Seu principal propósito é auxiliar as equipes do ESF.
Recentemente, a nova Política Nacional de Atenção Básica à Saúde (PNAB) foi aprovada e,
embora não tenha havido alterações significativas na estrutura do NASF, houve alteração no
nome, que agora é conhecido como Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica
(NASF-AB) (Ibidem).
Conforme Abim ao citar Andrade et al (2015, s/d) e Starfield (2002, s/d), diz que a
Atenção Primária à Saúde (APS) é definida como o nível de um sistema de saúde que
proporciona a entrada para todas as novas necessidades e problemas, presta assistência à pessoa
(e não à enfermidade) ao longo do tempo, atende a todas as circunstâncias de saúde, exceto as
raras, e coordena ou integra a assistência prestada em outro lugar por terceiros. Ela é integrada
a outros níveis de cuidado e desenvolvida em conjunto com outros profissionais de saúde. O
conceito de Atenção Primária à Saúde (APS) é amplamente utilizado em todo o mundo, e países
com sistemas focados na APS apresentam melhores resultados na melhoria dos indicadores de
saúde.
Na mesma linha de raciocínio, Borges (2010, p. 4) diz o seguinte:
A Atenção Primária caracteriza-se por um conjunto de ações de saúde, no âmbito
individual e coletivo, que abrangem a promoção e a proteção da saúde, a prevenção
de agravos, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação e a manutenção da saúde. É
desenvolvida por meio do exercício de práticas gerenciais e sanitárias democráticas e
6
participativas, sob forma de trabalho em equipe, dirigidas a populações de territórios
bem delimitados, pelas quais assume a responsabilidade sanitária, considerando a dina
micidade existente no território em que vivem essas populações. Utiliza tecnologias
de elevada complexidade e baixa densidade, que devem resolver os problemas de
saúde de maior frequência e relevância em seu território. É o contato preferencial dos
usuários com os sistemas de saúde. Orienta-se pelos princípios da universalidade, da
acessibilidade e da coordenação do cuidado, do vínculo e continuidade, da
integralidade, da responsabilidade, da humanização, da equidade e da participação
social (BORGES, 2010, p. 4).
Um marco importante sobre a temática em questão, foi que em 1991, o Ministério da
Saúde instituiu o PACS, com a finalidade principal de ampliar a cobertura do sistema público
de saúde para as comunidades rurais e urbanas periféricas, com ênfase na população materna e
infantil. Em 1994, o MS estabeleceu o PSF, derivado do PACS. A estratégia empregada pelo
PSF visa reorganizar a prática de assistência, considerando a família como o foco principal e
sua interação com o ambiente em que vive (BRASIL, 1997 s/d).
2.3 A fisioterapia na atenção primária
Os relatos iniciais sobre a incorporação da Fisioterapia na Atenção Básica datam da
década de 90, com experiências inovadoras em algumas cidades. Contudo, a inserção política
efetiva ocorre a partir de 2008, com a Portaria no 154/2008 (BRASIL, 2008 s/d), que criou os
Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), incluindo o fisioterapeuta como membro
integrante dessas equipes (FERRIS, 2021, p. 5).
Segundo Portes et al (2011, p. 2), a partir da década de 90, com a promulgação da
Constituição Federal de 1988 e a regulamentação do Sistema Único de Saúde (SUS), entidades
representativas e formadoras ligadas à fisioterapia começaram a promover a inclusão do
fisioterapeuta na assistência básica à saúde. As metas iniciais visavam seguir a tendência das
recentes políticas públicas de investimento e garantir um espaço nesse âmbito de atenção, além
de facilitar a adaptação curricular às Diretrizes Curriculares e a participação em residências
multiprofissionais.
Borges (2010, p. 4) diz que atualmente, o fisioterapeuta é um integrante da equipe de
saúde com sólida formação científica, que trabalha na realização de ações de prevenção,
avaliação, tratamento e reabilitação. Ele emprega nessas atividades programas de orientação e
promoção da saúde, bem como elementos físicos como movimento, água, calor, frio e
eletricidade.
Nesse sentido, Silva (2020, p. 2) defende o papel importante do fisioterapeuta dizendo
o seguinte:
A função do fisioterapeuta ultrapassa a reabilitação, uma vez que ele participa de todo
o processo de produção de cuidado, desempenhando assim um papel crucial na
atenção básica. A integração deste profissional na equipe de saúde deve ser
7
interpretada como uma tática para intensificar esse nível de cuidado, favorecendo uma
maior eficácia e assegurando um atendimento completo. Entre as várias
responsabilidades da fisioterapia na atenção básica, destacam-se a detecção de
distúrbios cinético-funcionais, orientações posturais, estímulo à participação
comunitária em assuntos de saúde, educação contínua, além de recomendações sobre
ambientes e estilos de vida saudáveis (SILVA, 2020, p. 2).
