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Elara e a Ponte dos Ecos: Uma Despedida

Elara ouve passos na ponte atrás de sua casa e, numa noite, vê uma luz azul e ouve a voz de seu filho perdido. Ao segui-lo, ela descobre que ele a salvou do acidente e que as pontes servem para atravessar, não para voltar. No dia seguinte, Elara acorda rodeada por flores azuis, simbolizando sua libertação e o fim do luto.
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Elara e a Ponte dos Ecos: Uma Despedida

Elara ouve passos na ponte atrás de sua casa e, numa noite, vê uma luz azul e ouve a voz de seu filho perdido. Ao segui-lo, ela descobre que ele a salvou do acidente e que as pontes servem para atravessar, não para voltar. No dia seguinte, Elara acorda rodeada por flores azuis, simbolizando sua libertação e o fim do luto.
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🌙 A Ponte dos Ecos

I — O Caminho de Névoa

Toda noite, quando o relógio marcava meia-noite, Elara ouvia passos sobre a velha
ponte atrás de sua casa — mesmo que ninguém mais morasse nas colinas havia anos.
Diziam que ali, quando a neblina era espessa, as almas perdidas voltavam para
atravessar o rio do esquecimento.

Elara nunca acreditara em histórias de fantasmas.


Até que, numa noite de lua minguante, viu uma luz azul flutuando sobre a ponte — e
a voz suave de uma criança chamando:
— “Mamãe... me espera...”

II — O Rio dos Lamentos

Com o coração acelerado, Elara seguiu a luz. A ponte rangia sob seus pés como se
sussurrasse segredos antigos.
Ao meio do caminho, a névoa se abriu, revelando figuras translúcidas, caminhando em
silêncio, cada uma carregando algo — um livro, um brinquedo, um anel.

Uma delas parou diante dela. Era um menino de olhos claros, o mesmo que ela vira
nas visões dos sonhos desde o acidente.
— “Por que ainda choras, mamãe?” — perguntou ele, com voz serena.
Elara caiu de joelhos.
— “Porque não consegui te salvar...”

O garoto sorriu.
— “Mas eu te salvei. Se não fosse por mim, terias ficado naquele carro. Eu só
voltei pra te dizer que podes seguir.”

III — A Travessia

Lágrimas se misturaram à névoa. A ponte parecia brilhar sob seus pés.


Elara estendeu a mão, mas o menino se afastou lentamente, voltando à fila dos que
cruzavam o rio.
Antes de desaparecer, disse:
— “As pontes não servem pra voltar, mamãe. Elas existem pra atravessar.”

No dia seguinte, os vizinhos encontraram Elara dormindo na beira do rio, envolta


por flores azuis que ninguém reconheceu.
Ela sorriu ao acordar — e, pela primeira vez em anos, o som dos passos na ponte
cessou.

“Algumas despedidas não doem — apenas libertam.”

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