Redes II - Roteamento
Professor: Fabio Dias
Alunos: João Victor Barbon e Júlia Imperatore
Turma: 4M
Introdução
O roteamento é uma das bases fundamentais de redes de computadores. Ele é encarregado de
direcionar pacotes entre diferentes redes, decidindo o melhor trajeto para que os dados
cheguem ao seu destino. Neste trabalho, iremos falar dos conceitos básicos de roteamento, os
tipos de algoritmos utilizados, e analisaremos os principais protocolos: RIP, OSPF e BGP.
Conceito
O roteamento é o processo de seleção de caminhos em uma rede para transmissão de pacotes
de dados. O dispositivo encarregado de realizar essa tarefa é chamado de roteador. Seu
principal objetivo é garantir que os dados cheguem corretamente ao destino, utilizando a
melhor rota possível, considerando critérios como distância, custo e desempenho da rede.
Tipos de algoritmos para seleção de caminho
Vetor de Distância:
- Cada roteador mantém uma tabela com a melhor distância até cada destino.
- Utiliza informações recebidas dos vizinhos para atualizar rotas.
- Baseia-se na contagem de saltos (hops).
- Exemplo: RIP (Routing Information Protocol).
Estado de Enlace:
- Cada roteador possui uma visão completa da topologia da rede.
- Envia informações sobre seus enlaces para todos os outros roteadores.
- Baseia-se em algoritmos como Dijkstra para calcular o caminho mais curto.
- Exemplo: OSPF (Open Shortest Path First).
Algoritmos de Roteamento
RIP (Routing Information Protocol):
O que é:
O RIP é um dos protocolos de roteamento mais antigos em uso, criado nos anos 1980. Ele
utiliza o algoritmo de vetor de distância para determinar o melhor caminho até uma rede de
destino, sendo um protocolo interno (IGP – Interior Gateway Protocol) usado principalmente
em redes pequenas ou de médio porte.
Como funciona:
O RIP calcula a melhor rota com base na quantidade de saltos (hops) entre os roteadores.
Cada salto representa um roteador intermediário. O máximo de saltos permitidos são 15
saltos e qualquer destino com 16 ou mais é considerado inalcançável. A cada 30 segundos, os
roteadores enviam suas tabelas de roteamento completas para os vizinhos, o que pode causar
uso excessivo de largura de banda e lentidão em grandes redes. O RIP utiliza o protocolo
UDP (porta 520) para comunicação.
Exemplo:
Imagine três roteadores em linha: R1 ↔ R2 ↔ R3. O R1 conhece apenas a rede diretamente
conectada a ele. Com o tempo, o R1 recebe do R2 a rota para a rede do R3, com um custo de
2 saltos. A tabela de roteamento de R1 é atualizada com essa nova rota.
Vantagens:
○ Fácil de configurar e implementar.
○ Ideal para redes pequenas com topologias simples.
○ Boa para aprendizado de conceitos básicos de roteamento.
Desvantagens:
○ Limite de 15 saltos.
○ Convergência lenta, o que pode resultar em loops temporários.
○ Envia atualizações de tabela com frequência, gerando tráfego desnecessário.
○ Falta de suporte eficiente a balanceamento de carga.
OSPF (Open Shortest Path First):
O que é:
O OSPF é um protocolo de roteamento interno baseado em estado de enlace (link-state),
projetado para redes maiores e mais complexas. Ele é um protocolo da camada de rede (IP) e
foi padronizado pelo IETF(Internet Engineering Task Force) como parte do conjunto de
protocolos TCP/IP.
Como funciona:
Ao contrário do RIP, o OSPF não envia toda a tabela de roteamento periodicamente. Em vez
disso, ele utiliza o algoritmo de Dijkstra (algoritmo de caminho mínimo) para calcular a rota
mais eficiente. Cada roteador constrói uma representação completa da topologia da rede por
meio de mensagens chamadas LSA (Link-State Advertisements). Essas informações são
trocadas entre roteadores por meio do protocolo OSPF Hello, que estabelece vizinhança entre
dispositivos. OSPF organiza os roteadores em áreas para facilitar a escalabilidade, sendo a
Área 0 (backbone) obrigatória.
Exemplo:
Uma empresa com três departamentos distintos (RH, Financeiro e TI) pode configurar cada
departamento como uma área OSPF separada. O tráfego interno circula dentro de cada área,
enquanto o tráfego entre áreas passa pela Área 0, otimizando o roteamento.
Vantagens:
● Junção rápida após mudanças na topologia.
● Suporte para hierarquia de rede e balanceamento de carga.
● Menor tráfego de atualização em comparação ao RIP.
● Mais seguro e robusto para ambientes corporativos.
Desvantagens:
● Necessidade para mais recursos (memória, processamento).
● Configuração e administração mais complexas.
● Curva de aprendizado maior para iniciantes.
BGP (Border Gateway Protocol):
O que é:
O BGP é o principal protocolo de roteamento da Internet. Ele é um EGP (Exterior Gateway
Protocol), utilizado para troca de rotas entre sistemas autônomos (AS – Autonomous
Systems), como provedores de internet, grandes empresas e instituições governamentais.
Como funciona:
O BGP é baseado em políticas e não em métricas fixas como saltos ou largura de banda. Ele
estabelece conexões TCP (porta 179) entre roteadores BGP para trocar informações de
roteamento. O BGP toma decisões com base em diversos atributos, como AS-Path,
Next-Hop, Local Preference e MED (Multi-Exit Discriminator), permitindo controle preciso
sobre como o tráfego é roteado. Ele mantém uma enorme tabela de rotas globais, chamada
Tabela BGP, essencial para a comunicação entre continentes e países.
Exemplo:
Suponha que duas operadoras (AS65001 e AS65002) se conectem para trocar tráfego da
internet. Através do BGP, essas operadoras anunciam suas redes e recebem rotas das demais,
permitindo que pacotes da América do Sul sejam enviados para a Europa via múltiplos
caminhos possíveis.
Vantagens:
○ Altamente escalável e configurável.
○ Permite políticas de roteamento personalizadas.
○ Essencial para a estrutura da Internet global.
○ Capaz de contornar falhas de rede utilizando rotas alternativas.
Desvantagens:
○ Alta dificuldade de configuração e manutenção.
○ Pode demorar para convergir após falhas de rota.
○ Requer conhecimento técnico avançado.
○ Vulnerável a ataques de anúncios incorretos, exigindo políticas de segurança
rígidas.
Conclusão
O roteamento é essencial para garantir a comunicação eficiente entre redes. Compreender os
diferentes algoritmos e protocolos permite projetar redes mais confiáveis, rápidas e
escaláveis. RIP, OSPF e BGP apresentam abordagens distintas e são adequados para
diferentes cenários, desde pequenas redes locais até a complexa estrutura da internet.
Referências
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