De acordo com Primon et al (2004, p. 7), “A inserção do fisioterapeuta nos serviços de
atenção primária, fazendo parte da equipe multidisciplinar, em programas como “Saúde da
Família”, contribui para a inclusão do profissional na rede básica de saúde”. Ainda segundo os
mesmos autores, a partir da experiência prática dos fisioterapeutas na atenção básica à saúde,
percebe-se que eles têm um objetivo significativo a atingir, considerando a nova realidade das
políticas de saúde. Assim, eles devem atuar como multiplicadores de saúde, trabalhando em
conjunto com uma equipe multiprofissional e interdisciplinar nas Unidades de Saúde da
Família. Desse modo, torna-se crucial repensar o perfil dos profissionais que trabalham na
equipe de saúde, com foco na promoção, prevenção, educação e reabilitação.
3. METODOLOGIA
O presente trabalho se configura como uma revisão da literatura qualitativa e descritiva,
realizada entre os meses de setembro e outubro de 2024, estabelecido através de uma base
teórica, revisão sistemática de literatura. Para esse fim, foram consultadas as seguintes bases de
dados, SciELO e Google acadêmico e utilizadas para a pesquisa as palavras chaves em
português, “Fisioterapia”, “Atenção Básica”, “Atenção Primária” e “Fisioterapia na Atenção
Básica”.
Como critérios de inclusão, foram levados em conta artigos completos em português
relacionados a termos ligados à saúde pública, fisioterapia na atenção primária, fisioterapia
preventiva e fisioterapia no SUS, atenção básica, atenção primária e fisioterapia na atenção
primária. Excluíram-se artigos, teses e dissertações e resultados que não tivessem relação com
os objetivos estabelecidos anteriormente. Utilizando ferramentas de busca online, foram
identificados 30 (trinta) estudos na base de dados Google Acadêmico e 15 (quinze) artigos na
base SciELO. Assim, os estudos reuniram 45 (quarenta e cinco) títulos, dos quais 20 (vinte)
potenciais textos completos foram escolhidos após uma primeira seleção pelo título e resumo,
nestas produções foram utilizados os critérios de exclusão citados anteriormente, restando 10
(dez) artigos aptos para a atual pesquisa.
Após estabelecer os estudos que seriam examinados, as avaliações começaram, a
análise, a organização do conteúdo e a organização dos artigos. Para ajudar na compreensão,
foi elaborado um quadro com os seguintes elementos: “número do artigo consultado”, “título”,
8
“autor e ano de publicação do artigo”, “metodologia utilizada no trabalho”, “Objetivo do
trabalho” e “Conclusão do trabalho”. Isso facilitou na análise que buscou apontar o perfil dos
artigos e organizar em categorias o que ajudou a discorrer sobre o objetivo central desta
produção, facilitando a apresentação e discussão do resultado do presente paper.
4. RESULTADO
Nesta pesquisa de revisão de literatura, procedeu-se à seleção de 45 artigos. Destes,
foram escolhidas 10 publicações que têm conexão com tópicos relacionados à fisioterapia na
atenção básica.
Quadro 1 – Artigos consultados a respeito da fisioterapia na atenção básica da saúde
Nº Título Autor/ano Objetivo Metodologia Resultado
1 A fisioterapeuta na FONSECA, Analisar as Revisão As atividades,
atenção primária de Juliany atividades integrativa da apesar de incipientes
Saúde. Marques desenvolvidas literatura e dos entraves
Abreu da et al pela fisioterapia enfrentados,
(2016) na atenção apresentam bons
primária à saúde resultados. Tal
constatação
demonstra a
importância da
fisioterapia na
atenção primária à
saúde e contribui
para a difusão e
efetiva atuação do
profissional nesse
nível de atenção
2 Atuação do fisioterapeuta Rocha et al. Descrever a Revisão de Identificou-se
na atenção primária à (2020) atuação dos escopo. diversidade de
saúde: revisão de escopo. fisioterapeutas atividades realizadas
que atuam na pelo fisioterapeuta,
Atenção Primária com predomínio do
à Saúde segundo atendimento
evidências específico
disponíveis na individual. As
literatura principais demandas
científica mais são de cuidado
atual centrado nas
doenças/agravos à
saúde e as
dificuldades mais
citadas são a
hegemonia da lógica
curativo
reabilitadora e o
desconhecimento
dos trabalhadores e
gestores quanto ao
seu fazer nesse nível
de atenção
3 Atuação do fisioterapeuta PORTES, Analisar a Levantamento Foram apontadas
na Atenção Básica à Leonardo atuação dos bibliográfico algumas diretrizes
9
saúde: uma revisão da Henrique et al fisioterapeutas, para a atuação do
literatura Brasileira (2011) por meio de uma fisioterapeuta neste
revisão nível, com a
bibliográfica intenção de que estas
sejam ampliadas,
discutidas e
reformuladas.
4 A importância do MAIA, Discutir a Revisão de A atuação
profissional Francisco inclusão do literatura fisioterapêutica é de
fisioterapeuta na atenção Eudison da profissional grande valia para a
básica de saúde Silva et al fisioterapeuta nos individualidade e a
(2015) programas de coletividade de
saúde pública em quem o usufruem
nível de atenção desses serviços,
básica contribuindo para a
melhoria da
qualidade de vida e
longevidade dos
usuários
5 A importância da TOSSI, Investigar as Trata-se de São necessárias
fisioterapia na atenção Keytionara evidências uma revisão de algumas mudanças
primária: uma revisão da Silva; existentes na literatura, para que haja um
literatura RIDIER, literatura sobre a realizada entre aumento na
Katholeen D. atuação do janeiro a maio implementação
de Faria fisioterapeuta nas de 2023 deste profissional na
(2022) ações destinadas à atenção básica e para
prevenção e que suas atribuições
promoção em sejam desvinculadas
saúde, destacando com o caráter clínico
sua atuação e reabilitador para
atribuições ao ser uma visão de
inserido na prevenção e
atenção básica promoção de saúde.
6 Resolutividade da LIMA, Ana Compreender a Metodologia É importante
fisioterapia na atenção Jéssica de et al percepção dos qualitativa e conscientizar os
básica à saúde (AB): a (2017) fisioterapeutas descritiva, com fisioterapeutas da
percepção de atuantes na AB análise de importância da
fisioterapeutas sobre conteúdo. funcionalidade na
resolutividade de definição do acesso
suas ações e a serviços mais
possíveis complexos, desde a
mudanças com a sua formação,
utilização de buscando maior
protocolo de resolutividade na
encaminhamentos AB.
na organização do
serviço
Fonte: adaptado de TOSSI, Keytionara Silva; RIDIER, Katholeen D. de Faria (2022).
5. DISCUSSÃO
Conforme o artigo 5 (TOSSI, Keytionara Silva; RIDIER, Katholeen D. de Faria, 2022,
p.12 apud MAIA et al., 2015), os fisioterapeutas têm uma sólida formação clínica generalista,
habilitando-os a trabalhar em várias áreas da saúde e em variados níveis de cuidado. Seu
trabalho não se limita apenas ao tratamento de enfermidades e lesões, mas também inclui a
prevenção, referência e contrarreferência, educação em saúde e promoção da saúde. A saúde
funcional é um componente crucial no cuidado primário de saúde. Os fisioterapeutas possuem
10
conhecimento e competências para detectar problemas corporais ligados ao movimento e
funcionamento do corpo, elaborar planos de tratamento personalizados, prescrever exercícios
terapêuticos, oferecer orientações ergonômicas e incentivar alterações no modo de vida para
aprimorar a qualidade de vida dos pacientes.
A incorporação da fisioterapia na Atenção Básica à Saúde (AB), conforme o artigo 6
(LIMA, et al (2017), ainda está em fase de desenvolvimento. Portanto, enfrenta desafios
oriundos da natureza exclusivamente reabilitadora da profissão, que estabeleceu suas práticas
assistenciais no tratamento de doenças e suas consequências em ambientes ambulatoriais e
hospitalares, o que era claramente evidenciado nos programas de formação de fisioterapeutas.
Nesse cenário, historicamente, a fisioterapia não fez parte da AB, o que pode ter contribuído
para a limitação do acesso do público a esse serviço.
Conforme o artigo 2 (ROCHA et al, 2020), os Núcleos de Apoio à Saúde da Família
(NASF) são os programas mais relevantes que incorporam fisioterapeutas em suas equipes, com
o propósito de reforçar a atenção primária, proporcionando apoio e assistência especializada
através de profissionais de diversas áreas, incluindo a fisioterapia. Em 2002, o Ministério da
Saúde estabeleceu Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF) com o objetivo
de capacitar profissionais de saúde para trabalhar na atenção básica e reforçar as equipes
multiprofissionais. Essa formação mais completa e a presença nas Unidades Básicas de Saúde
são os principais objetivos dessa formação.
Essa formação mais completa pode auxiliar na integração do fisioterapeuta na atenção
primária. Trata-se de um processo em desenvolvimento que visa expandir o papel dos
fisioterapeutas neste nível de assistência, valorizando a relevância da saúde funcional e da
promoção da saúde na atenção básica. De acordo com Flôr (2023), com a nova política de saúde
fundamentada na Constituição, percebemos a necessidade de expandir a perspectiva sobre o
processo saúde-doença, o que resultou no surgimento de programas para a execução dessas
medidas.
No primeiro artigo (FONSECA et al, 2016), diz durante os últimos dez anos de
implementação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), foram conduzidas pesquisas
para descrever e examinar o papel dos fisioterapeutas nesse novo contexto. Tais estudos
ressaltam que a participação desses profissionais na NASF expandiu suas ações, especialmente
na área da atenção básica, através de atividades coletivas de educação em saúde, grupos e
mobilização da sociedade. Pesquisas revelaram que a prática da fisioterapia ainda se concentra
fortemente em atendimentos clínicos específicos e individuais. Essa predominância de
atendimentos individuais pode estar ligada à grande procura reprimida por esse tipo de serviço,
além de vestígios de uma educação focada nesse tipo de assistência.
11
Ainda segundo Fonseca, é importante que o fisioterapeuta exerça sua função de maneira
eficaz no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), sua habilidade deve ultrapassar a mera
habilidade técnica. O fisioterapeuta, quando inserido no NASF-AB, desempenha um papel
crucial capaz de implementar práticas que possam diminuir riscos e complicações, expandindo
sua atenção para toda a comunidade. Isso abrange o acolhimento holístico, que inclui formação
em saúde, atendimentos individuais, grupos de trabalho e visitas domiciliares.
Esta perspectiva mais abrangente e comunitária é crucial para a promoção da saúde, prevenção
de enfermidades e a assistência completa aos indivíduos e suas famílias (Ibidem).
Por fim, no artigo 3 (PORTES, et al 2011), argumentam que atualmente o fisioterapeuta
é um integrante da equipe de saúde possui uma sólida formação científica, atuando em ações
de prevenção, avaliação, tratamento e reabilitação. Nessas ações, emprega-se programas de
orientação e promoção da saúde, bem como elementos físicos como movimento, água, calor,
frio e eletricidade. A contribuição do fisioterapeuta é crucial para o sucesso do tratamento. E, é
importante que o usuário do SUS compreenda que a fisioterapia não se limita apenas à terapia
manual função de reparação, mas também desempenha um papel resolutivo na saúde funcional
de cada indivíduo, por meio de uma ação preventiva, com o objetivo de reduzir a quantidade de
leitos e os custos associados aos cuidados com a população.
6. CONSIDERAÇÃOES FINAIS
Este trabalho evidenciou a importância do papel do Fisioterapeuta na saúde pública,
especialmente sob a perspectiva de práticas focadas na promoção e na prevenção da saúde,
considerando a totalidade do atendimento e dos serviços, conforme sugere o PSF. A atuação do
fisioterapeuta nas Unidades de Saúde da Família se torna significativa ao colaborar com a
promoção, a prevenção, a recuperação, a reabilitação e a preservação da saúde, alinhando-se
aos princípios do modelo de saúde vigente. No entanto, a integração do fisioterapeuta no PSF
ainda é restrita em algumas áreas do Brasil. Entretanto, a população das regiões afetada e que
foram beneficiadas demonstram grande satisfação com os serviços prestados pelos mesmos
profissionais.
Experiências individuais em algumas áreas regiões brasileiras mostram que a presença
deste profissional enriquece e aprimora ainda mais os cuidados de saúde da população. Durante
a revisão bibliográfica, percebeu-se a falta de livros. É recomendado realizar pesquisas de
campo para avaliar os efeitos da inclusão do Fisioterapeuta no PSF. como identificar as
contribuições do profissional Fisioterapeuta no atual modelo de assistência à saúde no Brasil.
Nesse cenário, verificou-se que o profissional Fisioterapeuta tem se tornado uma figura
crescente na atenção primária à saúde, mas sua participação nesses serviços ainda é um mistério.
12
processo em andamento de construção.
7. REFERÊNCIAS
BORGES, Andrea Maria Pinheiro, et al. A contribuição do fisioterapeuta para o programa de
saúde da família - uma revisão da literatura. UNICiências, v.14, n.1, 2010. Disponível em:
[Link] Acessado em: 15/10/2024.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988.
STARFIELD, Bárbara. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e
tecnologias. Brasília: UNESCO, Ministério da Saúde, 2002.
FONSECA, Juliany Marques Abreu da, et al. A fisioterapia na atenção primária à saúde: uma
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